terça-feira, 11 de junho de 2013

O sábado foi feito por causa do homem


Nota do autor do blog: leia este estudo, a fim de aprofundar o assunto.

“E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado". (Mc 2:27)

"...Nessas palavras de Jesus, há uma fonte de profunda sabedoria. Merecem toda a nossa atenção, tanto mais porque ficaram registradas exclusivamente no evangelho de marcos. Vejamos o que elas contêm.

"O sábado foi estabelecido por causa do homem." Deus estabeleceu o dia de descanso em favor de Adão, no paraíso; e renovou-o para Israel, no monte Sinai. O dia de descanso foi estabelecido em favor de toda a humanidade, não somente para os israelitas, mas antes, para toda a descendência de Adão. Foi estabelecido tendo em vista o benefício e a felicidade do homem. Visava o bem de seu corpo, de sua mente e de sua alma. Foi dado ao homem como uma benção e uma graça, não como um fardo. Assim foi sua instituição original.

Porém, o homem não foi criado "por causa do sábado". A observância do dia do Senhor nunca teve a finalidade de ser imposta como algo injurioso à saúde do homem; nunca foi instituída para interferir nas necessidades humanas. O mandamento original: "Lembra-te do dia de sábado, para o santificar" (Ex 20:8), não tinha o intuito de ser interpretado como prejudicial ao corpo do homem, ou como empecilho aos atos de misericórdia em favor do próximo. Esse era o ponto crucial que os fariseus tinham esquecido ou sepultado debaixo de suas tradições.

Em tudo isso, nada existe que apoie a precipitada afirmação de alguns, que nosso Senhor anulou o quarto mandamento. Pelo contrário, Jesus falou manifestadamente sobre o dia do descanso como um privilégio e uma dádiva, e regulamentou a extensão de sua observância. Cristo mostrou que obras necessárias e de misericórdias podem ser realizadas no dia do Senhor; mas não proferiu uma única palavra que justificasse a noção de que os crentes não precisam lembrar-se do dia de descanso, "do dia de sábado, para o santificar".

Sejamos zelosos em nossa própria conduta, quanto à observância do dia de descanso. Há bem pouco perigo de que ele esteja sendo observado muito estritamente em nossos dias. Há um perigo muito maior de que o dia do Senhor esteja sendo profanado e esquecido completamente."

- por J. C. Ryle (1816-1900)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

A Soberania de Deus e o Evangelismo


Muitas pessoas lutam com a soberania de Deus na eleição, porque acreditam que ela exclui a prática do evangelismo. Elas se perguntam: se as pessoas são ou não eternamente eleitas, que bem fará a pregação? Que diferença fará? No entanto, como a Escritura ensina, a soberania de Deus na eleição e a prática do evangelismo não são inimigas, mas amigas. O evangelismo está enraizado na eleição, e enquanto o homem planta e rega a semente do evangelho, Deus traz o crescimento.

Os Meios e os Fins

A soberania de Deus na salvação é mais clara e nitidamente vista no ensino da Escritura sobre a eleição. A eleição é "incondicional", isto é, a escolha de Deus não se baseia em nada de bom ou meritório do escolhido, algo louvável que tencione ou influencie Deus em sua escolha. Ao invés disso, a escolha de Deus é feita exclusivamente com base na Sua boa vontade.

Pode parecer que essa escolha faz qualquer atividade humana desnecessária. Como poderia uma criatura afetar algo? Mas considere este simples exemplo: suponha que Deus quer eternamente que você receba uma carta minha. Para que isso ocorra, outras coisas devem acontecer primeiro. Obviamente, eu devo escrever a carta, e em seguida dar um jeito de entregar a carta para você. Essas atividades - a escrita e o envio da carta - não acontecem à parte da vontade e propósito do Deus Todo Poderoso, mas como parte de Sua vontade e propósito. Elas são meios para o fim: você receber uma carta minha.

O que isso mostra? Mostra que nos desígnios divinos, meios e fins estão conectados. Talvez, ao eleger pessoas "em Cristo", Deus poderia ter imediatamente os glorificado. Mas de acordo com a Escritura, Ele não escolheu fazer isso. Em vez disso, ele usa meios. Ele nos apresenta as boas novas da salvação. Como Ele faz isso? Ele com certeza poderia ter feito isso transmitindo as boas novas de forma imediata à mente de alguém através de um sonho ou um "sussurro". Mas, na verdade, Ele o faz pela dupla ação da "Palavra" e do "Espírito".

A Escritura tem várias maneiras diferentes de deixar isso claro. Nos Evangelhos, tem a parábola do semeador: "Eis que o semeador saiu a semear". A semente é a Palavra, os vários tipos de solo são os diferentes tipos de corações. "Quanto ao que foi semeado em boa terra, este é aquele que ouve a palavra e a compreende. Ele dá fruto" - Mt 13v23. Portanto, existe a semente semeada, e existe fruto, de acordo com o tipo de solo. E isso representa ouvir a Palavra, entendendo-a, e sendo frutífero. Ninguém pode "entender" a Palavra sem ela ter sido "semeada" primeiro.

Aqui está um segundo exemplo. Vejamos as palavras da Grande Comissão encontrada no final do evangelho de Mateus: "Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo que eu vos tenho mandado" - Mt 28v19-20. Jesus instrui ou ordena aos Seus onze discípulos para "fazerem discípulos". E como eles farão isso? "Ensinando-os [as pessoas de todas as nações] a observar tudo o que vos tenho ordenado". Discipulado vem através do ensino que Cristo ordenou a Seus primeiros discípulos.

Paulo usa uma linguagem muito semelhante a de Cristo na parábola do semeador quando descreve seu ministério, tanto a importância quanto as limitações deste, ele escreve: "Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento" - 1Co 3v6. O que ele está dizendo aqui? Que ele semeou a semente e seu companheiro o pregador Apolo acompanhou e - por meio do que ele ensinou - "regou" o que Paulo havia semeado. Mas quem fez crescer? Só Deus, através do Seu Espírito, deu vida - entendimento, fé e obediência - àqueles que se tornaram crentes em Corinto.

Da mesma forma, outras coisas que Paulo escreve ecoam o ensino da Grande Comissão de Jesus. Por exemplo, em Romanos capítulo dez, Paulo discute a relação entre invocar a Cristo, a confiar nele, e pregar a necessidade de rogar pelo Salvador:

"Como, pois, invocarão aquele em quem não creram?
E como crerão naquele de quem não ouviram falar?
E como ouvirão, se não houver quem pregue?
E como pregarão, se não forem enviados?" - Rm 10v14-15.

As perguntas de Paulo respondem a si mesmas: sem a fé não haverá súplica; sem o ouvir não haverá fé; sem a pregação não há como ouvir e sem o envio não haverá pregação.

Todas estas passagens têm uma coisa em comum. Elas revelam a conexão, conexão estabelecida na sabedoria de Deus, entre comunicar o evangelho através da pregação - semeando, ensinando, chamando e regando - e a crença - fé e invocação do Senhor, a conversão a Cristo em seus diversos aspectos. Portanto, sob circunstâncias normais, a pregação e o ensino são os meios indispensáveis ​​do Senhor para trazer homens e mulheres à fé em Cristo. É claro que apenas a pregação não é suficiente. O próprio Deus deve preparar o coração, e pelo Seu Espírito só Ele pode "dar o crescimento". Mas Ele normalmente o faz "pela Palavra" proclamada pelos ministros do evangelho.

Eleição

Há uma passagem que acima de todas as outras na Bíblia claramente estabelece o âmbito desta interação entre meios e fins, a eleição de um lado e a glorificação de outro. Em Romanos capítulo oito, Paulo ensina que o propósito final de Deus para o Seu povo é a sua conformidade à imagem de Seu Filho. Como devemos entender isso?

A resposta de Paulo leva primeiramente o leitor de volta para "aqueles que são chamados segundo o seu propósito" (v. 28). Estes, segundo ele, são pré-conhecidos por Deus. Isto é, Ele sabe antes de nascerem quem são essas pessoas, pois Ele os escolheu. E Ele os predestina para serem conformes à imagem de seu Filho, Jesus Cristo (v. 29). E o que esta predestinação envolve?

"E aos que predestinou, também os chamou, e aos que chamou, também os justificou, e aos que justificou, também os glorificou" (v. 30). Em poucas palavras, o apóstolo leva o leitor de eternidade a eternidade. Para enfatizar a certeza e a plenitude desse processo, Paulo usa o verbo no passado, como se todos os santos já estivessem desfrutando da glorificação. Mas para o nosso objetivo, precisamos destacar duas palavras que são essenciais e importantes: chamou e justificou. Elas salientam a necessidade do eleito de ser glorificado através da ação do Espírito de tirá-los da escuridão espiritual - o novo nascimento - e a necessidade deles mudarem sua condição, uma vez que seus pecados foram perdoados e a justiça de Cristo é imputada a eles.

Quando essas mudanças, regeneração e justificação, ocorrem? A resposta é: durante a vida terrena dos homens e mulheres. Por quais meios? Pela comunicação e apresentação do evangelho através da pregação e do ensino. Além disso, essas mudanças ocorrem pela ação soberana de Deus, o Espírito Santo, que abre os olhos para a compreensão, renova a vontade, concede o arrependimento e a fé que justifica, e permite o crescimento da virtude cristã, isto é, a santificação.

Vendo por Outro Lado

Assim, a pregação é normalmente um meio indispensável para chamar os eleitos de Deus. De forma paralela, ouvir e fazer esforço para compreender a pregação do evangelho é indispensável. Não faz sentido algum dizer: "Ou eu sou eleito ou não sou. De qualquer maneira, não há porquê ouvir uma boa pregação. Pois, se eu sou eleito, de um jeito ou de outro Deus vai me levar para o céu. E se eu não sou, eu posso encontrar maneiras melhores de gastar o meu tempo do que indo à igreja". Jesus, por exemplo, destacou a importância de ouvir com atenção: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça" - Mt 13v43. O que Jesus queria dizer? Que devemos ouvir atentamente, com o objetivo de adquirir "entendimento". Depois de Sua ressurreição, Jesus passou um tempo abrindo o entendimento dos discípulos para compreenderem a Escritura (v. Lc 24v45). Se estamos confusos e perplexos, devemos continuar a examinar a Escritura com todas as nossas forças - uma vez que que a Escritura interpreta a Escritura - e rogar a Jesus por entendimento. Paulo conta como os cristãos de Tessalônica vieram a fé em Cristo da seguinte forma: "Quando você recebeu a palavra de Deus, que de nós ouvistes, a recebestes, não como palavra de homens, mas como aquilo que realmente é, a palavra de Deus" - 1Ts 2v13.

A linha de raciocínio que diz: "Ou eu sou eleito ou não, de qualquer forma, é inútil atentar à Palavra de Deus", comete o mesmo erro da crença de que a eleição eterna de Deus faz a pregação desnecessária. Eles separam o fim da eleição - a renovação na imagem de Cristo - dos meios de comunicar o evangelho através da pregação e as outras maneiras que Deus ordenou. Isso divide o que Deus tem, de fato, unido. "O que Deus uniu não separe o homem".

- por Paul Helm

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Masturbação e Depressão (ou Um texto para ler quando some a alegria)


Nota do autor do blog: leia aqui e aqui um pouco mais sobre este assunto, pois este pecado não inclui apenas as imagens e pensamentos pecaminosos.

Minha luta contra a masturbação foi e ainda é devastadora. Muitas vezes, o desejo me arrasta para longe do cais da fé. Porém, eu percebo que minha batalha não está apenas na área da luxúria, mas também na área da alegria. Várias e várias vezes, meu pecado sexual não é motivado por anseios egoístas por satisfação, mas sim por uma busca errada por felicidade. 

Sei que existem mais irmãos em Cristo que passam por isso. Mesmo sem estar sentindo desejo sexual, a falta de qualquer desejo, a tristeza recorrente e barulhenta que, muitas vezes, corrói nossa alma faz com que, porcamente, busquemos na masturbação, na pornografia ou no sexo errado a alegria que devíamos achar em Deus.

Dói-me assumir que perco constantemente minha luta por manter a chama de minha alegria acesa. Sou naturalmente uma pessoa melancólica e meu coração constantemente clama por algo que lhe preencha. No lugar de buscar minha satisfação em Deus, acabo tentando saciar-me com ídolos e falsos deuses. Pelo que me parece, o modo mais comum de vencermos nossa constante ânsia por alegria é através de meios pecaminosos e ineficazes, como paliativos, remédios que diminuem a dor por um momento, mas não curam a doença.

Tristemente, talvez, assim como o efeito de qualquer droga passa, o prazer da sexualidade errada se dissipa. A masturbação não tem força para nos manter felizes; o prazer é momentâneo, a alegria é passageira. Como disse Agostinho a Deus, “Tu nos fizeste para Ti, e nossos corações não descansarão até encontrar abrigo em Ti”. Enquanto buscamos alegria na masturbação e na pornografia, continuaremos inquietos. Só descansaremos verdadeiramente quando encontrarmos Cristo como fonte inesgotável de prazer.

Então, amigo, se você estiver lendo isso naqueles momentos em que as trevas abraçam a alma e as colunas de fogo desapareceram, clamo-te algo: abrace a verdade de que não há verdadeira alegria no pecado. 

Você bem sabe que, depois do segundo desse prazer assassino, satanás te injetará culpa e roubará qualquer fagulha que te reste de felicidade. Basta lembrar-se das vezes passadas em que você buscou beber do doce veneno do pecado para aplacar sua sede: você não foi satisfeito, foi intoxicado. Lembre-se da repreensão ao povo de Jerusalém: ”Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o SENHOR. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas” (Jr 2:12,13).

Somos, muitas vezes, como os israelitas. Abandonamos Deus, a fonte de águas vivas, o verdadeiro manancial; e, além disso, procuramos saciar-nos com os poços sujos e rasos do pecado. Saiba: existe um banquete inestimável de alegria a sua disposição. Muitas vezes não percebemos isso por que já estamos satisfeitos de nos alimentarmos com o lixo que encontramos (ou que buscamos). Desconecte-se da internet, solte a revista, desligue o DVD; ponha-se sobre seus joelhos e busque a face do dono de todo prazer. “… na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl 16:11).

Além disso, abra sua Bíblia e busque, como um cão faminto, todo conhecimento de Deus que puder. Só sabendo quem Ele é e o que Ele fez por nós em Cristo é que teremos nossa felicidade restaurada. Davi pecou sexualmente contra Bate-Seba e escreveu: “Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a te obedecer” (Sl 51:12). Apenas com essa alegria teremos um espírito pronto a obedecer a Deus. Ore como Davi e busque nas Escrituras os motivos certos e as fontes corretas e alegria. “… amo a tua lei” (Sl 119:113) – Apenas nela há prazer.

- por Yago Martins
Fonte: Yago Martins

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Como Estudar Teologia? (parte 4 - Como ter Proveito nos Estudos)


Clique para ler: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5, parte 6

Temos aprendido sobre algumas características que o todo cristão deve atentar durante o estudo teológico. Todavia, por ingenuidade ou por crença de que a teologia nada mais é do que um simples meditar na Escritura, muitos têm negligenciado fatos e pontos de suma importância e que poderiam, se fossem acolhidos, em muito beneficiar.

Desta forma, importa, antes de abrirmos caminho em meio às dúvidas sobre por onde e como iniciar a jornada, tratarmos de aconselhar o peregrino sobre algumas ferramentas que deve buscar ter consigo, a fim de obter maior proveito nos estudos. Evidente que o ideal é a reunião de todas as recomendações abaixo, mas caso não seja possível, se esforce para alcançar as que você possui disponibilidade.

1. Entenda qual seu modo de aprender

Talvez você já tenha feito a seguinte pergunta: por que eu não consigo aprender certas coisas e não gravo as coisas importantes? Se isto lhe é familiar, saiba que você não está sozinho e que há como melhorar.

Devido ao pecado original, aprender é sinônimo de empreender, isto é, não é algo que acontece com facilidade. Antes da queda do homem, a Adão havia sido dada a tarefa de lavrar e guardar o jardim do Éden (Gn 2.15) e em nenhum momento nos é dito que ele teria dificuldades para executar tal ordem, pois a terra não estava desfigurada pelo pecado e o homem estava continuamente na presença santa e bendita de Deus. Não lemos qualquer relato que forneça alguma abertura à ignorância de Adão e Eva. "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26a). Esta imagem e semelhança são retratadas na continuação do versículo, que diz: "e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra" (Gn 1.26b). Tais características colocadas em nossos primeiros pais os habilitavam a exercer domínio sobre as demais criaturas, de modo que a eles era incumbido o dever de reger a terra. Uma vez que foram criados à imagem e semelhança de Deus, eram aptos para trabalhar segundo a ordem divina.

Após a queda, porém, lemos que do "suor do teu rosto comerás o teu pão" (Gn 3.19). A partir desta terrível desobediência (ainda que sob a soberania de Deus), tudo se tornou dificultoso; o pecado amargou a vida na terra; o homem que anteriormente somente se alimentava de plantas (Gn 2.16-17) e convivia em harmonia com os animais (Gn 2.19), passou a ter autorização para os matar e deles se alimentar (Gn 9.3).

O Senhor nos ensina na passagem anterior que o viver para o homem seria algo penoso e mui frequentemente exaustivo. Entretanto, vemos que o Eterno não retirou todo o saber de Suas criaturas, de modo que os homens poderiam aprender (sempre pela graça divina) o modo correto de executar as tarefas.

Neste diapasão, o estudante de teologia precisará buscar entender por quais maneiras ele aprende. De maneira geral, são cinco as formas pela qual Deus formou o homem e o capacitou para aprender [1]: vendo, ouvindo, falando, escrevendo e meditando. Vemos na Bíblia que assim o Senhor trata com os homens:

- Ver: "E chamou Moisés a todo o Israel, e disse-lhes: Tendes visto tudo quanto o SENHOR fez perante vossos olhos, na terra do Egito, a Faraó, e a todos os seus servos, e a toda a sua terra" (Dt 29.2 - grifo do autor);
- Ouvir: "Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis, e guardá-los-eis, para os cumprir" (Dt 5.1 - grifo do autor);
- Falar: "Fala agora aos ouvidos do povo" (Êx 11.2 - grifo do autor);
- Escrever: "Assim diz o SENHOR Deus de Israel: Escreve num livro todas as palavras que te tenho falado" (Jr 30.2 - grifo do autor);
- Meditar: "Bem-aventurado o homem que... tem o seu prazer na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite" (Sl 1.1-2 - grifo do autor).

Desta forma, mesmo que todos aprendam parcialmente com todas estas capacidades dadas pelo Artífice, mister é que o leitor verifique em qual (ou quais) meio consegue aprender melhor.

Você aprende com maior facilidade quando se recorda onde viu alguma coisa (lhe vem à mente uma palavra em destaque no meio do texto, o professor anotando no meio do quadro...)? Quando procura se lembrar, consegue revolver a memória e parece ouvir determinada pessoa explicando alguma coisa? Se recorda com facilidade de uma conversa que teve sobre o assunto e se lembra de ter falado determinas palavras? Memoriza facilmente algum grifo que fez na Bíblia ou em algum rascunho no caderno? Após algum tempo de meditação na Palavra de Deus, você está mais apto na compreensão do antes de começar?

Cito-me para ilustrar: tenho grandiosa dificuldade para falar sobre temas dos quais nunca escrevi alguma coisa. Pela graça de Deus, não teria sérios problemas para falar e dar alguma aula sobre a soberania de Deus e a importância desta doutrina na vida prática, pois já escrevi várias vezes sobre isso. Certamente, pela graça e misericórdia de Deus, nem mesmo precisaria de algum esboço. Todavia, não obteria qualquer êxito em arrazoar sobre a geografia bíblica, por exemplo, porque nunca me pus a escrever sobre. Até mesmo com um rascunho eu estaria perdido.

Portanto, antes de iniciar seus estudos (ou logo após), certifique-se de como você aprende e fixa melhor o que compreende.

2. Reserve algum dinheiro

Quando Jesus expunha as dificuldades que Seus discípulos teriam ao segui-Lo, usou a seguinte ilustração: "Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?" (Lc 14.28). O intento de Cristo era evidente: o cristão deve se certificar de que ao iniciar sua empreitada na vida cristã - não somente nos estudos -, deverá estar consciente das dificuldades e provações que passará.

É de vultosa importância você atentar para o fato de que os bens, neste mundo, se compram com dinheiro. Ainda que existam cada vez mais mídias eletrônicas gratuitas (livros em PDF, e-books, site com artigos), o bom e velho livro físico sempre estará em uso e será necessário os adquirir (ou ao menos levará muito tempo para eles serem substituídos). Não intente focar seus estudos com base, somente, no que está disponível gratuitamente. Vale lembrar, outrossim, que se algo é gratuito para alguém, significa que outrem está pagando para que muitos possam usufruir deste bem.

Se você for um leitor diligente e assíduo, tenha a certeza de que investirá, literalmente, milhares de reais em livros. É verdade que, muitas vezes, os livros custam caro, pois os altos impostos e a baixa demanda por livros de teologia (livros sérios, boas obras), fazem com que o preço seja elevado. Mas procure os comprar - você não adquire livros para sua profissão e faculdade? Ademais, não tenha uma mentalidade alienada que pensa existirem editoras cristãs somente com foco no lucro. Ao longo do tempo você perceberá e conhecerá pessoas que trabalham ou eventualmente possuem alguma editora e notará que, embora tirem deste ofício o seu sustento (e que mal há nisso?), a batalha é grande para o avanço do Evangelho.

Não há como precisar a quantia que você despenderá para iniciar uma biblioteca sadia. Certifique-se, ao menos, que tem disponibilidade de investir algum dinheiro por mês ou a cada fração de tempo determinado. Não é necessário e nem financeiramente recomendado, comprar inúmeros livros de uma só vez. Vá adquirindo aos poucos, procure por promoções, visite livrarias, troque livros com seus amigos. Se realmente não tiver condições, procure ajuda - certamente aparecerá algum bom samaritano.

Quando a tentação lhe assaltar para não comprar livros e investir em alguma trivialidade, traga à memória a exortação de Cristo: "que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?" (Mt 16.26; Mc 8.36).

3. Separe um tempo específico para estudar

A agitação da vida cotidiana, o trabalho, o estudo, a família, os amigos, os problemas... tudo isto tende a nos levar a exaustão e completa desordem de nossa vida. Mas a palavra do Senhor nos diz: "Porque Deus não é Deus de confusão... faça-se tudo decentemente e com ordem" (1Co 14.33, 40). Precisamos ter uma ordem em nossos afazeres. Seja qual for a metodologia que você adotar, busque maximizar seu tempo para a glória de Deus (Ef 5.16; Cl 4.5).

Jesus Cristo nos revela este caráter de ordem e sobre ter um momento apropriado: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente" (Mt 6.6). Sendo Deus soberano, Ele poderia ter dito que quando oramos, seja em que momento e onde for, o importante seria meditar em Sua palavra. Todavia, qual homem, por mais santo que seja, consegue meditar nas Escrituras (de modo sério e digno) andando de ônibus, dirigindo ou fazendo compras, por exemplo? Ainda que devamos meditar e fazer todas as coisas para a glória de Deus (1Co 10.31) - e isso inclui, literalmente, todas mesmo -, é necessário separar  um tempo para o estudo. Se Cristo ordenou que nos retirássemos para oração e devoção, nenhuma esquiva há para não realizarmos o mesmo com o estudo, pois como vimos no primeiro capítulo, o estudo é o meio que visa atingir uma finalidade.

É verdadeiro que muitíssimas vezes, talvez durante anos, o estudante terá pouquíssimo tempo durante a semana de trabalho para se dedicar ao estudo bíblico. Mas pense em quantos não cristãos, no afã de "buscarem seus sonhos", se privam do sono, acordando mais cedo e dormindo mais tarde, tudo para conquistar bens "onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam" (Mt 6.19)? Não deveríamos os superar em muito? Se ainda assim sua semana lhe permite pouco ou nenhum tempo para o estudo, aproveite um dos melhores meios que o Senhor legou aos Seus filhos: o dia do Senhor.

O dia do Senhor é a aplicação do quarto mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus" (Êx 20.8-10). Sob o Novo Testamento, vemos que os discípulos já não observavam mais o sétimo dia (a palavra sábado significa descanso, e não sábado literal), e sim o primeiro - veja Jo 20.19; At 20.7; 1Co 16.2. Portanto, aproveite o primeiro dia da semana (nosso domingo) para, dentre as coisas permitidas [2], estudar a Bíblia, ler bons livros e meditar no evangelho. Possuímos seis dias para trabalhar e fazer "toda a tua obra" - "Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus".

4. Procure ter um segundo idioma

Conforme seus estudos tomem forma e progridam em intensidade e conhecimento, mui possivelmente você se deparará com um disparate inimaginável: a quantidade ínfima de bons livros que existem em nosso vernáculo, quando comparados à língua inglesa, por exemplo. Não há como precisar uma escala, mas penso não ser exagero afirmar que para cada 100 bons livros de teologia traduzidos para o português, existam 10.000 não traduzidos. O que isso significa? Significa que seus estudos poderão render muito mais, caso você aprenda um novo idioma. Certamente existem bons, piedosos e úteis escritores em nosso idioma, mas eles são uma pequeníssima fatia do grandioso monte.

Para caso o leitor se desculpar de que tal empreitada é demasiadamente difícil, pense na seguinte situação hipotética: se lhe fosse oferecido um emprego com ganhos mensais na faixa dos milhares de reais e que para o conquistar você precisaria confirmar sua proficiência em outra língua, além do português. Certamente que poucos titubeariam ante tal oportunidade, mesmo que demandasse longas noites sem dormir. Bem, se assim é, porque não se esforçar para ajuntar "tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" (Mt 6.20)?

Pode ser que neste momento você não veja necessidade de aprender uma segunda língua, pois crê que seus estudos nunca alçarão voo tão alto - mas não subestime o poder do Senhor; "Porque, que é a vossa vida?" (Tg 4.14). Lembre-se de que "os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR" (Is 55.8). Ainda que você não creia ser necessário, se seu intuito é glorificar ao Senhor e ser um cristão piedoso, firme nas batalhas e que conhece a palavra do Altíssimo, olhe para o que Paulo escreveu a Timóteo: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 2.15 - grifo do autor).

Muitíssimos são os livros - comentários, exegeses, doutrina - que somente estarão disponíveis noutras línguas, de modo a ser de grande valia o conhecê-las.

5. Busque a compreensão de sua família

A família é uma instituição divina e sustentáculo da sociedade. O puritano Thomas Adams (1583-1652) expressou: "Assim como pela criação, Deus, de um fez dois, pelo casamento, Ele, de dois fez um". [3] O casamento que posteriormente, segundo a graça e fecundidade que o Senhor intenta agraciar os cônjuges, tende a gerar filhos, é uma das mais belas criações de Deus. Tão bela é esta criação, que a fim de não permitir que ela seja tratada com desdém, afirmou o Salvador: "o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19.6). Sendo os filhos "herança do SENHOR" (Sl 127.3) e "Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava" (Sl 127.5), não é de pouca monta prezar pela unidade familiar e isto, certamente, inclui o estudo teológico.

De acordo com os passos que você seguir, Deus lhe guiará sobre qual direcionamento tomar. Talvez o Senhor lhe chame para o ministério de tempo integral - ainda que todos os crentes devam exercer seu cristianismo e serem missionários vivos -, o leve a ser um pregador transcultural ou ainda um profícuo escritor de livros. Seja como parecer bem aos olhos de Deus, exigirá esforço, abnegação e diligência de sua parte.

Quando começar seus estudos, informe sua família sobre isso - até mesmo para entenderem o porquê de você passar tanto tempo lendo e investindo dinheiro em livros (geralmente isto é visto com maus olhos, infelizmente). Diga-lhes que compreendeu a necessidade de conhecer o Senhor e também os anime a fazer o mesmo. Muitas vezes eles não entenderão e piamente crerão que você tem dedicado muito tempo aos livros (atente para o ponto 7 em seguida) - nesta horas, seja cortês e lembre-se de honrar pai e mãe (quinto mandamento - Êx 20.12), mas busque os incentivar a lhe ajudar.

Procure demonstrar que quando alguém lhe pergunta sobre o que você deseja ganhar de presente e sua resposta é, "um livro de teologia", você está mentalmente sadio e deseja glorificar a Deus através do estudo. Faço questão de frisar bem este assunto, pois, lamentavelmente, seria muito mais fácil ser presenteado com algum celular novo, do que com um comentário bíblico.

Se você for casado, informe seu cônjuge sobre a importância de estudarem juntos a Escritura. Se acaso seu cônjuge não for convertido, peça graça ao Senhor e fale a ele que deseja e precisa comprar livros e se dedicar a Deus - poderá ser um excelente meio de testemunhar. Para o caso do homem e/ou pai da família, toda vez que comprar novos livros, certifique-se de que não está comprometendo o orçamento familiar e converse piedosamente com sua esposa, de modo que se ela não entende o porquê de tantos livros não lidos na estante, possa passar a enxergar de modo diverso.

Quando eventualmente não puder ir a algum lugar devido aos estudos ou porque precisa preparar um sermão a ser pregado, lembre-se de que "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão" (Mc 13.31).

6. Ame a Deus e Sua palavra

Cristo foi sublime: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento" (Mt 22.37). Nosso Salvador, quando pronunciou tais palavras, ecoava a passagem de Deuteronômio 6.5. Por que Ele fazia menção à lei? Porque Ele mesmo era a Lei: "São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos" (Lc 24.44).

Todo cristão precisa amar a palavra de Deus. O salmista escreveu: "Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia" (Sl 119.97). Você consegue dizer o mesmo? Ao olhar para a Bíblia Sagrada, sente profundos desejos de tê-la em seu coração, de modo a por ela poder ser guiado? No momento da aflição, você fará bem em suplicar como o salmista: "Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó SENHOR, segundo a tua palavra" (Sl 119.1107) Adiante ele também exclama: "Chegue a ti o meu clamor, ó SENHOR; dá-me entendimento conforme a tua palavra" (Sl 119.169).

Estudar teologia é muito diferente de se estudar para algum concurso ou a fim de passar nalguma prova. Não se estuda a palavra de Deus para enriquecer, para debater, para abundar de conhecimento - se estuda para negar-se a si mesmo e levar corretamente a cruz de Cristo (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 9.23). Todavia, só é possível trilhar os passos de Cristo se O amamos.

Muitas pessoas reclamam sobre não conseguirem estudar teologia, afirmando que não conseguem ter prazer em ler livros bíblicos e passar algum tempo meditando. Receio, porém, que este fato esteja ligado à falta de amor a Deus. Os tais conseguem passar horas a fio em frente à televisão ou aproveitando incorretamente o tempo dado por Deus (Ef 5.16), mas se justificavam dizendo que possuem dificuldades para ler a Bíblia e livros teológicos.

Se isto acontece com você, inicie seus estudos e peça ao Senhor para que aumente seu amor por Ele. Como Davi, rogue ao Pai celestial: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário" (Sl 51.12).

7. Tenha um tempo de lazer

A Bíblia é categórica: "O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher" (1Co 7.32-33). Seja você solteiro ou casado, deve viver para a glória de Deus (1Co 10.31). Os solteiros devem ser muitíssimos mais ativos na obra exterior do evangelho, pois dispõem de maior tempo livre (não se furte desta obrigação - Deus a requererá no dia do juízo). Os casados vivem também para o evangelho, mas com menos tempo para determinados tarefas, visto que possuem uma casa e uma família para cuidar, guardar e ensinar.

Entretanto, isto não significa que o estudante não deva ter tempos de lazer sadio. A Escritura nos diz que "Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca sua mulher" (Gn 26.8). Isaque, o filho da promessa, o nobre homem a quem Deus grandemente abençoava (Gn 26.12-14), também se divertia. Ainda mais: se divertia junto de sua esposa.

Caso o leitor já tenha contraído matrimônio, queira ser admoestado a passar proveitosos momentos com seu cônjuge. A obrigação de o homem reger a casa e a guiar na sã doutrina, não significa que em seu lar devem imperar somente aulas sobre as histórias bíblicas e discussões acerca da flexão de verbos em grego. Aprenda que há "Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar" (Ec 3.4). Esforce-se para que o estudo o leve a amar mais a Deus e sua família.

E se o leitor for pessoa solteira, também entenda ser importante ter tempos de descontração saudável. Não pense que se isolar (lembre do ostracismo) será a melhor solução e o modo pelo qual terá maior proveito. Em certos casos, aceite dizer "sim" para uma confraternização entre irmãos e "não" para o estudo - por quê? Porque seus irmãos em Cristo também precisam de você e o inverso também é verdadeiro. "Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união" (Sl 133.1).

8. Participe de um grupo de estudos

No livro de Atos dos apóstolos, nos é relatado o fato de algumas pessoas estarem ensinando sobre a necessidade de se circuncidaram fisicamente e os que assim não procedessem, não poderia ser salvos (At 15.1). Como deveriam zelar pela correta proclamação do evangelho, Paulo, Barnabé e alguns dentre eles, tiveram por bem ir até Jerusalém e discutir sobre esta e outras questões (At 15.2). Nos diz a palavra: "Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto" (At 15.6).

Um grupo de estudo pode ser de grande valia para você. O objetivo não será debater incessantemente (já vimos no capítulo passado sobre este perigo), mas a exortação mútua e a busca do bem em prol do avanço do evangelho. O autor de Hebreus recomenda cristalinamente: "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado" (Hb 3.12-13).

Um grupo de irmãos piedosos estudando a palavra de Deus pode ser comparado ao exército de "homens muito valentes, que traziam escudo e espada, e entesavam o arco, e eram destros na guerra" (1Cr 5.18). Como o apóstolo, queira ter prazer na companhia dos santos: "Folgo, porém, com a vinda de Estéfanas, de Fortunato e de Acaico; porque estes supriram o que da vossa parte me faltava" (1Co 16.17). Tais reuniões também servirão para encorajamento mútuo na peleja pelo evangelho - "Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações" (Ef 1.15-16).

9. Alimente-se corretamente

Somos informados: "E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente" (Gn 2.7). O homem fora criado "do pó da terra" e recebera "o fôlego da vida", mas isso não significou que ele não deveria se alimentar.

O pastor e teólogo David Murray, em seu livro "Crente também tem depressão" [4], afirma que muitos cristãos o procuram, afirmando estarem severamente depressivas. Após uma primeira e breve conversa e algumas perguntas, Murray frequentemente chega à seguinte conclusão: as pessoas estão se alimentando mal, ficando doentes e interpretando os fatos erroneamente. O pastor chega a citar pessoas que diziam estar realmente precisando de ajuda espiritual, quando o que realmente necessitavam era passar um pouco mais de tempo ao sol e se alimentar melhor. Nossos corpos precisam ser cuidados e a criação de Deus fornece subsídios para isso.

Paulo nos faz uma pergunta retórica: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1Co 3.16). Entenda que necessitamos nos alimentar corretamente. Uma má alimentação não somente nos fará mal, como é uma violação ao sexto mandamento: "Não matarás" (Êx 20.13). Como cristãos, necessitamos ter em mente que violamos este mandamento de Deus quando não cuidamos do corpo que Deus nos deu. Frequentemente, é verdade, nos esquecemos disso e cremos que o importante é o coração, o interior do homem - para tanto, citamos até mesmo versículos bíblicos como 1Samuel 16.7. Todavia, quando ingerimos péssimos alimentos, além de maltratarmos nosso corpo (e depois oramos para o Senhor nos curar ou nos ajudar a emagrecer), prejudicamos seriamente o estudo da palavra. É ponto estabelecido que uma má alimentação e a falta de exercícios físicos afetam a memória e o aprendizado.

Lembremos de que tudo deve ser feito para a honra e glória do Senhor - "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31 - grifo do autor).

10. Aprenda a viver contente

Se você já iniciou algum estudo ou curso, como pintura em tela, teoria musical ou o aprendizado de algum instrumento, sabe que não há nada mais decepcionante do que olhar para o expoente na área e compará-lo consigo mesmo - muitas vezes é desencorajador. Assim é porque se olha para o habilidoso e o desejo de ser como ele é tão grande, que tendemos a desanimar na posição em que estamos; parece-nos que jamais conseguiremos o alcançar. Aprendamos, porém, com o apóstolo, que após uma vida inteira de lutas pelo evangelho, afirmou: "aprendi a contentar-me com o que tenho" (Fp 4.11).

Procure sondar seu coração e se certificar de que sua admiração por outrem não constitui violação ao décimo mandamento: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17 - grifo do autor). É lícito desejar crescer em graça, conhecimento e virtude espiritual, mas acautele-se para não pecar, pois a raiz da cobiça é a ingratidão a Deus.

Ademais, quando olhar ao redor e ver que muitos outros, até mesmo irmãos em Cristo, parecem estar em uma situação financeira melhor ou aparentarem não passar por todas as vicissitudes a qual você enfrenta, permaneça na Palavra, pois "Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração" (Sl 73.1). Pelas sempiternas benesses do Altíssimo, procure o ideal bíblico: "Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece" (Fp 4.12-13).


Notas:
[1] Quando falamos em maneira geral e listamos apenas cinco, é devido ao fato de outras pessoas aprenderem, por exemplo, com o tato, precisando ter proximidade com os objetos para lembrar posteriormente; outros recordam mais facilmente mediante o olfato; ainda outros possuem fortes marcas de sentimentos que tiveram no passado. Muitas formas poderiam ser listadas, de modo que vemos a grandiosa obra da criação!
[2] Para mais, leia o estudo "O Quarto Mandamento e o Dia do Senhor", disponibilizado no blog do autor.
[3] http://www.thegracetabernacle.org/quotes/Marriage-One_Flesh.htm (acessado dia 28.05.2013 às 15:30 - tradução livre).
[4] Publicado pela Editora os Puritanos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Devemos Temer o Número 666?


Amado e precioso leitor! Meu sincero desejo com esse pequeno artigo é expor a verdade e refutar erros comuns ligados à marca da besta. Deixo registrado que de modo algum pretendo ser prepotente ou tratar o assunto com leviandade - ainda que não seja exaustivamente abordado neste momento. Precisamos, de acordo com o Espírito Santo, entender o que significa - ou ao menos dar bons apontamentos do que não significa - o número seiscentos e sessenta e seis na Bíblia Sagrada. Para isso, comecemos com as seguintes preposições.

Em primeiro lugar, o número seiscentos e sessenta e seis - 666 - aparece somente quatro vezes em toda a Bíblia (Esdras 2.13, 2 Crônicas 9.13, 1 Reis 10.14 e Apocalipse 13.18). Em segundo lugar, das quatro vezes em que é mencionado, somente em Apocalipse é que este número é ligado à besta. Na passagem de 1 Reis, por exemplo, lemos: "E o peso do ouro que se trazia a Salomão cada ano era de seiscentos e sessenta e seis talentos de ouro". Certamente que seria completa insanidade ligar Salomão à besta ou dizer que todo aquele ouro era amaldiçoado simplesmente porque a contagem numérica chegou àquele patamar. Desta forma, precisa estar fixo em nossa mente que o número 666, por si só, não representa coisa alguma se não estiver ligado à besta - uma casa com este número, um quarto de hotel ou uma conta para se pagar com esta quantia, de forma alguma indica que determinada pessoa é amaldiçoada e que não tem parte com Deus.

Para quem foi escrito o Apocalipse segundo João?

Assim inicia o livro de Apocalipse - cuja palavra "apocalipse" significa "revelação" -: "Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto" (Ap 1.1-2).

João nos diz que a visão que recebera foi vinda "de Jesus Cristo" e com a finalidade de "mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer". A Bíblia nos diz que "Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo" (Ap 1.3). Mas o apóstolo acrescenta algo mais e nos diz a quem, mais especificamente, sua carta foi dirigida: "João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono" (Ap 1.4 - grifo meu). 

Aprendemos, portanto, que: 1. a visão não foi invenção de João, mas, sim, revelação de Jesus Cristo; 2. foi para benefício de todos os servos de Deus (até mesmo para nós - veja 2Tm 3.16-17); 3. que os cristãos deveriam guardar as coisas que foram reveladas; 4. que os destinatários primários foram as sete igrejas que estão na Ásia. Sobre estas igrejas, João nos diz quais são: "Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, Que dizia: Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o derradeiro; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia" (Ap 1.10-11 - grifo meu).

Qual a situação política nos dias de João?

Tenhamos em mente que os últimos tempos começaram com a vinda de Cristo. Os últimos tempos não são exclusivamente o nosso século XXI. Nós vivemos nos últimos tempos assim como a igreja do Novo Testamento vivia, porque assim lemos evidentemente: "Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho" (Hb 11.1- grifo meu); "O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" (1Pe 1.20 - grifo meu). Os últimos tempos, portanto, começaram com Cristo e desde aquela época os cristãos os vivem. Não há qualquer razão para acreditarmos que nós estamos na iminência do fim do mundo, pois muitas promessas ainda não foram cumpridas e toda sorte de devassidão descrita na Escritura já impera desde aquele tempo. De qualquer forma, sempre valerá o alerta precioso do Salvador: "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir" (Mt 25.13).

Importa, entretanto, ainda fazer outro adendo, a fim de explicar melhor o que se passava nos tempos em que João escreveu. Paulo escreveu à igreja em Tessalônica: "Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão" (1Ts 5.1-3 - grifo meu). O profeta Amós assim alertou a Israel: "Ai daqueles que desejam o dia do SENHOR! Para que quereis vós este dia do SENHOR? Será de trevas e não de luz" (Am 5.18). Em Sofonias também reverberou: "Acontecerá que, no dia do sacrifício do SENHOR, castigarei os príncipes, e os filhos do rei, e todos os que se vestem de trajes estrangeiros" (Sf 1.8).

Isto nos ensina que tal qual os profetas do Antigo Testamento anunciavam periodicamente (conforme Israel se desviava) que a ira de Deus, isto é, o dia da visitação do Senhor para punir a iniquidade, estava próximo, também o apóstolo Paulo alertou àquela igreja em Tessalônica sobre que o dia do Senhor viria como "o ladrão de noite" e para isso lhes dá um indicativo de quando isto aconteceria: "Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição". Mas desta vez não viria para punir a Israel, e sim os que afligiam o Seu povo.

Sabemos, de modo muito evidente (relembre dos evangelhos e de Paulo), que os romanos é quem governavam nos dias do Novo Testamento - tanto que os judeus convertidos eram levados ao concílio romano, tal qual foi Cristo guiado à frente de César (Jo 19.12). Os romanos, apesar de permitirem os judeus de seguirem a tradição de Moisés, não os permitiam ter confronto com outra autoridade, senão César. Noutras palavras, os romanos conferiam liberdade aos judeus, desde que eles não usassem desta liberdade para pregar contra a autoridade do Rei - eis o motivo pelo qual os apóstolos foram tantas vezes presos e admoestados para não mais pregar, o que de pronto não obedeceram, pois "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.29).

Aprendemos, aqui, que nos tempos iniciais do Novo Testamento, muito em breve a Igreja de Cristo passaria por uma grande tribulação, de modo que Jesus mesmo disse, demonstrando total harmonia com a carta de Paulo à igreja em Tessalônica: "Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim... Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos" (Mt 24.5-6, 24). Assim como Paulo alertou sobre o perigo dos crentes confiarem na suposta paz que lhes seria pregada, Cristo enfatiza o que verdadeiramente estaria ocorrendo, isto é, haveria rumores de guerras e o surgimento de muitos "falsos cristos e falsos profetas".

Quando ocorreu esta guerra? Jesus responde no início do capítulo 24, o qual dá aso a todo o restante de Sua explicação: "E, quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Jesus, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada" (Mt 24.1-2 - grifo). Quando o templo foi destruído, isto é, quando foi que ocorreu aquilo que se predissera ocorrer (os rumores de guerra)? A resposta é objetiva: "No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos" (Dn 9.2). Que ligação possui essa profecia de Daniel com a destruição de Jerusalém? O próprio Cristo novamente responde: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo" (Mt 24.14-15). Quando houve a destruição de Jerusalém e do templo, o "fim" se iniciou.

Figuras simbólicas

Feitas estas considerações, precisamos nos recordar de que o livro de Apocalipse é recheado de figuras simbólicas, de modo que é grandemente temerário se achegar diante dele sem a devida precaução. Precisamos o ler com grande consideração ao significado intentado por João e perscrutar o que significa cada detalhe por ele apontado. Se assim não procedermos, correremos o sério risco de crer, por exemplo, que o culto nos céus com Deus será semelhante à bestial e falsa igreja católica romana, pois Apocalipse descreve um altar (6.9; 8.3, 5; 9.13; 11.1; 14.18; 16.7), incenso (8.4), trombetas (1.10; 4.1; 8.13; 9.14), harpas (5.8; 14.2; 15.2) e ainda a arca da aliança (11.19). Todas as coisas, logicamente, são figuras de linguagens - e ainda que todas as coisas possam estar presentes nos céus, elas representam aquilo para o qual seu significado aponta, como se lê: "E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos" (Ap 5.8 - grifo meu).

A Bíblia revela dois tipos de besta

Um erro comum é se referir à besta com sendo apenas uma, quando, na verdade, a Bíblia nos fala de duas. 

O capítulo bíblico em que é relatado o número 666, diz assim: "E vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder, e o seu trono, e grande poderio" (Ap 13.1-2 - grifo meu). A palavra "besta", em grego é "qhrivon" (Therion) e significa "um animal selvagem, besta selvagem, besta; metáfora de um brutal, homem bestial, feroz". [1] Esta palavra usada por João faz todo o sentido, pois logo após ele diz que "a besta que vi era semelhante ao leopardo". Ora, o leopardo é um animal da selva, um animal feroz.

Há, porém, outro animal que é relatado logo em seguida: "E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela?" (Ap 13.4). Quem seria este dragão? A Bíblia nos fornece cristalina resposta: "E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás" (Ap 20.1-2 - grifo meu). O motivo de João ter descrito "Diabo" e "Satanás", é devido ao fato de "Diabo" (diavboloß - Diabolos) significar "propenso à difamação, caluniador, acusador falso; metáfora aplicada ao homem que se opõe à causa de Deus" [2] e é a mesma palavra usada muitas outras vezes no Novo Testamento, dentre elas 1Tm 3.11: "Da mesma sorte as esposas sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo" (grifo meu); e a palavra "Satanás" (Satana'ß - Satanás) tem a tradução de "adversário, o nome dado ao príncipe dos demônios, o incorrigível adversário de Deus e Cristo" [3] e também usada em muitos outros textos do Novo Testamento, a exemplo de 1Tm 1.20: "E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar" (grifo meu). O que João intentava transmitir aos irmãos a quem escrevia era o fato de o mal ser o Diabo e Satanás, isto é, o mal é personificado na pessoa de Satanás, que é incorrigível, difamador e caluniador de Deus.

Assim sendo, amado leitor, atente para o fato de que a besta não é Satanás. Por favor, anote isto. A Bíblia nos diz claramente que Satanás é "o dragão, a antiga serpente". 

Se Satanás é o dragão, quem é a besta?

Para nos desvencilharmos desta dúvida, continuemos e apontemos para a segunda besta que João revela: "E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão" (Ap 13.11 - grifo meu). Tendo em vista que o propósito deste pequeno artigo não é esmiuçar o Apocalipse por completo, fiquemos com a verdade claramente revelada que, enquanto a primeira besta tinha sobre "suas cabeças um nome de blasfêmia", ou seja, claramente maligna, a segunda besta "tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão", aparentemente demonstrando maior sutileza e com traços de suposta bondade, afinal, o cordeiro é um animal que faz referência a Cristo, de modo que isto se comprova no fato de João usar a palavra "cordeiro" (ÅArniv - Arnion) vinte e sete vezes em seu Apocalipse [4], sempre com referência a Jesus e Sua Igreja.  Esta segunda besta é uma mistura de acertos e erros, pois tem aparência de cordeiro, mas fala como o dragão. Desta forma, claramente vemos que a besta era e é o império romano e que posteriormente deu origem à falsa igreja católica romana. A besta serve à Satanás, pois fala como o dragão.

O número 666

Tendo vista que a besta era (e é) o império de Roma (que se perpetua na face da "Igreja Católica Romana"), avancemos. 

Sobre a segunda besta, João viu que ela "exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta" (Ap 13.12 - grifo meu). Daqui se depreende o entendimento de que a primeira e a segunda besta, embora distintas, estão ligadas e agem com o mesmo propósito: "engana[r] os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse" (Ap 13.14). O propósito da besta (agora entendido de modo geral) é levar ao engano e ao erro. Quem era a besta? O império romano.

E João nos diz o que a besta faz com todos aqueles a quem engana: "E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome" (Ap 13.16-17). Vimos anteriormente que a besta não é Satanás, embora esteja a serviço do mesmo. Mas a primeira pergunta que devemos fazer a este texto é: quem são os pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos que foram feitos escravos da besta? Para responder, basta voltarmos alguns versículos e lermos: "E adoraram-na [a besta] todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8).

Aqui temos um ponto de excelsa e magnífica beleza a todos os cristãos: somente adoraram a besta os que "não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo" (grifo meu). Isto se traduz em dizer que de modo algum os verdadeiros crentes, fieis em Cristo Jesus, foram (ou serão) enganados nos tempos de João pela besta, a falsa doutrina de Roma, pois o modo pelo qual João se refere aos crentes é diferente, conforme no evangelho segundo João: "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24 - grifo meu). Também o apóstolo Paulo ecoa a mesma doutrina: "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef 1.4 - grifo meu). Igualmente o apóstolo Pedro: "O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós" (1Pe 1.20 - grifo meu). Vemos que os três apóstolos concordam que Cristo "foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13.8) e os crentes foram eleitos "nele antes da fundação do mundo". Também João diz que os que adoraram a besta foram aqueles "cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro" (Ap 13.8), de modo que podemos seguramente concluir que somente os não cristãos e os falsos seguidores de Cristo, foram (e serão), no tempo de João, enganados pela besta, isto é, creram mais em Roma do que na Palavra do Senhor. Com certeza mais do que absoluta, todos os fieis e genuínos filhos de Deus se mantiveram incólumes e não se enredaram no erro. Tamanha é esta verdade que lemos: "Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, e eleitos, e fiéis" (Ap 17.14).

Sobre o número 666, João é explícito: "Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis" (Ap 13.18).  Não devemos crer que esta "sabedoria" e "conhecimento" sejam humanos, isto é, que um simples cálculo poderia revelar a Verdade. A Bíblia nos diz: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente" (1Co 2.14).

Assinalemos o que esta passagem nos diz.

1. A besta possui um número. João escreveu às sete igrejas para lhes dizer aquilo que Cristo lhe havia revelado, pois este foi o mandamento que recebeu: "e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas" (Ap 1.11 - grifo meu). Mas uma pergunta nos incomoda, pois se João deveria escrever e enviar às sete igrejas, por que enviaria uma carta dizendo: "Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta"? Não seria mais objetivo ter dito o que este número significava? 2. É o número de um homem. Após revelar aos irmãos das igrejas que a besta possuía um número, lhes registra que "é o número de um homem". A palavra "homem" significa realmente alguém da raça humana, conforme pode ser claramente conferido junto ao grego bíblico. [5] Daqui aprendemos que o número está necessariamente ligado a alguma pessoa, não podendo qualquer intérprete da Bíblia afirmar que o número está ligado a algum misticismo. Este precisa ter ligação específica com alguma pessoa. 3. Seu número é 666. Este homem que estava ligado à besta, tinha um número específico e que poderia ser identificado pelo mesmo.

O motivo pelo qual João escreveu que tal homem tinha por número 666, é claramente evidenciado pelo fato da igreja, no início do Novo Testamento, estar na iminência de sofrer uma grande perseguição (lembremos do motivo pelo qual Paulo não revela o que detém a manifestação do anticristo em 2 Tessalonicenses 2.5-6). João não escreveria em código para as sete igrejas se elas gozassem de paz e tranquilidade na terra. Havia uma situação de insegurança e João muito bem sabia. 

E o que dizer de ter o número marcado na mão direita ou na testa?

Logo acima vimos que João escreveu acerca da marcação na mão direita e na testa (Ap 13.16-17). A palavra usada para "mão" (ceivr - Cheir) tem um significado muito diferente do que comumente imaginamos, possuindo a seguinte tradução: "pela ajuda ou agência de qualquer um, pelos meios de alguém; figura aplicada a Deus, simbolizando Seu poder, atividade, poder; em determinar e controlar o destino dos homens". [6] Já a palavra "testa" (mevtwpon - Metopon) tem o mesmo sentido de nossa língua portuguesa - "o espaço entre os olhos, fronte". [7]

Como explicitado no início deste breve estudo, o livro de Apocalipse é recheado de símbolos que intentam transmitir uma realidade. Por isso, quando lemos sobre ter marcado a mão direita, é o mesmo quando lemos nos salmos: "A destra do SENHOR se exalta; a destra do SENHOR faz proezas" (Sl 118.16); "Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá" (Sl 139.10). Sobre ter a testa marcada, o mesmo se evidencia: "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR... E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração... Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos" (Dt 6.4, 6, 8 - grifo meu). Certamente que tal versículo não significava que o povo de Deus implantaria um microchip em seus corpos, pois isto sequer era possível.

Entendemos, assim, que a expressão "mão direita" e "testa", representam o ter a força e ser guiado pela besta que era é Roma. João alerta os crentes para que não se deixem levar pela falsa doutrina demoníaca de Roma. Sob nenhuma circunstância podemos creditar a João alguma referência a microchips, código de barras, cartões de crédito, tatuagens eletrônicas ou qualquer coisa semelhante, pois vimos claramente que sua carta possuía destinatários de sua época, de modo que se ele falasse em código de barras, por exemplo, que entendimento isso teria àquelas igrejas, sendo que esta tecnologia nem sequer era cogitada? João alertava os crentes sobre seguirem e serem guiados em falsas doutrinas e faremos bem se seguirmos o mesmo padrão.

A história nos mostra que o homem pecador deseja sempre acrescentar e/ou omitir à Escritura, o que é totalmente proibido por Deus (veja  Dt 12.32). Mas ninguém pode perpetuar uma mentira quando confrontado com a Escritura. E para o caso de algum leitor ainda ter alguma dúvida ou receio quanto aos microchips ou algum elemento desta natureza, reflita na seguinte doutrina bíblica: "Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação, Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 16-19). Se o sangue de Cristo foi o que resgatou os crentes do domínio do pecado, como poderia algum elemento material (um código, um chip, um cartão de crédito) destituir o lavar regenerador do Espírito Santo? Se isso pudesse acontecer, que fraco e débil sangue seria o de Cristo, a ponto de poder ser aniquilado por coisas deste mundo!

Portanto, querido crente, não tema especulações destituídas de base bíblica. Passe a bradar juntamente com o apóstolo, o qual evidenciou claramente sua convicção: "Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor" (Rm 8.38-29).

Que Deus nos abençoe.

Notas:
[1] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/therion.html (acessado dia 02.06.2013 às 19:20).
[2] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/diabolos.html (acessado dia 02.06.2013 às 19:40).
[3] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/satanas.html (acessado dia 02.06.2013 às 19:45).
[4] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/arnion.html (acessado dia 02.06.2013 às 20:00).
[5] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/anthropos.html (acessado dia 02.06.2013 às 20:45).
[6] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/cheir.html (acessado dia 02.06.2013 às 23:55).
[7] http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/metopon.html (acessado dia 03.06.2013 às 08:30).

segunda-feira, 3 de junho de 2013

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...