"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 15 de maio de 2012

Efésios 1.11 - Tudo Acontece Segundo a Sua Própria Vontade - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 13.05.2012



Efésios 1.11 - Tudo Acontece Segundo a Sua Própria Vontade
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 13.05.2012

"Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade" (Ef 1.11).

Temos sido agraciados com a palavra de Deus no que tange à maravilhosa graça do Senhor em alcançar os povos gentios da terra. Assim como a mulher samaritana foi grandemente exposta ao próprio Cristo e ouviu, "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade... A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo. Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo" (Jo 4.23, 25-26), também nós ouvimos a palavra da salvação e hoje podemo-nos achegar ao santo dos santos e ter comunhão direta com o Deus trino.

Já tivemos a oportunidade de visualizarmos o que é a predestinação, eleição e suas consequências para o homem (Ef 1.4-5). Aqui, portanto, novamente o apóstolo cita essa bela e preciosa expressão (ainda que se utilize de outro vocábulo) para todo crente, pois reitera que tudo ocorre "segundo o conselho da sua vontade". Alguém, porém, poderia objetar e dizer que Deus executa as coisas boas nesse mundo, mas as más pertencem ao maligno; que o Senhor é dono de toda boa caridade e justiça no mundo, porém o Diabo é responsável pelos males; que o Eterno é quem cuida dos crentes, mas o inimigo não O deixa executar sua obra. Poderia isso ser verdade? Em outras palavras, o que o apóstolo quis ensinar-nos sobre que Ele "faz todas as coisas"? Seria o intento do apóstolo o afirmar de que somente as coisas boas aos nossos olhos procedem da mão de Deus?

A grande dificuldade dos crentes em aceitar que todas as coisas procedem da mão do Senhor, não é com respeito a sua benevolência, bondade, verdade e amor para com seus, e sim justamente o oposto, a saber, que até mesmo os piores acontecimentos surgem também da mão poderosa do altíssimo. Muitos amam proclamar que Deus é amor (1Jo 4.8, 16), e de fato Ele assim o é. Porém, infelizmente muitos não atentam para que o amor de Deus não é desvencilhado de Sua justiça, verdade, santidade e ódio. Outro problema ainda é o fato de lermos esses (e outros) atributos de Deus sob o prisma do que as palavras significam para nós. Em outras palavras, muitos encontram uma barreira para entenderem que o Senhor é um Deus irado e que possui ódio, pois ao lerem tais coisas eles se recordam de como se iram com seu próximo e de como tudo isso é muito ruim. Entretanto, é a própria Escritura quem nos afirma esse ódio de Deus e ela própria é quem deve nos dizer que tipo de ódio é esse. Isso é também verdade com a santidade, pois não são poucos os homens que compreendem erroneamente esse quesito, como se Deus fosse tão santo, mas tão santo, que sequer se comunicasse com o Seu povo, ou seja, negam a comunhão que os crentes têm com Cristo, pois afirmam que aqueles não podem ter comunhão com este. Analisemos essa e outras questões baseado em alguns pressupostos.

1. Assim como eram os judeus salvos, hoje nós também podemos ser herança do Senhor - "Nele, digo, em quem também fomos feitos herança."

Essa afirmação faria todo o sentido para o povo judeu, o problema é que não foi dirigida a eles. Para tais pessoas, teria rapidamente surgido em suas mentes a promessa dada ao seu pai Abraão: "Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência" (Gn 15.5). Os israelitas conheciam essa afirmação e sabiam qual era sua aplicação imediata para eles - mas, como os gentios, a quem Paulo está escrevendo, saberiam qual era a herança do Senhor? Paulo tratará disso mais adiante em sua carta, mas já fornece um pequeno vislumbre aos crentes de Éfeso: "havendo sido predestinados". Sendo o apóstolo um judeu, ele afirma aos irmãos gentios que o motivo de haverem sido feitos herança e participantes dessa mesma que ao povo judeu pertencia, era tão somente por causa que haviam sido predestinados para isso. Em outras palavras, eles estavam recebendo a mensagem da salvação porque assim havia sido a vontade do criador, assim tinha intentado o Salvador (veremos mais detidamente esse ponto em Efésios 1.18).

Em outro momento o apóstolo diz: "Porque, se a herança provém da lei, já não provém da promessa; mas Deus pela promessa a deu gratuitamente a Abraão" (Gl 3.18). Assim como as estrelas habitavam o céu de todo o mundo, o Senhor testificou a Abraão de que de igual modo seria a sua descendência - muito numerosa e que abrangeria todos os lugares da terra. O autor de nossa salvação ensinou - também - ao patriarca a grande obra que um dia realizaria em meio as nações gentílicas e afastadas do Senhor (recordemos de Efésios 9-10).

2. Todas as coisas, tanto as boas como as más, são criadas pelo Senhor - "conforme o propósito daquele que faz todas as coisas."

É mister que atentemos para afirmação de Paulo. Em outras palavras ele lhes diz: "Crentes de Éfeso, vocês não estão sendo salvos por algo de bom que você fizeram. Vocês não foram escolhidos pelo Senhor porque vieram a frente, fizeram uma oração e alguém lhes disse que vocês são crentes. Vocês não tem livre arbítrio para se achegar ao Senhor, pois anteriormente estavam mortos em seus delitos e pecados (Ef 2.1). Saibam, portanto, que porque o Senhor faz tudo conforme Lhe agrada, aprouve a Ele hoje vos salvar." Pode parecer loucura o fato de Deus fazer tudo conforme deseja, pois muitas são as vezes em que temos o "sincero" desejo de governar nossas próprias vidas e ações. Todavia, o apóstolo não é da mesma laia maligna e afirma categoricamente que o Senhor os salvou porque assim desejou em Si mesmo.

Alguns versículos nos são explícitos e provam que tal doutrina é absolutamente verdadeira:
- "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim" (Jo 6.44-45).
- "Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito" (Jo 10.26).
- "Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure" (Jo 12.40).
- "E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar" (At 2.47).

Penso que honestamente, sem grandes delongas, podemos afirmar que o Senhor salva aquele que deseja e assim faz "conforme o [seu] propósito". Nosso Senhor não é Deus de confusão (1Co 14.33), por isso não poderia deixar ao encargo dos homens o escolher a Ele mesmo, pois como conforme veremos mais adiante (Efésios 2), isso é completamente impossível para o homem não regenerado, pois uma vez que se encontra morto e putrefado em seus pecados, sequer pode cogitar a possibilidade de ir à Vida.

Agora, por um momento, voltemos ao que havíamos iniciado, a saber, quais são "todas as coisas" que o Senhor realiza conforme seus atributos?

Em primeiro lugar, o Senhor sempre intentou deixar bastante claro que todo o homem é responsável diante d'Ele por suas ações. Apesar da eleição ser incondicional e o homem ser moralmente corrupto e naturalmente inacessível a Deus, o Senhor proclama que ele é responsável por seus atos: "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição" (Dt 11.26). O povo israelita sabia que a Lei proclamada diante de si era bênção e maldição - bênção se fosse buscada com um coração temente e jubiloso ao Senhor; maldição se dela escarnecessem e não a tivessem por guia até o Senhor (Gl 3.24).

Em segundo lugar, o Senhor faz todas as coisas conforme agrada o Seu próprio coração, de modo que onde Ele visualiza alguma impiedade e não observa a marca de Seu Filho no coração do pecador, tal homem é o mais desgraçado de todos os seres humanos: "Porque o perverso é abominável ao SENHOR, mas com os sinceros ele tem intimidade. A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio, mas a habitação dos justos abençoará" (Pv 3.32-33). Ao contrário do que muitas vezes são as nossas palavras, a voz do Senhor é direta, firme e certeira. Sem rodeios o Eterno afirma que o perverso, o ímpio, o não cristão, "é abominável ao SENHOR"; e mais: "[que] A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio". Onde, então, nos perguntamos, está a bênção do Altíssimo? "mas a habitação dos justos abençoará".

Em terceiro lugar, sendo Deus soberano e já sabendo que diante dessas e outras afirmações os homens se insurgiriam e achariam que o Senhor é injusto, deixou-nos registrado essa fantástica declaração do apóstolo: "Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" (Rm 9.14-16). Notemos bem: "não depende do que quer, nem do que corre" - "mas de Deus, que se compadece". Isso remete, a talvez alguns de nós, à lembrança da história do jovem rico. Sabemos bem que aquele jovem foi até Cristo, ele o queria ver. Ele queria a conversar com Cristo e por isso foi correndo até Ele (Mc 10.17). Contudo, não teve o encontro que esperava com o Salvador, pois não havia ido até Ele para despojar-se de todas as riquezas e passar a viver somente para o Senhor - ele queria uma vida dupla: com riquezas e salvação. Assim também acontece e parece ser esse um dos intuitos de Paulo (além de: "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis" (1 Co 9.24), ou seja, demonstrar aos crentes que apesar de toda dificuldade que podem ter para compreender essa bela e magnífica doutrina, é do Senhor que ela provém e é Ele quem a outorga, não consultando qualquer homem vil para ter conselho consigo mesmo (Lm 3.37-40).

Outro ponto importante das Escrituras é reconhecer que apesar de muitos relatos serem chocantes para nossas mentes e coração, com todas elas o Senhor busca ensinar-nos sobre o perigo que é brincarmos com o Seu nome e também o escarnecer do povo do Senhor: "Então [Eliseu] subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos" (2 Rs 2.23-24). Os comentaristas tecem seus entendimentos acerca dessa passagem, dizendo que os meninos estavam zombando de Eliseu, pois o verbo "'subir' é o mesmo verbo usado para descrever a entrada de Elias no céu (v.11)" [1]. O puritano Matthew Henry também comenta: "Eles ordenaram-lhe para que subisse, talvez refletindo no pressuposto de Elias: 'Teu mestre', dizem eles, 'subiu, por que tu não vais após ele? Onde está a carruagem de fogo? Quando vamos nos livrar de ti também?' [2] Aqueles "pobres e indefesos" meninos, por mais jovens que pudessem ser, zombaram do santo do Senhor e por isso não foram poupados - "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10.31).

Entrementes, então, o Senhor pretende ensinar os Seus filhos (e também os ímpios!) de que grandes coisas Ele pode fazer, de modo que não há alguém que possa resistir a Sua vontade.

3. Não há quem possa resistir ao seu decreto - "segundo o conselho da sua vontade".

No afã de demonstrar Seu excelso poder e magnitude acima de todas as coisas, o Senhor revela-se ao apóstolo e os faz registrar que todas as coisas acontecem porque Ele assim deseja. Esse pressuposto tem seu ensinamento também no profeta Isaías: "Quem guiou o Espírito do SENHOR, ou como seu conselheiro o ensinou? Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento? Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima" (Is 40.13-15). Diferentemente de homens que tomam conselhos com seus pares, as Escrituras revelam-nos que o Senhor não pergunta aos homens o que desejam que Ele realize. O Senhor não se subordina ao homem pecador e dele não toma recomendações, "Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece" (Tg 4.14). O Deus invisível, mas real, é infinitamente e complexamente maior do que tudo que podemos imaginar. Isso é tão verdade que o profeta fez questão de dar um exemplo prático: "eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima".

Nada pode ser grande demais para o Senhor, coisa alguma Lhe é muito dificultoso e não há nada que possa impedir o Seu poder. Por isso, nessa noite, demos um brado de júbilo em nossos corações, cantemos-Lhe louvores e agradecemos-Lhe grandemente, porque apesar de todas as nossas iniquidades, malignidades e vilezas que habitam em nosso coração, para Ele tudo isso pode ser alterado e modificado para Sua glória e nossa salvação - "o nosso Deus converteu a [nossa] maldição em bênção" (Ne 13.2).

Amém.

Nota:
[1] Nota de rodapé da Bíblia de Estudo de Genebra
[2] HENRY, Matthew, commentary on 2Kings. Fonte: http://www.studylight.org/com/mhc-com/view.cgi?book=2ki&chapter=002 (acessado dia 13.05.2012) - tradução livre

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