"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Exposição no Salmo 100 - Sermão pregado dia 24.07.2011


Exposição no Salmo 100 -
Sermão pregado dia 24.07.2011


Nosso texto: Salmo 100.

Amados, novamente estamos diante de um salmo de extraordinária beleza e ampla doxologia ao nosso Senhor. Como bem sabemos, os salmos eram o "hinário" do povo de Israel e por esse motivo devemos atentar para o fato de que qualquer letra inventada pelo homem que não seja totalmente coerente com o que o povo de Deus cantava, deve ser eliminada e rejeitada com não bíblica.

Dentro desse prisma, nós não lemos que algum salmista dizia que o seu "deus sonhava", "que só depende de você", "que basta uma oração para as montanhas ruírem" ou qualquer coisa nesse sentido. Muitíssimo pelo contrário, vemos os salmistas escrevendo e expressando a glória de Deus sobre tudo o que aconteceu, acontece e acontecerá. Os salmos nos descrevem a amplitude do conhecimento e magnificência de Deus.

O salmo de hoje é um salmo de louvor ao Senhor. Diferentemente de outros salmos que eram feitos em ocasiões especiais ou por causa de determinada circunstância, o presente salmo não nos indica qualquer situação em particular, o que leva-nos a apreciá-lo como um cântico que expressava aquilo que o salmista era desejoso de viver.

"Celebrai com júbilo ao SENHOR, todas as terras" (v.1).

O salmista começa seu louvor ao Senhor dizendo para celebrarem com júbilo todos os habitantes da terra. Conforme comenta Calvino, "E desde que ele convida todos os habitantes da terra indiscriminadamente para louvar a Jeová, ele o faz como que em profecia, se referindo ao período de quando toda a Igreja - de diferentes nações - seria reunida". [1]

Observemos atentamente que o salmista orienta a si mesmo - e também ao seu povo - a celebrarem ao Senhor não pelo mero dever de agradecer pelas bênçãos recebidas. Certamente que a vontade do escritor não era que seu povo se alegrasse com o Senhor simplesmente porque teria de ser assim, mas que deveriam celebrar com grande alegria, pois o Senhor é bom! O salmista fala-nos sobre a importância de vivermos uma vida onde nossa alegria é vivermos para celebrar ao Senhor e sua glória.

Homem algum deve buscar uma vida cristã feita por obrigação. Ninguém deveria estar aqui nessa noite por obrigação. É certo que muitas vezes somos forçados a fazer determinadas coisas, mas isso se dá porque ainda relutamos em aceitá-las - por causa de nosso pecado. Contudo, não devemos nos escusar de buscar a alegria em fazer as coisas do Senhor.

O salmista também escreve dizendo que não somente uma parcela do seu povo deveria exultar em grande alegria, mas "todas as terras" deveriam dar brados de júbilo proclamando que o Senhor é maravilhoso.

"Servi ao SENHOR com alegria; e entrai diante dele com canto" (v.2).

Constantemente nós vemos que o povo de Israel alegrava-se em servir ao Senhor com grande alegria (2Cr 30.21; Ne 8.17; Sl 4.7; 45.15; At 2.46; 11.23; 14.17). Em especial, o salmo 4 nos diz: "Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se lhes multiplicaram o trigo e o vinho" (v.7). Com grande entusiasmo também lemos muitíssimas passagens bíblicas que nos mostram o povo de Deus entoando em alta voz canções que exaltavam o nome do Senhor (Sl 81.1; 95.1; Is 30.29; 1Co 14.15; Ef 5.19; Tg 5.13).

Nos é interessante observar que a segunda parte desse versículo é essencial para o entendimento da primeira. Primeiro o salmista escreve "Servi ao SENHOR com alegria" e nos perguntamos: qual a consequência de servir ao Senhor com alegria? E o salmista nos responde: "entrai diante dele com canto". Quando servimos ao Senhor com alegria, nada mais lógico de que vivermos na presença de Deus de maneira alegre, exultante e transbordando de alegria. Por isso é dever de todo o cristão se alegrar no Senhor e servi-lo com grande alegria.

Porém, surge-nos uma grande dúvida nesse ponto: como conseguimos ter essa alegria em servir ao Senhor? É muito fácil falarmos da alegria de ser cristão quando nossas finanças estão em dia, quando nossa família está vivendo de maneira harmoniosa e quando estamos conseguindo ter bons relacionamentos com os demais; mas quando tudo isso não está sendo vivido em nossas vidas, tal conselho do salmista parece ser absurdo e sem sentido. Mas, louvado seja o Senhor que não nos deixa sem resposta.

"Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4.11). Ao comentar sobre essa passagem, Spurgeon disse: “Essas palavras nos mostram que antes ele não sabia viver dessa maneira, custou-lhe algum esforço para alcançar o mistério dessa grande verdade. Sem dúvida, as vezes ele pensava que já havia aprendido mas falhava. E, quando, finalmente a alcançou e pôde afirmar: ‘Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação’, já era um homem velho, de cabelos grisalhos, às portas da morte - um miserável prisioneiro encarcerado por Nero, em Roma. Se queremos chegar onde Paulo chegou, também devemos suportar as enfermidades dele e compartilhar com ele da sua prisão. Não alimente a ideia de que você pode viver contente sem aprender, ou aprender sem disciplina. Viver contente não é uma virtude que pode ser praticada naturalmente, e sim uma arte a ser obtida gradualmente. Sabemos disto por experiência. Silencia a murmuração, embora ela seja natural, e continue sendo um aluno diligente na Palavra”. [2]

"Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pastor" (v.3).

Aqui o salmista responde à pergunta que fizemos. Ele começa dizendo que somente poderemos ter alegria em servir ao Senhor e viver para a sua glória se soubermos quem Ele é.

Quando Moisés é chamado pelo Senhor para libertar o seu povo do Egito, ele pergunta ao Senhor qual o seu nome. "Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me disserem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Êx 3.13,14). Moisés precisava de uma referência sobre quem era Deus, para que então pudesse fazer aquilo que Ele lhe ordenava.

O Breve Catecismo de Westminster nos ajuda nesse ponto.

Pergunta 4. Quem é Deus? Resposta: Deus é espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade. Ref. Jo 4.24; Ex 3.14; Sl 145.3; 90.2; Tg 1.17; Rm 11.33; Gn 17.1, Ap 4.8; Ex 34.6-7.

Queridos, essa afirmativa - "Sabei que o SENHOR é Deus" deve vibrar em nossos corações e ressoar de maneira profunda, tal qual um grito ecoa pelas montanhas rochosas.

Essa afirmativa deveria bater em nossos corações e nos indagar: "Eu sei que o Senhor é Deus"? E ainda mais, ela deveria forçar-nos contra a parede do pecado e nos perguntar: "Você sabe quem é Deus?", "Você sabe quem você está adorando?", "Você tem consciência que está diante de um Deus três vezes santos?".

Dever-nos-ia causar medo, angústia, aflição, contrição e EXTREMO DESESPERO caso não estejamos conscientes de quem é Deus.

Meus amados, bem sabemos que "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância" (Jo 10.10). Sim, é fato de que esse ladrão - de acordo com o contexto - são os falsos mestres e profetas que se introduzem em meio ao rebanho de Deus, contudo, devemos lembrar que esses ladrões são ministros de satanás, usados com a finalidade de enganar os seus.

Em Apocalipse 4.8 lemos: "E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir." Na literatura bíblica, quando se diz três vezes a mesma coisa é porque esse fato é extremamente importante e não deve de maneira alguma ser negligenciado, portanto, fazemos bem em atentar para esse quesito.

Muitos já ouviram falar de Deus, reconheceram-no perante os homens e professaram sua fé publicamente, mas nunca, nunca, nunca conheceram o verdadeiro Senhor três vezes santo. Tais homens e mulheres vivem suas vidas como se Deus fosse humano, falho, que se esquece de suas promessas e não é tão santo assim como dizem que Ele é.

A segunda parte do versículo demonstra que o salmista conhecia o Senhor não somente no nível das ideias, mas também reconhecia que "foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos;". O escritor tinha a certeza - veja bem, a certeza - de que o Senhor havia-os criado.

O centro da vida cristã - como sugerem muitos teólogos - é Gn 1.1: "No princípio... Deus", o único "Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém" (1Tm 1.17).

Receio que muitos hoje vivam diante de Deus como se vivessem diante de um atirador de elite que está pronto para atirar, que nunca errou um tiro sequer e mesmo assim tais homens fazem gracinhas, piadas e vivem a vida de qualquer maneira, achando que aquele atirador nunca os acertará.

Meus amados, não devemos brincar de ser cristãos. Nossas brincadeiras não devem nos levar a esquecer de que estamos diante do Deus zeloso. Nossos trabalhos não devem nos distrair a ponto de nos esquecermos de quem Ele é. Nossas famílias não podem ser maiores do que o Senhor. Nós mesmos não devemos nos achar dignos de coisa alguma - "Porque o SENHOR teu Deus é um fogo que consome, um Deus zeloso" (Dt 4.24)

O salmista termina então o presente versículo dizendo: "somos povo seu e ovelhas do seu pastor", levando-nos a compreender a necessidade de vivermos em conformidade com aquilo que ele mesmo prescreveu para nós.

"Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome" (v.4).

Aqui, o escritor do salmo escreve quase que de maneira semelhante ao versículo dois.

Ao comentar esse versículo, Calvino diz: "Entrai pelas portas. A conclusão do salmo é quase a mesma do começo dele, exceto que ele adota um modelo de discurso que relaciona a adoração a Deus que é obtida debaixo da lei, e também nos lembra de que o fato dos crentes renderem graças a Deus não descarta seu dever de O adorarem corretamente e isso não pode-se dar a menos que continuem praticando regularmente sua devoção sincera. Entretanto, significa também que Deus não pode ser adorado se isso não estiver sendo feito de acordo com a estrita maneira que ele mesmo prescreveu em sua lei." [3]

O salmista também deseja mostrar o quão importante era o templo do Senhor para o seu povo. Davi expressou sua alegria no Salmo 122.1 quando disse: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do SENHOR."

"Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração" (v.5)

Por fim, o salmista então chega ao final de seu louvor, mas de maneira diferente do que muitas vezes estamos habituados.

Observemos que o salmista primeiro coloca aquilo que se sucede à vida debaixo do poder do Senhor e por fim coloca qual que é a premissa ou o ponto de partida para que isso seja verdade: "Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração"

Diante do exposto podemos finalizar dizendo que:

1. "Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração" (v.5), devem "Celebrar com júbilo ao SENHOR, todas as terras" (v.1), porque é nosso dever "Servir ao SENHOR com alegria; e entrar diante dele com canto" (v.2), pois "Sabemos que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pastor" (v.3) e por isso mesmo devemos "Entrar pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvá-lo, e bendizer o seu nome" (v.4).

Amém.

Notas:
[1] Tradução livre. O original é: "And since he invites the whole of the inhabitants of the earth indiscriminately to praise Jehovah, he seems, in the spirit of prophecy, to refer to the period when the Church would be gathered out of different nations." Comentário em Salmos, volume 4. Fonte: http://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom11.html


[3] Tradução livre. O original é: "Enter his gates. The conclusion of the psalm is almost the same as the beginning of it, excepting that he adopts a mode of speech which relates to the worship of God which obtained under the law; in which, however, he merely reminds us that believers, in rendering thanks to God, do not discharge their duty aright, unless they also continue in the practice of a steady profession of piety. Meanwhile, under the name of the temple, he signifies that God cannot be otherwise worshipped than in strict accordance with the manner prescribed in his law." Comentário em Salmos, volume 4. Fonte: Ibid

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3 comentários :

  1. ótimo tal comentário... Deus continue abençoando e te usando, Filipe... valewww

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  2. o trabalho ficou ótimo, um legitimo presbiteriano. Pude ver uma boa pesquisa, bom conhecimento do assunto.

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