"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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sábado, 26 de maio de 2012

As promessas de Deus cooperam para o bem do homem piedoso.


As promessas são anotações nas mãos de Deus; não é bom termos segurança? As promessas são o leite do evangelho; e não é o leite para o bem da criança? Elas são chamadas “preciosas promessas” (2Pe 1.4). Elas são tônicos para a alma que esta a ponto de desmaiar. As promessas são cheias de virtude.

Estamos nós sob a culpa do pecado? Há uma promessa, “o Senhor [é] compassivo e grande em misericórdia” (Êx 34.6), na qual Deus, por assim dizer, põe Seu glorioso bordado e estende Seu cetro de ouro para encorajar pecadores pobres e hesitantes a se achegarem a Ele. “O Senhor, misericordioso.” Deus está mais disposto a perdoar do que a punir. A misericórdia abunda em Deus mais do que o pecado em nós. Misericórdia é a Sua natureza. A abelha naturalmente produz mel; ela ferroa apenas quando é provocada. “Mas”, diz o culpado pecador, “eu não mereço misericórdia”. Ainda assim, Ele é gracioso: Ele demonstra misericórdia, não porque nós merecemos misericórdia, mas porque Ele se deleita na misericórdia. Mas o que isso significa para mim? Talvez meu nome não esteja entre aqueles que são perdoados. “Ele usa de misericórdia para milhares” (cf. Jr 32.18). A casa do tesouro da misericórdia não está falida. Deus tem muitas riquezas disponíveis, sendo assim, por que você não viria para tomar parte entre os Seus filhos?

Estamos nós sob a podridão do pecado? Há uma promessa que coopera para o bem: “Curarei a sua infidelidade” (Os 14.4). Deus não apenas concederá misericórdia, mas também graça. E Ele fez uma promessa de enviar o Seu Espírito (Is 44.3), o qual, por Sua natureza santificadora, é às vezes comparado nas Escrituras à água que limpa o vaso; à peneira que joeira o milho; às vezes, ao fogo que refina o metal. Assim, o Espírito de Deus há de purificar e consagrar a alma, tornando-a participante da natureza divina.
Estamos nós em grande tribulação? Há uma promessa que coopera para o bem: “Na sua angústia eu estarei com ele” (Sl 91.15). Deus não leva o Seu povo à tribulação e os deixa lá. Ele os acompanhará; Ele sustentará suas cabeças e seus corações quando eles estiverem desmaiando. E há outra promessa: “Ele é a sua fortaleza no dia da tribulação” (Sl 37.39). “Oh”, diz a alma, “eu hei de desmaiar no dia da aflição.” Mas Deus será a força do nosso coração; Ele trará as Suas forças para junto de nós. Ou ele fará a Sua mão mais leve, ou tornará a nossa fé mais forte.

Tememos nós necessidades exteriores? Há uma promessa: “Aos que buscam o SENHOR bem nenhum lhes faltará” (Sl 34.10). Se for bom para nós, haveremos de tê-lo; se não for bom para nós, então será retido, e isso será para nosso bem. “Eu abençoarei o vosso pão e a vossa água” (Êx 23.25). Essa benção cai como doce orvalho sobre a folha; ela adoça o pouco que possuímos. Deixe-me ter necessidade, para que eu possa ter a benção. Mas temo eu não ter um meio de subsistência? Examine as Escrituras: “Fui moço e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (Sl 37.25). Como nós devemos entender tal declaração? Davi fala a respeito disso como a sua própria observação; Ele nunca contemplou tal eclipse, ele nunca viu um homem piedoso tão rebaixado ao ponto de não ter um bocado de pão para colocar na boca. Davi nunca viu o justo e a sua descendência em falta. Embora o Senhor possa provar pais piedosos por um tempo, pondo-os em necessidade, ele não fará o mesmo com a descendência dele; a descendência dos piedosos será provida. Davi nunca viu o justo mendigando pão, ou desamparado. Embora ele possa ser posto em grande aperto, ele não é desamparado; ele ainda é um herdeiro do paraíso, e Deus o ama.

Pergunta: Como as promessas cooperam para o bem?

Resposta: Elas são alimento para a fé, e aquilo que fortalece a fé coopera para o bem. As promessas são o leite da fé; a fé suga delas os nutrientes, como a criança os suga do peito. “Jacó teve medo e se perturbou” (Gn 32.7). Seu espírito estava prestes a desmaiar, e agora ele vai para a promessa: “E disseste: Certamente eu te farei bem” (Gn 32.12). Essa promessa foi o seu alimento. Ele adquiriu tanta força dessa promessa que foi capaz de lutar com o Senhor a noite toda em oração, e não deixou Ele ir até que o houvesse abençoado.
As promessas são também fontes de alegria. Há mais nas promessas para nos dar conforto do que há no mundo para nos causar perplexidade. Ursino [1] foi confortado com esta promessa: “Da mão do Pai ninguém as pode arrebatar” (Jo 10.29). As promessas são tônicos para aqueles que estão desmaiando. “Não fosse a tua lei ter sido o meu prazer, há muito já teria eu perecido na minha angústia” (Sl 119.92). As promessas são uma rede para puxar o coração e impedi-lo de afundar nas águas profundas da angústia.

[1] Nota do Tradutor: Talvez, uma referência a Zacarias Ursino, um dos autores do Catecismo de Heidelberg. Você pode ler uma breve biografia a respeito dele no blog Reforma & Razão.
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Por Thomas Watson (1620-1686)

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