"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

"Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste" - Sermão pregado dia 15.05.2011

"Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste" -
Sermão pregado dia 15.05.2011

Nosso texto: "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido, e que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus" (2Tm 3.14,15).

Aqui, Paulo expõe a Timóteo a importância de permanecer da sã doutrina, "naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido". É de vital importância sabermos que tanto a sã doutrina como a perseverança na mesma estão unidas e são de extrema valia para a vida do cristão. Não se pode advogar a sabedoria da sã doutrina se não vive-se aquilo que se professa.

O autor Iam Murray muito bem salientou acerca do "teste" se estamos ou não sendo cristãos: "As Escrituras são a voz de Deus, e se somos ou não o objeto das bênçãos ou maldições de Deus pode ser experimentalmente determinado ao verificarmos se nós obedecemos e reverenciamos o que está escrito nas Escrituras ou não. Estar sem as Escrituras é estar sem Deus e sem esperança no mundo. Além disto, as Escrituras são o único e infalível registro que temos da vontade de Cristo [1]".

Paulo já havia escrito a Timóteo alertando-o do perigo de que "nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos" (v.1). Sabemos que já vivemos nos últimos dias - pois estes começaram no tempo dos apóstolos e terminarão com a segunda vida de Cristo - e por isso nos é imprescindível conhecermos "todo o conselho de Deus" (At 20.27), conforme Paulo já havia dito aos anciãos em Éfeso.

Quando Paulo escreveu a Timóteo dizendo para permancecer- "naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado", ele não estava dando alternativas para como Timóteo deveria proceder diante da igreja, tampouco oferecia-lhe liberdade de culto e de vida para os que estivessem sob sua autoridade, mas Paulo era desejoso de incutir-lhe que não havia nada de novo que este mundo pudesse oferecer ao evangelho pleno e totalmente revelado.

Estamos inseridos em um tempo de pragmatismo onde o que importa é o que funciona, o que dá certo aos olhos humanos - leia-se crescimento numérico. Um dos grandes contribuintes para essa horrenda e anti-cristã doutrina foi Charles Finney, que introduziu o sistema de "apelo" nos cultos e passou a medir a eficácia do método evangelístico baseado na quantidade de pessoas que conseguia angariar - enquanto na verdade deveria concentrar seus esforços em "pregar a palavra" (2Tm 4.2).

Ao contrário de muitos, Paulo sabia que os ensinamentos do Antigo Testamento jamais caducariam ou seriam ultrapassados para este mundo - em tempo oportuno, vale salientar a importância de diferenciarmos quanto à lei civil, cerimonial e moral. Ele lembra a Timóteo "que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras" e também lhe diz o propósito dessa verdade e os efeitos da permanência na mesma: "Que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus". Não havia em Paulo - e em nenhum outro escritor bíblico - a dúvida quanto a importância da Lei do Antigo Testamento para o evangelho pregado por Jesus. O próprio Paulo já havia dito que: "Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás" (Rm 7.7). Muitos homens já tentaram separar a Lei do Evangelho, mas todos que intentaram contra verdade acabaram por destruí-la por completo - "dizendo-se sábios, tornaram-se loucos" (Rm 1.22).

Também vemos que de forma alguma Paulo defendia a perpetuação de mera tradição dos homens - alguns entendem que assim como Timóteo deveria permanecer naquilo que havia aprendido, invariavelmente os cristãos de hoje devem permanecer no ensino que receberam, independente da compatibilidade deste ensino com a sã doutrina - pois Jesus já havia dito : "Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens" (Mc 7.8). Precisamos entender que o conselho dos homens não pode ferir a unidade das Sagradas Escrituras. É dever do cristão perseverar na única verdade revelada e seguir as instruções de Paulo a Timóteo que dizem: "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (2Tm 3.15). Por isso, é mister atentarmos para o dever do cristão conhecer toda a verdade de Deus para sua vida, pois como poderemos obedecê-lo se não conhecermos seus mandamentos? Se algum homem assim não proceder, se assemelhará ao servo que recebeu um talento e tendo medo de seu senhor, saiu e escondeu-o, mas que no fim ouviu as amargas palavras de Jesus: "Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes" (Mt 25.30).

Muito bem sabemos que a falta de leitura não somente nos emburrece, mas nos torna pseudo-cristãos mesquinhos e sem vida (já escrevi sobre isso - clique aqui para ler). A falta de leitura nos permite gastar horas e horas na frente da televisão, levantar e dizer: "Hoje eu aproveitei a vida! Hoje eu me tornei alguém mais inteligente". É lamentável olharmos para as muitíssimas pessoas dentro das igrejas que gastam muito mais que o dobro do tempo dedicado a leitura e à oração em frente a televisão - certamente desconhecem a posição do salmista quando diz: "Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim" (Sl 101.3). Triste cenário temos quando olhamos a quantidade exorbitante de dúvidas que os circunda. Não que as dúvidas sejam sinônimo de falta de leitura ou deficiência de pensamento, mas muitas vezes são dúvidas tão claramente respondidas na bíblia, que nos perguntamos se tal pessoa já a leu por completo.

É preciso notar também que muitos cristãos confundem cristianismo com auto-realização e acham que a melhor maneira de aproveitarem a vida é sendo cristãos. Não ouso duvidar de que não há nada mais valioso para o homem do que viver para a glória de Deus - pois essa é a finalidade de nossa criação (Ef 1.5,6) - mas isso é muito diferente da proposta que diz que o cristianismo traz apenas boas sensações e bons pensamentos para a vida cotidiana. Assim como não podemos confundir doutrina com piscina, de igual modo não devemos crer que a vida cristã será um mar de rosas em meio a este mundo hostil, pois "sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno" (1Jo 5.19).

Quando Paulo escreveu dizendo que tal ensinamento aprendido por Timóteo "podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus" ele objetivava a salutar importância para a vida de Timóteo em meio aos crentes e aos ímpios.

Em Dt 4.2 lemos: "Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando". O povo de Israel precisava entender que nada além daquilo que lhes estava sendo revelado deveria constituir base para sua vida. O Senhor não perguntou ao povo se eles estavam felizes com os mandamentos recebidos, nem falou-lhes que aqueles mandamentos e leis lhes proporcionariam uma vida cheia de regalia aos olhos dos homens, mas tão somente lhes disse que aquela era a Sua verdade e por isso deveriam segui-la, "porque o Senhor teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso" (Dt 4.24).

Paulo não somente confiava na verdade do evangelho como também sabia que muitos haveriam de professar a fé em Jesus Cristo, embora não estivessem alicerçados sobre a verdadeira rocha. "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos... obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te" (vs.1,4-5 - ênfase minha). Observemos que a mera aparência de piedade não significa coisa alguma para a verdadeira doutrina, haja vista a necessidade dela ser efetivava por meio da prática, pois "assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg 2.26). Paulo exorta Timóteo a não se deixar enganar por aqueles que dizem crer no evangelho de Jesus Cristo e dizem também que esse mesmo evangelho - por si só - é ineficaz para as questões do cotidiano ou do culto dos santos.

Paulo alertou Timóteo citando um caso bastante conhecido entre os judeus: "E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé" (v.8 - fazendo referência aos vs.4,5). Janes e Jambres não são nomes citados no Antigo Testamento, mas a tradição judaica identificava esses nomes com os dois mágicos egípcios que se opuseram a Moisés perante o Faraó (Êx 7-8) [2]. O texto então nos mostra que muitos afastam-se da verdade revelada por Deus anulando-a com pretensões e vanglórias humanas, "sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé". Janes e Jambres nos são um exemplo a não ser seguido, pois desviaram-se da verdade, mesmo estando face a face com ela.

Já tivemos a oportunidade de analisarmos a eficácia e real transformação que a palavra de Deus faz em nossos corações. "Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios" (Sl 103.2 - clique aqui para ler). Assim como o salmista havia declarado para si mesmo a importância de relembrar constantemente os benefícios do Senhor, devemos também levar cativo em nossas vidas que toda palavra de Deus que está revelada, assim está para nosso benefício, para que sejamos cristãos verdadeiros e que busquemos somente em Sua revelação o verdadeiro caminho para nossas vidas, assim como lemos em Sl 119.105: "Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho".

Amém.

Notas:
[1]Ian Murray - retirado de http://ospuritanos.blogspot.com/search/label/Adiaforia%20%28parte%201%29
[2] Bíblia de Estudo de Genebra

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5 comentários :

  1. Muito bom, só uma dúvida, como os cristãos daquela época foram ensinados a respeito de dízimos por exemplo, como podemos ver foi na dispensação das leis q vemos essa prática de forma continua. Então como ficar tbm naquilo que aprendemos ? Se por ventura o Homem quis manipular algo para o seu próprio proveito, como entender toda essa questão ?

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    Respostas
    1. David, não entendi sua pergunta. Poderia a refazer?

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    2. David, apenas faça sua parte dando o diZimo, se o pastor tirar proveito, prestará conta a Deus

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