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"Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade" - Sermão pregado dia 29.05.2011


"Purificando as vossas almas pelo Espírito
na obediência à verdade" -

Sermão pregado dia 29.05.2011


Nosso texto: "Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade" (1Pe 1.22).

Queridos, é com grande alegria que podemos reconhecer que tão somente a bíblia é nossa regra de fé e a única capaz de nos instruir em toda boa conduta de Deus. É por demais valioso podermos usufruir de benefícios que tantos outros almejaram alcançar (i.e. o fechamento do cânon bíblico e seus 66 livros) e termos a oportunidade de compartilharmos das inúmeras bênçãos que emanam das sagradas escrituras para nós.

O apóstolo Pedro começa sua carta afirmando que o fato dos cristãos terem ido à Cristo não era mérito próprio, mas tão somente porque foram "eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito" (1.1). Pedro também alegrava-se por saber que os crentes haviam sido gerados "para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos" (1.3). Importante é levarmos cativo o cuidado que devemos ter para não separarmos nossa "viva esperança" da verdade que é capaz de nos purificar por meio do Espírito Santo (1.22).

Quando Pedro escreve, "purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade" (1.22) ele tinha em mente que somente a verdade poderia purificar o coração do cristão. Isso nos é por demais importante, pois constantemente somos cercados de pessoas que "não suportaram a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (2Tm 4.3) e precisamos estar firmemente arraigados na rocha eterna que é Cristo Jesus, pois ele disse: "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha" (Mt 7.24,25).

Salutar importância devemos dar ao fato de não podermos nos descuidar e acharmos que a verdade é conquistada por meio da mera racionalidade humana. Se fosse assim - como supõem os pelagianos - que serventia teria-nos o Espírito Santo? Qual seria a utilidade de um versículo como esse: "Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito" (Jo 14.26)? Certo estou de que o Espírito Santo que "purifica as nossas almas pelo Espírito na obediência à verdade" deve ser levado muito a sério, caso contrário, despencaremos para a heresia e será grande nossa queda.

Mas urge com grande ímpeto a seguinte pergunta: O que é a verdade bíblica?

Em tempos tão pluralistas como os de hoje, não seria estranho também acharmos uma miríade de pessoas que se dizem cristãs, mas que consideram a verdade relativa - para não citar aqueles que negam que exista a tal verdade - e passam e ter seus sensos de justiça baseado em suas concupiscências carnais e contrárias à vontade de Deus. Fazendo como que um amontoado de filosofias e pensamentos demoníacos, vão ao texto sagrado em busca de saciação para seus desejos ínfimos e destituídos de qualquer valor espiritual.

No capítulo 1, versículo 2 lemos que a eleição de Deus visa "a obediência" dos retos, puros e imutáveis decretos do Senhor por parte dos cristãos - mas não somente isso. Os cristãos também são chamados a "santificar ao Senhor Deus em seus corações; e estarem sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há nele" (1Pe 3.15 - já escrevei brevemente sobre isso - O perigo escondido em 1Pe 3.15)

Em 1Jo 2.4 temos um breve sinal de onde não encontraremos a verdade: "Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade". Por sabermos então que "toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16,17), entendemos que a verdade só pode ser encontrada na palavra de Deus e todo aquele que tentar acrescentar ou retirar alguma palavra deste livro, sofrerá as graves consequências de seus feitos (Ap 22.18,19).

Mas para compreendermos o que é a verdade bíblica, precisamos entender que toda a palavra da verdade é externa e fixa.

"Em 1539, comentando o Salmo 119, Lutero escreve: 'Nesse salmo, Davi diz continuamente que irá falar, pensar, conversar, escutar, ler dia e noite e constantemente — porém, nada além da Palavra e dos Mandamentos de Deus. Pois Deus quer dar-lhe o seu Espírito somente pela Palavra externa'. Esta frase é extremamente importante. A 'Palavra externa' é o livro. Lutero afirma que o Espírito salvador, santificador, iluminador de Deus vem a nós diretamente pela 'Palavra externa'. Ele usa o termo 'Palavra externa' para enfatizar que a Bíblia é objetiva, estável, externa a nós e, portanto, imutável. E nem um livro, nem hierarquia eclesiástica ou êxtase fanático podem substituí-la ou dar-lhe forma. Ela é 'externa' tal como Deus o é. Podemos aceitá-la ou deixá-la. Mas não podemos modificá-la. É um livro com letras e palavras e sentenças fixas.

Lutero também disse com ressonante vigor em 1545, no ano anterior à sua morte: 'Aquele que desejar ouvir Deus falar, que leia a Escritura Sagrada.'

A imensa implicação disso para o ministério pastoral e o ministério leigo é que ministros são essencialmente agentes da Palavra de Deus transmitida num livro. Somos fundamentalmente leitores e professores e proclamadores da mensagem do Livro. E tudo isso é para a glória da Palavra encarnada e pelo poder do Espírito que em nós habita. Mas nem o Espírito, que habita em nós, nem a Palavra encarnada nos guiam para longe do livro que Lutero chamou de 'a Palavra externa'. Cristo é representado em nossa adoração, em nossa comunhão e em nossa obediência à 'Palavra externa'. E aqui que vemos a 'glória de Deus na face de Cristo' (2Co 4.6). Portanto, é por amor a Cristo que o Espírito se concentra no livro no qual Cristo é nítido, não em transes nos quais aparece de forma obscura." [1]

Tendo o entendimento dado pelo Espírito Santo de que estariam "purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade" - Pedro pôde instruir de maneira firme e eficaz os destinatários de sua carta.

Quando Pedro escreve-lhes dizendo que o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo havia "segundo a sua grande misericórdia, nos gerado de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos" (1.3 - ênfase minha), ele sabia que esta viva esperança não poderia ser sustentada se não fosse na palavra de Deus.

Pedro também tinha ciência de que a verdade encarnada, vivida e pregada por Jesus, era a única ajuda capaz de nos suportar em meio à tempos difíceis, tentações embaraçosas e dificuldades vivenciais: "Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações" (1.6). Somente a firme confiança em Cristo Jesus - e em seus mandamentos - pode nos levar a passos firmes em direção à vida eterna.

Lemos também que a verdade bíblica é suficiente para nos livrar do erro e do engano: "Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo" (1.13). Certo estou que aparentemente esse conselho soa ser superficial demais - haja vista grandiosa disparidade entre as doutrinas sobre o que a bíblia diz para nós e como ela ser aplicada em nossas vidas - contudo, isto acontece devido à dureza de nosso coração e é fruto do pecado que habita em nós e não da fonte da verdade eterna e imutável - que supostamente está mal revelada, conforme insistem teimosamente os libertinos.

Em tempo oportuno, observamos que assim como a morte de Cristo por seus eleitos foi plena e definitiva, a verdade bíblica também é imutável e soberana sobre qualquer ação e/ou pensamento humano: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1.18,19). Se fomos resgatados com algo infinitamente mais valioso que ouro ou prata, quão abundante verdade deve conter no livro deixado por nosso Senhor e salvador de nossas vidas - o mesmo que detém "o precioso sangue... de um cordeiro imaculado e incontaminado"!

Sabemos que jamais devemos nos esquecer da imensa batalha que temos pela frente, buscando sempre aperfeiçoar nosso caráter às prescrições divinas, mas deveras importante é também estarmos cônscios de que podemos e devemos nos "purificar... [tão somente] na obediência à verdade" (1.22 - acréscimo meu), baseando-nos no fato de: "Porque toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre" (1.24,25 - ênfase minha). Se a palavra do Senhor é a verdade e permanece para sempre - "o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mt 24.35) - nada mais espúrio e antibíblico do que desprezar tal verdade.

Faremos bem se reconhecermos e aplicarmos as sábias palavras de Pedro que dizem: "Vós, portanto, amados... guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém" (2Pe 3.17,18).

Amém.

Nota:
[1] A Palavra é Externa e Fixa

*Leia outras pregações falando acerca da importância das escrituras em nossas vidas: "Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal", "Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste", A vital importância das Escrituras.

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