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sábado, 4 de novembro de 2023

Relato dos 21km na Ultra Trail Rota das Águas 2023!


Em 2016 participei desta mesma corrida, na primeira edição (se não me engano). E 7 anos depois eu volto para a mesma distância (esta prova aconteceu dia 04 de novembro de 2023).

É interessante como a corrida exige muito treinamento e também humildade. Talvez até possamos falar o mesmo de todos os esportes e até mesmo da vida em geral.

Pra esta corrida, fui praticamente sem treinar: eu confesso! A vontade e desejo de participar foram maiores do que o empenho para treinar. E quando é assim, só sobra uma alternativa: baby steps!

E pra "piorar", me inscrevi nos 21km Dog Montain, que teve mais de 1.200m de elevação acumulada.


Não encontrei qualquer conhecido na linha de largada e o instinto de sobrevivência logo avisou: arranje um parceiro para correr junto! Eu sei que pode parecer bobeira, mas para um amador isso faz a diferença, já que a moral e a camaradagem contam muito! É até bíblico: “Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Eclesiastes 4:10”

Aguardando a largada, me juntei a um corredor mais velho que eu e fomos correndo de maneira lenta e trocando figurinhas por todo o caminho. E enquanto a conversa fluía, fui descobrindo que o Sr. Darci já tinha feito diversas provas longas (inclusive de 100k!) e que era um experiente corredor.

E quando você não treina e vai para uma prova "difícil" para se divertir, só resta ir num ritmo tranquilo, buscando aproveitar os momentos e a paisagem.

 






Cabe ressaltar que como não vivo na corrida (além de não querer e não conseguir), todos os objetivos são sempre pessoais: seja de simplesmente conseguir largar e chegar, até finalizar em determinado tempo. 

A vida já impõe desafios e o esporte sempre vem para "aliviar a pressão", permitindo manter a mente oxigenada e o espírito de resistência sempre em dia. Mas isso não significa que seja fácil! Nem sempre aliviar a pressão significa ter vida mansa! As vezes é preciso passar por dificuldades que levam ao crescimento.

*

*para outras informações, acesse o Strava desta corrida: Strava - Rota das Águas 2023

Por fim, depois de 3h e 38 minutos, chegamos na linha de chegada. Inclusive peguei uma flor (no mato) pra minha esposa e o fotógrafo conseguiu registrar.

 


A sensação de completar uma prova que sabidamente é desafiadora (mesmo para quem treina) só é sentida por quem participa. Não há como descrever, apenas sentir.

E por fim, o abraço da família, fazendo tudo valer muito mais a pena!

quinta-feira, 12 de março de 2020

Relato dos 21km na JaraguáSky!



Gosto de escrever pelo prazer próprio e porque posso, talvez, influenciar alguém positivamente. Por isso o relato abaixo.

Em novembro escrevi sobre minha corrida de trilha e montanha na Ultra Trail Celebration. Você pode ler o relato aqui. 

Também já escrevi sobre três corridas que participei e que me marcaram: Maratona de 42km por praias e trilhas (2014), 23km na Ultra Trail Rota das Águas (2016) e minha tentativa de 50km da Ultra Trail Ribeirão das Pedras (2016). Também já comentei sobre o exercício físico e seus benefícios mentais.

E hoje é dia de falar da JaraguáSky Marathon! Que corrida, amigos!

Pra quem não conhece, este tipo de corrida é chamado de "trail running" ou "corrida de trilha". Porém mais do que sair do asfalto, alguém em algum dia (provavelmente ocioso), resolveu começar a correr em trilhas pelas montanhas - ferrou geral.

Vamos lá. Primeiramente, o percurso da prova. A prova largava no pavilhão de eventos em Jaraguá do Sul e encarava todo este trecho pelas montanas:



Na inscrição constava: Dificuldade - alta. E confesso que não dei bola, porque achei que estava preparado. "Achei", do verbo "cheguei lá e vi que não estava".

A altimetria da prova:




A gente sempre procura estar condicionado para o que vem pela frente, mas o que veio me surpreendeu. Aqui neste maravilhoso vídeo, você pode ver o pico do terceiro morro em que estivemos. É tão alto que o pessoal salta de parapente!

Já de imediato, meus elogios ao pessoal da Ultra Trail Eventos e da TRC Brasil, que como sempre fizeram um ótimo evento. Boa estrutura para os atletas e aquela animação característica das provas!

Disse em outros relatos aqui e repito: corro pra me vencer. Escolho distâncias e lugares que eu simplesmente acho que são desafiadores. E assim foi com na JaraguáSky: 5h e 15min de alegrias e batalhas.


Nas provas que participo, um ciclo sempre se repete: euforia na largada, reflexões de toda sorte pelo caminho e sentimento de conquista na chegada. É sempre assim.

Larguei com meu colega Bruno Wanke e fomos juntos até perto do quilômetro 9, após passar por duas subidas fortes, porém "ok". Até ali o corpo respondia bem e inocentemente achei que se até ali estava legal, o resta estava "ok". Logo percebi que fui juvenil...

Nessa foto do Luis Villar, você pode ter uma ideia de como eram diversas subidas. Sim, meu amigo, era só na base da corda.


Peguei uma do Fábio Holler também, mostrando a subida em mata quase fechada.


Para não dizer que não corri ali, uma minha também: 


A paulera foi grande. Sofri muito. Diversas vezes pensei em desistir - mas do que adiantaria? Desistir de uma prova no meio do mato? Quem iria me resgatar? O jeito era prosseguir.

Ao final da terceira subida (o morro das antenas), cheguei simplesmente moído e fiz questão de fazer a "cara que mais retratasse o estado do corpo" - acho que consegui.


Porém, como é comum após um longo esforço e muita batalha mental, a vitória acaba valendo a pena: 


Apesar do sofrimento, a vista lá de cima era incrível (uma pena estar tão quebrado e não ter curtido ela):

Após as 3 subidas, sabia que teria mais 6 quilômetros de descida (que viraram quase 9, porque a prova acabou com praticamente 24km). E se engana quem pensa que só porque desce é fácil. Como se costuma dizer, "a subida cansa e a descida machuca". Com as pernas em frangalhos, andar foi quase a única opção.

E após mais de uma hora descendo, alternado entre caminhada e corrida nos quilômetros finais, finalmente a glória de ter chego e vencido:


A alegria no rosto não representa o sentimento e as dores do corpo, mas expressa a felicidade de ter vencido a mim mesmo mais uma vez. A medalha não é nada, senão a materialização de todo o esforço e foco necessários.


Obrigado, Ultra Trail Eventos e TRC Brasil! 

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Relato dos 12km na Ultra Trail Celebration!




Relato aqui porque gosto de registrar e escrever é uma maneira de firmar ainda mais a experiência vivida.

Pois bem, neste sábado passado (09/11/2019), após 3 anos sem participar de corridas (aliás, correndo pouco, apenas jogando tênis e outras atividades), resolvi voltar às provas. Sou amador, corro pelo mero prazer do desafio e da alegria envolvida. A medalha pela participação é o foco, em vez do pódio - assim me decepciono menos e me divirto mais.

A ideia de voltar a correr, começou quando comentei sobre esta corrida com um colega da época de faculdade (o Bruno), e como ainda lembro muito bem da minha tentativa de completar os 50km e dos 23km sofridos de 2016, desta vez peguei mais leve, acreditando ser dentro do limite razoável para uma corrida com boas doses de alegria e esforço compartilhados - por isso em inscrevi nos 12km.

Quando falei com o Bruno, ele comentou que inclusive já estava inscrito na prova (sem termos combinado), então era o que faltava pra dar aquela motivação a mais. E como nós dois já estávamos com uma vida bastante ativa em outras atividades físicas, resolvemos fazer uma e tão somente uma pequena trilha, duas semanas antes da prova, pra dar aquela testada na musculatura e já dar um gosto da prova. O resultado:


Nos cortamos em algumas plantas pela trilha, porém, são cortes por viver e aproveitar a vida. Faz parte da emoção!

Pois bem, eis que chega o dia da prova. Acordei às 05:30, tomei café (e nada mais, pois não gosto de comer pela manhã) e o Bruno me pegou em casa às 06:00, rumo à Nova Rússia em Blumenau/SC.

Chegamos no evento e só quem já participou sabe o que é: vida em meio ao mato, tendas, equipes conversando, música, pórtico de chegada com gente ao microfone, local para comer... um verdadeiro espetáculo de experiência.

A prova era de 12km e esta era a altimetria (houve uma pequena mudança, mas dá pra ter uma ideia):


Se você já correu eu trilhas, sabe como é o percurso. Mas se ainda não correu, leia meus relatos anteriores (onde há mais fotos) e na primeira oportunidade, se inscreva em uma prova - há grandes chances de você gostar muito!

E é importante notar que assim como em qualquer esporte, muitas vezes o mental precisa de tanto preparo quanto o físico. São muitas as vezes em que o corpo está bom, mas a cabeça pensa em desistir (pelo simples fato de querer que o corpo pare com o esforço), assim como o contrário é verdadeiro. Treine!


No geral a prova foi "puxada", mas tranquila, em termos de esforço máximo. Ela consistiu de basicamente duas subidas mais fortes e uma boa dose de descida, onde podíamos imprimir uma velocidade mais generosa. A distância menor me ajudou a fazer um tempo legal: 1h e 35min, ficando em 10º colocado na categoria e 30º na geral entre os homens. Estou bem satisfeito, para a primeira prova depois de alguns anos.

Como sempre o evento foi muito bem organizado pelo pessoal da UT Eventos. Profissionalismo e ótimo serviço prestado, tanto em infraestrutura como das pessoas que trabalham. O pessoal do Foco Radical também está sempre presente, registrando estes momentos tão bacanas pra gente.

Finalizada a alegria, comi uma excelente cuca do pessoal da Cia da Cuca (uma das melhores da região!), comprei uma camiseta para corrida, conversei, ri, me lavei no riacho próximo e já comecei a pensar na próxima!

Lembre-se: após uma corrida, não importa a distância, você sempre sai vencedor, pois lutou consigo mesmo e venceu: 


E agora que voltei, já estou de olho e diversas provas para 2020,  pois algumas horas de esforço em meio à natureza são capazes de dar energia para muitos meses de trabalho!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Relato dos 50km na Ultra Trail Ribeirão das Pedras!



Em 2014 tive a oportunidade de relatar a excelente e primeira corrida de 42km que fiz por montanhas, cruzando praias deslumbrantes e tendo o apoio de grandes parceiros de esporte - link. Este ano, também descrevi a graciosa experiência em correr os 23km na Ultra Trail Rota das Águas. E agora conto, de maneira resumida, a experiência que tive ao tentar correr os 50km da Ultra Trail Ribeirão das Pedras!

Na última ocasião dos 23km, fiquei imaginando o que seria correr 50km por montanhas. No gráfico abaixo falta um último morro ao final, mas dá para se ter uma ideia do sofrimento que me aguardava. Seriam mais de 2.300 metros de desnível positivo, ou seja, literalmente, subiríamos em altitude (não distância), um total de 2.3km! O ponto de "corte" seria no km 37,5 e com 07:30 de prova - quem não chegasse lá neste tempo, seria cortado da prova.


Ainda não tenho mais fotos da prova, mas as abaixo (tiradas no local da prova, porém num treino duas semanas antes), retratam o que seria o dia da prova - e que estava muito pior, pois choveu uma semana inteira.



Voltando ao que dizia, após imaginar o que seria correr 50km por trilhas e montanhas, resolvi me inscrever. Olhando agora para o tempo que passou deste os treinos até a prova, reconheço que treinei pouco e não para o que a prova exigiria. Achei que estava razoavelmente preparado, mas falhei. Ao menos aprendi. Faz parte da vida.

Prova no sábado e sexta-feira, então, fui dormir mais cedo e coloquei o relógio para despertar às 04:45, pois haveria de tomar café, me arrumar e perto das 06:00 tinha de sair de casa e ir até o local da prova (uns 30min de carro de minha casa). Cheguei em tempo, peguei o kit do atleta, afixei o número no shorts, fui para o pórtico de largada, comecei a conversar com outros atletas e largamos! Emoções mil estavam para começar!

Primeiro morro subido (o mais longo da prova, aliás), chegamos ao PA-1 (posto de atendimento), tomamos uma água e fomos mata à dentro. Era uma single-track (só cabia uma pessoa na largura, praticamente) bem agradável - muito molhada e cheia de lama, mas excelente para quem gosta! Ao final dela, pegamos uma estrada de terra e emparelhei com outro atleta que também estava tentando correr seus primeiros 50km. Descíamos bem o morro e estávamos no ritmo planejado (mais ou menos 01:30h para cada 10km). Porém, ali, já logo de cara, um erro foi cometido.

Estando muito perto do PA-2, vimos uma placa para seguir reto no caminho dos 50km, porém eu olhei ligeiramente para trás e vi outra placa de 50km, indicando que se devesse subir um morro. Conversei com o colega e achamos que o correto era subir este morro - mas estávamos errados! Aqui, porque somente nós dois pegamos este trajeto errado, isento a organização de qualquer culpa; nós que erramos! [Atualização: fiquei sabendo que ali deveria haver alguém informando e tirando essa dúvida, mas a pessoa descumpriu sua palavra e acabou não aparecendo no dia da prova]

Como sabíamos que o PA-2 estava muito próximo de nós, imaginamos que logo o encontraríamos acima, todavia, ledo engano. Posteriormente ficamos sabendo que este caminho era, de fato, dos 50km, porém num trajeto de volta (por isso que tive de olhar para trás para ver a placa) e isso nos custou mais de 1 hora andando/trotando/correndo errado. Perdemos muito tempo nesta subida e nos caminhos que saiam dela, pois a marcação ainda estava sendo feita naquele local, o que nos levou a ficar sem direção umas duas ou três vezes. Nos dividíamos pelas bifurcações e gritávamos ao alto, a fim de saber se havia encontrado alguma marcação da prova. Voltávamos, seguíamos por alguma estrada; procurávamos algum caminho marcado, mas estando no caminho errado, seria difícil encontrar a marcação correta. Somente quando chegamos bem próximo do topo do morro é que encontramos um dos organizadores da prova (Maicon Cellarius) que olhou com aquela cara de "what?!" para nós e informou que tínhamos pego o caminho errado e indicou o certo. Paciência e obrigado, Cellarius!

Tivemos de retornar do erro e já com 02:40h de prova mais ou menos, finalmente chegamos ao PA-2. O que era para ser 01:30h no PA-2, estava, agora, bem fora da realidade, mas mesmo assim seguimos adiante. Neste momento já estava chovendo a mais de uma hora na prova e o frio começava a aparecer. Seguimos pela estrada da chão, cruzamos o que sempre foi um pequeno córrego (mas que virou um pequeno riacho), se segurando na corda e encaramos outro morro (o mesmo das fotos acima).

O problema é que ao chegar no topo do morro, estava, apenas, no km 15 e já tinham se passado mais de 3 horas de prova. Parei para conversar com o pessoal do ponto de apoio, comi alguma coisa e um estranho frio começou a bater. Chovia, ventava, era alto e eu estava completamente molhado. Avaliei com cuidado e percebi que não queria e muito provavelmente não teria condições de completar os 50km e talvez nem de chegar a tempo no tempo de corte. Some-se a isso que havia combinado com minha família que a expectativa era chegar entre 14:30 e 15:30 de volta, fechando entre 07:30h e 08:30h de prova, o que não aconteceria e os faria esperar muito mais do que o previsto. Resolvi abortar.

Mas como não existe um carro para levar atletas desistentes de um lado para o outro, ainda precisei seguir mais uns 5km até a linha de chegada (segui o caminho do pessoal que estava fazendo a percurso com 26km, abondando, assim, a prova; estava no km 15 pros 50km, mas no 21 para o percurso de 26km - acho que foi isso, não lembro ao certo). Se estes 5km já foram difíceis (tive de correr e ficar mexendo os braços e mãos para não passar frio, porque estava complicado), ficava me perguntando o que seria se tivesse tentado os 50km. Nestes 5 km tive de andar sob a chuva e ficava fazendo reflexões sobre os motivos de ter desistido. Aqui escrevendo, me recordo das Olimpíadas e relembro que até para os mais excelentes atletas, as vezes, desistir é a melhor opção. Desistir para aprender e voltar mais forte.

Assim sendo, mesmo com uma desistência, foram mais de 04:00h molhado, cheio de lama, com frio, vários desconfortos e aproximadamente 30km percorridos no total. Não deu pra fechar os 50km, mas vou treinar para voltar mais forte na próxima e tentar alcançar este feito pessoal. 

Mais uma vez ficam os agradecimentos ao pessoal da Ultra Trail Eventos pela excelente prova projetada e que certamente exigiu muito da logística, especialmente pelo mau tempo e todas as circunstâncias adversas que devem ter surgido.

Que venham mais corridas!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Relato dos 23km na Ultra Trail Rota das Águas!


Hoje é segunda-feira. Estou um pouco dolorido. O corpo reclama em algumas partes, mas a mente está renovada. Nada melhor que muita trilha e barro para começar bem a semana!

Todo indivíduo, ao prestar algum serviço, deveria ter em mente o claro objetivo: proporcionar felicidade, segurança, descontração, resolução de problemas ou seja lá o que for. Não importa qual o serviço prestado - quem compra, quer ficar satisfeito. E eu fiquei satisfeito com o serviço recebido! Satisfeito com a presteza em responder dúvidas via Facebook e por proporcionarem uma solução para um problema financeiro que tive. Registro aqui os parabéns ao Maicon Cellarius, Débora Wanderck, Maurício Pamplona e Márcio Maciel! 

Vamos ao relato. 

Lá pela metade de janeiro deste ano, fiquei sabendo da primeira edição da Ultra Trail Rota das Águas (nas modalidades de 8km, 23km e 50km), que aconteceria na cidade de Gaspar/SC. Como prefiro correr aos sábados, fui logo conferindo se ela cairia neste dia e para minha felicidade, deu tudo certo. Assim, era tempo de treinar e focar nesta prova. Não, eu não sou profissional - mas até os mais mega-bancarés-amadores também precisam treinar, não é mesmo?

Chegando perto da data da prova (19/03/2016), me dou conta de que minha mochila de hidratação não vai muito longe e resolvo comprar outra. O sacrifício foi grande para comprar - ou achava coisa de péssima qualidade, ou custava 600 reais. Foi difícil, mas encontrei essa Mormaii por R$ 129,00 e em princípio, fiquei muito satisfeito.


Como a prova escolhida tinha a sido na distância de 23km e com um desnível positivo acima dos 1.100m, o jeito foi treinar subida de morro e fortalecimento no barro e em tudo quanto pudesse simular o dia da prova (veja aqui um vídeo).



No dia anterior da prova, aconteceu o tradicional congresso técnico, onde os atletas puderam escutar algumas particularidades da prova e retirar suas dúvidas. Foi bacana ver a preocupação da organização, especialmente por se tratar de um trajeto bastante alternativo e com muitas chances do atleta se perder. Creio que a explicação das fitas e do cal no chão foram valiosas (encontrei gente durante a corrida que não sabia disso - e se não tivesse dito a eles, alguns seguiriam reto nas marcações com cal).


Finalmente chega o dia da prova e o relógio toca: 05:15. A largada ficava a mais de 20km de minha casa e além disso, eu gostaria de ver o pessoal-monstro-indivíduos-diferenciados saindo às 07:00 - enquanto a minha seria às 08:00. Levanto, faço café, como as coisas de costume (nunca invente moda no dia da prova!), reviso a mochila nova e parto para o local! 


*Não, eu não levei todas essas bisnaguinhas, ok? 
No fim das contas nem precisaria ter levado.

Aqui, registro meus agradecimentos especiais à Capacitar - Gestão Empresarial, onde tenho orgulho e alegria de trabalhar! Uma empresa voltada à gestão de empresas e que tem prestado um excelente serviço na área de Consultoria Empresarial (nos mais variados ramos - gestão organizacional, administração financeira, análises, custos...). Se quiser entrar em contato, pode escrever nos comentários ou ligar para (47) 8476-3385 (meu número). E eles até forneceram uma camiseta personalizada para mim. :)


Após ver o pessoal dos 50km largando, já bateu aquela ansiedade por logo passar pelo pórtico e começar a corrida!


O bom de se chegar antes nas provas (e em qualquer lugar, na verdade) é que você pode se "ambientar" e bater um papo com o pessoal que vai correr com você. Não sei nos outros esportes, mas o companheirismo é fundamental na corrida e sem ele você está completamente perdido. Então passei aquela uma hora restante conversando com algumas pessoas, trocando experiências e se preparando para a prova. Ouvi vários indivíduos mais velhos e foi muito bom ver pessoas já com seus 50 anos (ou mais) começando a participar de provas em trilhas e morros!

Enfim. dada a largada em minha distância, já morro acima, resolvi passar alguns atletas que estavam à minha frente (eram 153 inscritos para os 23km), para não pegar o "trânsito" que logo iniciaria na primeira subida (já para matar) da prova.

Conforme avancávamos, uma coisa era certa: ainda bem que eu havia escolhido os 23km. A todo momento eu me agradecia por não estar nos 50km. rsrs As subidas eram íngremes demais, a ponto dos atletas subirem andando "em passos de lesma", respirando fundo e só olhando pra baixo. Foi realmente desafiador, mas foi tudo muito excelente. Abaixo, fotos feitas pela Foco Radical.




Chegando perto dos 8km de prova, bem fisicamente, mas "cansado" de ver e passar por tantas subidas, coloco a mão embaixo da mochila (que havia comprado dois dias antes da prova!) e constato: estou carregando uma piscina nas costas. No compartimento para água simplesmente abriu um pequeno furo e tudo que entrava, vazava. Resultado: mais de meia prova carregando uma mochila por causa das barras de cereais, chave do carro e celular - do contrário, não tinha serventia alguma! Foi uma grande decepção com a Mormaii e essa mochila (estou indo trocar a mochila daqui a pouco - se obter êxito e eu me lembrar, volto pra atualizar essa postagem. Editado 1: a loja ficou com a mochila e ficou de trocar ela. Editado 2: depois de 2,5 semanas, recebi outra e até melhor que a primeira - vídeo sobre ela).

Como disse acima, a corrida é feita de companheirismo. Creio que para quem disputa o pódio, existe uma rivalidade bem maior e não hajam tantas conversas pelo caminho, todavia, para quem estava correndo no mesmo ritmo que eu, o importante era fazer companhia pelo caminho e ir se ajudando mutuamente. Fiz várias "breves amizades" pelo trajeto. Constantes "vamos lá" ao próximo, "a piscina está chegando", "na chegada tem comida e cerveja" e outras palhaçadas eram ditas, a fim de minimizar o sofrimento e dar novo ânimo. Várias pessoas passaram por mim e perguntaram se eu estava bem, na hora em que parei para tentar colocar um esparadrapo no dedo que acabou ficando machucado. Foi uma prova "sozinha", mas cheia de pessoas, conversas e fraternidade.


Quando estava perto do fim da prova, pude ver o parque de longe (a prova teve o início e chegada na Cascata Carolina) e bateu uma forte dose de animação. Se eu vi o parque e a chegada era nele, estava muito perto. Ou não! Mal sabia que lá se iriam quase mais uma hora de prova. E para "piorar" a sensação de "quase lá", um tempo depois de avistar o parque, passei correndo pela frente da linha de chegada e vi os meus familiares sorrindo, incentivando e desejando bom fim de prova! Esposa, filho, irmão, pais e até a vó veio estimular! Com tanta animação e tão perto da chegada, achei, realmente, que era só dar mais "uma voltinha" e em questão de minutos estaria abraçando eles!


Por algum motivo que eu não sei explicar, os corredores pagam pra participar deste tipo de prova. Ou traduzindo, pagam para sofrer. rs Meus "minutinhos" que supostamente faltariam para a chegada, na verdade eram ainda pouco mais de meia hora, pois resolveram colocar uma baita subida e descida, justamente quando o atleta já está só no mental, porque o corpo quer parar há muito tempo!

Entretanto, dane-se a última subida! Dane-se a bolha no pé! Dane-se a mochila sem água! Dane-se tudo! Quando enxerguei a linha de chegada e percebi que estava há poucos segundos de encerrar o sofrimento e ao mesmo tempo explodir de alegria, tudo compensou! Foi aquele momento de "acabou! mas que pena que acabou! tem como começar de novo?!"




Não corro pela medalha, troféu ou suco ao final. Não corro porque uma hora o sofrimento acaba. Não corro só para manter o corpo "em dia". Nem corro só porque sempre fiz exercícios. Corro pela experiência que o esporte proporciona e pelas virtudes que ele agrega aos que se dedicam a ele. 

Meus sinceros agradecimentos, mais uma vez, ao pessoal da organização, os quais proporcionaram um excelente sábado, com uma significativa experiência a todos e certamente contribuíram para o amadurecimento mental e pessoal de muita gente! Muito obrigado!



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