"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

10 Maneiras de se fazer Sexo para a Glória de Deus


"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31)

1.  Tendo cada um sua própria esposa ou esposo - "Mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido" (1Co 7.2);

2. Considerando o cônjuge como parte de seu próprio corpo - "Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo" (Ef 5.28);

3. Pensando na beleza e graça do cônjuge, e não de um terceiro - "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai" (Fp 4.8);

4. Estimando o cônjuge acima de todos os relacionamentos - "Formosa és, meu amor, como Tirza, aprazível como Jerusalém" (Ct 6.4);

5. Concedendo a devida benevolência com amor e compaixão - "O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher ao marido" (1Co 7.3);

6. Louvando a Deus pela eficiência do corpo humano - "E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gn 1.27);

7. Reconhecendo que não se é digno de tamanho deleite - "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7.24);

8. Aceitando a eventual fraqueza e debilidade do cônjuge - "Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também" (Cl 3.13);

9. Mais do que carícias, buscar um coração unido - "Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" (Gn 2.24);

10. Agradecendo ao Senhor pelo precioso momento - "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco" (1Ts 5.18).

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Efésios 2.8 (parte 4) - É Dom de Deus - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 28.10.2012




Efésios 2.8 (parte 4) - É Dom de Deus
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 28.10.2012

Esta pregação foi gravada em vídeo - para assistir, clique no link abaixo:
http://twitcam.livestream.com/ck8u1

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8 - ênfase minha).

Enquanto escrevo estas palavras, ouço um som de piano vindo pela janela - não sei quem é seu autor, o nome da música e se fato é realmente de um piano. Todavia, uma coisa sei: ouço algo gracioso e cujo dom para tocar, não possuo.

Amados irmãos, se consideramos o tocar de teclas, um dom e extrema habilidade, quanto mais deve nos encher os olhos de alegria, a visualização do dom vindo dos céus! A fé, nos diz a santa e inerrante Palavra, "é dom de Deus"! Diferentemente das teclas que produzem inúmeras melodias, notas harmônicas agradáveis, mas que para serem ouvidas, devem ser pressionadas cuidadosamente e adequadamente por algum homem ou mulher devidamente habilitado, na vida cristã, é o Senhor quem toca em nossos corações e faz ressoar a bela melodia da salvação! Este lindo soar, não possui apenas 88 teclas, mas todo o conselho de Deus que nos leva ao conhecimento de Sua verdade e glorificação (2Tm 3.16-17; 2Co 10.31)! Esta melodia, portanto, uma vez que não é vinda de nós, soará para todo o sempre!

No próximo versículo o apóstolo explicará qual a razão pela qual a fé é um dom de Deus - "para que ninguém se glorie" -, entretanto, neste ponto em que estamos na exposição, importa que verifiquemos de que natureza é este de dom, qual sua função e qual o desdobramento que ele possui na vida de todos os cristãos.

1. A natureza do dom.

Deve ser fixado em nossas vidas que este dom é irrevogável, insondável, impoluto, sublime, inalienável, majestoso e, portanto, imutável. Este dom não provém do homem, "para que ninguém se glorie", mas "de Deus", o Altíssimo ser que faz todos tremer (Sl 47.2).

Por este dom ser irrevogável, se depreende que sob hipótese alguma, o cristão verdadeiro poderá perdê-lo. É verdade que muitos em nossos dias se põem a proclamar um falso evangelho, a saber, um evangelho que não é capaz de levar os homens à completa perseverança, de modo que os que isto pregam e espalham esta semente maligna, são como as aves que buscavam retirar o sacrifício de Abraão (Gn 15.11) e incorrem contra à sã doutrina que diz: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6). Tais perversos, devem ouvir o brado do apóstolo: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gl 1.8). Assim, este dom não pode, sob qualquer circunstância, ser perdido, pois sendo Deus quem opera "tanto o querer como o efetuar" (Fp 2.13), nada poderá arrebatar este dom gracioso, pois se isto fosse possível, a soberania de Deus seria anulada; afinal, um deus que intenta salvar e concede o dom para tal finalidade, mas é incapaz de levar adiante o seu querer, nada mais é do que um capacho e certamente se assemelha ao vil pecador.

Por insondável, queremos dizer que este dom é melhor vivido e experimentado, do que entendido. É plenamente verdade que as Escrituras nos ensinam sobre esta fé salvífica, porém, uma vez que o pecado ainda habita - mesmo que fortemente enfraquecido pelo Espírito, no presente tempo - em nossas vidas, temos uma debilidade tal para compreender e sondar a divindade, que somos graciosamente forçados a nos dobrar diante do Criador e reconhecermos como João Batista: "não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas" (Mc 1.7; Lc 3.16). Se o próprio João, enviado para preparar o caminho do Senhor (Mc 1.2), sabia não ser digno de realizar uma mera atividade cotidiana as pés do Cristo, por certo, desta maneira, igualmente não devemos ir além e buscar compreender os porquês deste dom ser distribuído a uns e não a outros, por exemplo. Tenhamos nossas mentes fixas nas palavras ditas ao apóstolo: "A minha graça te basta" (2Co 12.9).

Ao afirmarmos que este dom também é impoluto, afirmamos isto com base na declaração de que, uma vez que Deus "é espírito, em si e por si infinito em seu ser, glória, bem-aventurança e perfeição; todo - suficiente, eterno, imutável, insondável, onipresente, infinito em poder, sabedoria, santidade, justiça, misericórdia e clemência, longânimo e cheio de bondade e verdade", conforme poderosamente afirmaram os teólogos de Westminster (pergunta 7 do Catecismo Maior), então não devemos esperar que este dom - que é a fé - seja manchado ou vindo com algum defeito oculto. Este dom emana do próprio de Deus e, desta forma, nada mais pode ser, exceto a expressão e extensão da pureza do Senhor - ainda que imputadas a nós, vis pecadores.

Por sublime, queremos ecoar as palavras do salmista: "Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar" (Sl 40.5). Esta fé vinda de Deus como um dom, é muitíssimo superior ao que poderíamos imaginar. Ainda que comparássemos as formigas às gigantes sequóias da Carolina (U.S.A) ou fizéssemos menção dum copo de água em relação à abundância de milhões de miríades de copos d'água que são formados um oceano, ainda assim nossa ilustração fracassaria, pois o dom de Deus é mais do que se "podem contar".

É também inalienável, pois é dada graciosamente e somente aos filhos de Deus: "E naquele dia eu separarei a terra de Gósen, em que meu povo habita, que nela não haja enxames de moscas, para que saibas que eu sou o SENHOR no meio desta terra. E porei separação entre o meu povo e o teu povo; amanhã se fará este sinal" (Êx 8.22-23). Este dom não pode ser transferido a outrem; não pode ser emprestado; não pode ser comercializado; não poder se exposto para admiração, pois é interior; não suporta a troca ou beneficiamento. A palavra de Deus nos diz que os filhos do Senhor, são separados, isto é,  fixados amorosamente ao Seu querer - "porei separação entre o meu povo e o teu povo".

Este dom necessariamente precisa ser majestoso. Aqui, invocamos o ser do Senhor: "Grandioso és, ó SENHOR Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos" (2Sm 7.22). Com não pouca ênfase, são as palavras do salmista: "Bendize, ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR Deus meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade" (Sl 104.1). A majestade do dom, não é devida ao receptáculo do mesmo (os homens), mas sim ao doador misericordioso, que mesmo sendo nós, por natureza, filhos da ira (Ef 2.3), "pelo seu muito amor com que nos amou... nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Ef 2.4, 6)

É igualmente imutável, porque é vindo de Deus. "Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?" (Nm 23.19; Tt 1.2). Moisés, ao registrar tais preciosas palavras, foi cirúrgico em afirmar que Deus não é sequer semelhante ao homem. "Deus não é homem, para que minta", nos diz a Escritura divina. Ele não mente, não revoga suas bênçãos, "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia" (2Pe 3.9). Um dom vindo dos céus, não pode ser extinto, pois veio pela vontade una e soberana de Deus, de modo que se pudesse ser recolhida aos céus, como foi o grande vaso com os animais (At 10.11), então ter-se-ia um falso deus, alguém que se arrepende - levando o Senhor a ser homem falho e destituído de qualquer soberania.

2. Qual a função do dom.

Nos é necessário avaliar, agora, a intenção ou, talvez, melhor afirmando, suas funções em nossas vidas. Poderíamos dizer que as funções do dom são basicamente seis: firmar, iluminar, proteger, revigorar, consolar e perseverar.

Firmar. Este dom de Deus não somente possui as características da natureza que acima aventamos, mas igualmente nos firma ao Salvador. A fé não é simplesmente concedida e deixada ao encargo dos homens. A fé é operada por Deus no homem e é eficaz para completar a obra que Ele começou. Destarte, quando o maligno envia seus agentes, este dom de Deus é plenamente eficaz para nos estabelecer sobre a rocha que é Cristo. São inúmeros os testemunhos bíblicos que poderíamos citar e que nos ensinam esta preciosa verdade: "Vive o SENHOR, e bendito seja o meu rochedo; e exaltado seja Deus, a rocha da minha salvação" (2Sm 22.47); "O SENHOR vive; e bendito seja o meu rochedo, e exaltado seja o Deus da minha salvação" (Sl 18.46); "Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!" (Sl 19.14); "Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei grandemente abalado" (Sl 62.2); "Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha" (Mt 7.24)...

Iluminar. A fé, aliada ao poder das Escrituras, é certamente uma poderosa e indispensável ferramenta que o crente deve ter consigo: "Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho" (Sl 119.105). Nos diz o apóstolo noutro lugar que "andamos por fé, e não por vista" (2Co 5.7). Todavia, se nossa fé não pudesse iluminar as sombras de nosso coração pecador e nos levar ao caminho de Deus, através de Seu Espírito, de pouquíssima valia nos teria. Esta fé, portanto, é dom de Deus e ilumina o mais terrível dos pecadores: "E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam" (Jo 1.5). Onde esta fé é viva, certamente o cristão não vive mais na prática deliberada do pecado. "O povo, que estava assentado em trevas, Viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou" (Mt 4.16).

Proteger. O dom do Senhor não intenta nos levar avante na batalha sem nos prover alguma boa e eficaz defesa. Esta fé vinda e maravilhosamente concedida pelo Eterno, também nos protege e livra-nos do perverso: "Tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno" (Ef 6.16). As graças concedidas por Deus visam cuidar e proteger os Seus eleitos - assim lemos: "Eis que eu envio um anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho, e te leve ao lugar que te tenho preparado" (Êx 23.20). Tal aquele santo anjo, a fé dada pelo Senhor nos guarda "pelo caminho" e nos leva ao lugar "preparado"; a saber, as moradas do Altíssimo (Jo 14.2). "Vós, os que temeis ao SENHOR, confiai no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo" (Sl 115.11).

Revigorar. A fé em Cristo e em Seu ser, é capaz de animar o coração mais desfalecido e à beira da tristeza mortal: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário" (Sl 51.12). Tendo cometido abominação diante do Senhor, ao ter pecado com Bate-Seba, além de planejar a morte de seu marido, Davi se fixa no Senhor e clama por novo vigor, no intuito de que possa continuar a batalhar e viver diante d'Ele. Não diferente, lemos Asafe dizer: "Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos" (Sl 73.2). Por que o homem descrito pelo salmista  (se é que não era  o próprio, quem passara por tal situação) não veio a perder as esperanças e esmorecer diante do enriquecimento dos ímpios? Porque "Verdadeiramente bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração" (Sl 73.1). Se Ele é bom, então esta fé, que é um dom, é igualmente boa para revigorar, conforme lemos: "O SENHOR sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos" (Sl 145.14).

Consolar. Além de trazer novo vigor ao cansado e ferido, este dom de Deus acalenta a alma e a conforta. "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus" (2Co 1.3-4). Observemos que este consolar possui ação dupla: sermos consolado por Deus, para que "possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação". Porque este dom é vindo de Deus e n'Ele reside todo pleno e suficiente consolo, então somos levados, ainda que atribulados, a uma vida nos braços seguros do Rei. "Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, SENHOR, me fazes habitar em segurança" (Sl 4.8).

Perseverar. Seria em vão recebermos um dom que não trouxesse perseverança em meio às provações da vida e na luta contra o pecado. O povo do Senhor sempre soube que Ele haveria de os guiar perseverantemente: "O SENHOR edifica a Jerusalém, congrega os dispersos de Israel. Sara os quebrantados de coração, e lhes ata as suas feridas" (Sl 147.2-3). A perseverança é a tal ponto essencial para a vida cristã, que Paulo se mostrou plenamente convicto, como já demonstramos anteriormente: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6). Este dom, por ser advindo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tg 1.17), é absolutamente capaz de levar os Seus filhos à reta e firme perseverança por meio da fé.

3. Do desdobramento do dom.

Os desdobramentos deste dom de Deus são, em resumo, quatro: alegria, santidade, justiça e bondade.

Alegria. Alguém afirmar que possui a fé salvadora, mas não ser jubiloso em relação à ela, certamente é forte indício de que possui algum defeito e precisa retornar às bases da fé cristã, a fim de entender que o cristão, apesar de seus pecados e mazelas da vida, é alguém alegre no e pelo Senhor. "Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do SENHOR" (Sl 122.1). A fé em Deus fazia com que o salmista tivesse alegria ao ir até Jerusalém e adentrar os portões da santa cidade. Esta alegria não era advinda da cidade por si mesma, mas do que ela representava ao povo de Israel: a presença do Senhor. No mesmo tom, pronuncia o apóstolo João ao irmão Gaio: "Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade" (3Jo 1.3). O júbilo, então, é algo comum ao dom, motivo este que justifica, portanto, a alegria que o crente possui; porque uma vez sendo preenchido com o dom do Senhor, nada mais pode fazer, exceto se alegrar pelo reino de Deus.

Santidade. "Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação" (1Ts 4.7). O apóstolo não titubeia ante a esta importante questão. O cristão é alguém divinamente chamado pelo Senhor e eficazmente separado (pois é isto que santidade significa) para o serviço ao Senhor. Assim como os sacerdotes e levitas do Antigo Testamento eram separados do povo para servirem à casa do Senhor (1Cr 23.32; 2Cr 31.4), também hoje, todos os crentes são chamados à separação do mundo. Não foi, então, inutilmente que nos foi registrado: "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14). Todo cristão genuíno, não somente possui as características até aqui listadas, mas igualmente é alguém dedicado a promover a glória de Deus em santidade e em tudo o que faz (1Co 10.31).

Justiça. Diante do Senhor, o profeta Miquéias registra a importância de um viver justo: "Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos?" (Mq 6.11). Salomão também escreve: "Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer" (Pv 11.1). Não diferente, foi o dito do profeta Amós, ao relatar as palavras do Senhor aos que oprimiam o fraco e necessitado: "Ouvi isto, vós que anelais o abatimento do necessitado; e destruís os miseráveis da terra, Dizendo: Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o efa, e aumentando o siclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas, Para comprarmos os pobres por dinheiro, e os necessitados por um par de sapatos, e para vendermos o refugo do trigo" (Am 8.4-6). Um cristão que verdadeiramente é eleito pelo Senhor e possui a fé que é dom de Deus, luta pela justiça, seja ela em que campo de atuação for. Esta justiça, todavia, não é pautada pelos liames da sociologia, mas sim pela Lei e Evangelho de Deus.

Bondade. "Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo" (1Tm 5.8); "Então, enquanto temos oportunidade, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl 6.10). Estes preciosos versículos, expressam um dos grandes marcos da verdadeira fé que é concedida por Deus: ela é atuante em prol do próximo. Uma fé sem obras é morta, nos diz enfaticamente, Tiago. Uma fé que não dispõe o coração a um espírito de servidão, certamente não é uma fé vinda do Senhor, pois Ele mesmo enviou Seu único filho "o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens" (Fp 2.6-7).

Que todas estas verdades que emanam do próprio Deus a todos os Seus eleitos, possam frutificar e serem certas em nossas vidas, "até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Ef 4.13).

sábado, 27 de outubro de 2012

Incompreensível e Imutável é o Amor de Deus



E, por esta razão, Paulo diz que esse amor com que Deus nos abraçou “antes da criação do mundo” [Ef 1.4] fora estabelecido e fundamentado em Cristo. Estas coisas são evidentes e em estrita concordância com a Escritura e harmonizam excelentemente entre si essas passagens onde se diz que nisto Deus manifestou seu amor para conosco: que o Filho Unigênito foi entregue à morte [Jo 3.16], e todavia fora inimigo antes que, pela morte de Cristo, se nos tornasse favorável [Rm 5.10]. Mas, para que estas coisas sejam mais firmes entre aqueles que requerem o testemunho da Igreja antiga, citarei uma passagem de Agostinho, onde isto mesmo se ensina: “Incompreensível”, diz ele, “e imutável é o amor de Deus. Pois ele começou a amar-nos, não desde que fomos reconciliados com ele pelo sangue de seu Filho; pelo contrário, ele nos amou antes da formação do mundo, para que também nós lhe fôssemos filhos juntamente com seu Unigênito, mesmo antes que viéssemos a ser algo. Que, portanto, fomos reconciliados pela morte de Cristo, não se deve entender como se o Filho nos reconciliasse com o Pai para que este começasse a nos amar, porque antes nos odiava; mas foi reconciliado com quem já antes nos amava, ainda que, pelo pecado, nutria inimizade para conosco. O Apóstolo é testemunha de que afirma a verdade: ‘Deus prova seu amor para conosco em que, enquanto éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós’ [Rm 5.8]. Tinha ele, portanto, amor para conosco ainda quando, exercendo inimizades para com ele, praticávamos a iniqüidade. E assim, de modo maravilhoso e divino, ainda quando nos odiava, ele nos amava. Pois ele nos odiava enquanto éramos como ele nos fizera. E porque nossa iniqüidade não havia consumido de todo sua obra em nós, sabia, a um só tempo, em cada um de nós, não só odiava o que fazíamos, mas também amava o que ele havia feito.” É isso o que diz Agostinho.

- João Calvino, Institutas, Livro II, Cap. XVI, 4.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Por que as Aflições são Necessárias?



Está perguntando a razão disto, crente? Olhe para cima, para o seu Pai celestial, e contemple-o puro e santo. Sabe que será um dia semelhante a Ele? Que será completamente conformado à sua imagem? Não demandará muito refino na fornalha da aflição para purificar-se? Não será coisa difícil livrar-se das suas corrupções e fazer-se perfeito, assim como seu Pai que está no céu é perfeito?

Em seguida, cristão, volte seus olhos para baixo. Conhece quais são os inimigos que tem embaixo de seus pés? Você uma vez foi servo de Satanás, e nenhum rei deseja perder seus súditos. Acha que Satanás vai deixá-lo em paz? Não, ele quer estar sempre com você, pois "anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar". Cristão, espere, pois, tormentos quando olhar abaixo de si. Então olhe em derredor. Onde está? Está em um país inimigo, como estrangeiro e hóspede, O mundo não é seu amigo.

Se for, então você não é amigo de Deus, pois aquele que é amigo do mundo é inimigo de Deus. Saiba que encontrará homens inimigos em toda parte. Quando dormir, pense estar descansando sobre o campo de batalha; quando caminhar, suspeite de uma emboscada em cada canto. Como se diz que os mosquitos picam mais os estrangeiros do que os nativos, assim as provações da terra serão mais dolorosas para você. Por fim, olhe para dentro de si, em seu próprio coração, e observe o que há. O pecado e o eu estão ainda ali. Ah! se não tem nenhum demônio para tentá-lo, nenhum inimigo a combater, e o mundo não o ilude, ainda assim achará em você mal suficiente para ser um doloroso tormento, pois "enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto" (Jeremias 17.9).

Espere, pois, aborrecimentos, mas não se desespere por causa disto, pois Deus está com você para ajudá-lo e fortalecê-lo. Ele disse: "Na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei" (Salmo 91.15).

por Charles Haddon Spurgeon

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Juramento Permitido: Necessário, Reverente, Condigno



E assim já não pode ser ambíguo aos juízos sadios que nesta passagem de Mateus referida o Senhor desaprovou somente aqueles juramentos que foram proibidos pela lei. Ora, mesmo Aquele próprio, que na vida exibiu um exemplo da perfeição que ensinava, não se furtou aos juramentos sempre que as circunstâncias os requeriam e os discípulos, que não temos dúvida em tudo obedeceram a seu Mestre, seguiram o mesmo exemplo. Quem ousaria dizer que Paulo haveria de ter jurado, se o juramento fora inteiramente proibido? Com efeito, onde a situação assim exigiu, jura sem qualquer escrúpulo, adicionada até mesmo, às vezes, uma imprecação [Rm 1.9; 2Co 1.23].

Entretanto, a questão ainda não está encerrada, uma vez que alguns julgam que desta proibição se eximem só os juramentos públicos, que são os que prestamos, conferindo- s e exigindo-os um magistrado, os quais os príncipes também costumam usar na ratificação de tratados, ou o povo, quando jura em nome do príncipe, ou o soldado, quando é obrigado por um juramento de serviço militar, e assim por diante. A esta categoria se aplicam também, e com razão, os juramentos que se encontram em Paulo com o fim de afirmar a dignidade do evangelho, visto que os apóstolos, em sua função, não são cidadãos privados, mas ministros públicos de Deus. 

E, naturalmente, não nego que esses são os mais seguros, porquanto se respaldam em testemunhos mais firmes da Escritura. Prescreve-se que o magistrado em matéria dúbia obrigue a testemunha a juramento; esta, por sua vez, a responder com juramento. E o Apóstolo diz [Hb 6.16] que as controvérsias humanas se resolvem com este recurso. Neste mandamento têm ambos, o magistrado e a testemunha, firme aprovação de seu proceder. Ademais, pode-se observar que também entre os pagãos antigos o juramento público e solene foi tido em grande reverência; os juramentos comuns, que faziam indiscriminadamente, foram reputados ou por nada, ou não tão importantes, como se pensassem que neles a majestade de Deus não interveria.

Na verdade, seria assaz perigoso condenar os juramentos particulares que, em coisas necessárias, se empregam sóbria, santa e reverentemente, os quais se apóiam não só na própria razão, mas também em exemplos. Ora, se aos indivíduos é lícito entre si invocar a Deus como Juiz [1Sm 24.12] em coisa grave e séria, muito mais o será como testemunha. Teu irmão te acusará de improbidade. Por um dever de caridade, te esforçarás por te provares ser inocente. Ele não se dará por satisfeito com nenhuma justificativa tua. Se tua reputação vem a descrédito por causa de sua obstinada maldade, sem ofensa apelarás para o julgamento de Deus a fim de que em tempo manifeste ele tua inocência. Se pesados são os termos, invocar por testemunha é menos que invocar como juiz. Não vejo, portanto, por que aqui chamaríamos de ilícita a invocação de Deus por testemunha.

Nem faltam muitos exemplos. Se o juramento de Abraão e Isaque com Abimeleque [Gn 21.24; 26.31] se alega como de caráter público, com certeza, porém, Jacó e Labão eram indivíduos particulares, os quais, no entanto, estabelecem um pacto entre si mediante juramento mútuo [Gn 31.53, 54]. Boaz era cidadão particular, que confirmou da mesma forma o desposório prometido a Rute [3.131. Obadias era cidadão particular, homem justo e temente a Deus, que declara com juramento aquilo de que deseja persuadir a Elias [1Rs 18.10].

Conseqüentemente, não tenho nenhuma regra melhor, senão que assim moderemos nossos juramentos, para que não sejam temerários, nem indiscriminados, nem caprichosos, nem frívolos, mas, ao contrário, sirvam a justa necessidade, onde de fato, ou tenha de vindicar-se a glória do Senhor, ou promover a edificação de um irmão. Pois, para este fim unicamente nos foi dado o mandamento.

por João Calvino (1509-1564)
Fonte: Institutas, Ed. Clássica, Livro II, Cap. VII, 27.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Chuveiro, Uma Morte e a Soberania de Deus


O número de mortes estranhas nos impressiona. Na verdade, por si mesma, a morte já não nos espanta - exceto quando ela pode ser considerada e enquadrada em "morte estranha" ou "morte bizarra". 

Estas mortes podem ocorrer das mais diferentes maneiras. Recentemente, um colega de sala de aula, comentava comigo que seu amigo havia morrido dentro do banheiro - mais precisamente, tomando banho. Intrigado, perguntei-lhe como havia acontecido. Para meu espanto, seu colega havia tido algum problema físico durante o banho e caiu desmaiado em cima do ralo. O chuveiro, então, por continuar ligado, acabou por encher o box e matar o jovem, afogado. 

Diante desse e muitos outros fatos [1], surge-nos a pergunta: sendo Deus soberano, qual o propósito destas mortes? Sim, sabemos que "até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados" (Mt 10.30) e que ninguém pode acrescentar algo à sua vida (Mt 6.27), de modo que nossos dias estão contados e determinados por Senhor - mas, a pergunta é sobre o porquê o Senhor estabelecer que pessoas morram desta maneira.

A resposta, penso ser essa: demonstrar aos homens que até mesmo as coisas e utilidades mais simples desta vida, são capazes de retirar a vida de um ser humano. É mostrar ao homem prepotente sua fraqueza, debilidade e necessidade de Deus. É glorificar a soberania plena do Altíssimo, levando os seres criados à contemplação de sua majestade, onde até um simples banho, que em linhas gerais, não oferece perigo algum, poder acabar se tornando um laço para a morte e perdição.

Nota:
[1] Alguns sites noticiam algumas mortes estranhas, como esses: Colunistas.ig e Interesite

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Efésios 2.8 (parte 3) - E Isto Não Vem de Vós - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 21.10.2012



Efésios 2.8 (parte 3) - E Isto Não Vem de Vós
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 21.10.2012

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8 - ênfase minha).

O apóstolo do Senhor, impelido por seu zelo pela sã doutrina e pelo sincero anseio de que a obra do Senhor fosse a cada dia mais eficaz na vida dos cristãos de Éfeso, escreveu-lhes dizendo que eram salvos mediante a "graça", e esta, operada "por meio da fé". Contudo, Paulo não cessou sua explanação, pois era necessário explicar aos crentes de que tanto a graça como a fé, não partiam de seus próprios corações, mas eram dons de Deus. Neste sentido, alguns argumentam que somente a fé é dom de Deus, de modo que a graça é alcançada devido a alguém possuir fé. Quer dizer, dizem que o Senhor age no homem e lhe confere fé; esta, por sua vez, alcança a graça de Deus e leva à salvação. Este ensino, porém, não merece prosperar, pois se a fé provém da graça e esta é um dom, tudo que se segue desse dom, tem como impulsionador, o próprio dom! A verdade é que a graça é o que faz surgir a leal e perfeita fé.

Falando de outra maneira, assim como o fogo que faz queimar o pavio da vela, produz luz e calor, também a a graça, uma vez ativada pelo Senhor no coração do homem, produz a fé verdadeira e a salvação. Caso alguém queira entender que tanto a fé como a graça sejam dons imediatos e simultâneos de Deus (embora as palavras seguintes estejam no singular, parecendo denotar uma ligação direta com a fé - mas que não muda o conjunto da sã doutrina), isto é, sejam dadas no mesmo momento, aceitamos igualmente e de bom grado como verdade, pois o fim é o mesmo: ambas as coisas "não vem de vós, [são] dom de Deus".

O intuito das Escrituras prescrevem tantas vezes que o que possuíamos não pertence ao nosso ser, e sim à graça de Deus, se deve ao fato de que o coração do homem, por natureza, é por demais vil e pecador. Ainda que um homem vá durante cinquenta anos à igreja e ouça semanalmente a dois ótimos sermões, também, semanalmente, o orgulho entretecido em seu coração lhe forçará e o instigará para que acredite em suas próprias forças e rejeite o senhorio e soberania plena de Deus. Este é uma das razões pelas quais devemos continuamente orar por um coração arrependido (Sl 51) e que clama por mais "alegria da salvação", pois por vezes acabamos por perder momentaneamente tal alegria; não porque ela se foi (embora por vezes pareça nos deixar), mas sim devido a substituímos por nossas vontades, prazeres e deleites mundos - daí sermos exortados: "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito" (1Ts 5.18-19).

É necessário que fique evidente e fixo em nossas mentes que a salvação pertence exclusivamente ao Senhor (Jn 2.9) e que a ninguém Ele deve explicações (Rm 9.20). Por isto ser verdadeiro, perguntou a si mesmo o salmista: "Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?" (Sl 116.12). Nesta seara, então, é que o apóstolo afirma que não possuímos qualquer bem inerente em nós, pois como veremos adiante, "Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.9). Ora, se não vem das obras, então não somos auxiliadores desta salvação - o que explica a razão do profeta ter escrito: "Converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o SENHOR meu Deus" (Jr 31.18).

Vistas estas coisas, é mister que delimitemos as implicações e aplicações que o saber de que a fé não provém de nós, produz na vida de todos os professos da fé cristã e que são verdadeiramente regenerados. Mas, antes de avançarmos neste sentido, desejo expor três fatos que não significam, por si só, serem vindos do Senhor (é verdade que tudo provém de Deus Rm 11.36 - aqui, porém, enfatizo que tais fatos, mesmo tendo sido determinados por Seu inefável conselho, não constituem, por si só, a marca de um cristão genuíno):

1. Milagres

Não devemos culpar aqueles que são ávidos por procurar supostos milagres e curas para suas doenças, porque ainda que não façamos exatamente o mesmo que eles, muitas são as vezes que somente o Espírito de Deus é o que nos impede de cair no desespero em meio à doença e irmos em direção de tais coisas feitas por homens. Neste ponto, o que desejo enfatizar é que mesmo sendo alguém usado para curar ou sendo por este curado, não é garantia alguma de que possui a fé salvadora: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" (Mt 7.22-23).

Milagres não são autenticadores da verdade, não transmitem poder ou salvam a alma. Na verdade, temos boa dose de razão para acreditarmos que muitos dos milagres de nossos dias, não passam de farsas e/ou engodos psicológicos, cujos objetivos são, unicamente, de aliviar as tensões nervosas e conferir uma falsa paz e um errôneo sentimento de cura.

A fim de que ninguém tropece neste erro, lembremos dos encantadores e magos do Egito que puderam também transformar suas varas em serpentes (Êx 7.11); que repetiram o feito de Moisés e Arão, ferindo o rio com a vara e ele se tornou em sangue (Êx 7.22), e que fizeram também as rãs aparecerem (Êx 8.7). Recordemos de que a Lei do Senhor mandava o povo de Israel apedrejar todo aquele que possuísse algum "espírito de necromancia ou espírito de adivinhação" (Lv 20.27), o que nos ensina que tais espíritos eram contrários a Deus. Não esqueçamos do "profeta ou sonhador de sonhos" (Dt 13.1), que mesmo enviando "um sinal ou prodígio" e ainda que "suceder o tal sinal ou prodígio", não eram enviados pelo Senhor para a salvação, mas sim "para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma" (Dt 13.3).

Milagres não autenticam qualquer ministério, pois mais glorioso e pomposo que possa ler à luz dos olhos humanos pecadores.

2. Ler, estudar, citar, pregar e escutar a Palavra de Deus.

O fato de algum pregador conhecer e estudar as Escrituras, não é indicativo de que ele seja verdadeiramente regenerado. Também não é sinal de verdade o simples ir daquele cristão até algum genuíno culto ao Senhor, pois muitos ouvem, mas não entendem (Mt 13.13). Satanás, mui perfeitamente citava as Escrituras para Jesus, todavia, seu desejo era pernicioso e somente ambicionava maldades (Jo 4.1-11). Judas partilhava de parte do ministério de Cristo, andava junto d'Ele e de Seus apóstolos; comia do mesmo pão e bebia do mesmo vinha, mas somos informados de que "Entrou, porém, Satanás em Judas" (Lc 22.3). Não menos importante é o evento do ímpio Balaão: "Então disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que inteiramente os abençoaste. E ele respondeu, e disse: Porventura não terei cuidado de falar o que o SENHOR pôs na minha boca?" (Nm 23.11-12). Para ninguém ousasse crer que Balaão era um filho do Senhor, João registra o que o anjo dissera em Apocalipse: "Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem" (Ap 2.14).

Muitos outros exemplos poderiam ser citados, como os inúmeros falsos profetas do Antigo Testamento; o maligno e perverso rei Saul, que até mesmo chegou a profetizar, gerando o adágio entre o povo: "Está Saul também entre os profetas?" (1Sm 10.12); os juízes e reis que não seguiam ao Senhor; Nadabe e Abiú, que realizaram o serviço do Senhor contrariamente ao estabelecido e ordenado (Nm 26.61); todo o povo judeu que se amontoou ao redor de Cristo; os fariseus e mestre da Lei que estiveram diante do Salvador, mas não o seguiram; do povo que se fartou de comida, mas não O buscou (Jo 6.26); dos dez leprosos que foram tocados e curados, mas que apenas um voltou e deu glórias a Deus (Lc 17.17-18)... Todos estes tiveram contato com as obras, homens e Palavra do Senhor, mas não foram salvos.

Estes e tantos outros registros que temos na Escritura, nos ensinam claramente que estar junto do povo de Deus, não é sinônimo de salvação. Uma família pode perpetuar gerações em alguma igreja história e lá todos morrerem de velhice, mas podem se encontrar, dentro de poucos anos, todos juntos novamente - no inferno. Um pai pode comprar livros cristãos para seus filhos, levá-los para a igreja, juntos participarem do culto público e ansiarem por suas salvações, mas "sendo ouvinte esquecidiço" (Tg 1.25), de nenhum valor terão tais livros e idas até o ajuntamento dos cristãos para suas próprias almas, pois à semelhança de Faraó que viu e ouviu a saraiva castigadora no Egito, não havia verdadeiramente se arrependido (Êx 9.30).

3. Fazer parte de uma família cristã.

De todos os erros, talvez este seja um dos que mais tem destruído os corações e afastado os pecadores do trono da graça. Quantos são os homens e mulheres que nasceram em famílias cristãs, mas nunca se aperceberam de seus pecados, pois criam, à semelhança do povo judeu, que bastava-lhes a circuncisão,  que estavam salvos. Mui diferente, porém, assevera o apóstolo: "Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado" (Rm 11.22).

Paulo escreve aos romanos no intuito de lhes demonstrar a maravilhosa graça do Senhor que havia vindo até eles, de modo que podiam, apesar de seu povo haver cometido a barbárie de ter crucificado a Cristo, serem salvos por Seu poder. Mas, exorta-os para que não agissem levianamente com esta graça, a ponto de pensarem que devido a ela ter ido até eles, poderiam a tratar com desdém e frivolidade. O apóstolo é incisivo ao afirmar para aqueles crentes romanos que, todas as vezes que considerassem a graça de Deus, se lembrassem igualmente do povo judeu, de modo que fossem levados a um temor e tremor diante de Deus, pois ainda que tenha sido verdadeiro o agir do Senhor em meio ao povo judeu, devido à sua obstinação e rebeldia, o evangelho foi levado até os gentios (os não judeus) - resultando na condenação de muitos judeus. Assim, conclama o apóstolo para que louvassem ao Artífice por lhes ter levado o evangelho, mas que jamais se esquecessem da ira de Deus para com aqueles que se desviam da Sua palavra.

Ó! Que magnífica verdade! Que estupenda e incalculável preciosidade! Mas tão, tão esquecida em nossos dias! Famílias inteiras têm colocado suas roupas de domingo e ido até a igreja - não para confissão de pecados e um clamar do Senhor, mas tão somente para cumprirem um ritual, incorrendo no mesmíssimo erro de Saul, aquele incorrigível, que assim ouviu de Samuel: "Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros" (1Sm 15.22).

Estas são três coisas que fazem parte da vida cristã, mas que isoladas de outras verdades, não significam coisa alguma.

Olhemos, então, as aplicações do que significa ter recebido a verdadeira fé que é vinda de Deus.

1. Sendo vinda de Deus, esta fé faz o espírito fraco reviver.

"Então lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava. Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José, que ele lhes falara, e vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito de Jacó seu pai. E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra" (Gn 45.26-28).

Nós conhecemos o que se passou antes desta narrativa: José, filho de Jacó (também chamado Israel), foi vendido por seus irmãos a alguns mercadores midianitas, que por sua vez o venderam a Faraó. No intento de se esquivarem do pecado, os irmãos de José tomaram um cabrito, o mataram e tingiram a túnica de José com marcas de sangue, mandando que fosse levada a seu velho e idoso pai. No Egito, José acha graça diante do Faraó e se torna somente menor que Faraó em poder e autoridade. Com os sonhos interpretados,  se iniciam os sete anos de fartura, seguidos dos sete de escassez. Na falta de suprimento, devido à escassez, Jacó manda que seus filhos vão até o Egito buscar comida, pois havia visto que lá se poderia comprar algum mantimento. José, todavia, a fim de prová-los, pergunta se havia ainda outro filho, forçando-os a voltarem à casa de seu pai e somente retornarem  com o pequeno Benjamim. Por fim, já descrente da esperança de ver seu filho José vivo e ainda ter de suportar a angústia de possivelmente perder também a Benjamim, mas precisando sustentar sua casa, Jacó pesarosamente ordena que todos os seus filhos tornem ao Egito, a fim de adquirirem mais alimento. Para seu estupendo espanto e quase desfalecimento, retornam todos os filhos com vários animais carregados de alimento, causando muitíssima alegria àquele pai já triste e abatido de coração.

Amados irmãos, assim como Jacó recobrou as alegrias quando avistou seus filhos e os animais carregados de mantimento (mui provavelmente com muito mais comida do que tinha dinheiro para adquirir), também o dom verdadeiro de Deus nos enche de esperança e reanima a alma cansada. "Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (Jo 4.14; 6.35). Quando Jacó ouviu que "José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito" (Gn 45.26), seu coração se pôs a parar, "porque não os acreditava". Para aquele pai, ter seu filho de volta e ainda regente na potência econômica do Egito, simplesmente não fazia qualquer sentido. Mas, "vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito" (Gn 45.27)!

É isto que acontece no coração de um verdadeiro regenerado! Ele, ao contrário de suas vãs esperanças naquilo que seus olhos podem ver, exulta muitíssimo de alegria e não se detém, nem mesmo por um minuto, a ir ao encontro do salvador: "Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra" (Gn 45.28). O cristão, outrora, antes de ser feito nova criatura, perdido no pecado e sem comida para sua alma, se achava completamente desprazeroso na vida - viver, para ele, não fazia sentido, tudo lhe era vaidade, conforme explicitamente escreve o Pregador (Eclesiastes). Mas, ao contrário do que tinha para sua vida e nada possuindo, exceto o aguardar um possível, mas incerto retorno de seus filhos, pôde, por algum motivo que teve o Senhor por bem conceder, ver as caravanas do Egito vindo ao seu encontro, trazendo todo o sustento para si e sua família! Que grandiosa felicidade! Que louvável e indescritível alegria deve ter tido o idoso Jacó, que mesmo já com poucas forças, as reuniu e foi até Egito com sua família. Encontrando ele com seu filho e certamente chorando alegremente, compreendera que mais nada lhe restara, podendo morrer feliz e tranquilo: "Morra eu agora, pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives" (Gn 46.30).

Este dom, preciosos ouvintes e leitores, é o Senhor Jesus Cristo. Ele é a glória do Deus de Jacó; Ele é a felicidade da cidade de Sião; Ele é o provedor vindo do Pai, cujo Reino está repletíssimo do trigo celestial, do pão da vida e do vinho que é Seu sangue. A honra, glória e poder não pertencem a José, pois este reconheceu que tudo que lhe acontecera, havia vindo das mãos de Deus (Gn 45.5). José foi um tipo de Cristo, pois em sua vida foi demonstrada a grandeza, majestade e domínio do verdadeiro Cristo sobre toda uma nação (ainda que não fosse judaica) e mais: seu excelso poder em não só bem administrar as posses, mas as converter em bênçãos para os seus.

2. Sendo vinda de Deus, nada pode parar esta fé.

Frequentemente, nos tempos antigos, se falava enfaticamente sobre a perseverança dos santos na salvação operada pelo Senhor. Todavia, ao contrário do que muitos têm pensado e distorcido esta bela, preciosa e necessária doutrina, ela não ensina que uma vez eleito, o cristão pode agir levianamente para com o Salvador. Ao contrário, ela ensina é que uma vez transformado e regenerado pelo Senhor, o cristão genuíno, aquele que possuí a marca indelével do Espírito Santo em seu coração (Ef 1.13), perseverará até o fim de sua caminhada.

Eis alguns versículos que comprovam tal doutrina:

- "Depois disse Israel a José: Eis que eu morro, mas Deus será convosco, e vos fará tornar à terra de vossos pais" (Gn 48.21);
- "Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou" (1Rs 19.18);
- "Não temais o rei de babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão" (Jr 42.11);
- "Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28.20);
- "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6);
- "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13);
- "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Fp 4.7);
- "Fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno" (2Ts 3.3).

Escrevendo à igreja da Galácia, o apóstolo lhes fundamenta esta rica verdade: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20). O que Paulo está a dizer é que se "vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim", então, por implicação lógica de que Cristo não pode vir a morrer em seu corpo, isto é, perder o poder de atuação, a conclusão é que uma vez tendo nascido do Espírito, nada poderá lhe separar do amor de Deus - o que expressou mais estritamente em Romanos 8.31-39.

Esta fé que ninguém pode parar, diz a Escritura, deve ser vivida "na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim". O ensino bíblico é cristalino ao enfatizar que a fé é um dom de Deus, um dom sobrenatural e que se é infundido no coração do homem, pelo e para o Senhor.

"Não vem de vós", nós temos em nosso texto. Se não vem de nós, então nada neste mundo poderá deter os filhos de Deus - "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" (Rm 8.33), pergunta o apóstolo. É como se dissesse: "Quem neste mundo poderá acusar os cristãos de terem perdido a salvação, sendo que ela não é produto deles próprios, e sim advém das mãos graciosas do Senhor?". Por isso, logo responde, dizendo: "É Deus quem os justifica".

Esta fé que os filhos do Senhor são contemplados, pode todas as coisas - não por quem é o receptáculo dela (o homem), mas no poder daquele a quem estes invocam: "Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece" (Fp 4.13). A fé do cristão genuíno é superior às dificuldades terrenas, o faz viver contente e jamais poderá desvanecer, pois "isto não vem de vós". Quem garante tal doutrina não são homens, mas o Senhor que elege, regenera, santifica e sela o crente para Sua honra e glória eterna!

3. Sendo vinda de Deus, é seletiva e plenamente eficaz em Seus filhos.

Dizemos ser seletiva, não porque saibamos onde estão os eleitos do Senhor (pois isto seria usurpar Sua soberania e intentarmos galgar o posto Altíssimo), mas devido ao fato de muitos não serem tocados por esta fé. Por algum motivo que foge ao entendimento de todo cristão, por mais piedoso, misericordioso e sábio que seja, teve por bem o Criador, ainda antes da fundação do mundo, escolher os Seus - "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef 1.4).

Esta fé, porém, estava presente apenas nos judeus regenerados, não podendo alcançar os demais povos, como evidencia clarividentemente a Escritura em todo o Antigo Testamento. Tal fé, no Novo Testamento, foi somente dada aos gentios após a morte do Senhor, pois em Sua primeira comissão aos apóstolos, Cristo ordenou que fossem aos da casa de Israel (Mt 10.6); posteriormente, somente, é que foram ordenados a ir por "todas as nações" (Mt 28.19).

Assim sendo, esta fé foi o que justificou Abrão diante do Senhor: "E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça" (Gn 15.6); esta fé salvadora é o fruto da semente que caiu em solo propício e frutificou mui abundantemente (Mt 13.8); esta fé foi o que levou Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, Sara, Moisés, Raabe e uma numerosíssima quantia de homens aos céus do Senhor. "Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos" (Hb 11)!

Que nosso Senhor seja gracioso para conosco e nos leve à confirmação da fé em Cristo Jesus, a única esperança para todo o que crê. "Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado" (Sl 55.22).

sábado, 20 de outubro de 2012

Os Pecados Secretos



“...Essas pessoas frequentemente enganam-se a si mesmas e aos outros, passando por bons cristãos, quando na realidade ainda não estão salvos. Muitos  não são descobertos até que a morte e o julgamento tragam tudo à luz. Esses auto-enganadores parecem chegar até à porta do céu certos de sua admissão, mas no fim não conseguem entrar. (Mateus 7:22). Rogo-lhes encarecidamente que apliquem aos seus corações  e retenham firmemente esta reflexão que é um alerta, isto é, que multidões perecem por causa de algum pecado secreto, o qual, não esta escondido apenas dos outros, mas, devido não perscrutarem seus próprios corações, está escondido até deles mesmos. Um homem pode estar isento de poluições patentes, e, contudo, morrer por causa de algum pecado que passa desapercebido; e existem os seguintes doze pecados ocultos, pelos quais, almas descem aos milhares para os recintos da morte eterna. Precisam investigar cuidadosamente estes pecados e considerá-los como marcas negras onde quer  que se encontrem, e, como reveladores de um estado não regenerado e, se amam suas vidas, notem os mesmos cuidadosamente com zelo santo para que vocês não se revelem ser as pessoas referidas....”

(1). Ignorância crassa e voluntária (Oseias 4:6). Oh, quantas almas infelizes estão sendo mortas por este pecado, embora pensem sinceramente que têm bons corações e que estão preparadas para o céu. Este pecado é o assassino que executa milhares silenciosamente, sem que nada suspeitem e sem que vejam a mão que os destrói. Não importa quais sejam as desculpas que apresentem para a ignorância, eles descobrirão que ela e um pecado que destrói a alma (Isaias 27:11; 2 Tessalonicenses 1:8; 2 Coríntios 4:3). Ah, como teria afligido nossos corações se tivéssemos visto aquele horrível espetáculo em que os pobres protestantes eram jogados num celeiro e vinha um açougueiro, com suas mãos manchadas com sangue humano, e os conduzia um por um de olhos vendados para um cepo onde os matava um após outro em grande numero, a sangue frio. Mas seus corações devem sofrer muito mais ao pensar nas centenas que a ignorância destrói em segredo e conduz de olhos vendados para o cepo. Tomem cuidado para que este não seja o seu caso. Não justifiquem a ignorância; se pouparem esse pecado, saibam que ele não os poupará; e será que alguém abrigaria um assassino em seu seio?

(2). Reservas secretas quanto à entrega a Cristo. Renunciar a tudo por Cristo, odiar pai e mãe, sim, renunciar à própria vida por Ele, "duro é este discurso". (Lucas 14:26). Alguns farão muitas coisas, mas não querem a religião que os salvará. Jamais chegam a ser totalmente devotados a Cristo nem completamente submissos a Ele. Precisam ter o doce pecado; não querem prejudicar-se a si mesmos; têm exceções secretas para a vida, para a liberdade ou para a posição social. Muitos aceitam a Cristo dessa maneira e jamais levam em conta os Seus termos de autonegação, nem avaliam o custo; e este erro fundamental estraga tudo e os arruína para sempre (Lucas 14:28-33).

(3). Formalidade na religião. Muitos descansam no lado externo da religião e no cumprimento exterior de seus deveres sagrados. E muitas vezes isto engana efetivamente os homens e certamente os invalida mais do que a impiedade, à semelhança do que aconteceu com o fariseu. Ouvem, jejuam, oram, dão esmolas, e, portanto, não admitirão que não estão em ótimas condições espirituais. Entretanto, descansando na obra feita e falhando no trabalho do coração, no poder interior e na vitalidade da religião, acabam caindo no fogo por causa de sua esperança ilusória e da persuasão confiante de que estão bem preparados e a caminho do céu. Oh, que situação terrível quando a religião de um homem só serve para endurecer seu coração e efetivamente iludir e enganar a sua própria alma!

(4). O predomínio de motivos errados nos deveres santos. Esta era a ruína dos fariseus. Oh, quantas almas infelizes são destruídas por causa disso e caem no inferno antes que descubram o seu erro! Fazem suas "boas obras" e pensam que tudo está bem, mas não percebem que estão sendo impulsionadas continuamente apenas por motivos carnais. É verdade que até mesmo no caso dos verdadeiramente santificados, às vezes objetivos carnais parecem renascer; mas são sempre matéria de seu ódio e humilhação, e jamais chegam a dominá-los, nem subjugá-los de novo. No entanto, quando a mola mestra que comumente leva o homem aos deveres religiosos é um objetivo carnal, tal como a satisfação da consciência, a obtenção da reputação de que e religioso, ser notado pelos homens, mostrar seus próprios dons e talentos, evitar a censura de que é uma pessoa profana e não religiosa, ou coisa semelhante, isso revela um coração não regenerado. Ó cristãos, se quiserem evitar o auto-engano então deem atenção não apenas às suas ações, mas também aos seus motivos. 

(5). Confiança em sua justiça própria. Isso é um mal que destrói a alma. Quando os homens confiam na sua justiça própria, certamente rejeitam a de Cristo. Amados, vocês precisam ser vigilantes em tudo, pois não apenas os seus pecados podem arruiná-los, mas, também, os seus deveres. Talvez vocês jamais tenham considerado isso, mas é assim mesmo; sem dúvida alguma, um homem tanto pode perecer por causa de sua justiça aparente e de suas supostas virtudes, como por causa de pecados crassos, ou seja, quando ele confia em coisas como a sua justiça própria e as apresenta diante de Deus para satisfazer a Sua justiça, apaziguar Sua ira, buscar o Seu favor e obter o Seu perdão. Isso significa demitir Cristo do Seu ofício e produzir um salvador a partir de nossas obras e virtudes. Acautelem-se disso, cristãos professos; vocês são muito atuantes, mas isso pode estragar tudo. Quando tiverem feito o máximo e o melhor, fujam de si mesmos para Cristo; reconheçam que suas justiças próprias são como trapos imundos (Filipenses 3:9; Isaías 64:6).

(6). Uma secreta inimizade contra o rigor da religião. Muitas pessoas moralmente corretas, cumpridoras de seus deveres religiosos, tem uma amarga inimizade contra o rigor e o zelo religiosos, e odeiam a vida e o poder da religião. Não apreciam esta solicitude nem gostam que os homens sejam tão zelosos. Condenam os rigores da religião como se fossem singularidade, indiscrição, zelo exagerado, e consideram o pregador zeloso e o crente fervoroso nada mais que extremistas. Tais homens não amam a santidade como santidade (porque então amariam a perfeição da santidade), e, portanto, são corruptos em seus corações, seja qual for o bom conceito que tenham sobre si mesmos.

(7). O descanso num certo grau de religião. Quando supõem que já possuem o suficiente para serem salvos, deixam de olhar mais adiante, e assim, apresentam-se carentes da graça verdadeira, graça essa, que sempre leva os homens a aspirarem a perfeição (Filipenses 3:13; Provérbios 4:18).

(8). O predominante amor ao mundo. Esta é a real evidência de um coração não santificado. "Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não esta nele". (1 Joao 2:15). Mas quão frequentemente este pecado esconde-se sob a capa da confissão pública de fé. Sim, há um tal poder de engano neste pecado que, muitas vezes, quando todos podem ver o mundanismo e a cobiça existentes na pessoa, ela própria não os pode enxergar em si mesma, e apresenta tantas desculpas e pretextos para justificar seu amor pelo mundo que fica cega e perece no seu auto-engano. Quantos e quantos cristãos professos existem, cujos corações pertencem mais ao mundo do que a Cristo; são pessoas "que só pensam nas coisas terrenas", e, portanto, inclinam-se, evidentemente, para as coisas da carne e, provavelmente, o seu fim será a perdição (Romanos 8:5; Filipenses 3:19). Contudo, fale com tais pessoas e elas lhe dirão, confiantemente, que estimam a Cristo acima de tudo, pois não podem ver suas inclinações carnais por falta de um rigoroso exame de seus próprios corações. Se, simplesmente, buscassem com diligencia, logo, descobririam que sua maior satisfação está no mundo e que seu maior cuidado e melhor esforço são empregados para se apossarem do mundo, sinais evidentes de um pecador não convertido. Que a ala religiosa do mundo possa atentar, sinceramente, para isso, a fim de que não venha a perecer em decorrência deste pecado despercebido. Os homens podem ser mantidos longe de Cristo, e isso frequentemente ocorre, tanto pelo amor desordenado aos confortos legítimos, como, pelos seus hábitos ilegítimos.

(9). O domínio da malícia e da inveja contra os que os desrespeitam e os injuriam. Oh, quantos que, tendo a aparência de religiosos, lembram as injurias e guardam os ressentimentos, pagando o mal com o mal, amando a vingança e desejando o mal aos que os injuriam. Isto vai, diretamente, contra as regras do evangelho, contra o padrão de Cristo e contra a natureza de Deus. Sem dúvida alguma, quando este mal se mantém fervendo no coração, prevalecendo habitualmente, ao invés de ser odiado, resistido e mortificado, tal pessoa encontra-se realmente em fel de amargura e em estado de morte (Mateus 18:32-35; 1 Joao 3:14-
15).

(10). Orgulho não mortificado. Quando os homens apreciam mais os louvores dos seus semelhantes do que o louvor de Deus, e colocam o coração na estima, no aplauso e na aprovação humanos, é bem certo que estão vivendo em pecado e longe da verdadeira conversão (João 12:43; Gálatas 1:10). Quando os homens não veem, nem lamentam, nem gemem sob o orgulho do próprio coração, é sinal de que estão completamente mortos no pecado. Oh, quão ocultamente esse pecado vive e reina em muitos corações; e eles não sabem, mas, desconhecem a si mesmos (Joao 9:40).

(11). Um dominante amor pelo prazer. Esta é uma marca negra. Quando os homens dão à carne a liberdade que ela deseja, e a mimam e a agradam, ao invés de negá-la e dominá-la; quando o maior prazer é gratificar seus apetites e satisfazer seus sentidos, tudo é falso, não obstante a aparência que tenham de religião. Uma vida que satisfaz à carne não pode agradar a Deus. "E os que são de Cristo, crucificaram a carne..." e têm o cuidado de subjugá-la como a um inimigo (Gálatas 5:24; 1 Coríntios 9:25-27).

(12). Segurança carnal. Trata-se de uma confiança presunçosa de que já estão em boas condições. Muitos clamam "paz e segurança", quando uma repentina destruição está vindo sobre eles. Foi essa segurança que manteve as virgens loucas adormecidas, quando deveriam estar trabalhando; que as manteve na cama, quando deveriam estar no mercado. Foi só quando o noivo chegou que perceberam que lhes faltava óleo; e enquanto foram comprá-lo, a porta se fechou. Oxalá aquelas virgens loucas nunca tivessem deixado sucessores! Haveria, no entanto, algum lugar onde eles não estejam? Onde e que eles não habitam? Os homens desejam agradar-se a si mesmos sobre bases sempre tão frágeis, esperançosos de que sua condição seja boa; portanto, não se preocupam em mudar, e, por causa disso perecem em seus pecados.

por Joseph Alleine (1634-1668)

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Igreja Efeminada



Recentemente fui questionado se seria correto dizer que, na história do mundo, dinastias e civilizações inteiras de fato naufragaram na rocha da homossexualidade. Minha resposta foi que não deveríamos pôr as coisas desse modo. Claro, eu creio que a prática homossexual é imoral e proibida pela Lei de Deus. Todavia, em Romanos 1.21 – 32, Paulo põe dessa forma: deixaram de servir a Deus para servirem à Criatura. Como uma consequência, Deus entregou-lhes às paixões impuras. Homossexualidade é julgamento de Deus sobre uma sociedade que abandonou a Deus e adora a criatura em vez do Criador. A Apostasia espiritual é a rocha na qual as culturas, incluindo a nossa, foi fundada, e a homossexualidade é o julgamento de Deus sobre tal apostasia. Esta é a razão porque a homossexualidade era uma prática comum entre as antigas culturas pagãs; na verdade, é uma prática comum entre a maioria das culturas pagãs, incluindo a nossa crescente cultura neo-pagã. Em resumo, a ideia de que a tolerância da homossexualidade é um mal que conduzirá ao julgamento de Deus não é bíblica, pois coloca o carro na frente dos bois. É exatamente o contrário! A prevalência da homossexualidade em uma cultura é um sinal seguro de que Deus já tem executado ou está executando sua Ira sobre a sociedade por sua apostasia. A causa deste julgamento não é a prática imoral da homossexualidade (apesar dos atos imorais homossexuais); mas sim, sua apostasia espiritual. A prevalência da homossexualidade é o efeito, não a causa da ira de Deus visitando aquela sociedade. E em uma sociedade Cristã (ou talvez devesse dizer “pós-cristã”), isso significa, inevitavelmente, que a prevalência da homossexualidade na sociedade é julgamento de Deus sobre a igreja por sua apostasia, sua infidelidade para com Deus, porque o julgamento de Deus começa com a Casa de Deus (1Ped. 4.17)

Esta, decerto, não é uma mensagem popular aos Cristãos. É fácil levantar o dedo para os pecados e imoralidades grosseiros, mas a igreja está muito menos disposta a considerar seu papel nos males sociais que maculam nossa era. A apostasia espiritual que nos levou à presente condição começou na igreja, e grande parte do fracasso da sociedade moderna, que os Cristãos corretamente lamentam pode, em alguma medida, ser atribuída a esta apostasia da igreja como a causa fundamental. E mesmo agora a igreja recusa-se a assumir sua responsabilidade para preservar a sociedade deste mal tão sério, tendo abdicado de seu papel profético como porta-voz de Deus para a Nação.

Claro, isto não quer dizer que não deveríamos desafiar o lobby gay e não trabalharmos para estabelecer uma moralidade bíblica em nossa sociedade. Nós devemos. Mas, também devemos escolher as prioridades corretas; e eu temo que a igreja tenha um diagnóstico equivocado destes problemas e tenha escolhido errado as suas prioridades. A Igreja sofre com o flagelo homossexual, tanto quando, e talvez mais, do que qualquer outro setor da sociedade (com exceção da mídia e do mundo do entretenimento). Para maior parte deste século, a igreja tem procurado um deus feminino para substituir o Deus da Bíblia. Nós tivemos ministros que ensinaram, agiram e pregaram como mulheres há muitos anos. O Ministério Pastoral de nossa geração é, no geral, caracterizado pela feminilização. O crescente número de homossexuais no ministério é, penso, simultaneamente uma causa e efeito relacionados a isto e, ao mesmo tempo, uma manifestação do julgamento de Deus sobre a igreja. Muitas vezes, é claro, o julgamento funciona numa relação de causa e efeito, porque toda criação é obra de Deus; portanto, ela funcionada de acordo com Seu plano e vontade. A igreja tem se tornado completamente efeminada por causa de um clero efeminado. O Ministério hoje é dirigido primariamente por mulheres, e ministros têm começado a pensar e agir como mulheres, porque o Cristianismo tem se tornado naquilo que é chamado de “religião salva-vidas” – mulheres e crianças primeiros. E o mundo vê isso bem adequadamente.

Por exemplo, foi-me dito em mais de uma ocasião por pastores e presbíteros que, quando eles visitam os membros de suas igrejas, se porventura o homem da casa vem recebê-los à porta, frequentemente a primeira coisa que este homem diz é: vou buscar a esposa. Pastores e Presbíteros estão ali para mimar as mulheres e as crianças; ou então, como pensa o mundo, isto é simplesmente porque o ministério na igreja é frequentemente dirigido principalmente às mulheres e crianças, e não aos homens. Tenho observado o mesmo tipo de coisa em reuniões das igrejas. Se alguém levanta uma questão doutrinária ou mesmo assuntos sérios sobre a missão da igreja, o interesse é quase nulo. No entanto, frequentemente tem havido, e continua havendo, enormes problemas doutrinários e problemas relacionados ao entendimento da igreja de sua missão no mundo, incomodando essas igrejas; apesar disso, estas igrejas nem mesmo consideraram que isso merece discussões nas reuniões de liderança da igreja. Os líderes da Igreja falarão de maneira interminável sobre “relacionamentos” e afins, mas evitarão questões doutrinárias [como evitam] a praga porque estes assuntos são considerados causas de divisão e que dificultam os “relacionamentos”.

Agora, no fundo eu creio que isto é um sério problema criado pela feminização da liderança da igreja. A agenda da liderança, que é uma agenda masculina, foi substituída por uma agenda feminina, que é um desastre para liderança. A igreja tem abandonado o Deus das Escrituras pelo conforto de uma divindade do tipo feminino que não requer líderes eclesiásticos que exponham doutrinas bíblicas ou ajam com convicção de acordo coma Palavra de Deus (ambos são percebidos, muitas vezes com razão, como causador de divisão – Mat. 10. 34ss); mas, em vez disso, exige líderes simplesmente para mãe de suas congregações de uma forma feminina. Isso, naturalmente, produz ministros efeminados e uma igreja efeminada. Mas, isto não é simplesmente uma causa e efeito impessoal relacionadas. Deus age através de causas secundárias em sua Criação para executar sua vontade. Um ministério efeminado e uma igreja efeminada são a resposta de Deus para a determinação de a igreja substituir o Deus da Escritura por um deus do sexo feminino; e esta cruzada contra o Deus da Bíblia tem sido em sua própria maneira, uma característica do evangelicalismo, como abertamente tem sido a característica do liberalismo que os evangélicos dizem abominar, mas ainda assim, estão dispostos a imitar.

Este não é um problema apenas agora na igreja, mas porque está na igreja, a sociedade em geral é agora feminizada e efeminada. Somos governados por mulheres e homens que pensam e agem como mulheres. Mas, as mulheres não fazem bons governos em geral. Em Margaret Thatcher tivemos uma situação inversa: uma mulher que pensava mais como um homem deve pensar, mas a exceção não anula a regra. Eu não estou discutindo um ponto político aqui, nem endossando qualquer posição [política]; até porque eu acredito que isto tudo é parte da situação em julgamento. O mundo está de cabeça para baixo, porque os homens viraram de cabeça para baixo por sua rebelião contra Deus. Jean-Marc Berthoud frisou bem este ponto em seu artigo "Humanism: Trust in Man – Ruin of the Nations”, o qual eu recomendo em relação a este tópico. Agora somos governados por mulheres e crianças (Is. 3.4, 12)

Mas, a Liderança não é feminina. Líderes Efeminados não governam bem, seja o Estado, seja a Igreja. É vital que a Justiça seja temperada com Misericórdia. Mas alguém não pode temperar a Misericórdia com a Justiça. Quando a misericórdia é colocada antes da justiça, as sociedades sofrem colapsos nas situações idiotas que temos hoje, onde os criminosos são libertos e as pessoas inocentes são condenadas. Por exemplo, as punições infligidas aos motoristas por inadvertidamente dirigirem um pouco acima do limite da velocidade hoje, mesmo onde não há perigo envolvido, são muitas vezes mais graves do que os castigos infligidos aos ladrões. E hoje um pai pode ser punido por bater em um filho travesso – mesmo que tal castigo seja realizado num ambiente de amor e disciplina e não haja perigo para criança – mas ainda assim, alguém pode, com impunidade, assassinar os filhos ainda não nascidos. O Estado ainda paga por esses abortos, fornecendo-lhes o Sistema Único de Saúde.

Creio que isto é o resultado final da feminização de nossa cultura. Pensa-se, frequentemente, que a liderança feminina é mais compassiva, mais carinhosa. Isto é um mito que a ideologia feminista tem trabalhado nas percepções populares da realidade em nossa cultura. Pelo contrário, a cultura feminista é uma cultura violenta, uma cultura que produz o aborto e ao mesmo tempo exige que se extinga as coisas tipicamente masculinas. Uma situação mais perversa é difícil de se imaginar. Em última análise, o feminismo é, na prática, inerentemente violento, intrinsecamente instável, intrinsecamente perverso, inerentemente injusto, porque ele é todas essas coisas em princípio, a saber, a rejeição da ordem criada por Deus; e as consequências de um compromisso religioso sempre se desenvolverão na prática. O Feminismo está, agora, desenvolvendo as consequências práticas de sua visão religiosa da sociedade (e isto é sua religião)

As Igrejas têm falhado em ver isso. Elas têm abraçado o feminismo vigorosamente, e como consequência, se tornaram uma importante avenida pela qual o Feminismo tem sido capaz de influenciar nossa cultura. O Clero estava envolvido na feminização da fé e da igreja bem antes do Movimento Feminista tivesse se tornado consciente na percepção popular. E a feminização de nossa cultura é um dos principais motivos para sua anarquia e violência. Por exemplo, o resultado da feminização da sociedade tem sido a de que os homens perderam o seu papel em muitos aspectos. O feminismo tem definido homens em nada mais do que briguentos ou efeminados. Na perspectiva feminista, estas são as duas alternativas para os Homens, embora isso não possa ser entendido por muitas feministas; talvez normalmente não seja, porque o Feminismo é ingênuo e não opera com base na razão, mas na emoção; e estas coisas trazem-nos novamente ao problema da liderança e governos femininos. Emoções não lideram ou governam bem. Para as Feministas, os homens são governantes incapazes; as mulheres devem governar.

Agora nós temos o governo de mulheres e homens efeminados. O efeito de colocar as virtudes femininas no lugar das virtudes masculinas, e as virtudes masculinas no lugar das virtudes femininas tem sido a de subverter a ordem criada. Como resultado, a justiça é desprezada e a misericórdia é transformada e colocada em seu lugar. A Liderança é masculina, mas é preciso temperá-la com as virtudes feministas. Quando as virtudes feministas estão na liderança, as virtudes masculinas não podem funcionar; a masculinidade é feita desnecessária. Isto é um dos problemas mais sérios da nossa sociedade. O Feminismo tornou a liderança masculina na igreja e da nação obseleta e, agora, estamos colhendo as consequências espirituais e sociais disto. A Justiça é uma vítima! A misericórdia cessa de ser misericórdia e torna-se indulgência dos piores vícios. Violência, anarquia, desordem e uma sociedade disfuncional são o legado da Feminização de nossa Sociedade, porque neste sentido, nem as virtudes masculinas, nem as femininas podem desempenhar apropriadamente seu papel. O mundo é posto de ponta cabeça. Até mesmo as igrejas “crentes na Bíblia” são anestesiadas na sua apostasia em relação a este e muitos outros assuntos em nossa sociedade. Temos uma igreja efeminada, e uma sociedade efeminada e, portanto, a resposta de Deus tem sido um ministério cada vez mais homossexual e uma crescente sociedade homossexual. Este é o justo julgamento de Deus sobre nossa apostasia espiritual.

A resposta é o arrependimento, voltar-se para Deus e abandonar nosso caminho de rebelião contra a ordem divina da Criação. A igreja deve começar isto. O julgamento começa com a igreja (1Ped. 4.17) e o arrependimento também. Eu não creio que resolveremos o problema homossexual até reconhecermos sua causa. É o julgamento de Deus sobre a apostasia da Nação. Liderando o caminho para esta apostasia estava a igreja.

O que tenho dito acima não significa minimizar a seriedade do problema homossexual, nem sua imoralidade. Mas devemos reconhecer isto como uma manifestação do julgamento de Deus, como Paulo tão claramente ensina em Romanos, capítulo um. A resposta está em combater as causas, enquanto não deixamos de fazer as outras coisas. O que eu disse aqui não significa promover uma diminuição da oposição cristã aos direitos homossexuais por qualquer meio; mas significa encorajar a uma maior leitura do problema, porque é nesta vasta leitura do problema que detectamos a causa e esperamos a solução para o problema.

Além disso, este assunto não um assunto isolado. É parte inseparável da re-paganização de nossa sociedade, uma tendência de que a igreja, em grande medida, não apenas tem tolerado, mas por vezes, estimulado, por sua percepção míope de fé e sua negação prática de sua relevância para toda a vida do homem, incluindo seus relacionamentos e responsabilidades. Enquanto a crítica é necessária e vital na tarefa profética da igreja de levar a Palavra de Deus para influenciar nossa sociedade, ela não é o bastante. Em vez disso, a igreja também deve jogar fora o seu próprio consentimento na prática do humanismo secular e praticar o pacto da vida da comunidade redimida no momento que ela tenha qualquer efeito sobre nossa cultura. Portanto, o julgamento continuará ininterruptamente até a igreja mais uma vez começar a viver para fora, bem como falando a palavra de vida para sociedade em sua volta. Somente então quando ela começar a manifestar o reino de Deus; e apenas quando a igreja começar a manifestar o reino de Deus novamente, nossa sociedade começará a ser liberta do julgamento de Deus.

por Stephen C. Perks

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Download do Estudo - O Quarto Mandamento e o Dia do Senhor





Amados irmãos, segue abaixo o link (em .pdf) para download do estudo sobre o Quarto Mandamento e o Dia do Senhor. Como entender a aplicação deste mandamento ao povo judeu? Qual a importância dos 10 mandamentos para nós? Qual a validade deste mandamento para os cristãos de hoje? Por que o dia de sábado foi substituído pelo domingo?

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Efésios 2.8 (parte 2) - Por Meio da Fé - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 14.10.2012



Efésios 2.8 (parte 2) - Por Meio da Fé
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 14.10.2012

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8 - ênfase minha).

O santo apóstolo, por meio da inspiração divina que levou todos os Seus servos a escreverem suas cartas às igrejas, nos deixou evidente no início deste versículo que a salvação é única e exclusivamente pela graça de Deus. A graça não advém do livre arbítrio, não provém da sabedoria humana, do querer pecador ou das obras imundas que cometemos - ela vem por meio da graça, pois somente por ela é que somos salvos. Entretanto, Paulo continua a expandir este precioso ensinamento acerca da graça; isto é, ele não pontuou simplesmente que somos salvos pela graça, e sim indicou aos irmãos de Éfeso como essa graça é vista, reconhecida e experimentada em nossas vidas: "por meio da fé".

A fé, para as Escrituras, é muitíssimo diferente de um simples crer no evangelho e é algo completamente oposto a algum "forte querer" do homem. Por quê? Porque juntamente com a fé, está a graça de Deus - não há como separar estas duas companheiras. Nosso texto, então, não deve ser analisado isoladamente, pois toda a Escritura nos foi dada para o ensino (2Tm 3.16-17), de modo que para buscarmos, pela graça e misericórdia do Senhor, o entendimento correto acerca da fé, temos de adentrar e percorrer alguns caminhos delimitados por Deus e firmemente estabelecidos em Sua santa e viva Palavra. Olhemos, assim, alguns apontamentos bíblicos e textos que nos falam sobre a fé e qual sua relação com a vida cristã.

1. Para se ter fé, deve haver um novo nascer.

Precisamos fixar nossas mentes e corações em um ensinamento de magnífica importância e relevância prática: a regeneração, precede a fé. Sim, o homem somente possui fé, quando é transformado verdadeiramente pelo Senhor - "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Ef 2.5). O apóstolo é explícito em afirmar que "Estando nós ainda mortos", demonstrando que o homem natural, nada pode fazer, a não ser sucumbir pelo peso de seu pecado e cair velozmente em direção ao inferno. Todavia, mesmo na terrível morte espiritual em que o ser humano se encontra, "pelo seu muito amor com que nos amou" (Ef 2.4), Cristo chama os seus filhos como fez a Lázaro - e eles passam a viver.

"E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo" (Jo 3.1-7).

Assim como não nascem maçãs de uma videira, nem ameixas de uma oliveira, também a fé não nasce, antes do homem haver sido nascido do Espírito. Este homem fariseu, "príncipe dos judeus", acreditava que conhecia as verdades do evangelho; por ser mestre da Lei (os fariseus eram os mestres), presunçosamente, cria que Jesus também era um mestre ("bem sabemos que és Mestre"). Todavia, seu querer e pensar sobre Cristo, estavam completamente errados. Bastou Nicodemos ter falsamente reconhecido a Jesus com mestre,  que ouviu as palavras divinas: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Tal frase soou àquele fariseu como se Cristo dissesse: "Cala-te! Tu não sabes o que dizes! Nicodemos, mestre e príncipe dos judeus, erroneamente tu me chamas de Mestre, porque bem sei que tu não és nascido de Deus."

Aquele homem, então, buscando responder a Cristo (fato que os fariseus mui apreciavam), diz: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?" As palavras de Nicodemos, todavia, não surtiram o efeito desejado. Notemos que este mestre da Lei, inquirindo e desejando uma resposta de Cristo, na verdade, não a obtém, pois Ele responde: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo".

Cristo, ao contrário do querer do fariseu, não lhe respondeu a pergunta; não lhe entregou a resposta sobre "Como pode um homem nascer, sendo velho?". Cristo, em Sua inefável sabedoria, simplesmente disse ao fariseu: "Homem, tu não és nascido do Espírito, porque se fato fosses, poderias 'entrar no reino de Deus'." Acrescentando, ainda: "Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo", como se afirmasse: "Não penses que isto é doutrina nova".

Portanto, sem um "nascer da água e do Espírito", ninguém pode ir e "entrar no reino de Deus" - "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6)

2. A fé está determinada para todos os que são nascidos verdadeiramente do Senhor.

"Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade" (2Ts 2.13).

O apóstolo é enfático, sublime e cirúrgico ao afirmar que Deus: 1. elegeu; 2. desde o princípio para a salvação; 3. em santificação do Espírito; 4. e fé da verdade. Deus não enviou Seu filho para simplesmente proporcionar a mera possibilidade de salvação, porque sendo verdadeiro que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23), então se Cristo tão somente "colocou a salvação sobre a mesa" e deixou ao encargo dos homens o escolher ou rejeitar, certamente decretou a perdição de todos os homens, pois um morto não se sente atraído pela fresca comida e não se delicia com um banquete à sua frente - seus cinco sentidos são cegos (Ef 1.18), sua alma é cativa ao pecado (Ef 2.3) e ele caminha tão somente para a perdição (Mt 15.14).

Quando Deus, na eternidade, elegeu (Ef 1.4) a Sua multidão incontável de filhos, Ele lhes legou não somente a salvação, mas igualmente os efeitos ou desdobramentos da eleição, a saber: um vida santificada pelo Espírito e constante fé da verdade.

A fé da verdade, que Paulo fala, é uma fé baseada na santificação que o Espírito produz nos crentes, afinal, "sem fé é impossível agradar-lhe" (Hb 11.6). O Senhor e poderoso Altíssimo, não poderia tão somente eleger e "deixar" o homem em seus caminhos; não poderia ter elegido e dito, "vai, criatura minha, tu és poderoso em teu querer". A eleição de Deus traz toda a providência divina anexa à ela. É completamente descabível crer que um pai compre um carro para seu filho maior e capaz, mas não lhe entregue as chaves e a devida habilitação para o dirigir, não é mesmo? Desta maneira, quando o Senhor, em Seu tempo, desperta Seus filhos para a vida eterna, não somente lhes revela o Seu poder, mas também imputa sobre eles a justiça do Filho, que, então, gera a fé.

A fé que os cristãos possuem, não é fruto de seus próprios corações, razão pela qual, lemos cristalinamente: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). Se é Deus quem opera o querer e o efetuar, então é Deus quem concede fé; é Deus quem concede um coração confiante e é Deus quem leva o homem pecador a ler e confiar nas Escrituras, pois "Do SENHOR vem a salvação" (Jn 2.9). A fé que opera juntamente com a graça, diz o apóstolo, "é dom de Deus"!

3. A fé está unida a um profundo senso de miséria pessoal

"E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal" (Mc 5.25-34).

Este precioso texto nos fornece grandes e magníficas verdades sobre a natureza e anatomia da fé genuína. A fé veraz brota no coração dos regenerados, no íntimo de homens e mulheres convictos de seu pecado e incapacidade de ir até Cristo. Esta mulher que nos é relatada, chegou ao limite do desespero, pois "havia doze anos, tinha um fluxo de sangue". Mas não unicamente isso, pois havia gasto todas as suas economias com homens que não a podiam curar: "padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior". Notemos que esta mulher não se achegou a Jesus vibrante, pulando, sorrindo, cantando, afinal, isto não podia, devido à sua enfermidade e incapacidade corporal. Ela não se achegou a Jesus com dinheiro nos bolsos ou uma vasta conta bancária - ela foi pobre, rastejando, estando, após doze anos, "pior" do que quando começara os problemas de sua doença. O evangelista Lucas, retrata que ela "gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada" (Lc 8.43). Frisemos: "e por nenhum pudera ser curada". Ela, então, foi até Cristo, após ter reconhecido, por meio da graça (porque naturalmente estava morta em seus delitos e pecados), que não havia salvação em nenhum outro - ou o Senhor a curava, ou já não lhe restava esperança.

Mas, mesmo em meio a toda à sua miséria e desprezo social, pela graça soberana, esta mulher foi até Jesus - "Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste". Paremos por um momento e meditemos nesta profunda verdade: "Ouvindo falar de Jesus". Aquela mulher não viu milagres, não experimentou qualquer "show da fé" ou grandiosos feitos; ela simplesmente ouviu falar de Jesus. Que graça teve esta mulher! Alguém lhe falou que Cristo estava perto, como Paulo escreveu: "Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor" (Fp 4.5).

Esta mulher, mesmo ouvindo falar do Senhor, foi prudente e se aproximou de Jesus com estupendo senso de humildade - "Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei". Assim como a mulher grega disse ao Senhor que se contentaria com as "sobras" da comida verdadeira que Cristo tinha para os judeus (Mt 7.25-28), também esta mulher doente e sem esperança no mundo, foi até ao Senhor com grande devoção. Ela não buscou um aperto de mão, um abraço ou um olhar face a face - buscou "tocar nas suas vestes".

Aqui, temos um precioso ensino em forma de duas perguntas: "E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?" (Mc 5.30-31). Precisamos, ainda nos perguntar: por que, em meio a tantas pessoas tocando o Salvador, apenas uma foi curada e salva? Por quê? Qual o motivo desta separação? Não haveriam ali, outros tantos doentes se amontoando e pressionando a Jesus?

Lucas registra a resposta de Cristo: "E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude" (Lc 8.46). Mas, por que saiu poder de Jesus? "Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra" (João 4.34). Cristo, com grande compaixão daquela mulher, teve por bem que dele saísse o poder curador. Não devemos olhar esta narrativa como se o mérito da cura pertencesse à mulher enferma. O mérito é sempre de Cristo, pois assim lemos: "Aquele que se gloria glorie-se no Senhor" (1Co 1.31). A graça, o louvor, a majestade e poder, são devidos somente ao senhorio de Cristo, pois se não fosse do Seu agrado, esta mulher poderia ter desfalecido de tanto rastejar e, mesmo assim, não teria sido salva.

Como, porém, esta mulher pôde ir até ao Senhor? "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24). Naquele momento, para a honra e glória do Senhor, havia uma eleita, alguém que pela mão soberana do Artífice, foi criada, levada para estar com Cristo e, para isso, lhe foi dada fé.

4. A fé consiste em firme confiança e certeza das promessas de Deus.

Prestemos a devida atenção: fé não se assemelha a algum passo no escuro; não consiste em um tiro sem direção; não é uma crença na incerteza; não é um acreditar em algo que não se sabe; não é viver sem saber o que fazer; não é flertar com o acaso e esperar para "ver o que acontece". Isto é fé: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11.1)

Para as Escrituras, "fé é o firme fundamento". Fé, amados irmãos, não é somente esperança, mas é o fundamento desta esperança. Por mais ímpio que seja o homem, ele sempre terá esperança em alguém e/ou em alguma coisa. Até mesmo aquele que professa não crer em Deus, possui esperança de que esteja certo em sua convicção. Porém, diferentemente destes, a esperança do cristão, o ansiar do eleito e escolhido do Senhor, é calcada na "", "(Porque andamos por fé, e não por vista)" (2Co 5.7).

Ainda que o cristão não veja as promessas, ele tem a certeza de que elas são verdadeiras: "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11.13). Notemos que o aparente paradoxo entre "não por vista" (2Co 5.7) e "vendo-as de longe" (Hb 11.13), longe de ser uma contradição ou duas verdades excludentes, em realidade, são como que dois lados de uma mesma moeda. De um lado observamos e lemos as promessas de Deus para Seus filhos, o grandioso poder que leva-os a realizar as obras do Senhor, as maravilhas de Suas mãos e, assim, a esperança se alinha em frente aos olhos e para lá corremos, ainda que nada vejamos. Do outro lado, porém, ainda que não consigamos entender perfeitamente o que nos espera, vemos o foco da esperança de aproximando: o Espírito Santo de Deus vem ao nosso encontro!

Tal qual o cego Bartimeu, os cristãos também ouvem: "levanta-te, que ele te chama" (Mc 10.49)! Oh, glórias ao Senhor nas alturas! Assim como aqueles pastores, ouviram dos anjos, nós também podemos ouvir: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor" (Lc 2.14 - NVI). Esta é a fé cristã! É crer que "na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc 2.11)!

5. A fé está alinhada à graça de Deus.

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé" (Ef 2.8). O apóstolo do Senhor delimita que é por meio da fé, que a graça opera. A graça é o motivo da salvação, a fé é o modo como esta graça se manifesta. Um homem regenerado pelo Senhor, possui, além da graça, também a fé. Este é o porquê da mensagem do evangelho ser: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece" (Jo 3.36).

Que possa o Senhor, mediante Sua incontável graça e misericórdia, nos conceder esta fé "no Filho", a fim de que tenhamos "a vida eterna". Que lembremos constantemente que, se dissermos estar na graça, igualmente precisamos estar na fé; se estamos na fé, então, precisamos andar em novidade de vida (Rm 6.4).

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