"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sábado, 30 de junho de 2012

10 modos de se apontar um lápis para a glória de Deus


1. Aponte-o com alegria, pois você possui um lápis;
2. Aponte-o corretamente, pois você é mordomo do que o Senhor lhe deu;
3. Aponte-o de forma a não desperdiçar o restante do lápis;
4. Aponte-o cantando salmos, pois eles servem para todos os momentos;
5. Aponte-o de forma a ter uma ponta firme, durável e eficaz;
6. Aponte-o com gratidão, cuidando para que a ponta não venha a quebrar;
7. Aponte-o da melhor maneira, pois assim se deve agir com as coisas do Senhor;
8. Aponte-o com entendimento, afinal, o conhecimento é também um dom;
9. Aponte-o com louvor a Deus pelas pessoas que o fizeram;
10. Aponte-o na esperança de que o utilizará para as coisas do Reino.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Uma [Breve] Nota Sobre o Dom de Curar


Como temos visto, Paulo pôde curar muitos doentes ao longo de todo o Livro dos Actos. Ele curou todos os doentes na Ilha de Malta em Actos 28. E ele escreveu aos Coríntios sobre o dom de curar que estava em operação na sua igreja durante o período dos Actos (1 Cor. 12:9). 

Porém vimos também que com o encerramento do Livro dos Actos, o dom de curar deixou de funcionar. Paulo não podia curar mais ninguém – nem Epafrodito em Filipenses 2, nem Timóteo em 1 Timóteo 5:23, nem Trófimo em 2 Timóteo 4:20. O dom de curar tinha deixado de funcionar, juntamente com os outros dons sinais. 

Hoje Deus não dá mais o dom de curar, e não há “curandeiros.”  Porém nós não deveríamos pensar que Deus não cura mais! Em Filipenses 2 lemos de uma cura que Deus operou depois do dom de curar ter deixado de funcionar: “Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos, e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E de facto esteve doente, e quase à morte, mas Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu 
tenha menos tristeza. Recebei-o pois no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra. Porque pela obra de Cristo chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida para suprir para comigo a falta do vosso serviço” (Fl. 2:25-30). 

Paulo recomenda muito enfaticamente Epafrodito pela sua fidelidade até à morte. Mas quando Epafrodito adoeceu – quase mortalmente – Paulo não pôde curá-lo porque o dom de curar tinha deixado de funcionar. Porém lemos que Epafrodito foi curado – directamente pelo Senhor: "... de facto esteve doente, e quase à morte, mas Deus se apiedou dele ...”  

Hoje há curas, mas não há nenhum dom de curar, não há “curandeiros divinos.” Hoje não há nenhum dom de curar mas Deus ainda cura ... às vezes. Ele curou Epafrodito, mas não curou Paulo em 2 Coríntios 12:8,9 ou em Gálatas 4:13-15, nem Timóteo em 1 Timóteo 5:23, nem Trófimo em 2 Timóteo 4:20. Hoje Ele cura de acordo com a Sua vontade. Porém a promessa 
que Ele fez a Paulo ainda é a nossa promessa hoje na dispensação da graça: "A Minha graça te basta, porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." (2 Cor. 12:9).  

Quer estejamos bem ou enfermos, quer estejamos como Epafrodito ou como Timóteo, podemos reclamar sempre esta promessa do Senhor de que a Sua graça e poder são  suficientes para nós. Ele nunca permite que soframos algo sem nos dar poder para sobreviver.

por Pr. Dennis Kiszonas 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

A Maldição do Discurso Motivacional


No último domingo, um jovem veio falar comigo após o culto. Ele é o tipo de pessoas que aparece na igreja de vez em quando e desaparece por um longo período. Imagino que ele anda pelas igrejas experimentando sermões e procurando por respostas. Nessa vista, ele pediu que eu o ajudasse a superar uma falha em sua vida, e era uma falha em progredir. Ele disse que seu maior problema é que não acreditava em si mesmo. Como eu poderia ajudá-lo a acreditar em si mesmo de tal forma que ele se tornasse bem-sucedido?

Eu perguntei se ele era cristão. Sua resposta foi “Eu realmente preciso a fim de ser bem-sucedido? Você está me dizendo que todas as pessoas bem-sucedidas por aí são cristãs? Não existem princípios gerais que eu possa aplicar a minha vida – quer eu seja cristão ou não – que podem me alavancar ao sucesso?”. Eu o desafie a responder ele mesmo a essas perguntas. Afinal, eu tinha certeza de que ele tinha já passado bastante tempo entre palestrantes motivacionais para ter a resposta.

“Esse é o problema”, ele disse, “Me ensinaram que esses princípios existem e tentei colocá-los em prática. Eles parecem funcionar por um tempo e então eu volto ao meu antigo eu. Quero que você me ajude a encontrar uma fórmula que me ajudará a seguir adiante e nunca voltar a não acreditar em mim mesmo”. Para encurtar a história, finalmente o persuadi da necessidade de reconciliação com Deus antes que alguém possa libertar-se da rotina de frustração onde Deus acorrenta pecadores irreconciliados.

Eu o entreguei um livro para ler, chamado O que é um Cristão Bíblico? Quando nos encontramos no dia seguinte, ele foi honesto o bastante para me dizer que estava decepcionado com o que leu, pois não o estava ensinando o que ele queria ouvir. “O que eu quero saber é como posso ser bem-sucedido. Esse livro não diz nada sobre isso”. Repeti o que já tinha dito. O que ele precisava não era acreditar em si mesmo, mas crer em um Salvador enviado pelo céu. Ele precisava de perdão como fundamento de sua vida.

Ontem, um membro da igreja me contou que encontrou aquele jovem em um mercado. O rapaz tinha dois livros em suas mãos. O primeiro era aquele que eu o dei e o segundo era um de Joel Osteen. Ele disse a nosso membro: “Pastor Mbewe me deu esse livro, mas eu não gostei porque me faz sentir culpa. Prefiro o do Joel Osteen porque me anima, me motiva”. Fiquei muito preocupado com isso, então decidi apresentar alguns pensamentos sobre a maldição do discurso motivacional.

Infelizmente, o discurso motivacional tornou-se a dieta básica de muitos púlpitos evangélicos. A mensagem ouvida é “Deus te deu potencial e tudo o que você precisa para liberar esse potencial é acreditar em si mesmo. Tenha uma grande visão e viva essa grande visão. Você deve ser um homem ou uma mulher de futuro e o céu não será o limite para você. Não deixe que seus fracassos passados obstruam seu caminho para o sucesso. Olhe além deles, como Jesus olhou além da cruz e, portanto, a superou. Você é cabeça, não cauda”.

À luz dos excessos do discurso motivacional, fica a questão: “É dessa forma que os pregadores do Antigo e do Novo Testamento pregavam?”. Se resumirmos a pregação de Noé, Moisés, Elias, Isaías, Jonas, Paulo, Pedro etc., na Bíblia, é esse o tipo de mensagem que encontraremos? Eu acho que não. Certamente os palestrantes motivacionais pegam algumas palavras emprestadas, mas emprestar as palavras de alguém não é dizer o mesmo que essa pessoa diz. “Um texto sem contexto é pretexto.

Minha principal discordância com o discurso motivacional é que reduz Deus a um meio ao invés de o fim. Homens e mulheres não são capazes de perceber que a natureza do pecado se encontra no “eu”. O discurso motivacional, por outro lado, alimenta esse mesmo ego e aponta para Deus como aquele que pode mimá-lo a ponto de intoxicar-se. Isso é uma mentira! É somente Deus quem deve ser o centro de nossas vidas. O cristianismo exige a morte do ego, carregar a sua própria cruz, seguir um Salvador sofredor.

Sempre que ouço o discurso motivacional, parece que ouço a mensagem “Paz, paz” onde não há paz. Me parece um médico assegurando a um paciente com câncer terminal nos estágios finais de que ele não precisa se preocupar porque tudo ficará bem se ele apenas acreditar em si mesmo. Ele está morrendo, avise-o! É o cúmulo da insinceridade um pregador saber que o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23) e fazer aqueles que caminham para o matadouro apenas sentirem-se bem.

O discurso motivacional faz as pessoas sentirem-se bem, enquanto o Evangelho faz primeiro as pessoas sentirem-se mal – até que elas encontrem seu tudo em Cristo. A verdadeira pregação deve fazer as pessoas encararem o fato de que estão vivendo em rebelião contra Deus e que precisam arrepender-se ou perecerão. É somente quando as pessoas reconhecem isso e clamam “O que devemos fazer para sermos salvos?” (At 2.37, 16.30) que a verdadeira pregação as dá boas notícias: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).

O discurso motivacional é um tentativa de matar um leão ameaçador com uma pequena zarabatana de feijão, usando como munição feijões recentemente cozinhados, preparados com os temperos mais aromáticos. O cheiro pode até atrair o alvo, mas será inútil para derrubar aquela fera selvagem. Homens e mulheres fora de Cristo estão MORTOS em transgressões e pecados. Estimular seus sentidos com frases de efeito banais não lhes dera vida. Eles precisam da Lei para matar seus egos caídos e do Evangelho de Jesus Cristo para receber vida.

Eu sei que o discurso motivacional está enchendo nossas igrejas até que elas pareçam com estádios de futebol. Em um mundo de miséria e melancolia, todos nós precisamos de algum encorajamento. Mas isso é tudo para o que fomos chamados como pregadores? Quem bem há se homens se sentem inspirados e motivados, e então voltam para casa vivendo uma vida de pecado e egoísmo? Infelizmente, essa é a norma em muitas igrejas evangélicas. As igrejas estão lotadas de pessoas determinadas a beber o pecado como água por toda a semana.

Discurso motivacional não é pregação bíblica. É uma praga na paisagem do verdadeiro evangelicalismo. Está enchendo as igrejas com pessoas mortas que estão sendo ensinadas a viver como se estivessem vivas. Precisamos retornar ao bom e velho Evangelho que verdadeiramente dá vida aos mortos e liberta homens e mulheres. Como Paulo fazia, cada púlpito verdadeiramente evangélico deve soar a clara mensagem do “arrependimento para com Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo” (Atos 20.21). Fujamos dessa maldição do discurso motivacional!

por Conrad Mbewe
Fonte: iPródigo

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Carta a uma família que frequentemente chega atrasada na igreja



*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.

Olá, querida família Lero-Lero. Me desculpem ter recusado seu convite para o último jantar. Eu e minha esposa já tínhamos um compromisso firmado, por isso não pudemos ir - mas certamente teremos outras oportunidades.

Estou lhes mandando esta carta porque aprecio muito a companhia de vocês, de modo que ao vê-los na igreja, sempre juntos, muito me alegra o coração e constantemente louvo ao Senhor por suas vidas. Também escrevo-a na oração a Deus de que Ele lhes transforme a cada dia e os faça mais semelhantes ao Seu filho Jesus, de modo que aos poucos possam testemunhar de como o Senhor tem sido gracioso com vocês, a ponto de os dar irmãos que possuem a liberdade em Cristo para os admoestar.

Acontece, querida família, que, embora eu afirme que vocês sejam muito especiais, precisam estar cientes de algo que estão fazendo e que tem atrapalhado toda a igreja: quase sempre chegam atrasados. Neste ponto, não faço menção àquela vez que o filho mais novo ficou doente e tiveram de o levar para o hospital, nem daquela vez que sua esposa estava ajudando sua mãe idosa. Sei perfeitamente também daquele dia em que o carro quebrou e da outra vez que o café foi derramado na camisa de alguém. Aqui, me refiro aos atrasos de um modo geral, isto é, àqueles que podem ser evitados.

Talvez, por terem vindo de outras igrejas, nunca alguém lhes tenha dito que é dever do cristão o cumprir de sua palavra. Quer dizer, Jesus nos disse que nossa palavra deveria ser cumprida e que caso não conseguíssemos realizar o que prometemos, então, que fosse melhor negarmos o compromisso (Mt 5.37). Isto é, como vosso amigo e, quem sabe futuro pastor (se assim o Senhor nos unir e os transformar em algumas questões específicas da vida cristã), preciso dizer que não é bíblico chegar atrasado na igreja. Todavia, já de imediato, peço que ao lerem esta carta não me vejam com maus olhos, pois não digo isso apenas de mim, mas sim porque alguns irmãos já vieram falar comigo sobre que frequentemente a família de vocês (todos ou indivíduos isolados) costuma se atrasar para os compromissos - desde os informais até os mais importantes.

Sabe, amada família, como professos da fé cristã, vocês precisam compreender que não são mais especiais do que outros ou que possuem mais compromissos do que o restante da congregação, de modo que, ressalvadas as devidas necessidades, não há o porquê de sempre chegarem atrasados para seus compromissos. Sei que vocês trabalham arduamente, (cada um para aquilo que o Senhor designou), todavia, quem é que foge desta regra? Valho-me disto para dizer não é lícita a desculpa de que possuem muitos outros compromissos e, por isso, não conseguem chegar no horário. Lembro-me, agora, com tristeza, de alguns domingos atrás quando o culto já estava em andamento e "lentamente" vocês entraram pela porta e tentaram tomar lugar sem chamar a atenção - mas, como é evidentemente, não conseguiram, pois toda a congregação se dispersou para ver quem se aproximava. Há ainda outra vez quando num simples passeio agendado pelo parque, vocês ligaram (já atrasados) e avisaram que chegariam trinta minutos depois, pois haviam "perdido o horário."

Neste ponto, não preciso citar os símbolos de fé de nossa congregação nem o diretório de culto para demonstrar que tal prática é errada, pois o próprio ato de atrapalhar a adoração ao Senhor e fazer os irmãos esperarem desnecessariamente, já consiste em uma atitude errada. Vejam que não desejo menosprezá-los, mas sim demonstrar que muitas vezes não percebemos o mal em que estamos incorrendo ou ainda, num testemunho público que não dignifica a Jesus Cristo, afinal, chegar atrasado, atrapalhar e não cumprir o que se promete, não são coisas que louvam ao Senhor.

De modo específico, preciso dizer a você, nobre cabeça do lar e dirigente desta família, que como marido e pai, precisa colocar ordem na casa. Sei que você comenta que são muitas pessoas para tomarem banho antes do culto (ou de outro compromisso) e por vezes alguém acaba demorando além do necessário. Entretanto, note que, como guia da família, é imprescindível que você arquitete e organize os horários para que todos possam já tomar banho no devido horário e não venham a se atrasar. Se sua esposa ou filhos (ou você mesmo) tem demorado e transgredido o horário, converse com ela(e) e a corrija com base nas Escrituras - certamente haverão de entender e penso que o Espírito Santo lhes trará arrependimento. 

Dirijo-me também à nobre esposa e auxiliadora que você tem: Irmã, sei que você procura vir bem trajada para a igreja, mas peço que leve cativo em seu coração que mais importante que a disposição de listras do  seu vestido ou a cor do amarrador de cabelo, é a inclinação do coração para ouvir a palavra. Assim, sendo possível, deixe sua roupa preparada já no sábado a noite, de modo que em nossos cultos matutinos, a irmã já possa levantar pela manhã e não ter de ficar escolhendo a roupa que irá colocar- essa dica lhe poupará grande quantia de tempo. Como esposa virtuosa que deseja ser, gentilmente também ajude seu marido nesta área e ensine seus filhos sobre isso, de modo que todos possam ter harmonia e crescerem juntos na preparação e ordem da vida familiar.

Deixem-me ainda ter uma palavrinha com seus três preciosos filhos: na qualidade de jovens que vocês são, precisam se lembrar que suas jovialidades não são sinônimos de falta de compromisso. Seus pais já conversam comigo e com minha esposa sobre quantas são as vezes que eles precisam lhes chamar pela manhã até que levantem e, quando temos o culto pela noite, as inúmeras vezes que precisam lhes avisar sobre a hora do culto. Não gostaria de ofender vocês, mas penso que o Facebook, Twitter e mensagens de celular estejam tendo mais prioridades em suas vidas do que a Palavra de Deus, de modo que não se esquecem de verificar as atualizações nas redes sociais ou mandar aquele "tweet" para o colega, mas acabam "esquecendo" do início do culto - lembrem-se que o domingo é um dia reservado para as atividades do Senhor. Peço que usem de suas energias para se prepararem com a devida antecedência ao culto (e demais compromissos), de forma que não venham a ser empecilho para a chegada no horário e, também, como é sabido, com o fim de evitarem as constantes discussões que há em casa e no trajeto para os compromissos em conjunto, pois não foram poucas as vezes que vimos vossa família sair irritada do carro - tudo por causa de que frequentemente alguém se atrasa.

Por fim, lembrem-se de que chegar atrasado não glorifica o nosso Senhor. O apóstolo Paulo, como frequentemente falamos na igreja, é explícito ao dizer que devemos fazer tudo para a glória do Senhor (1Co 10.31). Observem que, sendo isto verdadeiro, o chegar atrasado não glorifica ao Mestre, pois além da violação do horário estabelecido, acabam por terem suas palavras em descrédito, pois quem ousa acreditar naquele que não cumpre os horários e, por vezes, até mesmo se acha mais atarefado do que todos os outros? Portanto, busquem chegar no horário de seus compromissos para a glória de Deus e Ele será grandemente louvado nesta área de suas vidas.

Por saber que tal admoestação que lhes trago não é baseada no puritanismo ou ordem social por demais elevada, mas tão somente na firme palavra de Deus (ainda que não tenha colocado todas as referências - mas as posso fornecer), lhes escrevo com a consciência tranquila e certos de que refletirão e mudarão suas atitudes para a glória do Senhor.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

terça-feira, 26 de junho de 2012

Efésios 1.15-16 - Rendendo Graças a Deus pelos Irmãos - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 24.06.2012




Efésios 1.15-16 - Rendendo Graças a Deus pelos Irmãos - 
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 24.06.2012

"Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:" (Ef 1.15-16).

Muitos são os homens que fazem as mais diversificadas distinções e interpretações dentro da palavra de Deus. Talvez, a mais comum seja o afirmar de quando se estuda muita doutrina bíblica, se acaba por ficar inerte em relação ao evangelismo, prática cristã e amor entre os irmãos. Quer dizer, com relação a este último, muitos ousam afirmar que "estudar a Bíblia a fundo" leva a uma estagnação em relação ao amor entre os crentes, pois se tende a priorizar o conhecimento em detrimento da união. Todavia, para fazer com que tais pessoas tenham suas opiniões estraçalhadas sobre o chão da Palavra, no presente versículo o apóstolo nos mostra o quão jubiloso estava de ouvir a fé que havia na igreja de Éfeso, de modo que não cessava em dar graças a Deus, pois a união dos irmãos é por deveras importante.

Aqui, entretanto, Paulo não está afirmando que constantemente louva ao Senhor por toda e qualquer pessoa que se diz professa da fé, mas sim que agradece ao Senhor por aqueles amados que estão verdadeiramente ligados à fé em Cristo Jesus e em Sua pura doutrina. Note como o apóstolo inicia: "Por isso". Quer dizer, baseado em todos os catorze versículos anteriores e por toda a doutrina exposta até o presente momento, Paulo poderia dar graças ao Senhor pelo bem que tem feito ao Seu povo e de como eles estavam crescendo da fé e esperança em Cristo Jesus. Assim, se visualiza com grande clareza que o amor entre o s irmãos deve estar alicerçado na doutrina, no estudo coerente e sério das Escrituras, pois, haja vista não devermos estar em união com as trevas (qualquer doutrina que não passe pelo crivo das Sagradas Letras - "E que comunhão tem a luz com as trevas?" - 2Co 6.14), precisamos nos esmerar em amarmos os professos da fé, desde que estejam professando a verdadeira fé salvadora, pois, como já disse alguém, pode-se adorar um ídolo chamado "Jesus". 

Acertadamente também pontuamos que devemos amar nossos inimigos (Mt 5.44), contudo, nos foquemos na ênfase de Paulo - o amor entre os irmãos.

 - "ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus". Ao lermos as Escrituras precisamos sempre nos perguntar: "Há um significado e aplicação deste texto para minha vida?" Assim, quando fazemos tal pergunta para esta declaração de Paulo, imediatamente nos vem a resposta de que só é possível alguém ouvir da fé de outrem se aquele falar acerca da mesma. É preciso que os cristãos compartilhem audivelmente e visivelmente de sua fé e vivência em Cristo Jesus. Embora estejamos na "era" da internet e os relacionamentos tendam a ser muito impessoais, a palavra do Senhor nos relembra na necessidade de fazermos com que os irmãos escutem e conversem entre si sobre suas vidas com o Salvador. O próprio apóstolo falará mais adiante sobre isso, dizendo para que ajamos desta maneira: "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef 5.19). Os cristãos precisam conversar sobre seus problemas e vitórias da vida cristã, precisam entender que partilhar das experiências da vida cristã é algo de suma importância. A própria Escritura nos revela a importância da união: "Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante" (Ec 4.10).

- "e o vosso amor para com todos os santos". Não basta que falemos de nossa fé em Cristo, é preciso que também exteriorizemos essa fé em amor para com o próximo - "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1Jo 4.20). A alegria do cristão deve ser o amor para com os mesmos servos do Altíssimo, pois assim como em uma guerra física ama-se todos os que estão "do nosso lado" e odeia-se todos que são "contra nós", a unidade do cristianismo deve ser patente a todas as pessoas que professam a crença e vivem de acordo com a santa Palavra. O próprio Jesus Cristo explicitou: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.35). O papel da Igreja de Cristo não é de causar intrigas entre si mesma, pois como pode um reino lutar contra si mesmo (Lc 11.18) e ainda existir? Porém, precisamos salientar ainda outra vez a importância de amarmos conforme a doutrina ensinada nas santas palavras registradas na Bíblia, de modo que devemos reputar por erro toda interpretação que não se harmonize com o restante das Escrituras e que foi fielmente legada e aplicada por toda a Bíblia.

- "Não cesso de dar graças a Deus por vós". Tendo uma vez ouvido sobre a fé dos irmãos de Éfeso e sobre como expressavam seu amor uns para com os outros, o apóstolo não poderia fazer outra coisa, senão agradecer grandemente a Deus por tudo que lhes havia proporcionado em Sua grande graça e misericórdia. Orar ao Senhor e render louvores ao Seu nome pela miríade de irmãos espalhados por toda a terra não é tarefa e prazer de pequena importância. A união do crente com o Senhor deve ser motivo de grande alegria e regozijo: "Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres" (Sl 126.3).

- "lembrando-me de vós nas minhas orações:". Paulo pretendeu deixa nítido para os cristãos de Éfeso de que não era suficiente o simples agradecer a Deus pela suas vidas, mas sim que deveria também orar por eles, de forma que rogava o poder do Eterno para que continuasse lhes dando espírito esperançoso e conhecimento no poder do Espírito Santo (v. 17). Tiago também nos escreve acerca da sobreexcelente obra que é orar pelos irmãos: "Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tg 5.16). Ao ouvirmos estas palavras devemos sossegar em nossos corações e realizarmos um autoexame honesto, a fim de que verifiquemos se de fato estamos orando pelos irmãos, se temos nos importado com suas vidas e desejamos ver constantemente os frutos do Espírito Santo em suas ações. A oração pelos irmãos em Cristo não é uma simples sugestão apostólica (e, ainda que fosse, teria total autoridade, pois tal sugestão está contida na Bíblia e ela é totalmente suficiente para nosso crescimento - 2Tm 3.16-17), mas sim algo necessário para o fortalecimento entre os amados da fé em Cristo.

Portanto, o apóstolo nos fala sobre quatro atos que o cristão deve ter para com seus irmãos em Cristo.

1. Alegria por ouvir que alguém foi salvo por Cristo Jesus - "ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus".

Todos os cristãos que se dedicam a estudar arduamente as Escrituras (e todos, sem exceção, deveriam fazer isso - Salmo 1), por vezes acabam sendo tentados a descambar para o outro lado da questão, isto é, estudam com tamanho afinco e tem um zelo tão grande pela Verdade, que só conseguem amar aqueles que se encaixam perfeitamente em seus pressupostos pessoais, de modo que aos poucos vão rejeitando todo o restante como hereges e imperfeitos diante do Senhor. Não é preciso se alongar para afirmar que tal posicionamento reflete um espírito completamente desprovido da realidade e ensinamento bíblico, afinal, tal impulso não reflete humildade alguma, ao contrário, exterioriza o orgulho interno de supostamente pertencer a uma classe "mais elevada" de cristãos.

Todavia, note que falamos em "pressupostos pessoais" que levam ao orgulho. Quando assim agimos, quer dizer, admitimos à comunhão ou excluímos as pessoas baseadas em nosso próprio querer, acabamos por enfraquecer a autoridade das Escrituras em nossa vida, pois já não vivemos mais de acordo com os ditames da Palavra de Deus, mas sim conforme achamos que entendemos a palavra de Deus. É algo muito perigoso confiar no próprio coração - "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jr 17.9). Por isso precisamos entender que devemos trabalhar baseado em pressupostos bíblicos e coerentemente defensáveis pela Bíblia, caso contrário julgaremos as pessoas com base naquilo que achamos ser verdadeiro e correto, em vez de irmos até a revelação de Deus (a Bíblia) e dela retirarmos os pressupostos eternos.

Também é preciso salientar que a salvação não reside em uma denominação específica ou em congregações ímpares, mas sim no poder do Alto, "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). É fato fundante da vida cristã que precisamos discernir as doutrinas bíblicas e rejeitá-las prontamente se forem contrárias às Escrituras, todavia, devemos igualmente pedir grande humildade e sabedoria divina, pois não são (e serão) poucas as vezes em que nos jactamos de nossa denominação, subimos no andaime do orgulho e proferimos um olhar de julgamento para todos que estão "abaixo" de nós.

Digo isso porque muitas vezes em vez de nos alegrarmos com o arrependimento de um pecador, o primeiro pensamento que temos é: "que pena, seria melhor se tivesse em minha igreja". Preciso também deixar registrado que de fato muitos "arrependimentos" são completamente supérfluos e neles não se pode sequer se visualizar a contrição pelo pecado e um amor grandioso pela salvação graciosa de Cristo - é necessário que sempre entendamos qual a natureza do verdadeiro arrependimento. Ainda, nos é mister rogar ao Senhor para que transforme seus filhos a cada dia de acordo com Sua palavra e que nos use para este feito, de modo que sejamos verdadeiros agentes de Cristo e que já não exalam mais o perfume da morte (Ef 2.1), mas sim "o bom perfume de Cristo" (2Co 2.15).

Portanto, o fato que precisa ser evidente em nós é que quando visualizarmos um verdadeiro arrependimento, uma real aversão ao pecado e grandiosa inclinação para com o Senhor na vida de outrem, que possamos nos alegrar grandemente, pois se nos céus há tal alegria, por que não deveria também haver em nós? "Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende" (Lc 15.7).

2. Deve estimular o amor e união em torno da causa de Cristo Jesus - "e o vosso amor para com todos os santos".

Na vida cristã tudo deve perpassar pela vida e obra de Jesus, pois Ele é "o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" (Ap 22.13) e também "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém" (Rm 11.26).

Os cristãos devem estar firmemente unidos uns com outros. Devem batalhar em prol do amor comunitário e devem sempre de agasalhar em torno do estandarte cristológico. A atitude de um verdadeiro crente não é desestimular seus irmãos por causa de seus pecados, mas sim exortá-los em amor para que a graça de Cristo não seja vã em suas vidas (1Co 15.10) e que a união no poder do Senhor possa ser visivelmente firme diante do mundo. Foi desse modo que o apóstolo escreveu aos Coríntios: "Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (2Co 5.1).

Notemos a ênfase que Paulo coloca no amor e unidade entre os irmãos, a ponto de que mesmo que percam todas as suas posses - "se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer" -, juntos morarão no edifício de Cristo, "uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus". Ainda que todas as coisas nos sejam contrárias, mesmo que todos os ventos soprem contra nossas habitações, podemos confiar de que estamos sobre a rocha que é Cristo (Mt 7.24-25). O salmista expressou belamente sua confiança em Cristo: "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam" (Sl 23.4).

Quando confiamos em Deus, então amamos os irmãos e os confiamos ao Senhor, nos unimos em favor do Sua bandeira e nos abrigamos debaixo de Suas asas (Mt 23.37).

3. Jamais perder a alegria pelos irmãos em Cristo Jesus - "Não cesso de dar graças a Deus por vós".

Muitos são (e serão) os irmãos e irmãs que nos decepcionam, violam nossos sentimentos de confiança que nutríamos em relação a eles e por muitas vezes acabam por nos magoarem e ferirem nossas vidas (o contrário é também verdadeiro). Porém, para que esse problema seja minimizado, precisamos constantemente recordar de que ainda estamos carregando o corpo desta morte (Rm 7.24) e que sempre teremos o pecado em nossos círculos cristãos. Por mais piedoso e puritano que alguém possa tentar ser, ainda assim fraquejará e ferirá os demais amados. Então, somos instados a perdoar tais irmãos não apenas algumas vezes, "mas, até setenta vezes sete" (Mt 18.22) - e isso é possível porque os amamos em Cristo Jesus, não por nossas próprias forças.

Pode ocorrer também que percamos a alegria nos irmãos, não porque sejam pecadores, mas sim porque depositamos erroneamente nossa confiança em suas vidas. Através do profeta Jeremias o Senhor alertou o povo de Israel sobre esse grande perigo: "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!" (Jr 17.5). Quantas são as vezes que vamos para a igreja desgostosos da vida e/ou sequer desejando conversar com outrem, tudo porque estamos magoados com alguém? Neste sentido, a palavra do Senhor nos admoesta para que constantemente perdoemos uns aos outros e sejamos alegres pela vida do próximo.

Apesar de muitos irmãos certamente também terem dificuldades com o apóstolo Paulo e este com aqueles, notemos qual é sua disposição para com a alegria: "Não cesso de dar graças". Em outras palavras, Paulo está estimulando os crentes de Éfeso de que ele não parara de agradecer ao Senhor e até mesmo parece-nos transmitir a ideia de que jamais cessaria de louvar a Deus pela boa obra efetuada em suas vidas. Desta maneira se vê clarividentemente a ímpar responsabilidade da Igreja do Senhor ter alegria por estar com os irmãos. Novamente o salmista nos ensina: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos á casa do SENHOR" (Sl 122.1).

4. Orar continuamente pelos irmãos em Cristo Jesus - "lembrando-me de vós nas minhas orações:".

O pequeníssimo, mas valiosíssimo versículo nos exorta: "Orai sem cessar" (1Ts 5.17). Precisamos diariamente levantar súplicas e agradecimentos pelos nossos amados e preciosos guerreiros da fé em Cristo Jesus. Por guerreiros, que ninguém entenda que sejamos alguma coisa diante de Deus, mas sim que, nas palavras de Jesus, "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (Jo 16.33). 

O esmerar-se na oração é sinônimo de amor-guerreiro-cristão. Todo cristão deve orar arduamente por seus amados, a fim de que tenham o "bom ânimo" do Senhor. Paulo ampliará esse ponto no final de sua carta, quando diz: "Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho" (Ef 6.18-19). Embora seja fato de que não saibamos como que a oração pode fortalecer os irmãos, o ponto basilar de nossa confiança deve estar no poder e na soberania de Deus - e não em nossa própria oração.

A oração é meio pelo qual Deus move o coração do homem, mas o homem ora somente porque Deus o impele a isso. Agostinho orou assim: "Concedeste porque tu ordenaste, e ordenaste o que tu desejaste". [1] Oramos pelos irmãos e os depositamos à confiança do Eterno porque quando oramos sabemos que estamos realizando a vontade de Deus. Se Deus nos ordenou que orássemos, então Ele também concede este desejo para que assim pratiquemos. Todas as ordenanças do Senhor também acompanham Sua providência, de modo que homem algum possa se gloriar em qualquer feito seu. "Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor" (2Co 10.17).

Que diariamente possamos estimar mais nossos irmãos em Cristo Jesus e que seja a cada dia mais verdadeiro a bênção divina em nossas vidas: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém" (2Co 13.14 - grifo meu).

Nota:
[1] Citado em "A vida é como a neblina", de John Piper - pág. 33.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 13 - Homem e Mulher após a Queda - Direitos e Deveres dos Solteiros e Casados - Sermão pregado dia 24.06.2012



Série: Homem e Mulher os criou - parte 13 -
Homem e Mulher após a Queda -
Direitos e Deveres dos Solteiros e Casados -
Sermão pregado dia 24.06.2012


Tendo sido expulsos do jardim, homem e mulher estavam de uma vez por todas privados daquela relação gloriosa que possuíam com o Senhor no Éden; mas, como vimos, aprouve ao Eterno lhes revestir da justiça de Cristo e constantemente lhes ser misericordioso, de forma que mesmo após o pecado, pela graça (e tão somente!) poderiam ser salvos e ter seu relacionamento reconciliado por Deus através de Jesus Cristo (Jo 14.6).

É preciso, portanto, que delimitemos algumas questões importantes sobre a vida humana após a queda, afinal, a criação havia se corrompido e, além disso, necessitariam labutar na terra e lutar contra o pecado que constantemente lhes assediaria. Assim, foi do agrado do Altíssimo paulatinamente lhes revelar a Sua vontade, isto é, como se diz na teologia, a revelação de Deus foi progressiva na história, de forma que constantemente os homens e mulheres eram ensinados por Deus - ora por meio de profetas, ora por reis, ora por juízes, pessoalmente pelo próprio Cristo e, por fim, através dos apóstolos e homens que andaram com o Senhor. Hoje, sendo sabido que as revelações cessaram, somos ensinados exclusivamente através da Bíblia - por isso não podemos deixar ao encargo do homem o imaginar de como deve ser a vida com a presença do pecado, devendo sempre este ir verificar nas Escrituras qual a melhor e correta maneira de se agir perante Deus.

Visto que nos propusemos a falar sobre homem e mulher, agora, após a queda, precisamos delimitar algumas questões de extrema relevância e importância para a Igreja do Senhor. Precisamos recordar que a vida após o pecado implica em grande dificuldade para o ser humano, pois luta constantemente com o pecado, de forma que muitíssimas vezes acaba por fazer aquilo que não desejava e se omite naquilo que deveria realizar (Rm 7.15). 

Por a presente série não ter como finalidade uma grande extensividade sobre os mais variados assuntos, me proporei a resumir as questões e dar diretrizes bíblicas sobre como se deve agir.

- Solteiros

Lembremos que existem duas etapas do homem e da mulher: enquanto solteiros e depois quando casados. Haveria uma posição melhor? Isto é, biblicamente falando, há alguma diretriz bíblica sobre se é melhor permanecer solteiro ou se dar-se em casamento? Sim, existe e está - também - em 1Coríntios 7. "Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido" (1Co 7.1-2). 

Paulo inicia seu pressuposto dizendo: "bom seria que o homem não tocasse em mulher". Essa frase contém uma dupla aplicação: a primeira diz respeito ao próprio tocar, isto é, por causa da pecaminosidade humana que leva prostituição (v. 2), é bom que o homem não toque - fisicamente - em mulher. Isso não significa negar um abraço para a mãe, irmã de sangue ou deixar de cumprimentar as pessoas do sexo oposto. Porém, devemos sempre levar cativo que "a carne é fraca" (Mt 26.41; Mc 14.38), de modo que isto nos leve a evitar todo contato desnecessário com o sexo oposto, para que não transgridamos a santidade requerida (lembrando também que, embora se possa ter um exterior "puro", se deve priorizar o coração, "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios" - Mc 7.21). A segunda aplicação é referente ao estado de não casado, quer dizer, Paulo argumenta que é melhor que o homem/mulher permaneça solteiro. Mas por que ele afirmou isso?

"Ora, quanto às virgens, não tenho mandamento do Senhor; dou, porém, o meu parecer, como quem tem alcançado misericórdia do Senhor para ser fiel. Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade, que é bom para o homem o estar assim. Estás ligado à mulher? não busques separar-te. Estás livre de mulher? não busques mulher. Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca. Todavia os tais terão tribulações na carne, e eu quereria poupar-vos" (1Co 7.25-28 - grifo meu). O fato de Paulo dar esse incentivo não é porque visse no casamento algo maligno, mas sim porque a união de homem e mulher implica em "tribulações". Outro motivo é também porque "O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor; Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher" (1Co 7.32-33). A sentença de Paulo não é que o solteiro não somente se dedica as coisas do Senhor (como se fosse um mero conselho humano), mas sim que deve fazê-lo. Note a afirmação no imperativo e tempo presente: "cuida". Ele, portanto, tem a obrigação (sempre buscando fazer com amor - 1Co 13.2) de se dedicar arduamente as coisas do Alto, despendendo seu tempo e dinheiro para essa causa.

"O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor" (v. 32). Esta é a obrigação do solteiro! O solteiro não está só para fazer acampamentos, inúmeras viagens, passear e não ter hora para voltar, viver "livre, leve e solto" - nada disso perpassou a mente de Paulo (que era um solteiro!) e sequer é cogitado nas Escrituras. Aqueles que estão solteiros devem se empenhar na causa de Cristo e por ela dar suas vidas, de modo que possam fazer como Paulo: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20). De fato todo o cristão deve ressoar estas palavras apostólicas, mas o solteiro "cuida [apenas] das coisas do Senhor", ao passo que o casado "cuida [também] das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher" (1Co 7.33).

O apóstolo também diz em relação aos solteiros: "De sorte que, o que a dá em casamento faz bem; mas o que não a dá em casamento faz melhor" (1Co 7.38). Paulo chega até mesmo a dizer que caso alguém tenha perdido seu cônjuge, que seria melhor permanecer solteiro: "A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus" (1Co 7.39-40).

Entretanto, notemos aqui que o apóstolo não está afirmando que todas as pessoas têm a capacidade (dada por Deus) de permanecerem solteiras por toda a vida. Ele escreve: "Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo [solteiro]; mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira e outro de outra... Cada um fique na vocação em que foi chamado... Todavia o que está firme em seu coração, não tendo necessidade, mas com poder sobre a sua própria vontade, se resolveu no seu coração guardar a sua virgem, faz bem" (1Co 7.7, 20, 37). O voto de celibato (do latim cælibatus que significa "não casado") não é dado indiscriminadamente, pois a própria Escritura revela que a maciça maioria é impelida pelo Senhor ao casamento. Assim, o permanecer solteiro não é razão para deboches ou "gracinhas" entre colegas e amigos, mas sim algo determinado e estimulado pela Bíblia. Porém, é preciso notar que o voto de celibato pode ter fim, isto é, de um modo geral os cristãos ficam entre 20 e 30 anos neste voto, pois é o tempo de nascerem e se casarem. O voto de celibato não precisa ser por toda a vida (embora seja recomendado [1]). 

Por aprendermos que a condição de solteiro não deve ser estimulada caso haja muita tentação com relação a prostituição (desejos e vontades quase que desenfreados para se ter um cônjuge), devemos entender também que a condição de casado é o meio para se vencer essa tentação, de modo que quem assim não o faz (isto é, mesmo sendo continuamente tentado e caindo em pecado, insiste - por teimosia - em permanecer solteiro), comete grave violação para com as Escrituras e não a usa corretamente para seu crescimento em Cristo. Em outras palavras, o dom de permanecer solteiro não é para todos, portanto, se alguém pensa ter essa graça, mas continuamente é tentado ao lado contrário, então que renuncie essa graça que pensa (erroneamente) possuir - ou que já a teve pelo tempo determinado pelo Senhor - e se lance em casamento, a fim de constituir família e evitar a prostituição (1Co 7.2).

Em pormenores da vida de solteiro e de como se deve trilhar por este mundo, basta olhar para a vida de Jesus e dele recebermos todo o ensino precioso.

- Casados

Visto que nem todos possuem o dom do celibato (na verdade, todos os possuem, mas nem todos por toda a vida), nos foquemos agora em como deve ser a vida matrimonial em alguns aspectos ainda não visualizados. [2]

Ao lermos o presente capítulo 7 de Paulo à igreja de Corinto, de imediato o apóstolo assevera com relação ao casamento e aos atos de benevolência: "O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido" (1Co 7.3). Isto é, uma vez tendo casado por causa - também - do perigo em cair na prostituição [3], então que os cônjuges não fiquem se privando de atos sexuais, afinal, isso é parte importantíssima do casamento! Para que não restassem dúvidas quanto a isso, o apóstolo continua e explica o motivo: "A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (1Co 7.4). Em um casamento, os cônjuges "trocam de corpos", quer dizer, já não vivem para satisfazer tão somente os seus desejos, mas também os da pessoa amada com que agora divide o único corpo - "e serão ambos uma carne" (Gn 2.24). 

Mas, para que ninguém pensasse que agora se deve, sempre, sob qualquer circunstância, conceder a devida benevolência ao cônjuge, Paulo afirma: "Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência" (1Co 7.5 - grifo meu). Tendo em vista que marido e mulher já não mandam mais em seus próprios corpos, então precisam estar acertados de que privarão um ao outro dos atos sexuais, todavia, somente "por algum tempo" e por causas específicas - "ao jejum e à oração". Este é um ensinamento valioso, pois muitas são as vezes em que os cônjuges sofrem sérios problemas nesta área, devendo, portanto, recorrerem ao Senhor para que os santifique a cada a dia e os guie em relacionamento mais puro e semelhante à Palavra. Após terem se privado por certo tempo, "ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência". É útil e adequado se abster da devida benevolência, mas isto deve ser com consentimento mútuo e por breve tempo, caso contrário Satanás os tentará grandemente e as "chances" de um derramamento de sêmen fora do intercurso sexual (se lembre do pecado de Onã) ou adultério ocorrerem, será a cada dia maior.

Aprendamos também que o privar-se mutuamente não é uma ordem, mas uma permissão: "Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento" (1Co 7.6). O que o apóstolo está a dizer é que é lícito a privação, mas que não se deve tê-la por mandamento, ou seja, é facultativo ao casal - se estiverem tendo problemas, que busquem ao Senhor e parem por breve tempo de se envolverem em carícias desta natureza; mas caso estejam com a consciência em dia e de acordo com as Escrituras, não há porque executar tal ato, afinal, o abster-se serve apenas para se dedicar "ao jejum e à oração". Isto também nos ensina que é completamente errado e contrário à Bíblia o negar a devida benevolência ao cônjuge sem motivo justificado. Certamente que isso não significa que se deve "sempre" ter relações sexuais com o cônjuge, mas sim que muitas vezes a finalidade do ato não será o bem-estar próprio, mas sim o do outro, pois assim lemos anteriormente: "O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido" (v. 3). Já que "A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher" (v. 4), então quando um deles deseja a devida benevolência, o outro deve gentilmente conceder, pois tendo como certo que são uma só carne e que ninguém desejaria ver o próprio sofrimento (Ef 5.29), é lícito e ordenado que seja feita a vontade alheia. [4]

Paulo também nos ensina sobre a indissolubilidade do casamento: "Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu. Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se. Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se aparte do marido" (1Co 7.8-10). A autoridade para não haver a separação não é derivada do mero homem apostólico, "mas [d]o Senhor". O Senhor ordena que a mulher não se aparte do marido, "Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher" (1Co 7.11). Assim, o Senhor ensina que caso haja separação [5] por parte da mulher, que fique sem casar novamente ou "que se reconcilie com o marido"; o marido, neste sentido, também não deve repudiar a esposa, "e que o marido não deixe a mulher" - a ordenança para não se apartar também lhe cabe.

Com relação ao matrimônio onde se encontram crente e descrente, Paulo nos diz: "Mas aos outros digo eu, não o Senhor: Se algum irmão tem mulher descrente, e ela consente em habitar com ele, não a deixe. E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe" (1Co 7.12-13). Aqui, que nenhum espírito espúrio pense que pode transformar as Escrituras num conto de fadas ou relatos de mera simplicidade moral e afirmar que o cristão pode se casar com um descrente. O próprio Paulo, deixou mais do que claro e explícito essa questão ao dizer: "A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor" (1Co 7.39 - grifo meu). [6] Por isso, tendo em vista que não pode haver contradição nas Escrituras, Paulo somente pode estar se referindo a um casamento que ocorreu quando ambos eram descrentes e que posteriormente um deles se tornou devoto e professo da fé em Cristo Jesus. Para estes, o apóstolo lhes instrui e alenta seus corações ao dizer que não estão em pecado caso estejam casados com um descrente - e mais: que não se deve buscar a separação para, por fim, se casar com um cristão. Paulo confirma esse entendimento ao dizer: "Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos" (1Co 7.14). [7] Portanto, mesmo que um crente habite com um descrente, pode ter sua consciência tranquila (embora continue orando pela conversão do mesmo(a)), afinal, tem autorização divina para isso.

Porém, pode ser que uma vez convertido, o cônjuge descrente não conceda mais em conviver com o crente, neste caso, assim lemos: "Mas, se o descrente se apartar, aparte-se; porque neste caso o irmão, ou irmã, não esta sujeito à servidão; mas Deus chamou-nos para a paz. Porque, de onde sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, de onde sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? E assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou. É o que ordeno em todas as igrejas" (1Co 7.15-17). Neste ponto o ensino de Paulo é clarividente: o cristão não deve buscar a separação de seu cônjuge apenas porque ele é um descrente, mas, caso o contrário aconteça, então o cristão está livre do jugo e pode casar novamente - apesar de lhe ser recomendado que permaneça solteiro (v. 8). Tanto a mulher cristã como o homem cristão que for rejeitado da relação, não tem como saber se o descrente que lhe rejeitou será salvo e nem pode fazer coisa alguma para que isso aconteça, portanto, "assim cada um ande como Deus lhe repartiu, cada um como o Senhor o chamou". Se Deus, em Sua soberania teve por bem que tal fato ocorre, então, apesar das lágrimas pela dissolução do casamento, o crente deve confiar a vida da ex-companheira(o) ao Senhor e trilhar seu caminho conforme "o Senhor o chamou" - "É o que ordeno em todas as igrejas".

Por fim, o apóstolo admoesta aos crentes para que compreendam que uma vez casados, para sempre assim devem ficar - "A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor" (1Co 7.39 - grifo meu). Tendo o cônjuge falecido, é lícito contrair novo casamento, mas, como já exposto, desde que seja com um crente piedoso em Cristo Jesus. Todavia, Paulo ainda reitera uma outra vez que mesmo com a morte do cônjuge, "Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer" (1Co 7.40).

Tudo isso nos foi legado por meio das Escrituras inspiradas por Deus (2Tm 3.16-17), não para nosso desgosto. Os ensinos bíblicos são para instrução e aperfeiçoamento na piedade e prática cristã (Tg 1.22). "E digo isto para proveito vosso; não para vos enlaçar, mas para o que é decente e conveniente, para vos unirdes ao Senhor sem distração alguma" (1Co 7.35).

A seguir, vejamos o que a Bíblia nos fala acerca do divórcio e como ele se procede.

Nota:
[1] Se deve fazer a diferença entre ser "bom" e "melhor" - embora ambos sejam perfeitamente lícitos perante Deus. Conforme Paulo escreve, casar é algo "bom", mas permanecer solteiro é "melhor".
[2] Já vimos anteriormente sobre o casamento em si e a criação de filhos, por isso não nos deteremos novamente neles.
[3] A ênfase de Paulo não é para que se case porque não se consegue "controlar" (ainda que em certo sentido seja assim - compare com o versículo 37). É nítido (em outros lugares da Escritura) que se deve casar por amor à pessoa amada, mas também é preciso entender que o casamento é o meio pelo qual homem e mulher podem evitar a prostituição, isto é, o se envolver "sem compromisso" com diversas pessoas ou, mesmo que com uma, mas que viole o princípio "deixar pai e mãe" - ou seja, ser verdadeiramente casado com tal pessoa.
[4] Faço a ressalva também no sentido de que o cônjuge que esteja desejando a devida benevolência mas percebe claramente que o outro não está desejoso de tal prática naquele momento, muitas vezes por amor também pode e deve negar sua vontade, afinal, a recíproca do "são uma só carne" é verdadeira também a abstenção.
[5] Veremos a seguir a questão do divórcio e quando é lícito consentir com ele.
[6] Também lemos: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?" (2Co 6.14).
[7] Esta passagem está intimamente ligada com o batismo infantil - veja os artigos parte 1 e parte 2 no blog.

sábado, 23 de junho de 2012

Jesus também tinha parentes incrédulos


Você, assim como eu, tem parentes que não creem em Jesus? Se sim, estamos em boa companhia. Jesus também tinha. E acho que a razão para isso ter acontecido é nos dar esperança.

De acordo com o apóstolo João, “nem os seus irmãos criam nele” (João 7.5). Isso é incrível. Aqueles que viveram com Jesus por 30 anos não o conheciam de verdade. Nenhum dos irmãos de Jesus é mencionado como um discípulo durante seu ministério pré-crucificação. Mas após sua ressurreição e ascensão, ali estão eles no cenáculo adorando-o como Deus (Atos 1.14).

Por que eles não acreditavam? E o que os fez mudar?

A Bíblia não responde a primeira pergunta, mas eu aposto que era difícil ter Jesus como irmão.

Primeiro, Jesus era inigualável em inteligência e sabedoria. Aos 12 anos, ele deixava os mestres no templo admirados (Lucas 2.42,47). Um irmão pecador, caído e com dons pode ser difícil de acompanhar. Imagine um irmão com dons e perfeito.

Segundo, o consistente e extraordinário caráter moral de Jesus deve ter tornado difícil e irritante ficar por perto dele. Seus irmãos deviam gradativamente ter uma autoconsciência melhor, cientes de sua própria pecaminosidade, de seus comportamentos e motivos egoístas, enquanto notavam que Jesus não exibia qualquer traço do gênero. Para pecadores, é difícil conviver com alguém assim.

Terceiro, Jesus era profunda e unicamente amado por Maria e José. Como seus pais poderiam não ter tratado-o de forma diferente? Eles sabiam que ele era o Senhor. Imagine a confiança extraordinária e a deferência a Jesus à medida que ele crescia. Sem dúvida os irmãos percebiam uma dimensão no relacionamento do irmão mais velho deles com seus pais que era diferente daquilo que eles experimentavam.
E quando contavam as histórias da família, era difícil igualar a história de uma estrela aparecendo no nascimento de seu irmão.

Jesus era superior aos seus irmãos em todas as categorias. Como alguém com uma natureza ativamente pecadora não ficar ressentido por ser apagado por um irmão-fenômeno? A familiaridade produz desprezo quando o orgulho governa o coração.

Uma dor maior do que sabemos deveria estar por trás das palavras de Jesus: “Só em sua própria terra e em sua própria casa é que um profeta não tem honra” (Mateus 13.57).

Então, à medida que avaliamos o papel que nosso testemunho fraco e titubeante possui na incredulidade de nossos parentes, lembremo-nos de Jesus – nem mesmo um testemunho perfeito garante que nossos amados verão e abraçarão o evangelho. Devemos nos humilhar e nos arrepender quando pecamos. Mas lembremo-nos que o deus desse mundo e o pecado que habita no ser humano são os responsáveis por cegar a mente dos incrédulos (2 Coríntios 4.4).

A história dos irmãos de Jesus pode na verdade nos dar esperança pelos nossos amados. No momento em que os irmãos dele disseram que Jesus estava “fora de si” (Marcos 3.21), deve ter dado a impressão que provavelmente eles nunca se tornariam discípulos dele. Mas eles se tornaram! E não apenas seguidores, mas líderes e mártires da igreja primitiva.

O Deus que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, brilhou no coração deles para dar a luz do conhecimento da glória de Deus na face do irmão deles, Jesus (2 Coríntios 4.6).

Portanto, ânimo! Não desista de orar por parentes que não creem. Não tome a resistência deles como a palavra final. Eles ainda podem crer e ser usados de maneira significativa no reino!

E enquanto eles resistem ou se eles aparentemente morreram sem crer, podemos confiá-los ao Juiz de toda a terra que será perfeitamente justo (Gênesis 18.25). Jesus não promete que todos os parentes, irmãos e filhos de um Cristão irão crer, mas promete, dolorosamente, que algumas famílias irão se dividir por causa dele (Mateus 10.34-39). Podemos confiar nele quando isso acontece.

É emocionante ouvir Tiago se referindo ao irmão dele como “nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória” (Tiago 2.1). Você pode imaginar o que essa frase significou para Tiago? No passado, o Senhor da glória dormia do lado dele, comia na mesma mesa de jantar, brincava com seus amigos, falava com ele como irmão, suportou sua incredulidade, pagou a dívida do seu pecado e então o trouxe a fé.

Pode ter levado 20 a 30 anos de testemunho fiel e piedoso do Filho de Deus, mas o milagre aconteceu: seus irmãos creram. Que o Senhor da glória conceda a mesma graça para os nossos amados que não creem.

por John Bloom
Fonte: iPródigo

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O que fazer quando não há uma igreja fiel onde vives? (conselhos do reformador John Knox)


Nota do autor do Blog: A Igreja Puritana Reformada no Brasil, junto com suas demais congregações, está pronta e disposta para ajudar qualquer irmão ou irmã (em qualquer lugar do Brasil e, porque não, do mundo) que esteja necessitando de ajuda quanto à falta de uma igreja bíblica para congregar. 


Caso possamos lhe ser úteis, envie um e-mail para filipe@reformahoje.com.br

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Conselhos Saudáveis de uma Epístola de John Knox dirigida a seus irmãos na Escócia

Prólogo do tradutor*: Esta epístola foi escrita em momentos muito turbulentos. Após anos como clérigo anglicano e um dos mais destacados conselheiros da Coroa britânica, John Knox tivera que fugir e se exilar em Genebra, devido a ascensão da rainha católico-romana Maria Tudor, a chamada "Sanguinária". Nesse período de exílio (1553-1559) estudou na Academia de Genebra sob a tutela de João Calvino e pastoreou igrejas de exilados ingleses em Frankfurt e Genebra. Mas seu coração estava voltado para a Escócia, onde fora padre e onde desejava implantar uma igreja nacional nos moldes de Genebra (o que veio a se tornar realidade poucos anos depois com a Igreja Presbiteriana da Escócia). Diante desse profundo desejo que dominava seu coração, em 1557 (enquanto pastoreava em Genebra) escreveu a presente epístola aos protestantes escoceses, elogiando sua perseverança e instando para que se mantivessem atados a Palavra de Deus e aconselhando acerca de como deveriam realizar seus cultos (já demonstrando estar longe do rito anglicano e mais próximo do que no futuro seria chamado de puritanismo [...]

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Meus queridos Irmãos, não tanto para instruir-lhes como para deixar-lhes algo do testemunho de meu amor por vocês, tenho tido como algo bendito comunicar-lhes meus humildes conselhos de como quero que se conduzam em meio a esta geração maligna e perversa, no tocante ao exercício da mais que santíssima Palavra de Deus, sem a qual não se pode aumentar o conhecimento, nem manifestar-se a piedade, nem se pode perpetuar o fervor espiritual entre vós. Porque como a Palavra de Deus é o princípio da vida espiritual, sem a qual toda carne está morta na presença de Deus, e como é lâmpada para os nossos pés sem cujo resplendor toda a posteridade de Adão caminha em trevas; e como é o fundamento da fé, sem a qual nenhum homem pode compreender a boa vontade de Deus, assim também é o único meio e instrumento que Deus usa para fortalecer os fracos, consolar aos afligidos, trazer misericórdia e arrependimento para aqueles que se tem desviado, e finalmente para preservar e guardar a própria vida na alma contra toda investida e tentação.

Portanto, se quereis que vosso conhecimento cresça, que vossa fé seja confirmada, que vossas consciências sejam aquietadas  e consoladas, ou que finalmente a vida se preserve em vossa alma, vigiais para que vos exerciteis frequentemente na lei do Senhor vosso Deus. Não tenhais como pouco os preceitos que Moisés deu aos Israelitas nestas palavras: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” (Deut. 6.6-9). E Moisés, em outro lugar, lhes mandou que “lembrassem da lei do Senhor Deus, em cumpri-la para que lhes vá bem a eles e seus filhos na terra que o Senhor seu Deus lhes daria”. Dando a entender, que a frequência em lembrar e repetir os preceitos de Deus é o meio pelo qual o temor de Deus (que é o princípio de toda sabedoria e prazer), se mantém vivo na mente; assim como também a negligencia e o esquecimento dos benefícios recebidos de Deus é o primeiro passo para afastar-se de Deus.

Agora, se a Lei, a qual por causa de nossa fraqueza não gera coisa alguma senão ira e enojo, foi tão eficaz (tanto que era recordada e repetida para que fosse cumprida) e trouxe ao povo uma bênção temporal, que diremos pois que nos trará o glorioso Evangelho de Cristo Jesus se for tratado com reverencia? Paulo lhe chama cheiro de vida para aqueles que receberam vida, usando a semelhança com ervas aromáticas ou unguentos preciosos, cuja natureza é que quanto mais se passam, enviam seu aroma mais agradável e deleitável; assim também, amados irmãos, é o bendito Evangelho de Jesus nosso Senhor. Porque quanto mais o expomos, mais confortável e agradável é para aqueles que o escutam, ou lêem, ou se exercitam nele. Não ignoro, que como os israelitas se fatigaram do maná, porque era o único alimento que viam e comiam diariamente, assim também agora há alguns que depois de ler algumas porções da Escritura, se voltam completamente à escritores profanos ou escritos humanos. Porque a variedade de assuntos que estes contém trazem em si deleite diário. Por outro lado, dentro das Escrituras de Deus que não tem muito adorno humano em si, a repetição de uma coisa lhes é fastidiosa e cansativa. Confesso que esta tentação pode entrar nos próprios eleitos por um tempo, porém é impossível que continue neles até o fim. Porque os eleitos de Deus, além de outros sinais evidentes, tem sempre este unido com os demais, que os eleitos de Deus são chamados para fora da ignorância (falo dos que já tem idade de compreensão) para gozar e sentir algo da misericórdia de Deus, da qual nunca estão satisfeitos nesta vida, senão que ocasionalmente tem fome e sede para comer o pão que desce do céu e beber a água que jorra para a vida eterna. O qual não podem fazer senão pelo intermédio ou instrumento da Fé, e a Fé sempre olha para a vontade de Deus revelada pela Palavra, de maneira que a Fé tem tanto seu  princípio como sua continuação na Palavra de Deus. E por isso digo que é impossível que os filhos escolhidos de Deus possam depreciar ou rejeitar a palavra de sua salvação por muito tempo, como tampouco possam, fatigar-se dela no fim.

É algo comum que os eleitos de Deus sejam mantidos em tal escravidão e servidão, de tal maneira que eles não podem conseguir que se lhes dê o pão da vida, como tampouco tem a liberdade para exercitar-se eles próprios na Palavra de Deus. Contudo eles não se fatigam, antes bem anelam com gozo o alimento de suas almas, antes bem acusam sua negligência anterior, antes bem lamentam a miserável aflição de seus irmãos. E clamam e pedem em seus corações (e também em público onde podem) que corra livremente o Evangelho. Esta fome e esta sede confirmam que há vida em suas almas. Porém se tais homens, que tendo a liberdade para ler e exercitar a si mesmo nas Sagradas Escrituras, começam a fatigar-se porque quase sempre leem o mesmo, eu lhes pergunto, por que não se cansam também de comer o pão diário? Por que não se cansam de usar as demais criaturas de Deus que mantém diariamente sua própria substância, curso e natureza? Penso que responderão: “Pois tais criaturas tem um poder [quantas vezes são usadas para matar a fome e a sede e para infundir fôlego e força] para preservar a vida.” Oh, miseráveis criaturas! Quem atreve-se a atribuir-lhe mais poder e força a criaturas corruptíveis em nutrir e preservar o corpo humano mortal, que a Palavra eterna de Deus em nutrir a alma que é imortal! Querer raciocinar com sua abominável ingratidão não é agora meu propósito. Mas a vós, queridos Irmãos, lhes compartilho meu conhecimento e lhes abro minha consciência, que assim como tão necessário é o uso da comida e da bebida para preservar a vida física, e assim como tão necessário é o calor e a luz do sol para dar vida a erva e para dissipar as trevas; assim também é necessária para a vida eterna e para a iluminação e luz da alma a meditação, o exercício e o uso perpétuo da sagrada Palavra de Deus.

Portanto, queridos Irmãos, se anelam a vida vindoura, por necessidade deveis exercitar a vós mesmos no Livro do Senhor vosso Deus. Que não passe nem um dia sem que recebais algum consolo da boca de Deus. Abris os vossos ouvidos, e Ele falará coisas deleitáveis aos vossos corações. Não cerreis os vossos olhos, antes com diligencia contempleis que porção substanciosa vos é deixada no testamento de vosso Pai. Que vossas línguas aprendam a exaltar Sua tenra bondade, cuja única misericórdia vos tem chamado das trevas à luz, e da morte à vida. Tampouco façais isto tão privadamente que não permitais testemunhas. Não, Irmãos, o Senhor Deus vos manda que governeis vossas casas em seu verdadeiro temor e de acordo com sua Palavra. Dentro de vossas casas, digo, em alguns casos, sois bispos e reis; vossa esposa, filhos e família é vosso episcopado e encargo. Disto se lhes pedirá, acerca de quanto cuidado e diligencia usastes para instruí-los no conhecimento verdadeiro de Deus, de como procurastes implantar virtudes e reprimir vícios. Portanto, digo, que deveis fazê-los participantes da leitura, da exortação, e das orações comuns, a qual deveria fazer-se em cada lar pelo menos uma vez ao dia. Mas, acima de tudo, queridos Irmãos, procurai praticar diariamente e viver o que manda a Palavra de Deus, e então comprovareis que nunca ouvireis nem lereis o mesmo sem que obtenhais algum fruto. Creio que isto é suficiente para os exercícios dentro de vosso lar.

Considerando que Paulo chama a congregação “o corpo de Cristo”, da qual cada um de nós somos um membro, e ensinando-nos que nenhum membro pode sustentar-se e alimentar-se por si mesmo sem a ajuda e o apoio de outro; creio que é necessário que se tenham estudos e conferências sobre as Escrituras como reuniões entre irmãos. Como Paulo nos dá a ordem que se deve observar para isto (1 Co 14.26-39), somente quero assinalar que quando vos reunires, que seria bom fazê-lo uma vez na semana, que vosso começo fosse confessando vossas ofensas e implorando que o Espírito do Senhor Jesus vos assista em todos os vossos projetos e metas espirituais. Depois que se leia alguma porção das Escrituras clara e modestamente, tanto que se creia suficiente para essa ocasião ou período. Quando se tenha terminado, se algum irmão tem exortação, pergunta, ou dúvida que não tenha temor em falar ou expor ali mesmo, fazendo-o com moderação, seja para edificar ou para edificar-se; E disto não duvido que virá grande proveito. Porque, primeiro, ao ouvir, ler, e estudar as Escrituras nestas reuniões, ajudarão a examinar o juízo e a atitude das pessoas, sua paciência e modéstia serão conhecidas, e finalmente manifestaram seus dons e expressões. Por outro lado devem evitar-se em toda ocasião e em todo lugar o falatório, as interpretações longas e néscias e a teimosia em pontos controvertidos. Porém acima de tudo quando se reunirem como igreja, ali nada deve levar-se em conta mais do que a glória de Deus e o consolo ou edificação dos irmãos.

Ademais, me agradaria, que na leitura das Escrituras, tomassem juntos alguns livros do Antigo Testamento e alguns do Novo, como Gênesis e algum dos Evangelhos, Êxodo com outro livro, etc., mas sempre terminando os livros que começastes (segundo o tempo permitir). Pois vos confortará o ouvir a harmonia e o acordo do Espírito Santo falando em nossos pais desde o princípio. Vos confirmará nestes dias perigosos ao contemplar a face de Jesus Cristo, o amado esposo, e sua igreja, desde Abel até o próprio Cristo, e de Cristo até este dia, que há unidade e um mesmo propósito em todas as gerações. Estudeis com frequência os Profetas e as Epístolas de Paulo. Pois a abundância de assuntos grandemente confortadores que se acham ali requer exercício e boa memória. De igual maneira assim como vossas reuniões devem começar com confissão e súplica do Espírito de Deus, assim também deveriam terminar com ações de graças e intercessões pelos governantes e magistrados, pela liberdade do Evangelho de Cristo para que corra livremente, pelo consolo e libertação de nossos irmãos que agora se encontram debaixo da tirania e da servidão, e por outras coisas tais que o Espírito do Senhor Jesus Cristo vos ensinar que é proveitoso, seja para vós mesmos, ou para vossos irmãos donde quer que estejam.

Se assim (ou algo melhor) ouço que vos exercitais a vós mesmos, queridos Irmãos, então louvarei a Deus por vossa grande obediência, como também por aqueles que tem recebido a palavra da graça não somente com gozo, mas também com solicitude e diligência, e guardam a mesma como um tesouro e uma joia preciosíssima. E porque não tenho suspeitas de que fareis o contrário, não usarei de ameaças. Pois minhas esperanças sinceras são que caminhareis como filhos da luz no meio desta geração perversa, que sereis como estrelas durante a noite (que não se tornem trevas), que sereis como trigo entre a discórdia, e que no entanto não mudareis vossa natureza que recebestes pela graça, através da comunhão e participação que temos com o Senhor Jesus Cristo em seu corpo e em seu sangue. E finalmente, que estareis contados entre as virgens prudentes, que diariamente arrumam e enchem suas lâmpadas com azeite, embora guardem com paciência a aparição gloriosa e próxima do Senhor Jesus Cristo, cujo Espírito onipotente governe, instrua, ilumine e console vossas mentes e corações em toda prova agora e para sempre. Amém.

A graça do Senhor Jesus Cristo repouse convosco.
Lembrai-vos de minhas fraquezas em vossas orações. 7 de Julho de 1556
Vosso sincero irmão,
JOHN KNOX

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Um motivo bíblico pelo qual muitos não gostam de gatos (felinos)


Já de início desejo deixar registrado que a breve e presente reflexão é tão somente o que se propõe ser. Sob hipótese alguma estou advogando que aqueles que não gostam de felinos são "menos crentes" ou que estão em pecado - por favor, que ninguém pense isso. Também não estou dizendo que os que gostam de cachorros, passarinhos e tartarugas são pessoas que precisam se arrepender de suas condutas. Apenas quero deixar registrado que até mesmo as nossas escolhas por animais de estimação refletem um pensamento comum em absolutamente todos os homens: o orgulho

Sim, somos terrivelmente orgulhosos. Esse orgulho é muitas vezes imperceptível, como descreveu certo autor: "O orgulho é pecado. Quando a alma percebe seu orgulho e como isso ofende a Deus, logo percebe o perigo que está correndo. Assim, aplica suas forças na busca de humildade. Ao passar do tempo, vendo que está crescendo em humildade, logo, de maneira sutil e imperceptível, seu orgulho se manifesta, orgulhando-se de sua própria humildade" (Jonathan Edwards - 1703-1758).

Assim, muitas vezes ao escolhermos nossos animais de estimação, como o próprio nome sugere, estimamos uns em detrimento de outros. Isto é, por vezes escolhemos o cachorro para nossa companhia, pois ele nos traz algum bem, abana o rabo quando chegamos, obedece quando lhe damos ordens, é atencioso e cuida de nosso patrimônio. Gostamos dos pássaros porque podemos ver neles a beleza, a desenvoltura e graça ao voarem. As tartarugas encantam a muitos, pois seu jeito sereno e devagar de ser lhes ensina um série de  lições. Entretanto, não nos afeiçoamos com outros, a exemplo dos felinos, pois constantemente pensamos: "Que benefício este animal pode me fazer? Só dorme, come, suja a casa e me faz gastar dinheiro."

Desse modo, ainda que somente interiormente, revelamos o quão estamos propensos a buscarmos nosso próprio interesse e termos apenas nossas próprias satisfações atendidas. Estimamos os animais de acordo com as qualidades que nele gostamos e se podem nos trazer alguma recompensa, caso contrário são de imediato descartados. O apóstolo Paulo nos orientou sobre como o perigo de agirmos assim: "Ninguém busque o proveito próprio; antes cada um o que é de outrem" (1Co 10.24). Isto, portanto, como estamos vendo, é também verídico em relação aos animais, pois quantas são as vezes em que vemos animais abandonados e podemos cuidar de um, mas não o fazemos sob o preceito de que "eu não gosto daquele tipo de bicho, ele não me traria bem algum"?

Sendo isto verdadeiro com relação aos animais, que poderíamos dizer em relação aos homens e mulheres criados pelo Senhor, cujos em inúmeros momentos temos a oportunidade de lhes fazer o bem, mas não o fazemos, pois pensamos: "Ele nunca me ajudou... também não irei ajudá-lo."

Assim, penso que podemos refletir sobre que em todas as áreas de nossa vida habita o pecado, a discriminação e orgulho, de tal modo que necessitamos pedir ao Senhor para que não nos deixe odiar a Sua criação e nos dê um coração feliz por tudo que Ele criou, afinal, as Escrituras nos dizem que tudo o que respira louva ao Senhor - "Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR" (Sl 150.6).

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Efésios 1.14 - O Penhor da Nossa Herança - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 17.06.2012



Efésios 1.14 - O Penhor da Nossa Herança - 
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 17.06.2012

"O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14).

Esta pregação que tivemos foi gravado em vídeo - clique no link para assistir: http://twitcam.livestream.com/ahuzz

Tendo o apóstolo exposto aos irmãos de Éfeso de que uma vez em Cristo, para sempre n'Ele - não pelo querer humano, mas por Deus que se compadece (Rm 9) -, agora ele utiliza ainda outra expressão para firmar na coração daqueles crentes que o Espírito Santo não reside apenas hipoteticamente na vida dos filhos do Senhor, mas que de fato é vivo e é O garantidor da possessão que um dia haverão de adquirir. A presente sentença de Paulo vai diametralmente em contraposição ao que muito têm dito e distorcido da palavra de Deus, pois não poucos ousam afirmar que o Senhor não salva os seus eleitos - na verdade, por rebeldia ou ignorância, por vezes até mesmo desconhecem a eleição - e sequer é capaz de garantir a salvação de tais, sendo assim, [supostamente] necessário que cada um precise, por suas próprias forças (isto é, sem o agir do Espírito Santo) alcançar a vida eterna.

O apóstolo enfatiza algo de suma importância para os crentes: o penhor.

Penhor é uma palavra do âmbito jurídico e que significa testemunho, uma garantia, segurança, alguma coisa que assegure o pagamento. O penhor é o meio utilizado para se assegurar que uma dívida será paga. Frequentemente os maus pagadores (ou que não estão conseguindo quitar a dívida por algum motivo) tem algum (ou todos) de seus bens penhorados para garantir ao credor (aquele que tem o direito de receber o pagamento, mas que não o está recebendo porque o devedor não está pagando) que este receberá "de um jeito ou de outro". Um exemplo prático é quando alguém contrai uma dívida de R$30.000,00, mas que por algum infortúnio (ou má-fé) não consegue dar continuidade ao pagamento. Neste caso o credor (o que emprestou o dinheiro e quer, por óbvio, recebê-lo de volta) pede que determinado bem do devedor seja penhorado, isto é, indica durante o processo (por exemplo, um carro) um bem que o devedor tenha, para que caso não consiga pagar o empréstimo, o credor receba o bem em pagamento da dívida.

As Escrituras nos revelam também essa prática jurídica na teocracia de Israel: "Se tomares em penhor a roupa do teu próximo, lho restituirás antes do pôr do sol, Porque aquela é a sua cobertura, e o vestido da sua pele; em que se deitaria?" (Êx 22.26-27). "Não se tomará em penhor ambas as mós, nem a mó de cima nem a de baixo; pois se penhoraria assim a vida" (Dt 24.6). "Quando emprestares alguma coisa ao teu próximo, não entrarás em sua casa, para lhe tirar o penhor. Fora ficarás; e o homem, a quem emprestaste, te trará fora o penhor. Porém, se for homem pobre, não te deitarás com o seu penhor. Em se pondo o sol, sem falta lhe restituirás o penhor; para que durma na sua roupa, e te abençoe; e isto te será justiça diante do SENHOR teu Deus" (Dt 24.10-13).

Outro exemplo bastante evidente desta lei civil é também encontrado em Gn 38.15-18: "E vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta, porque ela tinha coberto o seu rosto. E dirigiu-se a ela no caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me possuir-te. Porquanto não sabia que era sua nora. E ela disse: Que darás, para que possuas a mim? E ele disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ela disse: Dar-me-ás penhor até que o envies? Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão. O que ele lhe deu, e possuiu-a, e ela concebeu dele" (grifo meu). Para que Judá possuísse a prostituta (que na verdade era sua nora, ato este que era condenável pelo Senhor - Lv 18.15; 20.12), ele afirmou que enviaria um cabrito do seu rebanho - note: "enviarei" (vide v. 20). Como o cabrito não estava consigo, ela não poderia ter a certeza de que ele iria pagar. Tamar (esse era seu nome - v. 13), então, pede para Judá uma garantia de que de fato o cabrito seria enviado; para tal garantia ela lhe pede "O teu selo [1], e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão". Desse modo Tamar poderia ter a segurança de que o cabrito seria enviado, afinal, um cordão e um cajado [2] eram mais importantes que o cabrito; por reter consigo algo de valor do devedor, cria que o cabrito seria enviado.

Portanto, é também com esse ato jurídico em mente que o apóstolo afirma aos cristãos de Éfeso de que o Espírito Santo era o penhor "da nossa herança, para redenção da possessão adquirida". Em outras palavras, estava lhes afirmando que o Espírito Santo na vida do cristão é o garantidor de que um dia o Senhor virá e nos dará a "possessão adquirida" por Cristo Jesus! Escrevendo aos colossenses o apóstolo diz: "O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Cl 1.13). Quer dizer, como teríamos a segurança de que de fato fomos transportados "para o reino do Filho", se não houvesse qualquer garantia verdadeira para nós? Também o evangelista Lucas nos relata: "Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu [isto é, o perdoou] o seu povo" (Lc 1.68). Há ainda outra declarações em 2Co 1.22 e 2Co 5.5.

Como vimos anteriormente (clique aqui para ler), a insegurança é um dos piores sentimentos que o homem pode sentir. Nesse sentido, para que os crentes tivessem a segurança de Sua salvação tão somente em Cristo Jesus e por Sua graça eletiva, as Escrituras nos revelam o quão importante é o papel do Espírito Santo em nossas vidas, de forma que não nos desesperemos em meio às vicissitudes da vida nem creiamos nas mentiras malignas de que não pertencemos ao Senhor ("se é que o Espírito de Deus habita em vós" - Rm 8.9), e sim que sejamos confortados em meio as dificuldades e tentações, a fim de que possamos crer que uma vez sido verdadeiramente regenerados, justificados e sendo santificados por Deus, não há que se falar na falta de garantia da salvação, afinal, ela não depende de nós, mas sim nos é dada gratuitamente pelo Eterno, de modo que todas as vezes o Espírito Santo nos guia em Seus caminhos Ele não nos permite ultrajar os preceitos Divinos, além de nos acalentar os corações nos "vales da sombra da morte" de nossa vida, nos ensinando e admoestando a não confiarmos em nós mesmos, mas no poder e garantia do Espírito Santo que em nós habita.

Vejamos, então, três aplicações com relação ao penhor do Espírito Santo.

1. O penhor nos estimula à confiança no Senhor.


Porque os cristãos têm a Deus como pai, não precisam temer as intempéries da vida - não que em todos os momentos sejam livres da ruína material, emocional e por vezes a fraqueza espiritual -, pois Ele cuida de cada um dos Seus filhos, de modo que assim como um filho pequeno confia em seu pai por saber que ele é "maior e mais forte", assim também devemos proceder para com o Senhor.

"No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos" (Pv 14.26). Também o profeta Jeremias disse: "Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA" (Jr 23.6).

Como já visualizamos anteriormente, se de fato o Espírito Santo habita em nós, então continuamente confiamos no poder do Senhor que executa em nós "tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). O próprio Deus nos dá uma garantia divina de que um dia haveremos de usufruir com plenitude da vida eterna e, então, para isso, nos dá gratuitamente o Seu Espírito, nos comunicando que já temos a certeza do pagamento futuro, pois uma vez que Deus não pode-se dividir, então é crível que também o Espírito Santo da promessa fará cumprir tudo o que decretara - "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" (Is 55.11).


2. Pela confiança trabalhamos arduamente em favor do Reino.



Ao falar sobre o quanto havia sofrido pela causa do evangelho, o apóstolo afirma: "em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas" (2Co 11.23-28).

Seria completamente impossível para o apóstolo perseverar na peleja pelo Reino após sofrer todas essas mazelas da vida se não fosse a firme na garantia do poder do Senhor. Entretanto, a fim de demonstrar que a vida cristã muitas vezes não reside apenas em sofrimentos externos, ele afirma que, "Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas" (v. 28). Somente um cristão confiante no penhor que herdou por Cristo Jesus e que o leva à confiança em Deus é que pode trabalhar arduamente em favor da causa celestial. Muitos homens e mulheres têm se tornados inativos nas igrejas, não porque não amem ao Senhor, mas sim devido à falta de compreensão de que podem confiar verdadeiramente naquele que efetua tanto o querer como o realizar, assim como o perseverar e suportar todas as tribulações.

Essa compreensão na necessidade da confiança total no poder do Senhor, levou Paulo a dizer: "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" (1Co 15.10).

"e a sua graça para comigo não foi vã". Um homem verdadeiramente regenerado confirma as palavras de Jesus que diziam que um homem encontra um campo com grandes riquezas, ele volta para sua casa, vende tudo o que possui e compra tal terreno - pois ele é mais valioso do que tudo que julga possuir. A graça de Deus não pode ser apenas uma influência moral e socialmente positiva, ela deve transformar completamente as atitudes do crente, de modo que ao olhar para as Escrituras e ler sobre os grandes homens e mulheres que ali o Eterno registrou, não deve de maneira algum se escusar de viver de maneira semelhante, pois o que temos registrado não são "super crentes", mas homens pecadores e que trabalharam ao Senhor dependentes continuamente de Sua graça e confiantes no Seu penhor.

3. Vivemos com os olhares na vida futura.


Se o Espírito Santo é celestial e nossas bênçãos lá estão (Ef 1.3), então é preciso que não fixemos os olhares e façamos grandes investimentos neste mundo vil. Em Hebreus 13.13-14, lemos: "Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." O fiel seguidor do Senhor entende que deve viver como um peregrino por esse mundo. Tal qual o Cristão na alegoria de John Bunyan, o crente deve passar pela Feira da Vaidade (isto é, o mundo) e não se deixar corromper pelas "iguarias" oferecidas e por toda sorte de passatempos oferecidos - não que nos tornaremos verdadeiros nômades e não usufruiremos do mundo criado por Deus, mas no tange à santificação, devemos lembrar que todo santo é alguém separado pelo e para o Senhor, de modo que já não vive para construir grandes empresas, ter sucesso e boa estima nessa vida, e sim conduzir seu andar como um peregrino.

Notemos também que em toda a vida cristã há apenas um acessório que carregamos como nossa bagagem: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me" (Mt 16.24). A vida do cristão é sustentada e guiada pela cruz de Cristo. É ela quem nos move, nos direciona e aponta a correta direção. Filósofos, sociólogos, professores, pais e mães podem nos ser úteis para a vida cristã, mas não são essenciais - tão somente basta-nos a palavra totalmente inspirada do Senhor e que é útil para nos habilitar na peregrinação santa por esse mundo (2Tim 3.16-17).

Como crentes em Cristo, precisamos nos despojar do velho homem e já não praticar as obras das trevas, contudo, nem sempre as trevas são o que imaginamos. Praticar as obras das trevas não é apenas realizar um ritual "satânico" ou sacrificar crianças vivas; as obras trevas são bastante explícitas: "Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus" (Gl 5.19-21). Para as Escrituras, as obras da carne, os desejos humanos contrários ao Senhor, já são obras do maligno. Fazer pouco caso da leitura bíblica, do estudo teológico, do viver piedosamente... são obras das trevas.

Portanto, que possamos orar ao Senhor para que a sua graça para conosco também não seja vã, de modo que continuamente possamos confiar no Eterno e nos agarrarmos ao penhor da nossa herança em Cristo Jesus.


Nota:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra - "Um selo cilíndrico, usado num cordão no pescoço, indicava um homem importante. Se fosse rolado sobre argila amolecida, resultava numa impressão que identificava o dono do objeto."
[2] Idem. -"Esse era um símbolo de autoridade e tinha a marca do seu dono gravada no topo."

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