quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os Sinais de um Homem Carnal


1. Quando um homem em seu desejo de agradar seu apetite, não faz isto visando um objetivo mais elevado, ou seja, a sua preparação para o serviço de Deus, mas somente para seu próprio prazer (claro que ninguém faz tudo conscientemente visando o serviço de Deus. Entretanto, uma vida gasta no serviço de Deus é ausente do prazer carnal, de maneira geral).

2. Quando ele procura mais ansiosa e diligentemente a prosperidade do seu corpo do que de sua alma.

3.Quando ele não se abstêm de seus prazeres, mesmo quando Deus os proíbe ou quando ferem sua alma, ou quando as necessidades de sua alma clamam que os deixe. Mas ele tem que ter seu prazer, não importa o que lhe custe; e é tão persistente nisto, que não o pode negar.

4. Quando os prazeres da carne excedem os deleites em Deus, Sua Santa Palavra e caminhos, e as expectativas de prazer infinito. E isto não só na paixão, mas na estima, escolha e ação. Quando ele prefere estar em um jogo, ou festa, ou outro entretenimento, ou adquirindo boas pechinchas ou lucros do mundo, do que viver na vida de fé e amor, que seria um modo santo e divino de viver.

5. Quando os homens fixam suas mentes em planejar e estudar para fazer provisão para os prazeres da carne e isto ocupa o primeiro lugar em seus pensamentos e lhe é prazeroso.

6. Quando eles conversam, ou ouvem, ou lêem mais coisas agradáveis à carne do que àquelas que deleitam o espírito.

7. Quando eles amam a companhia de pessoas carnais, mais do que a comunhão dos santos, nos quais eles poderiam ser exercitados no louvor ao Seu Criador.

8. Quando eles consideram que o melhor lugar para viver e trabalhar é onde eles podem satisfazer sua carne. Eles preferem estar onde têm coisas fáceis e onde nada falta para o corpo, do que em lugares onde têm muito melhor ajuda e provisão para a alma, apesar da carne ser atormentada por isso.

9. Quando ele está mais disposto a gastar dinheiro para agradar sua carne, do que para agradar a Deus.

10. Quando ele não acredita ou gosta de nenhuma doutrina exceto a "crença-fácil" (isto é, a fé que não requer obediência aos ensinos bíblicos) e odeia a mortificação, que classifica como "legalismo" muito rígido. Por estes sinais e outros semelhantes, podemos facilmente conhecer o homem carnal.

Por Ricard Baxter (1615 - 1693)
Fonte: MayFlower

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sexto elemento constitutivo do culto público: Reunião no Dia do Senhor (parte 1) - Sermão pregado dia 11.12.2011


Sexto elemento constitutivo do culto público:
Reunião no Dia do Senhor (parte 1) -
Sermão pregado dia 11.12.2011

Queridos irmãos, dando sequência aos elementos constitutivos do culto público, hoje veremos sobre a reunião no Dia do Senhor, mas para tanto, levaremos algumas semanas para concluir esse ponto, haja vista ele ter várias nuances e se faz necessário que compreendamos todas elas.

Em primeiro lugar, precisamos compreender que tudo que Deus faz é bom e isso inclui dizer que ele é o nosso estandarte e porto seguro no dia da adversidade - "O SENHOR é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele" (Naum 1.7). Em segundo lugar, é importante observar que esse mesmo Deus bondoso para conosco, um dia se comunicou com o homem e lhe falou acerca de seus preceitos - "Tudo o que eu te ordeno, observarás para fazer; nada lhe acrescentarás nem diminuirás" (Dt 12.32). Em terceiro lugar, as ordens que o Senhor deu ao seu povo - tanto do Novo como do Antigo Testamento - podem ser classificadas em: leis cerimoniais, civis e morais. Por último, em quarto lugar, observamos que a igreja do Senhor sempre existiu, isto é, quando homem e mulher foram criados, ali iniciou-se a igreja, não por força do homem, mas pelo Senhor que constantemente se comunicava com eles: "E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim" (Gn 3:8). Dito isso, analisemos melhor alguns detalhes acerca desse assunto.

É preciso notar que a igreja do Senhor - novamente, desde sempre ela existiu - recebeu tanto leis de cunho cerimonial, civil e também as de expressão da moralidade de Deus, isto é, certas leis estavam estritamente ligadas às cerimonias judaicas que prefiguravam a vinda de Cristo, enquanto outras eram (e são) de caráter perpétuo, pois não estão ligadas - necessariamente - a algum evento ou cerimônia, mas tão somente ao caráter santo e puro do Senhor.

Com relação às leis de caráter cerimonial, podemos citar algumas: "Nem o porco, porque tem unha fendida, mas não rumina; imundo vos será; não comereis da carne destes, e não tocareis nos seus cadáveres" (Dt 14.8). "A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis" (Gn 9.4). "Guardarás os meus estatutos; não permitirás que se ajuntem misturadamente os teus animais de diferentes espécies; no teu campo não semearás sementes diversas, e não vestirás roupa de diversos estofos misturados" (Lv 19.19).

Algumas leis (e narrativas) de caráter civil também são importantes para nós: "Porque saiu e guerreou contra os filisteus, e quebrou o muro de Gate, o muro de Jabne, e o muro de Asdode; e edificou cidades em Asdode, e entre os filisteus" (2Cr 26.6). "E pôs capitães de guerra sobre o povo, e reuniu-os na praça da porta da cidade, e falou-lhes ao coração" (2 Cr 32.6). "E vieram, e o cercaram em Abel de Bete-Maaca, e levantaram uma barragem contra a cidade, e isto colocado na trincheira; e todo o povo que estava com Joabe batia no muro, para derrubá-lo" (2 Sm 10.15).

Já em relação às leis de caráter permanente, recorremos aos dez mandamentos: Êxodo 20.

Diante desses três tipos de leis, compreendemos que o primeiro tipo - as cerimoniais - refletiam também o caráter de Deus (santidade, justiça, verdade...), mas de forma ligada àquele que haveria de vir, ou seja, ainda que as leis cerimoniais viessem do próprio Deus, elas eram sombras daquele que haveria de vir, a saber, o próprio Jesus Cristo (Cl 2.17). As leis civis diziam respeito à nação de Israel, isto é, eram o regimento interno de como o povo deveria seguir e caminhar diante do Senhor (quase que como nossos Códigos - Civil, Penal, Militar...). Já o terceiro tipo de leis - as morais - estavam permeando todas as outras e refletiam também o caráter perpétuo de Deus, mas não estando - necessariamente - ligado a qualquer tempo ou circunstância, e sim que deveriam ser seguidos por toda a humanidade, independentemente do tempo em que se viver.

Sobre o ponto acima, o Rev. Mauro Meister nos diz que "[por Lei Moral entendemos] 'a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres'. A Lei Cerimonial compreende 'a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial'. A Lei Judicial ou Civil 'representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições'”. [1]

O Catecismo Maior de Westminster pergunta e responde: Pergunta 97. De que utilidade especial é a lei moral aos regenerados? Embora os que são regenerados e crentes em Cristo sejam libertados da lei moral, como pacto de obras, de modo que nem são justificados, nem condenados por ela; contudo, além da utilidade geral desta lei comum a eles e a todos os homens é ela de utilidade especial para lhes mostrar quanto devem a Cristo por cumpri-la e sofrer a maldição dela, em lugar e para bem deles, e assim provocá-los a uma gratidão maior e a manifestar esta gratidão por maior cuidado da sua parte em conformarem-se a esta lei, como regra de sua obediência (Rm. 6:14 e 7:4, 6; Gl. 4:4-5; om. 3:20 e .8:1, 34 e 7:24-25; Gl. 3:13-14; Rm. 8:3-4; II Co. 5:21; Cl. 1:12-14; Rm. 7:22 e 12:2; Tt 2:11-14). Pergunta 98. Onde se acha a lei moral resumidamente compreendida? A lei moral acha-se resumidamente compreendida nos dez mandamentos, que foram dados pela voz de Deus no monte Sinai e por Ele escritos em duas tábuas de pedra, e estão registrados no capítulo vigésimo do Êxodo. Os quatro primeiros mandamentos contêm os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem (Dt. 10,4; Mt. 22:37-40).

Dito isso, observamos que a lei moral de Deus tem um caráter perpétuo e deve ser seguida por todos os cristãos, porém, muitos confundem as leis de Deus por crerem que estamos em uma nova dispensação - essa forma de se enxergar a Bíblia é chamada de dispensacionalismo. Essa doutrina ousa afirmar que na Bíblia há uma grande cisão entre o Antigo e o Novo Testamento, embora os testamentos se comuniquem (mas muito pouco, segundo eles), eles negam que a Igreja tenha começado no Éden, negam que a lei é válida para o crente, creem que a graça substituiu a lei e outras coisas mais. Contudo, quando olhamos para as Sagradas Escrituras, percebemos que desde sempre a igreja existiu (o pentecostes foi o cumprimento de uma promessa e não o início da Igreja), que a lei de Deus é boa, pois Cristo não veio para aboli-la, mas para a cumprir - "Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir" (Mt 5.17) - e que a graça SEMPRE existiu (pois o que era a misericórdia de Deus no Antigo Testamento, se não sua proteção e misericórdia sobre o povo?). 

Certa vez, Agostinho (354 - 430 d.C) disse: "No Antigo Testamento esconde-se o Novo, e no Novo encontra-se a manifestação do Antigo”. [2] Certo teólogo também já escreveu dizendo: "Desde o princípio, as igrejas da Reforma distinguiam entre a Lei e o Evangelho como as duas partes da Palavra de Deus como meio de graça. Não se entendia esta distinção como à que existe entre o Velho Testamento e o Novo, mas era considerada como uma distinção aplicável a ambos os Testamentos. Há Lei e Evangelho no Velho Testamento, e há Lei e Evangelho no Novo. A Lei compreende tudo quanto, na Escritura, é revelação da vontade de Deus na forma de mandado ou proibição, enquanto que o Evangelho abrange tudo, seja no Velho Testamento seja no Novo, que se relaciona com a obra de reconciliação e que proclama o anelante amor redentor de Deus em Cristo Jesus". [3]

É necessário que os cristãos entendam que a lei não é algo que devemos deixar de lado e apenas "seguirmos a graça", como desejam os evangélicos atuais. Certamente que a lei não aperfeiçoou coisa alguma (Hb 7.19), contudo, visto que foi cumprida por Cristo, ela não nos amaldiçoa, nem nos justifica, mas serve de parâmetro para expressarmos nosso amor e dedicação a Deus. Resumindo: o caminho da lei moral de Deus não nos salva (pois somos salvos por Cristo), mas é o meio por onde devemos trilhar nossas vidas.

Com isso em mente, avancemos rumo ao quarto mandamento.

"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx 20:8-11).

Salvo alguns hereges, nenhum cristão verdadeiro irá negar que todos os outros nove mandamentos continuam válidos ainda hoje, porém, muitos se veem num caminho sem saída quando se deparam com o quarto mandamento. Afinal, ele é válido para nós? Sim? Não? Se sim, de que forma. Se não, por quê?

"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17). Tiago nos diz que Deus não é como o objeto que é atingido pela luz e lança sombra sobre o chão, mas que é a luz que ilumina a todos, não tendo sombra alguma de variação, pois é eterno e imutável. Esse mesmo conceito também é expressado por Tito: "Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos" (Tt 1:2). E também por Paulo: "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2 Tm 2.13). Poderíamos ainda citar muitas outras passagens, mas apenas essas já nos mostram que Deus é um ser que não pode se contradizer e por isso devemos ter muito cuidado antes de dizer que certa lei foi abolida e não é mais requerida de nós.

O quarto mandamento tinha aplicação total ao judeu (e também ao estrangeiro - pois embora não pudesse participar das festas e cerimônias, deveria cessar de trabalhar) do Antigo Testamento, pois semanalmente eles reservavam o sétimo dia para o Senhor. A literatura bíblica é farta em descrever como o povo israelita deveria viver com esse mandamento, porém, antes de entrarmos nesse ponto, é preciso que visualizemos da onde veio esse mandamento, isto é, de onde ele surgiu. 

"E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera" (Gn 2:2-3).

A narrativa da criação nos mostra que Deus criou o mundo em etapas e em todas elas o Senhor se agradou do que havia feito - "... e viu Deus que era bom" (Gn 1:10). Em nenhum momento o Senhor desagradou-se do que havia criado, mas em tudo se deleitou, "E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom" (Gn 1:31). Então, após haver criado tudo o que existe, "descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera" (Gn 2:2-3). 

É relevante salientar que somente no sétimo dia é que a Bíblia não nos relata que "E foi a tarde e a manhã" (Gn 1:5, 8, 13, 19, 23, 31), pois Deus estava a prefigurar que o homem estaria constantemente no descanso do Senhor, isto é, caso não pecasse, o homem viveria diariamente com o Eterno ao seu lado e Ele falaria com o homem como quem fala com um filho. Porém, como bem sabemos, o homem pecou e ficou destituído da glória de Deus (Rm 3.23), daí que hoje, nós cristãos, esperamos com ansiedade o dia em que de fato entraremos no descanso eterno dos santos, dia esse que não terá pecado nem fim.

Para o judeu, não havia que se questionar a validade do quarto mandamento, pois o Senhor castigava o violador desse dia: "Estando, pois, os filhos de Israel no deserto, acharam um homem apanhando lenha no dia de sábado. E os que o acharam apanhando lenha o trouxeram a Moisés e a Arão, e a toda a congregação. E o puseram em guarda; porquanto ainda não estava declarado o que se lhe devia fazer. Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Certamente morrerá aquele homem; toda a congregação o apedrejará fora do arraial. Então toda a congregação o tirou para fora do arraial, e o apedrejaram, e morreu, como o SENHOR ordenara a Moisés" (Nm 15:32-36). Notemos que o simples fato de apanhar lenha não era um pecado em si mesmo (pois nos outros dias isso era lícito), porém o apanhar da lenha no dia de sábado era pecar contra o Senhor - mas por quê era assim? Olhemos qual a finalidade do dia de sábado para o judeu.

"Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas" (Êx 20.10). Deus declarou ao povo que o dia de sábado deveria ser um dia de descanso para o homem e também para tudo que ele tinha a seu dispor (servos, servas, animais, estrangeiros...). A ordem do Senhor era clara em não permitir que se buscasse alimento no sábado ou se fizesse qualquer atividade que não contribuísse para a busca do Senhor, mas sim que se preparasse todo a comida necessária para o dia seguinte no dia anterior a ele e que se reunissem para louvar ao Senhor: "E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois ômeres para cada um; e todos os príncipes da congregação vieram, e contaram-no a Moisés. E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, guardai para vós até amanhã. E guardaram-no até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal nem nele houve algum bicho. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no campo.Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá" (Êx 16.22-26). "Depois falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: As solenidades do SENHOR, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades: Seis dias trabalho se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhum trabalho fareis; sábado do SENHOR é em todas as vossas habitações" (Lv 23:1-3). O Senhor não somente havia ordenado que se guardasse para o dia seguinte a comida, mas também que ele preservaria a comida para o dia posterior, de forma que homem algum teria falta de alimento para si e para os seus. Também expõe de forma a mostrar para o povo que o sábado seria um dia de "santas convocações", não devendo homem algum planejar qualquer atividade para aquele dia, exceto as necessárias para o louvor e aprendizado do Senhor. Ainda vemos que não era somente na casa do judeu que as atividades deveriam cessar, mas todo comércio e qualquer outra coisa que não fosse necessária à manutenção essencial do homem (ex: ir ao banheiro, cuidar dos doentes, ajudar os filhos, cuidar da esposa, ajudar o próximo...). Por fim, Deus também prometeu abençoar o seu povo através da observância desse dia: "Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do SENHOR, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, Então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58.13-14).

"Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx 20. 11). O argumento que o Senhor usa para decretar essa lei (ainda que Ele não precisasse se justificar de coisa alguma) não era baseado em algum contexto do povo de Israel, quer dizer, Deus não disse que se deveria santificar o sábado porque geralmente chovia naquele dia, ou ainda, que nos sábados da semana havia uma grande chance do povo ser contaminado pelo que havia ficado no solo do dia anterior - nada disso. Deus diz ao povo que o motivo de deverem guardar o sábado é porque ele mesmo havia santificado aquele dia e o abençoado para um propósito específico já em tempos pretéritos, ou seja, na criação.

O papel do judeu não era de ficar questionando o Senhor acerca da Sua lei, como se pudessem apresentar argumentos plausíveis contra o Altíssimo (conforme Jó desejou), mas tão somente obedecê-lo. O homem não deveria se escusar de observar esse dia só porque todos os outros dias eram também do Senhor. O intento do Mestre não foi dizer que nos outros seis dias ele não estava com o seu povo, mas mostrar que enquanto lhes dava seis dias para seus próprios trabalhos (sempre buscando glorificar ao Senhor - 1Co 10.31), requeria um dia em específico para que toda a atividade cessasse e todo o povo se dedicasse somente a um objetivo: buscar ao Senhor.

Semana que vem abordaremos a questão que diz respeito se esse mandamento é ou não obrigatório para nós. Se tudo correr bem, após isso veremos que, embora o Dia do Senhor tenha mudado (do sábado para o domingo), a obrigação continua a mesma. Também veremos quais as atividades são lícitas para esse dia e como saber se estamos observando-o corretamente.

Que Deus nos abençoe.
Amém.

Notas:
[1] Citado em: Eleitos de Deus
[2] FERREIRA, Franklin. Agostinho de A a Z. São Paulo: Ed. Vida, 2006, Pg.91 (Série Pensadores Cristãos)"
[3] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Ed. Luz Para o Caminho, 1990, Pg. 617)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Deus não é Obrigado a ter Misericórdia de Ninguém


O privilégio que pertence aos filhos de Deus é que eles foram regenerados, nascidos de novo pelo Espírito Santo, através da Palavra de Deus. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (1 Ped. 1:23). Recebemos muitas bênçãos depois de nascermos de novo. Todas essas bênçãos vêm através da absoluta e graciosa vontade de Deus. Deus não está obrigado a nos abençoar. Ele pode fazer como quiser. Ele pode decidir não nos abençoar de modo algum. Tudo que podemos reivindicar de Deus é justiça, o que significa que Deus deve nos punir pelos nossos pecados.

Estamos nas mãos de Deus, esperando saber o que Ele vai fazer. Se Deus assim desejar, Ele pode salvar toda a humanidade. Ou se Ele quiser, Ele pode decidir não salvar ninguém. Se Deus desejar, Ele pode, na Sua misericórdia, salvar um homem e deixar outro para sofrer a punição pelo seu pecado. Não há injustiça alguma da parte de Deus se Ele assim fizer. É direito soberano de Deus fazer o que Lhe aprouver. Deus diz na Bíblia: "... compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia" (Rom. 9:15-16).

Alguns ficam muito zangados com este ensinamento. A ira deles não muda o fato de que a verdade da soberania de Deus mantém-se firme como uma rocha. Deus não tem que explicar ao homem o que Ele faz. Ele faz o que quer, nos céus e na terra.
A doutrina da soberania de Deus traz grande alegria aos que crêem nEle. Nós nos regozijamos no amor de Deus que nos escolheu para sermos Seus filhos. Deus deixa as pessoas que Ele não escolheu seguirem seus próprios caminhos e perecerem no final. Ele teve misericórdia de nós porque assim o quis, mesmo antes de nós começarmos a orar e procurá-lO. Este propósito eletivo de Deus é precioso. No mundo precisamos pleitear, até com pessoas ricas, antes que elas nos dêem alguma coisa. Não tivemos que implorar a Deus. Todas as coisas preciosas que Ele nos deu, foi "segundo a sua vontade". Deus Se apraz na misericórdia, em dar livremente. O nome de Deus é amor e a natureza de Deus é amor. É natural ao sol enviar luz. É coisa natural Deus enviar a luz de Sua eterna graça.

Louvemos ao Senhor que nos amou quando estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Glorifiquemo-lO pela Sua misericórdia livremente demonstrada a nós. Não merecíamos a misericórdia de Deus. Freqüentemente desprezamos essa misericórdia. Alguns de nós resistimos a misericórdia de Deus por longo tempo. Curvemo-nos então humildemente diante do trono de Deus. Vamos agradecer-Lhe pelas Suas misericórdias que duram para sempre. Quão maravilhoso é que, devido Deus assim o desejar, Ele teve compaixão de nós. O grande privilégio que Deus nos concedeu é que, através do poder divino do Espírito Santo, já nascemos de novo.

Nosso primeiro nascimento foi natural. Deus nos fez e nossos corpos são Sua maravilhosa criação. Nosso segundo nascimento foi espiritual. Nascemos de novo, regenerados pelo poder divino do Espírito Santo. Nosso segundo nascimento é uma obra de Deus, tão grande quanto o nosso primeiro nascimento, nossa criação natural. "Segundo a sua vontade" Deus nos deu uma nova vida, e nos fez novas criaturas. Acaso temos a certeza de que nascemos de novo? Sabemos que somos novas criaturas em Cristo?

Talvez às vezes tenhamos dúvidas se somos nascidos de novo. Mas o homem que nasceu de novo sabe que há uma mudança nele. Há vezes quando até aquelas pessoas que duvidam da sua salvação têm certeza que passaram da morte para a vida. Sonde seu próprio coração. Deixe que esta oração venha de seus lábios e coração: "Sonda-me, ó Deus, e prova-me". Devo advertir-lhes que se nada mais têm do que a natureza pode lhes dar, vocês perecerão. Viver uma vida boa e bem comportada não lhes dará uma entrada para o reino de Deus. "Necessário vos é nascer de novo" (João 3:7). Estas palavras estão no portão do céu. Até mesmo as pessoas mais destacadas na Igreja e na nação devem nascer de novo, para serem admitidas no céu. Não importa se vocês viveram uma boa vida ou se desobedeceram abertamente a lei de Deus — precisam nascer de novo. O Espírito Santo deve operar esta transformação sobrenatural em vocês. Esta mudança é o resultado do eterno propósito, poder e amor de Deus.

Aqueles que têm parte deste precioso privilégio são felizes. Embora estivessem mortos em transgressões e em pecado, agora eles estão vivos. Embora fossem carnais e terrenos, agora são espirituais. Eles estavam distanciados, mas agora foram trazidos para perto de Deus. Todos estes privilégios são exclusivamente devidos à soberana vontade de Deus. Se vocês nasceram de novo, agradeçam a Deus de todo o coração e humilhem-se diante dEle.

A maneira que esta mudança foi operada em nossos corações é claramente expressa: "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade" (Tiago 1:18). Homens são geralmente salvos ao ouvirem o evangelho pregado. Alguns afirmam que a pregação da verdade é eficaz para salvar o homem. Isto não é totalmente verdadeiro. A verdade de Deus pode ser fielmente pregada e ninguém ser convertido. Outros dizem que o Espírito de Deus regenera as pessoas sem se utilizar da Palavra de Deus. Isto também não pode ser verdadeiro. A Bíblia nunca diz que o homem pode ser salvo sem a Palavra de Deus. A Palavra e o Espírito sempre operam juntos. A Bíblia diz: "Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes..." (Heb. 4:12). As Escrituras ensinam claramente que o Espírito de Deus opera através da Palavra de Deus. A Palavra não opera sem o Espírito. "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mar. 10:9). Amigo, você foi salvo pela leitura da Palavra de Deus? A Palavra de Deus é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

O que é esta Palavra de Deus que traz vida nova à pessoa? A palavra é a pregação da doutrina da cruz. Ninguém jamais nasceu de novo através da pregação da lei. A lei pode tornar um homem mais humilde. A lei pode quebrantar e ferir o homem. Ela poderá mostrar-lhe a punição que receberá como pecador. Contudo, a lei jamais lhe trará vida nova. A Bíblia diz: "... Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados" (II Cor. 5:19). Algumas pessoas removem o sacrifício de Cristo do evangelho. Elas condenam o texto: "... o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (I João 1:7). Não deixam nada de evangelho. A palavra "sangue" é uma das mais solenes e importantes palavras em todas as Escrituras. As pessoas não serão salvas se esta doutrina não for pregada.

Se a pregação do evangelho trouxe salvação a você, então pregue-o aos outros. Fale a cada um do fato que Cristo morreu pelos pecadores. Afirme em todo lugar que qualquer um que crer no Senhor Jesus Cristo terá vida eterna. Diga às pessoas que Jesus Cristo foi o substituto dos culpados. Diga-lhes que Ele sofreu pelos pecadores; que a espada da justiça abateu o Pastor para que as ovelhas pudessem ser livres. Declare aos seus ouvintes como o Redentor sofreu a ira de Seu Pai para que os filhos dEle jamais tenham que enfrentar a Sua ira.

Nós crentes em Jesus devemos olhar para trás com gratidão e esperança pelo que Deus fez. "Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade".

Por Charles Haddon Spurgeon

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Amar a Deus no sofrimento


A igreja na terra precisa estar e lutar em fraqueza, miséria, pobreza, medo, morte, humilhação e vergonha. Pois a situação de aperto certamente fará com que você saia de si mesmo e deixe de confiar em orientação, ajuda e força de homens, e tenha Cristo no coração e considere o seu nome, sua palavra e o reino de Deus as coisas mais importantes, caras e valiosas do mundo. 

Quem não faz assim, antes ama a sua própria vida, honra e poder pessoal, bem com a estima, amizade, prazer e alegria do mundo mais do que aquilo, para este de nada vale o que está sendo dito aqui. Como o próprio Cristo diz um pouquinho adiante: “Quem não me ama, não guarda as minhas palavras”.

Não se trata, porém, de um amor que se limita a palavras. Precisa ser um amor que se manifesta em obras, com a expressão “guardará a minha palavra” indica. Porque o verdadeiro amor se caracteriza por fazer tudo pelo amado. Ao verdadeiro amor nada é difícil demais de ser padecido ou suportado; ele faz tudo com alegria.

Se realmente a inexprimível bondade de Deus nos calasse bem no fundo do coração, com certeza, nada nos seria incômodo ou pesado demais de padecer e suportar por causa dele, desde que permaneçamos em seu amor. Eis o que significa não apenas gostar de ouvir sua palavra, mas, também, guardá-la e ser vitorioso.

Por Martinho Lutero

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Quinto elemento constitutivo do culto público (parte 3): Administração dos Sacramentos (batismo - segunda parte) - Sermão pregado dia 04.12.2011



Quinto elemento constitutivo do culto público (parte 3):
Administração dos Sacramentos (batismo - segunda parte) -
Sermão pregado dia 04.12.2011


Queridos e preciosos irmãos, dando seguimento e já em entrando na reta final de nossa série, hoje veremos alguns pormenores que não tivemos a oportunidade de visualizarmos na semana passada (clique aqui para ler), a saber, a validade do batismo e o porquê de João ter batizado os já circuncisos.

Conforme temos aprendido, o batismo foi o substituto da circuncisão, pois o próprio Cristo além de ser circuncidado, foi posteriormente batizado, confirmando assim que o selo da aliança não era mais confirmado com a circuncisão, mas com o batismo.

Quando olhamos para as Escrituras, observamos - conforme vimos na semana passada - que há dois tipos de batismo: o de infantes e o de adultos. O de infantes é aquele administrado pelo pastor que é investido do poder de Deus para - assim como pregar, ministrar a ceia, ensinar... - executar o sacramento divino em favor da criança, selando-a de acordo com a prescrição de Deus dada a Abraão - "E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa" (Gl 3.29). Já o batismo de adultos é aquele também ministrado pelo pastor, mas que é feito em pessoas que não cresceram num lar cristão e nem foram batizadas quando crianças (ou que foram batizadas em nome de outra deidade que não em nome do Deus Pai, Filho e Espírito Santo), mas que no tempo oportuno aprouve ao Senhor chamá-las ao arrependimento e então lhe ser ministrado o batismo. 

De acordo com o que vimos, a circuncisão era algo de suma importância para o povo de Deus. Tamanho era o zelo que o Senhor tinha por essa prática que todo menino que nascesse e não fosse circuncidado, deveria ser morto: "E o macho com prepúcio, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada dos seus povos; quebrantou o meu concerto” (Gn. 17:14). Em Cristo Jesus, temos a confirmação de que o batismo - o substituto da circuncisão - de infantes é a certificação da promessa dada aos pais: "Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais" (Rm 15:8). Dito isso, é necessário atentarmos para a importância de entendermos que a validade do batismo não está na igreja, no ministro ou na água, mas no poder de Deus.

Há um erro muito grande dentro da igreja que é conferir - ainda que de forma subjetiva - o poder da ministração ao ministrante, isto é, muitos entendem que se o batismo não for operado por determinada pessoa ou em determinada igreja, ele não é válido, contudo, esse não é o ensino bíblico, como veremos a seguir:

A narrativa bíblica mostra-nos que a circuncisão por vezes era feita pelo sacerdote e por vezes pelos pais da criança (Js 5.2, Gn 17.23) - assim também muito provavelmente deve ter acontecido com nosso Senhor Jesus Cristo que foi circuncidado nos ao redores da manjedoura por seu pai. Porém, em lugar algum a Bíblia nos diz que a validade desse sacramento encontra-se no sacerdote, nos pais ou ainda em quem quer que seja o ministrante, pois se assim fosse, o poder não estaria no Nome, mas dependeria de um homem vil e pecador para que o selo de Deus tivesse efeito sobre os seus.

Para entendermos esse ponto é importante recorrermos ao Antigo Testamento e vermos que são inúmeras as vezes em que os sacerdotes, reis, juízes e todo o povo se desviava dos caminhos do Senhor: "E o SENHOR me disse: Levanta-te, desce depressa daqui, porque o teu povo, que tiraste do Egito, já se tem corrompido; cedo se desviaram do caminho que eu lhes tinha ordenado; fizeram para si uma imagem de fundição" (Dt 9.12). "E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao SENHOR, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel. Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do SENHOR; e serviram aos baalins" (Jz 2:10-11). "E os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR, e se esqueceram do SENHOR seu Deus; e serviram aos baalins e a Astarote" (Jz 3:7). "Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele, antes se inclinaram à avareza, e aceitaram suborno, e perverteram o direito" (1 Sm 8.3). Portanto, observamos que a inclinação para os caminhos contrários ao Senhor era constante no povo de Israel. Contudo, não se faz qualquer ressalva sobre a importância de se re-circuncidar a criança que havia nascido debaixo daquela idolatria.

Corretamente sustentou Calvino quando disse: "[qualquer que seja o ministrante] é apenas ministro do sinal exterior; Cristo é o autor da graça interior; como por toda parte ensinam esses mesmos antigos, sobretudo Agostinho... seja qual for a natureza daquele que batiza, não obstante quem preside é Cristo somente." [1] Ainda em outro lugar, Calvino comenta: "Com estas considerações refuta-se esplendidamente o erro dos donatistas [2], os quais medem a eficácia e o valor de um sacramento pela dignidade do ministro. Tais são hoje nossos anabatistas, os quais negam terminantemente que somos corretamente batizados, uma vez que fomos batizados por ímpios e idólatras no reino papal, e em consequência insistem furiosamente que sejamos batizados novamente; contra cujos despautérios nos serve de sólido argumento considerar que não somos batizados no nome de um mortal, mas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19); e por isso o batismo não é de homem, mas de Deus, não importa por quem haja sido ministrado. Por mais ignorantes ou desprezadores de Deus e de toda piedade que sejam aqueles que nos batizavam, contudo não o fizeram na comunhão de sua ignorância ou sacrilégio, mas da fé em Jesus Cristo; porque não invocaram seu próprio nome, mas o nome de Deus; nem nos batizaram em qualquer outro nome. Ora. se era um batismo de Deus, sem dúvida nele teve inclusa a promessa quanto à remissão dos pecados, à mortificação da carne, à vivificação espiritual, à participação de Cristo. Assim, os judeus não tiveram nenhum prejuízo por haverem sido circuncidados por sacerdotes impuros e apóstatas; tampouco em decorrência disso o sinal se fez inútil, de modo que fosse necessário repetir-se, senão que lhes bastou volver à sua origem genuína". [3]

A partir desse ponto compreendemos que a validade do batismo não encontra-se nas mãos do ministrante, mas na validade do Nome que é invocado - "Pois quê? Se alguns foram incrédulos, a sua incredulidade aniquilará a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso" (Rm 3:3-4). Certamente que o ensino de Paulo harmoniza-se claramente com nossa conclusão, pois embora Paulo dissesse que era somente para os crentes batizarem seus filhos (1 Co 7.13,14) - ficando vedada essa prática aos ímpios, pois não estão debaixo da bênção do Senhor -, aqui estamos tratando da validade do batismo. Portanto, uma coisa é como os crentes devem proceder, outra é o que fazer caso o batismo já tenha sido ministrado, ainda que por um ímpio (desde que satisfaça-se o requisito de ter sido feito tão somente no nome de Deus Pai, Filho e Espírito Santo - sendo vedada a validade de qualquer batismo de acrescente alguma deidade ao rito ou ainda batize em nome de outrem).

Outra questão importante para entendermos a validade do batismo, é verificarmos nas Escrituras o que elas nos dizem acerca do batismo daqueles que já haviam sido circuncidados.

Muitas pessoas interpretam o batismo de João (descrito no evangelho que leva seu nome) como sendo uma prova de que agora não deve-se mais batizar os infantes, pois João batizava apenas os adultos. Porém, esse é um argumento fraquíssimo, pois o motivo pelo qual João batizava os já circuncidados era porquê o rito externo havia mudado, ou seja, se o batismo foi o substituto da circuncisão, necessário era que aqueles já circuncidados e que eram cônscios de seus pecados, fossem uma vez batizados, pois o antigo sinal da promessa havia chegado à realidade, sendo necessário que o novo viesse a substituir o antigo.

Ainda outro ponto que causa grande discussão é o fato de Paulo ter batizado alguns daqueles que já haviam sido batizados por João: "E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens" (At 19:1-7). 

Sobre a passagem, o puritano Matthew Henry comenta: "Paulo achou em Éfeso algumas pessoas religiosas que consideravam a Jesus como o Messias. Não tinham sido levados a esperar os poderes miraculosos do Espírito Santo, nem os haviam informado que o evangelho era, especialmente, a ministração do Espírito. Contudo, pareciam dispostos a receber bem esta notícia. Paulo lhes demonstra que João nunca pretendeu que aqueles aos quais ele batizava ficassem ali, senão que lhes dizia que deviam crer n'Aquele que viria depois dele, isto é, em Cristo Jesus. Eles aceitaram, agradecidos, essa revelação e foram batizados no nome do Senhor Jesus. O Espírito Santo desceu a eles de modo surpreendente e arrepiante: falaram em línguas e profetizaram, como faziam os apóstolos e os primeiros convertidos gentios. Embora agora não esperamos poderes miraculosos, todos os que professam ser discípulos de Cristo devem ser chamados a examinar se têm recebido o selo do Espírito Santo com suas influências santificadoras, para a sinceridade de sua fé. Muitos não parecem ter ouvido que há um Espírito Santo, e muitos consideram que é uma ilusão todo o que se diz de sua graça e de suas consolações. Dos tais pode perguntar-se com propriedade: "Em que, pois, fostes batizados?". Porque, evidentemente, desconhecem o significado deste sinal externo do qual tanto dependem." [4]

Também sobre essa mesma passagem, Calvino comenta: "Portanto, sua resposta de que nada sabem da existência do Espírito precisa ser entendida como se dissessem que não ouviram dizer que as graças do Espírito, acerca das quais Paulo lhes inquiria, eram outorgadas aos discípulos de Cristo. Quanto a mim, porém, admito que foram batizados no genuíno batismo de João, o qual era idêntico ao de Cristo, porém, nego que fossem batizados de novo. O que, pois, significam estas palavras: 'Foram batizados em nome de Jesus?' Há quem as interprete no sentido em que eles só foram instruídos por Paulo na doutrina genuína. Prefiro, porém, entender mais simplesmente como o batismo do Espírito Santo, isto é, as graças visíveis do Espírito dadas pela imposição das mãos; não é nenhuma novidade que essas graças eram frequentemente significadas pelo termo batismo. Assim, no dia de Pentecoste, se diz que os apóstolos se lembraram das palavras do Senhor acerca do batismo de fogo e do Espírito (At 1.5). E Pedro relata que as mesmas coisas lhe vieram à memória quando vira aquelas graças derramadas sobre Cornélio, sua família e parentela. (At 1.16). Tampouco está em conflito o que depois (At 19.6) se acrescenta: 'E, impondo-lhes as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo'. Ora, Lucas não está narrando duas coisas diversas, mas está seguindo a forma de narração familiar aos hebreus, que primeiro propõem a síntese da matéria, então a expõem mais amplamente. Qualquer um pode notar isto pela própria correlação das palavras. Pois ele diz: 'Ouvidas estas coisas, foram batizados no nome de Jesus. E à medida que Paulo lhes impunha as mãos, o Espírito Santo descia sobre eles'. Com esta última cláusula se descreve de que natureza foi esse batismo. Porque, se o primeiro batismo é viciado pela ignorância, de tal maneira que ela tenha de ser corrigida por outro batismo, antes de todos se teria que rebatizar os apóstolos, os quais, por todo um triênio após seu batismo mal haviam degustado reduzida parcela de doutrina mais pura. E entre nós, que rios bastariam para lavar tanta ignorância quanta pela misericórdia do Senhor se corrige cada dia?". [5]

Feitas essas considerações, compreendemos que o batismo de forma alguma foi mudado para ser apenas ministrado aos professos e conscientes da fé cristã, pois em momento algum lemos que o batismo de crianças foi abolido, mas sim que somos herança de Abraão por meio das promessas feitas a ele. Se assim é, por quê haveríamos de mudar os marcos estabelecidos pelo Senhor e cairmos em total ruína por ultrajarmos conscientemente sua lei? 

Que Deus possa nos conceder intrepidez para seguirmos sempre em sua reta doutrina, não nos desviando nem para esquerda nem para a direita, mas seguindo a piedade, cujas veredas são retas e levam ao Bom Caminho.

Amém.

Nota:
[1] CALVINO, João. As Institutas - Edição Clássica. Ed. Cultura Cristã, pág. 298
[2] Os donatistas eram rigorosos, e sustentavam que a Igreja não devia perdoar e admitir pecadores, e que os sacramentos, como o batismo, administrados pelos traditores (cristãos que negaram sua fé durante a perseguição de Diocleciano em 303-305 e posteriormente foram perdoados e readmitidos na Igreja) eram inválidos. Este pensamento era bastante similar ao de Cipriano de Cartago, martirizado meio século antes em perseguições anteriores. Em oposição, a crença da Igreja na época era de que os traditores poderiam voltar ao corpo da Igreja e ministrar os sacramentos, desde que o fizessem seguindo o ritual correto, sem a necessidade de re-batismo ou da re-ordenação. Fonte: Wikipédia
[3] CALVINO, João. As Institutas - Edição Clássica. Ed. Cultura Cristã, pág. 304
[4] Material disponível via internet.
[5] CALVINO, João. As Institutas - Edição Clássica. Ed. Cultura Cristã, pág. 306

sábado, 3 de dezembro de 2011

Paulo orando pelos mortos?


- Textinho que escrevi hoje para o boletim semanal de nossa congregação -

"Conceda o Senhor misericórdia à casa de Onesíforo, porque, muitas vezes, me deu ânimo e nunca se envergonhou das minhas algemas; antes, tendo ele chegado a Roma, me procurou solicitamente até me encontrar. O Senhor lhe conceda, naquele Dia, achar misericórdia da parte do Senhor. E tu sabes, melhor do que eu, quantos serviços me prestou ele em Éfeso" (2 Timóteo 1.16-18).

Recentemente ouvi de uma colega, ainda indecisa entre o catolicismo e o evangelho (sim, pois catolicismo e evangelho são coisas totalmente distintas uma da outra), que em 2 Timóteo 1.18 Paulo fez uma oração por Onesíforo, o qual, segundo a leitura dela (e dos católicos romanos em geral), já havia morrido. Muito embora a discussão tenha sido no seu mural do Facebook, ela mesma não apareceu lá para comentar nada. Mas houve quem o fizesse. Deixando de lado essas questiúnculas, vamos ao ponto.

Basicamente, são dois os argumentos usados pelos católicos para defender que Onesíforo estava morto. O primeiro é a referência que Paulo fez ao dia do julgamento final (“aquele Dia”). Para os romanistas esta seria uma prova irrefutável de que o amigo de Paulo já se encontrava em uma situação de além-túmulo. Contudo, o fato de Paulo ter feito menção ao dia do Juízo Final nesse contexto não prova o ponto de vista católico, visto que, no versículo 12, Paulo também faz menção a esse Dia. Se realmente é verdade que Onesíforo estava morto somente porque Paulo fez referência ao Juízo Final, penso que os católicos, por uma questão de coerência, deveriam se prontificar a crer que a presente carta a Timóteo foi psicografada.

O segundo argumento que eles apresentam é o de que Onesíforo já estava morto porque Paulo saúda a “a casa de Onesíforo” (2 Tm 4.19), e não o próprio Onesíforo. Com isso, alguns afirmam que, se Onesíforo estivesse vivo, Paulo o saudaria, em vez de saudar sua família. Esse argumento é logo dissolvido se levarmos em consideração que Onesíforo ainda estava em Roma (ou mesmo a caminho de Éfeso), ao passo que sua família estava em Éfeso, cidade onde Timóteo estava pastoreando na ocasião. Além do mais, a “casa de Onesíforo” não deveria incluir ele próprio?

Que Onesíforo não estava morto no momento em que Paulo escreveu a sua segunda carta a Timóteo eu não tenho a menor dúvida. A Escritura é clara quando afirma que “aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27), e o apóstolo jamais contradiria algum princípio dela. Portanto, nenhuma oração é capaz de mudar o destino de quem já partiu desta vida. 

Soli Deo Gloria!

Por Leonardo Bruno Galdino

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Quando o Homem Deseja as Trevas


A grande razão pela qual os homens morrem e morrem para sempre é porque eles querem. Eles querem ser os escravos do pecado, embora a morte seja o pagamento que certamente receberão pelo seu fatigante e laborioso trabalho. Os pecadores não querem ser purificados. "... ai de ti Jerusalém! Não te purificarás ? Até quando ainda?" (Jer. 13:27). Não querem ser juntados debaixo das asas de Cristo, embora seja o único lugar de refúgio, tanto do furor de satanás quanto da ira de Deus. "Jerusalém, Jerusalém que mata os profetas, e apedreja os que te são enviados! quantas vezes quis cu juntar os teus filhos, como a galinha junta os seus pintos, debaixo das asas e tu não quisestes!" (Mat. 23:37). Não apenas isso, os desejos de muitos que freqüentemente já têm desprezado as admoestações e chamados de Moisés e dos profetas tendem tão desesperadamente para o pecado, que, embora pudessem ver as chamas e os tormentos que fazem outros sofrerem, mesmo assim não seriam persuadidos a desistir. "E disse ele: Não, pai Abraão; mas, se algum dos mortos fosse ter com eles, arrepender-se-iam. Porém Abraão lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tão pouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscitem" (Luc. 16:30-31).

Meu trabalho ao expor esta doutrina será, primeiro, demonstrar a verdade contida nela, que os homens morrem porque querem; segundo, para evidenciar que a incapacidade do homem fazer o que é bom, tão freqüentemente mencionada nas Escrituras, não contradiz esta doutrina.

Os argumentos para demonstrar que os desejos dos homens são a grande causa de sua morte e perdição são estes:

1. Um argumento será deduzido da corrupção natural e depravação da vontade do homem. E essa corrupção se evidencia na vontade do homem afastar-se de Deus, a Fonte da vida e da paz, e inclinar-se para o que é mal, embora o pecador (ai dele!) chame de bem aquilo que é mal e imagina ser doce aquilo que provará ser amargo e venenoso como toda picada de áspide. Os pelagianos talvez assemelhem a vontade do homem a uma virgem pura, a qual escapou de ser deflorada na sua primeira apostasia, mas sabemos pelas Escrituras e pela experiência que o pecado original revela-se mormente na vontade. Aquele que não entende que seu coração é desesperadamente corrupto (Jer. 17:9), mostra um sinal de que seu coração o engana e ele nem sabe disso. Quanta incredulidade, quanto orgulho, quanta alienação da vida de Deus, quanta inimizade contra o mandamento, o qual é santo, justo e bom, existem na vontade do homem natural! Vejam Romanos, capítulo 7. A vontade, então, sendo tão completamente corrupta e exercendo tanta influência como exerce, impede a conversão a Deus e a santidade, o que a contraria muito. E conseqüentemente ela tem grande responsabilidade na perdição dos filhos dos homens.

2. Outro argumento será deduzido da reprovação e ira justas de Deus. Certamente Ele não os repreenderia tão duramente, Sua ira não fumegaria tanto contra eles por causa de suas teimosias e obstinações nos seus maus caminhos, se tivessem uma vontade sincera e faltasse apenas a força para fazer o que é bom. Quando o Senhor infligiu julgamentos sobre o Seu povo antigo, Ele falou da obstinação dele, da recusa em entender e ser regenerado, e isto Ele fez para vindicar a retidão de Suas mais severas maneiras de lidar com ele. Nós lemos que o Senhor testificou contra Israel pelos Seus profetas e videntes dizendo: "... convertei-vos de vossos maus caminhos, e guardai os meus mandamentos. Porém não deram ouvidos, antes endureceram a sua cerviz como a cerviz de seus pais, que não creram no Senhor seu Deus" (II Reis 17:13-14,18). Agora, após sua obstinação, seguiu-se, e muito justamente, a ira de Deus e a destruição deles. Portanto, o Senhor estava muito irado com os filhos de Israel e os afastou de Sua vista.

Em segundo lugar, vou provar que a habilidade dos homens em fazer o que é bom não frustra a doutrina de que os seus pecados e misérias permanecem à porta da vontade deles. O Espírito Santo, Aquele que torna humilde os filhos dos homens, põe por terra a opinião que eles têm de seu próprio poder e justiça e os faz usar a linguagem do profeta Isaías: "Certamente no Senhor tenho justiça e força... " - inferindo, portanto, que o homem em seu estado degenerado e pecaminoso é incapaz de fazer o que é espiritualmente bom. Por conseguinte, somos considerados fracos - "Não que sejamos capazes por nós, de pensar alguma coisa como de nós mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus" (Rom. 5:6; II Cor. 3:5). Somos considerados cansados e sem vigor (Is 40:29), e nosso Senhor nos afirma claramente em João 15:5: "Sem mim nada podeis fazer". Mas por tudo isso, embora nos falte a força para fazer o que é bom, nossa vontade é culpada do mal cometido por nós.

Não se pode imaginar que as Escrituras mencionem a incapacidade do pecador em fazer o bem como uma desculpa para ele fazer o mal, mas sim para dirigí-lo a Cristo quem pode fortalecê-lo a fazer todas as coisas (Fil. 4:13). É verdade que o homem é incapaz, porém ele também não está disposto a fazer o que Deus requer dele, apesar de ser para o seu próprio bem. A razão pela qual ele continua no pecado e é subjugado por ele não é somente porque o homem não pode converter-se a si mesmo, e sim também, e principalmente, porque ele não está disposto a ser convertido. Isso será particularmente ampliado a seguir.

a. O homem pecador pensa que é capaz de deixar seus maus caminhos. Ele adia seu arrependimento como se pudesse voltar-se para Deus quando quisesse. Já que ele não faz o que pensa que pode, sua própria vontade deve ser a causa do impedimento, e ela deve ser responsabilizada no caso dele perecer.

b. O homem pecador não faz o que realmente é capaz de fazer. Tem um talento, todavia não quer negociar com ele. Poderia se abster de muitos pecados que o expõe a ira e vingança se quisesse, porém infelizmente ele é um escravo voluntário deles, e está feliz com sua servidão. O adúltero propositadamente vai a casa da prostituta, o ímpio mundano propositadamente procura o ganho desonesto. Portanto, segue-se que estes voluntariamente destroem a si mesmos.

O homem natural pode fazer o que é bom, embora ele falhe, na maneira de fazê-lo. Ele pode orar, ouvir, ler, contudo, intencionalmente omite estas obrigações, e assim voluntariamente se sujeita à maldição que o ameaça por causa de sua omissão. Ele não fará o que realmente pode, e, certamente, ainda que seu poder fosse ampliado jamais seria usado. Aquele que tem de sobra e recusa-se a dar um cruzeiro a um pobre, podemos concluir com certeza que não estaria disposto a fazer uma doação generosa - embora bem pudesse. Da mesma maneira, o homem natural que não fará o que pode para ser salvo, apesar de ser muito pouco, por certo não faria maior esforço, a fim de ser salvo, mesmo se seu poder fosse aumentado.

c. O homem pecador lamenta que seja capaz de fazer o quanto pode. Ele desejaria ser totalmente impotente para que isso pudesse servir-lhe de desculpa. Isto mostra a malignidade de sua vontade. Além disso, ele não quer usar os meios pelos quais a graça e a força são transmitidas. Ele não quer esperar em Deus, nem invocá-lO. Ele não quer buscar nEle o cumprimento das promessas feitas na aliança da graça. Não, ele resolutamente resiste o Espírito quando este vem operar nele. Ele preferiria ser deixado entregue ao seu pecado. Essa é a linguagem dos ímpios: "E todavia dizem a Deus: retira-te de nós, porque não desejamos ter conhecimento dos teus caminhos" (Jó 21:14). O homem depravado pode argumentar que lhe falta o poder, ainda assim esta falta de vontade de arrepender-se e viver é principalmente o que o arruína. E todos aqueles pensamentos e argumentos contra Deus, como se Ele fosse um mestre severo, como se Seus caminhos não fossem justos - pergunto: não será o homem envergonhado diante dEle naquele Grande Dia, no qual sua consciência o acusará e em tristeza o reprovará por isso? Ele que fora constantemente avisado e admoestado, entretanto, não se arrependeu para que pudesse ter vida.

Por N. Vincent
Fonte: MayFlower

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...