"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A regeneração precede a fé - R. C. Sproul















A regeneração precede a fé - Via Vox Dei por R. C. Sproul

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Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A REGENERAÇÃO PRECEDE A FÉ


Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

"Fé - novo nascimento -justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.

Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.

Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerem maior explanação.


MONERGISMO E SINERGISMO

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por um razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.

A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.

Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.

(do livro, O Mistério do Espírito Santo, Tyndale House, 1990)

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Com este texto, encerro as postagens deste ano.
Voltarei no dia 6 de Janeiro com novas atualizações, pensamentos e reflexões.

A todos um bom final de ano e que Deus nos abençoe!

Abraços!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Eu não consigo aceitar Jesus!

Eu não consigo aceitar Jesus!

por Filipe Luiz C. Machado



Não há nada mais normal em nossa vida “igrejeira” e socialmente rodeada por um punhado de cristãos, do que ouvirmos constantemente: “Fulano aceitou Jesus em sua vida!”, “Milhares escolheram o Senhor Jesus nesta semana!”, “Há anos que venho orando por meus familiares e falando de Jesus para eles, mas eles não se convertem.”

Diante do fato exposto, faço uma pergunta: é possível alguém querer aceitar Jesus?


Humanamente falando, quando pensamos, lemos e refletimos sobre o nascimento, a obra e a morte de Jesus, devo confessar que tudo isso não parece passar de algo fora da realidade. Embora seja uma história comovente, do ponto de vista humano não faz qualquer sentido.


- Um homem chamado Jesus dizer que é o filho de Deus?
- Um homem chamado Jesus nascer para salvar os homens?
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Morrer numa cruz sob o pretexto de estar nos salvando e perdoando nossos pecados?


Quem consegue por concepções humanas acreditar nisso? Para nossa mentalidade isso tudo é uma loucura e não passa de mais um relato ou de uma história comovente.


Mas, então por que nós cristãos estamos a cada domingo sentados e ouvindo alguém falar sobre esse Jesus? Por que oramos e buscamos a esse tal de Jesus se ele não faz sentido para nossa limitação humana?


1. Estamos aqui porque ele nos escolheu e trouxe sua mensagem até nós. Ele veio de tal forma que não pudemos recusá-lo, pois sua mensagem foi tão intensa e maravilhosa, que nos impeliu a irmos de encontro a ele. A transformação em nossas vidas foi algo extremamente gracioso, algo que jamais havíamos experimentado! Sua graça nos atingiu e foi irresistível.


Não fomos atraídos por palavras de sabedoria humana, mas sim pelo poder de Deus; conforme Paulo escreve:


1Co 2.1 “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria”.


Influenciados pela cultura grega, alguns dos crentes de Corinto podem ter criticado Paulo por ele não usar as técnicas retóricas de seus contemporâneos (2Co 11.5,6) Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra


1Co 2.5 “para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus”.


“Se você não consegue, com seus próprias forças acreditar e ter fé em Jesus, você tem um dom.” John Piper


É um dom de Deus fazer com que não consigamos acreditar nele, porque aí sim ele vem e nos enche com seu poder e graça. Desta forma, ele nos mostra o quão pequenos somos diante de sua magnitude e também nos ensina a sermos dependentes em tudo, até mesmo para crermos nele. Se tivéssemos a capacidade própria de ter fé em Jesus e crer no seu poder restaurador, nem a bíblia, nem a oração, nem coisa alguma seriam necessárias para nós. Seríamos seres auto-suficientes.


2. Jesus veio para nos trazer vida e não para nos oferecer vida. Porque se ele estivesse vindo ao mundo e morrido pelos nossos pecados, apenas para nos oferecer a vida verdadeira e a salvação e dependesse de uma resposta de nossa parte, com toda a certeza todos nós diríamos não à sua oferta. Ou você diria conseguiria dizer sim?


- Quem diria sim para Jesus, sabendo que teria de negar várias coisas e se abdicar de certos atos “gostosos” da vida?
- Quem iria preferir viver uma vida voltada para o próximo e não para si mesmo?
-
Quem diria sim para uma vida sem bebedeiras, com sexo apenas no casamento, tendo que amar ao seu próximo como a si mesmo, fazendo o bem aquele que nos faz mal...

Quem diria sim para Jesus? Quem optaria por levar uma vida na contramão do sistema? É óbvio que ninguém, pois a sua mensagem é loucura aos nossos olhos.


E isso nos leva a crer que até mesmo quando dizemos “Sim, Jesus. Eu quero te seguir e te amar para sempre” é somente através do Espírito Santo que conseguimos fazer tal afirmação. Porque sob a ótica humana, é impossível querer Deus.


Quando somos iluminados por Deus e percebemos que precisamos dele em nossas vidas, a história (nascimento, vida, morte e ressurreição) de Jesus começa a fazer sentido para nós. Começamos a entender somente porque fomos iluminados pelo Espírito Santo e ele agora nos mostra o quão falho e pecadores somos e o quanto que precisamos desesperadamente dele em nossas vidas.

Uma vez iluminados e atingidos por essa graça irresistível, compreendemos o porquê dele ter vindo e dito que veio para nos purificar e salvar. Nossa visão humana é deixada de lado e passamos a enxergar como Cristo gostaria que enxergássemos.


Amados, somente quando temos essa consciência, conseguimos ver a VIDA (em seu sentido geral) com outros olhos. Uma vida que não vale a pena ser vivida se não for para a honra e glória de Deus. Uma vida que não tem o menor sentido, se não soubermos para que estamos aqui e o que nos colocou neste lugar.


Meu desejo é que possamos ser cheios do Espírito Santo, para que possamos crer na loucura que é esse evangelho de Jesus Cristo. Sabendo, contudo, que “Ao Senhor pertence a salvação!” Jonas 2.9



Deus abençoe!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Liberdade alicerçada


"E não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" -
Por Filipe Luiz C. Machado


Seja fiel às suas tradições!
Não se contamine com o mundo, pois ele jaz no maligno!

Onde Deus está ali há liberdade!
Não podemos ser legalistas, fomos chamados para sermos livres!

Quem de nós nunca escutou alguma dessas frases durante um “louvor”, um culto, ou alguma palestra?

É verdade que a bíblia nos ensina que Cristo nos chamou e nos colocou em situação de liberdade. Mas a pergunta que devemos fazer é: do que fomos livres e o que ela significa?

Gl 5.1 ”Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão”.

Devemos destacar alguns pontos importantes neste escrito de Paulo:

1. Nesta carta, Paulo estava interessado em deixar claro que a salvação é uma dádiva da graça de Deus, que não é ganha nem merecida, mas recebida somente pela fé (2.15-16) (Nota de rodapé – Bíblia de Estudo de Genebra)

Ou seja, tanto os cristãos judeus, como os gentios, deveriam ter a clara certeza de que nada que eles fizessem poderia comprar a sua salvação. Paulo desejava que seus leitores não voltassem a praticar as velhas obras da lei, pensando que através delas poderiam ser salvos.

2. Se fomos libertados, é porque outrora estávamos presos em algo. E no que estávamos presos?

Em Cristo, fomos libertos da maldição da lei. Fomos chamados para uma vida de liberdade que não é mais regida pela lei, mas sim pela presença e graça de Deus em nós. A lei não foi abolida, mas sim cumprida por Jesus (Mt 5.17). Seguindo que a lei não foi extinta, quer dizer que ainda há nela preceitos preciosos que devemos e precisamos seguir a cada dia. Sim, há várias leis cerimoniais e alimentícias que foram extintas, mas os mandamentos morais da lei permanecem como declarações da vontade de Deus para a conduta cristã (Rm 8.2-8; 13.8-10). (Nota de rodapé – Bíblia de Estudo de Genebra)

3. A literatura judaica da época compara a lei a um jugo ao qual o obediente se submete. Paulo não quer que os seus leitores de origem gentílica permitam que a lei tome o lugar de Cristo em suas vidas (Mt 11.29; At 15.10). (Nota de rodapé – Bíblia de Estudo de Genebra)

Interessante quando contrastamos o jugo da lei com a liberdade que agora nos é dada.

Antes o povo tinha com o que se guiar, havia uma norma que norteava suas vidas e seus afazeres. Eles sabiam como e o que deveriam fazer para que fossem filhos obedientes. Mas quando Cristo vem e cumpre a lei (nos fazendo livres) ele derruba todo o sistema de vida que os judeus tinham. Aquilo no qual eles se baseavam e se vangloriavam de (tentar) seguir, lhes havia sido tirado. Perdidos e fora da lei, ficaram “sem saber o que seguir”.

Também hoje, em nossos dias, a história não é muito diferente.
Vemos igrejas que escravizam o povo e os colocam novamente sob o jugo do legalísmo, moralismo e farisaísmo travestido de cristianismo.
Em contrapartida, vemos também igrejas que tiram todo o jugo (a lei) e deixam o povo sem qualquer direção para suas vidas. É o "cada um por si e Deus por todos".

Precisamos voltar e rever as declarações da vontade de Deus para nossas vidas. Receio que muitas partes da Igreja tenham sido destruídas e mortas por falta de ensinamentos bíblicos claros e precisos.

Não devemos nos submeter novamente ao jugo de escravidão, mas também não podemos; dos preceitos, abrir mão.

Deus abençoe!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Orai sem cessar. Mas por que?


Orai sem cessar. Mas por que? -
Por Filipe Luiz C. Machado

1Ts 5.17. Esse versículo é conhecido por boa parte dos que se dizem cristãos. Todos nós já ouvimos ou lemos o trecho onde Paulo nos ensina a levarmos uma vida de oração constante. Uma vida que está sempre na alicerçada em na graça de Deus em nossas vidas.


Mas... por que orar sem cessar? Será que devemos orar para então conseguirmos o favor de Deus em nossas vidas? Orar com o intuito de mostrar nossa devoção ao Mestre?


Creio que devemos orar sem cessar por 5 motivos:


1. Porque dependemos dele para viver.


Precisamos estar conscientes de que sem Cristo nada somos e nada podemos fazer. A oração nos leva a termos uma consciência de quão pequenos e incapazes somos por nossas próprias forças. A oração faz com que sejamos humilhados e nos rendamos ao seu poder redentor. Leva-nos a uma relação de total dependência de criatura para com o criador.


2. Porque somos fracos e inúteis.


É necessário que oremos sem cessar, porque a oração nos leva a perceber que somos tão fracos que até mesmo o ato de nos humilhar perante alguém é impossível para nós. Muitos ainda pensam que a depravação do homem não é total. Pensam que por mais pecadores que sejamos, ainda há algo de bom em nós. Porém, aqueles que assim pensam se afastam totalmente do ensino bíblico que mostra nossa incapacidade de fazer qualquer coisa boa sem a graça de Deus.


3. Porque não temos consciência do que somos.


Quando não levamos uma vida de oração, achamos que somos alguém e que somos pessoas muito importantes para o reino de Deus. É verdade o fato de que Deus nos ama e nos incumbiu de um trabalho aqui na Terra, mas jamais devemos pensar que sem nós, Deus não pode fazer sua obra acontecer ou que seu propósito para com a humanidade irá falhar caso não desejemos proceder conforme sua vontade. Deus não depende de nós e também não precisa de nós para que sua vontade seja feita. É só graças ao seu amor que ele nos usa para fazermos sua obra na Terra. A oração constante nos faz conhecedores de que Deus é soberano e que nós nada somos.


4. Porque somos orgulhosos.


Por mais que leiamos a bíblia e por mais que saibamos o quão falhos somos, nós ainda não gostamos de nos submeter a Cristo. O ser humano odeia ser rebaixado e se fazer escravo da vontade de alguém. Não gostamos disso! Queremos depender de Deus, mas ter certa liberdade para escolher aquilo que quisermos, sem a intromissão divina. Muitas vezes vivemos um vida contraditória: afirmamos que somos cristãos, mas não nos submetemos a vontade daquele a qual estamos (ou deveríamos) alicerçados. Ou seja, não somos cristãos, apenas simpatizantes de um homem chamado Jesus.


5. Porque amamos a Deus.


Se não oramos e não buscamos a Deus de fato, não podemos dizer que o amamos de verdade. Seria o mesmo que dizer a nossas esposas e maridos que eles são a coisa mais preciosa que temos, embora poucas vezes passemos tempo ao lado dele ou dela. A verdade é que muitos de nós amam ter o conhecimento sobre Deus, amam saber mais sobre sua vontade e sobre o que a bíblia realmente quer dizer, mas não gostam e/ou não querem colocar em prática. Gostamos de ler dezenas de livros durante o ano, estudarmos em ritmo frenético e acumular o maior número possível de conhecimento em nosso cérebro. Mas certamente não gostamos de nos despojar de nosso eu pecaminoso e botarmos em pratica aquilo que lemos e estudamos. É muito mais fácil acumular sabedoria do que colocá-la em prática.



“A bíblia não nos foi dada para aumentar nosso conhecimento, mas sim para mudar nossas vidas.” D. L. Moody


Deus abençoe!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ventos que refrescam, mas que afastam a chuva



Não é de hoje que vemos um grande "crescimento" no número de igrejas, ministérios, pastores e obreiros. Igrejas surgem aos montes e com elas surge a inovação. Inventam novas técnicas de evangelismo, poderes espirituais de cura, bençãos materiais, poderes espirituais... tudo para refrescar a vida dos crentes "esquenta-banco-de-igreja". Afinal, eles estão parados e com calor.

A natureza criada por Deus realmente nos causa fascínio e profunda admiração. Ficamos sem palavras quando nos deparamos com tamanha beleza, magnitude e complexidade funcional. Não conseguimos imaginar como todo esse sistema pode funcionar de maneira tão bela e eficaz.

Árvores que nos protegem dos raios solares e nos propiciam sombra, animais que equilibram a cadeia alimentar, rios e lagos que fornecem água abundante a todas as criaturas e os mais variados tipos de plantas, flores, mosquitos e insetos. Há, porém, dois elementos que eu gostaria de destacar: o vento e a chuva.

Não sei se você já percebeu, mas frequentemente quando está muito quente e começamos a sentir um leve vento, uma brisa suave, é quase certo que esse mesmo vento que está nos refrescando, lá nas alturas está mandando a chuva para outro lugar. Ou seja, a chuva tão esperada está sendo adiada pelo vento refrescante aqui em baixo.

Baseado nesse fenômeno natural, é inevitável não realizarmos uma ligação com a situação da Igreja atual e a deformidade no "ecossistema" evangélico.

É lamentável notarmos a falta de leitura bíblica dentro das igrejas e nos círculos cristãos. Temos visto diversos movimentos clamando por avivamento, por poder do Senhor, bençãos, revelações e "chuva". Há sempre um novo desejar por aquele vento que refresca a vida dos crentes, alivia as almas cansadas e traz frescor ao corpo cansado.

Mas, infelizmente (muito infelizmente), esses movimentos se esquecem de que assim como na natureza, quando muitas vezes o vento vem antes e carrega a chuva para outro lugar, os ventos de doutrina atuais e de sinais mirabolantes também fazem com que a verdadeira chuva de Deus sobre nossas vidas seja levada embora. A mania diabólica de sempre desejar ventos espirituais (bençãos, curas...) acaba por afastar a chuva e faz com que a terra (nosso coração) comece a secar e ficar infrutífera.

Naturalmente não podemos dizer que sempre esses ventos afastam a presença de Deus, mas também não podemos fazer vista grossa e balançarmos a cabeça para tudo aquilo que vimos. O cristão deve ser crítico para com aquilo que vê, ouve e lê.

Paulo nos escreve em Gálatas 1.10: "Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo."

Precisamos urgentemente da chuva de Deus, aquela que realmente traz novo fôlego à terra seca e sem vida. Que cessem os ventos feitos por mãos humanas! Somente a verdadeira chuva pode de fato nos reavivar. 

Nas palavras de A. W. Tozer: "É inútil grandes grupos de crentes gastarem horas e mais horas implorando que Deus mande um avivamento. Se não pretendemos nos reformar, também não devemos orar."

Só assim teremos um novo "ecossistema" cristão, puro, sadio e capaz de gerar verdadeiros cristãos.


Deus vos abençoe.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A traição de Judas e a Soberania Divina



A traição de Judas e a Soberania Divina - Por Filipe Luiz C. Machado

Em meio a um mundo tão perverso e turbulento, como ainda podemos confiar em Deus e em Seu poderoso agir? Será que há alguma coisa, pensamento ou doutrina que consiga nos sustentar em meio a tempos conturbados?


A palavra de Deus em Mt 26.20-25 nos conta quem seria o traidor de Jesus.
Pode-se dizer que quase todos os crentes sabem quem foi que traiu Jesus (e se você não sabe, aconselho a fazer um exame sério). Também sabem que a indicação do traidor aconteceu na última ceia com discípulos.

Mas algumas pessoas levantam perguntas acerca dessa história, tais como:

1. Jesus sabia quem iria lhe trair?
2. A traição foi fruto do acaso ou algo planejado?
3. Judas sabia que iria trair?
4. Judas tinha a opção de não trair?


1. Jesus sabia quem iria lhe trair?
Devemos deixar claro que Jesus era (em seu estado corpóreo) 100% homem e 100% Deus. Como homem, enfrentava as situações do dia a dia, lutava e orava como quem necessita de grande intimidade com o Pai. Já como Deus, ele sabia o que lhe sobreviria e o que aconteceria a ele, seja em qual âmbito fosse. Porém de alguma forma (que não entendemos) ele sabia conciliar sua dupla natureza (humana e divina).
Mt 26.21 “E, enquanto estavam comendo, ele disse ‘Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá’.”

Não há dúvidas de que Jesus sabia claramente quem o iria trair.


2. A traição foi fruto do acaso ou algo planejado?
Entendo em parte o questionamento de algumas pessoas para com quase toda a bíblia, mas sinceramente não consigo entender como alguém pode crer na soberania de Deus e ao mesmo tempo duvidar de boa parte das narrativas bíblias. Se começarmos a relativizar tudo na Bíblia, vamos acabar igual aos liberais.

Sendo cristão, não acredito que a traição tenha sido fruto do acaso, até porque não acredito em obra do acaso ou “pura sorte”, que diga-se de passagem, neste caso está longe de ser sorte.
Mt 26.21 “E, enquanto estavam comendo, ele disse ‘Digo-lhes que certamente um de vocês me trairá’.”

Podemos notar que a traição ainda não havia acontecido. O verbo está conjugado no futuro e não no passado. Judas não havia consumado o ato e nem mesmo Jesus havia sido preso pelos guardas. Portanto é absolutamente certo afirmar que a traição estava nos planos de Deus. Não que Deus goste de traição, pelo contrário, Ele a abomina, mas fez uso da traição (por algum motivo soberano) para cumprir seu propósito.


3. Judas sabia que iria trair?
A bíblia não nos revela se Judas já tinha em mente trair Jesus. Não conseguimos afirmar ou dar certeza de que ele já vinha com esse pensamento muito antes do dado momento. Porém vemos que Judas tinha um histórico problemático com relação a finanças e fidelidade àquilo que lhe era confiado.

Jo 12.4-6 “Mas um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde iria traí-lo, fez uma objeção: ‘por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários’. Ele não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado.”

Como é relatado, Judas já era inclinado à prática de roubar e trair.


4. Judas tinha a opção de não trair?
Creio ser essa uma das perguntas mais traiçoeiras que podemos fazer ao relato da traição.
Se por um lado dissermos que Judas tinha a opção de não trair, ficamos a deriva e não conseguimos assimilar com o fato de que Jesus sabia quem era o traidor. Uma vez que outros discípulos perguntaram quem seria e Ele lhes respondeu (Mt 26.22).
Em contrapartida, se dissermos que Judas não tinha a opção de não trair, podemos cair em um fatalismo brusco e perigoso.

Afinal, até onde vai nossa liberdade de escolha?

Como cristão reformado, creio na soberania divina e dela não abro mão. Para mim, aquilo que Deus decretou será cumprido e nada fará o seu plano frustrar.

Em Sl 41.9 lemos “Até o meu melhor amigo, em quem eu confiava e que partilhava do meu pão, voltou-se contra mim.” Leia também Sl 55.12-14.

Judas, portanto, foi usado como instrumento para que os planos e as promessas de Deus se cumprissem. Podemos até pensar na possibilidade de Judas ter a opção de não trair. Mas se fosse assim, Deus ficaria em modo stand-by esperando pela resposta, para aí sim tomar alguma decisão.

Deus não age conforme nosso querer, mas sim conforme o beneplácito da sua vontade, por mais estranha que nos possa parecer.

Deus abençoe!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Frase de A. W. Tozer


“É inútil grandes grupos de crentes gastarem horas e mais horas implorando que Deus mande um avivamento. Se não pretendemos nos reformar, também não devemos orar.”

A. W. Tozer

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Culto Não Pode Parecer Delírio Aos Incrédulos

O Culto Não Pode Parecer Delírio Aos Incrédulos
via Olhar Reformado



Paulo apela para a coerência, supondo uma situação frequente na Igreja de Corinto. Imaginemos, diz o apóstolo, que haja um culto onde todos estejam presentes e começem a falar em línguas extranhas, sem interpretação (I Cor. 14.23-25).

O culto desorganizado é uma barreira à conversão.

Caso os incrédulos e indoutos, movidos pela curiosidade, entrassem no local de cultos onde os coríntios estavam reunidos, a reação deles seria supor que aqueles cristãos estavam loucos, por estarem agindo de foma tão irracional (I Cor. 14.23). O espetáculo de uma igreja reunida com todos falando ao mesmo tempo, funcionaria como uma barreira a conversão dos visitantes. Por outro lado, se a Palavra de Deus for anunciada e explicada de modo autêntico, ela penetrará como uma espada afiada nos seus corações e consciências, produzindo convicção de pecado (I Cor. 14.24,25).

Infelizmente temos visto coisas deprimentes acontecerem no seio de algumas igrejas neo-pentecostais. Dá-se mais tempo e crédito para canticos “proféticos”, mensagens “proféticas”, do que a genuína e sã doutrina da Santa Palavra. Parece que a mensagem bíblica não basta. Quando o culto virá um espetáculo, estamos beirando mais a encenação do que a espiritualidade resultante da unção do Espírito Santo. Devemos vigiar e combater verazmente estes “arranjos”, que mais servem para afastar os santos servos de Deus da edificação espiritual (I Sam. 15.22).

O culto cristão não promove escândalo.

Paulo mostra sua preocupação missionária, ao dizer que o culto cristão não deve parecer loucura aos incrédulos. Talvez os coríntios considerassem as línguas como tendo valor apologético, isto é, que servissem como demonstração aos incrédulos da presença de Deus no meio deles, durante seus cultos. Paulo, porém, não está persuadido por um tipo de espiritualidade que anula a razão ou o bom senso (I Cor. 10.31-33).

Figurativamente falando, ninguém pode por o Espírito Santo dentro de uma “caixinha de sapatos” e, com isso, limitar sua operação sobrenatural. Ele é absoluto e, assim sendo, está livre para agir como quiser. No entanto, não se pode dizer que o Espírito Santo é responsável por todo tipo patético de manifestações sobrenaturais, pois existem alguns fenônemos que chegam a beira do ridículo, se caracterizando por uma variedadede prodígios, incluindo espasmos, “descansar no Senhor”, glossolalia, ruídos semelhantes aos de animais e, especialmente, gargalhadas contagiantes, que vão desde o porteiro do templo até o pastor no púlpito. Nessas reuniões, os dirigentes de culto usam gestos característicos, sacudindo vigorosamente as mãos para cima e para baixo sobre a cabeça de alguma pessoa, ou ajuntando o ar num suposto e invisível recipiente de “benção”. Infelizmente, acontecimentos como estes, incluindo outros ainda mais escandalosos, têm ganhado espaço em muitas igrejas dentro e fora do Brasil. Devemos estar alerta, pois Paulo escreve: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos ultimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensino de demônios” (I Tim. 4.1; I João 4.1).

A verdadeira espiritualidade não traz confussão.

A verdadeira espiritualidade no culto não anula o uso da razão. Cristãos cheios do Espírito não se portam como se estivessem em transe ou agindo irracionalmente. É verdade que sempre haverá os que chamam os cristãos de “loucos” ou “fanáticos”. Mas devemos viver de tal maneira que, se isso ocorrer, não seja por nossa infantilidade ou imaturidade. O próprio Paulo foi chamado de “louco” (Atos 26.24). O evangelho sempre parece loucura aos incrédulos. Mas, quando os próprios cristãos começam a se comportar como loucos, estão contribuindo para agravar a condenação deste mundo perdido.

Fonte: Revista Betel Jovens & Adultos – Professor. 19 de Setembro de 2004. Lição 12.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Já dissera o sábio...

"Uma obra autêntica do Espírito de Deus produz uma transformação radical da natureza da alma individual, que irá manifestar-se em uma conduta e em práticas inteiramente novas, revelando progressivamente a própria imagem de Cristo implantada no crente"

Jonathan Edwards

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Culto canino com Santa Ceia!

É meus amigos, a coisa não para de ficar feia.

Enquanto uns gritam, pulam, dançam e comemoram o "crescimento" da massa evangélica no mundo, outros choram e se desesperam com o mesmo. Não bastasse todas as barbaridades que temos visto por aí, surge algo novo! É claro, o povo precisa de entretenimento e porque não os bichos de estimação dos super-crentes!

A mais nova moda agora é: Culto Canino com Santa Ceia!

Segue abaixo a reportagem (via Pastoragente) e as desprezível cenas do "culto".



Esta Igreja, localizada na Califórnia, realizou no último dia 1 de Novembro um "Culto Canino".



Com direito a caminhas, bandejas de guloseimas e orações especiais para os pets,
parece que todos se sentiram muito à vontade com o evento, exceto pelo incômodo de depararem com pessoas pobres e famintas na saída do culto.


Sorry, queridos californianos, nem tudo é perfeito!














fonte: "Notícias.gospelmais.com.br"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Mudou o significado de Louvor?


Nos últimos anos surgiram, no meio evangélico, expressões incluindo a palavra louvor, as quais se tornaram verdadeiros jargões. E, como se sabe, jargões se alastram que nem epidemia. Assim tornou-se comum ouvir dizer: “Vamos ouvir um louvor”, “ministério de louvor”, “louvor profético”, etc.

Isto tem me incomodado bastante. E, pelo que ouço e leio, tem incomodado a muitas outras pessoas. Reconheço que a linguagem humana é extremamente dinâmica, e o sentido das palavras é sempre mutante, o de algumas palavras mais que os de outras, mas acho que estamos indo longe demais no que respeita ao conceito do que é realmente louvor. Por isso investiguei o assunto e cheguei às seguintes conclusões:

1. Louvor é uma expressão de elogio e admiração referente a uma pessoa, um objeto ou uma atividade. Louvar é dar honra, glorificar, fazer apologia. Portanto, qualquer atitude que redunde nisso pode ser considerada louvor. Oração, discurso, poesia, texto, música cantada, enfim, qualquer meio de expressão verbal pode e deve ser usado para o louvor. Entretanto, entendemos que expressões corporais não constituem louvor, pois este se expressa basicamente através da palavra.

2. Na igreja, não podemos nem devemos considerar como louvor somente os cânticos que geralmente são liderados pelos jovens, usando violão, guitarra, teclado, bateria, etc., e que se caracterizam pela animação com que são cantados. Também os hinos antigos e novos dos nossos hinários são louvor. Também as músicas cantadas por corais, conjuntos, quartetos, solistas, etc., são louvor. Também as orações são louvor. Aliás, o culto todo é um ato de louvor.

3. O louvor cristão é uma expressão de elogio, de glorificação e de admiração ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Quem deve estar em evidência são estas três pessoas da Trindade Divina, e não aquelas que lideram a congregação quando ela está louvando ao Senhor. Às vezes, em algumas reuniões, tenho tido a nítida impressão que o “período de louvor” é o momento de glória exatamente destas últimas pessoas, pois elas fazem de tudo para aparecer. Falam muito, fazem longas orações, gesticulam, algumas pulam, usam o som no alto mais volume, manipulam a congregação, etc.

4. Não existe um “ministério de louvor”. Podemos ministrar a Palavra, as ordenanças, ministrar aos necessitados e doentes, ministrar conforto aos enlutados, mas não o louvor, porque não é algo que fazemos em favor (ou no lugar) de alguém, mas algo que só pode ser exercido pelo próprio crente, como fruto de lábios que exaltam o Deus Todo-Poderoso. O louvor cristão só pode ser oferecido a uma pessoa, o Senhor de nossas vidas e, portanto, não é uma coisa que se possa ministrar.

5. Uma das doutrinas mais importantes do Novo Testamento é o sacerdócio universal dos crentes. O meu único sacerdote é Jesus, que me abriu um novo e vivo caminho diretamente até o trono da graça de Deus e eu não preciso que, além dele, alguém ministre e se dirija a Deus em meu lugar. Como bem disse a Carta aos Hebreus, quando Jesus, que como homem era descendente da tribo de Judá, foi constituído sumo sacerdote, cessou o ministério sacerdotal aarônico, isto é, dos descendentes de Aarão, que era da tribo de Levi. Não existem mais levitas, os quais eram, na velha aliança, sacerdotes que executavam os atos de adoração no lugar do povo. O povo mesmo nem sequer entrava no templo; era obrigado a permanecer nos átrios (dos homens, das mulheres e dos estrangeiros). Portanto, é incorreto chamar as pessoas que se dedicam à música na igreja de levitas.

6. O louvor não tem poder de libertar, salvar, curar, produzir profecia, exorcizar, etc., como muita gente pensa e ensina, pois, como ficou claro, é apenas uma manifestação de elogio e admiração. Aliás, esta idéia de poder veio do conceito de “louvor” como um “ministério”. Daí veio, também, a conseqüência de tornar o “louvor” a parte principal do culto. Nunca é demais lembrar que louvor é apenas exaltação daquele que tem todo o poder, Jesus Cristo, e que a proclamação da sua Palavra sempre deve ser a parte principal do culto.

7. O louvor deve levar-nos ao enlevo com a beleza e a emoção da palavra e da música, mas também à reflexão sobre a nossa relação com Deus. Deve motivar-nos a uma maior comunhão com Deus e com os irmãos. Por isto é importante que não só a melodia seja bonita, o ritmo e o estilo sejam adequados, mas que a letra seja biblicamente correta. O que cantamos deve levar-nos à adoração reflexiva, sincera e transformadora, e não a provocar em nós apenas respostas físicas e emocionais.


Pr. Sylvio Macri
I.B.C. de Oswaldo Cruz, Rio - RJ
Fonte: http://solascriptura-tt.org/LiturgiaMusicaLouvorCulto/MudouSignificadoLouvor-SMacri.htm

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A parábola das Dez Virgens

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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É interessante que quando lemos a bíblia apenas com intuito de cumprirmos mais uma parte de nossa rotina, acabamos retendo muito superficialmente o sentido do texto, isso para não citar as vezes em que lemos e não retemos nada.





Essa semana estive lendo a parábola das 10 virgens, ensinada por Jesus em Mateus 2.1-13. Eu já conhecia o texto, por isso pensei que minha leitura não seria nova para mim. Mas quando parei para pesquisar e conhecer um pouco mais a fundo, pude perceber algumas coisas implícitas no texto que me foram de grande valor, mas que infelizmente em um rápida leitura não pôde ser captada.

Não pretendo fazer um estudo maçante sobre o texto, até porque em apenas uma postagem isso fica cansativo (para alguns) para ler. Apenas quero comentar os versículos na esperança de que possa trazer mais luz àqueles que amam as escrituras.

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Mt 25.1 "O Reino dos céus será, pois, semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para enconrar-se com o noivo."

Os casamentos nos tempos orientais eram muito diferentes dos que temos hoje. O casamento naquela época era constituído da seguinte forma: O noivo ia até a casa da noiva, era recebido por ela e seus pais. Após ter a noiva ao seu lado, já como esposa, o noivo saía da casa da noiva e se dirigia até a sua casa ou de seus pais. Durante esse cortejo de ida até sua casa, os convidados e amigos que iriam participar se encontravam pelo caminho e iam festejando com o noivo e a noiva até a sua nova casa. Entre esses convidados estavam costumeiramente algumas donzelas, também chamadas virgens, que faziam parte do cortejo nupcial até o banquete na casa dos recém-casados. (Bíblia de estudo Almeida Revista e Atualizada)

Mt 25.2 "Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes.”

Jesus então divide as 10 virgens em dois grupos de 5. Metade delas tinha prudência naquilo que faziam, eram espertas e se preocupavam com a vida e com aquilo que deveriam fazer. Ao contrário dessas, as outras 5 levavam uma vida desregrada e sem muita organização e sensatez.

Mt 25.3 "As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo.”

Algumas traduções da bíblia falam de lâmpada, outras traduzem como candeia. Mas o que é uma candeia? Candeia era uma espécie de vasilhame de barro, similar àquela lâmpada mágica que o Aladim esfregava e saía o gênio. Por uma abertura colocavasse o óleo e na outra (onde seria o bico onde o gênio saía) saía a língua de fogo que iluminava. Também existia outro tipo de candeia que era parecida com uma tocha.

Podemos notar que por saírem sem levar óleo extra para caso precisassem, podemos presumir que a candeia com a qual elas saíram já continha um pouco de óleo, o que lhes poderia servir apenas para um determinado período, afinal em algum momento o óleo poderia acabar e seria necessário colocar mais.

Talvez as virgens imprudentes tivessem pensado que o noivo demoraria um determinado tempo até chegar e que óleo que já estava em suas candeias seria suficiente para chegar até o cortejo e acompanhar o noivo.

Mt 25.4 “As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas junto com suas candeias.”

As prudentes, ao contrário das insensatas levaram azeite reserva consigo. Por serem prudentes elas já haviam analisado que seria sábio levar mais azeite para caso viessem necessitar. Uma nota de curiosidade: o óleo usado naquela época era o azeite de oliva.

Mt 25.5 “O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram.”

Interessante é notarmos que todas as virgens pegaram no sono. Não foi exclusividade das insensatas, porque eram imprudentes ou coisa do tipo, mas todas elas adormeceram. Até mesmo aquelas que se achavam preparadas para a espera do noivo foram pegas.

Mt 25.6 “À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo’.”

A parábola nos diz então que alguém anunciou a vinda do noivo! Uma voz gritava e chamava todos aqueles que estavam esperando por aquele momento, o momento de brindar com o noivo e participar de sua grande festa!

Mt 25.7 “Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias.”

As virgens acordaram com o voz que gritava e anunciava a vindo do noivo. Se deduz que se elas não tivessem escutado a voz, dificilmente teriam levantado. A voz serviu de “despertador” para aquelas virgens que esperam pelo noivo. Depois de ouvirem, levantaram e foram arrumar suas candeias.

Mt 25.8 “As insensatas disseram às prudentes: ‘Dêem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando.”

As insensatas ao acordarem viram que suas candeias estavam se apagando e viram que as prudentes tinham óleo para repor e assim dar continuidade ao fogo. Mas, perante isso o que as prudentes fizeram?

Mt 25.9 “Elas responderam: ‘Não, pois pode ser que não haja suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês.”

Não havia óleo suficiente para abastecer e sustentar as 10 virgens durante o cortejo nupcial. As prudentes não poderiam correr o risco de perderem a festa por causa das 5 virgens imprudentes. Corria-se o risco de todas ficarem sem e ninguém participar da festa. A bíblia de estudo NVI comenta que as candeias (semelhante a tochas) usadas por elas consumiam uma grande quantidade de óleo. Era necessário abastecer a candeia a cada 15min.

Mt 25.10 “E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada.”

Neste momento as imprudentes colhem aquilo que haviam plantado. Haviam percebido que escolha que fizeram de não levar óleo reserva tinha lhes custado a perda do cortejo.

As vezes ao lermos este trecho, imaginamos que as prudentes agiram de má fé para com as imprudentes, dizendo a elas para irem comprar só para que o noivo chegasse e não as encontrasse ali. Mas está longe de ser essa conotação que o texto quer nos passar. Se nos colocarmos na situação das prudentes, perceberemos que todas elas estavam ali esperando pelo noivo que estava a caminho, porém ainda não havia chegado. Então as prudentes dizem às imprudentes para irem comprar, ou seja, “estamos todas aqui esperando pelo noivo, ele ainda não chegou, portanto vão e comprem óleo para vocês enquanto ele não vem.”

Mt 25.11 “Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós!’.”

Depois que a porta havia se fechado, vieram as insensatas e pensaram que o noivo lhes abriria a porta, afinal, elas apenas tinham ido comprar mais óleo para suas candeias. Provavelmente pensaram que o noivo teria compaixão delas por todo o “esforço” que elas haviam feito para estar ali naquele momento com ele.

Para complementar a exclamação “Senhor! Senhor!”, podemos ler Mateus 7.21 que diz “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

Mt 25.12 “Mas ele respondeu: ‘A verdade é que não as conheço!’.”

As insensatas então receberam a notícia de que o noivo não as conhecia. Esse “não as conheço” não quer dizer que o noivo não as conhecia pessoalmente, mas sim de que a festa já tinha começado e que todos os convidados que estavam prontos na hora em que o cortejo tinha acontecido, já haviam entrado para a festa. O noivo, portanto não tinha mais partes com as 5 virgens que não se prepararam para aquele momento.

Mt 25.13 “Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora!”

Nesse versículo está o significado da passagem, a lição que ela quer nos passar. A lição é de que o dia e a hora são desconhecidos para aqueles que esperam pela volta do noivo. Quando o noivo voltar (Jesus) ele buscará aqueles que estiverem preparados para a sua volta. De nada adiantará ficar se lamentando, “batendo na porta” ou voltar para comprar óleo quando o noivo chegar.

Jesus voltará para buscar aqueles que estiverem prontos e preparados.

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.” Isaías 55.6-8

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