"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Efésios 2.4 - Um Deus Riquíssimo em Misericórdia Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 09.09.2012




Efésios 2.4 - Um Deus Riquíssimo em Misericórdia
Exposição em Efésios - 
Sermão pregado dia 09.09.2012

"Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou" (Ef 2.4).

Na sentença anterior o apóstolo do Senhor nos informou sobre a terrível situação em que se encontra este mundo caído e todos aqueles que não pertencem a Deus. Por não serem pertencentes ao Eterno, Paulo os chama de "filhos da ira" (Ef. 2.3), pois o Altíssimo não somente odeia o pecado, mas também repudia todo aquele em que vê o pecado estampado. O Senhor não pode simplesmente odiar o pecado e amar o pecador, pois o pecado está amarrado e colado junto ao homem, de modo que quando dos céus olha os homens, Ele não vê homens por sob a terra e o pecado como que "pairando" no ar sobre suas cabeças. O pecado se encontra no íntimo do homem: "Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias" (Mt 15.19; Mc 7.71). De fato isto é verdade, pois o próprio escritor de Provérbios já registrou que "Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida" (Pv 4.23). 

Sendo o pecado algo entranhado no seres humanos em virtude da queda de nossos primeiros pais, então o Senhor é plenamente justo em reputar todos os homens como inimigos de Seu reino. O próprio apóstolo ao falar de "filhos da ira" (Ef. 2.3) se utiliza de uma expressão por demais incisiva para declarar aos homens que por natureza elas estavam afastadas de Deus: "fazendo a vontade da carne e dos pensamentos". Tal qual um juiz profere sua sentença condenatória sobre aquele que bem entende ser o transgressor da Lei, assim também o Senhor fez com todos os homens - "Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes" (Gl 3.22; Rm 11.30-33). Observemos com que grande clareza o Soberano depõem contra os homens, a ponto de dizer que "encerrou tudo debaixo do pecado", isto é, nada sobrou para acima da linha do pecado, "Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.23). Não apenas alguns pecaram, não somente os assassinos e ladrões, mas todos - desde a criança da mais tenra idade (Sl 51.1) até o idoso que está à beira da morte. 

Tendo este ensinamento sido passado aos crentes de Éfeso, Paulo muda o seu discurso e inicia a falar da bondade de Deus, pois ainda que tenhamos de entender mui especificamente a doutrina da ira de Deus, não há homem nesta terra que suporte o peso do seu pecado e ainda tão somente ouça que Deus o odeia e que pode o matar a qualquer instante. Assim, teve por bem o Senhor, levar o apóstolo a escrever sobre "Deus, que é riquíssimo em misericórdia". Por Sua inefável graça, o Eterno nos deixou legado que mesmo tendo nascidos em pecado (Sl 51.5) e nada feito até a regeneração, exceto pecar e atrair a ira de Deus, com Seu muito amor nos amou e nos redimiu da ira vindoura, conforme registrado: "E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura" (1Ts 1.10).

O fato de Paulo registrar que Deus é "riquíssimo em misericórdia", dever-nos-ia levar a exultar em alegria e chorar rios de felicidade, pois o perdão que o Senhor nos concedeu não foi de pouca monta, mas ultrapassou tudo que o homem poderia intentar "comprar" com seu esforço. Notemos quando Jesus diz: "Por isso o reino dos céus pode comparar-se a um certo rei que quis fazer contas com os seus servos; E, começando a fazer contas, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos; E, não tendo ele com que pagar, o seu senhor mandou que ele, e sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse. Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida" (Mt 18.23-27).

Cristo inicia dizendo que esta parábola é uma ilustração do "reino dos céus". Isto significa dizer que Jesus está exemplificando como que a alguém é dado o privilégio de ir até os céus e desfrutar das maravilhas do "rei". Nosso Senhor inicia dizendo que o rei "quis fazer contas com os seus servos", quer dizer, o rei teve por bem que chegasse o momento do acerto final, o dia em que cada um receberia de acordo com o que realizou - "Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras" (Mt 16.27). Começou então o rei a fazer as contas e lhe foi levado um servo "que lhe devia dez mil talentos". Se os estudiosos estão certos, dez mil talentos equivalem a 60 milhões de denários, sendo 1 denário um bom pagamento proveniente de 1 dia de trabalho. Noutras palavras, se dividirmos estes 60 milhões por 365 dias de um ano (isto sob a consideração de que o homem trabalharia todos os dias sem parar - sequer estamos considerando o shabath e as demais festas judaicas), se chega ao resultado de que aquele servo teria de trabalhar 164.383 anos para pagar o seu senhor - por isto, então, Cristo diz: "E, não tendo ele com que pagar". Jesus não foi dúbio sobre o resultado, Ele não titubeou e eventualmente pensou que talvez, sob alguma possibilidade remota, o servo poderia pagar, pois era completamente impossível - a dívida era simplesmente impagável. Tendo tal dívida contraída, restava apenas uma coisa: vender-se como escravo para seu Senhor. Todavia, observemos como não somente o homem, o pai de família foi ordenado para a venda, mas também "sua mulher e seus filhos fossem vendidos, com tudo quanto tinha, para que a dívida se lhe pagasse". No intuito de procurar clemência para si e para os seus, "aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei". Acontece que o rei sabia que aquele servo não poderia lhe pagar as contas, ainda que dissesse que tudo iria pagar. "Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida."

Assim como este terrível e irresponsável homem que não possuía qualquer controle sobre suas finanças teve primeiramente sobre si o machado posto aos pés de seu coração, como que esperando apenas a ordem divina para ser ceifado (Mt 3.10; Lc 3.9), mas foi poupado (Ez 9.8), igualmente os filhos do Senhor foram libertos pela grandiosa misericórdia de Deus. Para aquele rei ter perdoado tal homem incontrolável e irremediável, ele deveria possuir uma riqueza exorbitantemente gigantesca. Ninguém perdoa dívida alguma se o montante somado lhe for precioso e tal credor necessitar do pagamento. Quando alguém contrai alguma dívida conosco, na grandiosa parte das vezes não podemos simplesmente perdoar a dívida, pois se o devedor não nos pagar, por consequência ficaremos sem subsídios para pagar a quem nós também devemos,  que semelhantemente ficarão sem receber e não honrarão suas respectivas dívidas - é um ciclo que não tem fim. Mas, diz o apóstolo, "Deus... é riquíssimo em misericórdia". 

Deus não necessita de nosso pagamento; primeiro, porque nossas obras são semelhantes à trapos de imundícia: "todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam" (Is 64.6); segundo, porque a dívida que temos para Ele, nem mesmo vendendo todos os nossos bens, família e vivendo de caridade social a vida inteira, poderíamos pagar - pois este pagamento não se resolve com bens e acessórios, mas com apenas com sangue, afinal, "sem derramamento de sangue não há remissão" (Hb 9.22).

Eis a razão do santo apóstolo continuar sua afirmação: "pelo seu muito amor com que nos amou". Por algum motivo não nos foi dada a capacidade de imaginarmos a quantidade de amor que o Senhor possui; não conseguimos entender como Deus pode ser eterno e, por consequência, não criado; foge-nos ao palpável e imaginável o mero considerar de Ele subsiste de eternidade a eternidade (Sl 106.48). Porque aquele rei havia perdoado seu servo que nem mesmo com a morte poderia lhe pagar (notemos que ele poderia morrer trabalhando que ainda faltariam milhares de anos para quitar a dívida), havia a necessidade de ser levantado alguém cuja vida fosse propícia à remissão dos pecados - e este é o glorioso e perfeito Cristo, nosso Senhor!

A maravilhosa e esplêndida vida de Cristo foi o que proporcionou a todos os Seus filhos, aqueles que são enviados pelo Pai a Ele (João 10), a vida eterna ao lado do Senhor. Grandemente importante é gravarmos em nossa mente que, embora o homem natural esteja em dívida impagável diante do Rei dos reis, o Soberano não nos leva até Ele mesmo por vias de chibatadas ou pisoteamentos divinos, mas sim conforme lemos: "Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí" (Jr 31.3). 

Interessantemente devemos recordar de que as Escrituras não registraram tudo o que Cristo fez na terra. Quer dizer, se cogitamos a possibilidade de mensurar a grandeza dos feitos de Cristo, na verdade, sequer  podemos alcançar tal grandeza. Olhemos o dito de João: "Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem" (Jo 21.25). A beleza, santidade, justiça e verdade que o Senhor possui está para muito além de nosso alcance - não que sejamos impedidos de O conhecer, porque se assim fosse a salvação seria uma utopia, mas sim que é verdadeiro o fato de aqui conhecermos apenas aquilo que o Senhor teve por bem nos revelar, ao passo que no Reino glorioso teremos o pecado completamente removido de nossos corpos e seremos semelhantes aos seres celestiais que incessantemente clamam: "Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso" (Ap 4.8).

Vejamos, então, algumas aplicações que possuem o grande e riquíssimo amor de Deus para conosco:

1. Devemos perdoar ao próximo

Uma das principais características que deve permear o cristianismo verdadeiro é o perdão mútuo e, consequentemente, o amor entre os irmãos - "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros" (Jo 13.35). O perdão dos pecados é uma grande alegria que o cristão possui - "Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto" (Sl 32.1). Na narrativa sobre o reino dos céus exemplificado por Cristo, vemos clarividente que o cristão verdadeiro é alguém que vai e perdoa o seu próximo, pois primeiramente foi perdoado pelo Senhor (Mt 18.23-35).

A raiz para não se perdoar o próximo é o orgulho de se achar merecedor de algum mérito. Quando alguém nos insulta, nos furta, nos oprime os nos entristece ao coração e posteriormente vem pedir perdão a nós, a primeira reação que costumamos ter em nosso coração é: "eu não vou perdoar, pois ele/ela muito me magoou". Acontece, amados, irmãos, que esta é uma atitude de fariseus e escribas, pois eram estes homens que pensavam ser apenas os outros os pecadores (Lc 15.2). O verdadeiro filho regenerado pelo Senhor é alguém que perdoa seus inimigos, pois reconhece que também recebeu graça sobre graça vinda de Deus: "E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus" (Lc 6.31-35).

Este fato é de magnífica importância para nós, pois deste modo, todas as vezes em que formos ofendidos (seja por amigos ou até mesmo os da própria família), lembraremos de quantas são as nossas ofensas ao Senhor, reconheceremos que Sua misericórdia foi abundante para conosco e que nossos pecados para com Ele foram infinitamente mais ultrajantes do que qualquer insulto ou violência que possamos receber nesta terra de algum vil e desprezível homem.

2. Devemos ser longânimos e perseverantes

"O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se" (2Pe 3.9). O motivo pelo qual devemos buscar um ânimo longo é porque primeiramente o Senhor foi "longânimo para conosco". Ele não nos castigou com a morte eterna ainda quando dávamos os primeiros passos; Ele não veio com Seu imenso furor e queimou nossas casas; Ele veio para ânimo grandiosamente longo para conosco. É certo que por muito tempo o Senhor teve por bem que seguíssemos "o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência" (Ef 2.2), todavia, "com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí" (Jr 31.3).

"Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade" (Sl 103.8). A perseverança na graça de Deus é algo que temos que praticar diariamente. Oh! Como somos tardios para aprender e com que grande dificuldade entendemos que nossa alma também padece de fraquezas e precisa ser diariamente alimentada! Como somos ainda entendemos muito bem o curso de mundo, sabendo que se hoje depositarmos sobre a terra a semente de uma grande árvore, com absoluta certeza sabemos que levará muitas dezenas de anos para ela atingir o seu esplendor. Contudo, em matéria espiritual, desejamos que a piedade floresça e dê os frutos graciosos em pouquíssimo tempo. 

3. Devemos depositar nossas esperanças somente no Senhor

Muitos têm se esquecido de que é depende do Altíssimo. Recordemos de como o rei havia perdoado seu servo: ele foi perdoado, mas não confiou em Seu senhor. Aquele vil e perverso servo, mesmo tendo sido perdoado, creu em seu orgulhoso coração que era digno de receber uma quantia absolutamente ínfima (em comparação ao perdão que havia recebido) de seu devedor. "Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!" (Jr 17.5) - aquele homem confiou em outro homem, pois intentou que o sustento de sua casa viria das mãos de seu devedor, e não do Senhor. É preciso que compreendamos que há apenas um que pode nos suster com Sua graça: "Deus, que é riquíssimo em misericórdia". 

Uma das causas para que o professo da fé cristã muitas vezes fraqueje diante das dificuldades, é devido ao problema de ele ainda pensar superficialmente. Homens e mulheres têm depositado suas esperanças em seus empregos, casas, carros, família, amigos e nalgum dinheiro no banco - mas, infelizmente não percebem que estão construindo suas vidas sob a areia e será "grande a sua queda" (Mt 7.27). Nesta passagem onde Cristo fala da importância de se estar firmado sob a Rocha, Ele não aventa a possibilidade de descer a chuva, correr os rios, e assoprar os ventos, e combater aquela casa, e sim diz que isso vai acontecer: "E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda" (Mt 7.27)`.

Assim como aquela chuva desceu e levou toda segurança de um homem, também virá o Senhor em Seu dia glorioso e "recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará" (Mt 3.12).

Que possa o Senhor nos agraciar com uma visão mais precisa de Suas tenras misericórdias, de modo que possamos cantar e nos alegrar com o salmista: "Israel, confia no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo. Casa de Arão, confia no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo. Vós, os que temeis ao SENHOR, confiai no SENHOR; ele é o seu auxílio e o seu escudo. O SENHOR se lembrou de nós; ele nos abençoará; abençoará a casa de Israel; abençoará a casa de Arão" (Sl 115.9-12).

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