"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Efésios 1.14 - O Penhor da Nossa Herança - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 17.06.2012



Efésios 1.14 - O Penhor da Nossa Herança - 
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 17.06.2012

"O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14).

Esta pregação que tivemos foi gravado em vídeo - clique no link para assistir: http://twitcam.livestream.com/ahuzz

Tendo o apóstolo exposto aos irmãos de Éfeso de que uma vez em Cristo, para sempre n'Ele - não pelo querer humano, mas por Deus que se compadece (Rm 9) -, agora ele utiliza ainda outra expressão para firmar na coração daqueles crentes que o Espírito Santo não reside apenas hipoteticamente na vida dos filhos do Senhor, mas que de fato é vivo e é O garantidor da possessão que um dia haverão de adquirir. A presente sentença de Paulo vai diametralmente em contraposição ao que muito têm dito e distorcido da palavra de Deus, pois não poucos ousam afirmar que o Senhor não salva os seus eleitos - na verdade, por rebeldia ou ignorância, por vezes até mesmo desconhecem a eleição - e sequer é capaz de garantir a salvação de tais, sendo assim, [supostamente] necessário que cada um precise, por suas próprias forças (isto é, sem o agir do Espírito Santo) alcançar a vida eterna.

O apóstolo enfatiza algo de suma importância para os crentes: o penhor.

Penhor é uma palavra do âmbito jurídico e que significa testemunho, uma garantia, segurança, alguma coisa que assegure o pagamento. O penhor é o meio utilizado para se assegurar que uma dívida será paga. Frequentemente os maus pagadores (ou que não estão conseguindo quitar a dívida por algum motivo) tem algum (ou todos) de seus bens penhorados para garantir ao credor (aquele que tem o direito de receber o pagamento, mas que não o está recebendo porque o devedor não está pagando) que este receberá "de um jeito ou de outro". Um exemplo prático é quando alguém contrai uma dívida de R$30.000,00, mas que por algum infortúnio (ou má-fé) não consegue dar continuidade ao pagamento. Neste caso o credor (o que emprestou o dinheiro e quer, por óbvio, recebê-lo de volta) pede que determinado bem do devedor seja penhorado, isto é, indica durante o processo (por exemplo, um carro) um bem que o devedor tenha, para que caso não consiga pagar o empréstimo, o credor receba o bem em pagamento da dívida.

As Escrituras nos revelam também essa prática jurídica na teocracia de Israel: "Se tomares em penhor a roupa do teu próximo, lho restituirás antes do pôr do sol, Porque aquela é a sua cobertura, e o vestido da sua pele; em que se deitaria?" (Êx 22.26-27). "Não se tomará em penhor ambas as mós, nem a mó de cima nem a de baixo; pois se penhoraria assim a vida" (Dt 24.6). "Quando emprestares alguma coisa ao teu próximo, não entrarás em sua casa, para lhe tirar o penhor. Fora ficarás; e o homem, a quem emprestaste, te trará fora o penhor. Porém, se for homem pobre, não te deitarás com o seu penhor. Em se pondo o sol, sem falta lhe restituirás o penhor; para que durma na sua roupa, e te abençoe; e isto te será justiça diante do SENHOR teu Deus" (Dt 24.10-13).

Outro exemplo bastante evidente desta lei civil é também encontrado em Gn 38.15-18: "E vendo-a Judá, teve-a por uma prostituta, porque ela tinha coberto o seu rosto. E dirigiu-se a ela no caminho, e disse: Vem, peço-te, deixa-me possuir-te. Porquanto não sabia que era sua nora. E ela disse: Que darás, para que possuas a mim? E ele disse: Eu te enviarei um cabrito do rebanho. E ela disse: Dar-me-ás penhor até que o envies? Então ele disse: Que penhor é que te darei? E ela disse: O teu selo, e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão. O que ele lhe deu, e possuiu-a, e ela concebeu dele" (grifo meu). Para que Judá possuísse a prostituta (que na verdade era sua nora, ato este que era condenável pelo Senhor - Lv 18.15; 20.12), ele afirmou que enviaria um cabrito do seu rebanho - note: "enviarei" (vide v. 20). Como o cabrito não estava consigo, ela não poderia ter a certeza de que ele iria pagar. Tamar (esse era seu nome - v. 13), então, pede para Judá uma garantia de que de fato o cabrito seria enviado; para tal garantia ela lhe pede "O teu selo [1], e o teu cordão, e o cajado que está em tua mão". Desse modo Tamar poderia ter a segurança de que o cabrito seria enviado, afinal, um cordão e um cajado [2] eram mais importantes que o cabrito; por reter consigo algo de valor do devedor, cria que o cabrito seria enviado.

Portanto, é também com esse ato jurídico em mente que o apóstolo afirma aos cristãos de Éfeso de que o Espírito Santo era o penhor "da nossa herança, para redenção da possessão adquirida". Em outras palavras, estava lhes afirmando que o Espírito Santo na vida do cristão é o garantidor de que um dia o Senhor virá e nos dará a "possessão adquirida" por Cristo Jesus! Escrevendo aos colossenses o apóstolo diz: "O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor" (Cl 1.13). Quer dizer, como teríamos a segurança de que de fato fomos transportados "para o reino do Filho", se não houvesse qualquer garantia verdadeira para nós? Também o evangelista Lucas nos relata: "Bendito o Senhor Deus de Israel, Porque visitou e remiu [isto é, o perdoou] o seu povo" (Lc 1.68). Há ainda outra declarações em 2Co 1.22 e 2Co 5.5.

Como vimos anteriormente (clique aqui para ler), a insegurança é um dos piores sentimentos que o homem pode sentir. Nesse sentido, para que os crentes tivessem a segurança de Sua salvação tão somente em Cristo Jesus e por Sua graça eletiva, as Escrituras nos revelam o quão importante é o papel do Espírito Santo em nossas vidas, de forma que não nos desesperemos em meio às vicissitudes da vida nem creiamos nas mentiras malignas de que não pertencemos ao Senhor ("se é que o Espírito de Deus habita em vós" - Rm 8.9), e sim que sejamos confortados em meio as dificuldades e tentações, a fim de que possamos crer que uma vez sido verdadeiramente regenerados, justificados e sendo santificados por Deus, não há que se falar na falta de garantia da salvação, afinal, ela não depende de nós, mas sim nos é dada gratuitamente pelo Eterno, de modo que todas as vezes o Espírito Santo nos guia em Seus caminhos Ele não nos permite ultrajar os preceitos Divinos, além de nos acalentar os corações nos "vales da sombra da morte" de nossa vida, nos ensinando e admoestando a não confiarmos em nós mesmos, mas no poder e garantia do Espírito Santo que em nós habita.

Vejamos, então, três aplicações com relação ao penhor do Espírito Santo.

1. O penhor nos estimula à confiança no Senhor.


Porque os cristãos têm a Deus como pai, não precisam temer as intempéries da vida - não que em todos os momentos sejam livres da ruína material, emocional e por vezes a fraqueza espiritual -, pois Ele cuida de cada um dos Seus filhos, de modo que assim como um filho pequeno confia em seu pai por saber que ele é "maior e mais forte", assim também devemos proceder para com o Senhor.

"No temor do SENHOR há firme confiança e ele será um refúgio para seus filhos" (Pv 14.26). Também o profeta Jeremias disse: "Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA" (Jr 23.6).

Como já visualizamos anteriormente, se de fato o Espírito Santo habita em nós, então continuamente confiamos no poder do Senhor que executa em nós "tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). O próprio Deus nos dá uma garantia divina de que um dia haveremos de usufruir com plenitude da vida eterna e, então, para isso, nos dá gratuitamente o Seu Espírito, nos comunicando que já temos a certeza do pagamento futuro, pois uma vez que Deus não pode-se dividir, então é crível que também o Espírito Santo da promessa fará cumprir tudo o que decretara - "Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" (Is 55.11).


2. Pela confiança trabalhamos arduamente em favor do Reino.



Ao falar sobre o quanto havia sofrido pela causa do evangelho, o apóstolo afirma: "em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas" (2Co 11.23-28).

Seria completamente impossível para o apóstolo perseverar na peleja pelo Reino após sofrer todas essas mazelas da vida se não fosse a firme na garantia do poder do Senhor. Entretanto, a fim de demonstrar que a vida cristã muitas vezes não reside apenas em sofrimentos externos, ele afirma que, "Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas" (v. 28). Somente um cristão confiante no penhor que herdou por Cristo Jesus e que o leva à confiança em Deus é que pode trabalhar arduamente em favor da causa celestial. Muitos homens e mulheres têm se tornados inativos nas igrejas, não porque não amem ao Senhor, mas sim devido à falta de compreensão de que podem confiar verdadeiramente naquele que efetua tanto o querer como o realizar, assim como o perseverar e suportar todas as tribulações.

Essa compreensão na necessidade da confiança total no poder do Senhor, levou Paulo a dizer: "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" (1Co 15.10).

"e a sua graça para comigo não foi vã". Um homem verdadeiramente regenerado confirma as palavras de Jesus que diziam que um homem encontra um campo com grandes riquezas, ele volta para sua casa, vende tudo o que possui e compra tal terreno - pois ele é mais valioso do que tudo que julga possuir. A graça de Deus não pode ser apenas uma influência moral e socialmente positiva, ela deve transformar completamente as atitudes do crente, de modo que ao olhar para as Escrituras e ler sobre os grandes homens e mulheres que ali o Eterno registrou, não deve de maneira algum se escusar de viver de maneira semelhante, pois o que temos registrado não são "super crentes", mas homens pecadores e que trabalharam ao Senhor dependentes continuamente de Sua graça e confiantes no Seu penhor.

3. Vivemos com os olhares na vida futura.


Se o Espírito Santo é celestial e nossas bênçãos lá estão (Ef 1.3), então é preciso que não fixemos os olhares e façamos grandes investimentos neste mundo vil. Em Hebreus 13.13-14, lemos: "Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." O fiel seguidor do Senhor entende que deve viver como um peregrino por esse mundo. Tal qual o Cristão na alegoria de John Bunyan, o crente deve passar pela Feira da Vaidade (isto é, o mundo) e não se deixar corromper pelas "iguarias" oferecidas e por toda sorte de passatempos oferecidos - não que nos tornaremos verdadeiros nômades e não usufruiremos do mundo criado por Deus, mas no tange à santificação, devemos lembrar que todo santo é alguém separado pelo e para o Senhor, de modo que já não vive para construir grandes empresas, ter sucesso e boa estima nessa vida, e sim conduzir seu andar como um peregrino.

Notemos também que em toda a vida cristã há apenas um acessório que carregamos como nossa bagagem: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me" (Mt 16.24). A vida do cristão é sustentada e guiada pela cruz de Cristo. É ela quem nos move, nos direciona e aponta a correta direção. Filósofos, sociólogos, professores, pais e mães podem nos ser úteis para a vida cristã, mas não são essenciais - tão somente basta-nos a palavra totalmente inspirada do Senhor e que é útil para nos habilitar na peregrinação santa por esse mundo (2Tim 3.16-17).

Como crentes em Cristo, precisamos nos despojar do velho homem e já não praticar as obras das trevas, contudo, nem sempre as trevas são o que imaginamos. Praticar as obras das trevas não é apenas realizar um ritual "satânico" ou sacrificar crianças vivas; as obras trevas são bastante explícitas: "Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus" (Gl 5.19-21). Para as Escrituras, as obras da carne, os desejos humanos contrários ao Senhor, já são obras do maligno. Fazer pouco caso da leitura bíblica, do estudo teológico, do viver piedosamente... são obras das trevas.

Portanto, que possamos orar ao Senhor para que a sua graça para conosco também não seja vã, de modo que continuamente possamos confiar no Eterno e nos agarrarmos ao penhor da nossa herança em Cristo Jesus.


Nota:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra - "Um selo cilíndrico, usado num cordão no pescoço, indicava um homem importante. Se fosse rolado sobre argila amolecida, resultava numa impressão que identificava o dono do objeto."
[2] Idem. -"Esse era um símbolo de autoridade e tinha a marca do seu dono gravada no topo."

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