"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Só o Conhecimento de Deus é Capaz de Regenerar - Pregação em áudio e texto

Amados, a partir de hoje também estarei disponibilizando a pregação em áudio - ela pode ser ouvida diretamente do Blog. Se você quiser baixar o arquivo, clique aqui: Download.

O áudio não é uma leitura do texto abaixo e sim a própria pregação feita no domingo - as pregações que publico no Blog são o "roteiro" que sigo, por isso você ouvirá algumas coisas que não estão escritas no texto.

Deus os abençoe.

Tempo de pregação: 1h e 27min

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Só o Conhecimento de Deus é Capaz de Regenerar -
Sermão pregado dia 11.09.2011

Nosso texto: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus" (1Co 2:1-5).

Amados irmãos, é com grande alegria que nos reunimos nessa noite para lermos, ouvirmos e meditarmos nas Sagradas Escrituras. Como é bom sabermos que "a tua benignidade, ó SENHOR, dura para sempre" (Sl 138:8) e que por isso podemos nos achegar com ousadia ao trono do Senhor.

Nosso texto de hoje falará sobre a importância de reconhecermos que, embora o conhecimento intelectual seja de grande proveito, ele não é a peça fundamental para regenerar - isto é, dar nova vida - o pecador e seu coração endurecido. Veremos que embora Paulo fosse uma pessoa extremamente instruída quanto às faculdades humanas, pregava no poder do Espírito.

O apóstolo Paulo escreveu essa carta para os crentes de Corinto após sua visita à Atenas (At 17:16-34) no areópago e passou a pregar na sinagoga corintiana para os judeus e gentios que lá se reuniam.

No capítulo anterior (capítulo 1), Paulo escreveu dizendo que "Cristo enviou-me... não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." (1:17,18). Mas por que ele escreveu isso? "Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" (1:22,23). Ou seja, Paulo começa escrevendo acerca de que quando a mera sabedoria humana é utilizada para "evangelizar" ou "aconselhar", ela presta um desserviço (um mau serviço) ao reino de Deus, pois a evangelização, o aconselhamento e todos os outros feitos que envolvem o cristianismo não se dão a partir da sabedoria humana, mas do poder de Deus. Toda e qualquer técnica humana para aproximar os homens de Deus é abominável aos olhos do Senhor.

Vemos que hoje em dia, o pecado foi substituído por doença. Isto é, quando antigamente um homem matava outro homem (sem qualquer motivo necessário), dizia-se que havia cometido pecado, mas hoje se diz que ele fez aquilo pois "tem uma doença, não conseguiu se controlar". Em tempos passados a fornicação (isto é, ficar se entregando a relacionamentos de forma promíscua e indiferente) era vista como pecado e grave ofensa a um Deus santo, hoje se diz que isso é o resultado do corpo humano que necessita se envolver em paixões e amores - ainda que passageiros. Houve um período em que desrespeitar pai e mãe era violar o quinto mandamento - "Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá" (Êx 20.:12) - mas hoje isso é algo normal, faz parte da "rebeldia jovem". 

É necessário que os cristãos compreendam que não é o mundo que dita as regras de nossa vida, não é ele quem determina qual será a nova técnica de marketing para "evangelizar", não é ele quem nos diz o que pregar e quando pregar, não é ele quem nos orienta sobre a sexualidade, não é ele quem nos diz como a sociedade deve ser, mas Deus e sua eterna revelação fixa em Sua palavra.

Paulo também escreve aqueles irmãos dizendo: "Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus" (1:24). Em outras palavras: os chamados e tocados pelo Espírito Santo, certamente serão convertidos, ainda que nenhum argumento humanamente irrefutável lhes seja apresentado. E novamente, mas por que se dá isso? Porque Paulo não pregava o evangelho de Deus em sabedoria humana, mas no "poder de Deus, e sabedoria de Deus".

Quando ele escreve, "Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" (1:27), é necessário compreender que as coisas loucas e fracas desse mundo - no contexto de Paulo - eram a pregação bíblica e o poder de Deus diante da intelectualidade do mundo. Esse versículo nos diz que para o homem não regenerado, a Bíblia SEMPRE parecerá algo estúpido e sem sentido. O pecado que decreta a morte eterna do homem lhe parecerá abominação, a morte de um homem pelos pecados de seus filhos lhe parecerá loucura, a necessidade do homem arrepender-se e reconhecer que não é nada sem Cristo, certamente lhe é por demais insuportável - e ainda muitos exemplos que poderíamos citar. Paulo pregava na sabedoria de Deus e não na sabedoria do mundo e por isso que sua mensagem era considerada como louca e fraca diante dos homens - nada tem a ver com ser um homem "diferente" e/ou avesso à muitas regras. 

Paulo inicia nosso texto de hoje dizendo: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade [discurso eloquente] de palavras ou de sabedoria" (2:1).

Aqui, Paulo reitera que quando ele os havia visitado, não havia feito uso de mecanismos humanos e/ou intelectuais para lhes pregar a mensagem da cruz, mas que tão somente "anunciando-vos o testemunho de Deus", levando aquele povo a compreender que assim como ele havia feito em meio aos atenienses, também fez no meio deles. Algo semelhante também aconteceu ao pregador Martyn Lloyd Jones, que no final de seu ministério (40 anos) quando indagado se ao iniciar seus trabalhos sentia que tinha habilidades suficientes para ser um pregador bem sucedido, respondeu: "Eu realmente nunca considerei isso. Eu considerava o que precisava ser pregado. E foi essa convicção fervorosa que me conduzia conforme o requerer da mensagem". [1

É preciso notar que Paulo não era contra o conhecimento e contra a busca do mesmo, mas sim que era contra o homem achar que consegue converter pecadores por meio da intelectualidade. Embora o evangelho passe pelo intelecto - isto é, a mensagem é compreendida pela mente humana - a transformação do coração pecador somente se dá por meio do poder do Espírito Santo. Certamente que muitos sabem sobre essa questão, mas as vezes parecem viver e debater com pessoas apenas no nível intelectual, como que se ao apresentar provas irrefutáveis sobre determinado assunto a pessoa automaticamente irá se converter.

Recentemente um ateu procurou-me via blog (clique aqui para ler e vá até o final da página) e comentou acerca de um sobrinho seu que havia falecido e algumas questões que aconteceram durante o velório. Trocamos um e-mail e ele me disse que só gostaria de continuar mantendo contato caso eu estivesse disposto a conversar com ele sem querer convertê-lo, pois ele estava firme em seu propósito. Então, pensei comigo: "o que devo responder?". Certo estou de que esse homem não precisa ouvir argumentos intelectuais, não precisa ser questionado sobre a veracidade do criacionismo, não precisa saber que possivelmente a embarcação que está no monte Ararate é a mesma do relato bíblico de Noé, mas tão somente necessita ter seu coração mudado e "isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" (Rm 9:16). Eu poderia lhe dizer que depende do seu "livre arbítrio" chegar-se até o Senhor, mas eu estaria mentido. Talvez fosse interessante se eu lhe dissesse para procurar compreender a apologética cristã e os argumentos sobre a maldade interior do homem, mas isso por si só não teria efeito, porque "Do SENHOR vem a salvação" (Jn 2:9) - por isso lhe escreverei dizendo que não tenho a mínima pretensão de torná-lo cristão (pois não tenho tal capacidade), apenas orarei por sua vida.

Queridos, essa não é uma doutrina calvinista, reformada, monergista ou qualquer coisa do tipo, mas bíblica e irrefutável mediante as Escrituras. Não é a teologia reformada que prega a soberania absoluta de Deus sobre tudo e todos, mas as Escrituras - nossa única regra de fé. Paulo anunciou "o testemunho de Deus" e tão somente isso foi o que precisou para iniciar a transformação daquelas vidas.

Paulo então continua dizendo: "Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado" (2:2).

Ao que parece, o apóstolo não foi até os coríntios e procurou investigar qual era a melhor maneira para se proclamar o evangelho. Ele não fez uma pesquisa de marketing para conseguir chamar a atenção do maior número possível de pessoas, mas somente expôs "a Jesus Cristo, e este crucificado".

Como vimos anteriormente, havia judeus e gentios na igreja de Corinto e essa afirmação de Paulo - de que
pregava a Jesus Cristo crucificado - era a PIOR COISA que um judeu poderia escutar. Para o judeu, todo aquele que era pendurado num madeiro era considerado maldito ("porquanto o pendurado é maldito de Deus" Dt 21.23). Com isso Paulo quis dizer que quando foi até os coríntios ele pregou exatamente aquilo que deveria ser pregado, independente se lhes seria agradável ou não escutar isso, pois o fato era que Paulo não podia excusar-se de pregar o evangelho - "ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1Co 9:16).

Sobre esse ponto, John MacArthur Jr. comenta: note que Paulo deliberadamente se recusou a adaptar sua mensagem ou ajustar seu anúncio para se encaixar no padrão filosófico ou gostos culturais dos coríntios. Quando ele diz mais tarde na epístola, “e fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus… Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei … Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Co 9.20:22), ele estava descrevendo como se fez um servo de todos (v.19) e um companheiro daqueles a quem tentava alcançar. Em outras palavras, ele evitou se fazer uma pedra de tropeço. Ele não estava dizendo que adaptou a mensagem do evangelho (que ele claramente disse que é uma pedra de tropeço – 1.23). Ele não adaptou os métodos para ser agradável aos gostos de uma cultura mundana. [2]

Vemos também que pregar Cristo crucificado para os gentios, era simplesmente RIDÍCULO! Ora, qual homem não judeu em sã consciência iria acreditar que um judeu (do ponto de vista humano) fracassado em seu ministério - pois foi desprezado pelos seus, sendo que um o traiu; perseguido pelas autoridades da época; não tendo residência fixa, não tendo trabalho fixo, não era bonito, era zombado e foi morto pelos romanos... - poderia ser o Senhor e salvador dos homens? Era-lhes simplesmente impossível acreditar n'Ele.

Observemos também duas questões relacionadas aos gentios. Primeiro, eles não conheciam a lei judaica. Esse ponto é muito importante, pois enquanto os judeus conheciam a história de seu povo e sabiam que um dia o filho de Deus viria ao mundo, os gentios eram totalmente leigos quanto a essa questão. Eles nada sabiam sobre a Lei, sobre os profetas, sobre os milagres e sobre as promessas - eram completamente ignorantes com relação a isso. Em segundo lugar, os gentios não sabiam que o Senhor havia feito um pacto com o seu povo - "E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus" (Êx 6:7)-, portanto não sabiam quão grande privilégio os assistia naquele momento, a saber, que podiam ser contados entre os do povo de Deus, ainda que não houvessem nascido dentro do povo da aliança! 

Nos é importante notar que o maior milagre que um homem pode receber nesta terra não é a cura física ou emocional (ainda que sejam muito importantes para o alívio do sofrimento), mas a regeneração de seu coração rebelde contra Deus. Muitos questionam sobre o porquê de não acontecerem tantos milagres como acontecia nos tempos de Jesus, mas eu pergunto: um homem que odiava a Deus e passa a amá-lo, não é infinitamente melhor do que qualquer milagre físico?

"E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor" (2:3).

Os comentaristas concordam que nesse ponto Paulo quis salientar que não havia se dirigido aos coríntios em ostentação ou poder humano, mas no poder do Espírito Santo. Paulo utiliza-se do termo fraqueza no sentido de expressar o quão pobre era diante de Deus e diante dos homens, pois para Deus ele nada tinha a oferecer e aos homens ele não se dirigia com palavras persuasivas. 

Também ele escreve acerca de que havia-os visitado em "em temor, e em grande tremor" demonstrando aos coríntios que a pregação do evangelho não era algo fácil para ele. Certamente que Paulo sentia muito medo de expor a palavra de Deus a determinadas pessoas. Temos boas razões para imaginarmos o temor que circundava a mente de Paulo quando foi falar aos atenienses, contudo, ele depositava sua confiança no Senhor.

Este ponto é importante para nós porque nos lembra que nem sempre será fácil pregarmos o evangelho. Não digo somente a pregação para o não cristão, mas também a exortação àqueles crentes que tem vivido de forma irregular e contrária à palavra de Deus. Muitas vezes "tremi" e quase que literalmente passei mal antes  e confrontar alguém sobre algum pecado específico ou situação que não era coerente com o evangelho. Isso não aconteceu porque eu não tinha boas razões para fazer, mas porque oscilava entre o desejo de manter a paz entre eu e o confrontado e a necessidade de lhe dizer que estava vivendo de maneira desordeira, mas maior do que meu medo, era a necessidade de aplicar o evangelho ao caso concreto.

Vemos que, embora Paulo tivesse todas as prerrogativas judaicas para se orgulhar diante das pessoas - "Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; Segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo" (Fp 3:5-7) - se aproximou em fraqueza, temor e grande tremor e por isso também nós certamente não temos desculpa alguma para não fazermos o mesmo.

"A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder" (2:4).`

Ao lermos as cartas de Paulo aos coríntios, vemos que constantemente ele explicita que não é o conhecimento humano que leva os pecadores ao arrependimento, mas o poder do Espírito Santo. Eis algumas razões pessoais que me levam a acreditar sobre o porquê de Paulo reiterar a mesma coisa várias e várias vezes:

1. "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gn 6:5). Ao contrário do que o homem natural pensa, a mente humana é sempre voltada para o mal e seu coração continuamente busca satisfazer seus próprios desejos. Paulo sabia que a natureza do homem é pecaminosa. Ele era cônscio de que os homens precisavam ser constantemente alertados sobre o perigo de confiar em si mesmos.

2. "Desde o ano treze de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até o dia de hoje, período de vinte e três anos, tem vindo a mim a palavra do SENHOR, e vo-la tenho anunciado, madrugando e falando; mas vós não escutastes.Também vos enviou o SENHOR todos os seus servos, os profetas, madrugando e enviando-os, mas vós não escutastes, nem inclinastes os vossos ouvidos para ouvir" (Jr 25:3,4). Paulo sabia que essa dificuldade do homem entender a mensagem do evangelho não era algo recente. Assim como Jeremias havia pregado vinte e três anos sem ver qualquer conversão verdadeira, Paulo sabia que não bastaria dizer apenas uma vez que era Deus quem efetuava a transformação em seus corações, mas que era necessário repetir inúmeras vezes até que os seus corações fossem mudados. Muito mais fácil seria de precisássemos ouvir e/ou ler apenas uma vez a palavra de Deus e tudo fosse mudado, mas...

3. "Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos" (Os 6:6) e alguns versículos antes, lemos: "O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento" (Os 4:6). Paulo era conhecedor da Lei e dos profetas e por isso seguramente conhecia a história do povo de Israel e o quão obstinados eram para seguir a Lei divina. É por esse mesmo motivo que ele precisava instruir incansavelmente o povo de Deus para que buscassem conhecer ao Senhor e não àquilo que lhes agradava e/ou que lhes trouxesse maior prestígio social. Os coríntios precisavam saber que Deus requeria deles o conhecimento acerca de Sua pessoa e não acerca de técnicas e filosofias humanas. Ainda que o conhecimento de coisas humanas seja importante para nossa sobrevivência, todas elas devem ser analisadas e submetidas à luz das Escrituras.

Essa diferença entre "conhecimento de Deus" e "conhecimento humano" não significa que o homem descobre coisas que nem Deus sabia ou ainda que o homem tenha autonomia para conhecer coisas que Deus não quis que ele descobrisse, mas que o "conhecimento humano" - isto é, o resultado de pesquisas e indagações que o homem faz de si mesmo e sobre tudo que o circunda - deve ser sempre confrontado com as Escrituras, para que o homem não estabeleça alguma verdade por conta própria, mas submeta-se humildemente ao Criador.

Por fim, Paulo explica-lhes o motivo de dizer tais coisas: "Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus" (2:5).

Certo pregador ao falar a um grupo de alunos seminaristas sobre a soberania de Deus, a graça irresistível, a impossibilidade do homem natural chegar-se a Deus e outras doutrinas, lhes questionou: "Deus lhes fez entender isso? Não, não estou perguntando se você leu sobre isso em alguns livros, mas pergunto se foi Deus quem fez com que você entendesse isso, pois se não foi assim, você ainda não compreendeu o verdadeiro evangelho." [3]

É relativamente simples lermos sobre a soberania de Deus e "entendermos" o que significa. É mais ou menos fácil lermos sobre a predestinação e "entendermos" como isso se dá na vida real, porém o caminho é muitíssimo mais difícil quando é Deus quem coloca essas verdades em nossos corações, pois a partir desse momento não apenas entendemos verdadeiramente o que significa, mas passamos a compreender quais implicações práticas isso deve ter em nossas vidas. O caminho nos será muito mais tranquilo se oferecermos um evangelho "água com açúcar", docinho e agradável ao paladar pecador do que se oferecermos a "loucura" do evangelho, contudo, importa-nos pregar "Cristo crucificado".

Há uma certa frase atribuída a Spurgeon que diz: "Vocês e eu, somos constrangidos a pregar o evangelho, mesmo que nenhuma alma jamais seja convertida por ele; pois o grande propósito do evangelho é a glória de Deus, visto que Deus é glorificado mesmo naqueles que rejeitam o evangelho". Ainda Spurgeon: "O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo". Também certo escritor já disse: "Por aquilo que você ganha as pessoas, é para aquilo que você as ganha" [4], ou seja, se ganho pessoas através do entretenimento na igreja, é para isso que eu as ganharei: para serem pessoas que vão à igreja apenas para se divertirem; mas se ganho pessoas através da pregação do evangelho e da necessidade do arrependimento, é para isso que as ganharei: para constantemente viverem uma vida digna da vocação para o qual foram chamadas e glorificarem a Deus em todo que fizerem.

O objetivo de Paulo no texto de hoje não é desmerecer a intelectualidade ou dizer que os cristãos não precisam dedicar-se ao conhecimento, mas sim exaltar a Deus acima de todas as coisas. Paulo não labutava em prol de denegrir a busca pelo conhecimento humano, mas se esforçava em proclamar o conhecimento bíblico como o mais importante de todos! Paulo era desejoso de que os coríntios entendessem que o conhecimento humano não transforma corações, e sim, somente o Espírito Santo de Deus.

Que Deus conceda-nos a cada dia um coração disposto a buscar o Seu conhecimento e que não nos apeguemos às nossas frivolidades e conhecimentos passageiros, pois somente Ele é "o Alfa e o Omega, o princípio e o fim... que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso" (Ap 1:8). Que também Ele nos mostre onde temos errado para que não caiamos no mesmo erro da igreja de Laodicéia: "Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te" (Ap 3:17-19).

Amém.

Notas:
[1] Entrevista com Dr. Martyn Lloyd Jones - disponível na rede YouTube. Acesse aqui.
[3] Martin, Albert L. - Implicações Práticas do Calvinismo
[4] Não me recordo, mas creio que foi Mark Dever que escreveu em seu livro "Deliberadamente Igreja".

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