"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Soberania, a Bênção e a Advertência de Deus - Sermão pregado dia 18.09.2011

A Soberania, a Bênção e a Advertência de Deus -
Sermão pregado dia 18.09.2011

Nosso texto: "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste, E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares, Guarda-te, que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão" (Dt 6.10-12).

Amados irmãos, como é bom nos reunirmos nessa manhã para magnificarmos o nome do Senhor e aprendermos mais sobre Sua santa e agradável palavra.

Nos versículos de hoje veremos como Deus guia de forma soberana, abençoa de sobremaneira e adverte o seu povo para que não se desvie do reto Caminho.

Como já vimos em algumas ocasiões anteriores, o Antigo Testamento não é um conjunto de regras caducadas pelo tempo ou pelo Novo Testamento, mas sim que ali é encontrado a história de um povo que viveu pelas promessas que lhe foram propostas mediante a ação do Senhor em meio ao Seu povo. Os livros do Antigo Testamento - especialmente os do Pentateuco - contrariam a visão de muitos libertinos que ousam dizer que não devemos mais observar a Lei Moral de Deus (isto é, resumida nos dez mandamentos) ou ainda qualquer outro pormenor, pois - segundo eles - vivemos no Novo Testamento, e por ser novo, tudo o que é "Antigo" deve ser [quase que] descartado. Essa é a triste e lamentável visão que os dispensacionalistas tem, isto é, que há uma divisão entre o Antigo e o Novo Testamento. Para esses, o Antigo e o Novo Testamento não são parte de uma mesma estrutura, mas vivem separados e devem se muito pouco se comunicar.

1. Deus guia o Seu povo de forma soberana: "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó" (v.10).

O povo de Israel que estava ouvindo essas palavras de Moisés era um povo que sabia da onde tinha vindo e para onde estava indo. "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas" (Dt 6.4-9).

Na época do povo de Israel, os pais sempre deveriam ensinar aos seus filhos sobre o porquê deles viverem do jeito que viviam, sobre o porquê de não fazer determinadas coisas e também lhes contavam a história de seu povo, pois era importante que os filhos soubessem de onde seus antepassados haviam vindo e para onde estavam indo, afinal eram um povo que estava caminhando rumo à promessa da terra prometida.

É importante notarmos que a soberania de Deus é [mais uma vez] muito explícita nesse versículo - "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra" (grifo meu). Moisés fala ao povo acerca da soberania do Senhor e de que era o Senhor quem os iria guiar e introduzir até a terra prometida. Moisés descreve ao povo que somente o Senhor era quem iria os guiar até a terra prometida, não devendo homem algum achar que por suas próprias forças chegaria até lá. 

Notório é também que tenhamos em mente que Deus comunicava-se - e ainda se comunica - sempre com o seu povo. Como vimos algum tempo atrás, a ideia de que o Espírito Santo habita em indivíduos de forma isolada é estranha às Escrituras, pois elas sempre nos revelam que Deus atua no meio do Seu povo. De forma não diferente acontece em nosso texto. Para quem Moisés escreve? Ao povo de Deus. É ao povo de Deus que essas palavras são dirigidas e isso deve ser levado em conta.

Esse ato de Deus guiar o seu povo faz parte do pacto de Deus. Deus instituiu para Si mesmo que seria o Deus de uma nação e eles seriam o Seu povo. Portanto, o Senhor dos israelitas necessariamente iria conduzir os seus até a terra prometida. O Senhor não individualizou a entrada na terra prometida, mas falou a todo o povo acerca da promessa que iria em breve se concretizar. Certamente que esse pacto de Deus com o Seu povo não deve nos levar a achar que o Espírito Santo não habita nos seus filhos - como se apenas pairasse feito nuvem sobre eles - mas leva-nos a compreender que não há preferência ou favoritismo no Senhor, pois n'Ele temos a certeza de que todos aqueles que estiverem incluídos no livro da vida (conforme lemos em Apocalipse), certamente fazem parte do Seu povo.

Pelo que as Escrituras indicam, Deus não escolhe um, depois outro, depois mais um e assim por diante e de repente diz para si mesmo: "Puxa vida! Veja só! Eis que tenho um povo!". Muito pelo contrário: "E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se, e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna" (At 13.48). A narrativa de Atos nos diz que TODOS quanto estavam ordenados para a vida eterna foram batizados e glorificavam a Deus em suas vidas, ou seja, Deus é o Senhor de TODO o seu povo e não de indivíduos isolados, como se o Espírito Santo pudesse ser fracionado e não guiasse todos os homens rumo à um só caminho - tal ponto também nos lembra da importância de vivermos juntos de uma congregação, para que juntos (não separados), todos possam louvá-Lo e glorificar o Seu nome.

Vemos também que não somente o Senhor iria os guiar e levar até a terra prometida, mas que também Ele faria isso porque "o SENHOR teu Deus... jurou a teus pais" (grifo meu). O Senhor havia prometido que um dia o povo habitaria numa região onde manam leite e mel. Eles não estavam vivendo um desejo momentâneo de Deus, como se Esse estivesse nos céus e dissesse, "Bom, acho que esse povo já passou por bons bocados e eis que resolvo os introduzir em uma terra melhor do que eles vivem", mas estavam vivendo uma promessa que há muito havia sido predestinada. Reconheço que tal exemplo de Deus nos céus pode soar um tanto infantil, contudo, ainda mais infantil é quando não compreendemos a soberania de Deus. É necessário que todo cristão compreenda que se não entender a completa soberania e determinação de Deus sobre TUDO o que acontece, invariavelmente verá os feitos de Deus como se fossem fruto da Sua imaginação ociosa nos céus, em vez de contemplá-los como sendo parte de seus santos, eternos e imutáveis decretos.

Moisés também diz ao povo que a promessa feita primeiramente a seu pai Abraão (Gn 12.7), posteriormente a Isaque (Gn 26.3) e também a Jacó, estava para se cumprir nas suas vidas. Aqueles israelitas que desde pequenos haviam escutado acerca da promessa feita aos seus antepassados, agora estavam [quase] diante do cumprimento dessa promessa. Para o povo da aliança, a ligação com seus antepassados era muito forte. Mas por que? Porque eles sabiam que vivam debaixo de uma aliança - um pacto - firmado por Deus e estabelecido por Ele mesmo. O povo de Israel sabia que sua presença na terra não era por acaso, mas sim porque eram filhos de Abraão, Isaque e Jacó.

Portanto, temos aqui nessa primeira parte um pequeno vislumbre de como Deus guia de forma soberana o Seu povo. Primeiro dizendo que é Ele - o Senhor - quem guia e leva o Seu povo à terra prometida. Em segundo lugar, Sua soberania é demonstrada no fato de que Ele mesmo é quem jura/promete e cumpre o que diz. E por fim, vemos que mesmo depois de tanto tempo e tantos corações obstinados, ainda sim o Senhor mantém um povo para si, um remanescente fiel.

2. Deus abençoa seu povo de sobremaneira: "Quando, pois, o SENHOR teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó, que te daria, com grandes e boas cidades, que tu não edificaste, E casas cheias de todo o bem, que tu não encheste, e poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste, e comeres, e te fartares" (vs.10,11). 

Vemos aqui que após Moisés declarar a soberania de Deus ao povo de Israel, ele declara que junto com a promessa viriam também inúmeras bênçãos. O texto nos mostra que as promessas de Deus para o Seu povo, não são promessas vazias, sem sentido, que não acompanham bênção alguma, mas sim que a promessa não é o fim em si mesmo, mas o que ela revela e traz ao Seu povo - a bênção, o livramento, a renovação...

Então, temos aqui um povo escutando que em breve iria morar em "grandes e boas cidades", porém não eram cidades que teriam de construir, despender enormes esforços, trabalhar de sol a sol para a construírem, e sim cidades que não haviam edificado. Aquele povo que outrora havia sido escravizado no Egito e construído a cidade para o seu inimigo e opressor, agora se vê diante da promessa de que passaria a habitar em um local que não fora construído por eles, mas que estava a seu dispor uma terra pronta, grande, agradável e desejável.

O Senhor também lhes diz que suas casas estariam " cheias de todo o bem, que tu não encheste". Oh, quão agradável deve ter sido àquele povo escutar tão grandes notícias! Como se isso não fosse bom o suficiente, ainda lhes é dito que teriam "poços cavados, que tu não cavaste, vinhas e olivais, que tu não plantaste". Aqui, é impossível não notarmos uma pequena amostra do que nos espera na terra prometida, a Jerusalém celestial. Enquanto o povo de Israel ansiava por uma terra física - e por isso sujeita à depravação do homem e a todo o mal que se faz debaixo do sol, conforme lemos em Eclesiastes - nós podemos e devemos ansiar pela terra prometida, onde "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap 21.4).

Tenho visto poucos cristãos ansiarem pelo céu. Tenho notado que poucos levam cativo em seus corações as palavras de Jesus que dizem: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam" (Mt 6.19,20). Muitos tem trabalhado e despendido grandiosos esforços para quase que literalmente acumularem lixo em suas casas. O "sonho americano" da vida tranquila, cheia de riquezas e com todo o conforto que um homem pode ter está enraizado em muitos corações nos dias de hoje. Sobre esse ponto quero apenas salientar uma questão.

Fazer voto de pobreza é algo estranho às Escrituras, pois em momento algum o Senhor declarou que se fazer pobre é se fazer um cristão melhor. É fato que o nosso Senhor Jesus alertou sobre os perigos da riqueza, porém também falou que sempre existirão os ricos e os pobres. Assim como o pobre tem o seu papel importante na sociedade, o rico também têm: "E, vinda já a tarde, chegou um homem rico, de Arimatéia, por nome José, que também era discípulo de Jesus. Este foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado. E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol, E o pôs no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha, e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se" (Mt 27.57-60, grifo meu). Portanto, vemos que a riqueza é boa e deve ser usada para a glória de Deus e não para o mero enriquecimento humano, "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1Tm 6.10).

Voltando às grandes bênçãos que aguardam os cristãos nos céus, vemos que assim como os israelitas não construíram suas cidades, casas, poços, vinhas e olivais e por isso não tinham no que se gloriar em si mesmos quando estivessem na terra prometida, nós também não temos qualquer suficiência em nós mesmos para que possamos "ajeitar nosso lugar no céu", construir nossas moradias ou determinar como será nossa morada eterna. Já é mais do que sabido - ou deveria ser - que os cristãos não são salvos pela sua própria vontade, assim como os israelitas não estavam recebendo a terra prometida porque eram pessoas de bom proceder. Essa falácia de que tanto arminianos quanto calvinistas estão certos - ou como preferem alguns: "cada um trabalha com a luz que tem" - é totalmente equivocada e absurdamente fora dos padrões bíblicos, pois como pode ser possível sustentar a soberania de Deus e ao mesmo tempo dizer que é o homem quem salva a si mesmo pela sua própria vontade - os arminianos dizem que Espírito Santo ajuda, o resto é com o homem - e nada pode impedi-lo? Como pode ser possível vermos tantas pessoas achando que é uma "bênção" Deus ter dado o [suposto] livre arbítrio às pessoas, numa demonstração de generosidade, pois ele "não força ninguém a ir para o céu"?

Amados irmãos, Deus não força ninguém a ir para o céu. Os que forem para o céu serão aqueles a quem o Senhor escolheu e por isso mesmo que eles irão para lá para a glória de Deus e O glorificarão eternamente. Não é possível crer - mediante as Escrituras - que qualquer pessoa chegue ao céu contra a sua vontade, porque todos que até lá chegarão gostarão de estar desfrutando daquele momento eterno, pois tiveram seus corações regenerados e transformados pelo poder do Espírito Santo. Se Deus desse ao homem a oportunidade de escolher entre ir para o céu e ir para o inferno, TODOS - sem exceção - escolheriam o inferno, pois o coração do homem não regenerado é mau e hostil contra as coisas do Reino. É por isso que digo que ninguém pode construir cidades, casas, cavar poços, plantar vinhas e olivais na Jerusalém celestial, porque se isso fosse possível, seria o homem quem determinaria como seriam as coisas e não o Senhor.

Assim como nós, aqueles israelitas precisavam reconhecer que as bênção advindas eram somente porque o "...SENHOR... é bom; porque a sua benignidade dura para sempre" (Sl 136.1), nada restando para que o homem se glorie em si mesmo.

3. Deus adverte os Seus para que não se desviem: "Guarda-te, que não te esqueças do SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão" (v.12).

O Senhor não advertiu o povo para se precaver e não ter um povo obstinado - pois Ele é soberano e sabia o que iria acontecer - mas exortou-os para que não se esquecessem d'Ee, pois já havia dito aos seus antepassados: "E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gn 6.5). Como já vimos, o apóstolo Paulo também tratou dessa questão quando escreveu: "Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores" (1Tm 6.10).

Bem podemos imaginar que o povo de Israel seria enormemente tentado por suas paixões carnais a se entregar à falsa segurança que a terra prometida lhes causaria. Numa terra onde receberiam de tudo e não precisariam despender grandes esforços - como fizeram no Egito -, certamente que o pecado bateria à porta e caberia a eles dominá-lo - "o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar" (Gn 4.7).

Quando nosso coração é transformado e depositamos nossa confiança no Senhor, ele certamente nos guia por veredas retas e justas conforme o Seu caminho. Assim como aquele povo deveria viver sem esquecer-se de que haviam sido escravos no Egito e tinham sido libertados pela mão poderosa de Deus, nós também devemos levar a nossa salvação com grande regozijo e temor diante de Deus que nos predestinou e nos salvou para a vida eterna. Contudo, é necessário que SEMPRE investiguemos nossos corações à luz da palavra, a fim de verificarmos se estamos vivendo e não estamos nos esquecendo do Senhor. Certamente que isso não significa que a salvação pode ser perdida, mas sim que pode-se viver sendo simpatizante do evangelho, alguém que gosta da companhia de pessoas de boa índole, mas que na verdade NUNCA teve o seu coração verdadeiramente transformado.

É também maravilhoso notarmos o contraste entre nós e os israelitas do Antigo Testamento e a grande bênção que nos espera nos céus. Enquanto os israelitas estavam para entrar na terra prometida e precisariam lutar e permanecer firmes diante de todas as ciladas do maligno, nós, quando estivermos nos céus - com todos os santos reunidos -, não precisaremos mais enfrentar as hostes celestes nem enfrentarmos a lei do pecado que atua dentro de nós, mas tão somente desfrutaremos da doce e agradável presença do Senhor.

Que possamos levar junto aos nossos corações esses três pontos: Que Deus certamente guia e conduz os Seus de forma soberana e eficaz, que Ele abençoa grandemente todo o seu povo e que também adverte-nos sobre o perigo de nos afastarmos do Senhor quando recebemos Sua bênção. Que nosso amado Senhor e Mestre Jesus Cristo, possa nos conceder a cada dia um coração mais disposto a lhe obedecer e cumprir todo o seu desígnio para que possamos glorificar o Seu nome por toda a terra.

"Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará" (Sl 37.5). 

Amém.

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