"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Falando entre vós em Salmos - 12



1 Salva-nos, Senhor, porque faltam os homens bons; porque são poucos os fiéis entre os filhos dos homens.
2 Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobrado.

Davi talvez se sentisse oprimido, visto estar em minoria. Também vivemos assim; em um mundo ímpio – seremos sempre a minoria. A igreja não é relevante, ela é confrontante – em relação ao mundo; pois este odeia tanto a Deus quanto Seus filhos que estão sendo santificados, por Ele. Davi nos ensina uma grande lição. Estamos sozinhos? Clamemos ao Senhor. Estamos com o Senhor? Nunca sozinhos – e sempre em maioria.
“Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal” (2Pe 3.12).

Os inimigos são descritos de forma sistemática por Davi. Eles falam com “falsidade”. “Falsidade, aqui, é mais precisamente, ‘vaidade’ – literal ‘coisa vazia’” (1). O que é mais vazio do que esquecer que estamos sempre perante Aquele que um dia nos julgará retamente? Se tudo é vaidade, agir falsamente em proveito próprio – contrariando o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo; é vaidade das vaidades! 

Os inimigos falam com “lábios lisonjeiros”. Esta lisonja, este “rasgar seda” - como no dito popular, tem apenas o interesse de ludibriar ao próximo em proveito próprio. “Em geral, o propósito é malévolo ou egoísta” (2); tem o intuito de destruir. Lembremos que o Faraó também usou de malícia: “Usemos de astúcia para com eles” (Êx 1.10). Seja na maldosa lisonja, seja na astúcia, o crescimento da Igreja de Deus e sua glorificação futura nunca serão ameaçados. Pelo contrário, assim como o povo multiplicou no Egito, Deus reverte à ação do inimigo para Sua glória.

A expressão “coração dobrado” significa literalmente: um coração e um coração. Ou seja, Davi expressa a falsidade do ímpio como se este tivesse dois corações. Duas faces; pois mostra maleabilidade pela frente e apunhala pelas costas. Mas poderia uma figueira gerar maçãs? Assim, uma fonte má só pode gerar más obras. E uma árvore inútil só tem um destino – fogo!

Ou seja, nossos inimigos – e antes de tudo inimigos de Deus; trabalham e se dedicam com um único grande objetivo: enganar. Que possamos aprender a nos diferenciar do ímpios, dando frutos do Espírito, fazendo mais firmes nosso chamado e eleição (2Pe 1.10). “Nossa linguagem, portanto, deve ser sincera a fim de que seja semelhante a um espelho, no qual seja contemplada a integridade de nosso coração” (3). Oh Pai, peço-Te: não nos abandones. Sozinhos não podemos nada. Sozinhos acabamos sendo piores que nossos inimigos. Vem com o Teu socorro e com o Teu Espírito nos ensinar a permanecer fiéis e humildes, santos e puros – para a glória do Teu nome; seja a situação que estivermos! Lembra-nos de Tua Palavra: “quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança” (2Pe  3.10-11).

3 O Senhor cortará todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente.
4 Pois dizem: Com a nossa língua prevaleceremos; são nossos os lábios; quem é senhor sobre nós?

A NVI traduz o verso 4 desta forma: “Venceremos graças à nossa língua; somos donos dos nossos lábios! Quem é senhor sobre nós?”. O ser dono dos lábios tem o significado de “‘os nossos lábios são nosso meio de sucesso’... O poder das palavras para explorar, controlar e destruir é reconhecido em toda a Bíblia” (4). “É indubitável que a falsidade e as calúnias são mais letais do que espadas e todo gênero de armas” (5). 

O salmista utiliza um sinédoque (artifício literário onde uma parte representa o todo) para embelezar o poema; mas, a verdade é dura. Estamos falando da totalidade da vida do ímpio, que será destruída pelo Senhor (mesmo que estejam dentro da Igreja – não pertencem a ela), e estes não recebem uma disciplina em partes, antes, recebem todo o cálice da ira divina – acumulada por seus anos de afrontas e desobediência. Toda palavra vã será julgada (Mt 12.36). Em contraste, você cristão, deve confiar nas “palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes” (verso 6) que o Senhor proferiu: “O Senhor cortará todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente.” (verso 3).

O que o ímpio altivo em suas palavras esquece é que: “Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.24-25).

5 Pela opressão dos pobres, pelo gemido dos necessitados me levantarei agora, diz o Senhor; porei a salvo aquele para quem eles assopram.
6 As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes.
7 Tu os guardarás, Senhor; desta geração os livrarás para sempre.

Davi, na função de profeta, proclama a reação de Deus perante a ação dos altivos e a dor dos inocentes. A NVI traz o final do verso 5 da seguinte forma: “Eu lhes darei a segurança que tanto anseiam”. Deus tende a ficar sempre ao lado do fraco. O cristão, aos olhos do mundo sempre será um fraco, um derrotado; assim como Cristo foi reputado. Parece estar só, mas: “por menor que seja o número dos bons, que esta persuasão esteja profundamente fixada em nossas mentes: que Deus será o seu protetor, e isso para sempre” (6).

Calvino brilhantemente diz que: “Devemos convencer-nos do seguinte: quanto mais estão confusas as coisas neste mundo, mais pronto está Deus em ajudar e socorrer a seu povo, e que então é esse o tempo oportuno para inferir com sua assistência” (7).
Em épocas anteriores e remotas, a prata já teve seu valor mais elevado que o ouro – e sua pureza obviamente contribuía para o aumento de seu valor. Deveríamos ficar descontentes se através da ofensa do inimigo, o Senhor nos purifica mais? O reformador diz: “Quando pois, as injúrias, as extorsões e as devastações de nossos inimigos nos deixarem desprovidos de tudo, menos de lágrimas e gemidos, lembremo-nos de que agora chegou o tempo quando Deus pretende erguer-se e executar juízo” (8).

Oh Senhor, lembra-Te de nós! Guarda-nos do mal, do homem maligno e de nós mesmos. Não permita que diante de problemas venhamos a blasfemar Teu santo nome; ou questionar o Teu cuidado e plano. Faz-nos fiéis a Ti! Glorifica Teu nome em nossa vida. Recebe-nos em Tua glória eterna. Seja o Juiz em nossas causas; porém, pedimos misericórdia de nós primeiramente. Lembra-Te da oração de Teu doce Filho; ainda que não nos tires do mundo, guarda-nos em Teu nome (Jo 17).

8 Os ímpios andam por toda parte, quando os mais vis dos filhos dos homens são exaltados.

O mundo jaz no maligno correto? O que mais podemos esperar do que estarmos cercados por inimigos de Deus? Seja Seu santo nome glorificado, pois Ele já governa todas as coisas (e nunca deixou de governar), estando Satanás preso e com seu poder – e de seus asseclas, limitados pela Providência. Mas não se engane, pois, no dia a dia e nos corredores de nossas igrejas há muitos inimigos. “Há uma geração que é pura aos seus próprios olhos, mas que nunca foi lavada da sua imundícia” (Provérbios 30,12).

A palavra traduzida por “andam no verso 8 sugere um modo bem público de ir perambulando” (9), ou seja, estão por toda a parte. Nossa luta tem um campo de batalha definido – este mundo; uma torre a ser defendida – nosso coração; um tempo de luta – nossa vida neste mundo; e um Rei a ser glorificado – nosso Senhor. Por todos os lados, os paroleiros levantarão suas vozes altivas contra tudo o que lembra Deus. “Que pensais vós contra o Senhor?” (Na 1.9). Suas ações serão para destruir o Seu nome santo. Descanse em Deus. A luta principal é dEle. “A Tua mão alcançara todos os Teus inimigos, a tua mão direita alcançará aqueles que te odeiam” (Sl 21.8).

Corrupção pode ser traduzido por “inutilidade” (10). Ora, ainda que estas pessoas vis andem por todos os lados espalhando sua corrupção astuciosamente, o que poderia ser mais inútil do que guerrear contra o poderoso Deus? “Não temereis a mim? – Diz o Senhor; não tremereis diante de mim? (Jr 5.22). “Ele apanha o sábio em sua própria astúcia” (Jó 5.13). Seu aparente sucesso gera maior condenação. Sua imoralidade contrasta com a santidade infundida por Deus em seus filhos. Todo seu esforço é nulo; já está julgado e receberá sua paga no devido tempo. “Quem conhece o poder da Tua ira? (Sl 90.11). “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo (Hb 10.31). 

Andemos com esta esperança de salvação e livramento – ainda que contristados por pouco tempo (ou mesmo um longo tempo), a eternidade glorificada nos aguarda. Louvemos: “Àquele que se lembrou de nós quando fomos humilhados O seu amor dura para sempre! (Sl 136.23). Há pouco tempo nosso ex-presidente disse que quer as coisas agora e esse papo de “herdar o céu” é bobagem. Que ele e os que assim imaginam aproveitem os poucos anos que lhe restam. Se aprouver a Deus os salvar, que o faça; “dei-lhe tempo para que se arrependesse... da sua prostituição (Ap 2.21). Prefiro ficar com a esperança eterna, baseada na promessa dAquele que eterno é e não mente. Louvemos Aquele que “Com amor eterno” nos amou (Jr 31.3). Andemos com Aquele que prometeu: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5). Temos uma herança que o ímpio não tem nem como cobiçar – pois desconhece: Deus – “que é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.26). Ergamos nossa cabeça, pois receberemos a indestrutível coroa de glória (1Pe 5.4). Não porque mereçamos, mas, porque o Fiel prometeu!

Pai, dá-nos força e paciência quando atormentados pelo mal. Dá-nos confiança em Tuas promessas, quando vemos nossa vida se esvair. Dá-nos amor pelo próximo, mesmo quando este nos fustiga. Nas dificuldades, dá-nos humildade para sempre nos auto-avaliarmos e ver se estamos em falta Contigo. “Os pecados dos filhos de Deus provocam mais do que os dos ímpios” (11); por isso, livra-nos do mal e não nos deixe cair em tentação, Senhor! Tua seja a glória, Amém!

Referências:
(1) KIDNER, Derek – Salmos 1-72 - Introdução e Comentário – Edições Vida Nova, p. 91;
(2) MACDONALD, William – Comentário Bíblico Popular Antigo Testamento  – Editora Mundo Cristão, p. 380;
(3) CALVINO, John – Salmos - comentários; volume 1 – Editora Fiel, p. 226;
(4) BAIGENT, John W. in BRUCE, Frederick Fyvie - Comentário Bíblico NVI - Antigo e Novo Testamento - Vida Acadêmica, p.774;
(5) CALVINO, op. cit., p. 226;
(6) Idem;
(7) CALVINO, op. cit., p. 225;
(8) Idem, p. 228;
(9) KIDNER, op. cit., p. 93;
(10) BAIGENT, in BRUCE, op. cit., p.774;
(11) WATSON, Thomas – A Fé Cristã - Estudos baseados no Breve Catecismo de Westminster – Editora Cultura Cristã, p. 114.

Por: Alberto Oliveira

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