terça-feira, 8 de novembro de 2011

Não tememos o Homem - C. H. Spurgeon


"E todos os povos da terra verão que és chamado pelo nome do SENHOR e terão medo de ti".(Deuteronômio 28.10).

Não temos motivo para sentir medo dos homens. Temê-los demonstraria um espírito frágil e poderia ser entendido como incredulidade e não como uma atitude de fé. Deus pode nos tornar tão semelhantes a Si mesmo, que os homens serão forçados a perceber que realmente portamos o nome do Senhor e, na verdade, pertencemos a Jeová, o Santo. Oh! que obtenhamos essa graça que o Senhor deseja nos conceder!

Devemos estar certos de que os homens têm medo dos verdadeiros crentes. Os homens odeiam os verdadeiros crentes, mas também os temem. Hamã tremeu por causa de Mordecai, mesmo que procurou a destruição desse homem bondoso. Na verdade, o ódio dos homens surge de um temor sobre o qual eles são bastante orgulhosos para confessar. Sigamos o caminho da verdade e da retidão sem o menor temor.

O temor não é apropriado para os verdadeiros crentes, e sim para aqueles que praticam o mal e lutam contra o Senhor dos Exércitos. Se realmente somos chamados pelo nome do Deus eterno, estamos seguros; pois, assim como no passado um cidadão romano tinha apenas de falar "Romanus sum" (eu sou um romano), para invocar a proteção de todas as legiões do vasto império, assim também todo aquele que é um homem de Deus tem a onipotência como seu guardião. 

Será mais fácil Deus esvaziar o céu, removendo todos os anjos do que permitir que um crente fique sem defesa. Ó crente, seja mais bravo do que um leão, em favor daquilo que é correto, pois Deus está com você.

A Improcedência do Voto de Pobreza como Expressão Cristã, à Luz de Mateus 19.21


Com efeito, apresentam outro argumento de sua perfeição que acreditam ser-lhes bem sólido. Ora, disse o Senhor ao jovem que indagava a respeito da perfeição da justiça: "Se queres ser perfeito, vende tudo o que tens e dá aos pobres" (Mt 19.21). Ainda não estou discutindo se porventura eles fazem isto, concedamos-lhes isto no presente. Portanto, vangloriam-se de que já se tornaram perfeitos abrindo mão de todas as suas coisas. Se nisto está situada a suma da perfeição, que significa o que Paulo ensina: que aquele que distribuiu todas as suas coisas aos pobres nada é, se não tiver amor? (1Co 13.3). Que natureza de perfeição é esta que, se o amor estiver ausente, é reduzida a nada, juntamente com a pessoa que a pratica? Aqui se faz necessário que respondam que certamente esta é a perfeição suprema, contudo não a expressão única dela. Mas aqui Paulo também brada em contrário, o qual não hesita em fazer do amor, sem renúncia deste gênero, o vínculo da perfeição (Cl 3.14).

Se é certo que não há nenhuma discrepância entre o Mestre e o discípulo, mas um deles nega claramente que a perfeição do homem consiste em que renuncie a todas as suas coisas, e por outro lado afirma que ela subsiste sem isso, é preciso ver como se haverá de receber esta declaração de Cristo: "Se queres ser perfeito, vende tudo o que tens" (Mt 19.21).  Com efeito, o sentido longe está de ser obscuro, se ponderarmos (o que em todos os discursos de Cristo convém sempre observar) a quem estas palavras são dirigidas. O jovem pergunta que tipo de obras ele precisa fazer para poder entrar na vida eterna (Mt 19.16; Mc 10.17; Lc 18.18). Uma vez que era interrogado acerca de obras, Cristo o remete à lei (Mt 19.17-19; Mc 10.18,19; Lc 18,19,20). E com razão, pois se for considerada em si mesma, ela é o caminho da vida eterna; e sua incapacidade de garantir-nos a salvação a nada mais se deve senão à nossa depravação. Com esta resposta Cristo declarou que não estava ensinando outra forma de governar nossa vida senão aquela que havia sido antigamente ensinada outrora na lei do Senhor. Assim sendo, não só testificava que a lei divina é a doutrina da justiça perfeita, mas também prevenia ao mesmo tempo as calúnias, para que não parecesse estar, com alguma nova regra de viver, incitando o povo à apostasia da lei.

De fato o jovem, não movido por um espírito indisposto, mas cheio de vã confiança pessoal, responde que guardava todos os preceitos da lei desde menino (Mt 19.20 - sem adjunto temporal - Mc 10.20; Lc 18.21). De fato, mais que certo é que ele estava muitíssimo afastado daquilo de que se gabava haver atingido. E se sua vanglória fosse verdadeira, nada lhe teria faltado para a suma perfeição. Ora, já foi demonstrado previamente que a lei em si contém a perfeita justiça, e desse mesmo fato se faz patente que ele chama a observância o caminho da eterna salvação. Para que fosse ensinado quão pouco avançara nessa justiça, que mui ousadamente respondera haver cumprido, era preciso que sua deficiência íntima fosse perscrutada com proveito. Como, porém abundava em riquezas, havia fixado nelas o coração. Portanto, visto que não sentia esta chaga secreta, é ela espetada por Cristo. "Vai", diz ele, "vende tudo o que tens" (Mt 19.21). Se fora tão bom observador da lei quanto pensava, não se retiraria triste ao som desta palavra (Mc 19.21; Mc 10.22). Pois quem ama a Deus de todo o coração não só tem por esterco, mas até mesmo abomina como uma peste, a tudo quanto se põe em conflito com sua afeição. Portanto, o fato de que Cristo manda ao rico avarento abrir mão de tudo o que tem, é exatamente como se ao ambicioso ordenasse renunciar a todas as honras; ao voluptuoso, a todos os prazeres; ao impudico, a todos o instrumentos de lascívia. Daí, é que preciso induzir as consciências ao senso particular de seu mal, quando não se deixam comover por nenhum senso de advertência geral.

Portanto, em vão tomam este preceito num sentido geral, como se Cristo estabelecesse que a perfeição do homem está na renúncia dos bens, quando com este dito ele não quis dizer outra coisa senão forçar o jovem, que alentava seu egoísmo além da medida, a sentir sua chaga, para que entendesse que havia ainda uma longa distância da perfeita obediência da lei, a qual, aliás falsamente, para si reivindicava. Confesso que essa passagem foi mal entendida por alguns dentre os pais; e daí nasceu a afetação de pobreza voluntária, pela qual, enfim, se reputavam bem-aventurados aqueles que, abdicando todos os bens terrenos, se devotassem a Cristo despidos de tudo. Confio, porém, que todos os bons doutores, que fogem de toda contenda, haverão de ficar satisfeitos com esta minha explicação, para que não ponham em dúvida a mente de Cristo.

Texto por João Calvino.
Fonte: CALVINO, João. As institutas - Edição Clássica, Volume 4. Ed. Cultura Cristã, págs 259 e 260.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quarto elemento constitutivo do culto público: Oração a Deus - Sermão pregado dia 06.11.2011



Quarto elemento constitutivo do culto público:
Oração a Deus -
Sermão pregado dia 06.11.2011

Dando continuidade aos elementos constitutivos do culto público, hoje veremos sobre a importância da oração na vida do cristão e também na vida da igreja como ajuntamento de todos os santos.

Quando falamos em oração, devemos ter em mente que ela NÃO é o meio pelo qual nós mudamos a vontade de Deus, isto é, a oração NÃO serve para "mudar o coração" de Deus - como querem muitos pentecostais e arminianos - e nem para mostrar a Deus que temos um problema para Ele resolver. Então, para que serve a oração? Creio ser prudente dizermos que a oração é o meio pelo qual Deus muda o coração do homem através da sua humilde submissão operada pelo Espírito Santo por meio de Sua palavra e de Seu poder regenerador. Vamos dividir essa afirmação em três partes para que sejam melhor analisadas.

- É o meio pelo qual Deus muda o coração do homem


O que estamos dizendo nesse ponto é que a oração humana não é capaz de modificar a vontade plena e ETERNA do Soberano Senhor, isto quer dizer que a oração tem a finalidade de nos humilhar perante e o Senhor e nos fazer humildes diante de toda a Sua grandeza e inefável sabedoria. Precisamos ter em mente de que a oração muda Deus, e sim o homem.

É necessário notarmos também que a oração é sim de muita valia para o crente - "A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tg 5:16). Mas então por que muitas pessoas ainda acreditam que a oração de fato muda a vontade de Deus? Muitas dessas crenças humanistas baseiam-se na esperança de que Deus não seja de fato Soberano e não tenha um propósito para tudo o que ocorre na terra e por isso necessita que o crente O "ajude", indicando e suplicando pelo que precisa e "auxiliando-O" sobre qual a melhor maneira de ordenar as coisas aqui na terra.

"Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17). Neste ponto, novamente Tiago nos é útil dizendo que em Deus não há variação, pois Ele não é o objeto atingido pela luz, e sim justamente o contrário, isto é, que Ele é a própria luz - "o Pai das luzes" - "em quem não há mudança nem sombra de variação".

- Através da sua humilde submissão operada pelo Espírito Santo

"Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente" (Mt 6.6). Nos chama atenção a maneira com que o Senhor Jesus Cristo orienta os Seus para orarem. Ele os instrui de maneira completamente oposta aos que faziam os fariseus que desde o momento que saiam de casa até a chegada no templo iam orando em voz alta para demonstrar sua "grande piedade" e reverência ao Senhor.

"Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus" (Sl 51.17). Mais do que rituais e supostas "ações de graça e louvor" para o Senhor, o que o Senhor verdadeiramente requer dos Deus é um coração quebrantado e humilde diante de Sua presença. Muitos arminianos tem dito que a eleição torna o homem orgulhoso, pois foi escolhido por Deus - mas essa é a mais inverosímel das consequências da eleição. A eleição de Deus deve traduzir-se em uma humildade profunda na vida do crente, pois TUDO o que ele ganhou e ainda ganha (desde a salvação até o sustento terreno) vem do Senhor e por meio de Sua mão graciosa. Humildade de espírito é reconhecer que nada somos e que tudo provém nas mãos do Altíssimo.

- Por meio de Sua palavra e de Seu poder regenerador

"Nele... Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Ef 1:11,13). O homem só pode ser verdadeiramente cristão quando ouviu a palavra da verdade e foi selado com o Espírito Santo e essa atividade do Espírito em sua vida dele levá-lo a orar cada dia mais. Certamente que a oração é um dos desdobramentos da vida cristã, isto é, é parte do processo natural da conversão uma vontade cada vez maior de achegar-se diante do Senhor em súplicas e orações contínuas, depositando aos pés da cruz nossas vontades e necessidades.

"Deus move o céu inteiro naquilo que o ser humano é incapaz de fazer. Mas não move uma palha naquilo que a capacidade humana pode resolver - Deus está no controle". Não, meus amados, isso não é um versículo bíblico, fique tranquilo. Essa é uma frase corrente nas "correntes evangélicas de e-mail", mas que nada tem de evangélico, exceto o humanismo que enraizou-se nos corações obstinados pela verdadeira palavra do Senhor.

Queridos, nada é mais tão mentiroso do que dizer que Deus não move uma palha naquilo que a capacidade humana pode resolver, pois o que a capacidade humana pode em si mesmo? "Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?" (Hb 2:6). Certamente que Deus ama os Seus e por eles (e tão somente por eles) se entregou na cruz, mas isso é muitíssimo diferente de dizermos que o homem tem uma capacidade natural em si mesmo para resolver as coisas e que quando isso não acontece, aí sim o Senhor Deus vem e atua no mundo.

Conforme vimos há algumas semanas, há vários textos bíblicos que nos mostram que a oração durante o culto público é algo ordenado por Deus. Também vimos que esses versículos não explícitos quanto ao culto público, mas nos ensinam que a igreja do Senhor deve levar TUDO em oração e isso certamente implica o culto público.

"Orai sem cessar" (1Ts 5.17). Esse versículo é conhecido por boa parte dos que se dizem cristãos. Todos nós já ouvimos ou lemos o trecho onde Paulo nos ensina a levarmos uma vida de oração constante. Uma vida que está sempre na alicerçada na graça de Deus em nossas vidas.

Mas por que orar sem cessar? Será que devemos orar para então conseguirmos o favor de Deus em nossas vidas? Orar com o intuito de mostrar nossa devoção ao Mestre? Creio que devemos orar sem cessar por 5 motivos:

1. Porque dependemos d'Ele para viver

"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém" (Rm 11:36). Precisamos estar conscientes de que sem Cristo nada somos e nada podemos fazer. A oração nos leva a termos uma consciência de quão pequenos e incapazes somos por nossas próprias forças. A oração faz com que sejamos humilhados e nos rendamos ao Seu poder redentor. Ela leva-nos a uma relação de total dependência da criatura para com o criador, não permitindo que homem algum achegue-se diante do Grande Trono e debata com Deus ou apresente-lhes melhores caminhos para o Seu agir. 

2. Porque somos fracos e inúteis

"Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer" (Lc 17.10). É necessário que oremos sem cessar porque a oração nos leva a perceber que somos tão fracos que até mesmo o ato de nos humilhar perante alguém é impossível para nós. Muitos ainda pensam que a depravação do homem não é total. Pensam que por mais pecadores que sejamos, ainda há algo de bom em nós. Porém, aqueles que assim pensam se afastam totalmente do ensino bíblico que mostra nossa incapacidade de fazer qualquer coisa boa sem a graça de Deus.

A palavra do Senhor nos instrui dizendo que não somos alguém diante da Majestade Suprema, isto porque não habita nada de bom em nossos corações. Constantemente somos levados para o caminho mau e nos desviamos do reto Caminho em nossas atitudes em pensamentos. "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5 - grifo meu).

3. Porque não temos consciência do que somos

Quando não levamos uma vida de oração, achamos que somos alguém e que somos pessoas muito importantes para o reino de Deus. É verdade o fato de que Deus nos ama e nos incumbiu de um trabalho aqui na Terra, mas jamais devemos pensar que sem nós, Deus não pode fazer sua obra acontecer ou que Seu propósito para com a humanidade irá falhar caso não desejemos proceder conforme Sua vontade. Deus não depende de nós e também não precisa de nós para que Sua vontade seja feita. É só graças ao Seu amor que Ele nos usa para fazermos Sua obra na Terra. A oração constante nos faz conhecedores de que Deus é soberano e que nós nada somos.

A narrativa de Lucas 16.19-31 nos ensina o dever que o homem tem em ouvir a Palavra de Deus e arrepender-se, caso queira encontrar a verdadeira vida. Aquele rico viveu toda sua vida cheia de regalias e honras o cercando, mas não percebeu o quão pobre e nu era diante da Soberania de Deus. Em contrapartida, Lázaro, aquele pobre homem que vivia às custas das migalhas que caiam da mesa do rico, morreu e foi para o lugar que lhe fôra prometido.

4. Porque somos orgulhosos

Por mais que leiamos a bíblia e por mais que saibamos o quão falhos somos, nós ainda não gostamos de nos submeter a Cristo. O ser humano odeia ser rebaixado e se fazer escravo da vontade de alguém. Não gostamos disso! Queremos depender de Deus, mas ter certa liberdade para escolher aquilo que quisermos, sem a intromissão divina. Muitas vezes vivemos uma vida contraditória: afirmamos que somos cristãos, mas não nos submetemos a vontade daquele a qual estamos (ou deveríamos) alicerçados - "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). Os milhões de "evangélicos" que se multiplicam sem parar nesse país, na verdade nada mais são do que homens que simpatizam com alguns ensinamentos morais do cristianismo.

Homens, mulheres e crianças têm ido à igreja em busca de uma moralidade mínima, procurando por algo que possa lhes ajudar a serem "boas pessoas" na sociedade, mas não vão buscar a verdadeira vida e o consolo aos pés da cruz. A morte de Cristo tem sido pintada de forma grotesca em nossos dias. A cruz de Cristo que outrora representava o perdão dos pecados e o acesso à Deus aos Seus filhos, hoje representa um amuleto que "basta pedir com fé" que acontece. O homem natural - que muitas vezes se diz "cristão" - tem em muitíssimos casos destronado o Senhor de Sua soberania e O colocado no banco dos réus para seu julgado à medida do homem imperfeito, pois não acredita nas Sagradas Escrituras, e sim em seu umbigo.

5. Porque amamos a Deus

Se não oramos e não buscamos a Deus de fato, não podemos dizer que o amamos de verdade. Seria o mesmo que dizer a nossas esposas e maridos que eles são a coisa mais preciosa que temos, embora poucas vezes passemos tempo ao lado dele ou dela. A verdade é que muitos de nós amam ter o conhecimento sobre Deus, amam saber mais sobre Sua vontade e sobre o que a Bíblia realmente quer dizer, mas não gostam e/ou não querem colocar em prática. Gostamos de ler dezenas de livros durante o ano, estudarmos em ritmo frenético e acumular o maior número possível de conhecimento em nosso cérebro, mas certamente não gostamos de nos despojar de nosso eu pecaminoso e botarmos em pratica aquilo que lemos e estudamos.

O Salmo 84 expressa a beleza de um coração renovado e que deleita-se no Senhor. O salmista "desfalece pelos átrios do SENHOR", tamanha é a vontade de estar com o Soberano. Também nos diz que "Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados", mostrando a todo o povo que a confiança no Senhor é o melhor que pode existir para o homem pecador.

Que Deus possa nos conceder a cada dia um coração desejoso por Sua Lei e por comunhão íntima com o Senhor dos Senhores. Que Seu filho amado seja a cada dia mais almejado por todos nós que buscamos crescer à estatura do varão perfeito. Que Seu Espírito Santo instrua-nos em amor, para que não oremos na obrigação, mas com o sincero desejo de ser transformado a cada manhã pelo Amado.

Amém.

sábado, 5 de novembro de 2011

Quem nunca ouviu o evangelho, pode ser salvo?



Olá, amados.

Deixem-me colocar alguns versículos que nos ajudam no entendimento sobre a questão referente à iluminação de povos que nunca ouviram falar da Bíblia poderiam ter. Sei que não é uma resposta fácil, mas a Bíblia é clara nesse assunto.

Sintam-se a vontade para sempre perguntarem.

"E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; Para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto" Efésios 2:1-13

Observamos que Paulo está falando aos gentios (não judeus) e lhes diz que "Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo", ou seja, houve o tempo em que os gentios não conheciam a Lei de Deus e por isso andavam segundo as regras do mundo. Também nos diz - conforme grifei - "Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo", isto é, durante o tempo em que o Evangelho não havia sido divulgado para os outros povos, eles estavam "separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo", portanto, perdidos.

Ainda que a revelação natural demonstre a grandeza da criação, a sustentação e as maravilhas de Suas mãos, ela não é capaz de comunicar aos homens a palavra do arrependimento.

Espero ter ajudado vocês.
Um abraço para todos!

obs.: resposta enviada aos irmãos de minha igreja sobre esse assunto

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Feminização da Família - Bênção ou Heresia?


O feminismo é um movimento radical. Como tal, ele atinge até as raízes do relacionamento entre homem e mulher, e busca alterar a estrutura social e institucional, que é percebida como conflitante com as ideais e objetivos do feminismo. Janet Richards declara que “O feminismo é em sua natureza radical… nós protestamos primeiramente contra as instituições sociais… se considerarmos o passado não há dúvida de que toda a estrutura social foi planejada para manter a mulher inteiramente sob a dominação do homem.”[1] Sendo uma ideologia radical, o objetivo do feminismo é a revolução. Gloria Steinem fala pelas feministas quando diz: “Pregamos uma revolução, não apenas uma reforma. É uma mudança mais profunda que qualquer outra.”[2] Feministas querem criar uma “nova sociedade” onde as condições restritivas sociais do passado sejam para sempre removidas.[3] Quão bem sucedidas feministas foram em promover sua agenda de revolução social? Davidson diz: “Hoje, o feminismo é a ideologia de gênero da nossa sociedade. Desde as universidades até as escolas públicas, da mídia até as Forças Armadas, o feminismo decide as questões, determina os termos do debate, e intimida oponentes em potencial ao ponto do silêncio absoluto.”[4]

A instituição social que o feminismo tem mirado como uma das mais opressivas a mulher é a família tradicional. Por “família tradicional” queremos dizer a estrutura familiar desenvolvida na sociedade Ocidental, sob a influência direta do Cristianismo e a Bíblia. Na família tradicional, o homem é o cabeça do lar e o responsável por prover as coisas necessárias para o sustento da vida. A mulher é a “mantenedora do lar”, e sua principal responsabilidade é o cuidado com as crianças. A família tradicional assim definida é de acordo com o plano bíblico para o lar. Feministas odeiam a família que é padronizada de acordo com a Palavra de Deus porque é contrária a tudo que aceitam como verdade. Portanto, seu objetivo é a destruição total da família tradicional. A feminista Roxanne Deunbar disse claramente: “Em última análise, queremos destruir os três pilares da sociedade de classes e castas – a família, a propriedade privada, e o estado.”[5] Feministas buscam subverter a família tradicional, e no seu lugar almejam uma instituição social radicalmente diferente que é moldada segundo o dogma feminista.

Quando consideramos a natureza radical do feminismo e da sua agenda para subverter a família que é estruturada segundo o modelo bíblico, seria sábio parar um pouco e refletir o quão bem sucedidas feministas tem sido em remodelar a família de acordo com o seu próprio desígnio. O fato é que na sociedade Ocidental o feminismo tem sido enormemente bem sucedido em destruir a família tradicional. A feminização da família já foi estabelecida! Por “feminização da família” queremos dizer o moldar da família de acordo com as crenças e objetivos do feminismo. Essa feminização ocorreu nos últimos trinta anos e com pouca oposição dos homens. Os homens sumiram amedrontados com as acusações feministas de sexismo, repressão, tirania e exploração, como um covarde fugiria diante de acusações de determinado inimigo em campo de batalha. Nada parece ter aterrorizado tanto os homens do que encaradas e palavras iradas de feministas.

Agora, quando dizemos que a feminização da família já foi estabelecida, não queremos dizer que as feministas alcançaram totalmente seus objetivos em relação à família. Queremos dizer, no entanto, que uma revolução na vida da família por influência feminista e de acordo com a ideologia feminista já foi estabelecida na sociedade ocidental. Hoje, a instituição social da família está mais alinhada com a visão de Betty Friedan do que com os ensinamentos do apóstolo Paulo. Isso representa um triunfo (pelo menos parcial) da visão radical feminista de revolução social.

A feminização da família é observada em pelo menos seis áreas:

1. O casamento foi desestabilizado, e o divórcio está numa crescente.

A “demonização” feminista do casamento fez do divórcio algo “socialmente e psicologicamente aceitável, através da ideia de que é uma possível solução para uma instituição defeituosa e já em seu leito de morte.”[6] O ensinamento bíblico que casamento é uma instituição divina e pactual que une homem e mulher para o resto da vida através de um voto sagrado (Gen. 2:18-24; Mat. 19:3-9) foi repudiado pela sociedade moderna. O conceito bíblico foi substituído pela noção de que casamento é uma mera instituição humana, e por isso imperfeita, e que o divórcio é uma forma aceitável de lidar com qualquer problema associado ao casamento.

2. A liderança masculina na família foi substituída por uma organização “igualitária” onde marido e esposa “compartilham” as responsabilidades da liderança na família.

A ideia bíblica de que o homem é o cabeça da família (1 Cor. 11:3-12; Ef. 5:22-23) e senhor do seu lar (1 Pe. 3:5-6) é considerada por feministas algo tirânico e bárbaro, um vestígio do homem primitivo e sua habilidade de dominar fisicamente sua parceira. Nos nossos dias, a esmagadora maioria de ambos homens e mulheres zombam da noção de que a esposa deve se submeter à autoridade do marido.

3. O homem como provedor foi rejeitado, e introduzido um novo modelo de responsabilidade econômica compartilhada.

A visão da nossa era é que o homem não é mais responsável do que a mulher por prover as necessidades financeiras da família. Feministas creem que o ensinamento bíblico que o homem é o provedor da família (1 Tim. 5:9) é parte de uma conspiração masculina para manter as mulheres sob seu domínio por fazerem delas economicamente dependentes dos homens.

4. A mulher como uma dona do lar de tempo integral é zombada, e a mulher que trabalha fora buscando realização e independência é agora a norma cultural.

O mandamento bíblico para que a mulher seja “dona do lar” (Tito 2:4-5) ou é desconhecido ou ignorado. Pessoas com a mentalidade feminista consideram algo indigno que uma mulher fique em casa e limite suas atividades à esfera do lar e da família. Uma carreira profissional é considerada mais conveniente e significante para as esposas e mães de hoje.

5. A norma bíblica da mulher como cuidadora de suas crianças foi substituída pelo ideal feminista de uma mãe que trabalha fora e deixa seus filhos na creche para que ela possa cuidar de outros assuntos importantes.

A responsabilidade da maternidade é vista em termos muito diferentes do que no passado. O chamado bíblico para a mãe de estar com suas crianças, amá-las, treiná-las, ensiná-las, e protegê-las (1 Tim. 2:15; 5:14) é rejeitado pela visão feminista de uma mulher que foi libertada de tais limitações sobre sua individualidade e realização própria.

6. A ideia de que uma família grande é uma “bênção” é rejeitada por uma noção de que uma família pequena de um ou dois filhos (e para alguns, nenhum filho) é muito melhor.

O conceito de “planejamento familiar” objetivando reduzir o número de crianças num lar é defendido por quase todos. O ensino bíblico de que uma família grande é sinal de bênçãos e da soberania de Deus (Salmo 127; 128) é ignorado por famílias modernas, até mesmo aquelas proclamando serem cristãs. A visão feminista que nós determinamos o número de crianças que nós teremos, e que nós somos soberanos sobre esse assunto é agora aceito sem questionamento. E é claro, essa suposta soberania humana sobre a vida e o nascimento leva a justificação do aborto, que é o maior controle de natalidade de todos.

Sim, a feminização da família foi estabelecida no Ocidente! O conceito cristão de família foi substituído pela ideia feminista de família: divórcio fácil substituiu a visão pactual do casamento; igualitarismo substituiu a liderança masculina; o homem e a mulher como provedores em parceria substituiu o homem como provedor; a esposa e mãe que trabalha fora do lar substituiu a mulher como dona do lar; a mãe como uma empregada profissional substituiu a mãe como cuidadora de suas crianças; “planejamento familiar” e “controle de natalidade” substituíram a grande família.

Dois fatores contribuíram significantemente para o sucesso do feminismo na subversão da estrutura e prática familiar que é baseada na Bíblia.

O primeiro fator é a covardia dos homens; sim, até mesmo homens cristãos. Até certo ponto é compreensível (mesmo assim vergonhoso) que homens não-cristãos se acovardassem diante das feministas e seus ataques contra eles e a família tradicional. Mas que homens cristãos, que tem a Palavra de Deus, igualmente tenham se rendido é realmente lamentável. Deus chamou homens para defenderam a Sua verdade no mundo e viverem Seus preceitos. Mas um olhar para o lar evangélico cristão mediano revelará que até mesmos eles foram largamente feminizados. Feministas radicais e anticristãs transformaram nossos lares, e os homens cristãos quase não objetaram contra isso, nem disputaram por esse santo território, que é o padrão familiar bíblico. E ainda, maridos e pais cristãos também demonstraram covardia ao serem incapazes de liderar e assumir a responsabilidade que Deus os entregou. Eles estiveram mais que dispostos a abrir mão da carga total de liderança e provisão para suas famílias; eles estiveram mais que alegres de compartilhar (ou despejar) essas cargas com (ou sobre) suas esposas. A família foi feminizada porque homens cristãos abandonaram seus postos.

O segundo fator é o silêncio e a passividade da igreja. A feminização da família ocorreu em boa parte porque a igreja na maior parte do tempo esteve em silêncio sobre a questão. A igreja não resistiu os ataques feministas com a espada da Palavra de Deus. Ao invés disso, e vergonhosamente, a igreja abandonou seu posto diante da investida feminista, e na verdade até absorveu várias ideias feministas. A igreja vem sendo cúmplice ao ensinar coisas como um casamento igualitário, “planejamento familiar”, e por apoiar a ideia de mulheres profissionais e mães trabalhando fora. Muito da culpa deve ser depositada aos pés de pastores e anciãos que ou foram enganados ou se acovardaram de pregar ou se posicionar pela verdade concernente à família como Deus a revelou na Sua Santa Palavra. Feministas tem sido bem sucedidas em alterar a família porque a igreja falhou em viver e ensinar a doutrina bíblica positiva sobre a família e não expôs, denunciou, e respondeu as mentiras das feministas.

Qual deve ser a nossa resposta como cristãos diante da feminização da família? Nossa resposta começa com o reconhecimento de que isso aconteceu. Negar o fato não nos fará bem algum. Então, devemos assumir a tarefa de “desfeminização” da família e da “re-Cristianização” da família. Essa tarefa é o dever de cada família cristã individualmente; mas é principalmente o dever de maridos e pais cristãos que foram escolhidos por Deus como líderes de seu lar. Homens devem liderar através de preceitos e exemplos na erradicação de todos os aspectos da influência feminista da vida e estrutura de suas famílias, e a restaurar segundo o padrão bíblico. Homens devem ser homens e tomar sobre si a carga total da responsabilidade confiada a eles por Deus. Homens devem parar de se intimidar com a retórica feminista e devem promover a ordem de Deus em suas famílias sem receio.

A tarefa de reconstrução da família de acordo com a Palavra de Deus também faz necessário que a igreja ensine fielmente o que a Bíblia diz sobre a família, e em muitos casos, a alterarem a estrutura de suas igrejas e ministérios (que também foram feminizados) para fortalecerem a família em vez de miná-la. Faz-se necessário que pastores e anciãos respeitam a instituição pactual da família, e parem de entregar o senhorio de suas famílias, e parem de perseguir aqueles homens que buscam uma “desfeminização” das suas próprias famílias. Faz-se necessário que pastores e anciãos sejam um exemplo para o rebanho na “desfeminização” das suas próprias famílias. E faz-se necessário que professores e pregadores com a coragem e a convicção de João Knox e João Calvino exponham as mentiras venenosas do dogma feminista e declararem e defendam o padrão bíblico para a família desde o púlpito.

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1. Citado por Michael Levin em Feminism and Freedom [Feminismo e Liberdade] (New Brunswick, 1988), p. 19.

2. Idem.

3. Idem.

4. Nicholas Davidson, “Prefácio”, em Gender Sanity [Sanidade de Gênero], ed. Nicholas Davidson (New York, 1989), p. vi.

5. Citado por Rita Kramer em “The Establishment of Feminism” [Estabelecendo o Feminismo], em Gender Sanity [Sanidade de Gênero], p. 12 (ênfase acrescentada).

6. Levin, Feminism and Freedom [Feminismo e Liberdade], p. 277.

Por William O. Einwechter
Tradução: Isaac Barcellos

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Desaprendendo sobre a Reforma Protestante com o Apóstata!


Mas que porcaria é essa, meus amados?! Dá para acreditar nessa palhaçada? Tertuliano - reformador? Ato profético para a reforma? G12 como igreja puramente reformada? Vivemos tempos expressivos da reforma? Não bastasse desconhecer a Bíblia, desconhece também a história!

Que Deus nos livre dessa imundícia e nos conserve puros em Sua sã doutrina!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A Consciência Descobrirá Tudo


Richard Sibbes imagina a consciência como um tribunal no conselho do coração humano. Na sua imaginação, a consciência assume o papel de cada integrante do drama do tribunal. É o ARQUIVO que grava com detalhes exatos tudo o que foi feito (Jr 17.1). É o ACUSADOR que apresenta uma denúncia contra o culpado, e o DEFENSOR que apóia o inocente (Rm 2.15). Ela também atua como uma TESTEMUNHA contra ou a favor (2Co 2.12). É o JUIZ, que condena ou absolve (1Jo 3.20). É o CARRASCO que castiga o culpado com tristeza quando a culpa é descoberta (1Sm 24.5). Sibbes compara a punição de uma consciência ofendida a um “lampejo do inferno”.

A consciência conhece todos os nossos motivos e pensamentos secretos. É o testemunho mais preciso e mais temível no julgamento da alma do que qualquer observador externo. Aqueles que evitam falar sobre uma consciência acusadora, preferindo confiam em um conselheiro, entraram num jogo perigoso. Pensamentos e motivos ruins podem se esconder dos olhos do conselheiro, mas não se esconderão dos olhos da consciência. Muito menos escaparão dos olhos do Deus onisciente. Quando tais pessoas forem convocadas para o julgamento final, a própria consciência delas estará ciente de cada transgressão e se apresentará como testemunha eterna de tortura contra elas.

Isso que Sibbes escreveu deveria nos desencorajar de cometer pecados secretos:

“Não deveríamos pecar na esperança de ocultar os pecados. Se os ocultarmos das pessoas, poderemos oculta-los da nossa própria consciência? Como alguém já disse muito bem: O que vale para ti que ninguém saiba o que foi feito, quando tu és o que te conheces? Que proveito terá isso para quem tem uma consciência que o acusa, que nenhum homem o fará, mas sim ele mesmo? Ele é como milhares de testemunhas contra ele mesmo. A consciência não é uma testemunha secreta. Ela é como milhares dela. Portanto, nunca peque esperando ocultar o seu pecado. Seria melhor que todos os homens soubessem do seu pecado do que você mesmo. Um dia tudo será estampado na sua testa. A CONSCIÊNCIA IRÁ TRAÍ-LO. Se ela não puder falar a verdade agora, embora possa ser subornada nesta vida, terá poder e eficácia na vida por vir... Temos a testemunha dentro de nós; e Isaías disse: “Nossos pecados testemunham contra nós”. Tentar manter segredo será em vão.

A consciência descobrirá tudo.

Texto por Richard Sibbes (1577 - 1635)
Fonte: MayFlower

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...