"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 3 de julho de 2012

Efésios 1.17 - O Conhecimento de Deus - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 01.07.2012


Efésios 1.17 - 
O Conhecimento de Deus - 
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 01.07.2012

Esta pregação que tivemos foi gravada em vídeo - clique no link para assistir: http://twitcam.livestream.com/arg4d

"Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação" (Ef 1.17).

No versículo anterior o apóstolo nos rememorou acerca da importante tarefa que os crentes em Cristo Jesus têm de amarem uns aos outros e zelarem pela união em torno do Salvador. O amor para com a causa de Cristo deve fazer com que a família da fé se una concomitantemente em favor do Reino de Deus e juntos trilhem suas peregrinações, a fim de - também - demonstrar aos habitantes deste mundo que de fato não estão presos ao presente tempo, e sim que buscam juntos, no amor de Cristo, uma cidade melhor (Hb 13). Tendo delimitado esta importante doutrina e lhes animado ao dizer que continuamente intercedia por eles, agora lhes revela sobre o que orava ao Senhor em favor dos irmãos.

É necessário que haja compreensão da palavra de Deus para que entendamos qual seja "a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2). Todavia, o conhecimento de Deus não pode ser alcançado por meios meramente racionais ou com muita erudição e leitura acima da média. O apóstolo, então, deixa explícito que orava a Deus para que os irmãos tivessem um espírito de "sabedoria e de revelação". Esta oração de Paulo é por demais importante para todos nós, pois é deveras salutar que compreendamos o que vem a ser a obra de Cristo e que implicações práticas ela tem em nossa vida. Se o apóstolo simplesmente tivesse orado para que os irmãos tivessem "mais sabedoria", seria de se supor que ele estaria afirmando que o homem já possui um conhecimento inerentemente bom em si mesmo. Porém, por orar a fim de que lhes fosse concedido o poder de compreensão das coisas celestiais, então se faz necessário o entendimento de que o homem necessita da iluminação de Deus para compreender ao Senhor. [1

Isto nos leva a três raciocínios principais:

Em primeiro lugar, é mister que entendamos a cegueira que se abate sobre o homem natural com respeito ao conhecimento de Deus. Embora seja fato que exista uma revelação natural (delineada nos primeiros capítulos de Romanos), ela não é capaz de conferir o verdadeiro conhecimento regenerador do Senhor. O entendimento obscurecido que os homens têm sobre as coisas do Alto foi expresso pelo próprio Senhor quando disse: "Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem" (Mt 13.13). O homem não transformado pelo Espírito Santo não é capaz de entender a mensagem do evangelho - foi isto que Paulo também afirmou: "Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos" (1Co 1.23). Aos judeus era um escândalo afirmar que o seu rei estaria posto em uma cruz (Dt 21.23); já para os gregos e sua erudição que lhes era peculiar, afirmar que Cristo era mais poderoso do que todos os seus "deuses", também lhes era completamente insano.

Em segundo lugar, muitos podem compreender parcialmente a verdade cristã, mas nunca serem verdadeiramente transportados para o reino da luz. Lembremos com temor e terror do próprio Faraó, que apesar de ter visto as maravilhas que o Senhor havia feito no Egito, de modo algum foi transformado pelo Senhor. Assim como ele, muitos procedem desta maneira, de forma que por anos a fio podem vir diligentemente à igreja, assentarem-se nos primeiros bancos e levarem muitos convidados para o culto - porém, nunca foram fielmente transformados. Aqui, entretanto, se faz a ressalva dita pelo próprio Senhor: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (Jo 6.37). Isto é, o que estamos a pontuar não é que o Senhor rejeitará os que estão de coração contrito em Sua presença, mas sim todo aquele que meramente está engajado na "vida cristã" apenas em busca de uma moralidade mínima.

Em terceiro lugar, o conhecimento de Deus não se processa de forma instantânea. Observemos, por exemplo, a vida do apóstolo Pedro. Quantas foram as vezes que aquele santo vacilou em sua fé e não compreendeu o senhorio de Cristo? Afirmou precipitadamente que nunca abandonaria o Senhor (Mt 26.33), mas por três vezes violou a própria declaração; vendo Jesus andando sobre as águas, pediu que Ele confirmasse Seu poder e ordenasse que ele fosse até Sua direção (Mt 14.28), mas tão logo iniciara a andar e já lhe faltou fé; após Jesus ter afirmado que deveria ir à Jerusalém e morrer, ele tentou lhe persuadir sobre em que grande erro supostamente estaria incorrendo, ao passo que foi advertido severamente pelo Senhor (Mt 16.23); foi também repreendido pelo apóstolo Paulo (Gl 2.11), pois teve medo dos judeus o verem comendo com gentios.

É a partir desde ponto que começamos a vislumbrar a imperiosa obra que Deus realiza na vida dos crentes, de modo que compreendam a verdade bíblica por meio de um espírito de sabedoria e revelação. Notemos, portanto, as três categorias principais que o apóstolo descreve:

1. O conhecimento é vindo de Deus. 

Penso que poucas coisas sobrepujem a alegria cristã de saber que todo nosso conhecimento não vem por meios meramente humanos, mas sim que é o Senhor quem infunde em nós através de Seu Espírito Santo. Por tal conhecimento ter como fonte o próprio Deus, então se patenteia de maneira belíssima a certeza de podermos crer que a revelação que hoje temos é a do próprio Senhor revelado a nós. Observe como a linha de pensamento de Paulo é sequencial - a fim de que os crentes de Éfeso pudessem entender melhor: 

1. Deus os abençoou com bênçãos em Cristo Jesus (Ef 1.3); 
2. Assim o fez e os elegeu antes da fundação do mundo (Ef 1.4); 
3. Os predestinou para adoção por e em Cristo (Ef 1.15); 
4. Lhes mostrou os mistérios de Sua vontade (Ef 1.9); 
5. Foram criados para louvor do Senhor (Ef 1.12); 
6. Podem ter a segurança da vida eterna (Ef 1.14); 
7. Não estavam sozinhos, pois o apóstolo compartilhava das graças de Deus por eles (Ef 1.15-16);
8. Deus os faria a cada dia mais conscientes de Sua sabedoria e revelação (Ef. 1.17-18)...

Tal compreensão nos leva à percepção de quão maravilhoso é o dom que o Senhor nos tem concedido, a ponto de podermos receber o conhecimento diretamente vindo de Deus! Nenhum filósofo não cristão conseguiu obter tal conhecimento! Leia atentamente e veja que o apóstolo cita unicamente "o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória" como fonte de sua intercessão em favor dos irmãos. Ele não ora para que o mundo lhes ensine coisas boas, para que os amigos digam qual e como deve se processar o conhecimento... O apóstolo somente roga ao Deus todo poderoso para que lhes visite e paulatinamente os encha de Seu conhecimento. Assim, nós também podemos ser confortados com a mensagem bíblica diária e as demais disciplinas espirituais (oração, jejum meditação...), afinal, nosso conhecimento não tem como fonte algo perecível, mas sim o próprio Deus eterno.

2. Espírito de sabedoria.

Muitos são os homens que se julgam sábios segundo suas próprias vontades e fazem de Deus uma espécie de bolha de sabão selvagem. Você consegue imaginar tal anomalia - uma bolha de sabão cruel, perversa, sem mente e coração, mas poderosa para fazer o que deseja? Assim como a visualização desta suposta "coisa" é um tanto quanto infantil e destituída de princípios coerentes, de forma muito semelhante é o que muitos pretendem fazer com Deus e com Sua sabedoria. Ao olharem para as Escrituras, não enxergam nela a palavra do Senhor, a ira de Deus, Sua justiça, as boas novas do evangelho, a graça e perdão do Altíssimo para todo aquele que n'Ele crê...Tão somente visualizam um apanhado de certa moralidade reguladora para a sociedade, de forma que acabam por distorcer completamente a verdadeira sabedoria de Deus, pois não a tem como bem mais supremo de suas vidas.

A verdadeira sabedoria que Deus infunde no homem é imutável e, por não ter em Si qualquer sombra de variação (Tg 1.17; 2Tm 2.13), deve ser sempre a mesma no decorrer dos séculos. É por esta razão que frequentemente se recorre aos antigos escritos e se tenta persuadir os demais para que visualizem o que já foi escrito e exposto sobre as doutrinas, pois de forma alguma pode ser possível que no primeiro milênio da vida cristã o ensinamento tenha sido um e, agora, no segundo, tenhamos outra "sabedoria". É certo afirmar que frequentemente ocorrem épocas de maior ou menor visualização dos preceitos divinos; que ora se está mais inclinado para uma área do que outra (por causa do pecado humano) - entretanto, se a sabedoria é vinda diretamente do próprio Deus, então a Sua palavra não pode conter, duas, três, quatro ou mais interpretações completamente desconexas.

Friso este ponto porque (muitíssimo infelizmente! oremos ao Senhor para que reverta este quadro) quantas são as pessoas que se achegam ao lado da verdade e ao ouvirem a mensagem bíblica, dizem: "Eu penso diferente; na verdade, nem ao menos posso concordar parcialmente com você... mas o que importa é Jesus - amém?" Não que sejamos perfeitos - longe de nós afirmar tal coisa -, mas o ponto é: como pode ser possível que Jesus tenha uma lista sem fim de ensinamentos contraditórios? Quer dizer, ou Ele nos deu um espírito de sabedoria e nos ensina por meio de Sua palavra (o único meio de revelação que temos hoje) algo que é comum para todos os cristãos ou vamos começar a ter uma infinidade de "cristãos" que pensam coisas completamente avessas. Veja, por exemplo, quantos são os professos da fé cristã que creem que possuem livre arbítrio - todavia, onde isto é encontrado nas Escrituras? Por outro lado, há também professos da fé cristã que afirmam que tal coisa não existe, "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13). Alguns afirmam que ainda existem dons especiais de cura por meio de pessoas; contudo, outros afirmam que tais dons já cessaram. 

Neste prisma, o próprio Cristo nos ensinou sobre a importância da unidade de compreensão: "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna" (Mt 5.37). Deste modo, se precisamos cumprir o que dizemos, também se depreende o entendimento de que os crentes devem ressoar em uníssono o "sim" e o "não", de forma que a palavra de Deus não venha a ser envergonhada diante do mundo que não conheça a Sua sabedoria - "Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá" (Mt 12.25)

Assim, embora seja prudente fazer a ressalva de que é por causa do pecado que existam tantas interpretações e apesar disso o Senhor ainda salvará a muitos, devemos compreender que a sabedoria que os cristãos possuem no Senhor deve ser una e harmônica, pois uma vez que devemos amar e orar por nossos irmãos (como vimos no versículo passado), então é necessário que oremos por coisas comuns a todos e que sejam descritas em sintonia nas Escrituras, caso contrário estaremos professando uma fé em um "Senhor" que nem ao menos sabe como guiar seu povo, pois contém uma gama tão grande de variações e interpretações que se torna impossível conhecer sua verdadeira vontade.

3. Espírito de revelação.

Que ninguém leia este ponto com olhos brilhosos e pense em revelações extraordinárias - isto não acontece mais. Penso já ter pontuado vezes suficiente, mas ainda outra vez, para ressaltar, lemos sobre a importância de somente termos a Escritura como fonte de nossa revelação: "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16-17). Em momento algum o apóstolo nos fala que "todo conselho do 'profeta' do século XXI é inspirado por Deus", ou ainda, "todo dom de revelar fatos sobre a vida de alguém é inspirado" - nada disto! Há somente uma coisa grandemente inspirada pelo Senhor e que nos tornará "perfeitamente instruído para toda a boa obra": "Toda a Escritura".

O espírito de revelação que Paulo roga ao Senhor não diz respeito a novas revelações, mas sim de poder de compreensão da Santa Palavra. Lembremos do que vimos em alguns versículos anteriores, quando Paulo escreveu dizendo que o Senhor "[Descobriu-nos] o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo" (Ef 1.9). Este descobrimento, isto é, o fazer entender de Sua vontade, é o espírito de revelação. Bem sabemos que o homem por si mesmo não consegue alcançar o conhecimento da Verdade - por isso é necessário que o Espírito Santo de Deus o fortaleça e o guie em toda verdade, conforme lemos: "Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade" (Jo 16.13) Esta promessa de Jesus foi feita antes do derramamento pleno de Seu Espírito, de modo que após este tempo, para os judeus foi revelado as glórias de Cristo e aos gentios (que é o nosso caso e da igreja de Éfeso) foi demonstrado grande benevolência, pois em outros tempos andávamos em trevas e não conhecíamos ao Senhor (Ef 1.11-13; 2.1).

Portanto, a revelação que Deus nos dá por Sua graça e misericórdia está contida tão somente em Sua palavra. Assim, com gratidão no coração podemos compreender a Sua Lei e sermos maravilhados por Seu grande amor para conosco. Quando os crentes recebem o espírito de sabedoria e revelação vindos de Deus, então eles se regozijam grandemente, pois já não são estranhos à promessa, "A saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho" (Ef 3.6).

Que o Senhor possa nos levar em toda a Sua verdade e que a cada dia sejamos mais dependentes do Espírito Santo que nos guia em toda a verdade, a fim de que possamos nos gloriar somente em Cristo, o único salvador - "O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14).

Nota:
[1] Este assunto será mais bem tratado no versículo seguinte.

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