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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Carta ao Antenor - um crente que está acima do seu peso ideal


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Saudações, nobre Antenor!

Escrevo, de imediato, lembrando daquele churrasco que tivemos há poucas semanas atrás - realmente excelente! A cerveja, então... No ponto para acompanhar o "sacrifício" e refrescar o corpo. :)

Rapaz, esta carta terá tons mais "informais" do que as demais, tendo em vista que muito lhe considero e aprecio nossa amizade. Todavia, ainda que menos "formal", não deixará de ter importância bíblica.

Lhe envio esta mensagem para tratar de um ponto que o irmão, talvez, não tenha percebido: de que está acima do peso ideal. Evidente que não estou falando que seu percentual de gordura está "x" ou "y" por cento a mais ou tenho em mente alguma conta maluca sobre o peso correto, e sim que assim como eu, muitos tem percebido que você está, sejamos sinceros, bem gordinho e precisando de uma correção alimentar e exercícios - somos homens e homens são sinceros com seus amigos, ok?

Sabe, Antenor, seria muito mais fácil "não estar nem aí" pra você e te ver comendo quilos e quilos de besteira, bem como sentar em frente à televisão e comer aquele monte de "tranqueiras" que você costuma ter em casa. Mas não posso me furtar da responsabilidade que, como amigo, tenho por ti.

Lembremos do que Jesus disse: "E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia" (Lc 21.34 - grifado). Em sua carta aos crentes em Roma, o apóstolo Paulo escreveu: "Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja" (Rm 13.13 - grifado). Também Pedro nos relembra que esta prática de comer desenfreadamente, em verdade, diz respeito ao velho homem: "Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias" (1Pe 4.3 - glutonarias).

Sabemos que a glutonaria, nos tempos bíblicos, dizia respeito a uma série de rituais, onde se passavam grandes tempos comendo, bebendo e fazendo toda sorte de baderna, mas nada impede que entendamos o princípio por detrás dos versículos, a saber, que devemos ter domínio sobre todas as coisas, inclusive com respeito à comida.

Em um dos salmos mesiânicos, encontramos, também, algo importante: "Torne-se-lhes a sua mesa diante deles em laço, e a prosperidade em armadilha" (Sl 69.22). Sabemos que é Deus quem nos dá o que beber e o que comer, tanto que por isso Jesus agradeceu ao Pai pelos peixes e pães, de maneira que cotidianamente repetimos tal padrão, entretanto, não raro, fazemos com que a boa prosperidade de Deus se torne um ídolo em nosso coração, de maneira que, em vez de comermos para viver, quase que vivemos para comer. A mesa farta, então, dada por Deus, se torna um laço de armadilha pelo pecado.

Por isso, Antenor churrasquinho (hahaha - me permita voltar ao tom mais informal :), continue com seus churrascos (e me convide!), pizzas, lasanhas e tudo o que quiser, mas viva conforme a Escritura, ou seja, com domínio próprio, conforme lemos: "Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança" (Gl 5.22 - grifado).

Ah, e por favor: não dê desculpas para o pecado. Eu sei que existem indivíduos com reais problemas e que possuem algum desvio no organismo, de modo que engordam muito mais que as pessoas "normais" - todavia, não é o seu caso e você sabe disso. Você está acima do peso porque come muito mais do que a energia que gasta.

Já aviso de antemão, é claro, que não será fácil se reeducar na alimentação e fazer alguns exercícios para perder estes quilos extras, mas lembre-se do alvo de todas as coisas na vida cristã: "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31). Melhor é se esforçar agora e colher bons frutos depois, do que ligar para o pastor, irmãos da igreja e ficar pedindo oração pela pressão que está fora de controle, não é mesmo? Além de gastar com remédios e afins.

Estou certo de que fazendo essa mudança em sua vida, você não somente terá mais saúde e disposição, e sim será um marido mais atraente para sua esposa (ou você acha que ela gosta de ter um homem assim tão maior que ela? acho que não deve gostar...), um pai mais ativo nas atividades físicas com os filhos, bem como poderá ajudar de maneira mais vigorosa no serviço ao Reino de Deus.

O Senhor seja contigo! Um abraço!
Em Cristo, Filipe Luiz C. Machado

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Carta ao Sansão - Um crente que pensa que a Bíblia só fala de salvação


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Bom dia, Sansão! Lembrei de você hoje pela manhã, após ler algumas notícias no Facebook acerca de algumas postagens sobre política. Como estão todos em sua família? Seguem progredindo em fé e no amor para com nosso Senhor? Espero que sim.

Amado, rapidamente, como conhecido teu e pessoa que se importa contigo, quero lhe chamar a atenção para um problema que tenho percebido em tua vida: a crença de que a Bíblia só fala de salvação e de que ela não menciona sobre como devemos viver neste mundo. Deixe-me explicar.

Desde os tempos que você conheceu as doutrinas da graça, tenho percebido que você parece ter esquecido de que a Bíblia não fala apenas do porvir, isto é, do céu, inferno e da eternidade, e sim que ela também prescreve como os crentes devem viver neste mundo. Muitas vezes você tem repetido que "somos cidadãos dos céus" e por isso não precisamos nos preocupar com este mundo, pois ele "jaz no maligno". Sim, é verdade que o mundo está morto no maligno, mas a Escritura afirma que devemos ser "sal e luz" por aqui.

Em especial, venho percebendo que no âmbito político, você crê que pode ser um cristão e ao mesmo tempo defender propostas totalmente contrárias ao Evangelho. Veja, por exemplo, sua defesa em prol da "reforma agrária", algo que não é bíblico, pois a Bíblia é clara em demonstrar que a propriedade privada é um direito social. Sim, Sansão, eu sei que existem muitas pessoas que são donas de imensas terras, mas isso não habilita o governo a retirar deles esse direito - sinto muito. 

Outra coisa que noto é sua familiarização com os chamados "movimentos de esquerda", os quais pregam que o governo deve intervir na economia, deve fazer a chamada "distribuição de renda" e outras coisas mais. Inclusive, meu amado, cheguei a ver que você apoia a maldita ideia de "retirar do rico" para "dar ao pobre", forçando os ricos a pagarem mais impostos, também. Onde isso se encontra na Palavra?

Vi, ainda, você dizendo que o cristão não tem o direito à legítima defesa e que ter armas em casa é sinônimo de pouca confiança no Senhor? Como assim? E todas as passagens bíblicas no AT e NT sobre isso, onde vemos claramente os cristãos se defendendo quando necessário?

Outrossim, me recordo de ter visto você apoiando a ideia de que cabe ao governo a ajuda aos pobres, sendo que, biblicamente, isto sempre foi papel da Igreja do Senhor, pois o pão físico, sem o verdadeiro Pão, é completamente inútil.

Sendo sincero contigo, preciso lhe perguntar: quais são suas bases bíblicas para defender este tipo de coisa? Noutras palavras, por que você acha que a Bíblia não se importa com estas suas atitudes? Acaso você acha que ter ciências da soberania de Deus e da depravação do homem, lhe levará para o céu? Sendo ainda mais direto, você crê que ser "calvinista", "reformado", "de Jesus" ou qualquer outra coisa que o valha, te levará para o céu? Amigo, a salvação é pela fé em Cristo!

Mas, meu amado, embora a salvação seja pela fé em Cristo, lembre-se das palavras sagradas: "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). E para o caso de você se perguntar "como Cristo andou, já trago a resposta: "E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24.44).

Pelo que tenho visto, você não conhece a Lei do Senhor e Sua Palavra de maneira correta, pois estás proclamado, "curtindo" e "compartilhando" coisas contrárias ao estabelecimento de Deus. Veja que a Lei do Senhor tem um propósito muito claro: "Guarda e ouve todas estas palavras que te ordeno, para que bem te suceda a ti e a teus filhos depois de ti para sempre, quando fizeres o que for bom e reto aos olhos do Senhor teu Deus" (Dt 12.28). A Lei do Senhor nos livra do mal e nos abençoa.

Portanto, Sansão, embora aprecie nosso contato, rogo ao Senhor para que mude o teu coração, de maneira que você entenda que o Senhor é é dono de todo o nosso ser e que Sua Palavra não fala apenas de salvação, e sim sobre como o cristão deve viver em cada aspecto de sua vida, afinal, assim somos instados: "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31).

Que o Senhor seja contigo e te leve ao arrependimento.

Em Cristo,
Filipe Luiz C. Machado

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Carta ao Osnildo - Um cristão que pensa em colocar seus pais no asilo


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Querido Osnildo, graça e paz. Obrigado por me escrever na semana passada e pelos convites enviados para o churrasco - tão breve seja possível desejo estar junto com tua família! Também lhe agradeço pela forma carinhosa com que você tem tratado os irmãos da igreja, de modo que muitos têm dado bom testemunho de sua conduta.

Nesta breve carta pretendo lhe falar sobre aquele assunto que você comentou comigo, a saber, a possibilidade de colocar seus pais em um asilo. Lembro que tinhas comentado acerca de sua idade "um pouco mais avançada" (65, certo?), de ser filho único, de seus filhos já estarem criados e você não ter condições adequadas para sustentar seus pais, os quais atualmente recebem uma pequena aposentadoria do governo. Realmente é uma situação difícil. Sei de seu esforço durante estes anos com seus pais e que atualmente não vê outra solução, senão os colocar em um asilo. Me permita, porém, amado irmão, tecer algumas considerações.

Antes de mais nada, deixo registrado que não estou atacando as instituições que acolhem as pessoas de idade. Tenho grande apreço por todas que fazem um excelente trabalho, muitas delas de maneira filantrópica e que demonstram extremo carinho por aqueles que por algum motivo tiveram de ir até lá. Louvado seja o Senhor por prover um local para todos aqueles senhores e senhoras.

Mas a primeira coisa a se notar é que a Bíblia Sagrada nos coloca uma grande responsabilidade para com nossos filhos, cada qual devendo os ensinar no bom caminho do Evangelho (Dt 6.7) - isto você fez com maestria para com os teus, de maneira que pela graça do Senhor todos seguem firmes na Palavra. Por outro lado, o que foi tratado como filho, um dia será pai e precisará de cuidados, o que juntamente ocorre com seus pais. Neste sentido, a Escritura é bastante evidente: "Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus" (1Tm 5.4).

Observe que o apóstolo Paulo instrui a Timóteo para que no tocante ao cuidado com os membros da igreja, ensine a família a prestar caridade para com os seus. Naquela situação em específico, muitas viúvas estavam vivendo às custas da igreja, sendo que tinham familiares crentes, os quais não estava fazendo o devido esforço para as amparar. Note, igualmente, algo importante: "aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família". Muitas vezes somos rápidos (ou nem tanto) para ajudar o desconhecido, aquele que nunca vimos, mas quão lentos somos para exercer o amor para com nossos parentes próximos - tudo isso sob inúmeros argumentos, alguns válidos, outros não.

Existe, outrossim, um ponto salutar: "se alguma viúva tiver filhos, ou netos". Seus pais têm somente a você como filho, mas eles também possuem netos - não me falha a memória você possui dois filhos, certo? Isso se traduz em que, segundo a Escritura, não somente você pode e deve os amparar, e sim também seus filhos, a fim de que os primeiros pais possam ter os provimentos necessários. É bem verdade que não mais vivemos naquela sociedade com muitos filhos (o que possui consequências sérias para a humanidade, pois mais filhos podem ajudar melhor os pais, por exemplo), todavia, o dever bíblico permanece independente disso.

Neste momento, recordemos do dito de Tiago: "A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo" (Tg 1.27 - grifado). Imagino que o irmão possa pensar que iria visitar seus pais no asilo, mas a pergunta é: isto seria o mesmo que cuidar de seus pais, ou seja, "exercer piedade para com a sua própria família"? Imagino, também, que o amado raciocine que é melhor deixar os pais em um asilo, do que não ter condições de os cuidar - o problema, entretanto, é que se o irmão não possui condições de lhes sustentar, terá de procurar um asilo público (que será difícil encontrar e achar uma vaga) e deixará seus pais aos cuidados de pessoas que não lhes levarão da Palavra de Deus diariamente, bem como "sabe-se lá nosso Deus" como deles cuidarão.

Dois versículos muito preciosos podem lhe ajudar a refletir: "Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós" (Mt 7.1-2). Ao contrário do que muitos pregadores dizem, este texto se encontra em conjunto com a repreensão ao julgamento desmedido para com o próximo - o típico farisaísmo combatido por Jesus. Aqui, somos instados a julgarmos de maneira equilibrada, "Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados". Isto significa dizer que se o irmão pensar ferranhamente desta forma (colocar seus pais no asilo) e não se propuser a achar uma forma melhor, sendo intransigente, não poderá reclamar se fizerem o mesmo com você e com sua esposa.

Um pouco adiante no capítulo de Mateus, lemos: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mt 7.12). Neste instante, deixo a pergunta ao irmão: você gostaria de que seus filhos o colocasem em um asilo? Todas aquelas fraldas trocadas, o dinheiro árduo investido na educação dos mesmos, a abnegação, as tristezas, as felicidades, tudo o que passou com eles para depois ser "idoso" e ser colocado em uma casa de abandono? Permita, por favor, ser "severo aqui", pois um asilo, por mais que seja um casa com outros semelhantes, nunca será como a companhia dos filhos e netos.

Finalizando, querido irmão, sei que sua casa tem espaço limitado e que também sua renda mensal é pequena, mas quando você tinha filhos em casa, o mesmo não acontecia? Noutras palavras, quando seus filhos estavam crescendo, você também não vivia "apertado"? Ademais, seus pais não lutaram muito para lhe dar uma vida nas melhores condições que puderam? Então, por que agir com certo egoísmo neste momento? Cuide, precioso irmão, para não cair nas ciladas do pecado, o qual nos diz que o tempo de velhice é para "descansar e curtir a vida sem preocupação" - lembre-se que a melhor maneira de viver a vida é cumprindo a vontade de Deus e vivendo para Sua glória (1Co 10.31).

Assim, aqui me despeço, não ordenando ao irmão que não coloque seus pais no asilo (pois teríamos de conversar melhor), mas o levando a pensar sobre as consequências que isso pode ter, bem como se gostaria de ser tratado desta mesma maneira. Tenha em mente que Cristo deu Sua vida por Seu povo, não poupando esforços para os proteger e os guardar de todo o mal - e creio que todos nós devemos fazer o mesmo, afinal, "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6).

Que o Senhor seja contigo e no que precisar, lembre-se que a igreja é o corpo de Cristo (Ef 1.22-23), de maneira que é mil vezes preferível "passar necessidade" e ser acudido pelos irmãos para ajudar os pais, cumprindo o bom dever de cuidar dos mesmos na velhice, a se livrar de "um problema" e ser tratado da mesma forma posteriormente. Recorde do santo dever que não acaba quando se completa 18 anos: "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa" (Ef 6.2).

Um grande abraço e Cristo seja com tua casa!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Carta ao Giovani - Um crente que usa o celular durante o culto


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, Giovani. 

Como você já deve ter lido, a Bíblia afirma que não devemos repreender o rebelde, aquele indivíduo orgulhoso e que não deseja aprender, mas, sim, ao sábio, pois este ama ser guiado na sã doutrina - "Não repreendas o escarnecedor, para que não te odeie; repreende o sábio, e ele te amará" (Pv 9.8). Desta forma, quero crer que a presente carta é dirigida a você como sendo sábio, alguém prudente, mas que atualmente tem tido uma certa atitude que não condiz com a vida cristã.

Veja, querido Giovani, que tenho reparado (assim como outras pessoas) em sua atitude durante o culto ao Senhor. Embora demonstre interesse pela Palavra, muitas vezes quando os olhos se voltam para você, vejo que estás de cabeça baixa, mas não para orar ou meditar, e sim para utilizar o seu celular. É bem verdade que este dispositivo móvel é uma grande bênção e em situações excepcionais pode ser utilizado durante o culto, para o caso de uma chamada de emergência ou uma mensagem que necessite de resposta imediata; creio, porém (e tenho certas testemunhas que corroboram este entendimento), que não seja o seu caso.  Certamente não estou me referindo a usar o celular para gravar o culto ou mesmo como o antigo bloco de anotações, e sim às atividades frívolas e que não condizem com o culto ao Senhor. Deixe-me explicar melhor.

A Bíblia, sob a égide do Novo Testamento, afirma que não existe mais um santo lugar para adorar ao Senhor, como Jesus disse àquela mulher: "crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai" (Jo 4.21). Assim, o local onde junto congregamos, não se torna mais santo do que o seu quarto, pois "Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade" (Jo 4.24), seja onde você estiver, afinal, "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31). Entretanto, não é porque o local deixe de ter alguma santidade maior, que isto enseje razão para brincarmos durante o culto.

Sei que ainda você não leu o Antigo Testamento inteiro, embora já devesse ter lido, pois há alguns tempo você professa a fé Cristo, mas importa notar que durante as cerimônias daquele tempo, havia uma santíssima reverência do povo à palavra pregada, às admoestações e exortações. No Novo Testamento também, como, por exemplo, quando o autor escreve aos Hebreus no capítulo 12, versículos 18 até 29. Note que aquele autor se dirige aos crentes judeus e diz que os antepassados "não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um animal tocar o monte será apedrejado ou passado com um dardo. E tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo assombrado, e tremendo" (Hb 12.20-21). Durante a manifestação de Deus no Monte Sinai, ninguém deveria tocar no monte, sob pena de ser morto. Todavia, diz o autor que agora, "chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos" (Hb 12.22), isto é, se anteriormente o povo não poderia tocar no monte, agora a Igreja chegou como que àquele monte, à cidade do Deus vivo e à Jerusalém celestial, isto é, a realidade do que aquilo era a sombra!! Note, ademais, como há uma firme admoestação ao povo: "Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus" (Hb 12.25). E finaliza dizendo: "Porque o nosso Deus é um fogo consumidor" (Hb 12.29).

Perceba, desta forma, que conquanto não estejamos mais diante do Monte Sinais em chamas, a mesma visão que fez Moisés dizer "Estou todo assombrado, e tremendo" (Hb 12.21), é a que hoje fala por meio dos presbíteros, isto é, dos pastores. Tanto é verdade, que logo adiante na mesma carta, o autor escreve dizendo: "Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil" (Hb 13.17). Certamente que não estou dizendo que você deve obedecer cegamente ao que ouve do púlpito, porque é um dever de todo o crente examinar a Escritura, a fim de saber "se estas coisas eram assim" (At 17.11), mas subsiste o dever imperioso de atentar para o momento do culto, pois o vosso pastor cuida de sua vida.

Neste mister, Giovani, lembre-se que o dever de obedecer ao pastor, não é o fim, mas o meio. Quer dizer, quando Jesus diz que quando fizemos o bem à família da fé (1Tm 5.8), "a mim o fizeste" (Mt 25.40), se depreende o entendimento de que quando recebemos algo de alguém - o que inclui a pregação da palavra -, estamos recebendo o próprio Senhor, conforme Ele registra em Sua Palavra: "E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores [...] Querendo o aperfeiçoamento dos santos [...] Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo" (Ef 4.11-13 - grifado agora).

Entenda, amado irmão, que uma vez que a Igreja do Senhor deve ser unida para mútua cooperação (Ef 4.1-7), você deve cessar com suas mensagens de celular, jogos e demais distrações durante o culto, pois muito embora, como já dito, você não esteja em um local mais santo do que os demais, quando você se reúne com os irmãos, se empenha em juntos louvarem ao Senhor e d'Ele aprenderem mais. Assim, é uma ofensa a Deus que ordenou pastores para edificação de Seu povo, quando você faz pouco caso da pregação. Ainda neste deságue, sua distração com o celular, além de lhe prejudicar, atrapalha outros irmãos que pretendem prestar a atenção no culto.

Por fim, mas não menos importante, jamais se esqueça, sem querer se reduntante, que o culto não termina quando acaba, ou seja, ainda que o pastor tenha cessado sua pregação e até mesmo todos já tenham se despedido, é a partir deste momento que começa, talvez, uma das partes mais importante do culto: o viver aquilo que se ouvir, porque assim somos instados: "sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tg 1.22).

Que Deus lhe abençoe e lhe encaminhe ao firme temor do Senhor.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Carta ao Durvalino - um solteiro que reclama de seu amigo que casou


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, Durvalino.

Desculpe-me pelo "tom" da carta e por sua brevidade, mas às vezes precisamos ser um pouco mais incisivos, a fim de que não permitir brechas ou condolências desnecessárias.

Amado, tenho visto que você reclama constantemente do Rivaldo, seu amigo que recentemente se casou. Em muitas ocasiões, pelo que fiquei sabendo, você tem andado chateado e cabisbaixo, pois, conforme li em seu próprio e-mail enviado a mim, "ele já não é aquele amigo para todo momento, não tem mais tempo para conversarmos...". Você também tem ficado bravo, muitas vezes, porque ele "tem que ficar" - expressão maldita, não a use mais - com a esposa.

Durval, permita-me lhe chamar assim, seu amigo Rivaldo está agindo perfeitamente. Ele, na verdade, não é mais solteiro e você precisa, urgentemente, compreender isso. Ele não pode e não deve continuar dando toda a atenção que anteriormente vocês tinham como melhores amigos. Agora ele é casado, tem esposa e precisa dedicar todo o tempo possível para ela - "o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher" (1Co 7.33). Certamente que Paulo não está dizendo que cuidar da esposa é cuidar do pecado, como se "mundo", aqui, tivesse essa conotação.

Você terá de achar, caso queira,  outro companheiro para sempre se reportar. Lembram dos jogos de futebol juntos? Esqueça, Rivaldo é agora casado e muitas vezes terá de abdicar dos jogos. Recorda daquelas caminhadas e trilhas pelo mato? Esqueça, também, pois seu amigo agora precisa cuidar e amar sua esposa - eventualmente ele irá, mas não conte mais com isso. Talvez você se lembre de como visitava a casa dele (na época, dos pais dele) e ficavam um final de semana todo juntos, certo? Igualmente, cesse com essa prática - você poderá visitá-lo e também, quando muito necessário, dormir na casa dele; mas lembre que agora, a casa dele, pertence a ele e sua mulher.

Sim, já sei o que você está pensando: que a Bíblia diz que há o amigo mais chegado que o irmão (Pv 18.24) e que é melhor andar em dois do que a sós (Ec 4.10). Mas é também verdade, Durval, que a Escritura afirma: "deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24; Mt 19.5; Mc 10.7; Ef 5.31). Seu amigo agora é um com a esposa dele, não contigo.

Note que é preciso que você compreenda qual seu papel como solteiro. Você não é solteiro para ficar saindo sem ter qualquer regra ou para gastar todo seu dinheiro quando e como quiser. Absolutamente não! Espero que nenhuma dessas ideias esteja em sua mente, porque estas ideias são vindas do diabo. Olhe o que Paulo diz, antes de ele escrever sobre os casados: "O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor" (1Co 7.32).

Como solteiro, seu papel é de buscar realizar as coisas do Senhor. Sim, sei que comumente os solteiros ficam um pouco "assim" quando seus amigos casam, pois parecem perdê-los. Mas lembre-se que há outros solteiros em sua igreja - busque uma maior amizade com estes.

Falando em igreja, certamente há muito trabalho na sua para fazer e, me dê esta liberdade de dizer: é você quem deve ser o primeiro a chegar e o último sair. Você, como solteiro, deveria sempre ajudar a limpar as cadeiras e as colocar no lugar depois do culto. Por que deixar todo o trabalho para os já casados? Por que isso, meu amado? Por que tenho lhe visto poucas vezes "pegando no batente" nos momentos necessários? Aliás, por que é que você ainda não começou a comprar livros, estudar firmemente a teologia bíblica e não cessou com suas fantasias de menino? Dir-me-ás que desejas ainda aprender a voar?

Você é solteiro e precisa compreender que seu papel é o de ser o mais ativo possível em sua igreja e família. Permita-me lhe perguntar ainda: por que seu pai é quem sempre tem que cortar a grama e quando pede sua ajuda, sua mãe se lembra das dores de parto, tamanha é a dificuldade para conseguir "seu favor"? Por que seu pai é quem faz os serviços pesados enquanto você fica horas e horas no computador? Como você dorme em paz, sabendo que sua mãe está com dores nas costas por ter esfregado o chão enquanto você assistia a seu programa favorito? Como pode ser que você tem se recusado a cuidar de sua irmã mais nova, quando ela precisa de um homem protetor ao seu lado?

Receio que não somente você esteja entendendo errado sua amizade com o Rivaldo, agora já casado, mas, igualmente, ainda não compreendestes o que é um verdadeiro homem.

Querendo, me escreva de volta.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Carta para a Ritalavasaia - Uma Mulher que Crê Falar em Línguas


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, Ritalavasaia. 

Permita-me iniciar dizendo que a primeira vez que ouvi seu nome, o achei um tanto quanto diferente. Lembro-me de ouvir você explicando o motivo dele: certa vez sua mãe estava falando em "línguas" (ou julgava assim fazer) e "profetizou" que a primeira palavra que saísse de sua boca, seria o nome da próxima filha que o Senhor daria. Confesso: uma história um tanto quanto interessante.

Bem, na verdade, não estou escrevendo esta carta para falar sobre seu nome, mas sim acerca de algo que você realiza: o chamado falar em "línguas". Ainda é recente em minha memória aquele dia em que você me encontrou no terminal de ônibus urbano e, logo em seguida, você se deparou com outra mulher que começou a profetizar e falar em línguas estranhas sobre você - se me recordo corretamente, era sobre alguma viajem, bênçãos e outras coisas mais de sua vida. Lembro-me também que aquela mulher ficou um tempo considerável repetindo exatamente as mesmas palavras, mas toda vez tinha um significado diferente - segundo o que ela mesma "interpretava".

Todavia, acontece que esta prática de falar em "línguas", não é bíblica. Sim, eu sei que você pensa que é e que em sua igreja muitas pessoas alegam ter este "dom" de Deus. Mas, deixe-me esclarecer algumas coisas:

Talvez tenham lhe ensinado que o "batismo com o Espírito Santo" seja uma segunda bênção que o crente recebe, de modo que quando ocorre, ele fica verdadeiramente capacitado para a obra do Reino - o sinal desta bênção, então, seria o falar em "línguas" estranhas/angelicais. Porém, preciso ser sincero com você e dizer que isso não é verdade. O que a Bíblia retrata no livro de Atos dos Apóstolos, não é uma segunda bênção, e sim o cumprimento de uma promessa de Jesus, que havia dito que após Sua ascensão aos céus, não deixaria os Seus discípulos sozinhos, mas enviaria o Consolador, a saber, o Espírito Santo (Jo 16.7). Assim sendo, quando ouve o derramamento do Espírito Santo registrado no capítulo 2 de Atos, se fazia concreta a promessa de Cristo. Note, porém, que as línguas lá faladas, não eram "línguas estranhas", mas sim humanas: "E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu... Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (Atos 2.5, 8-11 - grifo meu).

Poder ser que você ainda continue persuadida de que o que digo não seja verdade, pois você entende que após o evento que se deu na festa do Pentecostes (observe é que a festa se chamava Pentecostes, e não a bênção - portanto, o termo "cristão pentecostal", é um tanto quanto equivocado), outros discípulos receberem o Espírito Santo pela imposição de mãos (At 9.17; 19.6). Ocorre que este fato é facilmente respondido pela ordem cronológica dos acontecimentos. Em outras palavras, uma vez que o Espírito Santo ainda não havia sido derramado em Sua plenitude, mas alguns já haviam sido batizados antes d'Ele ser enviado a todos os crentes, estes (os batizados antes da vinda) precisavam recebê-lO. Aqui se encontra o motivo porque alguns receberam o chamado "batismo do Espírito Santo" após o batismo das águas: porque na época do seu batismo, ainda o Espírito Santo não havia sido enviado para todos os cristãos. Por consequência lógica, os que iam sendo convertidos e batizados após a vinda do Espírito, no próprio batismo já recebiam-O, não havendo o porquê de esperarem uma segunda bênção,

Sei, irmã Ritalavasaia, que naquela vez que estávamos conversando sobre este assunto, você citou a questão de Paulo dizer: "Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine" (1Co 13.1), e também: "O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja" (1Co 14.4). Deixe-me, então, tecer breves comentários sobre estas duas passagens.

Realmente não sei como andam seus estudos teológicos e quanto tempo você tem dedicado semanalmente ao estudo sério das Escrituras (também não sei se seu marido tem feito o "dever de casa" e lhe auxiliado na compreensão da Palavra do Altíssimo). De qualquer maneira, e me perdoe a sinceridade "brusca", mas apelar para estes dois versículos, como que buscando neles um aval positivo para esta prática de "falar em línguas", é ser mal entendedor e estudioso da Bíblia.

Quando Paulo fala em línguas "dos anjos", talvez você não saiba ou omitiram a verdade em sua igreja, mas o apóstolo está se utilizando de uma hipérbole - um recurso literário que fala um absurdo, a fim de esclarecer e dar maior ênfase ao assunto. É como se ele dissesse: "ainda que eu subisse o monte Everest 10 vezes num só dia, se não tivesse amor...". Sob hipótese alguma, Paulo poderia falar literalmente a língua dos anjos, pois de imediato surgiriam três problemas: 1. de quais anjos ele estava falando - dos santos ou dos caídos? 2. Como um homem pecador poderia ter em seus lábios o santo palavreado dos anjos que nunca pecam, isto é, como uma linguagem absolutamente pura iria conviver com um coração inclinado para o mal, ainda que regenerado? 3. Aliás, se tal coisa fosse possível e supostamente alguém pudesse falar em tal idioma, como é que há tantas divergências de interpretações sobre a mesma "frase" que alguém profere? Caso ainda esteja convicta desta ideia, sugiro que grave você mesma falando em línguas e, depois, enviarei esta cópia para diferentes pessoas que dizem ter o "dom de interpretação" - se for de Deus, tenho certeza que todas as interpretações serão cem por cento idênticas, pois o próprio Paulo afirma no capítulo seguinte: "Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos" (1Co 14.33).

Com relação a quem fala em "línguas" e "edifica-se a si mesmo", se percebe outro absurdo pregado em muitos púlpitos. Basta se dedicar algum tempo a esta passagem e se irá perceber que edificar a si mesmo, na linguagem e contexto de Paulo, não faz qualquer sentido, exceto se compreendido como sendo, também, uma hipérbole ou ironia. Se tal fato fizesse sentido, bastaria que quem fala em línguas, se trancasse em seu quarto e durante horas a fio falasse diretamente com o Senhor - ao sair do aposento, penso que seu rosto brilharia como o de Moisés que falou com Deus (Êx 34.30). Destarte, o que Paulo está dizendo é em sentido irônico, pois veja que ele está falando que todo dom é dado para a edificação da igreja de Deus: "Assim também vós, como desejais dons espirituais, procurai abundar neles, para edificação da igreja" (1Co 14.12). Logo, não poderia afirmar o oposto, isto é, que alguém poderia ter um dom que tão somente edificasse a si próprio.

Portanto, irmã Ritalavasaia, ore ao Senhor para que Ele lhe conceda entendimento e, por fim, cesse com esta prática. Não dê ouvidos àquelas mulheres amigas suas e a alguns homens amigos seus e de seu marido, que dizem que você precisa falar em "línguas", afinal, como lemos abundantemente nas Escrituras, o que o Senhor deseja não são atos externos, mas sim internos; não sacrifícios ritualísticos, mas conhecimento e misericórdia (Os 6.6); não o rasgar das vestes, mas sim o do coração (Joel 2.13); não a limpeza de objetos, mas a do homem interior (Mt 23.25) - todas as estas coisas, mostrando e ensinando-nos que o verdadeiro cristão não é o que fala em "línguas" e fica num balbuciar sem sentido diante da igreja, mas sim aquele que se dedica a compreender e praticar o ensino genuíno e puro de Deus.

Recomendo que da próxima vez que se sentir "tentada" a falar em "línguas", lembre-se de que isso não agrada ao Senhor, nunca foi uma prática da igreja histórica (procure ler e estudar sobre a história da Igreja) e não é possível ser defendido biblicamente.

Que o Senhor seja contigo e te liberte do misticismo em que estás inserida.

Em Cristo e para a progressão de Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Carta ao Eduardo - Um Homem que Pensa ser Reformado


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, Eduardo. Talvez você não lembre muito bem de mim, mas sou o Filipe, aquele com quem você já conversou pela internet acerca de alguns assuntos das doutrinas da graça. Como estão as coisas com sua família? A relação entre vocês está melhorando? Oro ao Senhor para que sim.

Estou lhe enviando esta carta, Eduardo, e já inicio pedindo para que não a leias como sendo algo diretamente a você, mas sim com relação ao movimento em que dizes estar engajado. Lembro-me de tê-lo visto pela internet e em algumas vezes tenho percebido que você tem tentado defender sua posição "reformada" com relação à vida cristã. Acontece, meu caro, que sua posição dita "reformada", nada mais é do que um brevíssimo entendimento daquilo que todo e qualquer cristão precisa saber. Deixe-me explicar:

Muitas vezes as pessoas têm se autodenominado "reformadas", somente porque creem na soberania de Deus, na depravação do homem e na incapacidade do mesmo ir até o Senhor. O problema é que estas coisas, embora sejam verdadeiras e todo professo da fé cristã tenha de tê-las como certas para ser um verdadeiro cristão, não significa que tal pessoa seja um crente "reformado". Por "reformado", estou querendo dizer que é aquela pessoa cujas convicções refletem o que Paulo deixou evidente: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31). Isto significa dizer  que um cristão "reformado" busca um amparo e resposta bíblica para absolutamente todas as áreas da vida e em todas elas busca maximizar o louvor ao Senhor por meio de seus atos. Um cristão reformado acorda para a glória de Deus e reconhece Sua bondade por despertá-lo pela manhã (Lm 3.22-23); ao se limpar das impurezas por meio do lavar da água, entende que mais importante que limpar o exterior, é limpar o interior (Mt 23.25); vai até a mesa do almoço e não faz dela um laço para si (Sl 69.22), mas sim reconhece que precisa alimentar seu corpo, pois é templo do Senhor (1Co 3.16).

Ainda que eu conjecture que você esteja lendo e pensando algo como, "sim, mas isso eu já sei", noto que em sua vida isto não tem sido levado "a ferro e a fogo", como dizem em algumas regiões deste Brasil. Quer dizer, me parece que na teoria você entende, mas na prática isto não acontece. Tenho visto você citar alguns reformadores, grandes calvinistas, eventualmente algum puritano, mas sua vida diária está bastante divorciada daquilo que você tem professado. Me vem à memória aquele dia em que você disse não ter problema algum em se declarar um imposto de renda diferente do que você realmente ganha, por exemplo. Também me recordo (com tristeza) que você defende - na teoria - um alto grau de santidade, mas na prática você ainda viola conscientemente o Dia do Senhor com seus campeonatos de futebol e idas ao shopping center, não vê problema em se falar meia dúzia de expressões de baixo calão (indo contra Efésios 4.29), pensa que o governo não deve legislar qualquer moralidade (violando o Salmo 2), é contra quase toda qualquer modéstia no vestir; não pensa haver problema em se comprar jogos falsificados e efetuar download ilegais...

O que desejo com esta singela carta, Eduardo, é lhe alertar sobre um grande perigo que vem correndo: você crê que o pentecostalismo e todo liberalismo moderno é errado (nisto você está certo), mas entende que o simples fato de você crer nas doutrinas as quais me referi logo acima, já o torna um homem salvo. Ora, amado, por vezes tem me parecido que você pensa ter chego ao topo do mundo, donde pode olhar para toda multidão "sob seus pés" e se vangloriar do título que você mesmo se deu: "Eduardo, um homem reformado".

Crer na soberania de Deus é importante, mas colocá-la em prática é ainda mais - Tiago nos alertou sobre isso: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos" (Tg 1.22). Você tem vivido algo perigoso e que tem levado muitos a grandes ruínas: o fato de achar que o termo "reformado" é o mesmo que "liberado". Em suas postagens no blog e em redes sociais, tenho acompanhado sua defesa em nome da liberdade cristã, dos direitos individuais, do direito de cada igreja ter o culto que entender por certo - mas, "cá entre nós": você realmente acredita nisso? Você realmente já leu a Bíblia e atentou para o fato, por exemplo, de que apenas nos dois últimos capítulos de Êxodo nos é registrado 17 vezes que Moisés fez tudo "conforme lhe ordenara o Senhor"? Quem tem lhe enfeitiçado com palavras mágicas que afirmam que você pode viver de maneira "liberada" e que, porque você crê ser um eleito, pode viver como bem entender?

Sabe, Eduardo, aquele seu problema com sua esposa e outros em sua família e igreja, não são necessariamente porque Deus é soberano e Ele tem entendido por bem lhe impor estas provações (embora isto seja também verdade), mas sim porque você não tem aplicado corretamente a sã doutrina, como ordena o apóstolo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2.15). Sua esposa deseja atenção sua, mas você diz: "eu preciso estudar as Escrituras, ler livros e escrever textos"; seus filhos querem brincar com você, mas dizes a eles: "depois, agora o pai está ocupado"; coisas semelhantes também acontecem em sua igreja, como o fato destes tempos eu ter ouvido algumas coisas não muito boas sobre você e seu comportamento.

Buscar a verdade é essencial para o cristão; ler as Escrituras é fundamental - e quem não a lê, sinceramente penso que ainda não morreu para o pecado e nasceu para Cristo; todavia, busque aplicar estar benditas coisas em sua vida. Pare de achar que você já alcançou a estatura de Cristo ou que sempre é o "coitado" da história. Deixe de meninice, homem! Desculpe lhe falar nestas palavras, mas tem aparentado que o termo "reformado" só lhe trouxe problemas. Brevemente me recordo de quando você era "pentecostal" e orava fervorosamente, agora, entretanto, por dizer crer na soberania de Deus, tens orado muito pouco; outrora você visitava os aflitos e se compadecia dos pobres, hoje sequer corta o seu coração ver uma imagem de alguém necessitado - aliás, em seu perfil na rede social, você possui mais fotos de animais "carentes" do que expressões de contrição e ajuda benéfica aos "órfãos e às viúvas" (Tg 1.27).

Encerro por aqui lhe exortando para que busque ter mais piedade em seu coração e em suas atitudes. Deixe das brincadeiras de menino e cresça em conhecimento piedoso. Lembro-me com saudades do tempo em que você "descobriu" a fé reformada e estava grandemente entusiasmado. Não sei exatamente o que lhe aconteceu, mas de longe observei-o se afastando gradativamente do ensino verdadeiramente reformado - talvez você tenha pensado que ele é "rígido" demais ou algo que não se encaixe em nossa época... ainda não sei ao certo o que lhe aconteceu.

Que o Senhor abra os olhos de teu entendimento (Ef 1.18) e o leve ao conhecimento de Sua verdade que é segundo à contrição de coração. "Exercita-te a ti mesmo em piedade" (1Tm 4.7)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Carta a uma família que frequentemente chega atrasada na igreja



*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, querida família Lero-Lero. Me desculpem ter recusado seu convite para o último jantar. Eu e minha esposa já tínhamos um compromisso firmado, por isso não pudemos ir - mas certamente teremos outras oportunidades.

Estou lhes mandando esta carta porque aprecio muito a companhia de vocês, de modo que ao vê-los na igreja, sempre juntos, muito me alegra o coração e constantemente louvo ao Senhor por suas vidas. Também escrevo-a na oração a Deus de que Ele lhes transforme a cada dia e os faça mais semelhantes ao Seu filho Jesus, de modo que aos poucos possam testemunhar de como o Senhor tem sido gracioso com vocês, a ponto de os dar irmãos que possuem a liberdade em Cristo para os admoestar.

Acontece, querida família, que, embora eu afirme que vocês sejam muito especiais, precisam estar cientes de algo que estão fazendo e que tem atrapalhado toda a igreja: quase sempre chegam atrasados. Neste ponto, não faço menção àquela vez que o filho mais novo ficou doente e tiveram de o levar para o hospital, nem daquela vez que sua esposa estava ajudando sua mãe idosa. Sei perfeitamente também daquele dia em que o carro quebrou e da outra vez que o café foi derramado na camisa de alguém. Aqui, me refiro aos atrasos de um modo geral, isto é, àqueles que podem ser evitados.

Talvez, por terem vindo de outras igrejas, nunca alguém lhes tenha dito que é dever do cristão o cumprir de sua palavra. Quer dizer, Jesus nos disse que nossa palavra deveria ser cumprida e que caso não conseguíssemos realizar o que prometemos, então, que fosse melhor negarmos o compromisso (Mt 5.37). Isto é, como vosso amigo e, quem sabe futuro pastor (se assim o Senhor nos unir e os transformar em algumas questões específicas da vida cristã), preciso dizer que não é bíblico chegar atrasado na igreja. Todavia, já de imediato, peço que ao lerem esta carta não me vejam com maus olhos, pois não digo isso apenas de mim, mas sim porque alguns irmãos já vieram falar comigo sobre que frequentemente a família de vocês (todos ou indivíduos isolados) costuma se atrasar para os compromissos - desde os informais até os mais importantes.

Sabe, amada família, como professos da fé cristã, vocês precisam compreender que não são mais especiais do que outros ou que possuem mais compromissos do que o restante da congregação, de modo que, ressalvadas as devidas necessidades, não há o porquê de sempre chegarem atrasados para seus compromissos. Sei que vocês trabalham arduamente, (cada um para aquilo que o Senhor designou), todavia, quem é que foge desta regra? Valho-me disto para dizer não é lícita a desculpa de que possuem muitos outros compromissos e, por isso, não conseguem chegar no horário. Lembro-me, agora, com tristeza, de alguns domingos atrás quando o culto já estava em andamento e "lentamente" vocês entraram pela porta e tentaram tomar lugar sem chamar a atenção - mas, como é evidentemente, não conseguiram, pois toda a congregação se dispersou para ver quem se aproximava. Há ainda outra vez quando num simples passeio agendado pelo parque, vocês ligaram (já atrasados) e avisaram que chegariam trinta minutos depois, pois haviam "perdido o horário."

Neste ponto, não preciso citar os símbolos de fé de nossa congregação nem o diretório de culto para demonstrar que tal prática é errada, pois o próprio ato de atrapalhar a adoração ao Senhor e fazer os irmãos esperarem desnecessariamente, já consiste em uma atitude errada. Vejam que não desejo menosprezá-los, mas sim demonstrar que muitas vezes não percebemos o mal em que estamos incorrendo ou ainda, num testemunho público que não dignifica a Jesus Cristo, afinal, chegar atrasado, atrapalhar e não cumprir o que se promete, não são coisas que louvam ao Senhor.

De modo específico, preciso dizer a você, nobre cabeça do lar e dirigente desta família, que como marido e pai, precisa colocar ordem na casa. Sei que você comenta que são muitas pessoas para tomarem banho antes do culto (ou de outro compromisso) e por vezes alguém acaba demorando além do necessário. Entretanto, note que, como guia da família, é imprescindível que você arquitete e organize os horários para que todos possam já tomar banho no devido horário e não venham a se atrasar. Se sua esposa ou filhos (ou você mesmo) tem demorado e transgredido o horário, converse com ela(e) e a corrija com base nas Escrituras - certamente haverão de entender e penso que o Espírito Santo lhes trará arrependimento. 

Dirijo-me também à nobre esposa e auxiliadora que você tem: Irmã, sei que você procura vir bem trajada para a igreja, mas peço que leve cativo em seu coração que mais importante que a disposição de listras do  seu vestido ou a cor do amarrador de cabelo, é a inclinação do coração para ouvir a palavra. Assim, sendo possível, deixe sua roupa preparada já no sábado a noite, de modo que em nossos cultos matutinos, a irmã já possa levantar pela manhã e não ter de ficar escolhendo a roupa que irá colocar- essa dica lhe poupará grande quantia de tempo. Como esposa virtuosa que deseja ser, gentilmente também ajude seu marido nesta área e ensine seus filhos sobre isso, de modo que todos possam ter harmonia e crescerem juntos na preparação e ordem da vida familiar.

Deixem-me ainda ter uma palavrinha com seus três preciosos filhos: na qualidade de jovens que vocês são, precisam se lembrar que suas jovialidades não são sinônimos de falta de compromisso. Seus pais já conversam comigo e com minha esposa sobre quantas são as vezes que eles precisam lhes chamar pela manhã até que levantem e, quando temos o culto pela noite, as inúmeras vezes que precisam lhes avisar sobre a hora do culto. Não gostaria de ofender vocês, mas penso que o Facebook, Twitter e mensagens de celular estejam tendo mais prioridades em suas vidas do que a Palavra de Deus, de modo que não se esquecem de verificar as atualizações nas redes sociais ou mandar aquele "tweet" para o colega, mas acabam "esquecendo" do início do culto - lembrem-se que o domingo é um dia reservado para as atividades do Senhor. Peço que usem de suas energias para se prepararem com a devida antecedência ao culto (e demais compromissos), de forma que não venham a ser empecilho para a chegada no horário e, também, como é sabido, com o fim de evitarem as constantes discussões que há em casa e no trajeto para os compromissos em conjunto, pois não foram poucas as vezes que vimos vossa família sair irritada do carro - tudo por causa de que frequentemente alguém se atrasa.

Por fim, lembrem-se de que chegar atrasado não glorifica o nosso Senhor. O apóstolo Paulo, como frequentemente falamos na igreja, é explícito ao dizer que devemos fazer tudo para a glória do Senhor (1Co 10.31). Observem que, sendo isto verdadeiro, o chegar atrasado não glorifica ao Mestre, pois além da violação do horário estabelecido, acabam por terem suas palavras em descrédito, pois quem ousa acreditar naquele que não cumpre os horários e, por vezes, até mesmo se acha mais atarefado do que todos os outros? Portanto, busquem chegar no horário de seus compromissos para a glória de Deus e Ele será grandemente louvado nesta área de suas vidas.

Por saber que tal admoestação que lhes trago não é baseada no puritanismo ou ordem social por demais elevada, mas tão somente na firme palavra de Deus (ainda que não tenha colocado todas as referências - mas as posso fornecer), lhes escrevo com a consciência tranquila e certos de que refletirão e mudarão suas atitudes para a glória do Senhor.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Carta a um cristão que compra cd's piratas e baixa músicas e filmes da Internet


*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Amado Cornélio, sinto-me compelido a lhe escrever - ainda que brevemente - sobre uma questão que está muito na "moda" nos dias de hoje, isto é, o contribuir-se para a pirataria (ou como dizem, "ser contra o sistema" - já escrevi sobre isso, aqui).

Lembro-me de quando você conversou comigo e falou que não conseguia entender o porquê ser errado comprar cd's piratas, baixar músicas, filmes, jogos, pois segundo seu entendimento, não precisamos seguir "as regras" do jogo quando elas são injustas. O problema, meu estimado irmão, é que mesmo fazendo sentido sua argumentação, tanto na questão de que o governo nos aflige com altas doses de impostos, como sobre a licitude de tomar para si aquilo que não conseguimos de outra maneira, a Bíblia não dá apoio para sua prática, aliás, a condena.

As Escrituras nos ensinam a dar bom testemunho dos frutos do Espírito Santo em nossa vida - "Em tudo te dá por exemplo de boas obras" (Tt 2.7). Estamos vivendo em dias onde a pirataria está sendo veemente combatida. Organizações mundiais estão desejando acabar com o furto eletrônico e assim dar o que é devido aos fabricantes, contudo, veja que você e muitos cristãos estão querendo caminhar justamente na corrente contrária, isto é, querem legalizar a pirataria e que "danem-se" os direitos autorais. Concordo com você que os preços são abusivos e que não dão a mínima chance para que todos tenham acesso, porém não é igualmente verdadeiro que se todos cooperassem, os preços iriam baixar? Ademais, você como jovem cristão e com disposição "de sobra", já pensou em começar um movimento que estimule a compra de produtos originais, a fim de viabilizar o mercado para todos?

Vejamos a ordem que principia todo esse esqueleto: "Não furtarás" (Êx 20.15) - oitavo mandamento. Embora tudo pertencesse ao povo de Israel, a ordem do Senhor era clara: não tome para si aquilo que é de outrem e que não lhe é dado o direito ou oportunidade de adquirir. Note que o Senhor jamais afirmou que todas as pessoas terão tudo o que esse mundo pode nos oferecer - se não era assim nos tempos da teocracia, por quê seria nos dias de hoje?

Entendo sua argumentação quando diz que na nação israelita havia o ano do jubileu (Lv 25) e ainda outras formas para se estruturar uma economia de acordo com a vontade do Senhor, daí realmente não ser lícito o apropriar-se de coisa alheia. Contudo, veja que a ordem do Senhor não é somente para àquela aliança do Antigo Testamento, mas reside eternamente, a ponto do próprio apóstolo Paulo citar também um dos dez mandamentos: "porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás [décimo mandamento]" (Rm 7.7).

Há ainda outro exemplo muito próprio para esse momento: "Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?" (Mt 22:17). Nesse ponto, nosso Senhor Jesus Cristo é inquirido acerca da obrigatoriedade de se pagar tributos à Cesar; então responde: "Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mt 22:19-21).

Jesus mostrou àqueles que o queriam testar que, a mesma fonte que eles usavam para comprar seu alimento e subsistência, estava na insígnia cunhada na moeda representativa de César (o governo). O que quero dizer é que nós também nos utilizamos do "sistema" - temos estradas, iluminação pública, serviço de saneamento, assistência médica... - e isso não nos dá margem para burlarmos o mesmo, ainda que muitas vezes ele seja demasiadamente severo para conosco ou defasado em seu serviço. Assim como o povo judeu deveria pagar tributo à Roma, nós também devemos fazer. Observe ainda que os judeus deveriam pagar tributo a um império que estava a subjugá-los (romano). Isto é, se fosse do intento de Cristo que tivéssemos alguma autorização para irmos contra o sistema (naquilo que não fere os princípios bíblicos de devoção ao Senhor), certamente Ele teria dito que os judeus não deveriam dar "a César o que é de César", mas somente "a Deus o que é de Deus".

Paulo também nos diz que "Toda a alma esteja sujeita às potestades [poderes] superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus" (Rm 13.1). O apóstolo é claro em nos ordenar - sim, a todos nós, "Toda a alma" - sobre a obrigatoriedade de seguirmos as potestades (poderes instituídos por Deus - em nosso país, presidente, governadores, a lei...), mas por quê? "[Porque] as potestades que há foram ordenadas por Deus". 

"Vós, servos, obedecei em tudo a vossos senhores segundo a carne, não servindo só na aparência, como para agradar aos homens, mas em simplicidade de coração, temendo a Deus" (Cl 3.22). Aqui, novamente o santo apóstolo nos exorta para que não obedeçamos aos governantes apenas pelo simples dever de fazer - "como para agradar aos homens" -, mas em consciência de que quando os obedecemos, estamos obedecendo diretamente ao Senhor, pois não há governante que não esteja dotado de poder advindo do Alto.

Recordo-me igualmente de sua argumentação acerca de que não seria "justo" ter de viver privado de muitas séries televisivas, jogos e músicas, apenas porque não possui-se dinheiro suficiente para os comprar. Porém, querido irmão, novamente a Bíblia não nos dá essa escapatória quanto à quebra do mandamento, isto é, "não furtarás" sempre será sinônimo de "adquira coisas de modo lícito". "Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo; Não servindo à vista, como para agradar aos homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus; Servindo de boa vontade como ao Senhor, e não como aos homens. Sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre" (Ef 6:5-8). 

Veja que o apóstolo não nos deixa desamparados quanto à essa questão, mas nos anima dizendo "que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre", ou seja, se somos oprimidos, receberemos o galardão do Senhor de acordo com nossa responsabilidade e mordomia aqui na terra, assim como o opressor receberá o justo castigo divino por fazer tal qual Salomão e seu filho, cujos reinados foram de extrema severidade e aflição ao povo.

Quanto à sua dúvida se em algum momento seria lícito furtar, sinto-lhe dizer, mas a resposta é não, pois assim como não nos é lícito mentir em qualquer situação - ainda que envolva nossa própria vida, conforme vemos o Senhor repreendendo Abraão por dizer que Sara era sua irmã (quando na verdade era esposa) , também não temos aval bíblico para "desviar" do Caminho no intento de conseguir as regalias que desejamos. 

Também conforme lhe falei pessoalmente, se há pessoas passando fome, não há que se falar em licitude para sair-se roubando, pois é dever da Igreja do Senhor sustentar o carente - "Abre a sua mão ao pobre, e estende as suas mãos ao necessitado" (Pv 31.20) e também, "Não oprimirás o diarista pobre e necessitado de teus irmãos, ou de teus estrangeiros, que está na tua terra e nas tuas portas" (Dt 24.14). O não fazer a obra social não dá autorização para o furto, pois se assim fosse, a regra de que não dever-se-ia cobiçar a mulher do próximo, poderia ser quebrada quando não houvesse mulher disponível para o varão - entendes o que quero dizer?

Peça a Deus que lhe dê um espírito de obediência à Sua palavra e que não lhe permita seguir o rumo desse mundo, "Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?" (Mc 8.36). Cd's piratas em nada contribuem para sua santidade, aliás, a condena. Baixar músicas, filmes, jogos e outras coisas mais, não são a essência dessa vida - você pode viver sem essas coisas. Mas caso queira algumas delas - em moderação -, seja bom mordomo do que o Senhor lhe deu e arranje sua renda de modo a poder obter por meios lícitos, ainda que seja em pouca quantidade.

Aprendamos juntos com o apóstolo do Senhor, que apesar de toda desgraça que lhe sobreveio, aprendeu a viver contente: "Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade" (Fp 4.12) - "Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho (Fp 4:11).

Um grande abraço.

Em Cristo, 
Filipe Luiz C. Machado

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Carta a um pregador que ensina o livre arbítrio.


Carta a um pregador que ensina o livre arbítrio -
por Filipe Luiz C. Machado

*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.
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Boa noite, meu caro Manoel.

Lembro-me de quando fui falar com você após uma reunião de jovens que tivemos e comentei brevemente sobre a parte em que você havia citado o livre arbítrio como algo que nós possuímos. Deixe-me, porém [agora com um pouco mais de tempo], lhe expor alguns motivos pelos quais essa é uma noção errada e perniciosa ao evangelho - portanto, não bíblica.

É importante notar que o conceito de livre arbítrio é algo criado pelo homem e foi feito para satisfazer seu desejo de ter honras para si próprio - pois lhe é difícil reconhecer a soberania plena de Deus sobre tudo e todos. É notório que nós somos agentes livres, contudo, não devemos pensar que nossa liberdade está lado a lado com a soberania de Deus - o correto é entendermos que nossa liberdade está condicionada àquilo que Deus prescreveu na eternidade, não devendo homem algum escusar-se de entender essa doutrina basilar do evangelho.

Certamente que você lembra-se da narrativa de Pedro em Atos 2 acerca do crucificação de Jesus. Veja, meu amado Manoel, o que Pedro diz aos israelitas: "A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos" (At 2.23) Observe que os israelitas foram "livres" - no sentido de fazerem por suas próprias vontades pecadoras o que fizeram - no entanto, suas ações estavam plenamente condicionadas às promessas e decretos de Deus. Também creio você deva saber que a palavra presciência no texto não quer dizer que Deus apenas "prevê" os acontecimentos e por isso os predestina - se tiver alguma dúvida nessa questão, me avise.

Talvez nesse ponto você pense que Deus é o autor do mal, mas o correto é dizer que o mal está sob a vontade de Deus. O mal é criação de Deus para cumprir o seu propósito, assim como os homens, a natureza, etc - pois Ele os controla e os dirige para onde quiser.

Não devemos imaginar também que os decretos de Deus estão somente relacionados às suas promessas [como se apenas esse fosse o campo de abragência de Sua soberania], mas dever-nos-ia estar cravado ao coração que é Deus quem "efetua tanto o querer como o realizar" (Rm 9) e com isso não sobra-nos nenhuma parcela de livre arbítrio.

Talvez, meu amado Manoel, você esteja pensando que a dedução lógica desse pensamento leva-nos a ser robôs nas mãos de Deus, contudo, esse é um pensamento que precisa ser esclarecido [embora ele seja verdadeiro].

Veja que a Bíblia afirma-nos por diversas vezes que Deus é soberano sobre tudo e todos e também diz que os homens são responsáveis. Contudo, [novamente], a responsabilidade humana não implica na teologia compatibilista - que é estranha às escrituras - que diz que a responsabilidade humana harmoniza-se com a soberania de Deus. Tal pensamento deve ser rejeitado, pois não é isso que a bíblia nos ensina. O correto é entendermos o que é o determinismo bíblico, a fim de que conheçamos melhor nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Ainda em tempo, deveria-nos ser prazeroso o fato de pensarmos que somos robôs nas mãos de Deus - no sentido de que não há liberdade inerente em nós - pois o que poderia ser melhor do que ser guiado pelas mãos do todo poderoso e onipotente Senhor?

É necessário ainda que você não pense que pode ser correto defender-se os dois pontos de vista: A defesa do livre arbítrio e a negação do mesmo, pois um dos princípios básicos da interpretação bíblica é que a Escritura explica a Escritura, ou seja, não pode haver contradição em Suas palavras, pois se isso fosse possível, nosso Deus seria um Deus de confusão [coisa que Ele não é] e portanto, um mero deus não soberano.

Portanto, sugiro que você dê uma lida nos seguintes links abaixo, pois é necessário que você - que prega a bíblia - saiba quais são os ensinamento de acordo com a sã doutrina.

Ore e medite nas Escrituras, pois certamente o Espírito Santo é capaz de iluminar-lhe sobre Seu caminho.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Carta a um Jovem Cristão que se diz Revolucionário


Carta a um Jovem Cristão que se diz Revolucionário -

por Filipe Luiz C. Machado

*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.
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Olá, Gerônimo.

Antes de mais nada, perdoe-me por meu estilo "velho" de escrever, pois há tempos já que assim escrevo e me é difícil escrever de outra forma.

Já temos conversado um pouco sobre o que é ser jovem no mundo atual e sobre o que significa ser um jovem cristão na atualidade. Mas penso que também seria benéfico que eu lhe colocasse alguns pormenores que talvez você não esteja a par.

É necessário notar que essa divisão entre recém-nascido, criança, pré-adolescente, adolescente, jovem e adulto é algo estranho às Escrituras. É estranho porque nos dias de hoje as atitudes das pessoas não são mais medidas pela coerência para com a bíblia, mas sim em sintonia com a sua faixa etária. Ou seja, o adolescente é rebelde, briga com os pais e é revoltado na escola não porque lhe falta leitura bíblica, oração e admoestação, mas porque é adolescente, faz parte da fase, é algo "natural".

Veja bem, Gerônimo. Essa divisão no crescimento do homem é muitas vezes perniciosa ao próprio homem, pois nos dá desculpas diante da falta de praticidade bíblica diária. Sim, concordo com o que você havia me dito que existem hormônios diferentes para cada fase da vida, contudo, isso não invalida o dever do homem crescer nos caminhos do Senhor. Certamente que ninguém conseguirá nascer e crescer sem pecar e sem errar, mas isso é bastante diferente do que vejo você e alguns amigos dizendo - que a rebeldia faz parte do jovem.

Entenda, meu amado, que na bíblia há apenas duas divisões: criança e adulto. Não há toda essa miscelânia de idades e tudo mais - mas por quê? Porque não é saudável para o cristão escusar-se de sua responsabilidade apenas porque disseram para ele [veja bem, nem ele sabe em que fase está - disseram para ele] que está na juventude e essa é uma fase difícil. Pois se fosse assim, como os jovens profetas da bíblia teriam se saído? Que dizer de Timóteo? Teriam sido eles jovens rebeldes?

Compreenda também que ser cristão já é ser um revolucionário. Amar pai e mãe, respeitar a professora, dar bom exemplo no trânsito, ser um bom empregado, pagar as contas em dia, viver uma vida de santidade, orar todos os dias, ler a bíblia regularmente, ir aos cultos sempre que possível, participar de atividades de caridade e outras coisas mais, são atos extremamente revolucionários.

Sei também de seu desejo de passar as madrugadas de sábado pela rua, conversando com seus amigos e ficando sentado na calçada tomando alguma coisa. Mas entenda, Gerônimo, que, embora essas coisas não sejam pecaminosas em si mesmas, revelam sua falta de maturidade e consciência do que é ser um homem cristão. Ora, você mesmo não se considera um jovem e advoga que está a cada dia mais próximo de se tornar um adulto? Como é então que você ainda vive como criança?

Lembro-me de você também ter comentado que sente dificuldade em participar dos cultos de sua igreja, pois para você eles parecem muito parados. Porém, eu conheço sua igreja e sei que ela tem seguido a sã doutrina. Concordo com você que em certas questões ela aparente ser um pouco "parada", mas o problema não está nela e sim em você. É necessário que você entenda que o culto não foi feito e jamais deverá ser feito para agradar você, seus amigos ou seja lá quem quer que for. O culto da igreja tem apenas um objetivo: glorificar a Deus. É por esse mesmo motivo que sua igreja não adere a tantas atividades modernas, pois compreende que o centro do culto é Deus e não o homem. Se você tem sentido difuldades para permanecer "acordado" durante o culto, sugiro que medite no que lhe escrevi acima.

Portanto, gostaria que você refletisse sobre essas pontos, pois não somente você, mas muitos ao seu redor são influenciados por essa maneira de viver. Se você deseja ser um cristão revolucionário, sossegue-se um pouco e guarde suas energias para o obra do Senhor. Quer sair nas madrugadas de sábado? Saia, mas utilize-a para a expansão do Reino de Deus. Leve as boas novas do evangelho aos seus amigos que se encontram perdidos por aí, utilize-se dessa "falta de sono" que você tem e compartilhe do evangelho com os seus. Apenas peço: não desperdiçe sua Vida.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Carta a um Pastor que se diz Calvinista


Carta a um Pastor que se diz Calvinista -
por Filipe Luiz C. Machado

*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.
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Boa noite, amado Amadeu.

Por já ser esse o nosso quarto e-mail, não me delongarei muito naqueles pontos que já conversamos, ok? Apenas comentarei sobre aqueles que creio serem mais importantes no momento.

Recentemente lembro-me de você ter comentando comigo acerca das dificuldades que tem tido para conciliar a doutrina calvinista com a geração de hoje. Lembro-me também de você ter expressado o profundo desejo de ser relevante para o mundo de hoje, na expectativa de que o reino de Deus seja proclamado com força e vigor. Permita-me, porém, reforçar aquilo que já havia conversado com você anteriormente.

Fico grato a Deus que tem levado-o a buscar a fé em nosso Senhor Jesus Cristo e que isso o tem motivado para um desejo ainda maior de cuidar dos que estão sob seu cuidado. O problema, meu caro Amadeu, é que tenho visto que esse seu desejo de conformar-se à fé calvinista na verdade está sendo deturpado por visões errôneas quanto ao que vem a ser o verdadeiro calvinismo. Sei que você tem lido alguns autores dessa fé, contudo, vejo que ainda resta-lhe um longo caminho para compreender as reais doutrinas da graça. Não que você não tenha conhecimento - pois disso todos nós carecemos - mas parece-me que há uma disparidade entre o calvinista sério e aquele que apenas simpatiza com ele.

O calvinista sério - e nesse ponto poder-se-ia ler também como cristão reformado - leva as doutrinas da graça no mais profundo esmero, tentando conformar-se àquilo que o Senhor nos delegou em sua santa palavra. É dever desse homem buscar fazer somente aquilo que encontra permissão nas sagradas escrituras. Sim, é lógico que há coisas que fazemos que não estão explicitadas nas escrituras (horário do culto, tipo de banco, quantidade de orações antes da palavra...), porém, todas elas devem ser norteadas pela Palavra. Para aquela sua dificuldade de entender o "Sola Scriptura", mais tarde lhe recomendarei alguns bons livros. Permita-me também dizer: o calvinista sério não é aquele que tenta ser relevante para esse mundo.

Meu querido, a igreja nunca será relevante para o mundo - pois odeia o que a igreja ama (a santidade, a injúria pelo pecado, a soberania total de Deus...). Sim, eu sei que você sabe disso, mas sua prática até aqui tem sido diferente daquilo que tem professado e conversado comigo. Sim, Amadeu, sei também que você tem lutado para introduzir a fé calvinista em sua igreja, mas você se lembra da última vez que fui visitar sua igreja e ao final do culto você perguntou-me: "O que achou da pregação?" ao passo que lhe respondi em amor: "Qual pregação, meu amado? Não ouvi pregação, apenas algumas historietas e seu testemunho, mas não ouvi pregação da palavra"? É disso que falo: enquanto o púlpito não for forte, a igreja será fraca.

Sei também que você não deseja dar comida sólida demais para os seus, mas é necessário compreender que muitas vezes aquilo que achamos ser sólido demais, na verdade é o leite espiritual (1Pe 2.2), muitíssmo necessário e porque não, indispensável para a fé cristã. Não caia no conto de homens que perverteram seus caminhos em busca de fábulas e engenhos humanistas e que dizem que os membros da igreja precisam apenas do superficial, do feijão com arroz e que os que quiserem aprender mais, que leiam muito e frequentem um seminário. Sim, concordo com você que devemos ter toda cautela necessária para que o entendimento do evangelho seja de forma gradual - para melhor assimilação e edificação pessoal- mas receio que você esteja indo devagar demais nessa caminhada.

É necessário que todo nós entendamos o que é ser igreja de Cristo nesse mundo. Ser igreja não é ser sequer um pouco parecido com o mundo. Novamente, lembro-me do seu desejo de expalhar o evangelho por esse geração incrédula, mas lembre-se - e nesse ponto gostaria que você meditasse e buscasse a Deus em oração - que apresentações musicais, danças, teatro, filmes "bíblicos" no lugar da pregação e coisas desse tipo, em nada diferem desse mundo e por isso são perniciosas para o evangelho de Cristo quando incorporadas no culto ao Senhor. Não que essas coisas sejam erradas em si - não me compreenda mal - mas elas tem o seu devido lugar; e com todo o respeito que lhe é devido, esse lugar não é a igreja.

Por fim, permita-me ainda insistir mais vez para que você leia os verdadeiros calvinistas: os puritanos. Ao contrário do que você tem me dito e do que se ouve por aí, os puritanos não eram gente retrógrada, ultrapassada e que não tinham amor pela criação de Deus - bem pelo contrário, eram homens e mulheres que tentavam viver e fazer tudo para a glória de Deus (1Co 10.31), a fim de que Cristo fosse exaltado em suas vidas e nas suas comunidades locais.

Que o Senhor possa conceder-lhe um avanço à verdadeira fé trilhada pelos grandes homens bíblicos que já pisaram por essa terra e que Ele conceda-lhe intrepidez para fazer as mudanças necessárias em sua vida e em sua igreja.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...