"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

Se inscreva no meu canal do YouTube!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Efésios 1.13 - Também Somos Glória do Senhor (parte 2) - A Garantia da Salvação - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 03.06.2012



Efésios 1.13 - Também Somos Glória do Senhor (parte 2) - 
A Garantia da Salvação -
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 03.06.2012

"Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa" (Ef 1.13 - grifo meu).

Anteriormente fomos agraciados com a palavra da verdade - conforme está registrado no presente versículo - e o apóstolo nos ensinou sobre alguns fatos importantes com relação à conversão dos gentios e de como eles foram agraciados pelo Eterno, não por obras, mas pelo "evangelho da vossa salvação". Também notamos a salutar necessidade de todo crente ser fiel seguidor e depositar suas confianças somente "nele", pois embora muitas vezes possamos ouvir a mensagem da salvação, nosso coração é por demais tendencioso a se desviar do Caminho, aliás, essa é nossa inclinação natural antes da regeneração (Gn 6.5). Por isso é mister que compreendamos o dever que toda criatura tem de: 1. ouvir a palavra da verdade; 2. o evangelho que é a palavra da verdade e que traz salvação; 3. crer no Senhor e arrepender-se de seus pecados.

Contudo, se o apóstolo finalizasse seus dizeres no terceiro ponto, ainda que pudesse alegrar muitos corações por um breve momento, iria incitar um dos mais terríveis sentimentos que todo homem pode sentir: a falta de segurança.

A falta de segurança talvez seja uma das piores sensações que qualquer criatura pode sentir. Os que já passaram por situações desafiadoras e que lhes tiraram completamente a noção e previsibilidade do que iria acontecer, sabem do que estou falando. Até mesmo os atos mais simples do dia-a-dia nos revelam como muitas vezes a insegurança nos é temida e relutamos a todo custo aceitá-la. Para ilustrar, imagine o seguinte exemplo:

Como de costume, em um sábado a noite você vai visitar alguns amigos e depois retorna para seu apartamento. Ao tomar do elevador na garagem para ir até sua residência, você abre a porta, deixa a esposa e filhos entrarem, aperta o número desejado e pacientemente aguarda a chegada até o andar desejado. Tudo transcorre como sempre, tudo vai muito normal e a sua vida transcorre com tranquilidade; você conversa com sua esposa e filhos durante a lenta subida, se alegram juntos, falam dos momentos anteriores, comentam sobre o jantar que tiveram, as crianças falam se seus colegas... até que o elevador pára e as luzes se apagam. De súbito, toda a noite com os amigos, toda felicidade, todo júbilo e alegria de estar retornando para o lar, é desfeito em apenas um segundo. Seu coração começa a palpitar mais rápido, você começa a suar; cada instante parece ser uma eternidade; você pretende discar para alguém pelo celular, mas evidentemente ele não tem sinal de área; aperta a campainha de segurança; faz uma dezena de orações desesperadas; sua esposa se agarra em seus braços, seus filhos começam a chorar e você não encontra solução... você está inseguro.

Tal qual nosso exemplo, muitos entendem - erroneamente - que, embora tenham ouvido a palavra do evangelho, tenham entendido o evangelho da salvação e creiam firmemente em Cristo Jesus, ainda nutrem a falsa ideia de que a salvação pode ser perdida  [1]. Lamentavelmente, devido à falta de pregação bíblica e expositiva, muitos homens e mulheres acham-se numa constante insegurança quanto a sua salvação em Cristo - não porque Cristo não seja capaz de guiá-las, mas sim porque imaginam que depende delas mesmas o querer e o realizar da salvação em seus corações. É nesse sentido, então, que o apóstolo busca acalentar os corações, isto é, se não houvesse nenhum garantia real de que pudéssemos ser salvos em Cristo, seríamos os mais desesperançosos homens sobre essa terra, pois viveríamos constantemente à beira de precipício e logo desfaleceríamos.

A Bíblia é demasiadamente clara em afirmar "que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6). Diferentemente de nosso exemplo, em Cristo não há insegurança, não há vacilação, não há temores e nem medo de se perder a salvação. Paulo é clarividente em afirmar que não há possibilidade alguma do crente cair da graça e perder a salvação. Essa doutrina é chamada perseverança dos santos, pois conforme as Escrituras revelam, todos aqueles a quem o Senhor predestinou para a vida eterna, haverão de perseverar na fé em Cristo Jesus durante suas peregrinações por sobre a terra. Contudo, como frequentemente ocorre, muitos são os que distorcem essa doutrina e afirmam que podem viver de maneira devassa, pois se o crente perseverará até o fim, nada, nem mesmo o maior e mais grave pecado o pode tirar das mãos do Senhor. Tendo em vista que está fora de cogitação tal entendimento, sequer despenderemos tempo analisando e refutando tal doutrina diabólica e contrária à Palavra.

Analisemos, portanto, à luz da declaração paulina - "fostes selados com o Espírito Santo da promessa" -, como que ocorre tal selo da salvação no ser humano. [2]

Ao ouvir a palavra "selados", algo nos vem à mente: um selo, uma marca. No entanto, Paulo não fala de um selo qualquer, como sendo algo que pode ser retirado e posto a qualquer tempo - é um selo específico. Este selo é o "Espírito Santo da promessa", o próprio "autor e consumador da fé" (Hb 12.2). Este ponto é de magnífica beleza para todo crente, pois ao contrário da confiança que o mundo nos dá e da falsa segurança que as coisas terrenas nos proporcionam, o Espírito Santo de Deus testifica no coração de Seus filhos de que de fato são criaturas verdadeiramente regeneradas por Ele. O selo da promessa na vida de um crente é a maior das alegrias e felicidades que um homem pode ter. Mas, o que vem a ser esse selo do Espírito Santo?

Em primeiro lugar, o selo é uma marca, um distintivo, um diferencial, um sinal visível de que determinada coisa pertence a determinado senhor. Assim como nossas - quase antigas - cartas recebem cada qual um selo específico, designando o tipo de serviço a ser feito, de igual modo o Espírito Santo é necessariamente também uma marca visível na vida do cristão. Notemos as palavras de Jesus que dizem: "pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.20). Há algo que brilha na vida do cristão, pois ele já não é mais selado com a marca negra do pecado - sua vida foi transformada. Se assim foi, então o cristão verdadeiro deve impreterivelmente brilhar em meio a esse mundo vil - "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte" (Mt 5.14). A marca do cristão verdadeiro é a luz, o esplendor e a glória de Cristo. Embora ainda seja sujo e maligno em seu coração, já não é mais escravo do pecado e, portanto, está livre para seguir  a Cristo (Gl 5.1).

Em segundo lugar, o selo não pode ser removido. Poderemos garimpar toda a Escritura e em nenhum lugar, sob qualquer circunstância, encontraremos uma só declaração ou dedução lógica de que pode-se perder o Espírito Santo do Senhor. É correto afirmarmos as palavras que mais para frente analisaremos, "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção" (Ef 4.30), porém é também correto que entendamos a doutrina bíblica do selar do Espírito Santo. Se a Bíblia revela-nos que em Deus não há sombra de variação (Tg 1.17) e que a palavra de Deus é totalmente inspirada pelo Criador (2Tm 3.16-17), então, seguramente podemos concluir que a palavra de Deus é eficaz para realizar tudo aquilo que o Senhor predestinou. "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" (Is 55.11). As próprias palavras de Jesus nos confirmam isso: "E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca" (Jo 6.39). O fiel em Cristo não deve, sob hipótese alguma, mesmo que esteja sob juramento de morte, interpretar tais palavras como denotando um desejo do Pai, mas que não pode ser cumprido - a vontade de Deus é sempre realizada. Ora, Paulo foi bastante claro aos romanos em dizer: "Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer" (Rm 9.18). A vontade do Senhor ("a vontade do Pai"), portanto, não pode ser violada, mesmo pelo mais terrível e diabólico demônio, pois assim também lemos: "E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10.28). [3]

Em terceiro lugar, este selo é dado exclusivamente pelo Senhor. Falando da apostasia do povo de Israel, o profeta Ezequiel, inspirado pelo Senhor, lhes proclama essa estupenda verdade: "E lhes darei um só coração, e um espírito novo porei dentro deles; e tirarei da sua carne o coração de pedra, e lhes darei um coração de carne" (Ez 11.19). É o Senhor que vem no momento em que deseja, do modo que lhe apraz e em quem se satisfaz (pois vê a justiça de Seu filho imputada sobre tal pessoa), selar o homem com o Seu Espírito Santo. Nesse sentido, recordamos que o fruto de nossa salvação é a eleição graciosa do Eterno, de modo que se dependesse do homem vil e pecador o achegar-se a Deus, ninguém ousaria sequer desejá-lO, haja vista termos sido concebidos em iniquidade (Sl 51.5) e nosso coração ser desesperadamente maligno (Rm 3.10).

Notemos, por fim, três aplicações que o selo do Senhor tem na vida de todo verdadeiro crente:

1. Não há como se perder a salvação.


Muitos pastores e escritores, no afã de levaram seus membros e leitores a uma reflexão acerca de suas consciências, frequentemente apelam para a fraqueza do sacrifício de Cristo. Sim, afirmam categoricamente que o sangue de Cristo não tem poder para segurar nenhum de Seus filhos em Suas mãos, sendo assim que a salvação pode ser perdida a qualquer instante. Esse lamentável fato é visto constantemente em "pregações" acerca do livro da vida descrito em Apocalipse, onde invariavelmente tais homens asseveram que, embora os crentes tenham seus nomes escritos em tal livro, constantemente, por causa de seus pecados, o Senhor os risca e remove seus nomes. Na verdade, o imaginar dessa cena é um tanto quanto bizarro e desprovido de senso bíblico, pois se é o Senhor quem escolhe salvar, é Ele quem regenera e é Ele quem justifica e santifica, como pode ser possível que Ele mesmo venha a ora escrever, ora apagar o nome de Seus filhos do livro da Vida? Assim como um Pai adotivo não vai semanalmente ao cartório "desregistrar" seus filhos adotivos, apenas porque foram rebeldes, também o Senhor não aparta de Sua presença os Seus, pois já não olha para nosso coração, mas sim para o sacrifício de Seu Filho e que lavou todos os Seus - "E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3.17).

As implicações da perda da salvação (se isso fosse possível) seriam terrivelmente graves e danosas as Escrituras, pois de imediato feririam várias doutrinas essenciais: a soberania divina, a predestinação, a regeneração, a justificação, a santificação, a perseverança, a luta contra o pecado... Se de fato existisse essa possibilidade de se perder a salvação, então viveríamos sob o teto de um Deus imprevisível, que ora escolhe salvar, ora escolhe condenar. Também estaríamos nas mãos de um deus fraco como o barro, pois sequer seria capaz de assegurar a salvação de Seus filhos. É, portanto, mister que lembremos que a salvação não pode ser perdida, pois uma vez vivificados de nossas ofensas e delitos cometidos contra o Senhor (capítulo 2 de Efésios), não poderia Ele novamente nos condenar ao pecado. Isto é, se estávamos mortos no pecado e Cristo sofreu a punição por nós, então de modo algum seria cabível afirmar que necessitaríamos sofrer a morte pelo pecado, afinal, se a Cristo pagou por nós, a justiça já foi satisfeita - ficando os crentes livres do castigo divino.

2. É o Espírito Santo quem move os Seus filhos.


Uma carta sem selo não pode ser enviada ao seu destinatário - ela fica parada e aguarda a devida selagem para seu destino. Assim também são os filhos de Deus: não vivem mais para si mesmos, e sim fazem o que Paulo que afirma: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20). Ainda que os filhos do Senhor tenham recebido um coração vivo no lugar de um coração de pedra (cf. Ez 11.19), de modo algum devemos pensar que o Senhor está apenas nos ajudando na caminhada cristã - o Senhor não nos ajuda, é Ele quem nos move. E para que nenhum espírito espúrio ousasse intentar contra esse baluarte, o apóstolo inspirado afirma: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13).

Sim! É Ele quem efetua todas as coisas em nossos corações. É o Senhor quem nos regenera, quem nos justifica, quem nos santifica, quem faz com que andemos na luta contra  pecado... Acertadamente já pontuamos sobre a responsabilidade humana, contudo, aqui cabe novamente afirmar a soberania divina em face da natureza criada por Deus - "No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1). Se é Ele o criador, então é certo que também seja o sustentador de todas as coisas.

3. O selo do Espírito Santo acompanha e transfere a Sua eternidade.


A garantia sempre acompanha o produto - nunca houve um sem o outro. É preciso lembrar que o Espírito Santo de Deus é eterno e por isso durará para sempre, de modo que onde Seu poder vivificador é graciosamente depositado, ali há garantia de eternidade. Lembremos do tabernáculo e do templo do Antigo Testamento, onde se lê acerca dos objetos: "Assim santificarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo" (Êx 30.29). Não menos que o ensinamento que tais objetos passavam aos sacerdotes e ao povo, isto é, de que tais coisas eram dedicas somente ao Senhor, devendo-se ter todo o cuidado ao manuseá-las, também o Espírito Santo quando nos toca, torna-nos santos e separados para Ele.

Notemos outra vez o versículo já visto: "E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10.28 - grifo meu). A afirmação de Paulo é clara: "nunca hão de perecer". Os homens e mulheres eleitos pelo Senhor, ainda que continuem levando o corpo da morte do pecado, "nunca hão de perecer". Mas por que tais pessoas nunca haverão de perecer? Note o ponto anterior: "E dou-lhes a vida eterna". É o próprio Senhor quem concede vida eterna aos Seus filhos, de modo que o Espírito Santo vem sobre nós como selo e garantidor, ou como Paulo dirá no próximo versículo, "O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14).

Então, é preciso que atentemos para tão grande e perfeita salvação que alcançou aqueles gentios e hoje também se desdobra em nossas vidas. Quão grandioso presente temos recebido do Senhor, a ponto de termos o riquíssimo selo, saído diretamente das mãos do Rei do Reis, mais precioso que tudo que existe nesse mundo e capaz de nos guiar rumo à cidade celestial, onde temos "bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3).

"Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar" (Jo 14.2).

Nota:
[1] Na próxima exposição veremos sobre a importância de um auto-exame honesto, a fim de verificarmos se fato fomos selados pelo Espírito Santo.
[2] A presente carta de Paulo é recheada de soteriologia (doutrina da salvação), por isso, em tempo oportuno, estaremos analisando as várias fases da salvação - no momento, então, importa que verifiquemos apenas a declaração do apóstolo.
[3] Já vimos mais detidamente esse assunto em Ef 1.4.

Comente com o Facebook:

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Por favor, comente este texto. Suas críticas e sugestões serão úteis para o crescimento e amadurecimendo dos assuntos aqui propostos.

Compartilhe

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

pop-up LIKE

Plugin