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Reformar é também voltar


Reformar é também voltar -
por Filipe Luiz C. Machado

O grande lema da reforma - "Ecclesia reformata et semper refomanda est" [1] - deve ser restaurado em nossos dias, porém, não da maneira como muitos pensam que deva ser feito.

Talvez o grande erro dessa visão seja que partamos do pressuposto errado, isto é, que reformar alguma coisa é torná-la nova, mais bonita, diferente daquilo que era anteriormente. Ora, não é isso quando temos em mente quando reformamos nossas casas? Acaso alguém pensa em destruir uma construção de tijolos para enguer uma de madeira no lugar? Certamente que não, mas muitas vezes é isso que precisamos fazer.

Não desejaria que alguém entendesse de maneira errada o que estou dizendo, mas é necessário atentarmos para o fato de que ser uma cristão reformado, em outras palavras, é ser um cristão à moda antiga. Com moda antiga, não desejo expressar que devamos viver com trajes do século XVI e XVII ou termos o mesmo sistema político que eles. O problema na verdade encontra-se que muitos cristãos que se dizem reformados, querem ser reformados para o que eles bem entendem por serem reformados. Deixe-me dar um exemplo.

Certa vez estava akgumentando com um pastor sobre a importância da reforma para os nosso dias, de como é necessário que nossos igrejas busquem aquele ideal puritano de vida e tudo mais, ao passo que ele me respondeu: "Mas veja bem, a cultura deles era diferente, os puritanos europeus eram frios, rídigos, tinham uma vida muito disciplinada. Já nós do Brasil somos diferentes, não devemos buscar esse modo de vida para nós". Basta uma pequena e superficial análise dessa fala para que vejamos que esse pastor coloca a "honra" e o cristianismo daqueles puritanos como sendo fruto da sua cultura e do seu jeito de ser, quando deveria-se na verdade reconhecer como aqueles homens foram grandes em seu tempo!

Ora, nada importa se eles eram europeus - pois, o que dizer dos puritanos americanos? - chineses, africanos, canadenses ou de qualquer outra região, o que realmente é válido é que eles tentaram viver seus vidas da melhor maneira possível, para que pudessem glorificar a Deus em tudo!

Resumindo: Ser reformado não é ser novo (para se parecer com a sociedade), não é ser relevante para a sociedade (para chamar a atenção) - pois a igreja nunca será relevante para ela, pois a igreja prega algo totalmente alheia à vontade das pessoas não regeneradas - não é ser parecido com o mundo (pois não somos desse mundo), não é ter um estilo "descolado" (pois o cristão não é descolado, mas firme em seus propósitos), mas sim é viver uma vida que glorifique a Deus em tudo, mesmo que seja necessário retroceder em muitos pontos.

Que Deus nos abençoe.

Nota:
[1] Literalmente: "Igreja reformada sempre se reformando".

Comentários

  1. Filipe,

    infelizmente, para a maioria dos crentes de hoje, reformar é se adequar ao mundo e à sociedade atuais.
    É tentar trazer os pecadores para dentro da igreja sem que seja necessário o arrependimento, mudança de vida e comportamento, sem o novo-nascimento.
    Por isso, tantas igrejas e ministérios aderem aos novos costumes, pois consideram o Evangelho obsoleto e irrelevante para uma geração cada vez mais ímpia e rebelde, cada vez mais distante de Deus. E o que fazem é mantê-los em uma posição confortável na qual podem pecar livremente sem que a consciência os acuse.
    Pastores, como o que você citou, estão se tornando regra, quando deveriam tratar de se arrependerem ou abandonarem o ministério. E isso está chegando a um ponto tal que homens, antes pregadores do Evangelho de Cristo, estão se seduzindo pela contextualização e contemporização com este mundo, com os novos tempos, quando a Palavra é eterna e igualmente proclamada a todos tempos e gerações.

    Parabéns pelo texto, e por lutar pela sã doutrina.

    Grande abraço!

    Cristo o abençoe!

    ResponderExcluir
  2. Graça e Paz Filipe,

    Gostei de sua postagem, este é o cerne do lema "ecclesia reformata et semper reformanda est".

    Certamente você deve saber que o verbo reformar no latim, passa a ideia não de mudança de forma, mas de retorno a forma antiga.

    Ednaldo.

    ResponderExcluir
  3. Jorge, concordo com você.

    Estamos em dias - ou quase sempre foi assim? - em que muitas ditas igrejas e muitos ditos pastores estão buscando cada vez mais serem relevantes para o mundo, quando ainda não entenderam que a igreja jamais será relevante para o mundo. A bíblia prega para sermos totalmente diferentes desse mundo vil e isso certamente inclui excluir parte de nossa cultura pecaminosa.

    Um abraço!

    ResponderExcluir
  4. Grato pelo acréscimo, Ednaldo.

    Na verdade eu não sei coisa alguma sobre latim. rsrs Fiz a postagem apenas contrastando a ideia que permeia a frase - isto é, reformar no sentido de retornar sempre à sã doutrina - com o pensamento que se tem dela hoje em dia.

    Obrigado pelas estimas e considerações.
    Um abraço!

    ResponderExcluir

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