quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Valores Cristãos não Podem Salvar Ninguém


Uma recente carta à colunista Carolyn Hax do Washington Post¹ parece ser sincera o suficiente: “Eu sou uma dona de casa com quatro filhos que tentou criar a família sob os mesmos fortes valores cristãos que cresci,” a mulher escreve. “Então fiquei chocada quando minha filha mais velha, ‘Emily,’ de repente anunciou que ela tinha ‘desistido de acreditar em Deus’ e decidiu anunciar publicamente que é uma ateísta.

A ideia de uma ateísta de 16 anos em casa seria o suficiente para alarmar qualquer pai cristão, e é certo que seja assim. O pensamento de que o conselho de uma colunista secular doWashington Post possa ser uma fonte de ajuda parece muito estranho, mas o desespero pode certamente levar pais a buscar ajuda em praticamente qualquer lugar.

Você geralmente recebe aquilo que você espera de uma colunista de aconselhamento desse tipo – conselho terapêutico baseado em uma cosmovisão secular e um forte comprometimento à autonomia pessoal. Carolyn Hax responde a essa mãe com uma admoestação para respeitar a integridade da declaração de descrença da filha dela: “Pais podem e devem ensinar suas crenças e valores, mas quando aquele que seria um futuro discípulo para de acreditar, isso não é uma ‘decisão’ ou ‘escolha’ em ‘rejeitar’ a igreja ou família ou tradição ou virtude ou o qualquer coisa que tenha pegado uma carona cultural com a fé”.

Isso é evidentemente sem sentido, claro. Declarações de incredulidade adolescente frequentemente são exatamente o que Hax argumenta que elas não são: rejeição da “igreja ou família ou tradição ou virtude”. Hax de fato oferece alguns insights legítimos, sugerindo que honestidade é preferível à desonestidade e que tais afirmações de adolescentes são frequentemente indicações de uma fase de questionamento intelectual ou estão apenas experimentando uma personalidade para ter seu estilo próprio.

Hax então conta a essa mãe perturbada: “eu não joguei fora aquilo que minha infância, incluindo minha igreja, me ensinou; Eu ainda aplico aquilo que eu creio. Só que eu aplico em minha vida secular”. Em outras palavras, Hax afirma que ela mantém muitos dos valores que aprendeu enquanto era criança na igreja, e agora simplesmente aplica esses valores à vida secular.

“Como posso ajudar minha filha a perceber que ela está cometendo um sério erro com a vida dela se ela escolher rejeitar o seu Deus e sua fé?”, a mãe pergunta. Hax diz a mãe para aceitar o ateísmo da filha e superar seu “desapontamento de que ela não se tornou exatamente o que você imaginou”.

O que mais esperar que uma colunista secular que pensa a partir de uma cosmovisão secular diga?

O problema real não está com a resposta de Carolyn Hax, mas com a pergunta da mãe. O problema aparece no início, quando a mãe diz: “tentei criar minha filha sob os mesmos fortes valores cristãos que eu cresci”.

Valores cristãos são o problema. O inferno estará cheio de pessoas que estiveram avidamente comprometidas com os valores cristãos. Valores cristãos não podem salvar ninguém e nunca salvarão. O evangelho de Jesus Cristo não é um valor cristão, e uma simpatia por valores cristãos pode cegar os pecadores para sua necessidade do evangelho.

Essa sentença pode não comunicar exatamente o entendimento dessa mãe, mas ela parece ser perfeitamente consistente com o contexto maior da pergunta dela e do tipo de conselho que ela buscou.

Pais que criam seus filhos com nada mais que valores cristãos não devem se surpreender quando seus filhos abandonam esses valores. Se uma criança ou jovem não tem um firme compromisso com Cristo e com a verdade da fé cristã, valores não terão nenhuma autoridade permanente, e não devemos esperar que eles tenham. A maioria de nossos vizinhos tem algum comprometimento com valores cristãos, mas o que eles precisam desesperadamente é de salvação dos seus pecados. Isso não vem através de valores cristãos, não importa quão ardentemente eles os abraçem. Salvação vem apenas através do evangelho de Jesus Cristo.

Seres humanos são por natureza moralistas, e moralismo é o mais potente de todos os falsos evangelhos. A linguagem de “valores” é a linguagem do moralismo e do Protestantismo cultural – aquilo que os alemães chamaram deKulturprotestantismus. Essa é a religião que produz cristãos culturais, e o cristianismo cultural logo se dissipa em ateísmo, agnosticismo e outras formas de incredulidade. Cristianismo cultural é a grande denominação do moralismo, e muitas pessoas que frequentam igrejas falham em reconhecer que sua própria religião é apenas cristianismo cultural – não é genuína fé cristã.

A linguagem de valores é tudo o que sobra quando a essência da crença desaparece. Tragicamente, muitas igrejas parecem perpetuar sua existência através de valores, depois de há muito tempo ter abandonado a fé.
Não devemos orar para que a moralidade cristã desapareça ou para os valores cristãos evaporarem. Não devemos orar para viver em Sodoma ou na Feira das Vaidades. Mas uma cultura marcada por valores cristãos ainda está em urgente necessidade de evangelismo, e esse evangelismo requer o conhecimento de que valores cristãos e o evangelho de Jesus Cristo não são a mesma coisa.

Oro para que essa jovem mulher e sua mãe encontrem uma esperança comum e confiança na salvação que vem somente através de Cristo – não através dos valores cristãos. Caso contrário, estamos falando de muito mais do que uma jovem “comentendo um sério erro com sua vida”. Estamos falando daquilo que importa para a eternidade. Valores cristãos não podem salvar ninguém.

Nota:
¹ Carolyn Hax, “Daughter’s Turnabout on Religion Shakes Mother’s Faith,” The Washington Post, Friday, September 7, 2012. http://www.washingtonpost.com/lifestyle/style/daughters-turnabout-on-religion-shakes-mothers-faith/2012/09/04/1e6ead68-f3a9-11e1-a612-3cfc842a6d89_story.html

- por Albert Mohler Jr.
Fonte: iPródigo

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cristãos e a Revolução de 1964 (parte 3 - final)


3. Do papel do cristão, diante da História

Analisar a História não cumpre rumar para a "direita" ou para a "esquerda": seria tão ilógico quanto dizer que Isaías, por criticar atitudes dos reis de Israel, fosse na verdade um revolucionário comunista, indignado com a opressão do proletariado judeu; seria como taxar João Batista de subversivo da ordem vigente, e torná-lo um "Che" dos tempos antigos. A análise da História deve estar dissociada do viés ideológico, para que não se construam "verdades ideológicas".

O cristão precisa atentar a esses fatores. Não se trata de "tomar partido", mas de verificar o real progresso da humanidade ao longo dos tempos. É realidade que o homem erra, peca, mas isso não é um fator a impedir que ele venha a acertar, fazer as melhores escolhas, e obter discernimento sobre aquilo que faz nosso povo crescer ou definhar. A mesma linha de raciocínio vale para a Administração Pública, para toda sociedade.

É certo, ainda, que houve evangélicos envolvidos na chamada "Luta Armada". Se não usaram de discernimento, não cabe hastearem, hoje, a "bandeira da resistência", pois foram impelidos por um pretenso "impulso libertário", manipulados que foram por ideologias estranhas e claramente anticristãs. Atualmente, são os mesmos que, com a ideia de defenderem Marx e outros teóricos comunistas, condenam pastores e líderes cristãos como Enéas Tognini que, à época, organizaram orações pelo nosso País, e até jejuaram para que o comunismo não viesse a vingar, como forma de opressão pública. E aqueles, da chamada "resistência", o que faziam? Importaram-se de orar pelo nosso povo? Acaso oraram para que "João Goulart concluísse sua reforma total das instituições pelo solapamento das mesmas e, com isso, instaurar uma república socialista no País"? Que espécie de compromisso é esse? E quem lhes deu o direito de acusar supostos torturadores, sem qualquer tipo de prova? Quem lhes cegou o entendimento para se envolverem em "lutas" de "libertação", sendo que agir assim era compactuar com a comunização do nosso País? Acaso agir assim era fazer a vontade de Deus?

Que fazem os ditos "cristãos", que rumam para a defesa de ideologias que claramente vão contra os princípios básicos de sua fé? E mais: como fica a submissão à autoridade, constituída por Deus para o bem do povo e que, se não acatada em suas ordens, leva o rebelde a graves consequências? Defender ideologias - de esquerda, de direita ou de centro - que ofendem o compromisso do cristão com Deus, com sua família, seu próximo e com sua Nação, é promover o autoengano, perpetuar a iniquidade e fazer com que o nome do Senhor seja desonrado entre os homens. Aquele que se diz cristão, mas usa de seu intelecto para dar lugar a ideias escusas, alegando, com isso, o exercício de uma mente "progressista", claramente influenciada pelas correntes socialistas e comunistas, que faz, senão trair o seu próprio caminho com Cristo? Que será daqueles que trataram criminosos, terroristas, sequestradores, justiçadores, como heróis? Penso que o Juízo será bem severo para estes!

Conclusão

A posição do cristão, portanto, frente à Contrarrevolução de 1964, considerando o contexto histórico e as decisões nele tomadas, deveria ter sido - e como foi, em muitos casos - de apoio, respeito, participação colaboradora e oração. Se o cristão é comissionado a orar pela paz em sua cidade, nela haverá paz, pois quem a conduz a esse estado é Deus. Orando, agindo, e buscando exercer seu compromisso diário de construir a Nação; não de rachá-la, por conta de motivações ideológicas, contrárias à sua própria fé.

A voz da igreja cristã, legítima e compromissada com Deus, com o próximo e com sua Pátria, não pode se calar. Já tentam, através de leis e projetos de leis que pisam e rasgam a Constituição pátria; mas é hora de o cristão verdadeiro exercer seu compromisso e honrar o nome do seu Senhor pela terra. Não apenas agir, mas sim basear suas atitudes em oração. Assim, não terá de deturpar a História, para que ela seja mudada para contar a versão dos derrotados. Se o cristão é comissionado a amar a verdade, amar a justiça e andar em retidão diante do seu Deus, que faz ele, senão agir como menino e se deixar levar por todo sopro de vã doutrina (Efésios 4:14), ao defender essas ideologias flagrantemente anticristãs?

Há verdades que precisam ser ditas, de modo isento, sem crítica desmedida a atitudes do passado e a posições do presente. Cabe o respeito, não a conivência, nem a omissão. É tempo de avaliar, de não adotar uma postura de "vanguarda", "progressista", que coloca em xeque a fé de muitos e tem a única serventia de exaltar pretensões humanas.

Que Deus abençoe nossa Nação, as famílias e seus descendentes que até hoje pagam por terem cumprido com seu papel. Que o Senhor nos ajude. E que Jesus venha logo. 

- por Cleber Olympio (Não traduzimos a opinião oficial das Forças Armadas do Brasil)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cristãos e a Revolução de 1964 (parte 2)


2. Do contexto histórico motivador do exercício desse compromisso

As revoluções, movimentos tendentes a mudar permanentemente o "status quo" de determinado grupo social, nunca foram novidade na História da humanidade. Passando pelas revoluções europeias de 1789 e 1848, tem-se em 1917, na Rússia, um dos emblemas mais fortes do termo "revolução". A ordem foi radicalmente subvertida pelo operariado russo, liderado por Lênin e seus partidários, que eliminaram fisicamente os opositores, fossem eles da corte czarista, da própria sociedade russa, ou até mesmo de seu próprio partido.

O processo revolucionário russo, entretanto, não foi apenas social, e sim político-ideológico, que visava à expansão. Pelo argumento da "libertação opressora" das chamadas "elites" ou "burguesia", que age violentamente contra o proletariado indefeso, fundamentado em ideias como as de Karl Marx, a União Soviética foi adquirindo confiança de países, tanto vizinhos quanto remotos, num processo lento e gradual de ruptura de "antigas ordens", numa clara substituição de poder por poder. E, para isso acontecer, os meios podem ser bastante violentos: a História mostra que os principais genocídios foram empreendidos por ditadores comunistas, como Josef Stálin e Mao Tsé-Tung. Os mortos se contam às centenas de milhões, números que impressionariam até mesmo aos monstros das ditaduras nazista de Hitler e fascista de Mussolini.

Esse mesmo viés ideológico não foi novidade em terras brasileiras. Em episódios não tanto pontuais de nossa História, a agitação comunista, tendente a converter o País num apêndice do Império Soviético, empreendeu tentativas de tomada do poder central. O historiador e general da reserva Agnaldo Dal Nero Augusto cita três episódios como as grandes tentativas de tomada do poder pelos comunistas, ocorridos em 1935, 1961 e 1964. A primeira tentativa advém da própria influência do movimento operário que, se não fosse a ditadura varguista, teria tido divulgação e suficiente financiamento por parte de Moscou, assim como obteve Luís Carlos Prestes: trata-se do lamentável episódio da Intentona Comunista, em que duas guarnições do Exército, uma em Natal e a outra no Rio de Janeiro, se sublevaram para conduzir o País a uma agitação, supostamente sem precedentes. Terminaram rapidamente calados, tanto pelas forças federais, quanto pela própria população, a quem pensaram ter cooptado para aderir a essa nova "ideologia".

O segundo episódio culminou com a renúncia de Jânio Quadros e a ascensão de João Goulart ao poder. Foi a época da chamada "Via Pacífica", nada ostensiva, de modo a não "assustar" o meio social. A tática adotada foi a de aproximação com os países de ideologia socialista e comunista, algo feito até mesmo por Jânio ao condecorar o líder cubano Ernesto "Che" Guevara. Note-se, de passagem, que o contexto mundial de Guerra Fria, o qual colocou o mundo numa bipolarização entre o capitalismo ocidental e o comunismo oriental, cobrava uma postura internacional que nada lembrasse a de um pêndulo, ora lá, ora cá. Em nome de uma "política externa independente", João Goulart, ao mesmo tempo em que o País conversava com o bloco capitalista, com o qual historicamente fora alinhado, empreende viagem à China Comunista. Essa aproximação foi apenas o estopim de uma crise institucional, já iniciada com as diretrizes do Partido Comunista Soviético, com a experiência exitosa da Revolução Cubana em 1959 - que abriu as portas da América Latina para o comunismo e demais manifestações esquerdistas posteriores - dentre outros exemplos mundiais de implantação da ideologia soviética. Nesse meio termo, as pressões de grupos sindicais, das Ligas Camponesas de Julião, dos movimentos ditos "progressistas" de alguns setores da sociedade, aliados com a mesma pretensão: sublevar as instituições pela sua base. As "Reformas de Base", então, eram muito mais do que programas sociais defendidos por João Goulart: elas apregoavam a reforma de uma constituição, nos dizeres dele, "arcaica", e que procuraria legitimar todo um processo de mudança das bases institucionais brasileiras. O movimento reformista procurava mexer nas estruturas, e tinha Leonel Brizola, cunhado de João Goulart, como grande articulador.

O ápice da sublevação institucional foi tentar mover as bases das próprias Forças Armadas. Já que o funcionalismo público estava "garantido", as escolas e universidades também, além de muitos setores do comércio e indústria, só faltavam as instituições de segurança pública. Elementos apoiadores da verdadeira "revolução" perpetrada por João Goulart e seus pares resolvem agir, cooptando seguidores, como o cabo Anselmo, da Marinha. Tudo parecia acertado, até que na madrugada de 31 de março de 1964 o presidente, legalmente conduzido ao poder, terminava ferindo a própria lei e ordem públicas. Num movimento de unidade entre sociedade civil e Forças Armadas, a resposta foi "não". Estava deflagrado o Movimento Democrático Cívico-Militar de 1964, uma autêntica "contrarrevolução", de base estritamente popular.

Só que a resistência da subversão ao governo democrático não parou de empreender os seus ataques. Em 1966 um atentado terrorista a bomba quase matou o futuro presidente Arthur da Costa e Silva, no aeroporto de Guararapes em Recife (PE); outros se sucederam, marcados igualmente pela violência. Estava deflagrada uma "guerra irregular" contra o estado de Direito. As organizações criminosas, que faziam a chamada "Luta Armada", não tinham rosto, mas agiam contra o próprio povo. Não há como se esquecer do atentado à bomba feito contra o Quartel-General do II Exército - atual Comando Militar do Sudeste, em São Paulo - que estraçalhou o soldado Mário Kozel Filho, que lá estava de serviço na guarda. Vidas interrompidas de modo brutal, injustificável, por organizações criminosas que hoje posam de "paladinos da democracia e da liberdade", cujo objetivo não era trazer uma suposta "liberdade" - até mesmo porque nosso povo, após 1822, sempre foi livre. Seu real objetivo era conduzir o País a uma ditadura comunista, muito mais mortal e prejudicial em todos os sentidos. 

Não dá para imaginar, com absoluta exatidão, o que teria ocorrido no Brasil, caso ele abraçasse o comunismo que essas organizações quiseram impor ao nosso povo. Efeitos práticos se obtêm de outras "experiências comunistas", ao redor do mundo: milhões de mortos, outros deportados a "desertos gelados", fome, miséria, derrocada econômica, execuções sumárias - praticadas inclusive pelos "tribunais revolucionários" através dos denominados "justiçamentos". Durante mais de vinte anos de regime militar, os mortos e feridos se contam às poucas centenas, ao passo que a líderes comunistas, como já mencionamos, foram responsáveis por centenas de milhões de baixas, inclusive entre seus próprios aliados. Ademais, não houve, em toda História recente da humanidade, regime que mais perseguiu, torturou e matou seguidores de Jesus Cristo como os comunistas. Não se fala, na reportagem da Istoé, que não houve fechamento de igrejas cristãs ou mesmo católicas, durante o período contrarrevolucionário; não houve perseguições a protestantes, tampouco queima de Bíblias e material evangelístico, tampouco de sumiço de evangélicos. Havia liberdade de expressão da fé cristã, mesmo em época de exceção. Havia respeito. E em sociedades comunistas, que religião existe se não for o culto à personalidade e à "Mãe Rússia"? No comunismo só há lugar para o ateísmo, uma vez que, segundo frase célebre de Marx, a "religião é o ópio do povo".

A reação ao terrorismo, deflagrado pela já dita guerra irregular, teve de ser comedido, porém enérgico, para que o processo contrarrevolucionário não fosse fracassado. Mesmo em situações-limite, entretanto, a ação foi controlada, pois os agentes do Estado precisam atuar com responsabilidade e senso crítico. O que os derrotados apontam, entretanto, é diferente: alegam um "banho de sangue", torturas, assassinatos, sequestros, superdimensionando a ação precisa da legítima repressão ao comunismo, criando um "ente teratológico", um monstro que vestia farda. Taxaram governantes de "ditadores", sendo que todos eles foram escolhidos e empossados conforme a Constituição, ainda que de modo indireto, bem como seus vices. Falam de "aparelhos estatais de tortura", mas esquecem-se dos seus próprios aparelhos, destinados a imprimir cartilhas de terrorismo, ao trabalho com armas e ao sequestro de natureza puramente ideológica. Isso nada mais constitui do que a mais pura manipulação ideológica, a mesma que hoje produz uma visão equivocada da História, a começar do que se leciona na maior parte dos bancos escolares. Chamam de "ditadura" a um governo legitimamente apoiado e exercido popularmente, com o suporte das segurança nacional. Pior do que isso é a vitimização de agentes públicos que, no passado, cumpriram com honradez o seu dever e o seu compromisso com a Nação: são caluniados mesmo após a morte, injuriados com a pecha de "gorilas", de "torturadores", num autêntico processo de revanchismo que, lamentavelmente, encontra-se em pleno curso e produz, de modo indevido, indenizações concedidas a quem, de maneira deliberada, se envolveu em práticas contra o Estado de Direito. Querem ferir a memória do povo e eliminar a verdade histórica dos fatos. Querem tratar a lembrança do 31 de março como o "começo de um período negro", quando, na verdade, uma data como essa deve motivar a declaração: "quiseram tirar de nosso povo Deus, Pátria, família e liberdade, mas o civil e o militar não deixaram". 

Mesmo sob fogo cerrado - com armamento, inclusive - por parte dos terroristas, os mandatários fizeram valer a lei e a ordem, e trouxeram soluções para problemas em diversas áreas, especialmente na questão da infraestrutura, economia e educação. Evidentemente, considerando o contexto global e as crises do petróleo em 1973 e 1979, não havia como a política e economia brasileiras estarem alheias às intempéries estrangeiras, mas realizações notáveis foram registradas, e não podem ser negadas por uma análise histórica honesta e imparcial. Por fim, antevendo o retorno à democracia plena e a possíveis represálias trazidas pelos subversivos que regressavam dos seus exílios - voluntários -, o governo sancionou a Lei da Anistia. Mesmo assim, tentaram romper com esse compromisso histórico e derrubar uma ordem presidencial, na ânsia de punirem seus supostos "algozes", os mesmos que frustraram seus planos de tornarem o Brasil uma nação comunista.

- por Cleber Olympio

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cristãos e a Revolução de 1964 (parte 1)


Em sua edição 2170, a revista "Istoé" publicou uma matéria interessante a respeito de supostos documentos que elucidariam o comportamento de evangélicos durante o período da Revolução de 1964. A revista traz depoimentos de figuras célebres do meio evangélico brasileiro, dentre eles o pastor batista Enéas Tognini e também do sociólogo Rubem Cesar Fernandes, além de outros. A reportagem dá ênfase, tanto a depoimentos de quem, na época, alega ter sido perseguido e "torturado" - sem demonstrar a veracidade do que alega - e ao caráter ecumênico de muitas das manifestações, empreendidas inclusive perante o Conselho Mundial de Igrejas, com sede na Suíça.

Naturalmente, houve quem se manifestasse de ambos os lados e, como era de se esperar pela tendência ideológica demonstrada pela independente Istoé, o grande destaque foi dado aos chamados "subversivos" do regime, que, quase de modo supostamente heroico, enfrentaram o que eles chamam de "ditadura", inclusive em seminários e nas próprias igrejas.

Dando uma rápida pesquisa na Internet, constata-se que há muitos relatos relacionados ao período, nos quais, de modo genérico e sem meios de prova plausíveis, fazem apologia à denominada "luta armada", demonstrando - sem sequer citar as Escrituras - que quem apoiava a Revolução de 1964 era "ingênuo", "ignorante", dentre outros termos pejorativos. Num contexto como esse, o cristão precisa se posicionar sem que, necessariamente, transfira o debate para o lado político ou ideológico, mas sim para, simplesmente, responder à pergunta: "como deveria ter sido o comportamento do cristão durante o período contrarrevolucionário de 1964 a 1985"? Sobre isso é que nos propomos a refletir, agora.

1. Do compromisso do cristão

O cristão genuíno é alguém, essencialmente, de compromisso. Em primeiro lugar, com Deus, que lhe deu a vida, a salvação, o justificou e o glorificará quando ele estiver em Sua presença, para sempre. O compromisso do cristão é a forma pela qual ele se relaciona com o Deus que, com ele, possui também um compromisso eterno, uma nova Aliança, da qual Cristo é o garantidor. Em seguida, o cristão deve pensar no compromisso que mantém com os mais próximos de seu círculo de relacionamentos - família, amigos, irmãos - e com eles efetivar atos que demonstrem essa aliança.

Evidentemente, o compromisso do cristão não para por aí. Em tudo com o que ele se relaciona, deve haver sentimento semelhante. As aspirações pátrias também fazem parte dessas alianças que o cristão constrói ao longo da vida. Inclusive, o compromisso com a Nação, da qual ele faça parte, deve ser forte, intenso, abrangendo muitos outros que ele construiu em sua existência. Ao agir em prol da Pátria, da Bandeira e de suas Instituições, o cristão age visando à proteção de seus relacionamentos pessoais, e dá bom testemunho do seu Deus perante os homens. Embora o crente esteja de passagem por este mundo, e a sua pátria seja em verdade a celeste (Hebreus 11:16), enquanto ele aqui está deve colaborar, buscando a justiça e a defesa do que Deus ensina por meio da sua Palavra, na prática. Jesus, eminentemente, se preocupou com assuntos desse mundo, como suprimento de necessidades que não se limitavam apenas ao espírito, e sim do corpo,  também. Não dá para se conceber um cristão que não seja compassivo com as necessidades de seu próximo, ainda mais quando o seu próximo é qualquer um desta Pátria brasileira. Como cristãos, devemos nos identificar com a humanidade, embora diferentes dela em muitos aspectos.

Já disseram - com o que abertamente concordamos - que o cristão só consegue exercer seu cristianismo se conduzi-lo ao plano coletivo. Uma vez que seu caminho é eminentemente relacional - sem defender, em hipótese alguma, aqui, a "teologia relacional", até mesmo porque Deus é onisciente e nada aprende com o homem - o cristão deve lutar em prol dos ideais que movem a Nação e o bem coletivo. Por essa razão, não há meios que sejam proibidos para que o crente realize uma ação social: ela pode ser tanto na base argumentativa, quanto na que realiza obras de apoio a quem precisa de ajuda, quanto mesmo à falta de possibilidade de qualquer argumento, como no caso do uso da força pelas instituições militares.

Ora, se o cristão sabe que determinada política, ideologia ou atitude social são contrários ao que ele sustenta, em matéria de princípios, valores e ideais, estando informado sobre esses assuntos, qual deve ser, então, sua posição diante de uma situação de conflito? É prudente, a ele, assumir posições de vanguarda, "progressistas", diante de um mal iminente? Pensamos que não. Para tanto, vale a pena enxergar os dados, conforme eles, em verdade, apareceram, no contexto histórico pré-1964, todos devidamente embasados em fortes e seguras fontes históricas.

- Clebe Olympío (Não traduzimos a opinião oficial das Forças Armadas do Brasil)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Como o Estado Deforma a Ética e Introduz dois Parâmetros de Moralidade


A velha lei cristã que nos ensina a tratar com respeito, cortesia e amabilidade as pessoas é uma regra irredutível de conduta individual, uma regra que não possui flexibilidade ou brechas que permitam interpretações deturpadas.  Trata-se de um axioma básico para que toda a cooperação social e coexistência humana seja pacífica e produtiva.  Com efeito, trata-se de um alicerce indispensável para toda e qualquer civilização que queira prosperar. 

No entanto, é inegável que estejamos, de maneira inconsciente e gradativa, solapando a rigidez deste alicerce.  E tal procedimento já vem ocorrendo há várias décadas, de modo que aquele outrora robusto alicerce hoje se tornou apenas um pequeno toco não mais capaz de sustentar com vigor as relações inter-humanas e a toda a vida social. 

É verdade que a lei do amor ao próximo ainda fundamenta grande parte de nossas relações individuais diretas.  Dentro de nossas famílias, praticamos — ou ao menos nos esforçamos para praticar — este mandamento.  Em nossas relações diretas com nossos parentes próximos e até mesmo com nossos vizinhos, nos esforçamos para não infligir nenhum dano sobre eles e suas famílias.  Uma relação amistosa e cordial ainda é algo mais frequente do que uma relação maliciosa e destrutiva.  Em todas as nossas interações sociais, sejam elas associações econômicas ou quaisquer outras relações casuais, basicamente respeitamos os direitos e a liberdade de nosso semelhante.

Mas tudo isso se altera quando entra em cena o estado.  Ou, colocando de outra forma, tudo isso se altera quando vemos no estado uma ferramenta legítima para a imposição e a consecução de nossas demandas.  Com o estado, somos indivíduos transfigurados.  Somos outros.  Com este organismo político, não há espaço para a lei do amor ao próximo; não há espaço para a cortesia, para o respeito e para a amabilidade.  Quando agimos utilizando o estado para atender às nossas demandas políticas, agimos de uma maneira que um indivíduo minimamente escrupuloso jamais sonharia em agir em suas relações inter-humanas diretas.  Não há espaço para a cortesia e para o respeito ao próximo quando fazemos do estado o sistema canalizador de nossas demandas.

Considere os seguintes exemplos. 

Como indivíduos, não pensamos em extrair, por meio da violência ou da ameaça de violência, nenhuma fatia da riqueza ou da renda do nosso vizinho.  Porém, em nossa vida política, estranhamente passamos a nos sentir livres e moralmente desimpedidos para 1) extrair boa parte de sua renda por meio de altas alíquotas de impostos e 2) controlar sua riqueza — e a maneira como ele a investe — por meio de uma multiplicidade de regulamentações econômicas.

Como pais, não pensamos em coagir nosso vizinho para que ele contribua para a educação de nossos filhos.  Porém, como membros de um organismo político, recorremos à tributação com o intuito de coagi-lo a financiar a educação de nossos filhos, de modo que eles tenham "educação pública, gratuita e de qualidade".  De quebra, isso faz com que nos sintamos "liberados" das nossas obrigações morais e pessoais para com nossos próprios filhos.  Alguém que quisesse propositalmente criar uma sociedade de pais indolentes e negligentes dificilmente teria uma ideia melhor.

Como seres humanos, não pensamos em surrupiar nosso vizinho de toda a sua poupança e aposentadoria.  Porém, como seres políticos, defendemos que o valor delas seja brutalmente reduzido por políticas governamentais de inflação monetária, de crédito fácil e de empréstimos subsidiados para pessoas e empresas de que gostamos.  Como indivíduos, não pensamos em encarecer artificialmente aqueles produtos que nosso vizinho mais pobre consegue comprar.  Como membros do corpo político, consideramos pefeitamente normal obrigá-lo a pagar mais caro por meio de políticas governamentais de desvalorização cambial e de imposição de tarifas de importação, as quais visam a proteger aquelas empresas ineficientes pelas quais temos alguma preferência.

Como pessoas caridosas, jamais pensaríamos em atacar a herança de uma viúva e de seus órfãos, e jamais pensaríamos em coagi-los para que eles nos colocassem como co-herdeiros.  Como membros do corpo político, podemos obrigá-los a repassar metade de sua herança para nós.

Como indivíduos empreendedores, não cogitamos obrigar nossos concidadãos que vivem em outras partes do país a nos auxiliar em nossos empreendimentos locais; como participantes do sistema político, obrigamo-los a nos ajudar a alcançar nossos objetivos econômicos por meio de subsídios, repasses obrigatórios e outras contribuições governamentais.

Dois parâmetros distintos de moralidade

Se homens malvados e violentos passassem a assediar nosso vizinho com o intuito de extorquir uma parte de (ou toda a) sua renda, ou simplesmente se pusessem a oprimi-lo de alguma forma, nós corajosamente sairíamos em sua defesa.  Se ele porventura ferisse ou até mesmo matasse um de seus agressores, iríamos absolvê-lo de qualquer acusação criminosa por ter agido em legítima defesa.

No entanto, se este mesmo vizinho, por ter se recusado a ter seus bens confiscados pelo estado por não ter pagado devidamente seus impostos, viesse a ferir ou até mesmo a assassinar em legítima defesa um "representante do estado" que foi à sua propriedade para confiscá-la, iríamos condená-lo por ter se recusado a abrir mão de parte de sua riqueza e por consequentemente ter privado o governo de utilizá-la para financiar aqueles programas de que gostamos.  E com toda a nossa fúria e desejo de vingança, defenderíamos que ele fosse jogado em uma penitenciária e por lá ficasse "por um bom tempo".

Utilizamos dois padrões distintos de moralidade para mensurar nossos feitos e atitudes.  Somos rápidos e severos para condenar os delitos que nosso vizinho comete.  Mas somos incapazes de julgar com a mesma severidade nossas próprias ações quando estas são efetuadas por meio do sistema político.

Condenamos um vizinho quando este comete fraude, roubo, esbulho, usurpação, sequestro ou assassinato contra nossos semelhantes.  No entanto, somos incapazes de fazermos um auto-julgamento quando defendemos que o governo confisque a riqueza alheia por meio de impostos, sequestre aqueles indivíduos que não "pagaram devidamente" esses impostos, assassine aqueles indivíduos que oferecerem resistência a este sequestro, reduza a poupança e o poder de compra da população por meio da impressão de dinheiro (falsificação), estatize ou assuma forçosamente o controle majoritário de empresas privadas, e usurpe por meio de regulamentações e burocracias o direito de indivíduos exercerem atividades econômicas que concorram com as empresas favoritas do governo.

Duas almas em nosso peito

Condenamos um indivíduo por desconsiderar suas promessas, seus acordos e seus contratos, e nos esforçamos para fazê-lo cumprir suas obrigações contratuais por meio de ações judiciais e de outros meios legais ao nosso dispor.  Mas prontamente condescendemos com práticas governamentais que desprezam promessas e até mesmo os mais básicos mandamentos éticos.  Podemos até mesmo chegar ao cúmulo de nos simpatizarmos com políticas explicitamente ilegais e condenar aqueles que são prejudicados por elas e que agiram em legítima defesa para se proteger.

A realidade é que temos duas almas em nosso peito: uma que procura fazer o que é moral e eticamente certo, e outra que renega a própria existência de padrões morais e éticos.  A humanidade já pagou, está pagando e ainda irá pagar um enorme preço por ter rejeitado os mais básicos princípios cristãos do respeito, da cortesia e do amor ao próximo na esfera da ação política, a qual só faz crescer.  O preço foi, é e será pago na forma de escravidão, guerras e crescentes tensões sociais.

- por Hans F. Sennholz (1922-2007)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Despertem Seus Corações - por John Flavel (1628-1691)



"Despertem seus corações para entender os diferentes caminhos das várias providências de Deus" (Ec 7:14).

Há dois tipos de consolo — o natural e o espiritual. Há um momento quando os cristãos podem desfrutar de ambos (Ester 9:22), e há um momento quando o consolo natural não pode ser gozado (Salmo 137:2). Mas não há momento algum no qual a alegria espiritual e o consolo de Deus não possam ser experimentados (1 Tessalonicesses 5: 16 e Filipenses 4:4). Até mesmo nas piores provações que possam vir ao cristão, nós podemos fazer as seguintes perguntas:

(I) Por que essas provações nos fazem esquecer do nosso consolo em Deus, uma vez que são passageiras e a nossa alegria em Deus é eterna?

(II) Por que deveríamos ficar tristes, já que nosso Deus está conosco nas provações? Uma única promessa, "estarei com ele na angústia'' (Salmo 91:15), basta para nos sustentar em todas as nossas tribulações.

(III) Por que nós que somos crentes em Cristo deveríamos ficar tristes, já que podemos estar certos de que nenhum ato da providência, por pior que pareça, é sinal da ira de Deus? O coração de Deus está cheio de amor por Seus filhos, até mesmo quando parece que a face da providência está fechada.

(IV) Por que deveríamos ficar deprimidos quando temos certeza de que, mesmo por meio dessas providências, Deus nos fará o bem? (Romanos 8:28).

(V) Por que não deveríamos pensar na nossa alegria em Deus, já que está tão próxima a hora na qual tristezas serão findas, e nós não sofreremos mais? "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima" (Apocalipse 7:17).

Se, então, puderem manter sua alegria e conforto em Deus em todas as circunstâncias, tomem cuidado para não ter amor excessivo pelas coisas terrenas. Pensem na segunda vinda do Senhor, e as coisas deste mundo lhes parecerão muito pequenas. Firmem seus corações em coisas eternas e não arrisquem perder o gozo do seu relacionamento com Deus, por causa de alegrias terrenas e passageiras. Se temos muito, ou pouco, das coisas deste mundo, aprendamos a estarmos contentes (Filipenses 4:11-12).

Eu peço aos incrédulos que considerem esses fatos com seriedade. As Escrituras dizem que o inferno é o destino eterno dos ímpios. O fato de ainda estarem vivos, mostra a grande bondade e paciência de Deus para com vocês. Não merecem nenhuma graça, mas a providência prolonga suas vidas. Porventura a pregação do evangelho não significa nada para vocês, pela qual ainda podem escapar da punição do inferno? O que diriam aqueles que agora estão eternamente perdidos, se pudessem achar-se novamente na mesma situação de vocês?

Voltando ao filhos de Deus, eu peço que considerem as misericórdias espirituais e bênçãos que vocês recebem no Senhor Jesus. Uma só dessas bênçãos é suficiente para suavizar todos os seus problemas neste mundo. "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Efésios 1:3). Considerem o que o seu pecado merece de Deus e o que é requerido para que sejam purificados dele. Seu pecado merece ruína eterna, no entanto vocês desfrutam de tantas bênçãos! Os problemas que lhes sobrevêm pela providência são necessários para subjugar o pecado que remanesce em vocês. Apesar disso, vocês não acham que ainda têm corações orgulhosos? Entretanto, vejam quão próximos estão do céu. Tenham um pouco mais de paciência e tudo estará tão bem com vocês, como seus corações desejam; "...porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé" (Romanos 13:11).

Se a providência retarda uma bênção que você, meu irmão, vem solicitando e esperando, não se canse de orar a Deus.

Nós sempre queremos ser atendidos rapidamente. Mas as providências tristes ainda não tiveram o necessário efeito em nossos corações. Nós estamos errados em ser impacientes. Quanto mais esperamos e oramos, melhor será quando a resposta vier. "Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos" (Isaías 25:9). O filho tolo colhe e come a maçã ainda verde. Mas quando a fruta está madura, ela cai por si mesma e é mais agradável para comer.

Muitas vezes as bênçãos estão mais próximas do povo de Deus quando suas esperanças se acham no nível mais baixo. Foi assim na libertação do povo de Deus do Egito e Babilônia (Êxodo 2:23 e Ezequiel 37:11). E em nosso caso particular, talvez as bênçãos demorem por não estarmos em condições de recebê-las. De qualquer modo, nunca as merecemos. As bênçãos são sempre o fruto da pura graça de Deus. Portanto, temos boa razão para esperá-las com paciência e coração agradecido.

- por John Flavel (1628-1691)
Fonte: Se Deus Quiser, John Flavel, Editora PES, pp. 29-31
Retirado de: Projeto os Puritanos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Quanto um Pastor Pode Contar à sua Esposa?



Pastores sabem de informações privilegiadas não simplesmente por causa de suas posições, mas por causa de sua influência. A confiança foi estabelecida. A ajuda foi previamente oferecida e aceita. As ovelhas encontram no pastor um lugar seguro para compartilhar profundas informações pessoais. Porém esse relacionamento se torna complicado quando pastores recebem informação pessoal em segredo, mas precisam buscar ajuda adicional para saber como oferecer cuidado e conselho sábios.

A esposa do pastor complica ainda mais a confidencialidade. Afinal, ela é a auxiliadora e o suporte do pastor. Ela cuida dele diariamente. Quando ele chega em casa para o jantar, ela vê os fardos pesando sobre ele. Ela suporta o peso de sua mente distraída. Ela lida com suas respostas curtas. E ela naturalmente quer saber: “O que há de errado?”

Então, quanto um pastor compartilha com sua esposa? Um pastor deveria esconder algumas coisas de sua esposa? Deixe-me mostrar uma perspectiva equilibrada de minha esposa — a esposa de um pastor.

A Esposa do Pastor: Sua Perspectiva

Nós não precisamos saber tudo do ministério de nossos maridos. Não é da nossa conta conhecer toda a sujeira em cada membro da igreja, nem é nosso trabalho estarmos envolvidas nessas situações de aconselhamento. Contudo, às vezes, nossos maridos precisam compartilhar o que está acontecendo ou buscar nosso conselho em como aconselhar um determinado membro. Nossas experiências podem nos tornar unicamente adequadas para ajudar outro membro da igreja. Mas precisamos responder com muito temor e tremor, pois com a informação vem a tentação de compartilhá-la.

Nem toda mulher é tentada à fofoca, mas vamos ser sinceras, garotas — o aviso de Tito 2 para as mulheres mais velhas não serem fofoqueiras está lá por uma razão. Mesmo se você for jovem, cuidado para não se transformar naquela fofoqueira mais velha.

Então, senhoras, não exijam informações de nossos maridos que eles não sejam livres para dar ou não vejam o benefício de compartilhar. Meu marido é cauteloso ao compartilhar informações comigo, particularmente, sobre outros homens da igreja. Por exemplo, saber a respeito de todos os homens em nossa igreja que lutam contra a pornografia não é necessário nem útil; pode, na verdade, ser prejudicial. Às vezes, compartilhar informações comigo pode até ser considerado uma violação de confidencialidade, que pode ter consequências legais.

Quando recebemos informações, nossos maridos devem ser capazes de confiar que nós não viraremos e contaremos às nossas melhores amigas. E compartilhar as notícias como pedido de oração ainda conta como fofoca. Se não somos confiáveis com informações confidenciais, então não é necessário que as recebamos.

Dito isto, informações confidenciais compartilhadas conosco precisam ser deixadas para o discernimento de nossos maridos. Meu marido me envolveu em diversas situações de aconselhamento com mulheres em nossa igreja, tanto como uma proteção para ele e também porque em algumas situações eu posso me identificar melhor. Ele não se encontra sozinho com mulheres. Eu confio que meu marido não está se colocando em situações comprometedoras e ele se apressa em me envolver se parece que pode haver uma questão de propriedade. Mas ele também sabe que pode confiar em mim nessas situações. Eu não compartilho qualquer informação sem a permissão daquela pessoa, e eu normalmente nem sequer peço para compartilhar a informação a menos que ela sugira tal. Nós podemos ser muito prejudiciais ao ministério de nossos maridos se somos conhecidas como fofoqueiras em nossa igreja.

Esposa, Não Pastora

Pastores, precisamos guiar nossas esposas bem para capturar o equilíbrio. Vá longe demais para um lado e estaremos escondendo nossos corações de nossas esposas e arrancando-as de nosso círculo interior. Vá longe demais para o outro lado e ela pode se sentir presa em situações onde ela não tem voz ou recursos. Lembre-se, ela é sua esposa, não sua co-pastora. Inclua-a para seu benefício e o benefício de outros, mas ela não é chamada nem obrigada a carregar os mesmos fardos.

Dicas para um pastor lidar com questões confidenciais com sua esposa:

Obtenha permissão logo do início em questões confidenciais para falar com outros pastores, sua esposa, ou outra mulher cristã madura se estiver lidando com questões femininas sensíveis onde a ajuda e a perspectiva de outra mulher seja benéfico.

Inclua sua esposa quando isso ajudaria a ela, à situação e a sua habilidade de cuidar de você como sua auxiliadora. Certifique-se de que a permissão foi concedida por aquele que compartilhou a informação confidencial.

Lembre-se, ela não é sua copastora. Esteja atento para protegê-la, não descarregar a pressão sobre ela!

- por Brian e Cara Croft
Fonte: Blog Fiel

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...