"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Deus é nosso refúgio e fortaleza (parte 2) - Sermão pregado em 24.04.2011


Deus é nosso refúgio e fortaleza (parte 2) -
Sermão pregado em 24.04.2011


Nosso texto: Salmos 46.4-7

Consoante vimos anteriormente (clique aqui para ler), o presente salmo expressa a firme confiança que o salmista tinha no seu Senhor. Mister é notarmos que a primeira sentença do salmo já é enfática e não permite imaginarmos que o escritor tivesse outro lugar seguro além do Senhor. "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia" (v.1). Vemos que no começo da escrita ele já define qual será o ponto de partida e argumentação. Se o salmista não tivesse iniciado com tamanha ênfase, certamente não conseguiria finalizar o salmo como o fez: "O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio" (v.7,11). Ora, era devido ao fato de que Deus era o seu refúgio e fortaleza que o salmista pôde discorrer e se deleitar na presença e segurança em Deus. "Vinde, contemplai as obras do SENHOR; que desolações tem feito na terra!" (v.8). Tal ponto é importante para nós porque nos leva a refletirmos sobre a importância de partirmos sempre da soberania de Deus sobre todas as coisas que existem e acontecem sobre a terra e céus, independentemente das circunstâncias que nos rodeiam.

Os versículos de hoje começam dizendo: "Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo" (v.4). A antiga e atual cidade de Jerusalém não tem rio, mas havia um rio no jardim do Éden (Gn 2.10), bem como um "rio da água da vida", que fui do trono de Deus, na Nova Jerusalém (Ap 22.1-2).¹ É importante notarmos a alegoria que o salmista faz da cidade de Deus quando se refere a ela como sendo o seu refúgio e fortaleza. Sabemos dos benefícios que um rio traz à comunidade que está ao seu redor - e é por isso que desde os tempos mais primórdios o homem se fixa em locais à beira d'água - haja vista grande disponibilidade de riquezas e sustento que a mesma tem a oferecer.

Para os israelitas o templo era algo de extrema importância. Ao olharem para ele, lembravam-se de que o Senhor estava guiando-os e protegendo-os de todas as adversidades que lhes sobrevinham. O templo representava a proteção divina em meio ao povo escolhido. Neste salmo, a confiança era fiel e obediente, prefigurando a segurança desfrutada pelo povo de Deus na futura cidade eterna (Ap 22.3).²

O salmista continua dizendo que "Deus está no meio dela; não se abalará" (v.5a). Mais uma vez o escritor demonstra sua profunda confiança em Deus e em suas provisões. Tal declaração faz ligação com o versículo que diz: "Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza" (v.3). O salmista sabia então que "ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza... Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã" (v.3e5). Ou seja, o escritor tinha plena e total confiança - mesmo cogitando uma impossibilidade - de que Deus era realmente o seu refúgio e fortaleza.

Quando o salmista expressa sua confiança em Deus dizendo que ela "não se abalará" (v.5) - é importante notarmos que de fato a antiga cidade de Jerusalém caiu diante dos babilônicos, em 586a.C., mas a Nova Jerusalém permanecerá "pelos séculos dos séculos" (Ap 22.5).³

A seguir ele passa a dizer que o auxílio divino não tardará. "Deus a ajudará, já ao romper da manhã" (v. 5b). É de grande valia percebermos que a justiça e o auxílio de Deus nao falham, conforme vemos em 2Pe 3.9: "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se." Também nos recordamos com grande alegria do Salmo 30.5b que diz: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã."

Precisamos constantemente nos lembrar de que a soberania divina em nada nos faz "cruzar os braços e esperarmos o fim inevitável", mas nos leva a pelejarmos ruma à vitória garantida, assim como Paulo muito bem expressou ao dizer: "Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus" (Fp 3.12).

Agora o salmista responde às suposições que havia feito anteriormente ("Ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares... Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza)" (v.2,3 - grifo meu) dizendo: "Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu" (v.6). Novamente o salmista usa de figuras de linguagem para demonstrar os grandes feitos do Altíssimo em meio ao seu povo. Tal passagem nos faz lembrar de 2Ts 2.8, onde Paulo ao escrever aos tessalonicenses sobre o anticristo, diz: "E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda." É um erro muito grave acharmos que o diabo é tão grande e poderoso como nosso Deus (A quem devemos temer? - clique aqui para ler).

Em fase de finalização da segunda parte do cântico, o salmista diz: "O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio" (v.7). O escritor repetirá a mesma sentença no versículo 11, levando os seus leitores a refletirem sobre o verdadeiro cuidado e consolação que podiam ter da parte de Deus.

Em Rm 9.3 lemos: "Amei a Jacó, e odiei a Esaú." Dada as circunstância históricas, a frase "o Deus de Jacó é o nosso refúgio", remete os leitores aos grandes feitos que Deus havia concedido por meio de Jacó (o povo as vezes fazia referencia aos pais dos israelitas; a saber, Abraão, Isaque e Jacó). Lembremos que Esaú havia trocado com Jacó seu direito de primogenitura por um simples prato de lentilhas (Gn 25.34). Por haver feito pouco caso de algo tão importante e estar desejoso de matar seu irmão (Gn 27.41), Deus o rejeitou; por tê-lo rejeitado, Deus cuidou de Jacó; por ter cuidado de Jacó, usou a José (filho de Jacó) e enviou-o para o Egito, onde achou graça diante do faraó (Gn 39.4) e posteriormente pôde levar sua família para lá e serem sustentados em meio a escassez de comida (Gn 45.5); por terem ido ao Egito, puderam ser libertos do faraó (Êx 12.31); por terem sido libertos, puderam marchar rumo à terra prometida, por terem ido à terra prometida, puderam finalmente desfrutar da promessa (Js 1.2) feita anteriormente a Abraão.

Amados, como é bom podermos desfrutar das maravilhas que o nosso Deus têm para nós. Grandioso deleite encontramos nas sagradas escrituras, fonte riquíssima de "refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia" (v.1).

Amém.

Notas:
[¹]Bíblia de Estudo de Genebra
[²]Bíblia de Estudo de Genebra
[³]Bíblia de Estudo de Genebra

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