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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

"Então disse Natã a Davi: Tu és este homem" - Sermão pregado dia 14.08.2011



"Então disse Natã a Davi: Tu és este homem" -
Sermão pregado dia 14.08.2011


Nosso texto: "Então disse Natã a Davi: Tu és este homem" [2Sm 12.7].

Amados irmãos, estamos diante de um texto que certamente nos leva a refletir sobre a grande responsabilidade que o homem de Deus tem que é viver na presença do Altíssimo e conformar-se [através do Espírito Santo] à Sua perfeita e agradável vontade.

O versículo de hoje encontra-se na conhecida história de Davi e Bate-Seba. Davi, rei de Israel, certo dia estava a andar pelo terraço de seu palácio e viu uma mulher muito bonita tomando banho. Ele mandou alguém para se informar sobre quem era aquela mulher, ao passo que veio a saber que era Bate-Seba, esposa de Urias. Então, Davi deu ordens para que a trouxessem para sua casa, deitou-se com ela e ela engravidou [2Sm 11.1-5].

Após esse feito, a Bíblia nos relata que Davi buscou uma forma de aplacar e de recompensar o seu erro por meio de boas obras. Davi achava que poderia contornar aquela situação através de algumas técnicas e agrados de sua parte.

Primeiro: Davi chama Urias da batalha e pede para que descanse um pouco e vá para sua casa [2Sm 11.7,8], "Porém, Urias se deitou à porta da casa real, com todos os servos do seu senhor; e não desceu à sua casa" [11.9]. Vemos que já nesse momento, Davi se põe a esquivar-se de seu pecado. Provavelmente pensava que se Urias fosse para sua casa, iria descansar e deitar-se com sua mulher [e de fato é o que Urias iria fazer - v.11], o que levaria a engravidar, embora ela já estivesse grávida de Davi - mas seria uma boa desculpa, pois Davi poderia eximir-se da responsabilidade do filho, haja vista ter Urias também se deitado com ela. 

Segundo: Davi indigna-se com Urias, pois embora tenha recebido tão grande favor da parte do rei [ora, ele estava em combate e foi trazido para casa para recuperar suas forças!], não pode fazer pouco caso do que acontecia aos seus irmãos combatentes. "E disse Urias a Davi: A arca, e Israel, e Judá ficaram em tendas; e Joabe, meu senhor, e os servos de meu senhor estão acampados no campo; e hei de eu entrar na minha casa, para comer e beber, e para me deitar com minha mulher? Pela tua vida, e pela vida da tua alma, não farei tal coisa" [11.11].

Terceiro: Davi visualiza que seu plano não está dando certo, então diz a Urias que no dia seguinte o enviará de volta para a guerra, contudo, no dia seguinte lhe dá uma festa e o embriaga [11.12,13]. E ao contrário do que Davi imaginava, novamente Urias não foi dormir em casa, mas "à tarde saiu a deitar-se na sua cama com os servos de seu senhor; porém não desceu à sua casa" [11.13b].

Quarto: Davi percebe que seu plano frustrou, resolve finalmente enviar Urias de volta para o campo de batalha e manda-o colocar na linha de frente para que logo viesse a morrer [11.14,15]. 

Após esses feitos, a Bíblia nos informa que o Senhor enviou o profeta Natã até Davi, para que avisasse-o sobre o pecado que havia cometido.

Meus amados, nós sabemos muito bem o quão complicado era o ofício de profeta nos tempos bíblicos. O profeta não era um homem aclamado pelo povo, não era alguém que era recebido com palmas e cantorias, não era alguém que o povo buscava estar em companhia, pois o profeta era aquele homem que [geralmente] denunciava o pecado e conclamava o povo ao arrependimento sincero - e não foi diferente com Natã.

Natã tinha diante de si o rei de Israel, a maior autoridade civil, o homem a quem todo o povo devia respeitar e temer. O profeta deveria ir ao rei e avisá-lo sobre o grande pecado em que havia incorrido. Certamente que esta não era uma tarefa fácil, contudo, era necessária.

O relato bíblico nos conta que quando Natã chegou a Davi, contou-lhe uma história [12.1-4] e após contá-la ouviu da boca de Davi: "Então o furor de Davi se acendeu em grande maneira contra aquele homem [da história], e disse a Natã: Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso" [v.5], ao passo que Natã lhe respondeu: "Tu és este homem" [v.7].

Diante de tal contexto, gostaria de enfatizar três falhas de Davi, mas que, porém, também são nossas falhas.

1. "Tu és este homem" - que é precipitado em julgar.

Davi, homem que mais tarde viria a ser chamado "segundo o coração de Deus" [At 13.22], mostrou-se extremamente ágil e veloz para julgar o próximo. Quando lhe foi contada uma história de injustiça e opressão, Davi imediatamente colocou-se na posição de juiz e decretou a sentença.

Certamente que Davi poderia ter mandado matar tal homem do relato de Natã - pois era rei de Israel - contudo, vemos que Davi não conseguia enxergar o grande pecado que havia acabado de cometer.

Ao ouvir sobre o relato da injustiça cometida contra aquele pobre homem do relato de Natã, Davi imediatamente reconheceu o pecado em que havia incorrido aquele homem. Seu julgamento foi rápido, certeiro, sem demoras. Davi sequer ponderou os pormenores da histórias, simplesmente proferiu tal sentença.

De forma muitíssimo semelhante, somos nós. Somos homens e mulheres que ao ouvir ou ver algo que é contrário à justiça de Deus e às leis de Deus, imediatamente já proferimos nosso juízo. Contudo, raramente atentamos para o quão pecadores somos.

Jesus já nos advertiu dizendo: "E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?" [Mt 7.3]. Certamente que esse versículo não está proibindo o julgamento do alheio, porém, esse julgamento deve ser feito de forma honesta - primeiro reconhecendo e arrumando o próprio erro, para depois ajudar o irmão.

Uma das fontes secundária do Direito é equidade. Isso consiste em dizer que quando a lei é "obscura" ou ainda não há lei que defina expressamente tal ato, o juiz observará o caso e dará a sentença mais justa que conseguir. De forma semelhante, a Bíblia também nos fala que, "O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade" [Sl 45.6]. 

Porque o cetro de Deus é um cetro de equidade, Ele também não tem prazer em julgamentos parciais, que visam apenas favorecer os nossos prazeres. "Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer" [Pv 11.1].

2. "Tu és este homem" - que é tardio para reconhecer seu pecado.

Por Davi ser rápido em julgar o próximo, é natural que também fosse tardio em reconhecer o seu próprio pecado. 

O relato bíblico nada fala sobre qualquer remorso ou arrependimento de Davi antes da chegada de Natã. Durante todo o processo maligno de maquinação do adultério, de tentar apaziguar a situação mediante presentes e honras a Urias e por fim mandar matá-lo, a Bíblia coisa alguma nos revela sobre algum remorso sentido por Davi ou sua visão do que havia feito. Foi necessário que Natã viesse até ele para que reconhecesse seu pecado.

Amados, também não é assim conosco? Não somos tão malignos como Davi foi nesse momento? Acaso nós não somos daqueles que apontam o dedo para o infrator e dizem: "Você errou e vai pagar caro por isso!"? Não somos daqueles que se indignam com o furto em uma loja ou à alguma pessoa que caminha pela rua, mas que sentados em frente aos nosso computador baixamos músicas sem fim e programas de forma ilegal?

Já tivemos a oportunidade de visualizarmos o Salmo 51 - escrito durante essa situação de Davi - onde lemos: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário" [Sl 51.12]. Assim como Davi precisou de uma renovação da parte de Deus em sua vida, nós também necessitamos. Assim como Davi precisava que Deus o sustentasse e lhe desse uma espírito voluntário - isto é, pronto a obedecer - nós também devemos rogar a Deus em busca de um espírito pronto a cumprir os Seus propósitos.

3. "Tu és este homem" - que merece a morte por suas transgressões.

Quando Davi disse, "Vive o SENHOR, que digno de morte é o homem que fez isso" [v.5], certamente que ele não imaginava que o homem do relato de Natã era ele mesmo.

Davi, rei de Israel, homem que detinha todo o poder do reino, temido por todos os habitantes de seu reino, reverenciado por todos os homens, sequer imaginava que a sua sentença na verdade era contra si próprio.

Como é lamentável olharmos para a igreja que se diz evangélica, que condena o ímpio, o católico romano, o espírita, o kardecista, o macumbeiro, o idólatra, mas não consegue perceber que o mesmo juízo que virá contra esses, também lhe sobrevirá no Dia Final. Com isso não estou querendo dizer que tais pessoas - condenáveis os olhos "evangélicos" - irão para o céu [pois a Bíblia é clara nesse ponto e não deixa uma dúvida sequer quanto a condenação de tais pessoas], mas que os homens e mulheres não percebem que o juízo declarado na Bíblia está logo chegando e certamente pegará muitos professos da fé cristã. "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus" [Mt 7.21].

Isso então significa que podemos perder a salvação? De maneira alguma! "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" [Fp 1.6]. Longe de querer dizer tal coisa, a Bíblia ensina-nos a buscarmos a cada dia o conhecimento verdadeiro de Deus.

O versículo que acabamos de ler [Mt 7.21] não nos diz que são os ímpios que irão falar "Senhor, Senhor!" - pois para eles isso é impossível - mas pessoas que viveram e disseram ter professado uma fé em Cristo Jesus. Assim como Davi - até aquele momento - não havia percebido o quão miserável e pecador era diante de Deus, hoje em dia muitos sequer conhecer o Deus que dizem seguir.

Todos nós, sem exceção, estávamos mortos em nossos "delitos e pecados" [Ef 2.1], contudo, somos vivificados pelo Espírito de Deus, única fonte de esperança e regozijo para nós.

Que possamos refletir nessa noite sobre nossas ações diante dos homens e diante de Deus. Que o Altíssimo conceda-nos um espírito pronto a Lhe obedecer, um coração disposto a buscar Sua face a cada dia, um corpo que não se detém no andar de pecadores e que nem se associa aos escarnecedores, mas que antes tem seu prazer na lei de Deus e nela medita de dia e de noite [Sl 1].

Amém.

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2 comentários :

  1. Este sermão é maravilhoso. Texto coerente e extremamente necessário ao povo de Deus. Que o Senhor continue te abençoando, irmão Filipe Luiz. Que a Palavra através de ti atravesse fronteiras físicas e espirituais.

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  2. Amém, para justiça de Deus através destes versiculos

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