"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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domingo, 3 de abril de 2011

O Filho Pródigo (parte 2) - Sermão pregado dia 20.03.2011


O Filho Pródigo (parte 2) -
Sermão pregado dia 20.03.2011

Nosso texto: Lucas 15.17-20a

Amados, vimos na semana passada como e quais foram os primeiros passos do filho pródigo. Analisamos sua conduta e vimos como ele estava motivado para gastar sua herança com futilidades e trivialidades dessa vida.

Nosso texto de hoje continua dizendo: "Caindo em si, ele disse:". (v.17) Encontramos grande perigo em tão afirmação. Ao lermos tal declaração podemos cogitar que o "cair em si mesmo" foi uma atitude do homem, podemos deduzir que foi devido ao livre-arbítrio do jovem pródigo que ele chegou ao arrependimento; mas a bíblia não nos permite tal feito. Em Efésios 2.1 lemos que: "Vocês estavam mortos em seus delitos e pecados". No mesmo capítulo, mas nos versículos 4 e 5 lemos: "Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça vocês são salvos". (grifo meu)

Ao discorrer sobre o livre-arbítrio do homem, Lutero escreveu: "Se algum homem, de alguma maneira, atribuir a salvação ao livre-arbítrio do homem, mesmo que a ínfima parte, nada sabe sobre a graça e não conheceu Jesus Cristo corretamente". Certamente essas palavras nos soam quase que como agressivas, mas sabemos que não podemos suavizar a mensagem do evangelho.

Temos visto em nossos dias as mais variadas correntes teológicas crescendo e ganhando forma. A teologia aos poucos tem se tornado antropocêntrica em vez de ser cristocêntrica. É importante notar que quando a igreja faz distinção entre arminianismo e calvinismo, não é para criar brigas (ou não deveria ser) tolas, mas para mostrar que enquanto o primeiro sistema se baseia na autonomia humana, o segundo reconhece a soberania de Deus em absolutamente todas as coisas.

A passagem de Efésios que lemos anteriormente nos mostra a situação em que o filho pródigo se encontrava: morto. Aquele jovem estava desejoso da comida de porcos, mas nem isso conseguia obter (v.16). Aquele jovem que outrora havia desfrutado de banquetes e regalias na casa de seu pai, agora está na rua da amargura e em completo desespero - está completamente morto.

Então, Deus em um toque de graça, o traz à vida, abre os seus olhos e o seu entendimento, e ele passa a perceber sua situação miserável. Ele diz: "Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados’". (v. 17-19) Aqui temos o retrato do mais miserável dos homens. Além de tudo que já havia perdido da casa de seu pai e de sua herança, agora passara a reconhecer seu estado lastimável. Amados, como nos é triste e doloroso o momento em que reconhecemos nosso estado de podridão e falta para com Deus.

Vejamos que a narrativa anterior ao versículo 17, nada fala sobre o reconhecimento do pródigo acerca de seu estado de miséria. Mesmo enquanto ele desperdiçava seus bens, quando já havia gasto tudo o que possuía, houvera se empregado no mais terrível trabalho aos olhos de um judeus; ainda não sabia onde estava.

Tal qual esse pródigo, talvez você já tenha experimentado a abundância de vida na casa de Deus e já tenha tido tempo de dedicação para com a palavra do Senhor. Quem sabe já houve tempos em que você se dedicou a oração e a perseverança nas coisas do reino, mas hoje acha-se em falta - encontra-se na mais terrível anorexia espiritual.

Tiago 4.14 nos diz: "Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa". Muitos tem deixado para amanhã o dedicar-se as coisas de Deus. Muitos jovens tem desperdiçado suas vidas achando que são apenas os idosos ou os imprudentes do trânsito que vem a falecer. Lembremo-nos que a maioria das pessoas não morre feliz e deitada em suas camas com o sentimento de missão cumprida. A maioria que morre achou que poderia deixar para amanhã o que poderia fazer hoje, achou que viveria tempo suficiente para empenhar-se em seus projetos, mas não houve tempo. Quando menos esperavam, a morte os tragou e sua vida se esvaiu.

"A seguir, levantou-se e foi para seu pai". (v.20) O Catecismo Maior, na pergunta 76 diz: Que é o arrependimento que conduz à vida? O arrependimento que conduz à vida é uma graça salvadora, operada no coração do pecador pelo Espírito e pela Palavra de Deus, pela qual, reconhecendo e sentindo, não somente o perigo, mas também a torpeza e odiosidade dos seus pecados, e apreendendo a misericórdia de Deus em Cristo para com os arrependidos, o pecador tanto se entristece pelos seus pecados e os aborrece, que se volta de todos eles para Deus, tencionando e esforçando-se a andar constantemente com Deus em todos os caminhos da nova obediência. Luc. 24:47; II Tim. 2:25; João 16:8-9; At. 11:18, 20:21; Eze. 18:30, 32; Luc. 15:17-18; Eze. 36-31. e 16:61, 63; Sal. 130:34; Joel 2:12-13; Jer. 31:18-19; II Cor. 7:11; At. 26:18; 1 Reis 8:47-48; Eze. 14:6; Sal. 119:59, 128; Rom. 6:17-18; Luc. 19:8.

Em contraste com o falso arrependimento que não produz mudanças, aqui temos o exemplo de um arrependimento sincero. Não que esse jovem estivesse totalmente comprometido para com a causa de seu pai (lembremos que ele resolveu ir para a cada de seu pai porque estava com fome e não porque amava-o), mas houve uma guinada em sua vida.

Quando Deus verdadeiramente toca a vida de um pecador, ele sempre muda sua conduta. Não foi assim com Paulo, Pedro e tantos outros? Ora, acaso Paulo continuou perseguindo os cristãos e ao mesmo tempo pregando as suas boas novas? Porventura, Pedro continuou negando a Cristo durante toda sua caminhada cristã? Tal qual esses homens, o pródigo não continuou desejando a comida de porcos e ao mesmo tempo ansioso pela casa de seu pai - houve uma verdadeira mudança. Todos esses e muitos outros homens poderiam repetir as palavras de Paulo quando disse: "Prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus". Fp 3.14

Observemos atentamente a mudança de vida que aconteceu neste pródigo. "Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti". (v.18) Ele não disse que voltaria para a casa do seu pai e pronto. Não falou também que seu pai sempre aceitou os rebeldes de volta e por isso ele poderia voltar, mas ele disse: "Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti". (v.18). Que diferença deste tipo de confissão de pecados daquela feito por faraó! O pródigo não silencia sua fala, mas vai adiante dizendo: "Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados". (v.19) O jovem não titubeou dizendo que achava que não era digno, não vacilou pensando que antes ele não era digno de ser filho, mas agora que verdadeiramente se arrependeu, deveria ser recebido como tal. Também vemos que em momento algum o jovem cogitou a possibilidade de voltar e ser reconhecido como filho de seu pai, não tomou a resolução de voltar motivado por uma grande festa, por roupas novas ou coisa semelhante, pois sabia da situação deplorável em que se encontrava.

"A seguir, levantou-se e foi para seu pai". (v.20) De modo semelhante a quando éramos crianças e ficávamos temerosos de irmos ao encontro de nossos pais - pois sabíamos que havíamos desobedecido as suas ordens ou que não tínhamos cumprido para com nosso dever - provavelmente esse pródigo se sentia de maneira semelhante. Embora ele não houvesse furtado cousa alguma de seu pai, não houvera dito que não amava mais sua família e por isso iria fugir, tampouco lhes disse que não eram mais importantes para ele, ele sabia que estava perdido e só havia um lugar para onde pudesse ir: a casa de seu pai.

Queridos, a narrativa nos trouxe até aqui e nos tem mostrado a importância de tomarmos a firme decisão de retornarmos à casa do pai. Este filho pródigo até aqui tem se mostrado disposto a voltar para a casa de seu pai, embora não saiba ainda como será recebido. Assim também nós devemos ir a Cristo: dispostos a sermos seus servos, pois não somos dignos de sermos seus filhos.

Amém.

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