"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 19 - Homem e Mulher após a Queda - A Modéstia no Vestir - (Introdução e as vestes dadas pelo Senhor) - Sermão pregado dia 05.08.2012



Série: Homem e Mulher os criou - parte 19 -
Homem e Mulher após a Queda – A Modéstia no Vestir 
(Introdução e as vestes dadas pelo Senhor)
Sermão pregado dia 05.08.2012


Este estudo bíblico foi gravado em vídeo - para assistir, clique no link: 
http://twitcam.livestream.com/bebx6
(clique em Skip this ad now para pular a propaganda)
(antes do estudo há a leitura do Salmo 64 e alguns comentários pertinentes)

Tendo em vista que a modéstia cristã no vestir-se inicia não no exterior, e sim no interior do ser humano ("Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mt 15.19) - observemos que Cristo não diz que "das roupas procedem os maus pensamentos", mas sim do coração), é necessário ainda fazer alguns apontamentos extras.

Em primeiro lugar, todo cristão verdadeiro reconhece que "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16-17). Isto implica em dizer que ele reconhece que a Bíblia, no mínimo deve lhe fornecer padrões sobre absolutamente todas as coisas existentes na terra - não que ela possua literalmente cada situação descrita, mas, por exemplo, nos ensina sobre que ao construir uma moradia, devemos cuidar para a fazermos segura (Dt 22.8); quando andarmos por e para algum lugar (tanto em doutrina como fisicamente), devemos lembrar de andar na velocidade que os mais fracos possam acompanhar (Gn 33.14). Em segundo lugar, o cristão sincero irá reconhecer que a Bíblia não é legalista (no sentido ruim da palavra) em suas ordens acerca de todos os assuntos. O cristão sabe que a ética, moral e pressupostos bíblicos são quase sempre opostos a tudo que vemos na sociedade, todavia, isto nunca o leva a afirmar que a Palavra seja ultrapassada ou que seja um mero ajuntado de leis morais e vazias, como que supostamente não desejando que homem e mulher pudessem ter certas alegrias e regozijos neste mundo. Em terceiro lugar, por já termos fixado que o problema principal é o pecado do ser humano, o cristão devoto ao Senhor irá reconhecer que todas as vezes que achar alguma doutrina "difícil" ou de dura aplicação em sua vida e por isto não as conseguir compreender e/ou aplicar imediatamente, fará como a frase atribuída a John Newton que disse: "Atribuirei todas as aparentes incoerências da Bíblia à minha própria ignorância." Assim sendo, então resumimos que o autêntico filho de Deus reconhece: 1. A suficiência das Escrituras; 2. Procura nela toda a base para suas respostas e aplicações; 3. Compreende que toda dificuldade que tem de entender a aplicar a Bíblia, não provém de erro da Palavra, mas sim de seu coração enganoso e perverso.

Conforme pontuamos nos estudos anteriores, há uma claríssima (ou deveria haver) diferença entre o ser masculino e o feminino. Sendo isto verdade no tocante à família, sociedade e igreja, é mister a compreensão de que também haja uma distinção no portar-se de cada sexo. Na verdade, a própria natureza (criada por Deus) nos ensina esta distinção, como a diferença de altura entre homem e mulher (geralmente os homens são mais altos), o tom da voz, pêlos no corpo, força, memória, capacidade de fazer mais coisas de uma só vez... cada qual possuindo as atribuições que o Senhor conferiu. Estas diferenças devem sempre ser relembradas, pois uma vez que nosso Deus é ordeiro e age com solenidade em tudo o que faz (vide desde a criação, a distinção das plantas, dos animais, dos corpos celestes...), igualmente Ele nos legou Sua revelação (a Bíblia) para que por ela fossemos regulados e instruídos em nosso viver.

Entendendo o que queremos dizer com a palavra "modéstia"

De pronto já deixemos estabelecido que modéstia não significa se vestir de forma feia e alheia a este mundo, mas sim implica em um viver não luxuoso, não sensual, não provocador. O viver do homem e da mulher do Senhor deve ser simples, honroso, discreto e santo (como veremos no restante do estudo). Todavia, este tipo de abordagem tem gerado toda sorte de confusão e intriga entre os professos da fé cristã, pois muitíssimos (infelizmente) ainda pensam como o mundo, por nunca terem tido suas mentes verdadeiramente transformadas pelo evangelho - "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2). Assinalemos também e entendamos que modéstia não significa se vestir como nos séculos passados; porém, igualmente não se traduz em dizer que ignoraremos a prudência que muitas daquelas roupas representavam.

Nosso Senhor Jesus já deixou o salutar e precioso alerta sobre o grande pecado em que incorrem aqueles que levam outros a tropeçarem por suas doutrinas, atos, e, por que não, modos de se vestirem: "Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida coxo, ou aleijado, do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno. E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno" (Mt 18.6-9). Basta ler os versículos anteriores e se perceberá que os pequeninos são os cristãos. Cristo enfatiza que sempre haverão pessoas sendo pedra de tropeço - "porque é mister que venham escândalos". Contudo, "ai daquele homem por quem o escândalo vem!" Para a Santa palavra de Deus, levar um irmão ou irmã a pecar é algo digno de morte - "melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar". Duras palavras, meus amados! Isto, por si só, dever-nos-ia causar extremo espanto e desconforto em nossos corações, levando cada um a perscrutar se já se tornou ou se fez conscientemente pedra de tropeço por seu modo de andar, falar e vestir - homens com camisetas muito colocadas ao corpo, usando "regatas" apenas para aparecer às garotas e se orgulharem diante dos outros homens, short's muito curtos, calças caindo ou muito apertadas, andando sem camiseta em lugares públicos... mulheres com seus decotes na frente e atrás, calças justíssimas e que colam ao corpo, vestidos e saias curtas, short's minúsculos, penteados chamativos e toda sorte de ouro, joia e bijuteria que brilha. Todas estas coisas, embora a grandiosa maioria não saiba, são contra as Escrituras e afrontam a santidade de Deus.

Iniciemos, pois, a verificar de onde se extrai os subsídios (bases) para se afirmar o que dissemos acima.

A Queda e a vestimenta dada pelo Senhor

Observemos o primeiro ato após a queda: "Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram [costuraram] folhas de figueira, e fizeram para si aventais" (Gn 3.7). Por certo que nenhum de nós pode conhecer com exatidão a forma, tamanho e formato do avental feito pelos primeiros pais, entretanto, a palavra hebraica para "aventais" é "Chagowr" (rwgx) e significa "cinto, lombo de cobertura, tanga, armadura". [1] Que tipo de roupa era esta fica mais evidente quando contrastamos com a fornecida pelo Senhor: "E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu" (Gn 3.21). A palavra "túnicas" em hebraico é "Kethoneth" (tntk) e significa "túnica, uma longa veste'. [2] Notemos, então, que há uma grande diferença entre uma "tanga" e uma "longa veste".

Há duas funções principais de uma longa veste: esconder a pele e não revelar a forma do corpo. Isto é evidente até mesmo em nossos dias, pois basta olhar para uma mulher de vestido longo e não justo, que se percebe que aquela vestimenta não marca as "curvas" do corpo como outras roupas. Olhando para tal pessoa, não conseguimos saber qual o grossura de suas pernas, por exemplo - esta é a função da longa veste. Este é um ponto importante para se compreender a modéstia, pois a vestimenta, para a Bíblia, se tornou sinônimo de cobrir a vergonha e não de beleza (ainda que a roupa não seja inerentemente má, pois como visto em vários lugares das Escrituras, a roupa é também usada para distinguir, por exemplo, um rei de um súdito)! Após a queda os homens não se cobrem mais para serem bonitos ou chamarem a atenção, mas sim para esconderem sua nudez! Ora, não é isto que fazemos ao sair de casa? Qual é a razão para que não andemos nus por nossas cidades? Certo estou de que é por reconhecermos que a nudez é má e contrária à civilidade e ao Senhor. Certamente que isto não significa que devemos nos vestir da pior maneira que conseguirmos (para mostrarmos que somos modestos), mas sim que devemos entender o porquê de haverem vestes: para esconder a nudez. O Senhor Deus não foi um costureiro ou doador de roupas, mas sendo o Soberano e regente de toda a criação, então algo Ele estava a comunicar por meio da túnica.

Neste ponto, os opositores da modéstia irão afirmar que esta descrição bíblica da túnica, ou não tem coisa alguma para nos comunicar, ou que era parte da cultura, ou zombarão e dirão que se deve, então, voltar a usar túnicas tais quais as usadas pelos primeiros pais, a saber, "túnicas de peles". Contudo, se refuta facilmente estas objeções, pois se a narrativa bíblica não contém algo para nos ensinar neste aspecto, por que teria em algum outro qualquer? O que define, então, o que é proveitoso e não é? Quanto à cultura ser outra, que se relembre que a narrativa se passa no belo e glorioso jardim, portanto, se assim podemos dizer, em um lugar "neutro", pois Adão e Eva ainda não haviam sido expulsos do Éden. Quanto a se ter de utilizar túnicas feitas literalmente de animais, que se recorde que a Bíblia não se encerra nesta narrativa, fazendo que com que absolutamente qualquer pessoa racional consiga ler o restante das Escrituras e perceba que há muitos outros tipos de tecidos e panos de cobertura que se usavam (cf. Êx 39.27; Lv 16.4; Dt 22.11; Pv 31.22).

Antes de avançarmos às demais explicações, que a Palavra de Deus, "mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hb 4.12), possa ser nosso guia por meio do Espírito Santo e fale aos nossos corações sobre quantas foram as vezes que no passado ou presente usamos roupas que não condizem com este pequeno apontamento que fizemos: roupas longas, que não marcam o corpo e escondem a forma dele. Que olhemos para a roupa natural que o homem perverso deseja fazer e usar (curta e apertada como o avental de folhas) e a comparemos com a túnica feita pelo Senhor (longa e não apertada). O motivo de muitas fornicações e adultérios é certamente o coração vil e pecador, porém muitíssimas são as roupas (de ambos os sexos) de hoje que são como que forjadas diretamente nas fábricas diabólicas e demoníacas de Satanás. Homens têm ido à igreja (e ido a todos os lugares) com roupas que tem apenas um objetivo: chamar a atenção - ou para à grife ou para seus próprios corpos. Mulheres têm se vestido como nunca se imaginou em toda a história humana e jamais foi sequer pensado por uma filha do Senhor nos tempos passados.

Infelizmente, os seres humanos se esquecerem de que o pecado corrompeu até mesmo as vestimentas e a prudência ao usá-las. Muitos professos da fé cristã se esqueceram dos ditos de Paulo: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus" (1Co 10.31-32). A Palavra é certeira ao dizer que todas as coisas devem ser feitas para a glória de Deus - e isto inclui a modéstia cristã. A visão de João nos revela: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas" (Ap 3.18).

Quem, ó irmãos, iria desejar não seguir este conselho? Quem de nós gostaria de perecer nas profundezas do inferno por causa de termos nossas vergonhas e nudez à vista de todos?! "E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram" (Ap 6.11). O que aí está escrito? "E foram dadas vestes curtas, calções curtos, vestidos e mini-saiais"? Mas é claro que não! Foram dadas "compridas vestes", tipificando assim a completa justiça de que seríamos revestidos e tais seriam "brancas", demonstrando a santidade (o que enfatizamos é a alusão às compridas vestes, igualmente como nossos primeiros pais receberam). Não bastasse isto já ser suficiente, ainda lemos: "Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas" (Ap 16.15). Certamente que ninguém será condenado pela mera vestimenta, todavia, as Escrituras afirmam que o nosso exterior reflete o interior e por isto a condenação não tem como fato fundante a roupa, mas sim o coração.

Isto tudo, de modo algum poderia ser chamado de legalismo, pois Paulo nos diz: "Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade" (2Co 3.17). De qual liberdade Paulo está falando? Basta ver os dois versículos anteriores: "E até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Mas, quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará" (2Co 3.15-16). O apóstolo está dizendo que por causa do "véu" que cobre os corações endurecidos (o pecado), os homens não conseguem enxergar ao Senhor, todavia, "quando se converterem ao Senhor, então o véu se tirará". Em outras palavras, quando são convertidos, então passam a compreender as coisas celestiais, o mistério de Cristo lhes é revelado (Ef 1.9), e, então, possuem liberdade para ir até Ele! O texto nada está falando sobre a liberdade para os cristãos fazerem o que bem entenderem, mas sim dizendo que anteriormente eram escravos do pecado e por isto não conseguiam ir até Cristo; entretanto, uma vez que o véu que lhes impedia de ver o Senhor foi retirado de seus corações, agora podem livremente ter acesso ao Senhor. A liberdade que Paulo fala é que os cristãos agora podem obedecer ao Senhor, pois já não são mais escravos da velha vida: "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2Co 5.17).

"Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor" (Ef 5.15-17).

Nota:
[2] Fonte: http://www.biblestudytools.com/lexicons/hebrew/kjv/showq.html - acessado dia 10.07.2012.

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