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A Morte - por Thomas Boston (1676-1732)



"Pois eu sei que me levarás à morte e à casa destinada a todo vivente." Jó 30:23.

Considere as várias comparações por meio das quais as Escrituras representam a brevidade da vida humana. Ouça Ezequias: “A minha habitação foi arrancada e removida para longe de mim, como a tenda de um pastor; tu, como tecelão, me cortarás a vida da urdidura” (Is 38:12). A tenda do pastor é removida rapidamente, pois os rebanhos não podem ser alimentados por muito tempo num só lugar; assim é a vida do homem nesta terra, some rapidamente. É uma teia que ele constantemente está tecendo; ele não fica ocioso um momento sequer: em pouco tempo ela é feita, e então é desfeita. Cada movimento de respiração é um fio dessa teia; quando se dá o último suspiro, conclui-se a teia. O homem expira, e então se desfaz, não respira mais. O homem é como erva, e como uma flor: “Toda a carne é erva”, até mesmo a mais forte e a mais saudável, “e toda a sua glória, como a flor da erva” (Is 40:6). A erva floresce pela manhã, mas quando cortada pelos ceifeiros, à noite está murcha. Assim também o homem, às vezes está andando para cá e para lá, tranquilo, pela manhã, e à noite já é um cadáver, derrubado por um golpe súbito de alguma das armas da morte. A flor é algo fraco e delicado, de curta duração, onde quer que cresça. Mas repare, o homem não é comparado à flor do jardim, mas à flor do campo, que pode ser pisada a qualquer tempo por algum animal. Assim também nossa vida está sujeita a centenas de acidentes todos os dias, e qualquer deles pode acabar conosco. Mas embora possamos escapar de todos eles, com o passar do tempo esse prazo murcha, essa flor desaparece por si mesma. Ela se desfaz “Tal como a nuvem se desfaz e passa” (Jó 7:9). Ela parece grande como uma nuvem da manhã, que promete grandes coisas, e desperta a expectativa do agricultor; mas o sol desponta, e a nuvem se dispersa; a morte chega, e o homem desaparece. O apóstolo Tiago pergunta: “Que é a vossa vida?” (Tg 4:14). Ouça a sua resposta: “Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”. Ela é frágil, incerta, e não perdura. Ela é como fumaça, que sai da chaminé, como se fosse escurecer todo o céu; mas rapidamente se dispersa, e não se vê mais. Assim vai a vida do homem, e “quem é ele?” Ele é um sopro: “Lembra-te de que a minha vida é um sopro” (Jó 7:7). Ela é um golpe de vento passageiro, um curto bafejo: “vento que passa e já não volta” (Sl 78:39). Nosso fôlego está em nosso nariz, como se estivesse sempre batendo asas para partir; entrando e saindo, como um viajante, até que se vá, não retornando mais até que os céus deixem de existir.

por Thomas Boston (1676-1732) - A Morte 
- Excertos do livro: Os quatro Estados da Natureza Humana - p. 9-10 - Projeto Os Puritanos - (Título Original: "Human Nature in Its Fourfold State - p.218")

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