quarta-feira, 18 de maio de 2011

Deus Exige Total Devoção


Deus Exige Total Devoção -
por J. I. Packer

"Castigá-la-ei pelos dias dos baalins, nos quais lhes queimou incenso, e se adornou com as suas arrecadas e com as suas jóias, e andou atrás de seus amantes, mas de mim se esqueceu ", diz o Senhor" (Oséias 2.13).

Embora haja somente um Deus e somente uma fé verdadeira, a saber, a que é ensinada na Bíblia, nosso mundo apóstata (Rm 1.18-25) sempre esteve cheio de religiões, e o antiqüíssimo impulso em direção ao sincretismo, pelo qual aspectos de uma religião assimilam-se a outra, mudando assim ambas, ainda está entre nós. Na realidade, ele revive de forma alarmante em nosso tempo por meio da renovada busca acadêmica de uma unidade transcendente de religiões e o desabrochar do amálgama popular das idéias do Oriente e do Ocidente, que se autodenomina Nova Era.

Esta pressão não é nova. Tendo ocupado Canaã, Israel era constantemente tentado a introduzir o culto cananita dos deuses e deusas da fertilildade no culto de Yahweh, e a fazer imagens do próprio Yahweh — mudanças ambas proibidas pela lei (Êx 20.3-6). A questão espiritual era se os israelitas se lembrariam de que Yahweh, o Deus do pacto, era plenamente suficiente para eles, e além disso reivindicava sua fidelidade exclusiva, de sorte que adorar outros deuses era adultério espiritual (Jr 3; Ez 16; Os 2). Este foi um teste em que a nação falhou grandemente.

De modo semelhante, o sincretismo foi muito difundido e aprovado no primeiro século do império romano, em que predominava o politeísmo e em que floresceu toda sorte de cultos. Os mestres cristãos lutaram muito para manter a fé a salvo de ser assimilada pelo gnosticismo (uma espécie de teosofia em que não havia lugar para a encarnação e a expiação, uma vez que, para ela, o problema do homem era a ignorância, não o pecado), e mais tarde pelo neoplatonismo e pelo maniqueísmo, ambos os quais, como o gnosticismo, viam a salvação no expediente da separação física do mundo. Estes conflitos foram relativamente bem-sucedidos, e as formulações clássicas do credo sobre a Trindade e a Encarnação são parte de seu permanente legado.

A Escritura é rigorosa a respeito do mal de praticar a idolatria. Os ídolos são escarnecidos como ilusórios, não existentes (SI 115-4-7; Is 44.9-20), mas escravizam seus adoradores em uma superstição cega (Is 44.20), que significa infidelidade perante Deus (Jr 2), e Paulo acrescenta que os demônios operam por intermédio dos ídolos, fazendo deles uma ameaça espiritual concreta; o contato com os falsos deuses somente corrompe (1 Co 8.4-6; 10.19-21). Em nossa cultura ocidental pós-cristã, que está preparada para preencher o vazio espiritual que as pessoas sentem ao voltar-se com simpatia para o sincretismo, a feitiçaria e os experimentos com o ocultismo, as advertências bíblicas contra a idolatria precisam ser tomadas com sensibilidade (cf. 1 Co 10.14; 1 Jo 5.19-21).

Fonte: Ministério Beréia

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Incapacidade de Vir a Cristo

A Incapacidade de Vir a Cristo -
por Robert Murray M'Cheyne
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"Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia" (João 6.44).

Quão surpreendente é a depravação do homem natural!

As Escrituras nos ensinam isso abundantemente. Todo pastor fiel levanta a sua voz como uma trombeta, para mostrar isto às pessoas. E a primeira obra do Espírito Santo, no coração, é convencer do pecado.

Na Palavra de Deus, não existe uma descoberta mais terrível sobre a depravação do homem natural do que estas palavras do evangelho de João. Davi afirmou: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51.5). Deus falou por meio do profeta Isaías (48.8): “Eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno”. E Paulo disse: “Éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais” (Ef 2.3). Mas nesta passagem de João somos informados de que a incapacidade do homem natural e sua aversão por Cristo são tão grandes, que não podem ser vencidas por qualquer outro poder, exceto o poder de Deus. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.44). Nunca houve um mestre como Cristo. “Jamais alguém falou como este homem” (Jo 7.46). Ele falava com muita autoridade, não como os escribas, mas com dignidade e poder celestial. Ele falava com grande sabedoria. Falava a verdade sem qualquer imperfeição. Seus ensinos eram a própria luz proveniente da Fonte de Luz. Ele falava com bastante amor, com o amor dAquele que estava prestes a dar a sua vida em favor de seus seguidores. Falava com mansidão, suportando a ofensa contra Ele mesmo vinda dos pecadores, não ultrajando quando era ultrajado. Jesus falava com santidade, porque era Deus “manifestado na carne”. Mas tudo isso não atraía os seus ouvintes. Nunca houve um dom mais precioso oferecido aos homens. “O verdadeiro pão do céu é meu Pai quem vos dá... Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.32, 35). O Salvador de que as pessoas condenadas necessitavam estava diante delas. Sua mão lhes foi estendida. Ele estava ao alcance delas. O Salvador ofereceu-lhes a Si mesmo. Oh! Que cegueira, dureza de coração, morte espiritual e impiedade desesperadora existem na pessoa não-convertida! Nada pode mudá-la, exceto a graça do Todo-Poderoso. Ó Homem destituído da graça de Deus, seus amigos o advertem, os pastores clamam em voz alta, a Bíblia toda o exorta. Cristo, com todos os seus benefícios é colocado diante de você. Todavia, a menos que o Espírito Santo seja derramado em seu coração, você permanecerá um inimigo da cruz de Cristo e destruidor de sua própria alma. “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer”.

Quão invencível é a graça de Jeová!

Nenhuma criatura tem o poder de atrair o homem a Cristo. Exibições, evidências miraculosas, ameaças, inovações são usadas em vão. Somente Jeová pode trazer a alma a Cristo. Ele derrama seu Espírito com a Palavra e a alma sente-se alegre e poderosamente inclinada a vir a Jesus. “Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder” (Sl 110.3). “Acaso, para o Senhor há coisa demasiadamente difícil?” (Gn 18.14.) “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do Senhor; este, segundo o seu querer, o inclina” (Pv 21.1).

Considere um exemplo: um judeu estava assentado na coletoria, próxima à porta de Cafarnaum. Sua testa estava enrugada com as marcas da cobiça, e seus olhos invejosos exibiam a astúcia de um publicano. Provavelmente ele ouvira falar de Jesus; talvez o tivesse ouvido pregando nas praias do mar da Galiléia. Mas seu coração mundano ainda permanecia inalterado, visto que ele continuava em seu negócio ímpio, assentado na coletoria. O Salvador passou por ali e, olhando para o atarefado Levi, disse-lhe: “Segue-me!” Jesus não disse mais nada. Não usou qualquer argumento, nenhuma ameaça, nenhuma promessa. Mas o Deus de toda graça soprou no coração do publicano, e este se tornou disposto. “Ele se levantou e o seguiu” (Mt 9.9). Agradou a Deus, que opera todas as coisas de acordo com o conselho da sua vontade, dar a Mateus um vislumbre salvador da excelência de Jesus; a graça caiu do céu no coração de Mateus e o transformou. Ele sentiu o aroma da Rosa de Sarom. O que significava o mundo agora para ele? Mateus não se importava mais com os lucros, os prazeres e os louvores do mundo. Em Cristo, ele viu aquilo que é mais agradável e melhor do que todas essas coisas do mundo. Mateus se levantou e seguiu a Jesus.

Aprendamos que uma simples palavra pode ser abençoadora à salvação de almas preciosas. Frequentemente somos tentados a pensar que tem de haver algum argumento profundo e lógico para trazer as pessoas a Cristo. Na maioria das vezes colocamos nossa confiança em palavras altissonantes. No entanto, a simples exposição de Cristo aplicada ao coração pelo Espírito Santo vivifica, ilumina e salva. “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6). Se o Espírito age nas pessoas, estas simples palavras: “Segue a Jesus”, faladas em amor, podem ser abençoadas e salvar todos os ouvintes.

Aprendamos a tributar todo o louvor e glória de nossa salvação à graça soberana, eficaz e gratuita de Jeová. Um falecido teólogo disse: “Deus ficou tão irado por Herodes não lhe haver dado glória, que o anjo do Senhor feriu imediatamente a Herodes, que teve uma morte horrível. Ele foi comido por vermes e expirou. Ora, se é pecaminoso um homem tomar para si mesmo a glória de uma graça tal como a eloquência, quão mais pecaminoso é um homem tomar para si a glória da graça divina, a própria imagem de Deus, que é o dom mais glorioso, excelente e precioso de Deus?” Quantas vezes o apóstolo Paulo insiste, em Efésios 1, que somos salvos pela graça imerecida e gratuita? E como João atribui toda a glória da salvação à graça gratuita do Senhor Jesus — “Àquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados... a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 1.5, 6). Quão solenes foram as palavras de Jonathan Edwards, em sua obra Personal Narrative (Narrativa Pessoal)! “A absoluta soberania e graça gratuita de Deus, em demonstrar misericórdia àquele para quem Ele quer expressar misericórdia, e a absoluta dependência do homem quanto às operações do Espírito Santo têm sido para mim, frequentemente, doutrinas gloriosas e agradáveis. Estas doutrinas têm sido o meu grande deleite. A soberania de Deus parece-me uma enorme parte de sua glória. Tenho sentido deleite constante em aproximar-me de Deus e adorá-Lo como um Deus soberano, rogando-Lhe misericórdia soberana”.

Ao sentir-me à graça um grande devedor
Sou constrangido sempre, a todo instante!
Que esta graça, com algemas, meu Senhor,
Prenda somente a Ti meu coração hesitante.

Robert Murray M’Cheyne (1813-1843) foi ministro de St Peter’s Church Dundee, Escócia (1836-1843). Foi um piedoso pastor evangélico e evangelista com grande amor pelas almas.

Fonte: Projeto os Puritanos

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Seus Corações se Amolecerão – John Flavel (1628-1691)

Seus Corações se Amolecerão –
por John Flavel (1628-1691)


1. Pensem o mais profundamente que possam e por quanto tempo puderem sobre as providências de Deus.


Asafe disse: "Lembrar-me-ei, pois, das obras do Senhor; certamente que me lembrarei das tuas maravilhas da antigüidade. Meditarei também em todas as tuas obras, e falarei dos teus feitos" (Salmo 77:11-12). Quando se lembram do que Deus fez em vocês e por vocês ao longo de suas vidas seus corações se amolecerão antes de poderem recordar a metade das Suas misericórdias. Se eles não amolecerem, então são realmente duros. Não há no mundo inteiro uma história tão agradável para ser lida do que a de suas próprias vidas.

Continuem a focalizar o caminho pelo qual Deus os têm conduzido até que o compreendam melhor. O servo de Elias ficou olhando para o céu até que ele viu uma pequena nuvem que rapidamente cobriu o céu. Então, inicialmente olharão para algumas providências e verão pouco ou nada nelas; mas olhem "sete vezes" e as verão crescer gloriosamente, como a nuvem que cobriu o céu. Há tantas coisas a serem consideradas antes de julgar o valor de uma providência. Há o tempo certo para um acontecimento, a natureza pessoal de um fato em particular, o modo como um ato de misericórdia conduz a outros, e os meios surpreendentes usados pela providência. Além disso, precisamos pensar principalmente no propósito da providência em tudo o que nos acontece. "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto" (Romanos 8:28).

Finalmente, a providência está relacionada intimamente à oração. Quando Deus nos dá aquilo que pedimos, é como se essas coisas tivessem nelas a estampa de nossas orações!

2. Pensem como a Palavra de Deus se cumpre pela providência.

Josué pôde dizer aos filhos de Israel: "Nem uma só palavra caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem delas caiu uma só palavra" (Josué 23:14). Isso é verdadeiro para todo o povo de Deus. Se o que está acontecendo ao nosso redor nos aborrece, vejamos o que diz a Palavra de Deus, e logo teremos descanso em nossas mentes. O salmista descobriu essa verdade quando foi áo santuário de Deus. Ele escreve: "Então eu compreendi seu fim" (Salmo 73-17).

É de nosso próprio interesse nos mantermos ligados aos mandamentos das Escrituras. Quando falhamos em fazê-lo, a providência nos mostra onde fracassamos, como foi mostrado a Davi quando ele pecou tão gravemente (II Samuel 12:11-12). A Palavra de Deus nos diz que é melhor confiar no Senhor do que no homem; na realidade, as Escrituras maldizem aquele que põe sua confiança no homem ao invés de depositá-la no Senhor (Salmo 118:18 e Jeremias 17:5). Quão bem a Palavra de Deus nos promete que a providência cuidará dos justos. Ela diz que ninguém perderá nada ao deixar sua casa e bens por amor do evangelho (Marcos 10:29-30). O apóstolo Paulo fez exatamente isso. Ele se descreveu "como nada tendo, e possuindo tudo" (II Coríntios 6:10). Milhares e milhares de pessoas, desde o tempo de Paulo, têm descoberto que receberam mais do que tinham antes, por obedecerem e confiarem nas promessas de Deus.

A Bíblia nos assegura que, seja qual for a condição dos santos, Deus não os deixará, nem os abandonará (Hebreus 13:5). Deus estará com eles, mesmo nas provações (Salmo 91:15). Perguntem a si mesmos se Ele já permitiu que vocês caissem sob o fardo das suas provações. Podem ter se sentido como Davi quando ele disse: "ainda algum dia perecerei pela mão de Saul" (I Samuel 27:1); mas como ele vocês venceram a provação, e em cada detalhe se cumpriram as promessas de Deus. Está escrito que a Palavra de Deus é o único refúgio e descanso no dia de angústia (Salmo 119:50), e que para este propósito foi escrita (Romanos 15:4).


Essa verdade já não ficou provada por milhares de experiências? Se a providência lhes mostrou tais promessas e lhes assegurou que Deus os ama e sempre estará com vocês, então seu fardo está agora mais leve do que era antes! A providência também concorda com a palavra que diz que o único meio de aumentarmos nossos bens é dar alegremente aos outros, como se déssemos a Deus (Provérbios 11:24-25; 19:17). A melhor maneira para desfrutarmos paz de espírito é obedecer a Bíblia e entregarmos ao Senhor nossas vidas e tudo que nos concerne (Salmo 37:5-7; Provérbios 16:3).

Eu não estou dizendo que os crentes nunca têm aflições, nem tampouco que Deus sempre pune cada pecado imediatamente. (Se fosse assim, quem ficaria em pé? — Salmo 130:3). No entanto, isto eu digo: é uma bênção quando Deus aflige os Seus filhos. Por tais providências, os avisos da Palavra de Deus, bem como as promessas, se cumprem.

3. Estejam certos de que vêem Deus como quem causa e ordena todos os eventos da providência.

Deus é "o Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação" (II Coríntios 1:3). E, "o vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas" (Mateus 6:32). Apenas têm que Lhe dizer o que precisam, para livrarem-se de ansiedade (Filipenses 4:6). Vejam a sabedoria da livre graça de Deus, a qual é o veículo de todas as bênçãos que recebem. Todas elas chegam através do sangue de Cristo e do concerto da graça (I Coríntios 3:22-23).

Nunca se esqueçam de que Deus é soberano. Ele é um ser muito maior do que vocês, o Todo-poderoso que faz o que Lhe apraz (Salmo 115:3). Poucos anos atrás vocês não existiam. Quando aprouve a Deus trazê-los ao mundo, não tiveram escolha do lugar ou da condição em que nasceriam.

Deus deveria ser visto nas providências tristes também. Vejam a graça e a bondade de Deus em todos os acontecimentos tristes. Até mesmo nos momentos mais escuros, podemos ver a bondade de Deus de duas maneiras: a misericórdia, em preservar este mundo, e a graça, em salvar Seu povo para o mundo futuro. Então, vejam a sabedoria de Deus em todas as suas provações! O tempo e a quantidade de sofrimento são tais que vocês não ficam sem auxílio. Vejam tudo isso e perguntem-se aquilo que Deus perguntou a Jonas: "É acaso razoável que assim te enfades"? (Jonas 4:9). A fidelidade do Senhor não permitirá que Ele falhe em disciplinar onde houver essa necessidade, nem o fará abandonar Seu povo enquanto o estiver disciplinado (I Pedro 1:6 e II Coríntios 4:9). Porventura não vêem em Deus mais do que em qualquer pessoa ou coisa que tenham perdido? Ele é a Rocha Eterna, "o mesmo ontem, hoje e eternamente" (Hebreus 13:8). Pode ser que em apenas alguns dias suas circunstâncias mudaram tristemente, mas Deus é sempre o que Ele foi; o tempo não O mudará. "Seca-se a erva e caem as flores, mas a palavra do nosso Deus subsiste eternamente" (Isaías 40:8).

4. Despertem seus corações para entender os diferentes caminhos das várias providências de Deus (Eclesiastes 7:14).

Há dois tipos de consolo — o natural e o espiritual. Há um momento quando os cristãos podem desfrutar de ambos (Ester 9:22), e há um momento quando o consolo natural não pode ser gozado (Salmo 137:2). Mas não há momento algum no qual a alegria espiritual e o consolo de Deus não possam ser experimentados (I Tessalonicesses 5:16 e Filipenses 4:4). Até mesmo nas piores provações que possam vir ao cristão, nós podemos fazer as seguintes perguntas:

(I) Por que essas provações nos fazem esquecer do nosso consolo em Deus, uma vez que são passageiras e a nossa alegria em Deus é eterna?

(II) Por que deveríamos ficar tristes, já que nosso Deus está conosco nas provações? Uma única promessa, "estarei com ele na angústia (Salmo 91:15), basta para nos sustentar em todas as nossas tribulações.

(III) Por que nós que somos crentes em Cristo deveríamos ficar tristes, já que podemos estar certos de que nenhum ato da providência, por pior que pareça, é sinal da ira de Deus? O coração de Deus está cheio de amor por Seus filhos, até mesmo quando parece que a face da providência está fechada.

(IV) Por que deveríamos ficar deprimidos quando temos certeza de que, mesmo por meio dessas providências, Deus nos fará o bem? (Romanos 8:28).

(V) Por que não deveríamos pensar na nossa alegria em Deus, já que está tão próxima a hora na qual tristezas serão findas, e nós não sofreremos mais? "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima" (Apocalipse 7:17).

Fonte: Josemar Bessa

domingo, 15 de maio de 2011

O Filho Pródigo (parte final) - Sermão pregado dia 03.04.2011


O Filho Pródigo (parte final) -
Sermão pregado dia 03.04.2011

Nosso texto: Lucas 15.25-32

A parte final de nossa narrativa reflete a ação do filho mais velho - o filho que havia permanecido na casa de seu pai. Conforme já havíamos visto anteriormente (clique aqui para ler a parte 1, parte 2 e parte 3 da pregação), o filho mais novo motivou-se para sair de casa em busca da saciação de seus prazeres e desejos, e "ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua" (v.13) - não percebendo as inúmeras bênçãos que já desfrutava na casa de seu pai e sequer imaginando que um dia viria "a padecer necessidades" (v.14).

Nos é dito que este filho mais velho estava no campo quando seu irmão se aproximou. Ao ouvir o barulho da música e da dança, não conseguiu entender o que estava acontecendo. Ele não se lembrou de alguma festa que estava para acontecer ou algo que pudesse lhe trazer à memória o motivo de tal feito. Perguntando então para seu servo o que estava ocorrendo, obteve a resposta: "Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo" (v.27). O texto então nos mostra que este filho mais velho não se agradou da resposta e por isso "se indignou, e não queria entrar" (v.28).

Este filho mais velho achava que o valor de uma pessoa estava naquilo que ela fazia para o seu senhor e não no que ela representava para ele. Este filho não conseguia compreender o motivo de tamanha festa para seu irmão mais novo - lembremos que em regra eram os filhos mais velhos que desfrutavam das primícias e obtinham maior regalia - haja vista que em seu juízo seu pai estava sendo injusto e negligente para com ele.

O filho então passa a defender sua causa diante de seu pai dizendo: "Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos" (v.29). Aqui e mais adiante o filho demonstra seu desprezo pela atitude de seu pai fazendo comparação entre aquilo que ele sequer havia ganho - "nunca me deste um cabrito" (v.29 - um animal bem mais barato que o novilho) - e o que seu irmão havia ganho - "vindo, porém, este teu filho... mataste-lhe o bezerro cevado" (v.30 animal preparado para ocasiões especiais e mais caro) - tornando-se um filho descontente para com seu pai.

O filho mais velho ao olhar para trás e ver todo o sacrifício que havia feito em prol de seu pai, ver que havia trabalhado e o servido por tanto tempo "sem nunca transgredir o teu mandamento", agora se depara com uma grande festa para seu irmão pródigo - que havia gasto seus bens com prostitutas - e vê que o seu pai se alegra com isso! Este filho mais velho encheu-se de inveja para com seu irmão mais novo e não apenas isso, ele nem considerava-o mais seu irmão, pois disse: "Vindo, porém, este teu filho" (v.30). Vemos que a aparente injusta está posta diante de seus olhos - ele não conseguia compreender o senso de justiça de seu pai.

Mister é também notarmos que a volta do filho pródigo havia sido motivada pela noção de desespero vivencial e por aquilo que o seu pai tinha para lhe oferecer: "Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!" (v.17). Tal como o pai demonstrou amor para com o seu filho indigno, a salvação não é uma recompensa por boas obras, mas sim verdadeiramente um dom gracioso de Deus [1]. O filho pródigo embora tivesse reconhecido o estado lastimável em que se encontrava, voltou para a a casa de seu pai em busca de benefícios que poderia obter. Mas é nesse momento que a graça de Deus se revela (na figura do pai) na vida desse pródigo. Lemos que esse filho não se sentia digno de ter sua comunhão restaurada com o pai - "Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros" (v.19) - mas para sua surpresa é recebido de volta.

Para o filho mais velho, a relação com seu pai era vista a partir do mérito: "Eis que te sirvo há tantos anos" (v.29). Este filho olhava-se como que num espelho, via suas mãos calejadas e pensava ser muito mais digno de aceitação do que seu irmão, pois "te sirvo há tantos anos"! Este filho mais velho deixou-se levar pelo sutil engano do orgulho e mérito. Tal cena certamente nos lembra dos trabalhadores da vinha descrito em Mt 20.1-16. Assim como os primeiros trabalhadores não entenderam o porquê do dono da vinha pagar o mesmo tanto para diferentes pessoas que trabalharam diferentes quantias de hora, este filho mais velho achava que seu pai estava equivocando-se em seu julgamento.

Mas este pai não deixa seu filho falando sozinho, ele lhe responde dizendo: "Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas; mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se" (vs.31,32). Por estar sempre ao lado de seu pai, o filho mais velho havia perdido a sensibilidade para com tudo que o cercava. De igual modo, muitas vezes nos assemelhamos a este filho mais velho quando nos esquecemos de que estamos sempre com o pai e passamos a ter inveja de certas pessoas por aparentarem ser mais abençoadas e prósperas em tudo o que fazem.

Queridos, enquanto não entendermos que tudo o que temos é dom de Deus para conosco, não teremos conhecido verdadeiramente a Cristo e seu evangelho. Enquanto não aceitarmos que é Deus que nos chama e nos aceita, continuaremos a confiar em nossa suposta soberania e pleno pseudo-controle sobre tudo e todos. Urge com grande importância entendermos que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23) e por isso, por nossas forças não conseguimos sequer ir ao encontro de Jesus e obtermos a salvação (já escrevi sobre isso - clique aqui para ler). Assim como Jó tentou-se explicar a Deus e não obteve êxito, assim somos nós quando intentamos interpretar a palavra de Deus a nosso bel-prazer. O pródigo sabia que não era coisa alguma diante de seu pai e também o filho mais velho sabia que nada tinha para oferecer - a não ser desculpas descabidas.

Esta parábola (dentre muitíssimas coisas que poderíamos salientar) nos mostra que "a salvação pertence ao Senhor" (Jonas 2.9). Vemos também que a atitude do filho pródigo foi semelhante àquele Israel obstinado e revoltado contra o Senhor no deserto, que de nada se agradava e constantente he virava as costas. Assim como o povo de Israel estava cego para com as bênçãos recebidas de Deus - e mesmo assim em misericórdia o Senhor os guiava rumo a terra prometida - o filho pródigo achou graça diante dos olhos de seu pai, embora tenha vivido por algum tempo longe e tenha se embrenhado em uma multidão de pecados - "Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Ef 2.4,5).

Que possamos cravar em nossos corações as palavras de Hebreus 4.16 que dizem: "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno."

Amém.

Nota:
[1]Bíblia de Estudo de Genebra

Por que levar tão a sério a tentação?


Por que levar tão a sério a tentação? –
por John Owen

É o grande dever de cada cristão esforçar-se ao máximo valendo-se de todos os recursos que Cristo tem dado, para não cair em tentação.

Por que é tão importante este dever? Vamos considerar algumas razões que a Bíblia nos dá.

Razão 1

O Senhor Jesus Cristo nos deu um padrão para nossa oração diária. Neste modelo uma das petições é: "e não nos deixes cair em tentação; mas livrai-nos do mal" (Mt 6.13). Este petição pode ser parafraseada: "Opera em nós de tal maneira que sejamos poderosamente libertos daquele mal que acompanha nossa entrada na tentação" - Nosso bendito Salvador sabe como a tentação é perigosa e como precisamos da ajuda de Deus para sermos guardados de entrar na tentação. Confiamos na sabedoria, no amor e no cuidado de Jesus pelo Seu povo. Ele enfatiza este dever; devemos levá-lo a sério.

Razão 2

O Senhor Jesus Cristo prometeu uma grande recompensa a igreja em Filadélfia (Ap 3.10). Essa recompensa era a libertação da hora da provação que viria sobre o mundo inteiro. Você deseja essa benção? Deve, então, levar a sério o que Cristo designou como meios pelos quais podemos nos guardar da hora da provação.

Razão 3

Quando consideramos as horrendas conseqüências que têm sido o resultado dos homens (tanto os injustos como os justos) entrarem na tentação, a sabedoria impõe que levemos bem a sério este dever. Estas horríveis conseqüências podem ser ilustradas à luz da experiência de duas classes diferentes de pessoas:

a) Pessoas que aparentam ser cristãos genuínos mas não o são.

Estas pessoas são descritas pelo Senhor Jesus Cristo na Sua parábola do semeador como "ouvintes semelhantes a terreno rochoso". Eles "recebem a palavra com alegria quando a ouvem, mas não tem raiz" (Lc 8.13). Eles crêem apenas por algum tempo, e na hora da provação se desviam.

Em todas as épocas há pessoas assim. Parece que iniciam bem na vida cristã, todavia, mais cedo ou mais tarde entram num período de tentação e abandonam sua profissão de fé. Estas pessoas também são descritas pelo Senhor Jesus como sendo semelhantes "a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia". O que acontece com esta casa? Ela abriga estas pessoas por algum tempo, porém quando a provação de um dia tempestuoso vem, ela cai, sendo grande a sua ruína" (Mt 7.26-27).

Verificamos que Judas seguiu o Senhor Jesus durante três anos. Ninguém, a não ser o Senhor Jesus podia perceber a diferença entre Judas e os outros do grupo dos doze. Tão logo Judas entrou em tentação ele caiu para não mais vir a ser restaurado. Demas identificou-se com o apóstolo Paulo até que o amor do mundo o venceu e ele abandonou Paulo (2Tm 4.10). A entrada na tentação para essas pessoas é uma entrada na apostasia. Em muitos casos a apostasia é evidente e todos a percebem; noutros casos ela só se evidenciará no dia do juízo.

b) Pessoas que são verdadeiros cristãos

A Bíblia nos oferece muitas ilustrações das terríveis conseqüências de santos autênticos entrando na tentação. Precisamos nos limitar a uns poucos exemplos:

Adão: Adão foi criado à imagem de Deus, com uma natureza santa, e portanto ele não estava sujeito aos desejos pecaminosos de uma natureza caída. No entanto, mesmo ele foi vencido pela tentação assim que nela entrou. Como resultado disso ele se perdeu e se arruinou, bem como a toda a raça humana. Se um homem nas condições ideais de Adão pôde cair tão facilmente, que esperança existe para o resto da raça humana? Temos que lutar não apenas com o diabo, como no caso de Adão, mas também com um mundo que está debaixo da maldição de Deus, e como todos os desejos pecaminosos de uma natureza caída.

Abraão: Abraão, o pai dos fiéis, duas vezes entrou na mesma tentação. O receio quanto a segurança da sua esposa o tentou a mentir (na verdade a mentira dele a colocou mais em perigo ainda - a verdadeira preocupação era com a segurança dele). Deus foi desonrado, e Abraão sem dúvida alguma experimentou tristeza e remorso (Gn 12.12,13; 20.2).

Davi: Davi, "o homem segundo o coração de Deus", entrou em tentação para cobiçar outra mulher. Caiu nos pecados de adultério e de planejamento pecaminoso que envolveu outras pessoas no seu pecado. Chegou até mesmo a planejar a morte de um homem justo.

Muitos outros: A tentação e a queda de muitos outros tais como Noé, Ló, Ezequias e Pedro nos é relatada para nossa instrução. Ele nos dão evidencia dolorosa de como os santos podem facilmente cair em pecados graves como resultado de entrarem em tentação. À luz de tais exemplos cada um de nós fará bem em orar: "Ó Senhor, se santos tão ilustres e poderosos podem cair tão miseravelmente quando entram na tentação, como poderei eu resistir nesse dia? Ó, guarda-me, para que eu não entre em tentação!!"

Deus nos tem feito muitas advertências e nos tem dado muitos exemplos de outros santos que caíLinkram em pecado quando foram tentados. A despeito disso, alguns cristãos entram ousadamente no caminho da tentação. Quão grande tolice!!

Fonte: Mayflower

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...