"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 21 de junho de 2011

"Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade" - Sermão pregado dia 05.06.2011


"Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade" -
Sermão pregado dia 05.06.2011

Nosso texto: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17).

Queridos, se há algo que pode servir como "medidor" de devoção à Cristo, é o fato de que se alguém "diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). Não há como desassociarmos a teoria da verdade, que leva à prática. Constantemente ouvimos - com grande tristeza - e/ou lemos alguém falando que "isto ou aquilo é questão teórica, na prática é diferente". Tais pessoas têm para si que a verdade muitas vezes é apenas teórica, que ela não deve ser a medida para nossa prática, mas sim que devemos seguir o pragmatismo - afinal, o que importa é o que nos interessa.

Lembremos também que essa questão pode muito bem ser citada como um dos grandes motivos pelo qual muitos pastores de confissão reformada pouco se importam em ter uma igreja com 50 ou 500 membros, fazerem diferença no meio em que vivem ou serem apenas mais um grupo eclesiástico, afinal, para eles, certas questões doutrinárias da fé reformada não requerem - ou não tem - aplicação na vida eclesiástica, tornando-as mero entendimento acadêmico e sendo útil apenas para as salas de aula de seminários. [1]

Diferentemente de tal entendimento, Jesus sabia que toda a verdade bíblica - isto é, tudo que depreende-se da Sagrada Escritura - era útil e deveria ser posta em prática pelos que professavam sua fé. Paulo também expressou de forma maravilhosa quando disse: "Toda a Escritura é divinamente inspirada... Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16,17). Precisamos então atentar para a grandiosa obra que o cristão tem pelo restante de suas vidas: Buscar conhecer a Deus.

O teólogo J. I. Packer em seu livro "O Conhecimento de Deus", pergunta e responde: "Para que fomos criados? Para conhecer a Deus. Qual deve ser o nosso objetivo na vida? Conhecer a Deus. O que é a vida eterna que Jesus nos dá? O conhecimento de Deus. Qual a melhor coisa na vida? O conhecimento de Deus. O que o homem pode fazer para melhor agradar a Deus? Conhecê-lO o mais possível".

O versículo de hoje encontra-se no meio da oração sacerdotal de Jesus. Nesta parte da oração, Jesus ora ao Pai e pede-lhe que os seus discípulos sejam santificados na sua verdade eterna e imutável. Observemos que Jesus não roga ao Pai e deixa ao encargo dos discípulos o como serão santificados e qual a melhor maneira para se conseguir isso, mas ele diz "santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade". Demoníaca é a palavra humana quando tenta usurpar a soberania e plena suficiência das Escrituras para nossa vida.

Importa-nos notar que o próprio Senhor e salvador Jesus Cristo conferiu autoridade e magnitude suficiente para aquilo que ensinava e posteriormente que viria a ser registrado. O próprio João em alguns capítulos mais adiante escreveu: "Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome" (Jo 20.30,31). Se foi o próprio Cristo que outorgou autoridade à sua palavra, devemos atentar para o grande perigo de tentarmos acrescentar ou diminuir a veracidade e aplicabilidade de cada palavra bíblica, pois "todo aquele que vai além do ensino de Cristo e não permanece nele, não tem a Deus; quem permanece neste ensino, esse tem tanto ao Pai como ao Filho." (2Jo 1.9) - conforme também lemos em 1Jo 2.4: "Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade".

Em teoria, muitos cristãos sabem da salutar importância das escrituras em suas vidas, mas insistem em não colocá-la em prática, dando desculpas anti-bíblicas e traindo sua própria confissão de fé. Sabemos muito bem que nosso Senhor foi um homem de profundas orações e grandiosos tempos a sós com o Pai.

O autor Solano Portela, ao escrever sobre a importância dos dez mandamentos para os dias de hoje, escreve: Os mandamentos não são uma mera proposição ou abstração teórica. São prescrições que emanam do Deus Todo-Poderoso, do criador do homem, daquele que sabe o que é melhor para ele. Quando seguimos a lei de Deus, vivemos melhor e em harmonia não apenas com o nosso Deus, mas com os nossos semelhantes e com a própria natureza, que dele procede. O resultado dos mandamentos de Deus, são vidas honestas, ajustadas, paz e tranquilidade, famílias fortes, pais com entendimento, sabedoria e amor, filhos obedientes, harmonia, ausência de violência. O pragmatismo não rege as nossas vidas, mas reconhecemos que a lei de Deus funciona! [2]

Também lemos no Catecismo Maior de Westminster na pergunta 104: “Quais são os deveres exigidos no primeiro mandamento? Resposta: Os deveres exigidos no primeiro mandamento são - o conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus e nosso Deus, e adorá-lo e glorificá-lo como tal; pensar e meditar nÊle, lembrar-nos dÊle, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e temê-lo; crêr nÊle, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nÊle; ter zêlo por Ele; invocá-lo, dando-Lhe todo louvor e agradecimentos, prestando-Lhe toda a obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de o agradar em tudo, e tristeza quando Ele é ofendido em qualquer coisa; e andar humildemente com Ele. (I Cron. 28:9; Deut. 26:17; Isa. 43:10; Sal. 95:6-7; Mat. 4:10; Sal. 29:2; Mat. 3:16; Sal. 63:6; Ec. 12:1; Sal. 71:19; Mat. 1:6; Isa. 45:23; Jos. 24:22; Deut. 6:5; Sal. 73:25; Isa. 8:13; Exo. 14:31; Isa. 26:4; Sal. 130:7; e 37:4; e 12:11; Rom. 12:11; Fil. 4:6; Jer 7:23; Tiago 4:7; I João 3:22; Sal. 119:136; Jer. 31:18; Miq. 6:8).

Se reconhecemos que Jesus Cristo foi o propiciador de nossa salvação - mediante sua morte eficaz - por que é que ainda encontramos uma miríade de pessoas dentro das igrejas que não atentam para as palavras do Mestre?

Amados, grandioso engano o inimigo tem incutido nos corações, à semelhança do que se fez no jardim do Éden. "E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis" (Gn 3.2-4 - grifo meu). Desde sempre esta tem sido a artimanha do inimigo para confundir aqueles que professam a fé cristã. Certo estou de que este conselho satânico não nos é novo, contudo, ainda continua com o mesmo poder enganador de outros tempos.

É importante lembrar que quando Jesus ora ao Pai dizendo, "santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade", ele não está com o Novo Testamento aberto à sua frente. Jesus refere-se à sua própria palavra como sendo palavra de Deus e também à todo o Antigo Testamento, que era a escritura corrente naquele período. Isto nos leva mais uma vez a percebermos que é maligna a ideia de separação entre o Antigo e Novo Testamento, como se fossem revelações distintas do mesmo Deus - ou de outro deus - ou ainda que os anteriores viviam da lei e nós, apenas da graça.

O próprio apóstolo Paulo escreveu sobre a importância da lei para sua vida: "Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás." (Rm 7.7) - e também expressou que a graça de Deus andava junto com sua lei: "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" (1Co 15.10). Portanto, tanto a lei como a graça devem ser estudadas e aplicadas à vida do cristão que deseja ser "perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.17).

Nos versículos anteriores (17.1-16) Jesus ora ao Pai e constantemente vemos a união que existia - e ainda existe - entre o Pai e o Filho. Nos admira a beleza e reverência dessas palavras diante de nossa imundícia e depravação humana. Ao orar ao Pai, vemos que Jesus não desassocia em momento algum a sua verdade da verdade pelo Pai, tampouco ora dizendo que o Pai e ele estão juntos, mas os discípulos não teriam com quem ficar quando ele voltasse ao Pai.

No seguinte versículo do referido capítulo de nossa passagem, Jesus então ora ao Pai dizendo: "Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo" (Jo 17.18). Ora, se a palavra de Deus não fosse verdade suficientemente eficaz para santificar-nos neste mundo, todos nós estaríamos destinados ao fracasso e consequentemente jamais chegaríamos à cidade celestial! Em tempo oportuno cabe-nos perguntar: Por que ainda negligenciamos a palavra de Deus? Há uma célebre frase do puritano Thomas Watson que diz: "Enquanto o pecado não for amargo, Cristo não será doce". Fazemos bem se atentarmos à tão grande verdade.

Como podemos negligenciar a verdade bíblica em face das centenas de citações bíblicas referentes à extraordinária sabedoria proveniente das sagradas escrituras? "Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite" (Sl 1.1,2). A ênfase do salmista não é em algum prazer momentâneo que ele tem na lei do Senhor, mas que este prazer é constante e ininterrupto, a ponto de nela meditar "de dia e de noite".

Lemos em Dt 6.4: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor" - assim como aquele Israel, que embora tenha ouvido que somente o Senhor era Deus - à semelhança do que o profeta Isaías disse: "Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim" (Is 46.9) - muitos que hoje professam a fé cristã, esqueceram-se de que não é somente o católico romano, o espírita, o hindu, o testemunha de Jeová ou o satanista que quebram o primeiro mandamento - "Não terás outros deuses diante de mim" (Êx 20.3) - mas que muitas vezes eles mesmos - que por tantas e tantas vezes se consideram os mais notáveis e mais praticantes da palavra - tem sido contrários à verdade bíblica e fazem de suas consciências e desejos o seu deus - "Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos" (Rm 1.22).

O apóstolo Paulo também escreveu aos cristãos de Roma, alertando-lhes para não serem "conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2). Observemos que as palavras de Paulo dizem que só experimentaremos a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus quando tivermos nosso entendimento renovado pelo poder do Espírito Santo que atua por meio de sua palavra!

De forma semelhante expressou o salmista quando escreveu: "Louvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos" (Sl 119.7). Charles H. Spurgeon ao comentar esse texto escreve: "Louvar-TE-ei". [A pessoa] poderia sentir-se uma pessoa louvável, mas prefere considerar a Deus como o único digno de seus louvor. Pelo prisma da dor e da vergonha provenientes do pecado, ela mede suas obrigações para com o Senhor, o qual lhe ensina a arte de viver, levando-a primeiro a escapar, purificando-se de sua miséria. "Quando tiver aprendido teus retos juízos". A providência divina é um livro cheio de instruções, e para aqueles cujo coração é íntegro ele é um hinário, no qual entoam os cânticos de Jeová. Quando lemos os juízos de Deus e participamos efusivamente deles, somos duplamente movidas a cantar - cânticos sem qualquer formalidade, sem hipocrisia, sem indiferença; pois o coração se revela íntegro na apresentação do seu louvor". [3]

Que Deus conceda-nos graça e ousadia para buscarmos sua face em oração e profunda devoção, para que possamos prosseguir "para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.14) - "Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (1Co 9.26,27).

Amém.


Notas:
[1] Citado por Franklin Ferreira em palestra proferida na Igreja Batista Reformada Vida Nova, no dia 29/05/2011 em Florianópolis - SC.
[2] A Lei de Deus Hoje - Solano Portela, Ed. Os Puritanos, página 43.
[3] Salmo 119, O alfabeto de Ouro - Charles H. Spurgeon, Ed. Parakletos, página 21 e 22.

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3 comentários :

  1. Louvado seja Deus pelo belo sermão!!!!!
    Deus tem seus filhos em todo lugar!!!

    Então ouvi outra voz do céu que dizia: "Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam! Apocalipse 18:4

    Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. João 10:16
    Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. João 10:16

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  2. A palavra de Deus, é N.S.Jesus Cristo.
    Jamais deve-se confundir a "Palavra de Deus", com um livro, o qual é idolatrado.
    Também os muçulmanos entendem que o Alcorão, é a Palavra de Deus.
    PS. Não havia Bíblia nos tempos apostólicos. As escrituras do tempo de Jesus, eram os livros (supostamente) escritos por Moisés, os Profetas * principalmente Isaías, Jeremias, e, os Salmos.
    Vamos todos adorar à nosso Deus, em "Espírito de Santidade", porque teologia capenga, não salva... Ninguém !!!

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  3. A palavra de Deus, é N.S.Jesus Cristo.
    Jamais deve-se confundir a "Palavra de Deus", com um livro, o qual é idolatrado.
    Também os muçulmanos entendem que o Alcorão, é a Palavra de Deus.
    PS. Não havia Bíblia nos tempos apostólicos. As escrituras do tempo de Jesus, eram os livros (supostamente) escritos por Moisés, os Profetas * principalmente Isaías, Jeremias, e, os Salmos.
    Vamos todos adorar à nosso Deus, em "Espírito de Santidade", porque teologia capenga, não salva... Ninguém !!!

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