"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Efésios 1.1d, e, 2 - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 05.02.2012



Efésios 1.1d, e, 2 - 
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 05.02.2012

"aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus: A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo!" (Ef 1:1d, e, 2).

Após termos visto como o Senhor foi gracioso com o amado Paulo e de como o transformou de detrator do Evangelho em ministro da paz e proclamador da graça de Cristo, agora importa-nos notar como que o apóstolo passa a tratar aqueles a quem perseguia anteriormente, isto é, como que ele demonstra se importar com a igreja de Cristo, com os crentes, com a sã doutrina, sendo incisivo em suas colocações e sempre desejando ser útil àqueles que outrora desejava ver mortos.

Notamos que quando Paulo chama de santos aqueles que estão em Éfeso, mas não o faz com o intuito de dizer que aqueles irmãos eram ilibados em seus afazeres, mas sim que estavam separados do mundo e unidos ao Senhor em amor e devoção a Palavra - esse é o sentido de santos que o apóstolo deseja nos mostrar. Quando o apóstolo Pedro escreve dizendo, "Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo" (1Pe 1.15,16) e também o autor de Hebreus, "Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14), eles estão a nos desejar transmitir a seguinte mensagem: vocês, crentes em Cristo Jesus, sejam separados para o Senhor, vivam suas vidas para Ele, devotem-se de todo coração, fujam da aparência do mal, condenem as obras infrutíferas das trevas, resistam ao perverso, vistam vossas armaduras de guerreiros celestes e pelejem contra o inimigo, contudo, não esperem atingir a plena perfeição durante vossa peregrinação na terra, "Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (Hb 13.14), e é somente na Jerusalém celestial que vossos corpos serão transformados e a corruptibilidade será extirpada de seus corações.

O povo do Senhor é sempre um remanescente santo e que não se dobra diante de Baal. Como já disse certo pregador, a Igreja de Cristo sempre esteve pura, santa e imaculada, mas isso não significa que deixou de ser pecadora, e sim que uma vez unida a Cristo (pelo próprio poder de Cristo conferido aos crentes - isto é, a fé), deve viver subordinada a ele. Esse é o ensino do apóstolo aos Corintios, onde ele trata da subordinação da mulher ao homem, assim como ambos estão debaixo do jugo do Senhor.

Ao tratar sobre o tema santidade, nos é ainda preciso atentar para as palavras de J. C. Ryle em seu livro Santidade: "Nunca conheceremos a santidade de Deus enquanto não entendermos o que é o pecado". Entender a nossa malignidade e perversidade é o primeiro passo em direção ao céu. John Bunyan exemplificou muito bem essa questão em seu famoso livro O Peregrino. Lá, por meio de Evangelista, Cristão compreende que sua cidade está destinada ao inferno e que todo que permanecer nela perecerá (a cidade ilustra nossa carne e antigos desejos). Cristão então põe-se a andar e ler o livro (a Bíblia) a fim de que conseguir direção rumo à cidade celestial. Nesse ponto, notamos que Cristão não conhece a verdadeira santidade, pois ainda não está consciente de quão maligno e perverso ele é. No entanto, a medida que vai avançando a carreira da fé, percebe o quão propenso para o mal e desavisada é sua alma, a ponto de cada vez mais reconhecer o quão pecador é e de quanto necessita da graça do Senhor durante sua viagem.

Assim como na alegoria, todo crente também tem o dever de buscar conhecer o caminho da santidade, mas deve fazê-lo somente após entender que é o mais trágico pecador e mais necessitado da graça do Senhor. Foi isso que o apóstolo Paulo fez ao dizer: "Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal" (1Tm 1.15).

Que não nos fuja à mente, um segundo sequer, que Paulo escrevia de dentro de uma prisão. Alguns desavisados poderiam pensar que o santo estava em um bom lugar de acordo com os desejos do mundo, como que sentado em sua torre de marfim e apenas escrevendo e entregando cartas aos irmãos assolados pelo mundo. Não, o retrato é totalmente o aposto. O apóstolo está preso em Roma, aguardando julgamento e mesmo assim exorta os crentes a serem "fiéis em Cristo Jesus". Dever-nos-ia espantar essa atitude, pois quem deveria escrever era a igreja, e não Paulo! Pois quem padecia de necessidades era Paulo! Contudo, ele sabia que já não deveria viver mais para si, mas para as igrejas de Cristo, pois se ele fora alcançado pela graça divina, também era desejoso e impulsionado a levar os outros crentes à maturidade e perseverança em Cristo Jesus, ainda que todas as situações fossem adversas - conforme ele mesmo atesta ao escrever da prisão.

Notamos então, aqui a continuação da graciosa obra salvífica que aconteceu no coração de Paulo, pois se houve por começar sua saudação dizendo que vinha da parte de Jesus e enviado pela vontade de Deus, agora expõe aos irmãos de Éfeso de que eles eram santos ao Senhor, povo escolhido e redimido pelo Seu sangue, e mais, que eram "fiéis em Cristo Jesus", isto é, homens e mulheres que buscavam se pautar pela Lei e pelo ensino concretizado e transmitido por meio do Messias que havia vindo ao mundo. Isso é muito importante para nós, pois todos os filhos do Altíssimo são santos e fieis em Cristo Jesus, mas não por suas obras - pois O Senhor "compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer" (Rm 19.8) -, e sim pela graciosa vontade de Deus, conforme ele expressará mais para frente dizendo que foram eleitos segundo o beneplácito de Sua vontade.

O apóstolo Paulo também nos ensina - aqui e em todas as suas cartas - sobre a importância de sermos parte de uma igreja visível, pois foi da vontade de Deus que os crentes congregassem sobre o pavilhão de Cristo, conforme lemos também em Hb 10.25: "Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros". Observemos que em momento algum o apóstolo saúda os irmãos como que fazendo mera menção a pessoas separadas, como que se estivesse a dizer que não existia uma igreja em Éfeso, mas um simples ajuntar-se de pessoas. Quer dizer, Paulo trata os "aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus" como uma igreja, uma unidade, cujo Cristo é o cabeça, "Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor" (Ef 4.16).

É sempre necessário que levemos cativo em nossos corações sobre quem fora esse apóstolo Paulo. Notamos que em Atos 22.20, o antigo fariseu e perseguidor dos crentes olhava para o primeiro mártir neotestamentário e pouco caso fazia - "E quando o sangue de Estêvão, tua testemunha, se derramava, também eu estava presente, e consentia na sua morte, e guardava as capas dos que o matavam". Daí ser salutar que compreendamos o amor que Paulo tem agora pelas igrejas, pois o antigo ódio foi transformado em profundo amor; a antiga esperança de acabar com os seguidores do Caminho, agora é revertida de grandiosa perseverança para alavancar e expandir o Reino do céu; a fé de outrora na mera letra da lei, agora foi vivificada pelo Espírito Santo e tornada viva em seu coração.

Após ter dito sobre com que autoridade havia vindo, agora passa a desejar graça e paz (não mais ódio, mas mor) ao irmãos de Éfeso. Mui grandiosa é essa saudação de Paulo, pois não deseja mais a morte, mas a graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo.

Não somos informados literalmente sobre o que vem significar "graça e paz" nas Escrituras, contudo podemos compreender que essas palavras se põe a significar a amabilidade, desejo de crescimento mútuo, profunda estima para com o próximo, o sincero desejo de pacificação entre os irmãos, a união em torno da pessoa e ensino de Jesus Cristo... Nosso Senhor nos desejou sua paz, "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize" (Jo 14.27). O cristão tem um profundo trunfo em sua peregrinação, pois quando todo o mundo lhe assola, todos reverberam contra ele, seus amigos lhes deixam e até mesmo sua família, ainda assim ele pode ter a certeza em seu coração de que a paz de Cristo está com ele, de que o Espírito Santo o consolará em toda dificuldade e tristeza que lhe sobrevenham. Certamente que esse não é um ponto fácil de nossas vidas, pois por inúmeras vezes nos veremos quase que à beira de um precipício, sem saída, sem solução, entre a vida e a morte, contudo, podendo confiar de que de algum modo o Senhor nos sustentará, ainda que seja para levá-lo para Sua glória.

Mais adiante, o apóstolo Paulo expressou esse seu profundo desejo de que os irmãos tivessem a paz e o amor de Cristo de Cristo: "E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus" (Ef 3:19). Isso deveria ser gravado em nossos corações, pois quantas vezes tentamos entender por meio da mera razão o amor de Cristo por nós? Quantas vezes já debatemos e tentamos expor a Verdade como se a mera intelectualidade fosse capaz de transformar um coração impenitente (já preguei sobre isso, clique aqui para ler)?

Quanto ao amor de Cristo, também não é verdade que muitas vezes em vez de promovermos a unidade e desejamos que os irmãos conheçam o amor de Cristo, nos atemos à picuinhas e nos pomos a discutir sobre o sexo dos anjos? Ou ainda desejamos que do dia para a noite alguém entenda a doutrina reformada? O intento de Paulo e dos apóstolos (e da Bíblia!) não era de criar rivalidade entre as igrejas ou ainda colocar o conhecimento acima da piedade, e sim fazer com que os irmãos conhecessem "o amor de Cristo, que excede todo o entendimento", isto é, ainda que todas as circunstâncias fossem adversas, ainda que houvesse certos pontos de discordância, o amor de Cristo deveria reinar entre os irmãos.

Porém, cuidado ao entendermos o ponto acima. Notemos que Paulo nos diz que o amor de Cristo excede todo o conhecimento, nos ensinando que nossas faculdades mentais não podem entender o porquê de Cristo nos amar e o porquê de sentirmos seu amos em nossas vidas. Em momento algum Paulo está dizendo para que apenas nos concentremos no amor entre os irmãos. De fato, é real que precisemos nos amar, contudo nesse último ponto estamos a falar sobre que não conseguimos entender o amor de Cristo por nós, pois ele "excede todo o entendimento" - em outro momento falaremos sobre a unidade entre os irmãos.

Por fim, Paulo expõe aos irmãos de Éfeso sobre a importância de se ter em mente que ele vinha da parte "de Deus nosso Pai". Conhecer a Deus como nosso Pai é algo valiosíssimo para o crente, pois quantas são as vezes que nos sentimos abandonados e completamente desesperançosos em meio à nosso cotidiano? Tantas vezes são as vezes em que nos decepcionamos com as pessoas - ainda que teimemos em depositar nelas a nossa confiança - e achamos que "tudo é vaidade, vaidade de vaidades" (Ec), não tendo mais a vida qualquer motivo para ser vivida... Então, aqui o apóstolo nos traz novo alento dizendo-nos que não vem de sua parte, e sim daquele que é Pai, o sustentador do universo, o artífice da criação, àquele que foi ontem, é hoje e sempre será.

O sustento de Deus sempre esteve presente na era do Igreja. Desde os tempos do Egito, passando pela peregrinação no deserto, à entrada da terra prometida, ao cerco romano e à dispersão dos judeus pelo Terra, a mão poderosa do Senhor tem suprido todas as necessidades de Seus filhos. Nunca o Senhor abandonou os Seus, em momento algum deixou-nos órfãos de Seus cuidados - e aqui, outra vez vemos a maravilhosa bênção do Senhor sendo estendida a nós, pois tal qual a igreja de Éfeso recebeu essa carta a tantas centenas de anos atrás, assim também nós podemos compreender que o Senhor também vem até nós, exatamente como veio àquele povo.

Sendo assim, mais para frente o apóstolo exortará os irmãos para que "a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos" (Ef 5.3), ensinando-lhes que, se ele viera da parte de Deus Pai, mediante o apostolado conferido por Cristo Jesus e em toda autoridade conferida nos céus, era necessário que esses irmãos se submetessem ao ensino que ele proclamara, pois não vinha de si mesmo e já não buscava mais fazer a sua vontade, mas "[prosseguia] para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.14).

Hoje, o Senhor nos conclama para que persigamos a santidade - "sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb 12.14) -, continuemos firmes e fieis em Seu ministério, que nos apeguemos e recomendemos a graça e paz aos irmãos em Cristo Jesus e que tenhamos em mente que assim como os irmãos de Éfeso receberam a palavra inspirada do Senhor, nós também devemos nos ater à firme revelação de Deus, não como se ela fosse advinda de homens, mas a recebendo "da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo".

Amém.

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