quinta-feira, 17 de maio de 2012

Somente o Espírito Santo Capacita o Crente a Perseverar em Oração - John Bunyan


Bunyan destaca que somente o Espírito pode capacitar o crente a perseverar em oração depois de haver começado:

Posso falar de minha própria experiência e, com base nisso, contar-lhe a dificuldade de orar a Deus como deveria. Isso é suficiente para fazer homens carnais, pobres e cegos entreterem pensamentos estranhamos a meu respeito. Quanto ao meu coração, quando vou orar, acho-o tão relutante em buscar a Deus; e, quando está na presença de Deus, se mostra tão relutante em permanecer com ele, que muitas vezes sou forçado, em minhas orações, a primeiramente implorar a Deus que pegue o meu coração e fixe-o nele mesmo, em Cristo; e, quando meu coração está ali, peço a Deus que o mantenha ali (Sl 86.11). Ora, muitas vezes, não sei pelo que orar (sou tão cego), nem sei como orar (sou tão ignorante). Somente o Espírito (bendita graça) nos assiste em nossas fraquezas (Rm 8.26).

Oh! quantas dificuldades iniciais o coração experimenta no tempo de oração! Ninguém sabe quantas distrações e desvios levam o coração a se afastar da presença de Deus. Quanto orgulho também há, se somos capacitados com expressividade? Quanto (sic) hipocrisia, se estamos diante dos outros? E quão pouca consciência temos da oração entre Deus e a alma, em secreto, se o Espírito de súplica (Zc 12.10) não estiver ali para nos ajudar?

Por John Bunyan (autor de O Peregrino), citado por Joel R. Beeke
Fonte: Vivendo para a Glória de Deus, Uma Introdução a Fé Reformada - Ed. FIEL, págs. 184-185.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O Dia em que Jesus Proibiu (mais uma vez) a União Homoafetiva


Não bastassem os inúmero indícios e proclamações do Antigo Testamento acerca da malignidade que é a união do mesmo sexo, algumas mentes incontroladas ousam afirmar que ainda assim há a possibilidade lícita de ser ter uma união homoafetiva. No intento de demonstrar que tal pleito imerece prosperar, refuto tal objeção com uma simples e conhecida declaração do Mestre Senhor Jesus Cristo.

"Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc 10.6-9 - grifo meu).

Interessantemente esse conjunto de versículos é sempre tratado como se ensinasse tão somente acerca do casamento já fixado, ou seja, é tido como que Jesus admoestando sobre a ilicitude de haver divórcio nos moldes que os fariseus desejavam. Entretanto, notemos que a declaração "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" não diz respeito somente ao casamento já firmado, mas também ecoa e desdobra a afirmação precedente: "Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher". 

Isto é, a ordem criativa de Deus (v. 6) afirma: "Deus os fez macho e fêmea". O que fazem agora esses dois sexos? "deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher" (v. 7). Como isso se processa? "já não serão dois, mas uma só carne" (v. 8). Como então vivem após isso? "o que Deus ajuntou não o separe o homem" (v. 9). Notemos claramente que Jesus está afirmando que o homem/a sociedade não deve separar a união de macho e fêmea. Quer dizer, uma vez que a ordem foi para que dois sexos diferentes se ajuntem e formem "uma só carne", logo, como que por uma clarividência solar, é compreensível que o Salvador estivesse também proibindo outro tipo de união. 

Era como se Jesus estivesse a proclamar: "Desde o começo o Senhor criou dois sexos distintos: macho e fêmea. O homem, quando deseja se casar, sai de sua casa e se une a sua mulher amada. Uma vez que está unido nela e com ela, ele não vive mais para si, nem ela para suas próprias vontade, mas cada um vive para o outro, pois ambos são um. Portanto, não intentem separar essa união e não desejem unir sexos iguais, pois não foi essa a ordenança de Deus."

Em outras palavras: "conforme Deus ajuntou, não o modifique o homem."

terça-feira, 15 de maio de 2012

Efésios 1.11 - Tudo Acontece Segundo a Sua Própria Vontade - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 13.05.2012



Efésios 1.11 - Tudo Acontece Segundo a Sua Própria Vontade
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 13.05.2012

"Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Ef 1.11).

Temos sido agraciados com a palavra de Deus no que tange à maravilhosa graça do Senhor em alcançar os povos gentios da terra. Assim como a mulher samaritana foi grandemente exposta ao próprio Cristo e ouviu, "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade... A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo" (Jo 4.23, 25-26), também nós ouvimos a palavra da salvação e hoje podemo-nos achegar ao santo dos santos e ter comunhão direta com o Deus trino.

Já tivemos a oportunidade de visualizarmos o que é a predestinação, eleição e suas consequências para o homem (Ef 1.4-5). Aqui, portanto, novamente o apóstolo cita essa bela e preciosa expressão (ainda que se utilize de outro vocábulo) para todo crente, pois reitera que tudo ocorre "segundo o conselho da sua vontade". Alguém, porém, poderia objetar e dizer que Deus executa as coisas boas nesse mundo, mas as más pertencem ao maligno; que o Senhor é dono de toda boa caridade e justiça no mundo, porém o Diabo é responsável pelos males; que o Eterno é quem cuida dos crentes, mas o inimigo não O deixa executar sua obra. Poderia isso ser verdade? Em outras palavras, o que o apóstolo quis ensinar-nos sobre que Ele "faz todas as coisas"? Seria o intento do apóstolo o afirmar de que somente as coisas boas aos nossos olhos procedem da mão de Deus?

A grande dificuldade dos crentes em aceitar que todas as coisas procedem da mão do Senhor, não é com respeito a sua benevolência, bondade, verdade e amor para com seus, e sim justamente o oposto, a saber, que até mesmo os piores acontecimentos surgem também da mão poderosa do altíssimo. Muitos amam proclamar que Deus é amor (1Jo 4.8, 16), e de fato Ele assim o é. Porém, infelizmente muitos não atentam para que o amor de Deus não é desvencilhado de Sua justiça, verdade, santidade e ódio. Outro problema ainda é o fato de lermos esses (e outros) atributos de Deus sob o prisma do que as palavras significam para nós. Em outras palavras, muitos encontram uma barreira para entenderem que o Senhor é um Deus irado e que possui ódio, pois ao lerem tais coisas eles se recordam de como se iram com seu próximo e de como tudo isso é muito ruim. Entretanto, é a própria Escritura quem nos afirma esse ódio de Deus e ela própria é quem deve nos dizer que tipo de ódio é esse. Isso é também verdade com a santidade, pois não são poucos os homens que compreendem erroneamente esse quesito, como se Deus fosse tão santo, mas tão santo, que sequer se comunicasse com o Seu povo, ou seja, negam a comunhão que os crentes têm com Cristo, pois afirmam que aqueles não podem ter comunhão com este. Analisemos essa e outras questões baseado em alguns pressupostos.

1. Assim como eram os judeus salvos, hoje nós também podemos ser herança do Senhor - "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança."

Essa afirmação faria todo o sentido para o povo judeu, o problema é que não foi dirigida a eles. Para tais pessoas, teria rapidamente surgido em suas mentes a promessa dada ao seu pai Abraão: "Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência" (Gn 15.5). Os israelitas conheciam essa afirmação e sabiam qual era sua aplicação imediata para eles - mas, como os gentios, a quem Paulo está escrevendo, saberiam qual era a herança do Senhor? Paulo tratará disso mais adiante em sua carta, mas já fornece um pequeno vislumbre aos crentes de Éfeso: "havendo sido predestinados". Sendo o apóstolo um judeu, ele afirma aos irmãos gentios que o motivo de haverem sido feitos herança e participantes dessa mesma que ao povo judeu pertencia, era tão somente por causa que haviam sido predestinados para isso. Em outras palavras, eles estavam recebendo a mensagem da salvação porque assim havia sido a vontade do criador, assim tinha intentado o Salvador (veremos mais detidamente esse ponto em Efésios 1.18).

Em outro momento o apóstolo diz: "Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão" (Gl 3.18). Assim como as estrelas habitavam o céu de todo o mundo, o Senhor testificou a Abraão de que de igual modo seria a sua descendência - muito numerosa e que abrangeria todos os lugares da terra. O autor de nossa salvação ensinou - também - ao patriarca a grande obra que um dia realizaria em meio as nações gentílicas e afastadas do Senhor (recordemos de Efésios 9-10).

2. Todas as coisas, tanto as boas como as más, são criadas pelo Senhor - "conforme o propósito daquele que faz todas as coisas."

É mister que atentemos para afirmação de Paulo. Em outras palavras ele lhes diz: "Crentes de Éfeso, vocês não estão sendo salvos por algo de bom que você fizeram. Vocês não foram escolhidos pelo Senhor porque vieram a frente, fizeram uma oração e alguém lhes disse que vocês são crentes. Vocês não tem livre arbítrio para se achegar ao Senhor, pois anteriormente estavam mortos em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Saibam, portanto, que porque o Senhor faz tudo conforme Lhe agrada, aprouve a Ele hoje vos salvar." Pode parecer loucura o fato de Deus fazer tudo conforme deseja, pois muitas são as vezes em que temos o "sincero" desejo de governar nossas próprias vidas e ações. Todavia, o apóstolo não é da mesma laia maligna e afirma categoricamente que o Senhor os salvou porque assim desejou em Si mesmo.

Alguns versículos nos são explícitos e provam que tal doutrina é absolutamente verdadeira:
- "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim" (Jo 6.44-45).
- "Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito" (Jo 10.26).
- "Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure" (Jo 12.40).
- "E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" (At 2.47).

Penso que honestamente, sem grandes delongas, podemos afirmar que o Senhor salva aquele que deseja e assim faz "conforme o [seu] propósito". Nosso Senhor não é Deus de confusão (1Co 14.33), por isso não poderia deixar ao encargo dos homens o escolher a Ele mesmo, pois como conforme veremos mais adiante (Efésios 2), isso é completamente impossível para o homem não regenerado, pois uma vez que se encontra morto e putrefado em seus pecados, sequer pode cogitar a possibilidade de ir à Vida.

Agora, por um momento, voltemos ao que havíamos iniciado, a saber, quais são "todas as coisas" que o Senhor realiza conforme seus atributos?

Em primeiro lugar, o Senhor sempre intentou deixar bastante claro que todo o homem é responsável diante d'Ele por suas ações. Apesar da eleição ser incondicional e o homem ser moralmente corrupto e naturalmente inacessível a Deus, o Senhor proclama que ele é responsável por seus atos: "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição" (Dt 11.26). O povo israelita sabia que a Lei proclamada diante de si era bênção e maldição - bênção se fosse buscada com um coração temente e jubiloso ao Senhor; maldição se dela escarnecessem e não a tivessem por guia até o Senhor (Gl 3.24).

Em segundo lugar, o Senhor faz todas as coisas conforme agrada o Seu próprio coração, de modo que onde Ele visualiza alguma impiedade e não observa a marca de Seu Filho no coração do pecador, tal homem é o mais desgraçado de todos os seres humanos: "Porque o perverso é abominável ao SENHOR, mas com os sinceros ele tem intimidade. A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio, mas a habitação dos justos abençoará" (Pv 3.32-33). Ao contrário do que muitas vezes são as nossas palavras, a voz do Senhor é direta, firme e certeira. Sem rodeios o Eterno afirma que o perverso, o ímpio, o não cristão, "é abominável ao SENHOR"; e mais: "[que] A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio". Onde, então, nos perguntamos, está a bênção do Altíssimo? "mas a habitação dos justos abençoará".

Em terceiro lugar, sendo Deus soberano e já sabendo que diante dessas e outras afirmações os homens se insurgiriam e achariam que o Senhor é injusto, deixou-nos registrado essa fantástica declaração do apóstolo: "Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" (Rm 9.14-16). Notemos bem: "não depende do que quer, nem do que corre" - "mas de Deus, que se compadece". Isso remete, a talvez alguns de nós, à lembrança da história do jovem rico. Sabemos bem que aquele jovem foi até Cristo, ele o queria ver. Ele queria a conversar com Cristo e por isso foi correndo até Ele (Mc 10.17). Contudo, não teve o encontro que esperava com o Salvador, pois não havia ido até Ele para despojar-se de todas as riquezas e passar a viver somente para o Senhor - ele queria uma vida dupla: com riquezas e salvação. Assim também acontece e parece ser esse um dos intuitos de Paulo (além de: "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis" (1 Co 9.24), ou seja, demonstrar aos crentes que apesar de toda dificuldade que podem ter para compreender essa bela e magnífica doutrina, é do Senhor que ela provém e é Ele quem a outorga, não consultando qualquer homem vil para ter conselho consigo mesmo (Lm 3.37-40).

Outro ponto importante das Escrituras é reconhecer que apesar de muitos relatos serem chocantes para nossas mentes e coração, com todas elas o Senhor busca ensinar-nos sobre o perigo que é brincarmos com o Seu nome e também o escarnecer do povo do Senhor: "Então [Eliseu] subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos" (2 Rs 2.23-24). Os comentaristas tecem seus entendimentos acerca dessa passagem, dizendo que os meninos estavam zombando de Eliseu, pois o verbo "'subir' é o mesmo verbo usado para descrever a entrada de Elias no céu (v.11)" [1]. O puritano Matthew Henry também comenta: "Eles ordenaram-lhe para que subisse, talvez refletindo no pressuposto de Elias: 'Teu mestre', dizem eles, 'subiu, por que tu não vais após ele? Onde está a carruagem de fogo? Quando vamos nos livrar de ti também?' [2] Aqueles "pobres e indefesos" meninos, por mais jovens que pudessem ser, zombaram do santo do Senhor e por isso não foram poupados - "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10.31).

Entrementes, então, o Senhor pretende ensinar os Seus filhos (e também os ímpios!) de que grandes coisas Ele pode fazer, de modo que não há alguém que possa resistir a Sua vontade.

3. Não há quem possa resistir ao seu decreto - "segundo o conselho da sua vontade".

No afã de demonstrar Seu excelso poder e magnitude acima de todas as coisas, o Senhor revela-se ao apóstolo e os faz registrar que todas as coisas acontecem porque Ele assim deseja. Esse pressuposto tem seu ensinamento também no profeta Isaías: "Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento? Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima" (Is 40.13-15). Diferentemente de homens que tomam conselhos com seus pares, as Escrituras revelam-nos que o Senhor não pergunta aos homens o que desejam que Ele realize. O Senhor não se subordina ao homem pecador e dele não toma recomendações, "Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece" (Tg 4.14). O Deus invisível, mas real, é infinitamente e complexamente maior do que tudo que podemos imaginar. Isso é tão verdade que o profeta fez questão de dar um exemplo prático: "eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima".

Nada pode ser grande demais para o Senhor, coisa alguma Lhe é muito dificultoso e não há nada que possa impedir o Seu poder. Por isso, nessa noite, demos um brado de júbilo em nossos corações, cantemos-Lhe louvores e agradecemos-Lhe grandemente, porque apesar de todas as nossas iniquidades, malignidades e vilezas que habitam em nosso coração, para Ele tudo isso pode ser alterado e modificado para Sua glória e nossa salvação - "o nosso Deus converteu a [nossa] maldição em bênção" (Ne 13.2).

Amém.

Nota:
[1] Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra
[2] HENRY, Matthew, commentary on 2Kings. Fonte: http://www.studylight.org/com/mhc-com/view.cgi?book=2ki&chapter=002 (acessado dia 13.05.2012) - tradução livre

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 8 - Homem e Mulher no Jardim, A Questão dos Filhos (O Homem e Esposo Cristão) - Sermão pregado dia 13.05.2012



Série: Homem e Mulher os criou - parte 8 - 
Homem e Mulher no Jardim, A Questão dos Filhos (O Homem e Esposo Cristão) -
Sermão pregado dia 13.05.2012

Após visualizarmos a competência da mulher e esposa cristã, importa-nos notar nesse ponto de que modo o matrimônio é regido pelo homem. Apesar de já termos visualizado várias nuances acerca dos deveres do esposo, é preciso que aprendamos de modo mais detido sobre certas características importantes e distintas do homem e marido cristão. Talvez um dos textos áureos para a elucidação dessa compreensão sobre o que vem a ser um bom marido, seja Efésios 5.25-30: "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos."

De modo belo e magnífico, o apóstolo nos aponta 5 importantes noções e deveres que são devidos ao marido cristão:

1. Amar a esposa e a ela se entregar - assim como Cristo o fez por Sua Igreja. "Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Ef. 5.25).

Nenhum homem deve se escusar da responsabilidade que tem diante do Senhor ao contrair matrimônio. Conforme já temos observado, uma vez unido a sua esposa, o homem deixa de ser sustentado por seus pais e passa agora a ser o sustentador de sua casa; de filho, passa a ser marido. Isso certamente acarreta grandiosos afazeres por parte do esposo cristão e é nesse prisma que o apóstolo trata da questão.

O apóstolo poderia ter usado muitas formas de se demonstrar o matrimônio cristão, no entanto preferiu usar a analogia entre Cristo e sua Igreja - mas por quê? Penso que a resposta seja sem sombra de dúvida o porquê de Cristo ser o modelo perfeito de cuidador e guardador daquilo que é Seu, de forma que todo homem pode-se espelhar n'Ele e então aprender de Seus feitos e atitudes com relação à Igreja. Mas como Cristo amou a sua igreja? 

Em primeiro lugar, se fazendo servo e vindo a servi-la em sua fraqueza e debilidade. O homem não é Cristo em sua casa, mas é um representante dele. Os puritanos corretamente entendiam que o homem era uma espécie de sacerdote do lar, um pastor, um homem que tinha sempre diante de si uma pequena igreja, isto é, sua própria família. Apesar de a família também não ser - necessariamente - parte da Igreja real de Cristo (pois podem haver filhos descrentes ou a esposa ser incrédula), Paulo diz que o homem deve amar a sua família e, mais especificamente, a sua esposa, da mesma forma como Cristo amou a sua igreja. O homem Cristão não é aquele que se deleita em sua "soberania" no lar e aflige sua amada esposa com grandes e dificultosas tarefas, como se ela lhe fosse por escrava. O homem cristão é aquele que ajuda em casa (sabendo cada um dos cônjuges respeitar e entender qual é o papel de cada um), é amável com sua esposa e possui toda benevolência para ela - pois assim Cristo agiu e age conosco. 

Em segundo lugar, ensinando sua amada igreja e cuidando dela em todos os seus passos. Por mais que nossos colegas de trabalho e a mídia tente impor-nos que a mulher deve ser livre para fazer o que quiser e nunca deve se submeter ao seu marido, as Escrituras são clarividentes em afirmar que a esposa deve aprender com seu marido. Isso implica em dizer que o marido precisa ser alguém apto para ensinar sua esposa e também conhecedor de todo o saber (até onde pode-se alcançar). O marido cristão precisa ser alguém versado em atividades essenciais ao ser humano criado por Deus. Em outro lugar, o apóstolo Pedro nos afirma que a mulher é o "vaso mais fraco" (1Pe 3.7), não no sentido de que não é útil, mas sim ensinando que ela precisa aprender algumas coisas com o homem e esse deve estar pronto para a ensinar. Assim como Cristo enviou o Seu consolador (o Espírito Santo) para estar com a Igreja e não a deixá-la só, também o marido cristão precisa, dentro do possível, ensinar sua esposa em certos aspectos práticos da vida, pois haja vista que nenhum de nós é eterno, o marido não deve deixar de passar todo conhecimento que possui a sua amada. Tornando o ensino em prática, novamente, dentro do possível, é útil e honrável que o marido ensine sua mulher a defender-se fisicamente; que a ensine como "conseguir dinheiro"; quando algo estraga dentro de casa, chamá-la e a ensiná-la docilmente como realizar aquele conserto - não porque ele não mais fará, mas sim porque devido ao seu amor por ela, deseja também que ela aprenda esses dotes que naturalmente não possui (o contrário também é verdadeiro - a esposa cristã pode e deve ensinar seu marido a, quem sabe, cozinhar, fazer alguma limpeza - pois ele pode vir a algum dia precisar). 

Em terceiro lugar, pois mais estranho e fora do padrão "comum" de nossa época, esteja pronto a morrer por sua esposa - isso mesmo: esteja pronto a sofrer tudo por sua esposa, até mesmo a morte se for necessário. Para aqueles que porventura achem esse ensino por demais incisivo, peço humildemente que reflitam se não é isso que Cristo fez também por Sua Igreja. Se entregar por sua esposa significa tê-la no maior apreço e estima possíveis. Como vimos em relação à esposa, o marido que possui tal mulher virtuosa (Pv 31) é o melhor e mais feliz homem de toda a terra - sequer precisa dos despojos de guerra, pois nada falta-lhe em casa. Assim como Cristo esteve disposto e cuidou de Sua Igreja, também o marido deve ser apto para defender sua esposa - até mesmo, se for necessário, da injusta agressão física. O marido cristão não é um "homem qualquer" que sequer consegue correr cem metros para salvar sua amada; pelo contrário (mais uma vez, dentro do possível), lhe é extremamente recomendável que conheça a arte da defesa e dela faça uso caso precise defender sua esposa. Se Cristo não nos deixou só e até hoje permanece conosco noite e dia, então é também dever do marido o "se entregar" por sua amável esposa, pois já não vive para si, mas para ela.

2. A santidade da esposa depende - também - das atitudes e ensino do marido. "Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra" (Ef 5.26). No âmbito administrativo das empresas e grandes corporações, se diz constantemente que quando a empresa está indo de mal a pior, a culpa é sempre do gerente/diretor/dono da mesma. Isso não significa que tal cargo não esteja sendo ocupado por alguém capaz, mas sim porque uma vez que a empresa não está crescendo e tendo suas contas em dias como é esperado, lhe é por dever o gerenciar da mesma e fazê-la próspera - mesmo que isso lhe custe muito sacrifício, choro e lágrimas. Não tratando de empresas, mas usando a mesma analogia, o marido cristão é responsável por guiar sua amada esposa em santidade, pureza e verdade. 

Esse ensino nos é muitíssimo claro no caso da queda de Adão e Eva. Após Eva ter comido do fruto proibido e oferecido ao seu marido, lemos na Palavra que Deus não chamou a mulher para dar conta de seus pecados, e sim que trouxe o homem a Sua presença e a ele inquiriu o porquê da desobediência. Isso certamente que não está a nos ensinar que o marido é condenado pela rebeldia da esposa, pois apesar de toda piedade em que anda, ela por vezes pode ser a mais ímpia de todas as mulheres (o contrário é também verdade). No entanto, o apóstolo Paulo afirma que o marido deve santificar sua esposa, isto é, separá-la para um propósito específico, a saber, o de ser boa esposa, dona de casa e mãe de seus filhos (vide Tito). Mas como essa santificação acontece? "com a lavagem da água, pela palavra".

A palavra de Deus, em um lar cristão, deve ter predominância absoluta. Um marido cristão que passa longas horas em frente a televisão, se deleita em filmes sem fim e não valoriza o cultivo da piedade, justiça e verdade cristão em seu lar, está falhando com seu dever. Pela Palavra, nos diz as Santas Escrituras de Deus que são capazes de nos tornar aptos para toda boa obra (2Tm 3.16-17), o homem ajuda, fortalece e santifica sua esposa. Vejamos que a apóstolo não está falando somente de boas obras, de trazer o sustento para casa e guardá-la, mas sim nos diz que a palavra deve perpassar todos esses pontos. Assim como o pastor precisa ser versado nas Escrituras para guiar sua congregação, também o marido precisa conhecer e estar apto para ensinar a Bíblia a sua esposa e, quem sabe, futuramente aos seus filhos (não que ela não aprenda sozinha, mas o marido possui também esse dever). O método santificador do lar cristão não é a psicologia ou a "harmonia entre os cônjuges", mas tão somente a palavra do Senhor. Quando ela habita ricamente em nossos corações (Cl 3.16), então temos uma lar harmonioso e maravilhoso (ainda que composto de pessoas pecadoras e falhas). 

3. Uma das finalidades do casamento é santificação dos cônjuges. "Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5.27).

Cristo veio ao mundo para salvar Sua igreja e para libertá-la do jugo de escravidão. Como nos ensinam abundantemente as Escrituras, o Senhor não veio para nos entreter (ainda que a alegria certamente faça parte do casamento), mas sim para nos santificar. De igual modo deve ser o casamento cristão: ele não visa uma felicidade egoísta, onde cada um busca ser feliz do seu jeito - ou mesmo a dois -, mas sim buscam ser felizes e construírem um casamento que seja para a glória de Deus (1Co 10.31). 

Nesse sentido é preciso salientar e registrar que o marido não deve, dia e noite, literalmente, desejar que sua casa seja séria e sem brincadeiras - uma casa santa pode também ser uma casa alegre. Temos um relato claro que nos ensina sobre a licitude de se alegrar e brincar, até mesmo com nossas esposas: "E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher" (Gn 26.8 - grifo meu). Isaque não ficava o dia inteiro trabalhando e quando chegava em casa ia diretamente catequizar sua mulher. Isso nos ensina que podemos - e devemos! - ter um lar alegre e é também dever do marido promover tal espaço. Assim como Cristo busca (e de fato o faz!) santificar Sua Igreja e apresentá-la para si mesmo sem manchas e sem ter-se do que envergonhar - pois foi lavada e purificada pelo Seu sangue -, também o homem de Deus deve ser apto e se dedicar a esse tremendo e belo encargo que Deus lhe deu: ter uma esposa piedosa, temente ao Senhor e nela  e com ela se alegrar.

Apesar de muitas vezes termos a impressão de que o lar cristão é um lugar "empoeirado de teologia", isto é, como se marido, mulher e crianças ficassem apenas lendo a Bíblia, orando e lendo teologias sistemáticas, a prática é bastante desconexa dessa caricatura jocosa, pois uma vez que o marido compreende seu papel em santificar e purificar sua casa e sua esposa, lhe é por demais agradável estar em casa. Como disse o famoso pregador Charles Haddon Spurgeon, "Antes da Queda, o Paraíso era o lar do homem; desde a Queda, o lar tem sido o Paraíso do homem".

Com relação a santificação pessoal, o marido deve prover os meios para que ela ocorra dentro de casa. Não é prudente que o homem cristão fique inerte quando toda sua família se delonga por programas televisivos contrários à Lei do Altíssimo. É um mau marido aquele que não vigia sua casa e não toma as providências necessárias para extirpar o maligno de sua moradia. É dever do esposo cristão fazer um pacto semelhante ao do salmista:  "Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim" (Sl 101.3).

4. Deve cuidar de sua esposa assim como cuida de si mesmo. "Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo" (Ef 5.28).

O apóstolo Paulo fala-nos agora acerca de algo óbvio, isto é, ele apela para algo certo na vida do homem cristão. É como se ele dissesse: "Bem, meus amados, deixem-me mostrar-lhes como isso é algo natural e perfeitamente já aplicado em suas vidas". Não há alguém que busque aborrecer o seu próprio corpo. Nenhum homem, em sã consciência, pega para si um veneno mortal, senta-se no sofá, toma-o e deleita-se esperando a morte. Absolutamente ninguém faz isso! O que fazemos? Buscamos nos alimentar corretamente, temos uma dieta mais ou menos balanceada, fazemos alguns exercícios, buscamos ter as horas necessárias de sono, tentamos agir com respeito para com nosso próprio corpo. Nenhum homem trata com desdém aquilo que é seu! Quando compramos um carro novo ou trocamos de casa, acaso no dia seguinte os destruímos?

É nesse sentido que o apóstolo pretende ensinar-nos, a saber, que ele deve cuidar exatamente da sua esposa assim como cuida de si mesmo. Deve se esmerar e se dedicar a sua esposa, reconhecendo assim como Paulo disse: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20). É dever do marido cristão o reconhecer que já não é mais solteiro, já não tem o tempo livre para si mesmo, já não é dono de seus próprios desejo, pois agora há outra parte de si em jogo.

Um exemplo simples disso é dado por uma exemplificação matemática: "E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mc 10.8-9). Como dois pode ser igual a um? Simples, cada unidade, antes do ajuntamento, retira 50% de si e se une aos outros 50% da pessoa amada. Isso é muito importante para nosso entendimento, pois, ainda que tal exemplificação tenha suas limitações (assim como todo exemplo), isso implica em dizer que boa parte do que o homem fazia enquanto estava na casa do pai e da mãe, agora já não lhe é mais possível.

5. Não busca mais seus próprios interesses, pois vive para sua esposa. "Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja" (Ef 5.29).

Mesmo em tempos de extrema apatia e rebeldia do povo do Senhor, o Eterno permaneceu amante de Sua Igreja (ainda que certamente os julgasse por suas iniquidades - conforme ainda atua nos dias de hoje (Atos 5) e tomou-a em seus braços. O Senhor nunca odiou sua própria Igreja, nunca deixou de alimentá-la - é isso que o apóstolo nos diz e é isso que ordena que os maridos façam com respeito a suas esposas.

"Porém tu, Senhor, és um Deus cheio de compaixão, e piedoso, sofredor, e grande em benignidade e em verdade" (Sl 86.15). O marido cristão precisa ser cheio de compaixão  e fiel amante de sua esposa. Mesmo em face das mais terríveis desavenças que podem estar na iminência de ocorrer, o marido deve se portar "grande em benignidade". O marido que se irrita por pouca coisa ou que facilmente descontrola-se está agindo mal em seu papel de esposo e representante de Cristo em seu lar. Nenhum homem devem se desculpar por "ser homem" e que por isso lhe é natural o agir dessa ou daquela maneira. A palavra do Senhor prescreve-nos claramente que devemos tratar nossas esposas assim como Cristo nos trata: com justiça e amor. Isso desdobra-se no entendimento de que não pode-se tolerar a injustiça no lar, mas também que igualmente deve-se fazer tudo com amor - "[s]e não tivesse amor, nada seria" (1Co 13.2).

6. Não deve se afastar de sua esposa, exceto por necessidade. "Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos" (Ef 5.30).

Por analogia, nos é óbvio que um corpo não se pode dividir em vários pedaços e ainda assim continuar sendo um. De igual modo é a relação do marido com sua esposa: uma vez unido a ela, não deve mais considerar o seu corpo como seu, mas sim pertencente a ela (1Co 7.4). Esse ponto, infelizmente, é deveras negligenciado por muitos professos da fé cristã. Muitos são os homens que se esquecem que suas mulheres são parte de seus corpos, ou seja, que eles não tem mais poder e autonomia completa sobre tudo o que fazem. Esse entendimento foi, talvez, o ponto de partida para o Dr. Martyn Lloyd Jones dizer: "Aventuro-me a estabelecer como regra que o cristão não deve aceitar convite para programas sociais sem sua esposa". [1]

Como marido cristão, nada mais é somente seu - tudo agora deve ser repartido (com esposa e possivelmente os filhos que o Senhor lhes der). O seu salário não é mais seu, deve ser compartilhado com sua esposa e filhos (tudo para a manutenção do lar); seu tempo não é mais seu, há agora outra pessoa com quem deve compartilhar; suas ideias não dizem mais respeito somente a ele, precisa andar em união (também teológica!) com sua amada. Se o marido se torna um com sua esposa, então ele já não pode mais viver para si e achar que pode continuar sendo um solteiro/casado. É uma imprudência marital sem tamanho o homem que casa-se e acha que ainda pode e deve continuar saindo sempre com seus amigos, sempre jogando futebol (não importando a hora e lugar) e continuamente gastando dinheiro com aquilo que fazia em sua vida pretérita.

O homem casado de Deus possui outro plano e outra vocação: cuidar de sua esposa (e filhos), amá-la, cuidá-la, respeitá-la e desejar-lhe todo o bem... até que a morte os separe.

Nota:
[1] http://monergismo.com/lloyd-jones/os-deveres-do-esposo-efesios-5-25-33 - acessado dia 10.05.2012.

sábado, 12 de maio de 2012

10 Bênçãos de se pertencer a uma igreja bíblica e reformada


1. Não há sobrecarga no pastor, pois a congregação entende que os ministros devem se dedicar à oração e à pregação da palavra (At 6.4).
2. Não há disputa para quem prega, pois a congregação entende que esse chamado não é para todos (Tg 3.1).
3. Não há desavensas em "grupos de louvor" nem sobrecarga em tais, pois os tais não existem e a congregação entende que deve-se louvar como Cristo louvou - a cappella (Mt 26.30).
4. Não há discussões intermináveis sobre quais músicas serão cantadas, pois a congregação entende que deve-se louvar com o que Cristo ordenou em Sua palavra - os salmos (Mt 26.30; Ef 5.19; Cl 3.16).
5. Não há muitos ministérios para serem coordenados, pois a finalidade da Igreja não é entreter as pessoas, mas sim pregar a santa palavra de Deus (2Tm 4.2).
6. Não há muitas e várias correntes teológicas, pois a congregação entende que todos estão edificados sobre a única rocha que é Cristo e sobre Sua Lei (1Pe 2.2-6).
7. Não há homens e mulheres imorais, pois a congregação entende que isso é indigno da cristandade; os que assim tentam proceder são advertidos e, por vezes, excluídos (Ef 5.5; Dt 21.21).
8. Não há vários tipos cultos, pois a congregação compreende a necessidade da união e da malignidade que é o dividir do corpo de Cristo (2Pe 2.1).
9. Não há excessiva "burocracia", pois a congregação compreende que igreja não é a mesma coisa que empresa (Cl 2.19).
10. Não há pregações com finalidades egoísticas e que atendam somente ao gosto dos ouvintes, pois a congregação compreende que a pregação deve ser expositiva e conforme a Lei e o Evangelho (Jo 7.38; 2Tm 3.15).

Certamente que tais bênçãos não tornam qualquer igreja perfeita, mas certamente já eliminam vários problemas corriqueiros.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Quando Orar é Completamente Fútil


Conheço bom número de cristãos que têm uma resposta universal para todas as questões. Não importa qual seja a questão, eles dizem: "Ore sobre isso"... Quão simplista, superficial e falso pode ser tantas vezes esse conselho - e o digo num púlpito cristão! Você talvez pergunte: "É errado em algumas circunstâncias, dizer aos homens que façam dos seus problemas assunto de oração?" Nunca é errado, mas às vezes é completamente fútil...

A luta deste pobre homem (Salmo 73) era toda esta, que ele estava tão confuso em seus pensamentos acerca de Deus que não podia orar a Ele. Se temos na mente e no coração pensamentos confusos sobre a maneira como Deus nos trata, como podemos orar? Não podemos. Antes de podermos orar de verdade, precisamos pensar espiritualmente. Não há nada mais fátuo do que tagarelar sobre a oração, como se a oração fosse algo para o que você pudesse correr sempre e imediatamente. . .

Me permitam citar um dos maiores homens de oração que o mundo já conheceu. . . George Müller, fazendo preleção a ministros . . .disse-lhes o seguinte: Que durante muitos anos de sua vida, a primeira coisa que fazia todas as manhãs era orar. Por fim veio a descobrir que esse não era o melhor caminho. Percebera que para orar verdadeira e espiritualmente, tinha que estar no Espírito, e que deveria preparar-se primeiro.

Descobrira que isso era bom e da maior utilidade, e agora lhes recomendava que sempre lessem uma porção da Escritura e talvez algum livro de devoção antes de começarem a orar. Em outras palavras, ele descobriu que era necessário pôr-se a si mesmo e a seu espírito em correta condição, antes de poder orar verdadeiramente a Deus. . . Precisamos dedicar tempo à oração. Não começamos a orar a Deus enquanto não nos apercebemos da Sua presença. . . Assim, eis os passos perfeitamente certos — a casa de Deus, a Palavra de Deus, oração a Deus e comunhão com Deus.

Por Martyn Lloyd Jones - Faith on Trial, p. 41,2.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Os Deveres do Esposo (D. M. Lloyd Jones)



Exposição sobre Efésios 5.25-33 (parte II)

A que isto leva na prática? Chego aqui a um ensino muito detalhado do qual todos têm necessidade, os cristãos e os demais. Todos falhamos, Deus o sabe; todos pecamos deixando de entender este ensino e de aplicá-lo pormenorizadamente. O princípio é que a esposa é, por assim dizer, o corpo do homem. Assim, o que o seu corpo é para a sua personalidade, a sua esposa deveria ser para ele. Disso provém o ensino detalhado do apóstolo. Como o homem deve tratar sua esposa? Permitam-me dar primeiro alguns itens negativos. Ele não deve abusar dela. É possível a um homem abusar do seu corpo, e muitos o fazem – comendo demais, bebendo demais, e de várias outras maneiras. Isso é abusar do corpo, maltratá-lo, ser maldoso para com ele. Ora, diz o apóstolo, o homem que faz isso é insensato, porque, se maltrata o seu corpo e abusa dele, quem vai sofrer é ele. Você não pode desligar-se do seu corpo; e se pensa que pode, e abusa do seu corpo, você é quem irá sofrer. Sua mente sofrerá, seu coração sofrerá, todo o seu viver sofrerá. Talvez você diga: “Não me importo com meu corpo, estou vivendo a vida do intelecto”; mas, se continuar agindo assim, logo verá que já não possui o intelecto que outrora possuía, e que não será capaz de pensar como antes. Se abusar do seu corpo, será você que irá sofrer. Não sofrerá só o seu corpo, mas você mesmo sofrerá também. É exatamente a mesma coisa na relação matrimonial. Se um homem abusar da sua esposa, ele sofrerá, bem como sua esposa. Assim, além do erro inerente ao abuso, o homem será insensato. Se um homem abusar da sua esposa, ocorrerá colapso não somente na esposa, mas também no homem, e no relacionamento entre ambos. Certamente é o que está acontecendo comumente no mundo hoje. Deveria ser uma coisa inimaginável, um cristão abusar da sua esposa.

Mas não somente não deve o marido abusar da sua esposa; em segundo lugar, não deve negligenciá-la. Retornemos à analogia do corpo. Um homem pode negligenciar seu corpo. Acontece muitas vezes e, de novo, isto sempre leva à dificuldades. Negligenciar o corpo é mau, é tolo, é errado. O homem foi constituído de tal maneira que ele é corpo, mente e espírito, e os três estão em íntima relação uns com os outros. Seguramente estamos todos cientes disto. Tome-se um exemplo em termos da fragilidade do corpo. Se sofro de laringite, não posso pregar, ainda que queira fazê-lo. Posso estar com a mente cheia de ideias, e posso estar dominado pelo desejo de pregar, porém, se a minha garganta estiver inflamada, não poderei falar. E assim é com o corpo todo. Se você negligenciar o corpo, sofrerá por isso. Muitos homens têm feito isso, muitos eruditos têm feito isso, e pela negligência dos seus corpos o trabalho deles padeceu. Isso por causa da unidade essencial que há entre estas partes das nossas personalidades.

Dá-se exatamente a mesma coisa na relação matrimonial, diz o apóstolo. Quão maiores dificuldades são causadas na esfera do casamento simplesmente pela negligência! Recentemente foi publicado nos jornais um documentário médico dando provas de que atualmente numerosas mulheres foram empurradas ao vício de fumar. Por que? Simplesmente porque foram negligenciadas por seus maridos. Os maridos passam suas noites fora, em esportes ou em bares ou jogando com os amigos; e a pobre esposa é deixada em casa com as crianças e com o trabalho. O marido vem para casa na hora de ir para a cama e dormir; de manhã se levanta e sai. A negligência de que a esposa é vítima está levando a estas condições nervosas que se revelam no ato de fumar excessivamente e noutras manifestações de tensão nervosa. É lamentável que um homem se case e depois se ponha a negligenciar a esposa. Noutras palavras, eis um homem que se casou, mas que em questões essenciais continua vivendo como se ainda fosse um solteirão. Continua com sua vida desligada, continua passando o tempo com os seus amigos.

Eu poderia desenvolver isto com muita facilidade, porém os fatos são tão conhecidos que isso se torna desnecessária. Na verdade tenho a impressão de que existe mesmo nos círculos cristãos, até nos círculos evangélicos conservadores, a tendência de esquecer este ponto particular. O casado não deve continuar agindo como se fosse solteiro; sua esposa deve estar envolvida em tudo. Recentemente recebi convite para uma realização social relacionada com uma organização evangélica conservadora; mas o convite foi dirigido somente a mim, sem incluir minha esposa. Automaticamente o recusei, como sempre faço quando acontece esse tipo de coisa. Este é um caso de organização cristã conservadora que obviamente não tem uma ideia clara sobre estas questões. Aventuro-me a estabelecer como regra que o cristão não deve aceitar convite para programas sociais sem sua esposa. É irreparável o dano feito a muitos casamentos porque os homens se encontram em seus clubes sem suas esposas. Isso é errado, pois é a negação de princípios primordiais. O homem e a mulher devem fazer juntos as coisas. Naturalmente, em seu trabalho profissional o homem tem de estar só, e há outras ocasiões em que tem de estar só; mas se se tratar de uma ocasião social, de algo de que a esposa pode participar, ela deverá participar, e cabe ao marido providenciar para que ela participe. Sugiro que todos os maridos cristãos recusem sem pestanejar todo convite que venha para eles e não inclua as suas respectivas esposas.

Todavia, há outro aspecto desta questão que por vezes me causa grande preocupação. Constantemente ouço falar daquilo que às vezes denominam “viúvas cristãs conservadoras”. A expressão significa que o marido desse tipo particular de mulher fica fora de casa todas as noites, numa ou noutra reunião. Sua explicação, na verdade seu argumento, é que ele está envolvido numa boa obra cristã; mas parece esquecer que é casado. No outro extremo está, é certo, aquele tipo de cristão que não faz nada, indulgente consigo mesmo e com sua preguiça, e que fica o tempo todo em casa. Ambos os extremos sempre são errôneos; entretanto, no momento estou condenando este extremo em particular – o caso do homem que vive tão ocupado com a obra cristã, que negligência a sua esposa. Conheço muitos exemplos disto. Recentemente me falaram de um deles, no norte da Inglaterra – o caso de um homem que todas as noites estava falando em reuniões, organizando isto e aquilo. O homem que me contou isso confessou-me que ele mesmo estivera começando a fazer a mesma coisa, mas foi despertado sobre o problema quando conheceu a mulher do outro homem, a respeito de quem toda gente estava falando. O meu interlocutor me disse que a pobre mulher parecia uma escrava – exausta, esgotada, cansada, negligenciada e infeliz, e com o coração atribulado. A conduta desse marido é gravemente pecaminosa. Embora se faça isso em nome do trabalho cristão ativo, o homem não pode e não deve subtrair-se dessa maneira à sua vida matrimonial, porque a esposa é parte integrante dele – a sua “melhor metade”, não sua escrava. Portanto, os maridos cristãos devem examinar-se sobre esta questão. O lar não é um dormitório para onde o marido volta só para dormir. Não! Tem de haver ali um relacionamento ativo, ideal, positivo; e sempre devemos manter isto na parte frontal da nossa mente. O homem deve, pois, buscar de Deus sabedoria para saber dividir-se nesta relação. Mas, não interessa o que o homem é; se é casado, não deve portar-se como solteiro, mesmo com relação à obra cristã, porque, agindo assim estará negando o próprio ensino do evangelho que ele diz que prega. Justamente aí pode haver egoísmo inconfesso. Sei que isso geralmente acontece como resultado de nada menos que a irreflexão, a negligência; todavia esta em geral leva ao egoísmo. Em todo caso, o cristão não deve fazer-se culpado de irreflexão, de negligência.

Daí parto para a terceira elaboração prática do ensino. O marido não deve aproveitar-se da sua esposa, não deve negligenciar sua esposa e, em terceiro lugar, nunca deve desconsiderá-la como alguém sem valor. O fator positivo sempre deve estar presente. A esposa não é apenas a governanta da casa dele; há este elemento positivo. Qual a melhor maneira de expor isto? Tomo a liberdade de adotar os termos do próprio apóstolo. Ele faz esta colocação: “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes” – o quê? “a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja”. Vocês recordam como, quando consideramos estas palavras, ficamos admirados e estonteados pelo modo como o Senhor nos alimenta e cuida de nós. Mas é como o marido deve portar-se para com a sua esposa. “Alimenta e sustenta”, ou “cuida dela”. De novo, não se pode fazer isso sem exercer o pensamento.

Mais uma vez, isto pode ser elaborado em termos da analogia segundo a qual o homem não aborrece, não odeia o seu próprio corpo, porém o alimenta e cuida dele. Como o faz? Podemos fazer a seguinte divisão: primeiramente há a questão da dieta. O homem tem que pensar em sua dieta, em sua alimentação. Ele tem que nutrir-se suficientemente, que fazê-lo com regularidade, e assim por diante. Tudo isso tem que ser planejado em termos de marido e mulher. O homem deve pensar no que ajudará sua mulher, no que a fortalecerá. Quando tomamos nossas refeições não pensamos só em calorias, proteínas, gordura e carboidratos; não somos puramente científicos, somos? Outro fator entra na questão dos alimentos. Também somos influenciados pelo que agrada o paladar, pelo que nos dá satisfação e prazer. É assim que o marido deve tratar sua mulher. Deve pensar no que lhe agrada, no que lhe dá prazer, naquilo de que ela gosta e que a satisfaz. Naturalmente, antes de casar-se ele renunciava ao seu gosto para fazer isso; mas, depois de casado, já não o faz. Não é essa a dificuldade? Muito bem, diz o apóstolo, você não deve parar, deve continuar pensando; e como você é cristão, deve dedicar-se a pensar e a cuidar cada vez mais, não cada vez menos. Esse é o argumento dele. Não estamos todos sob condenação? No entanto este é o ensino apostólico, o ensino do Novo Testamento. Quanto à dieta, considere a personalidade integral e a alma da sua mulher. É preciso que haja este pensamento ativo acerca do desenvolvimento da esposa e da sua vida, neste admirável relacionamento que o próprio Deus estabeleceu.

Ha ainda a questão dos exercícios. A analogia do corpo sugere logo isso. Para o corpo o exercício é essencial; é igualmente essencial na relação matrimonial. Pode significar uma coisa simples como esta – apenas conversar. Ah, sei que muitas vezes a causa de problemas no casamento é a falta de conversação! Todos sabemos quanta coisa se pode dizer como desculpa. O homem está cansado, esteve trabalhando em seu emprego ou no seu escritório o dia inteiro, e chega em casa enfadado, cansado, e quer descanso e paz. Sim, mas essa verdade vale também para a sua esposa, com a diferença de que talvez ela tenha estado sozinha o dia inteiro, ou só tenha tido a companhia de criancinhas. Quer nos sintamos desse modo quer não, temos que conversar. A esposa precisa de exercício neste sentido. Fale com ela sobre seus negócios, sobre suas preocupações, sobre suas ocupações; envolva-a nisso tudo. Ela é seu corpo, faz parte de você; portanto, deixe que ela fale sobre isso. Consulte-a, permita que ela apresente o seu modo de entender as coisa. Ela faz parte da sua vida, pelo que envolva-a na totalidade da sua vida. Obrigue-se você mesmo a conversar. Noutras palavras, é preciso que nós nos esforcemos a pensar, a cuidar. Repito que conheço todas as desculpas e que bem sei como muitas vezes isso pode ser difícil; faço, porém, a seguinte colocação – parece-me um belo argumento. Um homem estava igualmente cansado e trabalhando arduamente antes de casar-se; mas nos dias anteriores às núpcias, fosse o que fosse que estava fazendo, tinha o maior desejo de conversar com a noiva e de pô-la a par de tudo. Por que é que isso deveria parar após o casamento? Não deve parar, diz o apóstolo. O marido e a mulher são um. Olhe para ela, e tenha por ela a mesma consideração que você tem por seu corpo, e lembre-se deste elemento de exercício. Leve-a a participar de tudo, planejadamente. Será magnífico para ela, para o seu desenvolvimento; e será bom para você, porque o casamento completo crescerá e se desenvolverá, se você agir assim.

E isso nos leva ao quarto ponto, o qual é o elemento de proteção. Eis aí este corpo; ele necessita de alimento, necessita de exercício; porém, em acréscimo, todo homem tem que aprender a entender o seu próprio corpo. O apóstolo desenvolve o seu argumento. O apóstolo Pedro, vocês se lembram, se expressa deste modo: diz ele ao marido que se lembre de que sua esposa é o “vaso mais fraco” (1 Pedro 3.7). Significa que estes nossos corpos estão sujeitos a certas coisas. Todos somos diferentes, mesmo no sentido físico. Alguns de nós talvez estejam mais sujeitos a sentir frio, ou calafrio, de um modo que não parece molestar outras pessoas. Alguns de nós são constituídos de molde a ter estes problemas menores; e estamos sujeitos a estranhas infecções e a diversas outras coisas que nos sobrevêm para provar-nos. Que faz o homem prudente? Ele toma muito cuidado com estas coisas; usa um pesado sobretudo no inverno, e talvez um cachecol; e se abstém de fazer certas coisas. Ele se protege, e protege sua fraca constituição contra alguns dos perigos que nos confrontam na vida. “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres.” Você descobriu que a sua esposa tem alguma fraqueza peculiar em sua constituição pessoal? Descobriu que ela tem certas características especiais? É nervosa e tímida, ou muito franca? Não importa qual seja em particular; ela tem certas características que, num sentido, são fraquezas. Qual é a sua reação a elas? Você fica irritado, ou aborrecido? E tende a condená-las e a eliminá-las? Proceda como procede com o seu corpo, diz o apóstolo. Proteja-a contra elas, vele por ela contra essas fraquezas. Se sua esposa nasceu com temperamento inquieto, poupe-a disso, proteja-a. Faça tudo que puder para salvaguardá-la das suas fraquezas, debilidades e fragilidades; como procede com o seu corpo, proceda com sua mulher.

Depois, naturalmente, há grandes infecções que nos sobrevêm – gripes, febres, coisas que matam pessoas aos milhares. Coisas correspondentes também podem sobrevir à vida conjugal – tentações, problemas, tribulações, que provarão o casamento até os últimos limites.

Que fazemos quanto a estas coisas? Mais uma vez, que é que você faz com o seu corpo quando você pega esse tipo de enfermidade, quando sofre aquele ataque de gripe, com temperatura devastadora? A resposta é que você se mete na cama, com uma garrafa ou bolsa de água quente, sujeita-se a uma dieta apropriada, e assim por diante. Você faz tudo que pode para tratar da febre e ajudar seu corpo a resistir. “Assim devem os maridos amar a suas próprias mulheres como a seus próprios corpos.” Se houver alguma tentação ou ansiedade ou problema peculiar, excepcional, alguma coisa que prove ao máximo a sua mulher, então, digo eu, o marido deve deixar seus interesses pessoais para proteger sua esposa, ajudá-la e apoiá-la. Ela é o “vaso mais fraco”.

Isso nos leva ao último ponto. Você procura proteger o seu corpo das infecções, submetendo-se a várias inoculações. Aplique isso tudo ao estado matrimonial. Faça tudo que puder para estruturar a resistência da sua mulher, a fim de prepará-la para enfrentar os males da vida. Cabe a você estruturá-la. Não faça tudo você mesmo, vamos dizer; mas edifique-a, estruture-a de modo que ela venha a ser capaz de agir também; de maneira que, se você for levado pela morte, ela não fique sem eira nem beira. Temos que pensar em todas estas coisas, e minuciosamente, como fazemos com os cuidados com o corpo. E se sobrevier a doença, cuide dela de maneira fora do comum, dê-lhe medicamentos apropriados, altere o seu programa para fazer aquelas coisas incomuns que promoverão e produzirão o restabelecimento da saúde, do vigor e da felicidade.

Paramos por aqui. Todavia aí estivemos examinando um grande princípio que é da maior importância. O homem tem que amar sua esposa “como” – porque ela é – seu próprio corpo. “Porque nunca ninguém aborreceu a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta” (ou “cuida dela”), “como também o Senhor à igreja.” “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja.”

Fonte: D. M. Lloyd Jones, Vida no Espírito: no casamento, no lar e no trabalho. Exposição de Efésios 5:18 a 6:9. Editora PES. Págs. 165-175.
Retirado de Monergismo.com (essa é a segunda parte do texto - a primeira encontra-se disponível no próprio site donde foi retirado).

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...