"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Série: Homem e Mulher os criou - parte 16 - Homem e Mulher após a Queda - Funções e Atribuições na Igreja (Compreendendo os Motivos da Distinção) - Sermão pregado dia 15.07.2012


Série: Homem e Mulher os criou - parte 16 -
Homem e Mulher após a Queda - 
Funções e Atribuições na Igreja (Compreendendo os Motivos da Distinção) -
Sermão pregado dia 15.07.2012

As Escrituras nos prescrevem que toda a vida cristã deve ser pautada pela ordem e decência (veja o Antigo Testamento e como constantemente lemos que "E Moisés fez conforme a tudo o que o SENHOR lhe ordenou, assim o fez" - apenas no último capítulo de Êxodo esta sentença é repetida 17 vezes!). Isto implica em afirmar que da mesma forma como já observamos os papéis distintos do homem e da mulher diante um do outro, da sociedade e do Senhor, é necessário entender que as Escrituras também prescrevem uma clara distinção entre a função de ambos os sexos no que diz respeito às atuações dentro da Igreja. Aqui, de imediato já fazemos a ressalva de que não estamos falando apenas de atribuições dentro do "prédio" da igreja (ainda que igualmente esteja incluso), mas sim da vida corporativa e orgânica da Igreja, de modo que cada homem e mulher precise compreender quais são seus lugares destinados para o serviço no Reino de Deus.

É igualmente importante deixar registrado que as distinções feitas pela palavra de Deus não significam juízos de valor com relação aos sexos e/ou às funções. Aqui, não estamos a falar também que as pessoas que não podem/devem trabalhar na igreja sejam "menos cristãs" do que as que se dedicam a estes feitos - advogar isto seria retornar ao romanismo pagão e afirmar que o clero ("sacerdotes" da igreja de Roma) estava mais perto de Deus e trabalhava em questões mais santas do que a plebe (classe popular do povo); tal coisa foi magistralmente combatida pelos inúmeros reformadores, o que levou, por exemplo, Martinho Lutero a dizer: "Não importa quão numerosas, sagradas e árduas sejam [as obras dos monges e sacerdotes], aos olhos de Deus essas obras não são, de maneira alguma, superiores às de um lavrador que labuta no campo ou às de uma mulher que cuida de sua casa." [1]

Todavia - ainda falando sobre os reformadores -, se por um lado a Reforma Protestante foi um grande avanço contra este dicotomia entre "sagrado e secular", por outro lado abriu-se (por conta do pecado) uma grande frente para um avanço desenfreado no que concerne à atuação em determinadas funções do ofício ministerial. Em outras palavras, se anteriormente a "igreja" (de Roma) era tida em alta estima e as pessoas a tinham em certa reverência e temor (mesmo sendo hipócritas e com seu coração afastado do Senhor), após a Reforma muitos passaram a conjecturar que a "porta" de entrada ao pastoreio e ensino estava escancarada para todos e, a partir disto, qualquer um supostamente poderia assumir as importantes tarefas com relação ao ministério - de extremamente restrita, passou a se entender como se estivesse completamente aberta.

Neste sentido, portanto, precisamos delimitar e apontar as diretrizes bíblicas sobre o que vem a ser um "ministério" dentro da Igreja e quais são as pessoas que podem assumir tais funções.

Embora em nossos dias seja muitíssimo comum encontrarmos igrejas que possuem dezenas (as vezes centenas! [2]) de "ministérios", esta realidade não implica em dizer que tudo isso é de fato validado e autorizado pelas Escrituras. O que necessitamos entender que é ministérios, como já disse alguém, na maioria das vezes são como que as "muletas" de uma igreja que estava e/ou está à beira da bancarrota teológica e espiritual. Também não são poucas as vezes em que encontramos as mais diferentes pessoas (de ambos os sexos) com as mais variadas "teologias" e "ministérios" e, por mais triste que possa ser, todas "ensinando, liderando e apascentando o rebanho do Senhor".

Notemos preciosos ensinos sobre ministérios: Em primeiro lugar, ministérios não significam o fracionamento da igreja em um número sem fim de "delegações" (ministério de pregação, ministério de ensino, ministério de idosos, ministérios de adultos solteiros, ministérios de jovens, ministério de crianças, ministério de evangelismo...). Ministérios, para a Bíblia, são basicamente apenas três: assistência, ensino e pregação (serão mais bem analisadas no próximo estudo) - "Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra" (At 6.1-4). Em segundo lugar, nem todas as pessoas e nem todas as funções podem contemplar todos os cristãos - por exemplo, um homem tem vocações e autorizações bíblicas para determinadas atividades, ao passo que a mulher não as tem. Esta distinção é deveras importante para nossa compreensão, pois uma vez que delimitamos algumas funções sociais e matrimoniais entre homem e mulher (veja os estudos anteriores), por óbvio que esta diferença (novamente, não significando menosprezo para com qualquer sexo) deve persistir na esfera do regimento da igreja. E, em terceiro lugar, os ministérios não servem para "segurar" pessoas na igreja. É algo completamente maligno, pernicioso e satânico fornecer um cargo/função a uma pessoa para que ela fique "feliz" e não saia da igreja. Os autorizados e envolvidos nos ministérios, devem ser sempre pessoas "de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria" (At 6.3).

Ainda antes de iniciarmos propriamente com as devidas distinções, é preciso também fazer um breve apontamento com relação aos dons espirituais. É importante salientarmos este ponto, pois frequentemente toda sorte de dúvidas e discrepâncias com a palavra de Deus acabam surgindo porque as pessoas entendem que possuem determinado dom e que "enterrá-los" seria pecar contra o Senhor por não colocar em prática o que o Senhor - supostamente - concedeu.

É verdade que a Bíblia não possui um versículo prova (proof text) que explique esta questão de forma literal e exaustiva, isto é, não há um versículo que contemple todos os dons, todas as formas de se aplicá-lo e como isto se desdobra na vida prática. Porém, por a Bíblia ser, na linguagem dos puritanos, um "corpo de divindade" (isto é, ela é una e totalmente divina), então precisamos compreender que todos os livros da Bíblia devem ser analisados para que entendamos o que o Senhor requer de nós quanto às aplicações de Suas dádivas e vocações aos seres humanos. Sendo verdade que os cristãos buscam prezar por um dos princípios elementares das Escrituras - sua unidade -, então é preciso reconhecer que o Senhor, em hipótese alguma, dará um dom a alguma pessoa que não possa exercê-lo ou não tenha as devidas características recomendadas pela Palavra para que pratique tal engenho. [3] Quer dizer, ou o Senhor mudou de ensinamento e o que valia para as Escrituras já não valem para nós, ou, nos dias de hoje, quando a pessoas advogam terem determinado dom e isto não se encaixa com a Bíblia, tais pessoas devem ser ensinadas sobre que estão, quem sabe, sendo enganadas por Satanás ou ainda por poderem estar tendo uma compreensão errada do fato.

Muitas são as pessoas que afirmam ser o cristianismo um "sistema de crença" demasiadamente masculinizado, como que expressando, em outras palavras, que a Bíblia relega a mulher a um papel inferior, que ela é menosprezada, rebaixada e fadada a viver uma vida de escravidão dentro do "cercado" de sua casa. Entretanto, os que assim procedem, além de não compreenderem corretamente as Escrituras, estão indo contra inúmeros textos explícitos e que afirmam o quão graciosas, doces, belas e dignas são as mulheres diante do Senhor e dos homens. Observemos, de imediato, Abigail, Raabe, Rute (estes duas presentes na genealogia de Jesus - Mt 1); também posteriormente temos o exemplo da pobre viúva (Lc 21.3) e de Paulo afirmando: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3.28 - grifo). Isto, portanto, nos ensina que diante do Senhor, ambos os sexos iguais - "E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gn 1.27). Assim, ao contrário do que muitos intentam, as próprias Escrituras afirmam que a mulher é magnificamente importante para o reino de Deus; a única diferença é que ela possui atribuições diferentes daquelas dada ao homem (relembre dos estudos que já tivemos).

Penso que o que motiva esta discrepância - acima referida - tenha vindo de um erro duplo: a frouxidão masculina e a ascensão feminina. Por um determinado viés, muitos homens deixaram de buscar nas Escrituras o seu alimento espiritual. Enquanto a grandiosa maioria dos homens do passado tiveram plena ciência da suficiência da Palavra para a Igreja (2Tm 3.16-17), muitos hoje têm se tornado verdadeiros "homens-boneco-de-pano" - sem vida pautada pelo Senhor e sendo quase que totalmente manipulados pelas tendências feministas (lembremos que este movimento não possui muito mais que um século). Por outro lado, muitas mulheres deixaram de ver a beleza das atribuições dadas por Deus. Acabaram por - infelizmente - entrar na onda feminista secular, libertação da "escravidão", igualdade de funções e uma espécie igualitarismo reacionário. Assim, aos poucos elas também foram se afastando das doutrinas bíblicas e crendo que poderiam assumir as mesmas funções que os homens.

Analisemos, portanto, primeiramente à luz de 1 Coríntios qual deve ser a distinção primária e o porquê dela existir nas Escrituras.

"Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo" (1Co 11.3). A intenção do apóstolo Paulo é evidente neste versículo: há uma diferenciação quanto à subordinação e atribuições. Recordemos brevemente de que a mulher havia sido criada para ser uma ajudadora idônea (Gn 2.18) e, por conta disto, se submetia alegremente ao seu marido. Depois da queda os papeis permaneceram os mesmos, mas agora já não seria santamente agradável a submissão dela e o governar dele (no sentido que se deleitariam sem demora neste ponto) - "E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará" (Gn 3.16). Aqui, a Bíblia não é dúbia em seu parecer ou titubeante em usas afirmações, e sim é explícita em dizer: a amável submissão se foi por causa do pecado, agora a mulher deve continuar sendo uma ajudadora dele (e glórias ao Senhor por isso, pois grandes bênçãos é ter uma adorável esposa!), mas isto não lhe será mais prazeroso como antes do advento do pecado - "ele te dominará".

Note também a diferença: Cristo é o cabeça do homem - o homem não deve dominar a mulher de modo escravizante e alheio às Escrituras, afinal, ele está sob o domínio de Cristo. Porém, isto não significa que a mulher está livre para fazer o que bem desejar, pois "o homem [é] a cabeça da mulher". Conforme nos é revelado, igualmente "Deus [é] a cabeça de Cristo" - o que penso que signifique que Cristo, enquanto Filho de Deus (outrossim, seja o próprio Deus), também não poderia agir de forma autônoma, no sentido de desejar fazer quaisquer coisas não determinadas e em harmonia com a trindade; deve, portanto, se submeter ao próprio Deus.

Posteriormente consideraremos melhor este versículo e seu contexto, mas olhemos o que Paulo escreve a Timóteo: "E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão" (1Tm 2.14). Aqui, também há uma clara distinção (pois está relacionado aos versículos anteriores que veremos no próximo estudo) e um motivo que acompanha a negativa para algumas determinadas funções à mulher no ministério. Certamente que Paulo não esta falando que a culpa da queda foi exclusiva de Eva (já consideramos este ponto nos estudos anteriores), mas sim que, embora ambos tenham pecado contra o Senhor, apenas um dos cônjuges foi enganado pela serpente: "mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão". Assim, é por este entendimento (além de muitos outros, mas que não cabem aqui) que é necessário compreendermos a ímpar aplicação concernente aos atos do homem e da mulher na Igreja de Cristo (e que se estende para outras áreas).

Notas:
[1] LUTERO, Martinho, citado em "Vivendo para a Glória de Deus", Ed. FIEL, pág. 322.
[2] Estes números exorbitantes de "ministérios" são alcançados porque algumas igrejas consideram como ministérios específicos, por exemplo, o acender a luz da igreja, limpar as cadeiras, ligar o sistema de som,  abrir as portas de determinado lugar... Cada uma destas atividades seria um "ministério" dentro da igreja.
[3] Não cabe ao presente trabalho o expor detalhadamente quais dons estão ainda em vigor. Todavia, estamos de acordo com a perspectiva reformada (e única sustentável pelas Escrituras) de que os dons "miraculosos" (como dom de línguas e curas) cessaram.

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