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O Filho Pródigo (parte 1) - Sermão pregado dia 13.03.2011


O filho pródigo (parte 1) -
Sermão pregado dia dia 13.03.2011


Nosso texto: Lucas 15.11-16

Queridos, semana passada havíamos falado acerca de faraó e sua confissão de pecados (clique aqui para ler). Vimos que aquele tirano, embora aparentasse um início de mudança de conduta, nada fez além de enganar a si mesmo.

A parábola de hoje certamente é uma das mais conhecidas entre os cristãos e também entre os não crentes. Por ser uma das mais conhecidas, corre também o risco de ser uma das mais mal interpretadas. Dr. David Martyn Lloyd Jones comenta que "não é porque a parábola deixa de dizer alguma coisa, que esta coisa não exista". Para ilustrar seu ponto de vista, ele cita 2 (dois) exemplos:

1. A parábola não fala da ira ou da justiça do pai ao receber o filho, mas descreve seu amor. Logo, poderíamos concluir que o Pai não tem ira nem justiça, mas tão somente amor e aceitação.

2. A parábola não fala de um intermediador entre o pródigo e o pai, apenas fala do filho indo ao pai. Logo, poderíamos deduzir que Jesus não é necessário para nos conciliar com o Pai.
Por estas e outras razões é que se faz necessário olharmos para as parábolas (e também para a Bíblia) a partir de uma visão geral e ampla, sempre considerando o todo de sua verdade infalível. Quando começamos a relativizar o ensino bíblico, caímos nos laços liberais, partimos para a heresia e anulamos a sã doutrina.

Em nossa parábola, Jesus responde a declarão que os fariseus e seus mestres fizeram a ele quando disseram: "Este homem recebe pecadores e come com eles". (15.2) Lucas já havia registrado no capítulo 5, versículo 31 quando Jesus dissera: "Não são os que tem saúde que precisam de médico, mas os doentes. Eu não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento". É mister notarmos que Jesus não estava dizendo a eles que existem pessoas que são naturalmente justas e outras que são pecadoras, mas sim, fazia uma distinção entre os fariseus (que se achavam justos) e os "pecadores" (o restante do povo que à vista dos fariseus não cumpria todas as ordenanças impostas por eles).

Alguns versículos antes, Jesus havia dito: "Se alguém vem a mim e ama... até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo". 14.26 Temos neste versículo o retrato perfeito do que aconteceu ao filho pródigo. Ele havia pedido sua herança ao seu pai, saiu de casa para desperdiçar seus bens e acabou por desperdiçar boa parte de sua vida.

A Bíblia de Estudos de Genebra comenta que não era comum o pai entregar o patrimônio aos filhos. Nos informa também que o filho mais velho tinha direito a 2/3 da herança, logo, o filho mais moço (o pródigo) recebera 1/3 dela. Quando o pai entregava o patrimônio aos filhos, ele retinha o usufruto da renda, ou seja, o pai não podia se desfazer do patrimônio (pois já era de seus filhos), mas os filhos podiam vendê-lo. Contudo, caso os filhos vendessem a parte que lhes era devida, o comprador não podia tomar posse antes da morte do pai. Tal feito era muito incomum durante aqueles dias.

Nosso quadro então está pintado com um filho que acabara de receber sua herança, que acabara de ter recebido a parte que lhe era devida. A Bíblia nos diz que esse jovem "foi para uma região distante; e lá desperdiçou os seus bens vivendo irresponsavelmente". (v.13) Este filho que tinha a herança em suas mãos, que tinha a oportunidade de fazer bons negócios e de ampliar sua riqueza, agora resolve sair e desperdiçar sua preciosa herança. Não bastasse tê-la desperdiçado e tê-la empregado em situações que não lhe convinham, este filho sequer matutou na possibilidade de poupar um pouco de seus bens, para o caso de lhe sobrevir alguma necessidade. Eis então que depois "de ter gasto tudo, houve uma grande fome em toda aquela região, e ele começou a passar necessidade". (v. 14 - grifo meu)

Amados, aqui temos o exemplo de um péssimo de filho. O exemplo de alguém descuidado, o exemplo de alguém que achava que suas riquezas durariam para sempre, o exemplo de um filho que pensou que nunca iria ter falta de coisa alguma! Este filho tinha tudo para se dar bem na vida, mas se deixou levar pelas suas paixões e não reconheceu o devido valor da casa de seu pai. Atentemos para que o texto nos diz claramente que este pródigo "foi para uma região distante". Provavelmente ele se dirigiu a alguma cidade maior, a algum lugar onde pudesse extravasar e saciar os seus desejos mais íntimos, um lugar longe da casa de seu pai, um lugar onde ele achava que poderia ser dono de si mesmo!

Em seu desprezo vivencial, em sua necessidade pelas coisas mais básicas da vida, pela simples comida que sustenta diariamente o homem, ele agora resolve ser empregado como todos os outros daquela região. Este jovem que é filho de um homem que tem propriedades, que de nada sentia falta, que morava na casa de seu pai e era sustentado por ele e seus criados, agora encontra-se à beira da amargura. Sua situação não melhora, como talvez ele imaginasse, mas piora drasticamente quando seu empregador lhe designa para cuidar de porcos (v.15).
Lembremos novamente que Jesus está contando esta parábola para os fariseus. Para o judeu, comer carne de porco era comer um animal imundo. A lei de Deus em Levítico 11.7 havia classificado o porco como criatura imunda, imprópria para o consumo; quanto mais sua criação! A Bíblia de Estudos de Genebra comenta que os rabinos (líderes da congregação judaica) consideravam as pessoas que criavam porcos como amaldiçoados. A narrativa bíblica não nos diz para qual "região distante" este pródigo havia ido, mas podemos deduzir duas possibilidades: A primeira é de que essa região distante fosse uma região judaica, mas que havia se apartado das leis do Senhor (pois criavam porcos, algo contrário à lei). A segunda diz respeito a uma região gentia (não-judaica), cujo modo de vida não era regido pelas leis do Senhor.

Seja como for, os fariseus estão diante do pai terrível relato que poderiam ouvir. Sabemos que tais fariseus eram judeus, zelosos pela lei do Senhor, acreditavam que seriam para sempre o único povo escolhido, tratavam com desprezo as pessoas de outras nações e esperavam um messias de cunho político. Não bastasse estarem diante do suposto messias, agora ouvem-lhe falar coisas totalmente contrárias àquilo que sempre pensaram! Estes homens não podiam se dobrar diante de tal parábola "absurda"! Ora, o jovem pródigo havia se rebelado contra seu pai, havia feito mal uso de sua herança, estava falido e procurava por migalhas. Era visto também como um amaldiçoado! De igual modo os fariseus viam que Jesus arrebanhava pessoas de "outros apriscos" e ainda por fim ouvem-o dizer que o pai recebeu o pródigo de volta em sua casa! Era demais para estes homens suportarem.

A narrativa nos conta que o pródigo estava padecendo das necessidades mais básicas da vida. "Ele desejava encher o estômago com as vagens de alfarrobeira que os porcos comiam". (v.16) O filho do dono de propriedades agora suplica para que fosse sustentado tal qual um porco, mas nem isso ele consegue.

Amado, você tem visto semelhança entre este jovem e a sua própria conduta? Ao olhar para ele, você tem se encaixado em tal descrição? Tal qual esse filho mais moço, você já experimentou a fartura de bênçãos espirituais e hoje se encontra afastado da casa do Pai? A narrativa nos trouxe até aqui e nos tem mostrado que falta muito pouco para que este pródigo venha a falecer e nunca mais possa ter comunhão com seu pai.

Provérbios 16.18 diz: "O orgulho precede a ruína". O jovem pródigo se orgulhou, achou que poderia viver longe da casa de seu pai e longe de seus cuidados. Mas ele caiu, "e foi grande a sua queda".

O relato de hoje nos leva a refletir acerca do que temos feito com nossas vidas. Alguns de nós nasceram em meio à igrejas, famílias cristãs e foram rodeados de amigos cristãos. Outros talvez não tiveram tal regalia, mas já experimentaram a "boa, perfeita e agradável vontade de Deus" (Rm 12.2).

Veremos mais adiante que foi pela graça de Deus que este pródigo foi levado de volta à sua casa. Mas é mister notarmos que até o momento ele se encontra em total estado de perdição. Sua vida logo se irá e nos braços do Pai, não irá mais ficar. Oremos e não deixemos para amanhã a volta para a casa do Pai.

Amém.

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