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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Carta a um pregador que ensina o livre arbítrio.


Carta a um pregador que ensina o livre arbítrio -
por Filipe Luiz C. Machado

*A presente carta é de gênero fictício, embora contenha situações da vida real.
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Boa noite, meu caro Manoel.

Lembro-me de quando fui falar com você após uma reunião de jovens que tivemos e comentei brevemente sobre a parte em que você havia citado o livre arbítrio como algo que nós possuímos. Deixe-me, porém [agora com um pouco mais de tempo], lhe expor alguns motivos pelos quais essa é uma noção errada e perniciosa ao evangelho - portanto, não bíblica.

É importante notar que o conceito de livre arbítrio é algo criado pelo homem e foi feito para satisfazer seu desejo de ter honras para si próprio - pois lhe é difícil reconhecer a soberania plena de Deus sobre tudo e todos. É notório que nós somos agentes livres, contudo, não devemos pensar que nossa liberdade está lado a lado com a soberania de Deus - o correto é entendermos que nossa liberdade está condicionada àquilo que Deus prescreveu na eternidade, não devendo homem algum escusar-se de entender essa doutrina basilar do evangelho.

Certamente que você lembra-se da narrativa de Pedro em Atos 2 acerca do crucificação de Jesus. Veja, meu amado Manoel, o que Pedro diz aos israelitas: "A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos" (At 2.23) Observe que os israelitas foram "livres" - no sentido de fazerem por suas próprias vontades pecadoras o que fizeram - no entanto, suas ações estavam plenamente condicionadas às promessas e decretos de Deus. Também creio você deva saber que a palavra presciência no texto não quer dizer que Deus apenas "prevê" os acontecimentos e por isso os predestina - se tiver alguma dúvida nessa questão, me avise.

Talvez nesse ponto você pense que Deus é o autor do mal, mas o correto é dizer que o mal está sob a vontade de Deus. O mal é criação de Deus para cumprir o seu propósito, assim como os homens, a natureza, etc - pois Ele os controla e os dirige para onde quiser.

Não devemos imaginar também que os decretos de Deus estão somente relacionados às suas promessas [como se apenas esse fosse o campo de abragência de Sua soberania], mas dever-nos-ia estar cravado ao coração que é Deus quem "efetua tanto o querer como o realizar" (Rm 9) e com isso não sobra-nos nenhuma parcela de livre arbítrio.

Talvez, meu amado Manoel, você esteja pensando que a dedução lógica desse pensamento leva-nos a ser robôs nas mãos de Deus, contudo, esse é um pensamento que precisa ser esclarecido [embora ele seja verdadeiro].

Veja que a Bíblia afirma-nos por diversas vezes que Deus é soberano sobre tudo e todos e também diz que os homens são responsáveis. Contudo, [novamente], a responsabilidade humana não implica na teologia compatibilista - que é estranha às escrituras - que diz que a responsabilidade humana harmoniza-se com a soberania de Deus. Tal pensamento deve ser rejeitado, pois não é isso que a bíblia nos ensina. O correto é entendermos o que é o determinismo bíblico, a fim de que conheçamos melhor nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Ainda em tempo, deveria-nos ser prazeroso o fato de pensarmos que somos robôs nas mãos de Deus - no sentido de que não há liberdade inerente em nós - pois o que poderia ser melhor do que ser guiado pelas mãos do todo poderoso e onipotente Senhor?

É necessário ainda que você não pense que pode ser correto defender-se os dois pontos de vista: A defesa do livre arbítrio e a negação do mesmo, pois um dos princípios básicos da interpretação bíblica é que a Escritura explica a Escritura, ou seja, não pode haver contradição em Suas palavras, pois se isso fosse possível, nosso Deus seria um Deus de confusão [coisa que Ele não é] e portanto, um mero deus não soberano.

Portanto, sugiro que você dê uma lida nos seguintes links abaixo, pois é necessário que você - que prega a bíblia - saiba quais são os ensinamento de acordo com a sã doutrina.

Ore e medite nas Escrituras, pois certamente o Espírito Santo é capaz de iluminar-lhe sobre Seu caminho.

Em Cristo e para a progressão do Seu reino,
Filipe Luiz C. Machado

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