"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sábado, 16 de junho de 2012

Como Lidar com Controvérsias e Debates Sobre o Evangelho? (parte 2)


Você encontrará uma terceira classe de leitores, que, pensando como nós, aprovarão prontamente o que você dirá e, talvez, serão estabelecidos e firmados em seus pontos de vista sobre as doutrinas das Escrituras, por meio de uma elucidação clara e magistral do assunto. Você pode ser um instrumento para a edificação deles, se a lei da bondade, bem como a da verdade, regularem sua caneta, pois, de outro modo, você lhes causará danos.

Existe um princípio do “eu” que nos leva a desprezar todos aqueles que discordam de nós. E geralmente nos encontramos sob a influência deste princípio, quando pensamos estar apenas mostrando um zelo conveniente na causa do Senhor. Creio prontamente que os principais argumentos do arminianismo surgem do orgulho humano — e são nutridos por tal orgulho. Todavia, devo me alegrar se o contrário sempre foi verdadeiro. Também creio que aceitar o que é chamado de doutrinas calvinistas consiste em um sinal infalível de uma mentalidade humilde.

Tenho conhecido alguns arminianos — ou seja, pessoas que, por falta de mais iluminação, têm se mostrado receosas de abraçar as doutrinas da graça gratuita — que têm dado evidências de que seus corações estavam em profunda humildade diante do Senhor. E temo que haja calvinistas que, enquanto tomam como prova de sua humildade o fato de que estão dispostos a degradar, em palavras, a criatura e dar toda a glória da salvação ao Senhor, desconhecem o tipo de espírito que possuem.

Aquilo que nos faz ter confiança de que, em nós mesmos, somos comparativamente sábios ou bons, a ponto de tratar com desprezo aqueles que não subscrevem nossas doutrinas ou seguem o nosso grupo, é uma prova e um fruto do espírito de justiça própria. A justiça própria pode se alimentar de doutrinas, bem como de obras. Um homem pode ter o coração de um fariseu, enquanto a sua mente está repleta de conceitos ortodoxos sobre a indignidade da criatura e as riquezas da graça gratuita. Sim, eu poderia acrescentar: os melhores dos homens não estão completamente livres deste fermento. Por isso, eles estão propensos a se satisfazerem com apresentações que podem levar os nossos adversários ao ridículo e, por conseqüência, bajular as nossas opiniões superiores.

Controvérsias, em sua maioria, são administradas de modo a favorecer, e não a reprimir, esta disposição errada. Portanto, falando de modo geral, as controvérsias produzem pouquíssimo bem. Elas provocam aqueles aos quais deveriam convencer e envaidecem aqueles que elas deveriam edificar. Espero que seu empreendimento tenha o sabor de um espírito de humildade e seja um meio de promovê-la em outros.

Isto me leva, em último lugar, a considerar nosso interesse em seu atual empreendimento. Parece um serviço louvável defender a fé que uma vez foi entregue aos santos. Somos ordenados a batalhar diligentemente por esta fé e convencer os que se opõem. Se tais defesas foram convenientes e oportunas em tempos passados, parecem que elas também o são em nossos dias, quando erros abundam por todos os lados e cada verdade do evangelho é negada de modo direto ou apresentada de modo grotesco.

Além disso, encontramos poucos escritores de controvérsia que não têm sido claramente prejudicados por ela — ou por desenvolverem um senso de importância pessoal, ou por absorverem um espírito de contenção irada, ou por afastarem insensivelmente sua atenção das coisas que constituem o alimento e a sustentação imediata da vida de fé e gastarem seu tempo e forças em assuntos que, em sua maioria, são apenas de valor secundário. Isto nos mostra que, se o serviço é louvável, ele é também perigoso. Que benefício um homem pode ter em ganhar a sua causa, silenciar o adversário, se, ao mesmo tempo, ele perde aquele espírito de humildade e contrição que deleita o Senhor e conta com a promessa de sua presença?

Sem dúvida alguma, o seu alvo é bom, mas você tem necessidade de vigilância e oração, pois Satanás estará à sua mão direita para opor-se a você. Ele tentará destruir suas opiniões. E, embora você se levante em defesa da causa de Deus, ela pode tornar-se sua própria causa, se você não estiver olhando continuamente para o Senhor, a fim de ser guardado e alertado por Ele, naquelas disposições que são incoerentes com a verdadeira paz de espírito; isto certamente obstruirá a comunhão com Deus. Esteja alerta contra o permitir que alguma coisa pessoal entre no debate. Se você acha que foi injuriado, terá a oportunidade de mostrar que é um discípulo de Cristo, pois Ele, “quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças” (1 Pe 2.23). Este é o nosso padrão; por isso, temos de escrever e falar por Deus, “não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados” (1 Pe 3.9).

A sabedoria que vem do alto não é somente pura, mas também pacífica e cordial. A falta destas qualidades, à semelhança da mosca morta em uma vasilha de ungüento, estragará o sabor e a eficácia de nossos labores. Se agirmos com espírito errado, traremos pouca glória para Deus, faremos pouco bem ao nosso próximo e não obteremos nem descanso nem honra para nós mesmos.

Se você puder se contentar com o expressar a sua opinião e, assim, conquistar o sorriso de seu oponente, isto será uma tarefa fácil. Mas espero que você tenha outro alvo mais nobre e que, estando sensível à solene importância das verdades do evangelho e à compaixão pelas almas dos homens, você preferirá ser um meio de remover preconceitos em uma única ocasião a obter os aplausos inúteis de milhares. Portanto, vá em frente, no nome e na força do Senhor dos Exércitos, falando a verdade em amor. E que o próprio Senhor dê em muitos corações um testemunho de que você é ensinado por Ele e favorecido com a unção do Espírito Santo.

por John Newton

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