"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Efésios 2.8 (parte 2) - Por Meio da Fé - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 14.10.2012



Efésios 2.8 (parte 2) - Por Meio da Fé
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 14.10.2012

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Ef 2.8 - ênfase minha).

O santo apóstolo, por meio da inspiração divina que levou todos os Seus servos a escreverem suas cartas às igrejas, nos deixou evidente no início deste versículo que a salvação é única e exclusivamente pela graça de Deus. A graça não advém do livre arbítrio, não provém da sabedoria humana, do querer pecador ou das obras imundas que cometemos - ela vem por meio da graça, pois somente por ela é que somos salvos. Entretanto, Paulo continua a expandir este precioso ensinamento acerca da graça; isto é, ele não pontuou simplesmente que somos salvos pela graça, e sim indicou aos irmãos de Éfeso como essa graça é vista, reconhecida e experimentada em nossas vidas: "por meio da fé".

A fé, para as Escrituras, é muitíssimo diferente de um simples crer no evangelho e é algo completamente oposto a algum "forte querer" do homem. Por quê? Porque juntamente com a fé, está a graça de Deus - não há como separar estas duas companheiras. Nosso texto, então, não deve ser analisado isoladamente, pois toda a Escritura nos foi dada para o ensino (2Tm 3.16-17), de modo que para buscarmos, pela graça e misericórdia do Senhor, o entendimento correto acerca da fé, temos de adentrar e percorrer alguns caminhos delimitados por Deus e firmemente estabelecidos em Sua santa e viva Palavra. Olhemos, assim, alguns apontamentos bíblicos e textos que nos falam sobre a fé e qual sua relação com a vida cristã.

1. Para se ter fé, deve haver um novo nascer.

Precisamos fixar nossas mentes e corações em um ensinamento de magnífica importância e relevância prática: a regeneração, precede a fé. Sim, o homem somente possui fé, quando é transformado verdadeiramente pelo Senhor - "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Ef 2.5). O apóstolo é explícito em afirmar que "Estando nós ainda mortos", demonstrando que o homem natural, nada pode fazer, a não ser sucumbir pelo peso de seu pecado e cair velozmente em direção ao inferno. Todavia, mesmo na terrível morte espiritual em que o ser humano se encontra, "pelo seu muito amor com que nos amou" (Ef 2.4), Cristo chama os seus filhos como fez a Lázaro - e eles passam a viver.

"E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo" (Jo 3.1-7).

Assim como não nascem maçãs de uma videira, nem ameixas de uma oliveira, também a fé não nasce, antes do homem haver sido nascido do Espírito. Este homem fariseu, "príncipe dos judeus", acreditava que conhecia as verdades do evangelho; por ser mestre da Lei (os fariseus eram os mestres), presunçosamente, cria que Jesus também era um mestre ("bem sabemos que és Mestre"). Todavia, seu querer e pensar sobre Cristo, estavam completamente errados. Bastou Nicodemos ter falsamente reconhecido a Jesus com mestre,  que ouviu as palavras divinas: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". Tal frase soou àquele fariseu como se Cristo dissesse: "Cala-te! Tu não sabes o que dizes! Nicodemos, mestre e príncipe dos judeus, erroneamente tu me chamas de Mestre, porque bem sei que tu não és nascido de Deus."

Aquele homem, então, buscando responder a Cristo (fato que os fariseus mui apreciavam), diz: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?" As palavras de Nicodemos, todavia, não surtiram o efeito desejado. Notemos que este mestre da Lei, inquirindo e desejando uma resposta de Cristo, na verdade, não a obtém, pois Ele responde: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo".

Cristo, ao contrário do querer do fariseu, não lhe respondeu a pergunta; não lhe entregou a resposta sobre "Como pode um homem nascer, sendo velho?". Cristo, em Sua inefável sabedoria, simplesmente disse ao fariseu: "Homem, tu não és nascido do Espírito, porque se fato fosses, poderias 'entrar no reino de Deus'." Acrescentando, ainda: "Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo", como se afirmasse: "Não penses que isto é doutrina nova".

Portanto, sem um "nascer da água e do Espírito", ninguém pode ir e "entrar no reino de Deus" - "porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" (Hb 11.6)

2. A fé está determinada para todos os que são nascidos verdadeiramente do Senhor.

"Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade" (2Ts 2.13).

O apóstolo é enfático, sublime e cirúrgico ao afirmar que Deus: 1. elegeu; 2. desde o princípio para a salvação; 3. em santificação do Espírito; 4. e fé da verdade. Deus não enviou Seu filho para simplesmente proporcionar a mera possibilidade de salvação, porque sendo verdadeiro que "todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23), então se Cristo tão somente "colocou a salvação sobre a mesa" e deixou ao encargo dos homens o escolher ou rejeitar, certamente decretou a perdição de todos os homens, pois um morto não se sente atraído pela fresca comida e não se delicia com um banquete à sua frente - seus cinco sentidos são cegos (Ef 1.18), sua alma é cativa ao pecado (Ef 2.3) e ele caminha tão somente para a perdição (Mt 15.14).

Quando Deus, na eternidade, elegeu (Ef 1.4) a Sua multidão incontável de filhos, Ele lhes legou não somente a salvação, mas igualmente os efeitos ou desdobramentos da eleição, a saber: um vida santificada pelo Espírito e constante fé da verdade.

A fé da verdade, que Paulo fala, é uma fé baseada na santificação que o Espírito produz nos crentes, afinal, "sem fé é impossível agradar-lhe" (Hb 11.6). O Senhor e poderoso Altíssimo, não poderia tão somente eleger e "deixar" o homem em seus caminhos; não poderia ter elegido e dito, "vai, criatura minha, tu és poderoso em teu querer". A eleição de Deus traz toda a providência divina anexa à ela. É completamente descabível crer que um pai compre um carro para seu filho maior e capaz, mas não lhe entregue as chaves e a devida habilitação para o dirigir, não é mesmo? Desta maneira, quando o Senhor, em Seu tempo, desperta Seus filhos para a vida eterna, não somente lhes revela o Seu poder, mas também imputa sobre eles a justiça do Filho, que, então, gera a fé.

A fé que os cristãos possuem, não é fruto de seus próprios corações, razão pela qual, lemos cristalinamente: "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). Se é Deus quem opera o querer e o efetuar, então é Deus quem concede fé; é Deus quem concede um coração confiante e é Deus quem leva o homem pecador a ler e confiar nas Escrituras, pois "Do SENHOR vem a salvação" (Jn 2.9). A fé que opera juntamente com a graça, diz o apóstolo, "é dom de Deus"!

3. A fé está unida a um profundo senso de miséria pessoal

"E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue, E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior; Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste. Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei. E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal. E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou? E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera. Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade. E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal" (Mc 5.25-34).

Este precioso texto nos fornece grandes e magníficas verdades sobre a natureza e anatomia da fé genuína. A fé veraz brota no coração dos regenerados, no íntimo de homens e mulheres convictos de seu pecado e incapacidade de ir até Cristo. Esta mulher que nos é relatada, chegou ao limite do desespero, pois "havia doze anos, tinha um fluxo de sangue". Mas não unicamente isso, pois havia gasto todas as suas economias com homens que não a podiam curar: "padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior". Notemos que esta mulher não se achegou a Jesus vibrante, pulando, sorrindo, cantando, afinal, isto não podia, devido à sua enfermidade e incapacidade corporal. Ela não se achegou a Jesus com dinheiro nos bolsos ou uma vasta conta bancária - ela foi pobre, rastejando, estando, após doze anos, "pior" do que quando começara os problemas de sua doença. O evangelista Lucas, retrata que ela "gastara com os médicos todos os seus haveres, e por nenhum pudera ser curada" (Lc 8.43). Frisemos: "e por nenhum pudera ser curada". Ela, então, foi até Cristo, após ter reconhecido, por meio da graça (porque naturalmente estava morta em seus delitos e pecados), que não havia salvação em nenhum outro - ou o Senhor a curava, ou já não lhe restava esperança.

Mas, mesmo em meio a toda à sua miséria e desprezo social, pela graça soberana, esta mulher foi até Jesus - "Ouvindo falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste". Paremos por um momento e meditemos nesta profunda verdade: "Ouvindo falar de Jesus". Aquela mulher não viu milagres, não experimentou qualquer "show da fé" ou grandiosos feitos; ela simplesmente ouviu falar de Jesus. Que graça teve esta mulher! Alguém lhe falou que Cristo estava perto, como Paulo escreveu: "Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor" (Fp 4.5).

Esta mulher, mesmo ouvindo falar do Senhor, foi prudente e se aproximou de Jesus com estupendo senso de humildade - "Porque dizia: Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei". Assim como a mulher grega disse ao Senhor que se contentaria com as "sobras" da comida verdadeira que Cristo tinha para os judeus (Mt 7.25-28), também esta mulher doente e sem esperança no mundo, foi até ao Senhor com grande devoção. Ela não buscou um aperto de mão, um abraço ou um olhar face a face - buscou "tocar nas suas vestes".

Aqui, temos um precioso ensino em forma de duas perguntas: "E logo Jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: Quem tocou nas minhas vestes? E disseram-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e dizes: Quem me tocou?" (Mc 5.30-31). Precisamos, ainda nos perguntar: por que, em meio a tantas pessoas tocando o Salvador, apenas uma foi curada e salva? Por quê? Qual o motivo desta separação? Não haveriam ali, outros tantos doentes se amontoando e pressionando a Jesus?

Lucas registra a resposta de Cristo: "E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude" (Lc 8.46). Mas, por que saiu poder de Jesus? "Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra" (João 4.34). Cristo, com grande compaixão daquela mulher, teve por bem que dele saísse o poder curador. Não devemos olhar esta narrativa como se o mérito da cura pertencesse à mulher enferma. O mérito é sempre de Cristo, pois assim lemos: "Aquele que se gloria glorie-se no Senhor" (1Co 1.31). A graça, o louvor, a majestade e poder, são devidos somente ao senhorio de Cristo, pois se não fosse do Seu agrado, esta mulher poderia ter desfalecido de tanto rastejar e, mesmo assim, não teria sido salva.

Como, porém, esta mulher pôde ir até ao Senhor? "Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo" (Jo 17.24). Naquele momento, para a honra e glória do Senhor, havia uma eleita, alguém que pela mão soberana do Artífice, foi criada, levada para estar com Cristo e, para isso, lhe foi dada fé.

4. A fé consiste em firme confiança e certeza das promessas de Deus.

Prestemos a devida atenção: fé não se assemelha a algum passo no escuro; não consiste em um tiro sem direção; não é uma crença na incerteza; não é um acreditar em algo que não se sabe; não é viver sem saber o que fazer; não é flertar com o acaso e esperar para "ver o que acontece". Isto é fé: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hb 11.1)

Para as Escrituras, "fé é o firme fundamento". Fé, amados irmãos, não é somente esperança, mas é o fundamento desta esperança. Por mais ímpio que seja o homem, ele sempre terá esperança em alguém e/ou em alguma coisa. Até mesmo aquele que professa não crer em Deus, possui esperança de que esteja certo em sua convicção. Porém, diferentemente destes, a esperança do cristão, o ansiar do eleito e escolhido do Senhor, é calcada na "", "(Porque andamos por fé, e não por vista)" (2Co 5.7).

Ainda que o cristão não veja as promessas, ele tem a certeza de que elas são verdadeiras: "Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (Hb 11.13). Notemos que o aparente paradoxo entre "não por vista" (2Co 5.7) e "vendo-as de longe" (Hb 11.13), longe de ser uma contradição ou duas verdades excludentes, em realidade, são como que dois lados de uma mesma moeda. De um lado observamos e lemos as promessas de Deus para Seus filhos, o grandioso poder que leva-os a realizar as obras do Senhor, as maravilhas de Suas mãos e, assim, a esperança se alinha em frente aos olhos e para lá corremos, ainda que nada vejamos. Do outro lado, porém, ainda que não consigamos entender perfeitamente o que nos espera, vemos o foco da esperança de aproximando: o Espírito Santo de Deus vem ao nosso encontro!

Tal qual o cego Bartimeu, os cristãos também ouvem: "levanta-te, que ele te chama" (Mc 10.49)! Oh, glórias ao Senhor nas alturas! Assim como aqueles pastores, ouviram dos anjos, nós também podemos ouvir: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor" (Lc 2.14 - NVI). Esta é a fé cristã! É crer que "na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor" (Lc 2.11)!

5. A fé está alinhada à graça de Deus.

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé" (Ef 2.8). O apóstolo do Senhor delimita que é por meio da fé, que a graça opera. A graça é o motivo da salvação, a fé é o modo como esta graça se manifesta. Um homem regenerado pelo Senhor, possui, além da graça, também a fé. Este é o porquê da mensagem do evangelho ser: "Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece" (Jo 3.36).

Que possa o Senhor, mediante Sua incontável graça e misericórdia, nos conceder esta fé "no Filho", a fim de que tenhamos "a vida eterna". Que lembremos constantemente que, se dissermos estar na graça, igualmente precisamos estar na fé; se estamos na fé, então, precisamos andar em novidade de vida (Rm 6.4).

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