"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sábado, 18 de junho de 2011

"Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal" - Sermão pregado dia 22.05.2011


"Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal" -
Sermão pregado dia 22.05.2011


Nosso texto: "Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo" (Is 5.20).

O livro de Isaías reflete aquilo que o próprio autor "teve a respeito de Judá e Jerusalém durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá" (1.1). No começo de sua visão, Isaías já é levado a proclamar a autoridade do Senhor sobre seu povo. Ele diz: "Ouçam, ó céus! Escute, ó terra! Pois o Senhor falou" (1.2). É por demais importante atentarmos para o fato de que somente a Escritura é nossa regra de conduta e de fé (já escrevi sobre isso - A vital importância das Escrituras, "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste"), implicando-nos a completa e mais profunda devoção às coisas do reino celestial de Deus.

Essa completa e profunda devoção às coisas de Deus - o Deus onipotente, onisciente e onipresente revelado nas sagradas Escrituras - significa que devemos toda glória e todo louvor a Ele, e isso tudo em toda ocasião - conforme lemos: "Louvarei ao Senhor em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca" (Sl 34.1) - traduzindo-se também em que devemos viver todos os dias de nossa vida querendo fazer tudo "para glória de Deus" (1Co 10.31). Mas infelizmente não é esse o plano de fundo da visão de Isaías.

Isaías descreve com ironia o fato dos reis de Judá terem se afastado do Senhor. Ele diz: "O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende" (1.3). Observamos que o paralelo feito não é entre homens que reconhecem o seu senhor e homens que não o reconhecem, mas entre animais que reconhecem o seu senhor e homens que outrora havia sido criados "à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1.26) não o reconhecem mais - pois "eles estão obscurecidos no entendimento e separados da vida de Deus por causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento dos seus corações" (Ef 4.18).

O profeta Jeremias também passou por situação semelhante. Tal qual Isaías, Jeremias presenciou o pouco caso que o povo fez das leis e mandamentos do Senhor. Não obstante a isso, o povo não arrependia-se e voltava para o Senhor, mas lançava-se cada vez mais rumo à ruína. "Ninguém se arrepende de sua maldade e diz: 'O que foi que eu fiz?' Cada um se desvia e segue seu próprio curso, como um cavalo que se lança com ímpeto na batalha" (Jr 8.6). Tal qual o cavalo que se lança com ímpeto na batalha, assim era o povo de Deus que constantemente ia ao encontro da morte - achando que encontraria a vida.

Isaías lhes diz que sua situação é tão deplorável, que até mesmo os animais tinham mais respeito e discernimento para com o seu senhor do que o povo de Israel para com seu Deus. Tenhamos sempre em mente que a vida dos verdadeiros profetas do Senhor não eram fáceis ou agradáveis. Constantemente eles eram os únicos a proclamar que o povo se arrepende-se e se voltasse para o Senhor. Eram ditas por meio deles palavras que somente poderiam ser proferidas por homens verdadeiramente consagrados ao Senhor, pois sem este feito, homem algum conseguiria aguentar as pressões pecaminosas que se instauraram naquela sociedade e as muitas concupiscências das nações ímpias que os cercavam seriam além do que poderiam suportar.

Sabemos muito bem que o homem constantemente quebra o primeiro e segundo mandamento de Deus (Dt 5.7,8-10), tendo outros deuses - tornando a vontade do homem o seu próprio deus - e construindo imagens que "são vaidade... como a palmeira, obra torneada, porém não podem falar; certamente são levados, porquanto não podem andar" (Jr 10.3,5). "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23), o homem acabou trocando "a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis" (Rm 1.23).

O estado moral, ético e espiritual destes reis de Judá era lamentável e profundamente contrário às leis que o Senhor havia instituído para aquela nação. Percebemos logo de início que a desgraça daquela nação não vinha pela falta de princípios estabelecendo o que era correto e o que era incorreto, mas vinha devido a falta de submissão desses princípios às palavras do altíssimo. Isaías continua lhes dizendo que eram uma "nação pecadora, povo carregado de iniqüidade! Raça de malfeitores, filhos dados à corrupção! Abandonaram o Senhor; desprezaram o Santo de Israel e o rejeitaram" (1.4). A iniquidade daquele povo era tanta, que "se o Senhor dos Exércitos não tivesse poupado alguns de nós, já estaríamos como Sodoma e semelhantes a Gomorra" (1.9).

Após inúmeras outras advertências dadas ao povo, Isaías exorta dizendo-lhes: "Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo" (Is 5.20). Neste mesmo capítulo cinco, Isaías escreve os "ais contra o povo de Deus". O profeta anuncia seis oráculos de ais para expressar a terrível situação com a qual o povo de Deus depararia ao sofrer seu julgamento. O primeiro ai condena a ganância (5.8-10), o segundo ai condena a corrupção social (5.11-17), o terceiro ai condena a corrupção teológica intencional e danosa (5.18,19), o quarto ai condena o orgulho e a corrupção moral (5.20), o quinto ai condena a corrupção espiritual (5.21) e o sexto ai novamente condena a corrupção social. Os ais representam uma terrível ameaça ao povo de Deus. [1]

Creio que além deste quarto ai condenar o orgulho e a corrupção moral - conforme cita a Bíblia de Estudo de Genebra - ele também nos alerta para o fato de precisarmos necessariamente conhecer o que é a moral e ética bíblica, pois de nada adianta tentarmos nos preservar do orgulho e das corrupções humanas se não estivermos firmemente alicerçados na palavra na Deus - a única capaz de nos fornecer toda a verdade e princípios plenamente aplicáveis para nossa vida diária.

Quando Isaías se refere a essa troca do bem pelo mal e do mal pelo bem, ele está dizendo que a verdade bíblica é totalmente inegociável, completamente irrefutável, invariavelmente perfeita, "divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16,17). É por demais essencial que todo cristão saiba da importância de se dobrar diante da verdade bíblica, por mais que essa vá contra tudo que ele pensa sobre a vida ou sobre outro aspecto qualquer.

Não há outro lugar onde devemos ir buscar revelação e palavra de sabedoria - não devemos achar que a bíblia está incompleta. Infelizmente, muitos crêem que a bíblia é completa, mas constantemente a negam na prática, lançando-se sobre livros de psicologia inútil à fé cristã, à pastores que não crêem na soberania absoluta de Deus e em filosofias humanistas que nada tem a acrescentar ao homem que deseja ser "perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.17).

Bem salientou John Murray quando escreveu: "Para nós a Escritura tem um lugar e uma função exclusivos como o único modo de revelação que permanece existindo. Os que estão particularmente envolvidos nessa discussão tem por certo que a Escritura não continua a ser escrita, que ela é um cânon fechado. Admitindo-se isto, precisamos então considerar aquilo que os nossos oponentes não estão dispostos a admitir, isto é, que este é o conceito de Escritura ensinado e pré-suposto por nosso Senhor e Seus apóstolos, e insistir que é essa concepção que deve ser aplicada ao cânon da Escritura como um todo. Como não temos mais profetas, nem o nosso Senhor está presente conosco como com os discípulos, nem temos meios de revelação como nos dias apostólicos, a Escritura em sua totalidade é, segundo o conceito de nosso Senhor e Seus apóstolos, a única revelação da mente e da vontade de Deus a nós disponível. É isso que significa o encerramento da Escritura para nós; ela é a única Palavra revelacional de Deus que ainda vigora." [2]

Amados, precisamos atentar para a necessária devoção e estudo - sim, cristianismo também é estudo, pois se nos dedicamos a tão grande quantidade de matérias colegiais, não deveríamos muito mais nos dedicarmos à palavra do Senhor? - que as Escrituras requerem de nós. O mesmo Isaías alertou nos versículos anteriores dizendo: "Ai dos que se prendem à iniqüidade com cordas de engano, e ao pecado com cordas de carroça, e dizem: 'Que Deus apresse a realização da sua obra para que a vejamos; que se cumpra o plano do Santo de Israel, para que o conheçamos'" (5.18,19). Aqui o povo é avisado do perigo que corre quando se prende à iniquidade com cordas de engano - representando a suposta sabedoria humana em contraste com a lei divina - e mesmo assim continua pedindo e suplicando que Deus "apresse a realização da sua obra" (5.19)!

O Senhor - por meio de Isaías - já havia lhes alertado sobre a importância de arrependerem-se primeiro e depois fazerem súplicas, conforme lemos: "Parem de trazer ofertas inúteis! O incenso de vocês é repugnante para mim. Luas novas, sábados e reuniões! Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade. Suas festas da lua nova e suas festas fixas, eu as odeio. Tornaram-se um fardo para mim; não as suporto mais! Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue!" (1.13-15 - ênfase minha)

Desde sempre os cristãos são alertados a não confiarem "no homem, cuja vida não passa de um sopro em suas narinas. Que valor ele tem?" (2.22), mas constantemente ele se volta e se mostra contrário às leis do Senhor. A vida do cristão que crê na soberania absoluta de Deus, na inerrância da palavra do Senhor e no Seu justo juízo final, deve entender que a bíblia nos ordena a nos abstermos "de toda a aparência do mal" (1Ts 5.22). O ecumenismo e sua doutrina diabólica de que "o que importa é o amor" tem destruído muitas igrejas que em tempos passados já foram fieis e diligentes na manuseio da palavra. Há sim um separatismo bíblico saudável! Não devemos em hipótese alguma nos colocarmos em jugo desigual, pois "que comunhão tem a luz com as trevas?" (2Co 6.14). Não é atitude sadia titubear diante da verdade bíblica, mas sim arrepender-se e voltar-se para Deus, "para que os seus pecados sejam cancelados" (At 3.19).

Que possamos ser agraciados pela majestosa verdade divina - que certamente nos ilumina em todo o tempo - e passemos a dar valor eterno para as palavras que dizem: "Lavem-se! Limpem-se! Removam suas más obras para longe da minha vista! Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem! Busquem a justiça, acabem com a opressão. Lutem pelos direitos do órfão, defendam a causa da viúva" (1.16,17).

Amém.


Notas:
[1]Bíblia de Estudo de Genebra.
[2]Extraído do livro: Sola Scriptura e o Princípio Regulador do Culto - Brian M. Schwertley, pág 27.

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Um comentário :

  1. Irmão texto interessante na parte dos Ais.
    Gostaria de saber se o irmão tem alguma pregação expressa (algo pronto urgente em texto e em voz de qualquer pregador idoneo) para pastores e principalmente estes e presbiteros e obreiros de cargo ministerial, isto é ligado ao altar e a nave da igreja, que abandonam endemoniados e ou pessoas possessas, aos quais semelhantes em Mateus 17 com o jovem lunatico, não puderam abandonar e tiveram uma ação incredula e perversa como disse jesus?

    Se tiver preciso com urgencia, pois estamos com pregadores e pastores na região procedendo de forma semelhante ou pior que os discipulos de cristo no caso de marcos 9.

    Chamei atenção de uma pessoa quanto a defender estes pregadores, pois para mim chamam o mal de bem e o bem de mal...ou trevas de luz.


    Agradeço


    PURAMENTEVIVAJESUS@GMAIL.COM

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