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Como você tem criado seus filhos?


Eu estou grandemente convencido de que há apenas dois estilos de vida a serem seguidos: 1) Confiando em Deus e vivendo em submissão à vontade dele e sua lei, ou 2) tentando ser Deus. Poucas pessoas vivem um meio termo entre esses dois caminhos. Como pecadores nós parecemos estar melhores com a segunda opção do que com a primeira.

A dinâmica espiritual afeta diretamente o modo como criamos nossos filhos. Uma criação de filhos bem sucedida está relacionada a uma ‘perda de controle’ justa e ordenada por Deus. O objetivo de sermos pais é o de ensinar nossos filhos, que uma vez foram totalmente dependentes a serem independentes, pessoas maduras que com confiança em Deus e um bom relacionamento com a comunidade Cristã sejam capazes de andar com os próprios pés.

Nos primeiros anos da criação dos filhos, nós estamos no controle e tudo, e mesmo que reclamando do estresse que isso causa nós gostamos de ter o poder! São poucas as situações em que a criança escolhe o que fazer, exceto no que diz respeito às necessidades físicas básicas. Nós escolhemos a comida deles, a hora de dormir, a forma deles se exercitarem, o que eles veem e ouvem aonde ir, quem são seus amigos, e certamente essa lista pode continuar a crescer.

Entretanto, a verdade é que desde o primeiro dia de vida nossas crianças estão crescendo independentes. O bebê que antes não conseguia rolar sem ajuda, agora pode engatinhar até o banheiro sem permissão e desenrolar todo o papel higiênico! Essa mesma criança em breve estará saindo de casa, dirigindo para lugares onde estarão bem longe do alcance dos pais.

Quantos pais tem tido problemas com os amigos que seus filhos escolheram? Sim, a escolha de companhias é um problema sério, mas é tambem o lugar onde podemos entregar o controle a uma criança em amadurecimento. A finalidade da criação de filhos não é reter um controle absoluto sobre nossas crianças com a intenção de garantir a segurança deles e a nossa sanidade. Apenas Deus é capaz de exercer esse tipo de controle.

Ao invés disso, a finalidade é a de ser usado por Ele para inculcar em nossas crianças um auto controle em constante amadurecimento através dos princípios da Palavra, e permitir-lhes exercer círculos cada vez mais amplos de escolha, controle e independência.

Como conselheiro e pastor, eu frequentemente trabalhei com pais que queriam voltar no tempo. Eles achavam que sua única esperança era voltar aos primeiros dias, os dias de total controle. Eles tentaram tratar seus adolescentes como crianças pequenas. Eles acabaram se tornando mais parecidos com carcereiros do que com pais, e se esqueceram de ministrar o Evangelho, que era a única esperança nos momentos cruciais de dificuldades.

É vital nós nos lembrarmos de três verdades do evangelho relacionadas a esses problemas na criação dos filhos:

1) Não há situação que não esteja sob controle porque Cristo domina sobre todas as coisas para o bem da igreja. (Efésios 1:22)
2) Não só a situação está sob controle, mas Deus está trabalhando para o bem daqueles a quem ele prometeu. (Romanos 8:28). Então eu não preciso controlar todos os desejos, pensamentos e ações do meu filho em amadurecimento. Em cada situação, ele ou ela está sob o soberano controle de Cristo que está cumprindo o que eu não posso fazer.
3) Eu preciso lembrar que o objetivo de criar meus filhos não é criar neles a minha própria imagem, mas me esforçar muito para que eles sejam conformados à imagem de Cristo. Meu objetivo não é clonar meus gostos, opiniões e hábitos nas minhas crianças. Eu não estou buscando a minha imagem neles, eu desejo ver a Cristo.

Nós não podemos pensar na criação de filhos sem olhar honestamente para o que nós, como pais, trazemos para o problema. Se nossos corações são governados pelo sucesso, pela apreciação dos outros e pelo controle excessivo nós vamos involuntariamente querer que nossos filhos satisfaçam nossas expectativas em vez de ajuda-los em suas necessidades espirituais. Ao invés de ver os momentos de dificuldades como oportunidades que Deus nos da, nós iremos vê-los como frustrantes, decepcionantes e irritantes, e certamente iremos experimentar uma crescente raiva contra os nossos próprios filhos, os quais nós fomos chamados para auxiliar e ensinar.

- por Tedd Tripp

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