"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Os Mandamentos de Deus Requerem Obediência Imediata - Sermão pregado dia 17.07.2011


Os Mandamentos de Deus Requerem Obediência Imediata -
Sermão pregado dia 17.07.2011


Amados, a bíblia nos ensina constantemente sobre a importância de a reconhecermos como nossa única regra de fé e de conduta. O problema surge quando nos deparamos com questões difíceis de serem assimiladas pelo homem pecador.

Vemos que em muitos casos, até grande personagens bíblicos foram acometidos de dúvidas e incertezas quanto à veracidade do mandamento de Deus. Acaso não procedeu assim Sara, mulher de Abraão - "Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho" (Gn 18.12)? Não foi assim com Moisés - "Então disse Moisés ao SENHOR: Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloqüente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua" (Êx 4.10)? Não procedeu de igual modo Jeremias - "Então disse eu: Ah, Senhor DEUS! Eis que não sei falar; porque ainda sou um menino" (Jr 1.6)?

Assim como estes, muitos ainda hoje procedem de igual maneira: duvidando e procrastinando o fazer a vontade do Senhor.

Gostaria de hoje lhes falar sobre alguns bons exemplos de homens pecadores, mas tementes a Deus e que não titubearam diante do santo mandamento. Também gostaria de lhes expor uma situação onde a dúvida e o não obedecer aos mandamentos do Senhor resultou em morte e perdição eterna.

1. Abrão e a circuncisão dos seus.

"Quando terminou de falar com Abraão, Deus subiu e retirou-se da presença dele. Naquele mesmo dia Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e os que foram comprados, todos os do sexo masculino de sua casa, e os circuncidou, como Deus lhe ordenara" (Gn 17.22,23 - NVI).

O contexto desse versículo nos diz que Abraão havia recebido a promessa de que teria um herdeiro gerado por ele (Gn 15.4), levando Abrão (que depois teve seu nome mudado para Abraão) a entender que seu servo Eliézer - que outrora seria seu herdeiro - não mais o seria, mas que alguém gerado por ele mesmo iria levar adiante sua descendência. O contexto também nos fala que Sarai (que depois teve seu nome mudado para Sara) até aquele momento não lhe tinha dado filho algum e por isso resolveu dar a sua serva egípcia para que Abrão tivesse relação sexual com ela e viesse a procriar e ter descendentes (Gn 16.2) - como que duvidando na promessa de Deus. Contudo, como nosso Senhor é um o Deus que decreta e cumpre fielmente seus decretos, no tempo certo estipulado por Ele, nasceu Isaque - o filho do herança.

Nos é interessante nesse versículo que Abraão não pensou duas vezes antes de executar o plano do Senhor para os seus. Observemos que dado às circunstâncias da época, tal cirurgia (a circuncisão) era algo bastante complicado, haja vista a escassa medicina e higiene existem naquele tempo. Porém, Abraão não levou isso em conta. O texto nos diz que "Naquele mesmo dia" [1] Abraão se pôs a iniciar o que o Senhor lhe ordenara.

Ele não argumentou para com o Senhor, não pediu um tempo para pensar e se preparar para isso, não pediu uma alternativa, não a viu como algo impossível, mas tão somente obedeceu ao que lhe fôra proposto.

2. Abraão e o sacrifício de Isaque.

"Então disse Deus: 'Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a região de Moriá. Sacrifique-o ali como holocausto num dos montes que lhe indicarei'. Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento" (Gn 22.2,3).

Aqui, novamente, Abraão se depara com uma questão difícil em sua vida. Porém, dessa vez não seria uma pequena cirurgia, mas o sacrifício de seu próprio filho.

Imaginemos por instante a luta que se passava no coração desse homem. Ele havia recebido a promessa de que seu filho seria seu herdeiro. Ele havia recebido a promessa de que mesmo estando em sua velhice, ele engravidaria sua mulher - também de idade avançada. O milagre então acontece: nasce Isaque. Então, após tão grande milagre e vários anos brincando, vendo seu menino crescer e quem sabe levando-o para trabalhar consigo [2], Deus lhe põe à prova e pede para sacrificar seu único filho.

Não sabemos o que se passou em Abraão naquele momento, mas certamente - para Abraão - houve um aparente conflito de ordenanças dadas pelo Senhor. Ora, como poderia ser Isaque o herdeiro se ele seria morto? Será que Deus haveria de falhar com sua promessa? Seria que o soberano Senhor havia mudado seus planos? Ou será que Abraão havia entendido algo errado e por isso estava confuso?

Novamente - embora sendo pecador - vemos um homem regenerado e que estava determinado a cumprir aquilo que lhe fôra proposto. O texto então nos maravilha dizendo: "Na manhã seguinte, Abraão levantou-se e preparou o seu jumento". Abraão não somente preparou o jumento, mas também cortou a lenha para o holocausto (Gn 22.3). Ó! Que terrível tarefa essa de arquitetar e preparar a morte do próprio filho! Mas era isso que Abraão fez, e não o fez muitos anos depois, mas "Na manhã seguinte".

3. Ló fugiu e não olhou para trás.

"Assim que os tiraram da cidade, um deles disse a Ló: "Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare em lugar nenhum da planície!" (Gn 19.17).

Ao lermos sobre Ló, vemos que logo após sua desavença com Abrão ele resolveu habitar nas terras próximas à Sodoma (Gn 13.12). Porém, quando Ló é novamente encontrado, ele já não se encontrava por lá, mas "morava em Sodoma" (Gn 14.12). "Ele havia deixado suas tendas. Havia abandonado o campo e ocupava uma casa naquelas mesmas ruas daquela cidade ímpia". [3]

Ao lermos a história de Ló, por alguns bons momentos podemos pensar que aquele homem não foi um devoto ao seu Senhor. Assim como diz acertadamente J. C. Ryle, "Se não tivéssemos sido informados, de modo especial, no Novo Testamento, de que Ló era reto e justo, eu, na verdade, acreditaria que deveríamos duvidar se Ló era realmente salvo" [4], também o creio. Mas o fato é que mesmo esse homem de aparência duvidosa quanto à sua devoção ao seu Senhor, demonstrou firme obediência à palavra que lhe foi dita.

As sagradas escrituras nos dizem que esse homem obedeceu ao alerta recebido. Ele não olhou para trás nem parou em lugar algum da planície. Ele não quis ficar olhando a cidade pegar fogo e ser consumida. Ele não andou a passos lentos (Gn 19.20), mas saiu dali conforme haviam lhe ordenado. Ele também não pediu para voltar e resgatar alguns dos seus animais ou bens familiares, tampouco objetou que lhe seria difícil morar em outro lugar, mas tão somente obedeceu. [5]

4. Jesus e a mulher adúltera.

"E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais" (Jo 8.10,11).

"A morte dos envolvidos em adultério estava prescrita na lei (Lv 20.10; Dt 22.22), embora o apedrejamento não fosse especificado, exceto no caso de uma virgem noiva que tivesse afirmado falsamente ter sido estuprada na cidade (Dt 22.24). Em nenhum dos casos o homem envolvido era isentado da pena de morte. Isso demonstra que, nessa situação, os acusadores não estavam genuinamente interessados em cumprir a Lei de Moisés". [6]

Nesta narrativa tão conhecida pelos cristãos, creio que uma coisa possa passar desapercebida: a ordem para ir e não pecar mais a partir daquele exato momento. Vemos que as palavras de Jesus à mulher adúltera não são "vá e não peques mais a partir do momento que quiseres" ou ainda "vá, durma com teu amante ainda essa noite - pois sei que o amas - e amanhã te despeças dele e então o deixe". Muitíssimo pelo contrário são as palavras de Jesus: "vai-te, e não peques mais".

Essa pequena fala de Jesus não dever-nos-ia ser estranha, mas a verdade é que ela incomoda muitos cristãos. Jesus havia ordenado que aquela mulher fosse e abandonasse seu pecado. Já vimos também que devemos olhar para o texto bíblico e vermos que nele são refletidas ordens para nós e não meros conselhos, como que se pudéssemos nos escusar de obedecê-los.

Certamente que aquela mulher dali em diante não viria a ser perfeita, mas certamente tomaria um novo rumo em sua vida.

5. A mulher de Ló: um mau exemplo.

"Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal" (Gn 19.26).

Muitos professos da fé cristã ao ouvirem que estão sob um grave pecado ou leem a bíblia e compreendem que devem efetuar determinada mudança em suas vidas, não fazem como Abraão que circuncidou ao seus, nem sacrificam aquilo que lhes é mais precioso, nem põe-se a fugir da cidade em chamas como Ló, tampouco vão e não pecam mais como a mulher adúltera, mas põem-se a olhar para trás e ponderaram sobre a veracidade das palavras de Deus.

A bíblia não nos fala de maneira direta sobre a mulher de Ló, mas deixa-nos um alerta ímpar: "Lembrai-vos da mulher de Ló" (Lc 17.32).

No contexto desse versículo, Jesus está alertando os fariseus sobre o seu reino e dizia-lhes que "O reino de Deus não vem com aparência exterior" (Lc 17.20). Então, Ele primeiro lhes fala sobre Noé: "E, como aconteceu nos dias de Noé, assim será também nos dias do Filho do homem. Comiam, bebiam, casavam, e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio, e os consumiu a todos" (Lc 17.26,27). Ele alerta-lhes sobre o perigo de serem seduzidos por comidas, bebidas, casamentos e qualquer outra coisa que não seja essencial para suas vidas.

Então ele lhes alerta sobre os dias de Ló: "Como também da mesma maneira aconteceu nos dias de Ló: Comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam; mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os consumiu a todos" (Lc 17.28,29) e finaliza dizendo: "Lembrai-vos da mulher de Ló" (Lc 17.32).

Amados, é grandioso o nosso dever quanto ao atentarmos para todos esse exemplos. O próprio Jesus, no evangelho de Lucas nos diz: "E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus" (Lc 9.62).

Tiago 4.4 nos alerta dizendo: "Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." Também em 1Jo 2.15 lemos: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele."

Quem possamos vigiar em constante oração e leitura do palavra, pois a noite logo vai, se aproxima o dia e é chegada a hora.

Amém.

Notas:
[1] Não somente a NVI, mas as outras versões bíblicas também nos levam a entender que foi no mesmo dia que Abraão iniciou aquilo que o Senhor havia lhe ordenado.
"E, finda esta fala com Abraão, Deus se retirou dele, elevando-se. Tomou, pois, Abraão a seu filho Ismael..." (ARA).
"Ao acabar de falar com Abraão, subiu Deus de diante dele. Então tomou Abraão a seu filho Ismael..." (ACF).
"Ao acabar de falar com Abraão, subiu Deus diante dele. Logo tomou Abraão a seu filho Ismael..." (AA).
[2] A quantidade de tempo que se passou entre o nascimento de Isaque e seu sacrifício são difíceis de precisar, pois embora Gn 22.34 nos diga que Abraão viveu por um longo tempo naquela terra após o nascimento de Isaque, Gn 22.1 nos diz que "passado algum tempo, Deus pôs Abrarão à prova", não podendo nós precisarmos uma estimativa correta sobre a idade de Isaque nesse tempo. O fato certo é que quando isso aconteceu, Isaque certamente já era mais crescido, pois "ele mesmo levou as brasas para o fogo e a faca" (Gn 22.6).
[3] Ryle, J. C. - Santidade, Ed. Fiel - pág. 213.
[4] Ibid, pág. 208.
[5] De maneira extremamente perspicaz e bíblica, J. C. Ryle - em seu livro Santidade - trata de Gn 19.16 que diz "Tendo ele hesitado", mostrando também as graves falhas de Ló.
[6] Bíblia de Estudo de Genebra.

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