"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 10 - Homem e Mulher no Jardim - A Queda (O Pecado do Homem) - Sermão pregado dia 27.05.2012




Série: Homem e Mulher os criou - parte 10 - 
Homem e Mulher no Jardim - A Queda (O Pecado do Homem)
Sermão pregado dia 27.05.2012

Como temos notado, é imprescindível que levemos sempre cativo as áureas palavras de Paulo: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16-17). Tal declaração divina insta-nos constantemente de que a toda a Escritura, isto é, a Bíblia Sagrada, é útil e proveitosa para nosso conhecimento, mas não somente isso, que somente nela se encontra o verdadeiro ensino para a piedade e compreensão de toda a vida - desde o homem e a mulher, até o governo civil e a modéstia no vestir-se.

Como observamos anteriormente, à luz da beleza criadora do Senhor - antes da queda - tudo era maravilhoso, formoso e agradável aos homens e à toda criação do Senhor. Cada espaço do Éden, cada partícula que se movia em meio ao ar, tudo, absolutamente tudo era por demais fascinante, belo aos olhos e sem qualquer deformidade. Contudo, por algum motivo que não nos compete determinar, o Senhor, em Sua excelsa soberania, teve por bem que a Queda ocorresse. Mas, como não é saudável, nem muito menos recomendável o ir além das Escrituras, continuemos a analisar os fatos no que tangem à responsabilidade humana durante esse processo.

Após visualizarmos a queda da mulher, entremos agora na questão de como o homem contribuiu para a queda e relacionemos esse fato com a atitude da mulher. 

"... e deu também a seu marido, e ele comeu com ela... E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?" (Gn 3.6, 8-9).

Talvez você já tenha lido tal narrativa um sem número de vezes, mas, humildemente penso que a condição para muitos leitores estarem ainda abaixo daquilo que a Palavra descreve, é o fato de apesar de muitos já terem lido tal descrição narrativa e doutrinária, poucos são os que se aperceberam de que embora Eva tenha caído primeiro, Adão é quem foi chamado para prestar as contas. Infelizmente, poucas são as vezes que encontramos cristãos cônscios dessa grande verdade, isto é, de que o homem - como penso já ter explanado de forma sucinta, mas direta - é responsável pelo cuidado e manutenção de seu lar espiritual. Raros são os momentos em que os professos masculinos da fé cristã, como convém aos homens de Deus, lembram-se de que são pequenos sacerdotes, isto é, pastores em seus lares.

Para compreendermos como ocorreu a queda do homem, se faz necessário que recordemos do que já vimos, ou seja, de que o homem é também responsável - em certa maneira - pelo bem-estar espiritual de sua casa e, por que não, de sua esposa e filhos. Por ter tal responsabilidade sobre si, assim como Moisés tinha sobre o povo de Israel (personificando o cuidado de Cristo para com Sua Igreja), era-lhe necessário entender que sua amável e honorável esposa não podia ser deixada "livre" - havia uma ordem e ele precisava obedecê-la. 

Notemos 4 falhas (pecados) de Adão:

Em primeiro lugar, Adão falhou em estar junto de sua esposa. A Bíblia não nos relata a que distância Adão estava de Eva enquanto ela era tentada pela serpente. Contudo, embora seja certo que não tenhamos tal descrição precisa da distancia - se é que havia alguma -, uma coisa podemos aferir: ainda que estivesse próximo, de coração estava longe. Em segundo lugar, Adão falhou, em algum momento, no alertar de Eva. Pela narrativa se percebe que Adão devia estar relativamente perto de Eva, pois tão logo comeu, "deu também a seu marido". O homem e cabeça do lar, falhou no alerta. Em terceiro lugar, Adão presenciou a queda e ruína de sua esposa, mas como que não satisfeito com sua omissão, experimentou também do pecado. Apesar de a desgraça ter batido à porta e ter achado espaço no coração da mulher, também fez com que o homem fosse omisso para com seu dever de agir. Em quarto lugar, após a queda, em vez de reconhecer seu erro e achegar-se diante do Senhor, fugiu e não cumpriu com sua responsabilidade de apresentar-se a si mesmo e sua esposa diante do justo juiz.

Tal relato bíblico deseja ensinar-nos sobre a importância do homem na relação conjugal. Não foi sem razão que Adão foi criado por primeiro; não foi obra do "acaso" a chegada da mulher na relação; não foi inutilmente que o Senhor havia designado o homem para ser o guardador e mantenedor de Sua criação (Gn 2.15). Notemos, portanto, algumas aplicações do presente relato para nossas vidas:

1. O mandamento do Senhor é irrevogável. 

Como comumente se diz, os mandamentos do Senhor não estão postos para serem questionados, mas sim para serem cumpridos. Adão, como bom portador da imagem celestial e plenamente capaz em relação a suas peculiaridades facultativas - pois podia escolher em fazer ou não o bem - tinha somente o dever (e isso lhe era prazeroso!) de obedecer ao Senhor. Uma vez posto no Jardim, não lhe havia sido dada a oportunidade de questionar o Senhor ou passar a autoridade do lar para sua esposa - Adão sabia que cabia tão somente a ele o governo e sustendo de sua casa, de modo que devia expressar o a ordem de Deus na terra e, para isso, se dedicar a ela assim como o Senhor fazia com suas criaturas.

Sendo, portanto, o mandamento do Criador irrevogável, Adão não podia utilizar-se de desculpas diante do Senhor, afinal, somente a ele tinha sido determinado o lavrar e guardar a terra, de modo que não poderia haver escusa de sua parte para com o diligenciar-se na tarefa divina - uma vez recebido o mandamento, deveria cumpri-lo.

Que o Senhor tenha misericórdia de todos os homens nesse quesito, pois embora estejamos em tempos diferentes de Adão e tenhamos o pecado encravado em nossa vida, tal incumbência ainda nos cabe e, portanto, devemos a ele nos ater (posteriormente veremos com mais atenção esse ponto) e correr a carreira que nos foi proposta (2Tm 4.7).

2. Apesar de consciente de sua obrigação, negligenciou seu chamado.

A narrativa bíblica mostra-nos que Adão estava próximo de Eva quando ocorreu a queda. Mas, infelizmente,  não estava tão próximo como deveria. Por algum motivo que nos foge à razão, Adão fez pouco caso do cuidado que deveria ter para com sua esposa. Tristemente, apesar de anteriormente ter dito que ela era "osso dos meus ossos, e carne da minha carne" (Gn 2.23), no momento da desobediência para com o Senhor ele a trata não mais como parte de sua próprio carne, mas sim como uma estranha, alguma coisa do qual não deve ter o devido cuidado e nem esmerar-se para evitar a transgressão.

Ao perceber que Eva estava enveredando por caminhos contrários ao Senhor, em vez de agir, se omitiu - e quão grave pecado cometeu! Nesse momento Adão não foi um homem do Senhor. Por vezes até parece-nos que lhe faltou o discernimento e a imagem do Senhor ofuscou-se em seu coração, de modo que não via nada além de sua ignorância e vontade deliberada em não agir conforme havia sido lhe ordenado. De homem sustentador, passou a ser ignorador e falho para com seu dever de fazer.

3. Apesar de ambos terem transgredido o mandamento, Adão foi chamado a prestar contas.

"e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?" Como vimos logo acima, por o Senhor haver determinado que o homem seria o responsável pela criação e manutenção do lar, era-lhe necessário também o prestar das contas ao Eterno. Aqui, não cabe ao homem "moderno" o intentar descortinar os porquês de Adão ter sido chamado a prestar contas, enquanto, num primeiro momento, Eva ficou isenta de tal advertência.

Lamentavelmente temos visto como essa mesma transgressão, apesar de positivada (registrada, instituída) nas Escrituras, ainda é constantemente ignorada pelos homens. Nossos jovens, para suas próprias ruínas, casam-se cada vez menos conscientes do que é um matrimônio e de quantos deveres lhes assistem a partir do momento em que se unem em voto à esposa e honorável ajudadora idônea. O fato de - também - não serem intérpretes e aplicadores saudáveis das Escrituras, não somente os desabona diante do Senhor, mas igualmente os leva a manchar o nome do Artífice e fazer-Lhe por ignomínia diante de tais atitudes reprováveis. Homens que casam-se, mas não assumem a responsabilidade do lar, estão pecando gravemente contra o Senhor.

4. Eva foi levada a não perguntar ao seu marido sobre o que achava da proposta. 

A Bíblia nos é clara ao narrar tão somente o diálogo que Eva teve com a serpente. Aqui, penso ser um bom motivo para que isso tenha sido registrado para toda a posterioridade: nos ensinar sobre a grande falha em que ocorreu Eva, pois em vez de recorrer ao seu marido e indagar-lhe sobre se tal proposta era decente também diante de seus olhos, resolveu responder por si mesma e ser inconsequente para com a ordenança matrimonial.

Em vez de esposa submissa e fiel ajudadora, resolveu ser insubmissa e não mais contribuidora para com a harmonia e bem matrimonial, mas sim um peso a mais na desgraça e ruína conjugal. Se ao menos perguntasse a Adão sobre o que pensava acerca da proposta maligna e tentadora da serpente, mas nem isso cogitou - agiu inconsequentemente e o levou à bancarrota.

5. Eva desobedeceu a submissão que devia a Adão.

Conquanto que Adão tinha o dever de zelar pela terra que o Senhor lhe havia dado e também do matrimônio que Ele havia concedido-o, o início do pecado encontra-se - também - na desobediência de Eva a Adão. Como já apontado, a submissão era algo agradável a Eva; ela não tinha pesares em se submeter a aliança feita com seu marido - tudo lhe era pacífico e louvável. Porém, apesar de tudo isso, não obstante toda sutileza que a serpente utilizou-se, nas entrelinhas do relato percebemos que Eva falhou para com seu dever de obedecer ao governo (novamente, bondoso) de seu esposo.

Assim como aconteceu Eva, frequentemente é também visto em nossos dias, onde muitíssimas "servas piedosas do Senhor" gabam-se de sua não submissão ao seu marido (veremos esse ponto também mais adiante) e perversamente invertem os papeis delimitados pelo Altíssimo.

Entendamos, por fim, de que modo isso sevdesdobra para nosso conhecimento e crescimento em aplicação e graça do Senhor (Tg 1.22).

O relato bíblico nos é bastante claro: "e esconderam-se... entre as árvores do jardim". Parece-nos ser plausível a afirmação de que Adão e Eva queriam realmente se esconder do Senhor! Eles não procuraram pelo Artífice, não foram ao Seu encontro - o pecado fez com que corressem para longe.

Não é assim que também muitas vezes procedemos? Ao pecarmos contra o Senhor, em vezes de rogarmos por Seu perdão e clamarmos para que nos restitua a alegria da salvação (Sl 51), frequentemente somos levados por nossas próprias fraquezas e debilidades às arvores das argumentações, às grandes folhas da autocomiseração e dos fortes troncos da malignidade humana. Contudo, pela mui preciosa graça e misericórdia do Senhor, ensina-nos a Santa Palavra que, apesar de não desejarem ser achados pelo Senhor, agradou-Lhe se mostrar ao homem e mulher, de modo que, ainda que seus corações estivessem perversamente entenebrecidos pelo pecado, com muita ternura e poder o Senhor os achou e os livrou das intempéries que tais árvores (sem falar de Sua ira!), agora também abaladas por causa do pecado, poderiam lhes causar.

Nesse sentido, portanto, o homem do Senhor deve aprender a lidar com os problemas do casamento, sabendo sempre que se algo acontece e dá errado, é bastante provável que ele tenha sido negligente em algum proceder. Sim, é certo que não compete ao marido o salvar a mulher dos pecados e que não é sua a responsabilidade de levar os filhos para o céu, entretanto, algo muito vil e maligno é o não proceder de acordo com a palavra de Deus, tão somente porque conjectura-se que, porque se vive em "outros tempos", não recai qualquer responsabilidade sobre ele. 

Como varões do Senhor, precisamos tomar do exemplo de Adão e aplicarmos diligentemente tal ensino para nossos lares, de modo que não vivamos de maneira indigna diante de nossas esposas, filhos igreja e sociedade, mas sim que busquemos o reto proceder, pois apesar de toda vileza que habita em nossos corações, a guarda celestial é sempre pronta e eficaz para nos auxiliar em toda e qualquer dificuldade com que nos depararmos.

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