"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Efésios 1.15-16 - Rendendo Graças a Deus pelos Irmãos - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 24.06.2012




Efésios 1.15-16 - Rendendo Graças a Deus pelos Irmãos - 
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 24.06.2012

"Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:" (Ef 1.15-16).

Muitos são os homens que fazem as mais diversificadas distinções e interpretações dentro da palavra de Deus. Talvez, a mais comum seja o afirmar de quando se estuda muita doutrina bíblica, se acaba por ficar inerte em relação ao evangelismo, prática cristã e amor entre os irmãos. Quer dizer, com relação a este último, muitos ousam afirmar que "estudar a Bíblia a fundo" leva a uma estagnação em relação ao amor entre os crentes, pois se tende a priorizar o conhecimento em detrimento da união. Todavia, para fazer com que tais pessoas tenham suas opiniões estraçalhadas sobre o chão da Palavra, no presente versículo o apóstolo nos mostra o quão jubiloso estava de ouvir a fé que havia na igreja de Éfeso, de modo que não cessava em dar graças a Deus, pois a união dos irmãos é por deveras importante.

Aqui, entretanto, Paulo não está afirmando que constantemente louva ao Senhor por toda e qualquer pessoa que se diz professa da fé, mas sim que agradece ao Senhor por aqueles amados que estão verdadeiramente ligados à fé em Cristo Jesus e em Sua pura doutrina. Note como o apóstolo inicia: "Por isso". Quer dizer, baseado em todos os catorze versículos anteriores e por toda a doutrina exposta até o presente momento, Paulo poderia dar graças ao Senhor pelo bem que tem feito ao Seu povo e de como eles estavam crescendo da fé e esperança em Cristo Jesus. Assim, se visualiza com grande clareza que o amor entre o s irmãos deve estar alicerçado na doutrina, no estudo coerente e sério das Escrituras, pois, haja vista não devermos estar em união com as trevas (qualquer doutrina que não passe pelo crivo das Sagradas Letras - "E que comunhão tem a luz com as trevas?" - 2Co 6.14), precisamos nos esmerar em amarmos os professos da fé, desde que estejam professando a verdadeira fé salvadora, pois, como já disse alguém, pode-se adorar um ídolo chamado "Jesus". 

Acertadamente também pontuamos que devemos amar nossos inimigos (Mt 5.44), contudo, nos foquemos na ênfase de Paulo - o amor entre os irmãos.

 - "ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus". Ao lermos as Escrituras precisamos sempre nos perguntar: "Há um significado e aplicação deste texto para minha vida?" Assim, quando fazemos tal pergunta para esta declaração de Paulo, imediatamente nos vem a resposta de que só é possível alguém ouvir da fé de outrem se aquele falar acerca da mesma. É preciso que os cristãos compartilhem audivelmente e visivelmente de sua fé e vivência em Cristo Jesus. Embora estejamos na "era" da internet e os relacionamentos tendam a ser muito impessoais, a palavra do Senhor nos relembra na necessidade de fazermos com que os irmãos escutem e conversem entre si sobre suas vidas com o Salvador. O próprio apóstolo falará mais adiante sobre isso, dizendo para que ajamos desta maneira: "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef 5.19). Os cristãos precisam conversar sobre seus problemas e vitórias da vida cristã, precisam entender que partilhar das experiências da vida cristã é algo de suma importância. A própria Escritura nos revela a importância da união: "Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante" (Ec 4.10).

- "e o vosso amor para com todos os santos". Não basta que falemos de nossa fé em Cristo, é preciso que também exteriorizemos essa fé em amor para com o próximo - "Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?" (1Jo 4.20). A alegria do cristão deve ser o amor para com os mesmos servos do Altíssimo, pois assim como em uma guerra física ama-se todos os que estão "do nosso lado" e odeia-se todos que são "contra nós", a unidade do cristianismo deve ser patente a todas as pessoas que professam a crença e vivem de acordo com a santa Palavra. O próprio Jesus Cristo explicitou: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.35). O papel da Igreja de Cristo não é de causar intrigas entre si mesma, pois como pode um reino lutar contra si mesmo (Lc 11.18) e ainda existir? Porém, precisamos salientar ainda outra vez a importância de amarmos conforme a doutrina ensinada nas santas palavras registradas na Bíblia, de modo que devemos reputar por erro toda interpretação que não se harmonize com o restante das Escrituras e que foi fielmente legada e aplicada por toda a Bíblia.

- "Não cesso de dar graças a Deus por vós". Tendo uma vez ouvido sobre a fé dos irmãos de Éfeso e sobre como expressavam seu amor uns para com os outros, o apóstolo não poderia fazer outra coisa, senão agradecer grandemente a Deus por tudo que lhes havia proporcionado em Sua grande graça e misericórdia. Orar ao Senhor e render louvores ao Seu nome pela miríade de irmãos espalhados por toda a terra não é tarefa e prazer de pequena importância. A união do crente com o Senhor deve ser motivo de grande alegria e regozijo: "Grandes coisas fez o SENHOR por nós, pelas quais estamos alegres" (Sl 126.3).

- "lembrando-me de vós nas minhas orações:". Paulo pretendeu deixa nítido para os cristãos de Éfeso de que não era suficiente o simples agradecer a Deus pela suas vidas, mas sim que deveria também orar por eles, de forma que rogava o poder do Eterno para que continuasse lhes dando espírito esperançoso e conhecimento no poder do Espírito Santo (v. 17). Tiago também nos escreve acerca da sobreexcelente obra que é orar pelos irmãos: "Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" (Tg 5.16). Ao ouvirmos estas palavras devemos sossegar em nossos corações e realizarmos um autoexame honesto, a fim de que verifiquemos se de fato estamos orando pelos irmãos, se temos nos importado com suas vidas e desejamos ver constantemente os frutos do Espírito Santo em suas ações. A oração pelos irmãos em Cristo não é uma simples sugestão apostólica (e, ainda que fosse, teria total autoridade, pois tal sugestão está contida na Bíblia e ela é totalmente suficiente para nosso crescimento - 2Tm 3.16-17), mas sim algo necessário para o fortalecimento entre os amados da fé em Cristo.

Portanto, o apóstolo nos fala sobre quatro atos que o cristão deve ter para com seus irmãos em Cristo.

1. Alegria por ouvir que alguém foi salvo por Cristo Jesus - "ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus".

Todos os cristãos que se dedicam a estudar arduamente as Escrituras (e todos, sem exceção, deveriam fazer isso - Salmo 1), por vezes acabam sendo tentados a descambar para o outro lado da questão, isto é, estudam com tamanho afinco e tem um zelo tão grande pela Verdade, que só conseguem amar aqueles que se encaixam perfeitamente em seus pressupostos pessoais, de modo que aos poucos vão rejeitando todo o restante como hereges e imperfeitos diante do Senhor. Não é preciso se alongar para afirmar que tal posicionamento reflete um espírito completamente desprovido da realidade e ensinamento bíblico, afinal, tal impulso não reflete humildade alguma, ao contrário, exterioriza o orgulho interno de supostamente pertencer a uma classe "mais elevada" de cristãos.

Todavia, note que falamos em "pressupostos pessoais" que levam ao orgulho. Quando assim agimos, quer dizer, admitimos à comunhão ou excluímos as pessoas baseadas em nosso próprio querer, acabamos por enfraquecer a autoridade das Escrituras em nossa vida, pois já não vivemos mais de acordo com os ditames da Palavra de Deus, mas sim conforme achamos que entendemos a palavra de Deus. É algo muito perigoso confiar no próprio coração - "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jr 17.9). Por isso precisamos entender que devemos trabalhar baseado em pressupostos bíblicos e coerentemente defensáveis pela Bíblia, caso contrário julgaremos as pessoas com base naquilo que achamos ser verdadeiro e correto, em vez de irmos até a revelação de Deus (a Bíblia) e dela retirarmos os pressupostos eternos.

Também é preciso salientar que a salvação não reside em uma denominação específica ou em congregações ímpares, mas sim no poder do Alto, "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). É fato fundante da vida cristã que precisamos discernir as doutrinas bíblicas e rejeitá-las prontamente se forem contrárias às Escrituras, todavia, devemos igualmente pedir grande humildade e sabedoria divina, pois não são (e serão) poucas as vezes em que nos jactamos de nossa denominação, subimos no andaime do orgulho e proferimos um olhar de julgamento para todos que estão "abaixo" de nós.

Digo isso porque muitas vezes em vez de nos alegrarmos com o arrependimento de um pecador, o primeiro pensamento que temos é: "que pena, seria melhor se tivesse em minha igreja". Preciso também deixar registrado que de fato muitos "arrependimentos" são completamente supérfluos e neles não se pode sequer se visualizar a contrição pelo pecado e um amor grandioso pela salvação graciosa de Cristo - é necessário que sempre entendamos qual a natureza do verdadeiro arrependimento. Ainda, nos é mister rogar ao Senhor para que transforme seus filhos a cada dia de acordo com Sua palavra e que nos use para este feito, de modo que sejamos verdadeiros agentes de Cristo e que já não exalam mais o perfume da morte (Ef 2.1), mas sim "o bom perfume de Cristo" (2Co 2.15).

Portanto, o fato que precisa ser evidente em nós é que quando visualizarmos um verdadeiro arrependimento, uma real aversão ao pecado e grandiosa inclinação para com o Senhor na vida de outrem, que possamos nos alegrar grandemente, pois se nos céus há tal alegria, por que não deveria também haver em nós? "Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende" (Lc 15.7).

2. Deve estimular o amor e união em torno da causa de Cristo Jesus - "e o vosso amor para com todos os santos".

Na vida cristã tudo deve perpassar pela vida e obra de Jesus, pois Ele é "o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" (Ap 22.13) e também "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém" (Rm 11.26).

Os cristãos devem estar firmemente unidos uns com outros. Devem batalhar em prol do amor comunitário e devem sempre de agasalhar em torno do estandarte cristológico. A atitude de um verdadeiro crente não é desestimular seus irmãos por causa de seus pecados, mas sim exortá-los em amor para que a graça de Cristo não seja vã em suas vidas (1Co 15.10) e que a união no poder do Senhor possa ser visivelmente firme diante do mundo. Foi desse modo que o apóstolo escreveu aos Coríntios: "Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (2Co 5.1).

Notemos a ênfase que Paulo coloca no amor e unidade entre os irmãos, a ponto de que mesmo que percam todas as suas posses - "se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer" -, juntos morarão no edifício de Cristo, "uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus". Ainda que todas as coisas nos sejam contrárias, mesmo que todos os ventos soprem contra nossas habitações, podemos confiar de que estamos sobre a rocha que é Cristo (Mt 7.24-25). O salmista expressou belamente sua confiança em Cristo: "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam" (Sl 23.4).

Quando confiamos em Deus, então amamos os irmãos e os confiamos ao Senhor, nos unimos em favor do Sua bandeira e nos abrigamos debaixo de Suas asas (Mt 23.37).

3. Jamais perder a alegria pelos irmãos em Cristo Jesus - "Não cesso de dar graças a Deus por vós".

Muitos são (e serão) os irmãos e irmãs que nos decepcionam, violam nossos sentimentos de confiança que nutríamos em relação a eles e por muitas vezes acabam por nos magoarem e ferirem nossas vidas (o contrário é também verdadeiro). Porém, para que esse problema seja minimizado, precisamos constantemente recordar de que ainda estamos carregando o corpo desta morte (Rm 7.24) e que sempre teremos o pecado em nossos círculos cristãos. Por mais piedoso e puritano que alguém possa tentar ser, ainda assim fraquejará e ferirá os demais amados. Então, somos instados a perdoar tais irmãos não apenas algumas vezes, "mas, até setenta vezes sete" (Mt 18.22) - e isso é possível porque os amamos em Cristo Jesus, não por nossas próprias forças.

Pode ocorrer também que percamos a alegria nos irmãos, não porque sejam pecadores, mas sim porque depositamos erroneamente nossa confiança em suas vidas. Através do profeta Jeremias o Senhor alertou o povo de Israel sobre esse grande perigo: "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!" (Jr 17.5). Quantas são as vezes que vamos para a igreja desgostosos da vida e/ou sequer desejando conversar com outrem, tudo porque estamos magoados com alguém? Neste sentido, a palavra do Senhor nos admoesta para que constantemente perdoemos uns aos outros e sejamos alegres pela vida do próximo.

Apesar de muitos irmãos certamente também terem dificuldades com o apóstolo Paulo e este com aqueles, notemos qual é sua disposição para com a alegria: "Não cesso de dar graças". Em outras palavras, Paulo está estimulando os crentes de Éfeso de que ele não parara de agradecer ao Senhor e até mesmo parece-nos transmitir a ideia de que jamais cessaria de louvar a Deus pela boa obra efetuada em suas vidas. Desta maneira se vê clarividentemente a ímpar responsabilidade da Igreja do Senhor ter alegria por estar com os irmãos. Novamente o salmista nos ensina: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos á casa do SENHOR" (Sl 122.1).

4. Orar continuamente pelos irmãos em Cristo Jesus - "lembrando-me de vós nas minhas orações:".

O pequeníssimo, mas valiosíssimo versículo nos exorta: "Orai sem cessar" (1Ts 5.17). Precisamos diariamente levantar súplicas e agradecimentos pelos nossos amados e preciosos guerreiros da fé em Cristo Jesus. Por guerreiros, que ninguém entenda que sejamos alguma coisa diante de Deus, mas sim que, nas palavras de Jesus, "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (Jo 16.33). 

O esmerar-se na oração é sinônimo de amor-guerreiro-cristão. Todo cristão deve orar arduamente por seus amados, a fim de que tenham o "bom ânimo" do Senhor. Paulo ampliará esse ponto no final de sua carta, quando diz: "Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho" (Ef 6.18-19). Embora seja fato de que não saibamos como que a oração pode fortalecer os irmãos, o ponto basilar de nossa confiança deve estar no poder e na soberania de Deus - e não em nossa própria oração.

A oração é meio pelo qual Deus move o coração do homem, mas o homem ora somente porque Deus o impele a isso. Agostinho orou assim: "Concedeste porque tu ordenaste, e ordenaste o que tu desejaste". [1] Oramos pelos irmãos e os depositamos à confiança do Eterno porque quando oramos sabemos que estamos realizando a vontade de Deus. Se Deus nos ordenou que orássemos, então Ele também concede este desejo para que assim pratiquemos. Todas as ordenanças do Senhor também acompanham Sua providência, de modo que homem algum possa se gloriar em qualquer feito seu. "Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor" (2Co 10.17).

Que diariamente possamos estimar mais nossos irmãos em Cristo Jesus e que seja a cada dia mais verdadeiro a bênção divina em nossas vidas: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém" (2Co 13.14 - grifo meu).

Nota:
[1] Citado em "A vida é como a neblina", de John Piper - pág. 33.

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Um comentário :

  1. Fora da graça, os humanos se transmudam em pistoleiros justiceiros. É que não há solução de qualquer questão social que não seja estribada no evangelho. Conheci um velho que mediante tais situações só fazia afirmações depois que invocava os Céus dizendo: "neste caso eu ponho a mão no evangelho"...:)

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