segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Relato dos 12km na Ultra Trail Celebration!




Relato aqui porque gosto de registrar e escrever é uma maneira de firmar ainda mais a experiência vivida.

Pois bem, neste sábado passado (09/11/2019), após 3 anos sem participar de corridas (aliás, correndo pouco, apenas jogando tênis e outras atividades), resolvi voltar às provas. Sou amador, corro pelo mero prazer do desafio e da alegria envolvida. A medalha pela participação é o foco, em vez do pódio - assim me decepciono menos e me divirto mais.

A ideia de voltar a correr, começou quando comentei sobre esta corrida com um colega da época de faculdade (o Bruno), e como ainda lembro muito bem da minha tentativa de completar os 50km e dos 23km sofridos de 2016, desta vez peguei mais leve, acreditando ser dentro do limite razoável para uma corrida com boas doses de alegria e esforço compartilhados - por isso em inscrevi nos 12km.

Quando falei com o Bruno, ele comentou que inclusive já estava inscrito na prova (sem termos combinado), então era o que faltava pra dar aquela motivação a mais. E como nós dois já estávamos com uma vida bastante ativa em outras atividades físicas, resolvemos fazer uma e tão somente uma pequena trilha, duas semanas antes da prova, pra dar aquela testada na musculatura e já dar um gosto da prova. O resultado:


Nos cortamos em algumas plantas pela trilha, porém, são cortes por viver e aproveitar a vida. Faz parte da emoção!

Pois bem, eis que chega o dia da prova. Acordei às 05:30, tomei café (e nada mais, pois não gosto de comer pela manhã) e o Bruno me pegou em casa às 06:00, rumo à Nova Rússia em Blumenau/SC.

Chegamos no evento e só quem já participou sabe o que é: vida em meio ao mato, tendas, equipes conversando, música, pórtico de chegada com gente ao microfone, local para comer... um verdadeiro espetáculo de experiência.

A prova era de 12km e esta era a altimetria (houve uma pequena mudança, mas dá pra ter uma ideia):


Se você já correu eu trilhas, sabe como é o percurso. Mas se ainda não correu, leia meus relatos anteriores (onde há mais fotos) e na primeira oportunidade, se inscreva em uma prova - há grandes chances de você gostar muito!

E é importante notar que assim como em qualquer esporte, muitas vezes o mental precisa de tanto preparo quanto o físico. São muitas as vezes em que o corpo está bom, mas a cabeça pensa em desistir (pelo simples fato de querer que o corpo pare com o esforço), assim como o contrário é verdadeiro. Treine!


No geral a prova foi "puxada", mas tranquila, em termos de esforço máximo. Ela consistiu de basicamente duas subidas mais fortes e uma boa dose de descida, onde podíamos imprimir uma velocidade mais generosa. A distância menor me ajudou a fazer um tempo legal: 1h e 35min, ficando em 10º colocado na categoria e 30º na geral entre os homens. Estou bem satisfeito, para a primeira prova depois de alguns anos.

Como sempre o evento foi muito bem organizado pelo pessoal da UT Eventos. Profissionalismo e ótimo serviço prestado, tanto em infraestrutura como das pessoas que trabalham. O pessoal do Foco Radical também está sempre presente, registrando estes momentos tão bacanas pra gente.

Finalizada a alegria, comi uma excelente cuca do pessoal da Cia da Cuca (uma das melhores da região!), comprei uma camiseta para corrida, conversei, ri, me lavei no riacho próximo e já comecei a pensar na próxima!

Lembre-se: após uma corrida, não importa a distância, você sempre sai vencedor, pois lutou consigo mesmo e venceu: 


E agora que voltei, já estou de olho e diversas provas para 2020,  pois algumas horas de esforço em meio à natureza são capazes de dar energia para muitos meses de trabalho!

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Livro em promoção!


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*após a confirmação de pagamento, você receberá o e-book em seu email cadastrado no PagSeguro.

terça-feira, 5 de junho de 2018

O cristão pode ter armas? Um cristão pode portar arma de fogo?

Se há uma dúvida constante entre os cristãos é aquela com relação ao uso de armas. Enquanto alguns argumentam que "a vida pertence ao Senhor" e por isso, segundo eles, ninguém as pode tirar, outros relembram as constantes passagens bíblicas sobre defender a si mesmo e evitar o mal ao próximo. Mas devemos lembrar que mais do que nossas opiniões ou gostos pessoais, a Bíblia é quem deve ter a última palavra.

Por isso, em 2013, escrevi um livro chamado "Armas, Defesa Pessoal e a Bíblia". Nas 159 páginas do livro, trago inúmeras interpretações bíblicas, comentários de diversos teólogos e colocações importantes acerca deste tema. Inclusive fiz algumas entrevistas com pessoas, para saber o que eles achavam sobre o assunto. Felizmente, devido à excelente procura que o livro teve, acabou esgotando todas as 700 unidades físicas produzidas.

Mas você ainda pode o adquirir no formato digital ou mesmo PDF, bastando acessar: http://www.livro.reformahoje.com.br

E se você já o leu, coloque nos comentários o que achou e quais sugestões teria para uma eventual segunda edição.

Que Deus os abençoe!

domingo, 15 de outubro de 2017

A importância da obrigatoriedade na vida cristã


Mais de um ano depois do último artigo postado aqui no blog, retorno com uma reflexão que me ocorreu por ocasião de diversas circunstâncias. Como noticiei em 2015 (aqui), as atividades na igreja foram inicialmente suspensas e posteriormente encerradas, de comum acordo com os membros da igreja. Passados mais de dois anos afastado do efetivo ministério da pregação e ensino, algumas coisas me ocorreram e desejo compartilhar.

P.s.: deixo registrado que o exposto aqui não é apenas uma visão minha, mas algo compartilhado por outros irmãos, pastores, missionários e pessoas que estão à frente de algum trabalho, com os quais já conversei sobre este tema.

Se "ter que pregar em quase todos os cultos" é algo cansativo e que traz um peso ao longo do tempo, o nunca ter de pregar leva à forte tendência de se relaxar demais e se esquecer da Palavra. Sim, até o mais valioso servo do Senhor, quando está fora de sua obrigação, tende a ser fortemente tentado a esmorecer e esquecer de seus compromissos com a Palavra.

Disto surge a indagação: enquanto se era "obrigado" a pregar, por exemplo, se lia, orava e se buscava mais piedade por causa da obrigação ou era algo genuíno? Em outras palavras, será que a falta de obrigatoriedade é capaz de manter o mesmo fogo e zelo de quando se está à frente?

Certa vez, enquanto jantávamos com um casal de amigos, a esposa dele comentou que "quando ele tinha de ministrar um estudo sobre casamento, naquela semana ele era diferente - mais amoroso, paciente e muito mais". Lembro de que o mesmo ocorria comigo: quando tinha de pregar, a semana era diferente. Pode parecer estranho, mas é a realidade.

Por isso tenho percebido que quanto mais pensamos "eu não vou fazer isso até realmente ter uma profunda e genuína vontade de realizar", mais nos afundamos e nos afastamos deste ideal. É semelhante à pessoa acima do peso e que não tem vontade de se exercitar, pois pensa consigo: "por enquanto não tenho vontade, mas quanto vier, irei começar". Ou parecido com o aluno que não se dedica às matérias, pois entende que só deve começar a fazer, quando realmente for tocado por isso. Pior: ao viciado em algo, que teimosamente afirma estar livre para largar "quando quiser", porém, nunca o vemos fazendo.

E a Bíblia testifica isso: "Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço" (Rm 7.15 - grifo meu). No fundo, o marido cristão quer ser um homem, um pai, um amigo, um trabalhador, um genro, um filho, enfim, alguém melhor. Ele quer se esforçar, porque sabe do ideal bíblico. Mas o que faz este homem? Não executa metade do que sabe que deveria fazer. E por quê? Acredito que seja a falta de obrigatoriedade. Darei um exemplo.

Se você tem filho pequeno, tente apenas sugerir para que ao findar da brincadeira, ele mesmo arrume a bagunça. Vou direto ao ponto pra encurtar a história: ele não vai arrumar ou vai arrumar com uma qualidade bastante duvidosa. E o motivo é óbvio: não foi obrigado à coisa alguma. Ou pense da seguinte forma: os pais vendo o filho já com 18 anos e ainda em casa, sem trabalhar e nem procurar emprego. Sugerem, amigavelmente, que ele vá atrás de algo - mas continuam pagando suas contas, dando celular e tudo que ele deseja. Resultado? Obviamente que nunca sairá para procurar trabalho, pois não é obrigado a isso. Ainda mais: em seu trabalho cotidiano, seu chefe nunca lhe pede algo a mais, deixando você na zona de conforto e com seu salário garantido; por que você vai se esforçar mais no trabalho, se não é cobrado por ninguém?

Jesus disse: "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (Jo 6.38 - grifo meu). Quando dissemos que iremos esperar "ter vontade" para executar, no fundo estamos afirmando que nossa obra ao Reino de Deus depende do nosso querer, enquanto Cristo diz o exato oposto. O apóstolo Paulo também comenta: "Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor" (Ef. 5.-15-17 - grifo meu). E entender a vontade de Deus é sinônimo de a colocar em prática, pois a Bíblia é prática. É luz para o nosso caminho e lâmpada para os nossos pés. A analogia não deixa dúvidas: não diz que estamos em um caminho de luz e que a Palavra é mais uma luz - naturalmente estamos em trevas e somente ela é a luz! Por isso é que somo gentilmente "obrigados" pela Palavra à obedecer, pois se depender do nosso querer, ainda que regeneramos, jamais iremos ter aquilo afinco desejado.

E como bem sabemos, a carne milita contra o Espírito (Gl 5.17) e portanto é errado e enganoso ao coração, imaginar que devemos aguardar a bondade e vontade brotar em nosso coração, para, assim sendo, passar a executar aquilo que Deus nos diz. Talvez possamos afirmar que na maioria das vezes iremos obedecer por mera obrigação, como já preguei e escrevi em 2011 - Os Mandamentos de Deus Requerem Obediência Imediata.

Por fim, concluo dizendo que ainda que os crentes sejam regenerados por Deus, nossa relação com Ele é como para com um Pai adotivo - nos tirou do reino das trevas e transportou para a luz (Cl 1.13) - e sendo enxertados na boa oliveira (Rm 11), devemos executar os mandamentos do novo Pai (em contraposição aos do maligno). Não espere ter vontade, pois se as vezes nos alimentamos mesmo sem vontade, mas por saber que precisamos de força, não faríamos o mesmo para com o Senhor?

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Relato dos 50km na Ultra Trail Ribeirão das Pedras!



Em 2014 tive a oportunidade de relatar a excelente e primeira corrida de 42km que fiz por montanhas, cruzando praias deslumbrantes e tendo o apoio de grandes parceiros de esporte - link. Este ano, também descrevi a graciosa experiência em correr os 23km na Ultra Trail Rota das Águas. E agora conto, de maneira resumida, a experiência que tive ao tentar correr os 50km da Ultra Trail Ribeirão das Pedras!

Na última ocasião dos 23km, fiquei imaginando o que seria correr 50km por montanhas. No gráfico abaixo falta um último morro ao final, mas dá para se ter uma ideia do sofrimento que me aguardava. Seriam mais de 2.300 metros de desnível positivo, ou seja, literalmente, subiríamos em altitude (não distância), um total de 2.3km! O ponto de "corte" seria no km 37,5 e com 07:30 de prova - quem não chegasse lá neste tempo, seria cortado da prova.


Ainda não tenho mais fotos da prova, mas as abaixo (tiradas no local da prova, porém num treino duas semanas antes), retratam o que seria o dia da prova - e que estava muito pior, pois choveu uma semana inteira.



Voltando ao que dizia, após imaginar o que seria correr 50km por trilhas e montanhas, resolvi me inscrever. Olhando agora para o tempo que passou deste os treinos até a prova, reconheço que treinei pouco e não para o que a prova exigiria. Achei que estava razoavelmente preparado, mas falhei. Ao menos aprendi. Faz parte da vida.

Prova no sábado e sexta-feira, então, fui dormir mais cedo e coloquei o relógio para despertar às 04:45, pois haveria de tomar café, me arrumar e perto das 06:00 tinha de sair de casa e ir até o local da prova (uns 30min de carro de minha casa). Cheguei em tempo, peguei o kit do atleta, afixei o número no shorts, fui para o pórtico de largada, comecei a conversar com outros atletas e largamos! Emoções mil estavam para começar!

Primeiro morro subido (o mais longo da prova, aliás), chegamos ao PA-1 (posto de atendimento), tomamos uma água e fomos mata à dentro. Era uma single-track (só cabia uma pessoa na largura, praticamente) bem agradável - muito molhada e cheia de lama, mas excelente para quem gosta! Ao final dela, pegamos uma estrada de terra e emparelhei com outro atleta que também estava tentando correr seus primeiros 50km. Descíamos bem o morro e estávamos no ritmo planejado (mais ou menos 01:30h para cada 10km). Porém, ali, já logo de cara, um erro foi cometido.

Estando muito perto do PA-2, vimos uma placa para seguir reto no caminho dos 50km, porém eu olhei ligeiramente para trás e vi outra placa de 50km, indicando que se devesse subir um morro. Conversei com o colega e achamos que o correto era subir este morro - mas estávamos errados! Aqui, porque somente nós dois pegamos este trajeto errado, isento a organização de qualquer culpa; nós que erramos! [Atualização: fiquei sabendo que ali deveria haver alguém informando e tirando essa dúvida, mas a pessoa descumpriu sua palavra e acabou não aparecendo no dia da prova]

Como sabíamos que o PA-2 estava muito próximo de nós, imaginamos que logo o encontraríamos acima, todavia, ledo engano. Posteriormente ficamos sabendo que este caminho era, de fato, dos 50km, porém num trajeto de volta (por isso que tive de olhar para trás para ver a placa) e isso nos custou mais de 1 hora andando/trotando/correndo errado. Perdemos muito tempo nesta subida e nos caminhos que saiam dela, pois a marcação ainda estava sendo feita naquele local, o que nos levou a ficar sem direção umas duas ou três vezes. Nos dividíamos pelas bifurcações e gritávamos ao alto, a fim de saber se havia encontrado alguma marcação da prova. Voltávamos, seguíamos por alguma estrada; procurávamos algum caminho marcado, mas estando no caminho errado, seria difícil encontrar a marcação correta. Somente quando chegamos bem próximo do topo do morro é que encontramos um dos organizadores da prova (Maicon Cellarius) que olhou com aquela cara de "what?!" para nós e informou que tínhamos pego o caminho errado e indicou o certo. Paciência e obrigado, Cellarius!

Tivemos de retornar do erro e já com 02:40h de prova mais ou menos, finalmente chegamos ao PA-2. O que era para ser 01:30h no PA-2, estava, agora, bem fora da realidade, mas mesmo assim seguimos adiante. Neste momento já estava chovendo a mais de uma hora na prova e o frio começava a aparecer. Seguimos pela estrada da chão, cruzamos o que sempre foi um pequeno córrego (mas que virou um pequeno riacho), se segurando na corda e encaramos outro morro (o mesmo das fotos acima).

O problema é que ao chegar no topo do morro, estava, apenas, no km 15 e já tinham se passado mais de 3 horas de prova. Parei para conversar com o pessoal do ponto de apoio, comi alguma coisa e um estranho frio começou a bater. Chovia, ventava, era alto e eu estava completamente molhado. Avaliei com cuidado e percebi que não queria e muito provavelmente não teria condições de completar os 50km e talvez nem de chegar a tempo no tempo de corte. Some-se a isso que havia combinado com minha família que a expectativa era chegar entre 14:30 e 15:30 de volta, fechando entre 07:30h e 08:30h de prova, o que não aconteceria e os faria esperar muito mais do que o previsto. Resolvi abortar.

Mas como não existe um carro para levar atletas desistentes de um lado para o outro, ainda precisei seguir mais uns 5km até a linha de chegada (segui o caminho do pessoal que estava fazendo a percurso com 26km, abondando, assim, a prova; estava no km 15 pros 50km, mas no 21 para o percurso de 26km - acho que foi isso, não lembro ao certo). Se estes 5km já foram difíceis (tive de correr e ficar mexendo os braços e mãos para não passar frio, porque estava complicado), ficava me perguntando o que seria se tivesse tentado os 50km. Nestes 5 km tive de andar sob a chuva e ficava fazendo reflexões sobre os motivos de ter desistido. Aqui escrevendo, me recordo das Olimpíadas e relembro que até para os mais excelentes atletas, as vezes, desistir é a melhor opção. Desistir para aprender e voltar mais forte.

Assim sendo, mesmo com uma desistência, foram mais de 04:00h molhado, cheio de lama, com frio, vários desconfortos e aproximadamente 30km percorridos no total. Não deu pra fechar os 50km, mas vou treinar para voltar mais forte na próxima e tentar alcançar este feito pessoal. 

Mais uma vez ficam os agradecimentos ao pessoal da Ultra Trail Eventos pela excelente prova projetada e que certamente exigiu muito da logística, especialmente pelo mau tempo e todas as circunstâncias adversas que devem ter surgido.

Que venham mais corridas!

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Carta Aberta aos pais que levam seus bebês chorões e crianças pequenas às Igrejas


Queridos pais levam crianças pequenas às Igrejas,

Vocês estão fazendo algo realmente, realmente muito importante. Eu sei que não é fácil. Eu vejo vocês com os braços assoberbados e sei que vocês vieram para a igreja já muito cansados. Criar filhos pequenos é trabalhoso. Muito cansativo mesmo.

Eu os vejo rodopiar, sacolejar e balançar incansavelmente tentando manter seus bebês quietos. Assisto todo o esforço necessário para encontrar um lugar para se sentar na igreja: Os malabarismos com o carrinho e o equilibrismo com as sacolas de fraldas e todas as dezenas de bugigangas do arsenal móvel de cada bebê.

Eu vejo vocês se sacudirem quando seus filhos choram e assisto solidária toda agitação e ansiedade com que vocês abrem os seus sacos de mágica, catando os truques que podem ajudar a acalmar os seus filhotes. 

E eu vejo vocês com as suas crianças pequenas, as que dão os primeiros passos e as de três, quatro e cinco aninhos. E vejo como vocês se irritam quando seus meninos fazem uma pergunta inocente, num tom que era para ser um sussurro, mas sai como de um megafone, ouvido em claro e bom som lá no fundo da igreja, risos.

E percebo o desespero na voz de vocês, quando pedem pela décima vez que seus filhos se sentem e fiquem quietos. E vejo os seus semblantes envergonhados, como quem imagina que todos na igreja estão olhando para vocês. Sabemos que nem todos estão, mas vocês pensam que sim.

Papais e mamães, eu sei o que vocês estão pensando: Será que isso tudo vale a pena? Por que se preocupar? Todo este trabalho e desgaste. Eu sei que muitas vezes vocês deixam a igreja muito mais exaustos do que gratificados. Mas saibam: o que vocês estão fazendo é muito importante.

Quando vocês estão aqui, a igreja está inundada com um ruído de pura alegria. Quando vocês estão aqui, o Corpo de Cristo é mais plenamente presente. Quando vocês estão aqui, somos lembrados de que este evento que chamamos de culto não é sobre estudo bíblico ou sobre uma contemplação pessoal e tranquila. Mas nos reunimos para adorar como uma comunidade onde todos são bem-vindos. Prostramo-nos junto, como Corpo, diante de Deus e compartilhamos da Palavra e do Sacramento juntos.

Queridos pais que levam seus filhos pequenos à Igreja: Quando vocês estão aqui, vivo mais fortemente a esperança de que estes bancos não estarão vazios em 10 anos quando seus filhos já tiverem idade suficiente para se sentarem calmamente e se comportarem durante a adoração. Eu sei que agora eles estão aprendendo ocomo e o porquê da nossa adoração. E o fazem antes que seja tarde demais .Eles estão aprendendo que a adoração é importante.

Vejo-os a aprender. No meio dos gritos, balbucios e risos. Assisto maravilhada o seu aprendizado, entre o chiadinho dos sacos de bolacha se abrindo e a pilha crescente de migalhas. Eu vejo a menina indócil que insiste em pular dois bancos para compartilhar a "Graça e Paz do Senhor" com alguém que ela nunca conheceu. Ouço o menino sugando (num assobio bem alto) até a última gota de seu vinho da comunhão, determinadíssimo a não perder uma gota sequer de Jesus. 

Eu vejo uma criança excitada colorir uma cruz no programa do culto. Eu me delicio com os tantos ecos de "améns" infantis que pipocam alguns segundos depois que o resto da comunidade disse-o junta. Eu vejo um menino que mal aprendeu a ler tentar encontrar o Hino 672 do livro de cantos e me lembro dos meus meninos aprendendo a fazer o mesmo.

Queridos, eu sei o quão difícil é fazer o que vocês estão fazendo, mas eu quero que vocês saibam que isto é muito importante. Isso importa para mim. É importante para os meus filhos, para que eles nunca fiquem sozinhos nos bancos. É importante para a congregação saber que as famílias se preocupam com a fé dos jovens, em estar com os mais  jovens ... E mesmo naquelas semanas, quando você não puder perceber estes pequenos momentos do Amor de Deus, tudo isto será  sempre e eternamente importante para as  almas de seus filhos.

É importante que eles aprendam que adoração é o que fazemos como uma comunidade de fé. Que na Igreja toda a gente é bem-vinda e que a adoração de cada um é importante.

Quando ensinamos as nossas crianças que a sua adoração é importante, os estamos ensinando que a sua presença aqui é plena e suficiente como a de qualquer outra pessoa entre os membros e visitantes da nossa comunidade de fé. Eles não precisam esperar até que eles possam entender, acreditar, orar ou adorar de uma certa "maneira “correta” para serem bem-vindos. Na liturgia de Cristo, eles sempre foram chamados a estar à frente. “Deixai vir a mim as criancinhas". Eu sei, e você também sabe, que até mesmo na sua igreja há muitos adultos que não possuem todas as credenciais lembradas acima e, ainda assim, estão nos bancos.

O importante é que as crianças aprendam que eles são parte integrante desta igreja, que suas orações, suas canções, e até mesmo o seu choro (se bem contidos, para alguns, risos) são sinais de júbilo recebidos por Deus e testemunham a todos que: Sim, eles estão entre nós.

Eu sei que é difícil, mas obrigado pelo que vocês fazem quando trazem seus filhos para a igreja. Por favor, saibam que a sua família - com todo o seu ruído, peleja, comoção, alvoroço e alegria - não são simplesmente tolerados, vocês são parte vital desta comunidade quando ela se reúne para a adoração.

- por Jamie Bruesehoff

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Minhas BOAS impressões com Augusto Cury. Ou: vou me confessar a vocês!


Ninguém gosta de confessar seus erros ou tropeços. Confessar faz mal ao ego, porque demonstra uma falha. Todavia, confessar é também parte do crescimento e contribui à maturidade. Por isso, vamos lá: eu falava mal dos livros e do Augusto Cury, mesmo sem ter lido qualquer coisa sobre ele ou ver algo concreto sobre sua pessoa. Era isso. Essa era minha confissão. Simples e rápida, para não doer tanto.

Eu tinha este procedimento com Cury, devido a certas questões: quando comecei a estudar teologia e iniciei na teologia reformada, não soube equalizar as informações e logo tudo que era psicologia, psiquiatria ou outra área afim, de imediato eu rejeitava. Se alguém me dissesse que estava lendo um livro do Cury, por exemplo, eu olhava com aquela cara de "hmmm, que ruim; não tinha mais nada pra ler? vai perder seu tempo com isso?". Confesso que nunca tive a intensão de menosprezar Cury ou quem o lia, apenas que o julgamento antecipado me fazia ter um falso zelo por aquilo que eu acredita ser correto, ou seja, que toda psicologia (ou quase toda ela) deveria ser jogada fora. Deixem-me explicar melhor.

Tive dificuldades em separar frases verdadeiras, ainda que não contivessem toda a verdade. Veja só: "cada indivíduo precisa se conhecer, se quiser se ajudar" (acabei de inventar essa frase). Ouvindo ou lendo esta frase em tempos passados, meu julgamento seria: "Errado. Ninguém conhece a si mesmo, porque a Bíblia diz que enganoso é o coração; ninguém pode se ajudar, senão o Espírito Santo de Deus" - e eu parava por aí. Sequer eu analisava se a frase, a partir de um escopo maior, não poderia ser verdade. Ora, é fato que se eu não me conheço, não sei minhas limitações, pontos altos e baixos e não posso tentar me ajudar, porque não tenho um diagnóstico de quem sou e não saberei por onde começar ou como consertar o necessário. E ora, também é fato, de que nada disso é possível longe da Bíblia e do Espírito Santo de Deus. O problema é que eu não conseguia enxergar algo de verdade, se na frase não contivesse alguma sentença relacionada à Bíblia ou coisa parecida. Precisei aprender que não é porque um não cristão escreveu algo, que isto deixará de ser verdade.

Com isto em mente, tive dificuldades em conversar com pessoas que lessem livros "diferentes" ou que estivessem cursando algum curso de psicologia ou parecido, bem como se me indicassem algum livro desta natureza (este problema aconteceu com várias outras áreas), amigavelmente o rejeitaria e abraçaria minha querida ignorância travestida de intelectualidade e sabedoria. Eu achava que só entendia da vida quem lesse "livros de teologia".

Mas o tempo passa (graças a Deus se passaram uns 2 anos desde que deixei de estar à frente da igreja e pude rever alguns conceitos errôneos) e algumas semanas atrás, estive presente em uma feira de negócios, cujo palestrante principal seria o dito Cury. Confesso, de novo, que tremi. Gelei. Pensei: "lá vem coisa; vai ser tempo perdido". Entretanto, dado que algum tempo já se passara desde os acontecimentos que já citei, logo busquei consertar estes pensamentos, dizendo: "bem pode ser que seja ruim, mas eu nem o ouvi ainda! Permita-me, mente, dar um crédito ao homem e o escutar primeiro". E assim fui à feira, conversei, conheci pessoas, produtos e escutei a palestra com pouca mais de uma hora de duração.

Para minha completa surpresa, embora não seja um teólogo (e aí o meu erro constante em várias áreas da vida: querer achar teologia em quem não fala de teologia e por isso rejeitar; ou ainda: entender pouco de teologia e não conseguir entender que alguém pode falar muitas verdades, bastando que eu entenda que tudo só é possível com o Espírito de Deus, mas necessariamente jogar fora o aprendizado), Cury somente falou verdades. Não me recordo de nenhum momento em que tenha dado algum diagnóstico sobre as emoções - a palestra se chamava "A inteligência socioemocional para o aumento da produtividade do profissional" - e que não fosse verdadeira. Não vou relatar a palestra, pois este texto ficaria grande demais, bastando dizer que toda a explanação foi muito verdadeira e necessária para inúmeras pessoas, sendo de excelente valia para todos. Foi uma porrada em meu antigo ego e eu mereci.

Concluo este breve relato e que quase é uma confissão, convidando cada leitor, não a ler Cury ou qualquer outro autor que não seja do agrado neste momento, mas que aprenda a discernir as coisas, sabendo aproveitar os bons frutos que cada árvore da vida pode oferecer. Pobre é o homem que se acha conhecedor de todas as coisas. Pobre é o crente que pensa não precisar da ajuda de outros homens e amigos, ignorando tantas passagens bíblicas ou homens tementes e não tementes a Deus, foram utilizados para o crescimento ou aperfeiçoamento de alguma coisa. Miserável é o crente que diz só ler determinados autores e do alto de sua torre podre de mármore, se acha um avançado em conhecimento e treinado nas artes da vida. Cuidado, para no dizer comum, "não jogar a água suja, junto com o bebê", porque a vida pode te surpreender.

Que Deus nos abençoe.

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...