"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Efésios 2.8 (parte 3) - E Isto Não Vem de Vós - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 21.10.2012



Efésios 2.8 (parte 3) - E Isto Não Vem de Vós
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 21.10.2012

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8 - ênfase minha).

O apóstolo do Senhor, impelido por seu zelo pela sã doutrina e pelo sincero anseio de que a obra do Senhor fosse a cada dia mais eficaz na vida dos cristãos de Éfeso, escreveu-lhes dizendo que eram salvos mediante a "graça", e esta, operada "por meio da fé". Contudo, Paulo não cessou sua explanação, pois era necessário explicar aos crentes de que tanto a graça como a fé, não partiam de seus próprios corações, mas eram dons de Deus. Neste sentido, alguns argumentam que somente a fé é dom de Deus, de modo que a graça é alcançada devido a alguém possuir fé. Quer dizer, dizem que o Senhor age no homem e lhe confere fé; esta, por sua vez, alcança a graça de Deus e leva à salvação. Este ensino, porém, não merece prosperar, pois se a fé provém da graça e esta é um dom, tudo que se segue desse dom, tem como impulsionador, o próprio dom! A verdade é que a graça é o que faz surgir a leal e perfeita fé.

Falando de outra maneira, assim como o fogo que faz queimar o pavio da vela, produz luz e calor, também a a graça, uma vez ativada pelo Senhor no coração do homem, produz a fé verdadeira e a salvação. Caso alguém queira entender que tanto a fé como a graça sejam dons imediatos e simultâneos de Deus (embora as palavras seguintes estejam no singular, parecendo denotar uma ligação direta com a fé - mas que não muda o conjunto da sã doutrina), isto é, sejam dadas no mesmo momento, aceitamos igualmente e de bom grado como verdade, pois o fim é o mesmo: ambas as coisas "não vem de vós, [são] dom de Deus".

O intuito das Escrituras prescrevem tantas vezes que o que possuíamos não pertence ao nosso ser, e sim à graça de Deus, se deve ao fato de que o coração do homem, por natureza, é por demais vil e pecador. Ainda que um homem vá durante cinquenta anos à igreja e ouça semanalmente a dois ótimos sermões, também, semanalmente, o orgulho entretecido em seu coração lhe forçará e o instigará para que acredite em suas próprias forças e rejeite o senhorio e soberania plena de Deus. Este é uma das razões pelas quais devemos continuamente orar por um coração arrependido (Sl 51) e que clama por mais "alegria da salvação", pois por vezes acabamos por perder momentaneamente tal alegria; não porque ela se foi (embora por vezes pareça nos deixar), mas sim devido a substituímos por nossas vontades, prazeres e deleites mundos - daí sermos exortados: "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não extingais o Espírito" (1Ts 5.18-19).

É necessário que fique evidente e fixo em nossas mentes que a salvação pertence exclusivamente ao Senhor (Jn 2.9) e que a ninguém Ele deve explicações (Rm 9.20). Por isto ser verdadeiro, perguntou a si mesmo o salmista: "Que darei eu ao SENHOR, por todos os benefícios que me tem feito?" (Sl 116.12). Nesta seara, então, é que o apóstolo afirma que não possuímos qualquer bem inerente em nós, pois como veremos adiante, "Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2.9). Ora, se não vem das obras, então não somos auxiliadores desta salvação - o que explica a razão do profeta ter escrito: "Converte-me, e converter-me-ei, porque tu és o SENHOR meu Deus" (Jr 31.18).

Vistas estas coisas, é mister que delimitemos as implicações e aplicações que o saber de que a fé não provém de nós, produz na vida de todos os professos da fé cristã e que são verdadeiramente regenerados. Mas, antes de avançarmos neste sentido, desejo expor três fatos que não significam, por si só, serem vindos do Senhor (é verdade que tudo provém de Deus Rm 11.36 - aqui, porém, enfatizo que tais fatos, mesmo tendo sido determinados por Seu inefável conselho, não constituem, por si só, a marca de um cristão genuíno):

1. Milagres

Não devemos culpar aqueles que são ávidos por procurar supostos milagres e curas para suas doenças, porque ainda que não façamos exatamente o mesmo que eles, muitas são as vezes que somente o Espírito de Deus é o que nos impede de cair no desespero em meio à doença e irmos em direção de tais coisas feitas por homens. Neste ponto, o que desejo enfatizar é que mesmo sendo alguém usado para curar ou sendo por este curado, não é garantia alguma de que possui a fé salvadora: "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" (Mt 7.22-23).

Milagres não são autenticadores da verdade, não transmitem poder ou salvam a alma. Na verdade, temos boa dose de razão para acreditarmos que muitos dos milagres de nossos dias, não passam de farsas e/ou engodos psicológicos, cujos objetivos são, unicamente, de aliviar as tensões nervosas e conferir uma falsa paz e um errôneo sentimento de cura.

A fim de que ninguém tropece neste erro, lembremos dos encantadores e magos do Egito que puderam também transformar suas varas em serpentes (Êx 7.11); que repetiram o feito de Moisés e Arão, ferindo o rio com a vara e ele se tornou em sangue (Êx 7.22), e que fizeram também as rãs aparecerem (Êx 8.7). Recordemos de que a Lei do Senhor mandava o povo de Israel apedrejar todo aquele que possuísse algum "espírito de necromancia ou espírito de adivinhação" (Lv 20.27), o que nos ensina que tais espíritos eram contrários a Deus. Não esqueçamos do "profeta ou sonhador de sonhos" (Dt 13.1), que mesmo enviando "um sinal ou prodígio" e ainda que "suceder o tal sinal ou prodígio", não eram enviados pelo Senhor para a salvação, mas sim "para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma" (Dt 13.3).

Milagres não autenticam qualquer ministério, pois mais glorioso e pomposo que possa ler à luz dos olhos humanos pecadores.

2. Ler, estudar, citar, pregar e escutar a Palavra de Deus.

O fato de algum pregador conhecer e estudar as Escrituras, não é indicativo de que ele seja verdadeiramente regenerado. Também não é sinal de verdade o simples ir daquele cristão até algum genuíno culto ao Senhor, pois muitos ouvem, mas não entendem (Mt 13.13). Satanás, mui perfeitamente citava as Escrituras para Jesus, todavia, seu desejo era pernicioso e somente ambicionava maldades (Jo 4.1-11). Judas partilhava de parte do ministério de Cristo, andava junto d'Ele e de Seus apóstolos; comia do mesmo pão e bebia do mesmo vinha, mas somos informados de que "Entrou, porém, Satanás em Judas" (Lc 22.3). Não menos importante é o evento do ímpio Balaão: "Então disse Balaque a Balaão: Que me fizeste? Chamei-te para amaldiçoar os meus inimigos, mas eis que inteiramente os abençoaste. E ele respondeu, e disse: Porventura não terei cuidado de falar o que o SENHOR pôs na minha boca?" (Nm 23.11-12). Para ninguém ousasse crer que Balaão era um filho do Senhor, João registra o que o anjo dissera em Apocalipse: "Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem" (Ap 2.14).

Muitos outros exemplos poderiam ser citados, como os inúmeros falsos profetas do Antigo Testamento; o maligno e perverso rei Saul, que até mesmo chegou a profetizar, gerando o adágio entre o povo: "Está Saul também entre os profetas?" (1Sm 10.12); os juízes e reis que não seguiam ao Senhor; Nadabe e Abiú, que realizaram o serviço do Senhor contrariamente ao estabelecido e ordenado (Nm 26.61); todo o povo judeu que se amontoou ao redor de Cristo; os fariseus e mestre da Lei que estiveram diante do Salvador, mas não o seguiram; do povo que se fartou de comida, mas não O buscou (Jo 6.26); dos dez leprosos que foram tocados e curados, mas que apenas um voltou e deu glórias a Deus (Lc 17.17-18)... Todos estes tiveram contato com as obras, homens e Palavra do Senhor, mas não foram salvos.

Estes e tantos outros registros que temos na Escritura, nos ensinam claramente que estar junto do povo de Deus, não é sinônimo de salvação. Uma família pode perpetuar gerações em alguma igreja história e lá todos morrerem de velhice, mas podem se encontrar, dentro de poucos anos, todos juntos novamente - no inferno. Um pai pode comprar livros cristãos para seus filhos, levá-los para a igreja, juntos participarem do culto público e ansiarem por suas salvações, mas "sendo ouvinte esquecidiço" (Tg 1.25), de nenhum valor terão tais livros e idas até o ajuntamento dos cristãos para suas próprias almas, pois à semelhança de Faraó que viu e ouviu a saraiva castigadora no Egito, não havia verdadeiramente se arrependido (Êx 9.30).

3. Fazer parte de uma família cristã.

De todos os erros, talvez este seja um dos que mais tem destruído os corações e afastado os pecadores do trono da graça. Quantos são os homens e mulheres que nasceram em famílias cristãs, mas nunca se aperceberam de seus pecados, pois criam, à semelhança do povo judeu, que bastava-lhes a circuncisão,  que estavam salvos. Mui diferente, porém, assevera o apóstolo: "Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado" (Rm 11.22).

Paulo escreve aos romanos no intuito de lhes demonstrar a maravilhosa graça do Senhor que havia vindo até eles, de modo que podiam, apesar de seu povo haver cometido a barbárie de ter crucificado a Cristo, serem salvos por Seu poder. Mas, exorta-os para que não agissem levianamente com esta graça, a ponto de pensarem que devido a ela ter ido até eles, poderiam a tratar com desdém e frivolidade. O apóstolo é incisivo ao afirmar para aqueles crentes romanos que, todas as vezes que considerassem a graça de Deus, se lembrassem igualmente do povo judeu, de modo que fossem levados a um temor e tremor diante de Deus, pois ainda que tenha sido verdadeiro o agir do Senhor em meio ao povo judeu, devido à sua obstinação e rebeldia, o evangelho foi levado até os gentios (os não judeus) - resultando na condenação de muitos judeus. Assim, conclama o apóstolo para que louvassem ao Artífice por lhes ter levado o evangelho, mas que jamais se esquecessem da ira de Deus para com aqueles que se desviam da Sua palavra.

Ó! Que magnífica verdade! Que estupenda e incalculável preciosidade! Mas tão, tão esquecida em nossos dias! Famílias inteiras têm colocado suas roupas de domingo e ido até a igreja - não para confissão de pecados e um clamar do Senhor, mas tão somente para cumprirem um ritual, incorrendo no mesmíssimo erro de Saul, aquele incorrigível, que assim ouviu de Samuel: "Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros" (1Sm 15.22).

Estas são três coisas que fazem parte da vida cristã, mas que isoladas de outras verdades, não significam coisa alguma.

Olhemos, então, as aplicações do que significa ter recebido a verdadeira fé que é vinda de Deus.

1. Sendo vinda de Deus, esta fé faz o espírito fraco reviver.

"Então lhe anunciaram, dizendo: José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito. E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava. Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José, que ele lhes falara, e vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito de Jacó seu pai. E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra" (Gn 45.26-28).

Nós conhecemos o que se passou antes desta narrativa: José, filho de Jacó (também chamado Israel), foi vendido por seus irmãos a alguns mercadores midianitas, que por sua vez o venderam a Faraó. No intento de se esquivarem do pecado, os irmãos de José tomaram um cabrito, o mataram e tingiram a túnica de José com marcas de sangue, mandando que fosse levada a seu velho e idoso pai. No Egito, José acha graça diante do Faraó e se torna somente menor que Faraó em poder e autoridade. Com os sonhos interpretados,  se iniciam os sete anos de fartura, seguidos dos sete de escassez. Na falta de suprimento, devido à escassez, Jacó manda que seus filhos vão até o Egito buscar comida, pois havia visto que lá se poderia comprar algum mantimento. José, todavia, a fim de prová-los, pergunta se havia ainda outro filho, forçando-os a voltarem à casa de seu pai e somente retornarem  com o pequeno Benjamim. Por fim, já descrente da esperança de ver seu filho José vivo e ainda ter de suportar a angústia de possivelmente perder também a Benjamim, mas precisando sustentar sua casa, Jacó pesarosamente ordena que todos os seus filhos tornem ao Egito, a fim de adquirirem mais alimento. Para seu estupendo espanto e quase desfalecimento, retornam todos os filhos com vários animais carregados de alimento, causando muitíssima alegria àquele pai já triste e abatido de coração.

Amados irmãos, assim como Jacó recobrou as alegrias quando avistou seus filhos e os animais carregados de mantimento (mui provavelmente com muito mais comida do que tinha dinheiro para adquirir), também o dom verdadeiro de Deus nos enche de esperança e reanima a alma cansada. "Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (Jo 4.14; 6.35). Quando Jacó ouviu que "José ainda vive, e ele também é regente em toda a terra do Egito" (Gn 45.26), seu coração se pôs a parar, "porque não os acreditava". Para aquele pai, ter seu filho de volta e ainda regente na potência econômica do Egito, simplesmente não fazia qualquer sentido. Mas, "vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito" (Gn 45.27)!

É isto que acontece no coração de um verdadeiro regenerado! Ele, ao contrário de suas vãs esperanças naquilo que seus olhos podem ver, exulta muitíssimo de alegria e não se detém, nem mesmo por um minuto, a ir ao encontro do salvador: "Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que morra" (Gn 45.28). O cristão, outrora, antes de ser feito nova criatura, perdido no pecado e sem comida para sua alma, se achava completamente desprazeroso na vida - viver, para ele, não fazia sentido, tudo lhe era vaidade, conforme explicitamente escreve o Pregador (Eclesiastes). Mas, ao contrário do que tinha para sua vida e nada possuindo, exceto o aguardar um possível, mas incerto retorno de seus filhos, pôde, por algum motivo que teve o Senhor por bem conceder, ver as caravanas do Egito vindo ao seu encontro, trazendo todo o sustento para si e sua família! Que grandiosa felicidade! Que louvável e indescritível alegria deve ter tido o idoso Jacó, que mesmo já com poucas forças, as reuniu e foi até Egito com sua família. Encontrando ele com seu filho e certamente chorando alegremente, compreendera que mais nada lhe restara, podendo morrer feliz e tranquilo: "Morra eu agora, pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives" (Gn 46.30).

Este dom, preciosos ouvintes e leitores, é o Senhor Jesus Cristo. Ele é a glória do Deus de Jacó; Ele é a felicidade da cidade de Sião; Ele é o provedor vindo do Pai, cujo Reino está repletíssimo do trigo celestial, do pão da vida e do vinho que é Seu sangue. A honra, glória e poder não pertencem a José, pois este reconheceu que tudo que lhe acontecera, havia vindo das mãos de Deus (Gn 45.5). José foi um tipo de Cristo, pois em sua vida foi demonstrada a grandeza, majestade e domínio do verdadeiro Cristo sobre toda uma nação (ainda que não fosse judaica) e mais: seu excelso poder em não só bem administrar as posses, mas as converter em bênçãos para os seus.

2. Sendo vinda de Deus, nada pode parar esta fé.

Frequentemente, nos tempos antigos, se falava enfaticamente sobre a perseverança dos santos na salvação operada pelo Senhor. Todavia, ao contrário do que muitos têm pensado e distorcido esta bela, preciosa e necessária doutrina, ela não ensina que uma vez eleito, o cristão pode agir levianamente para com o Salvador. Ao contrário, ela ensina é que uma vez transformado e regenerado pelo Senhor, o cristão genuíno, aquele que possuí a marca indelével do Espírito Santo em seu coração (Ef 1.13), perseverará até o fim de sua caminhada.

Eis alguns versículos que comprovam tal doutrina:

- "Depois disse Israel a José: Eis que eu morro, mas Deus será convosco, e vos fará tornar à terra de vossos pais" (Gn 48.21);
- "Também deixei ficar em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda a boca que não o beijou" (1Rs 19.18);
- "Não temais o rei de babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o SENHOR, porque eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão" (Jr 42.11);
- "Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28.20);
- "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo" (Fp 1.6);
- "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13);
- "E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus" (Fp 4.7);
- "Fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno" (2Ts 3.3).

Escrevendo à igreja da Galácia, o apóstolo lhes fundamenta esta rica verdade: "Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2.20). O que Paulo está a dizer é que se "vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim", então, por implicação lógica de que Cristo não pode vir a morrer em seu corpo, isto é, perder o poder de atuação, a conclusão é que uma vez tendo nascido do Espírito, nada poderá lhe separar do amor de Deus - o que expressou mais estritamente em Romanos 8.31-39.

Esta fé que ninguém pode parar, diz a Escritura, deve ser vivida "na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim". O ensino bíblico é cristalino ao enfatizar que a fé é um dom de Deus, um dom sobrenatural e que se é infundido no coração do homem, pelo e para o Senhor.

"Não vem de vós", nós temos em nosso texto. Se não vem de nós, então nada neste mundo poderá deter os filhos de Deus - "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" (Rm 8.33), pergunta o apóstolo. É como se dissesse: "Quem neste mundo poderá acusar os cristãos de terem perdido a salvação, sendo que ela não é produto deles próprios, e sim advém das mãos graciosas do Senhor?". Por isso, logo responde, dizendo: "É Deus quem os justifica".

Esta fé que os filhos do Senhor são contemplados, pode todas as coisas - não por quem é o receptáculo dela (o homem), mas no poder daquele a quem estes invocam: "Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece" (Fp 4.13). A fé do cristão genuíno é superior às dificuldades terrenas, o faz viver contente e jamais poderá desvanecer, pois "isto não vem de vós". Quem garante tal doutrina não são homens, mas o Senhor que elege, regenera, santifica e sela o crente para Sua honra e glória eterna!

3. Sendo vinda de Deus, é seletiva e plenamente eficaz em Seus filhos.

Dizemos ser seletiva, não porque saibamos onde estão os eleitos do Senhor (pois isto seria usurpar Sua soberania e intentarmos galgar o posto Altíssimo), mas devido ao fato de muitos não serem tocados por esta fé. Por algum motivo que foge ao entendimento de todo cristão, por mais piedoso, misericordioso e sábio que seja, teve por bem o Criador, ainda antes da fundação do mundo, escolher os Seus - "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor" (Ef 1.4).

Esta fé, porém, estava presente apenas nos judeus regenerados, não podendo alcançar os demais povos, como evidencia clarividentemente a Escritura em todo o Antigo Testamento. Tal fé, no Novo Testamento, foi somente dada aos gentios após a morte do Senhor, pois em Sua primeira comissão aos apóstolos, Cristo ordenou que fossem aos da casa de Israel (Mt 10.6); posteriormente, somente, é que foram ordenados a ir por "todas as nações" (Mt 28.19).

Assim sendo, esta fé foi o que justificou Abrão diante do Senhor: "E creu ele no SENHOR, e imputou-lhe isto por justiça" (Gn 15.6); esta fé salvadora é o fruto da semente que caiu em solo propício e frutificou mui abundantemente (Mt 13.8); esta fé foi o que levou Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José, Sara, Moisés, Raabe e uma numerosíssima quantia de homens aos céus do Senhor. "Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos" (Hb 11)!

Que nosso Senhor seja gracioso para conosco e nos leve à confirmação da fé em Cristo Jesus, a única esperança para todo o que crê. "Lança o teu cuidado sobre o SENHOR, e ele te susterá; não permitirá jamais que o justo seja abalado" (Sl 55.22).

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