"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 18 - Homem e Mulher após a Queda – A Modéstia no Vestir - (Estabelecendo a questão) - Sermão pregado dia 29.07.2012


Série: Homem e Mulher os criou - parte 18 -
Homem e Mulher após a Queda – A Modéstia no Vestir 
(Estabelecendo a questão)
Sermão pregado dia 29.07.2012

Vivemos em dias onde as palavras "modéstia", "honra", "pureza" e "simplicidade" acarretam todo tipo de entendimento errôneo e sempre se diz que tais palavras são similares às utilizadas por aqueles fariseus e legalistas no tempo de Jesus. No entanto, já nos é claro que apesar de toda ignomínia que sofremos do mundo, a Bíblia sempre continuará a ser nosso padrão de fé e verdade para nossos dias. Porém, ponho-me a pensar sobre os porquês de haver tão pouca abordagem em nossas igrejas acerca desse assunto deveras vital para os crentes em Cristo Jesus. Nos causa espanto que as mesmas palavras que suscitam ódio nos ímpios (relacionadas à pureza e modéstia), por muitas vezes instiguem uma reação bastante similar na vida dos professos do cristianismo, ou seja, poucas são as congregações que "resistem" a um firme ensinamento bíblico sobre a modéstia em todas as áreas da vida. Contudo, todas as nossas atividades deverão passar pelo crivo bíblico caso queiramos viver de maneira digna de nossa vocação (Ef 4.1).

Tenho certeza de que muitos de nós (senão, todos) jamais conversaram, ouviram ou leram algum material realmente bíblico sobre como o cristão deve portar-se em seu vestir, caminhar e agir perante esse mundo. Talvez já tenhamos lido alguns materiais que trataram sobre determinados assuntos de forma genérica, isto é, que tocaram apenas em pontos superficiais do que vem a ser um cristão "politicamente correto" diante da igreja e da sociedade em que está instalado. Entretanto, não podemos aceitar que a Bíblia seja somente uma espécie de guia geral para nossas vidas, deixando-nos a incumbência de viver conforme os tempos, modas e filosofias de nossa época. É preciso que os crentes resgatem o verdadeiro discernimento do que vem a ser um homem e mulher "modestos" diante do Senhor.

Também deixamos registrado que ao falar deste assunto não estamos dizendo que não aceitaremos pessoas na igreja que não estejam se vestindo modestamente. Toda sorte de pessoas, jeitos, cores e vestimentas serão aceitas para ouvir a mensagem do evangelho e terem suas vidas transformadas. De modo algum alguém será excluído de assentar-se em nosso meio para conversar sobre sua vida; homens e mulheres, ricos e prostitutas, todos, sem exceção são bem-vindos neste lugar, não importando a roupa que estejam usando, pois cremos que o evangelho é poderoso para transformar estas vidas. Todas as pessoas serão recebidas para ouvir as Boas Novas e, então, posteriormente, pela graça de Deus, através da admoestação e poder do Espírito Santo, tais pessoas vão se vestindo modestamente e crendo no Senhor Jesus. Assim pontuado, olhemos ainda outras questões sobre o que estamos querendo dizer com modéstia.

Em primeiro lugar, é preciso deixar bastante evidente que a modéstia cristã, tanto no vestir-se como no portar-se, não se inicia exterior, mas no interior - deixe-me explicar: poderíamos citar centenas de miríades de atitudes, formas e roupas que seriam adequadas para cada situação de nosso dia-a-dia. Haveriam centenas, senão milhares de casos onde ser-nos-ia lícito apontar qual a melhor solução e como se portar perante o que o mundo requer de nós. Contudo, nada disso surtiria o verdadeiro efeito desejado pelas Escrituras, pois proveito algum teria o escrever de um tratado sobre a "modéstia cristã externa" se não começarmos com o problema inicial de todos os crentes: o pecado.

Em sua grandiosa maioria, todos os professos da vida cristã reconhecem que são pecadores por natureza e que devido a isso todas as suas atitudes estão manchadas e corrompidas pelo pecado. Mas, o que é estranho notar, é que ao lado dessa afirmação, muitos não acreditam na suficiência das Escrituras para discernirem o que é aceitável a Deus, o que Ele reprova e que sobre isso despeja Sua ira santa. Compreendermos a situação pecaminosa de nossas vidas é certamente muito importante, mas não devemos brecar por aí e deixar nossos corações livres para decidir o que será ou não adequado para nossas vidas. Nesse sentido, corretamente sustentam os bons escritores cristãos de que para conhecermos o pecado, precisamos olhar primeiramente para Cristo, contemplar sua beleza, santidade, retidão, justiça e verdade, e, então, olharmos novamente para nós mesmos e visualizarmos a mancha horrível do pecado que se espalha sobre absolutamente todo nosso corpo, tanto interior como exterior. Só conseguiremos entender nossa situação pecaminosa diante do Senhor quando entendermos que n'Ele reside toda fonte de pureza e santidade, mas não apenas como atributos divinos não alcançáveis, e sim como designativos de Deus que devem imperar na vida do crente que agora foi lavado pelo sangue de Cristo.

Quando falamos em modéstia, estamos querendo abordar sobre o que chamamos também de "bom senso cristão", "prudência e juízo cristão", mas, talvez, não como comumente entendido em certos círculos evangélicos, e sim de acordo com àquilo que as Escrituras nos ensinam ser prudente e lícito para a vida cristã. Bem sabemos que todas as ações do homem são provenientes de suas faculdades mentais e de suas emoções, e isso é importante para nós, pois uma vez que o agir exterior provém do interior, é salutar que visualizemos todas as nossas atitudes diante do mundo e da igreja a partir da disposição fundada em nossos corações. Então, sendo a modéstia uma questão proveniente do coração e disposição interior do homem (gênero) pecador, é preciso que entendamos que primeiro precisamos renovar e modificar nosso pensar e discernir sobre a vida cristã  para posteriormente conseguirmos aplicar com entendimento, graça e alegria em nossas vidas tudo aquilo que o Senhor deseja ver visível em nossas vidas - "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2).

Em segundo lugar, quando falamos em modéstia cristã, estamos a dizer que o Senhor nos legou uma santa e viva palavra que suplantou todas as ideologias e demagogias que já surgiram e ainda surgem em nossos tempos. É preciso levar cativo que a Bíblia possui um caráter atemporal, isto é, fora do tempo, desvinculado de qualquer contexto ou época específica - mas o que devemos entender com isso? Devemos compreender que apesar das Escrituras terem sido escritas em tempos bastante remotos ao que vivemos, suas doutrinas, práticas e verdades não estão condicionadas àqueles tempos em que foram escritas, ou seja, o mesmo pentateuco (os cinco primeiros livros da Bíblia) que foi válido para os judeus, hoje também nos comunica ensinamentos e sanções da parte de Deus; as cartas de Paulo escritas para as mais diversas igrejas, apesar de não mais existirem (fisicamente), ainda continuam a falar aos nossos corações e a nos admoestar a viver uma vida conforme a inspiração divina. Certamente que sempre precisamos analisar o contexto onde as cartas e passagens estão inseridas para por fim retirarmos um melhor entendimento; no entanto, o contexto e época não determinam a doutrina para os nossos dias, aliás, fazem justamente o contrário, isto é, mostram-nos que a palavra de Deus muitas vezes irá contra tudo àquilo que se diz ser normal e ordinário para os seres humanos - não foi assim com Noé e sua família, com o povo israelita em meio aos egípcios, com os profetas em meio a toda sorte de heresias, com Jesus entre os fariseus, com Paulo dentro os gentios...? 

Em terceiro lugar, como já brevemente pontuado, é mister que entendamos que a modéstia inicia-se em nosso interior: "O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca" (Lc 6.45), "Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mt 15.19). Um coração mau não pode falar coisas realmente agradáveis aos olhos do Senhor; um homem com pensamentos pervertidos não consegue olhar com pureza para a criação e criaturas feitas por Deus; uma boca ímpia não conseguirá sustentar a falsidade exterior por muito tempo; tão logo o lobo em pele de cordeiro se manifesta, e já todas as ovelhas se põem a correr em direção de seu pastor. A modéstia cristã no vestir-se e portar-se exteriormente não deve ser desassociada em relação à atitude interior. Notemos que em momento algum a Bíblia revela-nos uma descontinuidade entre aquilo que desejamos e o que realizamos; não há sequer um mandamento ou exemplo positivo que nos diga que pode haver uma disparidade entre o professar da fé cristã e a sua vivência diante dos homens. Essa censura nos é muito bem conhecida com relação a Jesus e os mestres da Lei, onde o Messias, sabendo a intenção de seus corações, constantemente os repreendia e proferia seu julgamento eterno sobre tais indivíduos.

Em quarto lugar, um dos princípios básicos da interpretação bíblica é que a Escritura se auto interpreta e, portanto, se auto explica; isto é, não devemos e nem podemos desejar compreender o evangelho de Cristo à luz do século em que vivemos. O verdadeiro intérprete da Bíblia é aquele que vai ao texto sagrado e deixa com que a própria sequência e naturalidade do texto lhe traga a resposta às dúvidas e incertezas. Não é prudente, nessa questão da modéstia, desejarmos intentar o que é moral, lícito e legal para nossos dias, sem antes irmos para a palavra de Deus e entendermos quais são os padrões que ela mesmo reserva para si e de que não abre mão. Ao contrário do senso comum, a Bíblia ensina firmes padrões de modéstia para o vestir do homem, da mulher, da criança e sobre como todos devem se portar nesse mundo vil e pervertido pelo pecado. Quando Cristo roga ao Pai para que não tirasse seus discípulos do mundo, mas sim que os fortalecesse e os livrasse do mal (Jo 17.15), Ele está claramente ensinando que se o Pai os fortalecerá nesse mundo, Ele também certamente os legará Sua providência para que assim o façam.

Em quinto lugar, se somos verdadeiramente crentes, certamente desejaremos fazer tudo em conformidade com a Lei e prescrições do Senhor. Um homem que ama sua esposa e deleita-se em sua doçura, busca agradá-la com gestos e presentes que a fazem feliz; um filho que se orgulha de seu pai e reconhece-o como protetor de sua vida, sempre deseja mostrar exteriormente o quanto está contente por tê-lo por perto e junto de si; até mesmo os cães nos são evidência da relação de afeições que há entre eles e seus donos, mostrando continuamente no abanar do rabo e no latir o quanto se divertem em sua companhia. De forma semelhante, mas que dever-nos-ia ser muito mais intensa, é também nossa relação com o Senhor e salvador de nossas vidas. Se demonstramos aos nossos pares, pais, familiares e amigos (e até mesmo para os animais!) a noção de amor que temos por eles, quanto mais evidente deveria ser nossa prática e vida cristã diante do Altíssimo e por tudo o que Ele nos fez. Homens e mulheres cristãs não podem ter prazer na imodéstia e em coisas imorais que até mesmo o mundo pecador julga serem contrárias a toda ética e sensatez humana. O crente não deve sair de casa com a expectativa de ser admirado por todos, quer seja por seu novo corte de cabelo, nova camisa ou novo visual que tenha adotado - "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). Se professamos uma fé em Cristo Jesus, nosso andar e falar diário precisa necessariamente refletir a salvação que alegamos estar presente em nossos corações. É uma contradição de afirmações o professar uma fé no Santo e sumo Salvador de todos os Seus filhos e ao mesmo tempo viver uma vida devassa e segundo os costumes, modas e intentos deste mundo decaído.

"Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos" (Ap 15.4) O apóstolo João, por meio de inspiração e visão divina, nos é clarividente em sua sentença: "por isso todas as nações virão, e se prostrarão diante de ti" (grifo meu). É corretamente lícito afirmar que tal visão se dá em relação a um futuro ainda não concretizado, no entanto, é igualmente certo sustentarmos que se todas as nações irão ao Senhor e se dobrarão em sinal de reverência e temor diante d'Ele, hoje, nós que somos cristãos gentios (isto é, não judeus), necessitamos externar tudo que está em nossos corações, precisamos demonstrar ao mundo que apesar de termos nascido em meio ao pecado e corrupção, fomos transformados pelo sangue do Cordeiro e já no tempo presente nos prostramos em adoração ao único santo e perfeito Senhor de toda a terra. Todo aquele que procrastina o dobrar amoroso e submisso de seus joelhos perante o Senhor nessa vida, por fim acabará de ter de dobrá-los forçosamente e para sua própria condenação – como diz a frase atribuída a J. C. Ryle, "O inferno é a verdade reconhecida tarde demais".

Tendo pontuado tais posicionamentos, precisamos responder a essa questão: de que tipo de modéstia estamos falando? Isto é, qual a finalidade de estudarmos a modéstia na vida cristã? Acaso, podem pensar alguns, mudaremos nossos modos de falar, agir e nossas roupas do guarda-roupa tão somente porque estamos vendo sobre a modéstia cristã? Respondo: sim. Mas ressalvo: mudemos primeiro o nosso coração.

Haveriam muitas definições para a palavra modéstia em nossos dicionários contemporâneos, no entanto, seria perigoso calcar nossas bases em palavras que vão tendo seus significados alterados conforme o tempo em que estão inseridas. O que hoje se diz ser modesto, puro e adequado, há não mais de cinquenta anos atrás teria uma conotação totalmente diversa; o que presentemente nos representa imoralidade e perversidade moral, há cem anos atrás nem sequer seria digno de menção pública; as roupas que atualmente dizemos ser "mais ou menos prudentes e modestas", há quinhentos anos atrás eram vestimentas que não seriam vistas nem mesmo nos mais esdrúxulos e malignos prostíbulos existentes. Então, tendo em vista que a definição de modéstia, honestidade e prudência variam conforme as épocas, precisamos nos ater a algum baluarte que seja fixo e imutável em sua definição, cujos princípios sempre permanecem os mesmos e assim estarão até o último dia - e certamente que só encontramos tal definição nas Escrituras reveladas pelo Senhor.

"Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor" (Sl 34.15), "Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos" (Pv 23.26). Por toda a Escritura encontramos sentenças que nos admoestam sobre a bênção e sobre os perigos que corremos nessa vida, pois nada escapa aos olhos do Senhor, nem coisa alguma consegue persuadir-Lhe o coração para que intente nova percepção de suas criaturas. Como peregrinos que somos por essa terra, devemos compreender que apesar de muitas lutas, aflições, desesperanças e, quem sabe, até mesmo martírios que possamos passar, nossa estadia não se resume a esta terra infestada e encharcada com o pecado, mas sim que estamos vivendo aquilo que o Senhor intentou e decretou para nós, a fim de que "Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (Hb 13.13-14). Se assim se faz real conosco, isto é, que devemos levar as ofensas de Cristo em nossa vida e nela nos gloriar (além de Seu exemplo vivo), é salutar compreendermos as palavras de Cristo que dizem: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me" (Mt 16.24; Mc 8.34; Lc 9.23).

Não são raras as vezes em que nos deparamos com professos da fé cristã e que constantemente afirmam estar passando por aflições, angústias, doenças e poucas expectativas de melhoras no porvir. Porém, ao analisarmos a vida dos profetas, de Cristo e dos apóstolos em face do mundo em que viviam, percebemos que tais dificuldades são cotidianas para todos os homens, tanto crentes como ímpios. Tanto o crente e o ímpio sofrem, ambos têm angústias, os dois passam por tempos de doença e frequentemente se veem desolados quanto a melhoras significativas em suas vidas. Nesse sentido, portanto, não há que se falar que apenas o levar da cruz de Cristo seja sofrer o mesmo que os ímpios sofrem, mas no final ter a coroa da vida, ao passo que eles terão o tormento eterno. Se a cruz de Cristo se resume somente às mesmas dores e peculiaridades da vida dos homens contrários ao Evangelho, não haveria o porquê de sermos ensinados a carregar uma cruz e O seguir; talvez, se assim fosse, as palavras seriam: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, coloque a cruz no pescoço, e siga-me". A cruz de Cristo, quando viva em nossas vidas, atua de maneira dupla em nosso ser: primeiro nos dando um profundo senso do pecado, morte e destruição iminente que se aproximam de nós, e, em segundo lugar, uma paz e amor tão grandes, que mesmo em meio a todas as dificuldades, excedem todo nosso entendimento (Fp 4.7).

Portanto, a modéstia cristã também precisa estar anexa na cruz de Cristo, isto é, ao levarmos o vitupério e martírio que Cristo sofreu, necessitamos entender que a cruz também deve se fazer presente em nosso pensar, agir e na forma como nos vestimos diante do mundo. De coisa alguma adiantaria tratarmos da modéstia cristã se ela não fosse ligada a cruz de Cristo que precisa estar constantemente em nossos ombros. Se desejamos ser homens e mulheres que de fato refletem o caráter de Cristo nas ações do dia-a-dia, é necessário que comecemos a refletir se compreendemos a modéstia cristã e se de fato ela se faz latente em nossas vidas  - nossos pensamentos são bons e dignos de apreciação? Nossas palavras refletem a glória de Deus que afirmamos habitar em nós? Nossas roupas e os lugares que frequentamos são lícitos para com a fé que dizemos professar?  Ao escrever sobre tal assunto, sei que para alguns posso muito bem ser entendido como legalista, frio, calculista e odioso de toda e qualquer forma de descontração e beleza natural. No entanto, peço que os leitores reflitam primeiramente se de fato podem olhar para dentro de si e exclamarem com o apóstolo: "Miserável homem que sou!" (Rm 7.24). Mas, peço também com amor: olhe para seus relacionamentos e também para com a forma com que se veste e se apresenta diante das pessoas. Busque verificar nas Escrituras se de fato o seu vestir tem sido de acordo com as prescrições divinas, afinal, acaso alguém pensaria que na presença do Senhor poderia habitar a sensualidade e vestimentas contrárias ao que Ele mesmo ordenou em Sua palavra?

A modéstia cristã precisa saltar aos olhos dos não cristãos. Nossa família, nossos amigos e colegas de trabalho precisam enxergar em nós uma mudança significativa de pensamentos e atitudes, quando comparadas as da sociedade pervertida em que estamos inseridos. Não há nada mais maligno para um cristão do que o apoiar-se em falsas premissas do tipo "não seja diferente, seja crente", ou ainda, quando ouve de um ímpio os dizeres, "Nossa! Mas você nem parece crente!", achar que está dando bom testemunho, pois aparenta não ser um alienígena em meio à sociedade "pós moderna". É perniciosa a doutrina da contextualização da Palavra, onde lemos que o evangelho supostamente deve ser moldado pela sociedade em que vivemos. Lamentavelmente já não é incomum observarmos grandes desvirtuações das Escrituras nos professos da suposta fé cristã e que quando juntos e analisados segundo a luz da Verdade, suas roupas mais parecem refletir o espírito de dançarinos e manequins sensuais de Satanás e das bestas indomáveis do que dos crentes piedosos em Cristo Jesus.

"Certa vez Spurgeon disse aos seus alunos que eles iriam descobrir que pessoas que nas reuniões de oração oraram como autênticos santos, e que geralmente se comportavam como piedosas, numa assembléia da igreja poderiam de repente virar demônios! Ah! a história da igreja prova que o que ele disse não é senão muito verdadeiro. Você vê, orando a Deus elas pensam espiritualmente. Depois vêm a uma reunião de negócios da igreja e se tornam demônios. Por quê? Porque já partem de maneira não espiritual, com base na suposição de que há uma diferença essencial entre uma assembléia eclesiástica e uma reunião de oração. Têm dentro de si um espírito partidário, e ele vem para fora. Simplesmente porque esquecem que precisam pensar espiritualmente em tudo. Daí, o primeiro princípio que firmamos é que devemos aprender a pensar sempre espiritualmente".[1]

Assim como colocou o Dr. Jones, para entendermos como a modéstia cristã deve ser aplicada em nossas vidas, precisamos começar a pensar com pressupostos bíblicos, isto é, deixando de lado nossos conceitos pré-concebidos sobre o que vem a ser uma vida modesta e um agir prudente diante do mundo e sob os ditames deste, e, então, nos lançarmos à luz das Escrituras e buscar investigar quais são os padrões estabelecidos pelo Senhor em Sua santa e viva palavra.

Nota:
[1] JONES, Martyn Lloyd, Por Que Prosperam os Ímpios? Ed. PES - pág. 41.

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