"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Efésios 2.3 - Uma Vida de Trevas Sob o Pecado - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 26.08.2012



Efésios 2.3 - Uma Vida de Trevas Sob o Pecado
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 26.08.2012

"Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também" (Ef 2.3).

Na sentença anterior o apóstolo do Senhor escreveu e deixou delimitado que de fato houve um tempo em que os crentes de Éfeso (e, na verdade, também todos nós) andaram "segundo o curso deste mundo", realizando e tendo seus pensamentos inclinados somente para as obras das trevas e que são "segundo o príncipe das potestades do ar". Este príncipe, segundo as Escrituras, não está somente naqueles que frequentemente afirmam que fizeram um "pacto com o Diabo", mas sim em todos os "filhos da desobediência". Isto nos ensinou uma grande de verdade que é de que aqueles que estão afastados do Senhor, por natureza já são controlados pelo inimigo e tão somente desobedecem ao Senhor. Na verdade, tudo o que não regenerado faz é pecado, "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8.7).

Aqui, se faz necessário ressalvar que ainda que tal multidão seja controlada pelo pecado e se dedique exclusivamente às obras infrutíferas das trevas (Ef 5.11), ela está sob a soberania plena de Deus, pois assim como o Senhor amou a Jacó e odiou a Esaú (Rm 9.13), de igual modo, por alguma razão que não teve o Eterno por bem nos revelar, Ele mantém muitos homens em seus pecados para que a Sua glória seja manifesta - "Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer" (Rm 9.17-18). 

Surge-nos, desta maneira, a dúvida sobre os porquês de o Senhor deixar muitos homens em trevas constantes e por quais motivos Ele não os resgata para Seu reino e os torna Seus verdadeiros filhos. 

Antes de iniciarmos a verificação - pela graça de Deus -, precisamos ter em mente o dito apostólico: "Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Rm 9.20-21). Estas palavras que o Senhor teve por bem registrar a nós devem estar gravadas em nossos corações. Todas as inúmeras vezes em que intentarmos discutir com o Criador e desejarmos entender certos fatos incompreensíveis, que levemos tais palavras em nossas mentes e lembremos: "és pó e em pó te tornarás" (Gn 3.19). Nossas mentes finitas não conseguem alcançar a infinitude que é o Senhor - e esta é a razão pela qual precisamos nos achegar ao texto bíblico com grande contrição e pedir para que o Senhor nos agracie com Seu entendimento.

1. O porquê de o Senhor deixar os homens nas trevas

A primeira resolução que o apóstolo escreve é que "Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne". É preciso atentar para estas palavras a fim de perceber que quando o homem anda em trevas e segue os desejos da carne, ele nada mais realiza do que os desejos de seu próprio coração. Como lido anteriormente, Faraó havia sido levantado para oprimir o povo de Israel; entretanto, o fim último da vida daquele tirano era para que "o meu nome seja anunciado em toda a terra". Quando a prostituta Raabe acolheu os homens israelitas que foram espiar Jericó, ela mesmo testemunhou desta verdade, dizendo: "Bem sei que o SENHOR vos deu esta terra e que o pavor de vós caiu sobre nós, e que todos os moradores da terra estão desfalecidos diante de vós. Porque temos ouvido que o SENHOR secou as águas do Mar Vermelho diante de vós, quando saíeis do Egito, e o que fizestes aos dois reis dos amorreus, a Siom e a Ogue, que estavam além do Jordão, os quais destruístes" (Js 2.9-10).

Assim como Faraó foi levantado naqueles tempos, muitos depois dele se levantaram contra o Senhor e Seu ungido (Salmo 2) com o intuito de destruírem o povo de Israel. Ademais, mesmo após a era apostólica muitíssimos foram os homens e mulheres que se insurgiram com a finalidade de erradicar o cristianismo por sobre a terra. Acontece, contudo, que tais vis e perversos seres, na verdade foram levantados à mesma semelhança de Faraó para tornar o Nome do Senhor conhecido entre os tempos, pois mesmo que muitos crentes tenham morrido em decorrência de atrocidades, já disse alguém que "O sangue dos mártires é a semente da igreja". [1

Desta forma é que se precisa entender a função dos não regenerados neste mundo: alguns ainda estão nestas condições para que a graça de Deus se manifeste e sejam salvos pela mão soberana; outros, entretanto, são criados para sucumbirem ao peso de seus próprios pecados e servem para glorificar ao Senhor e tornar o Seu nome conhecido, pois mesmo que vivam para o pecado, demonstram aos filhos do Senhor de que se não fora a graça e misericórdia do Altíssimo, ninguém se salvaria. Afinal, ao olhar para o ímpio, o que o cristão pode fazer, exceto pensar: "Em que sou diferente por natureza? Em que grau sou mais elevado? Há algo que me diferencie desta pessoa? Senhor, grato sou por Tua misericórdia e graça!"

Esta, então, é a razão do porque Ele ordena que muitos homens continuem em trevas: para que o Seu poder, glória, graça, misericórdia e bênçãos sem par brilhem sobre Seus filhos, os levem a O adorarem e reconhecerem que somente o Senhor é quem pode os libertar, pois em nada diferem por natureza do mundo caído, exceto que possuem o Espírito Santo e este os leva a um novo curso de vida - não mais sob a carne como os demais, mas sob o Espírito de adoção em Cristo Jesus (Ef 1.5).

2. O porquê do Senhor não resgatar tais homens

Neste ponto o pseudo-cristão concluirá que os homens são deixados em seus próprios pecados porque não se utilizaram do suposto livre-arbítrio que o Senhor concedeu a cada homem. Mas como já notamos vezes a fio, a natureza do homem é má, pecadora e em constante rebeldia para com a santidade de Deus - o que nos leva a compressão de que se o homem é livre, então ele o é somente para uma direção: o pecado e consequentemente o inferno. Se há uma direção em que o homem segue com grande facilidade e nem mesmo precisa ser impelido para isso é a desgraça, ruína e rebeldia contra a Lei de Deus.

Isto é o que Paulo diz quando afirma: "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos". O fato de Deus não resgatar a muitos não O torna injusto, pois tais homens de fato desejam fazer a vontade da carne (o pecado) e os pensamentos malignos que continuamente perpassam suas mentes (Gn 6.5). Paulo já registrou a pergunta retórica (isto é, a pergunta que não tem a finalidade de ser respondida, pois a resposta é óbvia) e que responde a muitas indagamentos: "Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?" (Rm 9.21).

Alguém poderia objetar dizendo que Deus, se assim é, criou pessoas que Ele não ama e precisa as suportar nesta terra e ver seus pecados continuamente serem feitos contra Ele mesmo. Para tais o mesmo apóstolo responde: "E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Romanos 9.22-24). O fato do Senhor preparar alguns "para a perdição" não o torna injusto, como já dissemos. Na verdade, a injustiça está em Ele escolher alguns para a salvação! Isto sim é completamente injusto! Por que alguns e não todos? Por que os israelitas segundo a promessa e não todo o Israel? Por que em algum tempo apenas os israelitas e não os egípcios? Por que somente os judeus e não os gentios? 

A verdade, amados irmãos, é que a Palavra do Senhor intenta nos ensinar de que a salvação é somente pela graça do Senhor. Embora este seja um brado evangélico comum, muitos são os que subjetivamente pensam que contribuíram em alguma medida para a sua salvação e santificação. Note os termos que usam quando se referem à suas vidas e a dos demais não crentes. Frequentemente tais indivíduos dizem que "porque eu leio a Bíblia; porque eu oro; porque eu jejuo; porque eu vou à igreja; porque eu sigo ao Senhor; porque eu luto contra o pecado; porque eu, porque eu, porque eu..." Enquanto estes estão declamando seus supostos feitos benéficos e que "ajudaram" em suas salvações, o Senhor se aproxima e simplesmente declara: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13).

Somente é o Senhor que opera em nós "o querer como o efetuar". O que este magnífico texto nos ensina é que quando oramos, assim o fazemos porque o Senhor nos move; quando lemos as Escrituras, assim o fazemos porque o Senhor nos move; quando lutamos contra o pecado, assim o fazemos porque o Senhor nos move; quando buscamos a santificação de nossas vidas, assim o fazemos porque o Senhor nos move; quando proclamamos as boas novas do evangelho, assim  fazemos porque o Senhor nove. Aquele que ainda não conheceu a verdadeira graça do Senhor pode, então, estar pensando: "Mas se assim é, o meu pecado está na conta de Deus, pois se quando faço é Ele quem me move, quando não faço apenas realizo o que Ele ordenou". Para tais o apóstolo responde: "Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?" (Rm 9.19-20).

Nossa atitude não deve ser de averiguar o como e o porquê do Senhor ter por bem em Sua soberania que caíssemos em inúmeros pecados (assim como em Sua excelsa sabedoria aprouve que Adão e Eva pecassem), mas sim de lamentar nossas misérias como fez Davi: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares" (Sl 51.1-4).

3. O porquê do Senhor não tornar todos os homens em Seus filhos

Tendo exposto as razões pelas quais o Senhor deixa muitíssimos sob as trevas do pecado e tem por bem não os resgatar do estado de perdição em que se encontram, entendamos o motivo para que isso aconteça. Noutras palavras, busquemos compreender qual é a situação do homem natural diante do Eterno: "e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também".

No versículo anterior Paulo entregou a razão desta afirmação - "Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo" (Ef 2.2). Como já temos visto, houve um tempo em que os gentios eram completamente afastados do Senhor e por isso mesmo seguiam "o curso deste mundo". É deste ponto que Paulo parte para ensinar os crentes de Éfeso e lhes dizer que enquanto os homens seguem o curso natural de suas vidas eles são "filhos da ira". Notemos a diferença entre seguir o curso deste mundo e o modo pelo qual os cristãos são guiados: "O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito" (Jo 3.8). Enquanto o homem dominado pelo pecado segue tão somente suas concupiscências e desejos inflamados pelo maligno, o cristão verdadeiro é guiado pelo Espírito do Senhor, de modo que não segue seus próprios caminhos, e sim é guiado para onde Deus "quer" e conforme bem Lhe apraz.

Este também é um dos motivos para Paulo ter escrito que é em Cristo "Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça" (Ef 1.7), pois em harmonia completa com Hebreus que diz: "E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão. De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios melhores do que estes. Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus" (Hb 9.22-24), era necessário que alguém morresse pelos filhos do Senhor - este foi o Filho do Deus, "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1Pe 3.18).

Por fim, é mister reconhecermos a bênção que o apóstolo descreve aos irmãos de Éfeso. Após discorrer sobre toda miséria, perdição do homem e soberania de Deus, ele diz: "éramos por natureza filhos da ira". Isto nos ensina uma grande verdade que é o fato de os cristãos genuínos - aqueles verdadeiramente transformados pelo Senhor - não estarem mais sob a ira de Deus. Sim! Os crentes podem se regozijar porque o Senhor não está mais irado com eles! A ira do Senhor foi despejada sobre o justo, sobre o Filho do Deus vivo e que não merecia tal condenação - e se não formos jubilosos por este feito, certamente ainda estamos em trevas e em completa ruína.

E ainda mais, lemos de que quando Senhor pune os nossos pecados, nossas punições são para a salvação e santificação - ao passo que a dos ímpios é para sua condenação: "Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos... E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela" (Hb 12.6-8, 11).

Que possa o Senhor continuamente abrir os olhos de nosso entendimento (Ef 1.18) e nos fazer temer diante da situação dos ímpios e com mais sublime humildade que um homem regenerado por ter clamarmos pelas misericórdias diárias do Senhor (Lm 3.22-23). Que seja o Artífice bondoso para conosco e nos leve a proclamar aos homens que sem Cristo todos estão fadados ao pecado e suas ruínas já são certas, "porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15.5)

Nota:
[1] Frase atribuída a Tertuliano - séc. II.

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