quinta-feira, 7 de julho de 2011

Dê sua opinião: esse jovem foi salvo?


Dê sua opinião: esse jovem foi salvo? -

por Filipe Luiz C. Machado

Suponhamos o seguinte ocorrido:

Joaquim, jovem de 22 anos, cresceu em um lar não cristão e jamais frequentou qualquer igreja. Muitos amigos cristãos já haviam lhe pregado o evangelho e avisado-o sobre a importância de arrepender-se de seus pecados e ir à Cristo, mas Joaquim nunca arrependeu-se. Eis que certo dia, sentado em seu quarto, Joaquim "se lembrou" de que havia uma igreja bíblica perto de sua casa - que pregava a sã doutrina de Cristo - e resolveu ir visitá-la. Porém, enquanto dirigia-se para a igreja foi atropelado e veio a falecer no hospital.

Diante do exposto, 2 teólogos debatem sobre o assunto:

Teólogo 1: O jovem foi salvo, pois Deus é um deus de extremo amor e não poderia deixar que um atropelamento viesse a frustrar a vida daquele jovem.

Téologo 2: O jovem não foi salvo, pois cabia à responsabilidade daquele jovem ter-se arrependido antes - da sua morte - dos seus pecados, não podendo alguém ser salvo depois da morte.

Teólogo 1: O jovem foi salvo sim, pois Deus é soberano e sabia que aquele jovem iria até a igreja e se converteria, apenas não teve a oportunidade de fazê-lo.

Teólogo 2: O jovem não pode ter sido salvo, pois já há muito tempo vinha sendo admoestado por seus amigos cristãos, ficando indesculpável diante de Deus.

Teólogo 1: O jovem precisa ser salvo, pois se Deus é soberano ele mesmo proporcionou o atropelamento, afinal, o ir até a igreja seria apenas continuação do processo que iniciou-se em seu quarto quando resolveu ir à igreja.

Teólogo 2: O jovem permaneceu impenitente em seus pecados e não foi à Cristo em humilde obediência. O fato de ter sido atropelado nada tem a ver com sua salvação, sendo apenas um fato que aprouve a Deus que acontecesse.

Teólogo 1: Embora o jovem tenha permanecido impenitente, Deus em sua soberania tocou-o ainda em seu quarto e levou-o em direção à igreja, mas como o inimigo anda ao redor querendo tragar os seus, acabou matando-o.

Teólogo 2: A soberania de Deus não invalida a responsabilidade do jovem que deveria ter-se arrependido anteriormente e do dever de ter o cuidado devido ao andar pela rua, sendo ele culpado por sua condenação.

Diante do exposto, esse jovem foi salvo ou não?

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Posso ter uma televisão em casa?

Texto por
Filipe Luiz C. Machado
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Ouso que dizer que será difícil - nos dias atuais - encontrarmos alguma casa que não tenha alguma televisão, seja na sala, no quarto ou até mesmo na cozinha. O fato que aqui precisamos abordar não é se a televisão é pecado ou não, mas se ela pode nos afastar de Cristo em decorrência do pecado por ela proporcionado.

Desejo deixar claro que o objetivo de tais motivos não é dizer que a pessoa ou família que tem uma televisão em casa é o pior dos pecadores, apenas alertar sobre os perigos de se ter tal aparelho eletrônico (assim como poderíamos falar de muitas outras coisas domésticas).

Deixo abaixo quatro bons motivos para não ser ter televisão em casa e um bom motivo para caso você queira mantê-la ainda em sua casa - pois não consigo achar muito mais que isso, haja vista muito mais perigos que ela nos oferece.

Bons para motivos para não se ter televisão.

1. Somos exortados a não colocarmos coisa má diante de nossos olhos.

"Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim" (Sl 101.3). O salmista aqui expressa que não se achegará a coisa alguma que possa lhe ser nocivo e levar-lhe a afastar-se de Deus. Não é necessário explanarmos sobre que não havia televisão naquela época, contudo, se já nos tempos primórdios os cristãos sinceros buscavam se afastar do pecado, quanto mais nós, homens e mulheres do século vinte e um e que estamos rodeados e quase soterrados de tanta tecnologia - as vezes útil, as vezes inútil. Caso queira ler mais sobre esse versículo e seu contexto, clique aqui.

2. Devemos nos afastar de toda a aparência do mal.

"Abstende-vos de toda a aparência do mal" (1Ts 5.22). Paulo aqui está tratando e exortando os irmãos a permanecerem firmes e vigilantes em sua fé, não desejando que nenhum deles venha a perecer durante sua caminhada. De forma semelhante, também somos instados a nos afastarmos de tudo que tem mera aparência do mal. Observemos que Paulo não sugere que aqueles cristãos cheguem o mais próximo do mal que puderem, mas justamente o contrário: que fiquem o mais longe que puderem!

3. Precisamos estar em constante vigia.

"Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1Pe 5.8). As palavras de Pedro não nos permitem titubearmos diante do mal eminente. As grandes tecnologias inventadas pelos homens, muitas vezes acrescentam apenas maiores condições para pecarmos - não que em si essas tecnologias sejam um pecado, mas a facilidade para obtermos informação e o acesso à televisão em todos os cantos do planeta, certamente podem ser armadilhas para que caiamos e pequemos contra o Deus santo - seja num filme, seja em algum comercial.

4. Nossos filhos devem ser ensinados nos caminhos do Senhor.

"Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele" (Pv 22.6). As sagradas escrituras nos ensinam que o método adequado para termos filhos saudáveis não é a psicologia humana ou a filosofia transcendental, mas a palavra de Deus. O presente provérbio nos diz para educarmos as crianças no caminho do Senhor e traz a promessa de que elas não se desviarão dele. Não cabe a nós julgarmos tal provérbio como inverídico, apenas porque encontramos crianças criadas dentro da igreja e que hoje estão fora. Certamente que quando a palavra de Deus é corretamente ministrada - e constantemente - ao coração da criança, Deus a fará trilhar seus santos caminhos. Ao contrário do mandamento bíblico, o que temos hoje são crianças que passam o dinheiro inteiro em frente à televisão e sequer leem a bíblia - ou a leem com raridade - antes de dormirem ou em outro momento. Os pais já quase não se sentam com as crianças e às catequizam, pelo contrário, deixam-as aproveitarem as baboseiras e frivolidades deste mundo vil.

Um bom motivo para se ter televisão.

1. Somos chamados para fazermos tudo para a glória de Deus.

"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus" (1Co 10.31). A bíblia é enfática ao dizer que devemos fazer tudo - sim, absolutamente tudo - para a glória de Deus. Tudo aquilo que não fazemos para glorificar o seu nome - e consequentemente sem fé - é pecado. Existem bons filmes - são raros, devemos reconhecer isso - que nos trazem deleite temporário e bons documentários que podem acrescentar mais conhecimento à nossa admiração pela complexidade do mundo criado pelo Senhor. Também a televisão nos fornece muitos jornais diários que nos informam sobre o que está se passando pelo mundo. Aqui, novamente, é necessário enfatizar que passa-se na televisão o que se quer que o povo saiba e não o que realmente acontece.

Portanto, que sejamos sábios e busquemos diligentemente a face do "criador, que é bendito eternamente. Amém" (Rm 1.25).

Fonte: O Cotidiano Cristão

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Os calvinistas podem andar junto com os arminianos?


Recentemente uma irmã em Cristo mandou-me um e-mail perguntando qual era minha posição acerca da união entre calvinistas e arminianos. Segue abaixo minha resposta à ela e oro para que também possa ser útil a todos que a lerem.

Os calvinistas podem andar junto com os arminianos?

Penso que num primeiro momento devamos fazer diferença entre o arminiano inconsistente e o arminiano convicto.

O arminiano inconsistente é aquele que ama Jesus, reconhece-o como seu Senhor e salvador, mas quando questionado sobre as doutrinas da graça (soberania de Deus, depravação do homem, graça irresistível e outras), pouco sabe a respeito. Embora tais pessoas tenham grande admiração por Jesus, pouco conhecimento tem sobre Ele - sabem apenas que o amam porque Ele os fez nova criatura.

O arminiano convicto é aquele que ama Jesus, reconhece-o como seu Senhor e salvador, mas quando questionado sobre as mesmas doutrinas da graça, nega veemente a soberania absoluta de Deus, crê que o homem não é totalmente depravado, crê no seu livre-arbítrio para ir até Cristo e outras coisas mais. Esse tipo de arminiano é aquele que já foi confrontado com a verdade bíblica - de que a soberania de Deus é plena, o homem é totalmente depravado, de que não existe livre-arbítrio para o homem chegar-se a Deus - mas teima em permanecer na sua visão errônea.

Creio ser muitíssimo mais saudável ser um arminiano inconsistente, pois este, embora muitas vezes professe ser crente em Jesus Cristo (mesmo que saiba muito pouco sobre ele), está aberto à exortações e à diálogos. Já o arminiano convicto é mais problemático, pois embora já tenha sido ensinado e advertido sobre os perigos de se negar as doutrinas da graça, persiste no erro e rejeita a verdade.

Por fim, acho plausível que um calvinista caminhe com um arminiano, desde que esse seja um "arminiano aberto" (para poder ensiná-lo nos caminhos do Senhor), caso contrário, estaremos defendendo com unhas e dentes a soberania de Deus e suas doutrinas e ao mesmo tempo estaremos juntos com outros que rejeitam totalmente essa verdade - o que nos leva automaticamente à negação de nossa própria convicção professada e defendida.

Não devem os cristãos de maneira alguma lutarem pelas verdades bíblicas e na prática jogarem-as no lixo, como que se pudessem existir duas (ou mais) verdades bíblicas quanto à salvação.

"Apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela." (Tt 1.9)

Espero ter respondido sua pergunta.

Em Cristo,
Filipe Luiz C. Machado

Nota:
Imagem - De cima: Calvinismo - Essa camiseta me escolheu. De baixo: Arminianismo - Eu escolhi essa camiseta.

"Fostes resgatados... com o precioso sangue de Cristo" - Sermão pregado dia 03.07.2011


"Fostes resgatados... com o precioso sangue de Cristo,
como de um cordeiro imaculado e incontaminado" -
Sermão pregado dia 03.07.2011


Nosso texto: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado" (1Pe 1.18,19).

O apóstolo Pedro inicia sua carta aos irmãos "estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia" (v.1) dizendo-lhes que suas entradas e estadias no reino do Senhor se davam única e exclusivamente por causa da eleição em Deus Pai, sendo santificados no Espírito Santo e destinados à obediência à Jesus Cristo (v.2). Deste ponto em diante, Pedro passa a expor os motivos pelos quais aqueles irmãos deveriam ter sua salvação - em Jesus Cristo - na mais alta estima possível. Ele insta-lhes dizendo que o Deus Pai os gerou "para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós" (v.4), ensinando-os sobre a imutabilidade do sacrifício vicário de Jesus por eles.

Pedro também lhes escreve dizendo sobre o quão privilegiados eram por poderem desfrutar de tão grande benção - esperada e profetizada durante tanto tempo pelos antepassados e profetas do Senhor (v.12) - e a grandiosa importância de aguardarem no Senhor sendo santos como aquele os havia chamado (v.15).

Pedro tem como propósito em seu escrito o encorajar os cristãos perseguidos e confusos a permanecerem unidos e firmes na fé (5.12). Por esse propósito, ele repetidas vezes volta os pensamentos dos cristãos para a alegria e glória de sua eterna herança (1.3-13; 3.7; 4.13-14; 5.1,4,6,10) e os intrui sobre como comportar-se corretamente em meio ao sofrimento não merecido (4.12-19). A presente epístola pode ser resumida na fórmula "confiar e receber" (4.19; cf. 2.23). [1]

Os versículos de hoje nos levam à reflexão sobre a importância e essencialidade do sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo.

Antes de Pedro escrever as palavras de nosso texto, ele diz: "E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação" (v.17). Pedro era desejoso de que aqueles irmãos entendessem a necessidade de andar "em temor durante o tempo da vossa peregrinação", pois o Senhor julga segundo a obra de cada um, devendo todos buscarem a conformidade com sua Lei. Vemos então que tal expressão está diretamente ligada ao próximo versículo que diz: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados" (v.18).

Comenta a Bíblia de Estudo de Genebra que a palavra peregrinação aqui usada é uma palavra grega diferente daquela utilizada no v.1 (traduzida como "forasteiros" - ou estrangeiros, conforme a ACF - nota minha). A palavra "peregrinos" indica aqueles que vivem num lugar do qual não são cidadãos, realçando a condição de peregrinos dos cristãos neste mundo. A única maneira de permanecer fiel a Cristo é se desprender do amor natural pelas coisas deste mundo (1Jo 2.15).

Atentemos para que Pedro insta aqueles irmãos a não fazerem pouco caso da sua busca e de quem eles buscavam a face. Quando ele lhes escreve dizendo que não foram comprados com coisas corruptíveis, é necessário notarmos que Pedro dá como exemplo de coisas corruptíveis o que praticamente há de melhor e mais valioso na terra! Ele lhes diz que a prata e o ouro - quando comparados a Cristo, nada são! Ele também lhes escreve como que querendo dizer que por mais alta valoração que possa ter algum objeto ou benfeitoria terrena, nada é capaz de os comprar e os resgatar do pecado e da ira de Deus.

Pedro também lhes diz que eles haviam sido "resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais". Há ainda alguma dúvida entre os estudiosos sobre para que tipo de cristãos que foi escrita a presente epístola: se aos judeus ou aos gentios convertidos. Independente deste ponto, é notório atentarmos para que por mais ortodoxa - aos olhos humanos - que possa ser a profissão de fé de alguma família, ela nada representa se não for ortodoxa aos olhos de Deus. O próprio Jesus já havia condenado os fariseus e escribas por colocarem as suas tradições acima dos mandamentos de Deus: "Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição" (Mc 7.9).

Se faz essencial atentar para o perigo de propagarmos a fidelidade a determinada crença e/ou instituição pelo simples fato de termos um histórico familiar enraizado nisto. Por mais piedosa que possa ser a tradição - novamente, aos olhos dos homens - elas nada são para Deus se não estiverem em conformidade com sua verdade.

Também precisamos entender que muitas vezes o cristão pouco piedoso - aos olhos do homem pecador - é de fato o cristão verdadeiro. "O SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração" (1Sm 16.7). Com isso não devemos advogar que se pode ser piedoso e não exteriorizar tal piedade, mas é notório que muitos cristãos piedosos são satirizados e tratados como fundamentalistas, rígidos, retrógados, ultrapassados ou ainda "presos nos tempos bíblicos", quando na verdade vivem de maneira digna da sua vocação - conforme Paulo expressa em Ef. 4.1.

Logo em seguida ao que vimos, Pedro complementa sua sentença dizendo que eles não somente haviam sido comprados por algo muito mais valioso que a prata ou ouro - lembremos das palavras de Jesus: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração" (Mt 6.19-21) - mas que esse algo mais valioso era "o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado"!

Talvez algumas dúvidas podem surgir a partir desse texto, pois desde quando um homem pode dar sua vida em favor de pecadores destinados à ira de Deus? É possível que o sangue de Cristo seja assim tão precioso? Como pode ser possível um homem expiar todos os pecados de um povo? Por que é que precisávamos de que alguém que morresse em nosso lugar? Pretendo de maneira breve responder a essas objeções.

Desde quando um homem pode dar sua vida em favor de pecadores destinados à ira de Deus?

A bíblia é enfática ao nos dizer que "todos pecaram e carecem da gloria de Deus" (Rm 3.23). Ela também nos ensina que "viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente" (Gn 6.5). Lemos ainda que "é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hb 10.4).

Mister é reconhecermos que somente um sacrifício perfeito - a saber, Cristo - poderia aplacar a ira de Deus contra os pecadores. Embora os pecados do povo de Israel fossem constantemente expiados pelo sangue de animais, não era possível que aqueles sacrifícios eliminassem de uma vez por todas a culpa que recaia-lhes, pois por mais puro que pudesse ser o animal, ainda assim era corrompido pelo pecado e oferecido por homens pecadores, ainda que fossem sacerdotes - sendo tais sacrifícios apenas uma sombra do verdadeiro sacrifício que viria: a morte eficaz e redentora de Cristo por seus filhos.

Como bem salienta J. C. Ryle em seu livro "Santidade", jamais entenderemos o que é santidade se não compreendermos o que é o pecado. Portanto, se faz necessário que todo crente compreenda o quão pecaminoso é e volte-se diariamente à cruz de Cristo - a única fonte de todo perdão.

É possível que o sangue de Cristo seja assim tão precioso?

As doutrinas da bíblia que não podem e nem devem ser colocadas sobre o crivo da cientificidade humana - como que se pudesse provar cientificamente que o sangue natural de Cristo era precioso - pois a bíblia muitas vezes nos fala por figuras de linguagens, devendo todo homem buscar com diligência o correto entendimento das escrituras. Ademais, a tal cientificidade muitas vezes é errônea e passageira, pois o que era ontem, hoje já não é mais e amanhã deixará de existir.

Quando a bíblia nos diz que "é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hb 10.4), não devemos duvidar de tal sentença, mas unicamente nos apegarmos a maravilhosa misericórdia que recebemos em Cristo Jesus, pois "o mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus" (Rm 8.16).

O próprio apóstolo Pedro instou seus destinatários para que purificassem "vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade" (1.22 - já vimos esse texto, clique aqui para ler). Devemos então nos submeter humildemente às sagradas escrituras, que nos são tão úteis para nos aperfeiçoar na fé "e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2Tm 3.16,17).

Se toda a bíblia fala, exemplifica, mostra e aponta para Cristo, deve-se compreender que não deve haver nada mais precioso do que o sangue do "cordeiro imaculado e incontaminado" para o cristão.

Como pode ser possível um homem expiar todos os pecados de um povo?

Para entendermos tal fato, é necessário que entendamos que Cristo não foi um mero homem, apenas um profeta (como objetam alguns) ou ainda um grande servo do Senhor, mas sim - pois é ponto fático da academia cristã - que Cristo é o Filho de Deus. O fato de Cristo expiar - reparar ou remir um crime - os pecados de todo o seu povo, é claramente notório quando Paulo escreve aos romanos dizendo que: "Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" (Rm 9.16).

Vemos que é indispensável à fé cristã - e ao plano de Deus - o fato de a morte de Cristo necessariamente precisar ser eficaz nos seus filhos. Somente Cristo poderia expiar todos os pecados do seu povo, pois somente ele era - e é - o único capaz de nos gerar "não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre" (1Pe 1.23).

Devemos alertar e refutar aqueles que se opõem a sã doutrina (Tt 1.9) - "ensinando doutrinas que são preceitos dos homens" (Mt 15.9) - e dizem que a morte de Cristo não foi eficaz para nos perdoar de todos os pecados, como se dependesse do homem o cooperar com Deus em sua salvação. Escrevendo sobre Rm 9.16, Calvino disse: "Dizer que queremos ou corremos para alcançar a eleição é pura cavilação, visto que Paulo nega que o homem que quer e corre seja capaz de concretizar a eleição. O que ele tem em mente é simplesmente que nem o querer nem o correr podem efetuar algo". [2] Ao discorrer sobre o livre-arbítrio do homem, Lutero escreveu: "Se algum homem, de alguma maneira, atribuir a salvação ao livre-arbítrio do homem, mesmo que a ínfima parte, nada sabe sobre a graça e não conheceu Jesus Cristo corretamente". [3]

Portanto, a morte de nosso Senhor Jesus Cristo - dado à inferência lógica que da bíblia retiramos - é sim eficaz para perdoar todos os pecado de seu povo, a saber, de seus filhos.

Por que é que precisávamos de que alguém que morresse em nosso lugar?

Novamente, haja vista que "é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados" (Hb 10.4), somente Cristo poderia nos livrar dos enlaces do pecado que produzem morte e destruição eterna na vida de todo ser vivo. Era necessário que Cristo morresse em nosso lugar, "como está escrito: Não há um justo, nem um sequer" (Rm 3.10). Logo - novamente pela inferência lógica - fazia-se necessário que algum justo viesse a morrer pelos injustos. O próprio Pedro escreve mais adiante dizendo: "Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito" (1Pe 3.18).

Portanto, se não somos justos e houve um justo - Jesus - que morreu para levar os injustos a Deus, deduz-me clara e biblicamente que os injustos de outrora agora são considerados justos - não pela sua própria justiça, mas por aquela imputada pelo sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

Que possamos buscar o entendimento correto da morte de Cristo a cada dia, para nos tornarmos piedosos e com os corações extremamente gratos por tudo que ele nos tem feito. Que conceda-nos Deus um coração jamais impenitente e desvairado, mas guie-nos na sua santa e perfeita palavra, a fim de que possamos por em prática nossa salvação com "temor e tremor; [pois dado ao fato de que é] Deus... que opera em [nós] tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.12,13), devemos ser eternamente gratos a Ele e Lhe rendermos o louvor que é devido.

Amém.


Notas:
[1] Bíblia de Estudo de Genebra.
[2] Blog: O Calvinista
[3] Não encontrei a fonte onde Lutero escreveu ou proferiu tais palavras.

domingo, 3 de julho de 2011

"Não porei coisa má diante dos meus olhos" - Sermão pregado dia 26.06.2011


"Não porei coisa má diante dos meus olhos" -
Sermão pregado dia 26.06.2011

Nosso texto: Salmo 101.

Conforme vimos semana passada (clique aqui para ler), é dever de todo cristão observar atentamente sua conduta, para que viva de acordo com o chamado que lhe foi proposto - não devendo de maneira alguma professar em vão sua fé, para que não caia em reprovação diante de Deus.

O salmo de hoje nos é por demais valioso, haja vista termos belíssimas sentenças teológicas que preceituam de maneira rica e eficaz a preciosidade que é vivermos para a glória de Deus.

"Cantarei a misericórdia e o juízo; a ti, SENHOR, cantarei" (v.1). Quando o salmista inicia sua canção, ele já o faz de forma a declarar que somente expressará coisas benditas ao Senhor. O próprio Davi - também autor deste salmo - já havia expressado de forma semelhante ao escrever: "Louvarei ao SENHOR em todo o tempo; o seu louvor estará continuamente na minha boca" (Sl 34.1). É maravilhoso observarmos a noção que o salmista tinha da totalidade do seu Senhor. Observemos que ele não diz que cantará apenas as misericórdias do Senhor ou as coisas boas que ele tem feito sobre o seu povo, mas que também cantará o justo juízo do e ao Senhor, levando o povo a deleitar-se Nele por aquilo que ele é em si mesmo e pelos seu retos e perfeitos caminhos.

É também notório observarmos que o próprio Davi somente conseguiria cantar tais feitos do Senhor se seu coração estivesse transbordante do mesmo, conforme ele mesmo disse: "A boca do justo fala a sabedoria; a sua língua fala do juízo" (Sl 37.30). Também lemos em Lc 6.45: "Porque da abundância do seu coração fala a boca". Devemos também atentar para o fato de que o salmista cantaria apenas ao Senhor, não elevando sua voz para qualquer outro ídolo - por maior beleza que pudesse ter.

"Portar-me-ei com inteligência no caminho reto. Quando virás a mim? Andarei em minha casa com um coração sincero" (v.2). Vemos que o salmista além de cantar e expressar sua adoração ao Senhor, é desejoso de perseverar no reto caminho estabelecido por Deus - não duvidando da veracidade e superioridade dos caminhos do Senhor, mas sendo prudente no seu andar e no seu falar.

Davi então pergunta: "Quando virás a mim?". De acordo com o próprio desenrolar do salmo, podemos entender que essa pergunta é retórica, transmitindo ao próprio Davi a incerteza de quando Deus viria a Ele - talvez por alguma adversidade que estava passando - mas que durante esse tempo ele iria portar-se "com inteligência no caminho reto". Não obstante a isso, ele propõe-se a andar com um coração sincero diante de Deus - mesmo diante da incerteza do livramento.

Certamente essa é uma das grandes marcas do verdadeiro cristão, pois como podemos professar a fé cristã, esperar pelo Senhor e não andarmos com um coração sincero? Há algo de muito errado em nós quando não esperamos e não nos portamos "com inteligência no caminho reto" e nem andamos "com um coração sincero" como Davi o fez. É mister atentarmos para o erro em que podemos incorrer quando esperamos por um Jesus falsificado.

Muitas vezes nos deparamos com professos da fé cristã, mas que no lugar de andarem e esperarem com um coração sincero a vinda do Senhor, andam da mesma maneira que os filhos das trevas - não buscando a face do Senhor em contínua oração e leitura da palavra. Quão terrível engano que o diabo tem semeado nos corações a ponto de levar as pessoas a relaxarem, não dando ouvidos ao que Paulo disse: "Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite" (1Ts 5.2).

"Não porei coisa má diante dos meus olhos. Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim" (v.3). Após ter explicitado a si mesmo que iria cantar e permanecer nos retos caminhos do Senhor, Davi passa a expressar de que maneira levará sua vida para que possa cumprir o propósito para o qual foi chamado.

"Não porei coisa má diante dos meus olhos". Não devemos olhar tal versículo com olhos de fariseus e legalistas da lei, como que se devêssemos apenas ler a bíblia e orar o dia inteiro - pois somente essas coisas seriam aceitáveis diante de Deus. Em contrapartida, não devemos nos achegar ao texto com uma visão libertina, como se quase tudo fosse bom e agradável diante do Senhor. Davi quis ensinar que somente estaria e olharia para locais onde pudesse ser edificado e pudesse testemunhar das maravilhas que o Senhor havia feito. Isso então nos leva a questionar sobre quais são as coisas "más" para Deus.

Creio ser correto afirmar que tudo e todo o lugar que não nos acrescentar algum bem espiritual deve ser rejeitado. Certamente que tal concepção não deve ser totalmente subjetiva, pois incorreríamos no erro de acharmos que o certo e o errado convém ao homem decidir. Contudo, penso ser apropriado que analisemos cada passo e cada movimento de nossos olhos, para que não coloquemos coisa má diante deles.

Um simples programa de televisão pode minar nossa mente com ideia subversivas e contrárias à vontade de Deus. Uma ida ao estádio de futebol pode levar-nos a quebrar o nono mandamento (xingando e maldizendo algum jogador, juíz ou torcedor) que diz: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êx 20.16). Um passeio pelo shopping center pode levar-nos a quebrar o décimo mandamento que diz: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17 - grifo meu). É necessário, portanto, que tenhamos grande prudência ao fazermos qualquer coisa, pois tudo que fazemos deve ser feito para a glória de Deus (1Co 10.31).

Certamente que tais diretrizes podem nos soar estranhas, pois parecem determinar regras para todos o momentos de nossas vidas. Porém, penso ser necessário que tais regras fluam de maneira "natural" em nosso coração - fruto de um coração regenerado, sincero e devoto à Deus - para que possamos experimentar "a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus" (Rm 12.2).

"Odeio a obra daqueles que se desviam; não se me pegará a mim". Além de Davi dizer que não colocará coisa má diante de seus olhos, também deixa claro que tais coisas não se apegarão a ele! Ora, não basta uma resolução ou oração após o culto para mudarmos nossa conduta, é necessário que trilhemos diligentemente o caminho da piedade, negando e reprovando toda conduta contrária àquilo que o Senhor prescreveu. As palavras de Davi não são "odeio parte das obras daqueles que se desviam" ou ainda "parte delas não se pegará a mim", mas são palavras de extrema dureza, condenando e considerando como lixo tudo aquilo que fere os basilares da fé cristã!

"Um coração perverso se apartará de mim; não conhecerei o homem mau" (v.4). Novamente o salmista Davi expressa seu reprovação quanto às más obras dos homens maus. Não deveria espantar-nos tais palavras, pois o próprio Paulo já escrevera à igreja de Tessalônica dizendo: "Abstende-vos de toda a aparência do mal" (1Ts 5.22).

Queridos, é necessário que entendamos que há um separatismo saudável na vida cristã. Muitas e muitas vezes teremos de dizer não para deleites oferecidos pelo mundo e suas vãs concupiscências. Teremos de resistir ao mais doce mel feito pelo homem, sabendo que a única graciosidade que podemos encontrar está revelada na palavra imutável de Deus. Não devemos ultrajar os preceitos bíblicos como se pouca coisa fossem! Não devemos achar que pessoas não cristãs podem ser "quase-cristãs"! Fazemos bem se atentarmos para as palavras de Davi e buscarmos não conhecer o homem mau - aquele que pratica a iniquidade e está sob a ira de Deus.

Creio que muitos de nós tem como firme resolução manter o homem perverso afastado de seu coração, assim como pleiteia por segurança física para sua moradia. Mas é estranho notarmos como muitos cristãos buscam proteger suas casas do ladrão e dos infortúnios da vida, mas sequer percebem o perigo que incorrem ao comprarem uma nova televisão, ao alugarem um novo filme, ao desejarem um novo computador ou coisa semelhante! Vemos novamente que em tais casos se faz verdadeira a passagem que diz: "O boi reconhece o seu dono, e o jumento conhece a manjedoura do seu proprietário, mas Israel nada sabe, o meu povo nada compreende" (Is 1.3).

"Aquele que murmura do seu próximo às escondidas, eu o destruirei; aquele que tem olhar altivo e coração soberbo, não suportarei" (v.5). Davi expressa seu repúdio também contra os murmuradores e caluniadores do próximo que constantemente fazem isso às escondidas. Não há nenhuma palavra aqui que seja-nos permitida flexionar para achar alguma brecha para termos aliança com não-cristãos. Davi era desejoso que sua conduta fosse de acordo com aquilo que Deus havia prescrito para ele. Davi sequer cogita a possibilidade de andar com aquele que tem "olhar altivo e coração soberbo", pelo contrário, diz que não pode suportá-lo - justamente por se propor a viver "com inteligência no caminho reto". Paulo muito bem salientou essa questão quando escreveu: "Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?" (2Co 6.14,15).

Quantas vezes vemos homens e mulheres professos da fé cristã e que continuamente se juntam e festejam com pessoas murmuradoras, de olhar altivo e de coração soberbo. Certamente que Davi não está condenando o andar junto visando a transformação da vida do próximo, mas condena veemente o andar junto sem sequer demonstrar que sua consciência reprova tal comportamento alheio.

"Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá" (v.6). Davi se policia para que dentro da sua área de atuação - como chefe de Israel - o mal não reine, tampouco os infiéis prosperem na terra. Novamente temos outro vislumbre da necessidade de combatermos o mal - tanto em nós mesmo quanto nas atitudes do próximo para conosco ou para com nossos irmãos.

É salutar que compreendamos o nosso dever quanto às amizades que escolhemos e aqueles com quem nos achegaremos. O rei Davi diz que seus "olhos estarão sobre os fiéis da terra", levando o povo a compreender a necessidade de andar de maneira digna para o qual haviam sido chamados - a semelhança do que Paulo escreve em Ef 4.1. Assim como os olhos do rei terreno de Israel estavam sobre os fiéis da terra, de maneira muitíssima mais intensa está os olhos do verdadeiro Rei celestial, que não faz pouco caso do homem impenitente, mas julga-lhe por suas condutas contrárias à Sua fiel palavra.

"O que usa de engano não ficará dentro da minha casa; o que fala mentiras não estará firme perante os meus olhos" (v.7). De maneira semelhante ao que escrevera no versículo anterior, Davi expõe que não aliviará seu julgamento dentro de sua casa. O profeta Josué também expressou pensamento semelhante quando repreendeu o povo dizendo: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24.15 - já escrevi sobre isso, clique aqui para ler).

"Pela manhã destruirei todos os ímpios da terra, para desarraigar da cidade do SENHOR todos os que praticam a iniqüidade" (v.8). Por fim, o salmista nos diz que lutará para combater o mau em sua terra. As palavras do salmista certamente não são suaves, mas isso deve-se ao fato do zelo que ele tinha pelo Senhor.

Constantemente lemos no Antigo Testamento - e também no Novo Testamento - as exigências que Deus prescrevia ao reis e líderes do povo, para que não tolerassem o mau dentro de suas terras. De maneira totalmente inversa ao que Deus ordenou, vemos que hoje o mau se prolifera de maneira assustadoramente rápida! Não bastasse a igreja tolerar desvios doutrinários leves - se é que isso existe - agora está passando a admitir coisas que antes jamais haveriam de ser toleradas dentro de uma igreja que se diz seguidora de Cristo!

Tal versículo também nos faz lembrar da importância de termos um magistrado competente para julgar e eliminar os malfeitores da terra. Paulo ao tratar desse assunto com os romanos, lhes escreve dizendo: "Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência" (Rm 13.3-5 - grifo meu). Observamos, portanto, que a luta do cristão também deve ser em prol de uma sociedade mais justa e correta ao olhos de Deus. Jamais devemos ter nosso senso de justiça regulado por filosofias humanas, mas devemos buscar na palavra a santa e correta diretriz para a sociedade.

Que possamos exaltar ao Senhor pelos seus grandes feitos, jamais nos esquecendo de que ele só será engrandecido em nossas vidas quando apartarmos o mau de nossos corações. Que nos ponhamos a caminhar e lutar contra os desejos vis e carnais de nossos dias, não desejando de modo algum colocar "coisa má diante dos nossos olhos".

Amém.

sábado, 2 de julho de 2011

A Importância da Pregação

A Importância da Pregação -
por Joel Beeke

João Calvino frequentemente instruiu sua congregação sobre ouvir corretamente a palavra de Deus. Ele os ensinava como deveriam vir para o culto público e como ouvir a palavra de Deus pregada. Calvino desejava que pais e filhos assimilassem a importância da pregação para desejar a pregação como uma benção suprema e participar ativamente no sermão. Calvino dizia que os ouvintes deviam ter “a prontidão para obedecer completamente e sem reservas”. 1

Calvino acentuava o ouvir da palavra pregada por duas importantes razões. Primeiro, ele acreditava que poucas pessoas ouviam bem os sermões. Mais de trinta vezes em seus comentários e nove vezes em suas Institutas, Calvino referiu-se a quão poucas pessoas recebem a palavra pregada com fé salvífica. Ele disse: “Se o mesmo sermão for pregado, digamos, a cem pessoas, vinte o recebem com pronta obediência de fé, enquanto o restante o julga sem valor, ou ri, ou vaia ou o aborrece”. 2 Se ouvir apropriadamente era um problema nos dias de Calvino, quanto mais o é hoje, quando os ministros têm que competir pela atenção de pessoas que são diariamente bombardeadas de várias formas pela mídia?

Segundo, Calvino destacou o ouvir adequado, por causa do seu alto respeito pela pregação. Calvino via a pregação como um meio que Deus usa para outorgar salvação e benção. Calvino disse que o Espírito Santo é o ministro interno que utiliza o “ministro externo” da palavra pregada. O ministro externo “prega a Palavra vocalmente e ela é recebida pelos ouvidos”, mas o ministro interno “verdadeiramente comunica a coisa proclamada, [que] é Cristo”. 3 Assim, Deus fala pela boca dos seus servos pelo seu Espírito: “Onde quer que o evangelho seja pregado, é como se o próprio Deus viesse para o meio de nós”. 4 A pregação fiel é o meio pelo qual o Espírito faz sua obra salvífica de iluminar, converter e salvar pecadores. Calvino disse: “Existe... uma eficácia interior do Espírito Santo quando ele derrama o seu poder sobre os ouvintes, para que eles possam compreender um discurso [sermão] pela fé”. 5

Como Calvino, os Puritanos tinham um alto respeito pela pregação. Como amantes da Palavra de Deus, os puritanos não se contentavam com meramente afirmar a infalibilidade, inerrância e autoridade da Escritura. Eles também liam, investigavam, pregavam, ouviam e cantavam a Palavra com deleite, buscando o poder aplicador do Espírito Santo que acompanhou a Palavra. Eles consideravam os sessenta e seis livros da Escritura sagrada como a biblioteca do Espírito Santo. Para os Puritanos a Escritura era Deus falando ao seu povo como um pai fala aos seus filhos. Na pregação Deus dá a Palavra como verdade e poder. Como verdade, a Escritura pode ser confiável para hoje e para a eternidade. Como poder, a Escritura é o instrumento de transformação usado pelo Espírito de Deus para renovar nossas mentes.

Como protestantes evangélicos do século vinte e um, devemos combinar nossa defesa da inerrância bíblica com uma demonstração positiva do poder transformador da Palavra de Deus. Esse poder deve ser manifestado em nossas vidas, nossos lares, nossas igrejas e nossas comunidades. Nós devemos mostrar que, embora outros livros possam nos transformar ou mesmo nos reformar, apenas um livro pode nos transformar, conformando-nos à imagem de Cristo. Apenas como “cartas vivas de Cristo” (2 Co. 3.3) podemos esperar vencer a batalha pela Bíblia em nossos dias. Se gastarmos o máximo da nossa energia em conhecer e viver as Escrituras, quantas pessoas mais cairiam sob o domínio do seu poder transformador?

O movimento puritano nos ensina mais sobre cultivar o poder transformador da Palavra. Os pregadores puritanos explicavam claramente como a Palavra efetuava transformação pessoal. Eles ofereciam direção prática sobre como ler e ouvir a Palavra de Deus. 6 O Catecismo Maior de Westminster resume tal informação Puritana na pergunta 160:

“Exige-se dos que ouvem a pregação da Palavra, que eles a acolham com perseverança, preparação e oração; que comprovem o que ouvem com as Escrituras; recebam a verdade com fé, amor, mansidão e ânimo pronto, como a Palavra de Deus; que nela meditem e sobre ela conversem; que a escondam no coração e manifestem os seus frutos em suas vidas”. 7

Em associação com Lucas 8:18, “vede, pois, como ouvis”, oferecerei alguns ensinos Puritanos junto com os quais as minhas próprias observações sobre ouvir a Palavra de Deus, dividindo o assunto em três pensamentos: Como se preparar para a Palavra pregada, como receber a Palavra pregada e como praticar a Palavra pregada. Enquanto estudamos cada ponto, devíamos nos perguntar: Estou realmente ouvindo a Palavra de Deus? Sou um bom ouvinte do evangelho proclamado ou sou apenas um ouvinte crítico ou descuidado? Percebo, disse Charles Simeon, que todo sermão “aumenta nossa salvação ou nossa condenação”?8 Estou ensinando aos meus filhos como serem bons ouvintes?

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Extraído do livro “A Família na Igreja — Ouvindo os Sermões e Assistindo as Reuniões de Oração”, Joel Beek; A ser lançado pela Editora Os Puritanos.
1 Leroy Nixon, John Calvin, Expository Preatcher (Grand Rapids: Eerdmans, 1950, 65.
2 John Calvin, Institutes of the Christian Religian, ed. John J. McNeill, trans. Ford Lewvis Battles (Philadelphia: Westminster Press, 1960), 3.24.12.
3 John Calvin, Tracts and Treatises, trans. Henry Beveridge (Grand Rapids: Eerdmans, 1958), 1:173.
4 John Calvin, Commentary on the Synoptic Gospels (Edinburgh: Calvin Translation Societyy, 1851), 3: 129).
5 Commentary on Ezekiel, 1:61.
6 Samuel Annesley, “How May We Give Christ a Satisfying Account [of] Why we Attend upon the Ministry of the Word?,” in Puritan Sermons 1659-1689, Being Morning Exercises at Cripplegate (Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1981),4:173198; David Clarkson, “Hearing the Word,” The Works of David Clarkson (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1988), 1:428-446; Thomas Manton, “The Life of Faith in Hearing the Word,” The Complete Works of Thomas Manton (London: James Nisbet, 1873), 15:154-74; Jonathan Edwards, “Profitable Hearers of the Word,” The Works of Jonathan Edwards: Sermons and Discourses 1723-1729, ed. Kenneth P. Minkema (New Haven: Yale, 1997),14:243-77; Thomas Senior, “How We May Hear the Word with Profit,” in Puritan Sermons, 2:47-57; Thomas Watson on hearing the Word effectually, A Body of Divinity (Grand Rapids: Sovereign Grace Publishers, 1972), 377-80; three short pieces by Thomas Boston, The Complete Works of the Late Rev. Thomas Boston (Wheaton, Ill.: Richard Owen Roberts, 1980), 2:427-454; Thomas Shepard’s “OfIneffectual Hearing the Word,” The Works of Thomas Shepard (Ligonier, Penn.: Soli Deo Gloria, 1992), 3:363-84. Várias fontes do século dezenove permanecem na tradição puritana: uma carta de John Newton intitulada “Hearing Sermons”, The Work of John Newton (Edinburg: Banner of Truth Trust, 1985), 1:218–25; um ensaio de John Elias intitulado: “On Rearing the Gospel”, John Elias intitulado: Life, Letters and Essays (Edinburgh: Banner of Thuth Trust, 1973) 356–360; e o tratamento mais completo e útil, Edward Bickersteth, The Christian Hearer (London: Seeleys, 1853).
7 Westminster Confession of Faith (Glasgow: Free Presbyterian Publications, 1997), 253.
8  Charles Simeon, Let Wisdom Judge: University Adresses and Sermon Outlines (Nottingham: Inter-Varsity Fellowship, 1959, 19.

Fonte: Projeto Os Puritanos

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Todo Homem Natural Odeia Deus


Todo Homem Natural Odeia Deus -
por Robert M. McCheyne (1813-1843)


O amor de Cristo para com os homens constrange o crente a viver uma vida santa, pois essa verdade remove todo o seu ódio e pavor de Deus. Enquanto Adão ainda não havia pecado, Deus era tudo para sua alma e tudo era bom e desejável para ele. somente até onde tivesse a ver com Deus.

Cada veia do seu corpo, tão tremenda e maravilhosamente feita, cada folha farfalhante do Paraíso, cada novo sol que nascia, regozijando-se como um homem forte numa corrida, traziam-lhe diariamente novos assuntos para pensamentos santos e louvores de admiração. Somente por essa razão ele poderia deleitar-se em olhar para essas coisas. As flores que se desabrochavam sobre a terra, o canto dos pássaros, a voz da rola ouvida em toda a terra feliz, a figueira produzindo seus verdes figos e as vinhas com suas uvas tenras exalando um bom aroma, todas essas coisas combinavam para trazer-lhe ao íntimo uma rica e variada oferenda de agradabilidade. E por que? Justamente porque elas traziam à alma ricas e variadas comunicações da multiforme graça do Senhor. Pois, como você pode ter visto uma criança devotada ao seu pai terreno, sempre alegre quando ele está presente, e dando valor a cada dádiva, na medida em que demonstra cada vez mais o terno coração daquele pai, assim era com aquele genuíno filho de Deus. Em Deus ele viveu, se moveu e existiu; e a remoção daquela luz natural, tão agradável aos olhos, devido o desaparecimento do sol nos céus, não seria mais certo do que a desaparição da luz de sua alma se Deus escondesse dele a Sua face.

Mas quando Adão caiu, o ouro fino tornou-se ofuscado, a ordem de seus pensamentos e gostos foi invertida. Em vez de alegrar-se em Deus em tudo, e por tudo, agora tudo se tornara odioso e desagradável para ele, na medida em que tivesse vinculo com Deus.

Quando o homem pecou então ele temeu e odiou Aquele a quem temia; fugiu para todo tipo de pecado na tentativa de escapar dAquele a quem odiava. Assim como você pode ter visto uma criança que transgrediu gravemente contra um pai amável fazer tudo que puder para esconder-se dele, fugindo de sua presença e mergulhando-se em outros pensamentos e ocupações, tentando livrar-se a todo custo da realidade desse pai ofendido com razão; semelhantemente, quando o desobediente Adão ouviu a voz do Senhor Deus presente no jardim na viração do dia — aquela voz que anteriormente era música celestial aos seus ouvidos — ele e sua mulher "esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim". E da mesma forma todo homem natural foge da voz e da presença do Senhor, não para esconder-se debaixo da densa copagem do Paraíso, mas para se meter em cuidados e negócios, prazeres e divertimentos. Qualquer refúgio é agradável, contanto que Deus ali não esteja; qualquer ocupação é tolerável se Deus não estiver nos pensamentos.

Estou bem certo de que muitos de vocês podem ouvir esta acusação contra o homem natural com incrédula indiferença, até mesmo com indignação. Não sentem que odeiam a Deus ou que temem a Sua presença, portanto, dizem que isto não pode ser verdade. Mas quando Deus diz que seus corações são desesperadamente corruptos; quando Ele reivindica para Si mesmo o privilégio de conhecer e provar o coração, não é presunçoso que seres ignorantes como nós, digamos que isso não é verdadeiro com relação aos nossos corações, aquilo que Deus afirma ser verdade, simplesmente porque não estamos cônscios disso? Deus diz que a "mente carnal é inimizade contra Deus", que a natureza e a substância da mente inconversa é ódio contra Deus, absoluto e implacável ódio contra Ele, no qual vivemos, nos movemos e existimos.

É bem verdade que não sentimos esse ódio dentro de nós; mas isso é somente um agravamento de nosso pecado e de nosso perigo. Temos obstruído de tal maneira as veredas do exame próprio, existem tantos retornos e labirintos antes que possamos chegar aos verdadeiros motivos de nossas ações, que nosso medo e ódio a Deus — aquilo que originalmente conduziu o homem a pecar e que são ainda as grandes forças propulsoras pelas quais Satanás atiça os filhos da desobediência — estão tão escondidas de nossa vista que é impossível persuadir um homem natural de que elas realmente estão aí. Todavia, a Bíblia testifica que dessas duas raízes mortíferas (horror e ódio a Deus) nasce a espessa floresta de pecados com a qual o mundo está enegrecido e coberto. E se existe alguém entre vocês, já despertado por Deus para conhecer o que há em seu coração, chamo esse homem, hoje, para testemunhar que o seu amargo clamor, diante de todos os seus pecados, sempre tem sido: "Contra ti, contra ti somente pequei". (Salmo 51:4)

Se, então pavor de Deus e ódio a Deus são a causa de todos os nossos pecados, como seremos curados do amor ao pecado senão pela remoção da causa? Como se mata da maneira mais efetiva a erva daninha? Não é cortando-a pela raiz? No amor de Cristo para com o homem — naquele estranho e inefável dom de Deus, quando Ele entregou Sua vida em favor de Seus inimigos, ao morrer, o justo pelo injusto, para nos levar a Deus — você não vê algo que, se realmente crido pelo pecador, remove todo o seu pavor e ódio contra Deus? A raiz do pecado é separada da planta inteira. Em Sua expiação de todos os nossos pecados, vemos a maldição removida, vemos Deus reconciliado. Por que continuaríamos a ter medo? Não temendo, por que odiríamos ainda a Deus? Não odiando a Deus, o que ainda vemos de desejável no pecado? Sendo revestidos com a justiça de Cristo, estamos no lugar em que Adão estava, tendo Deus como nosso amigo. Não temos motivo de permanecer no pecado e, portanto, não temos vontade de cometer o pecado.


No sexto capítulo de Romanos, Paulo parece falar do crente em pecado, como se a idéia fosse totalmente absurda. "Nós que morremos para o pecado", isto é, que em Cristo já suportamos a penalidade — "como viveremos ainda nele"? E novamente ele diz com muita confiança: "Porque o pecado não terá domínio sobre vós" — é impossível na própria natureza das coisas — "Pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça"; vocês não estão mais sob a maldição de uma lei transgredida, temendo e odiando a Deus, e sim sob a graça, isto é, sob um sistema de paz e amizade com Deus.

Porventura haverá alguém disposto a fazer objeção a mim argüindo que, se essas coisas estão certas e nada mais é necessário para que um homem tenha uma vida santa do que se se colocar em paz com Deus, como se explica então que os crentes ainda pecam? Eu respondo que realmente é verdade que os crentes pecam, mas também é verdade que a causa de seus pecados é a incredulidade. Se você e eu vivêssemos com nossos olhos voltados diretamente para Cristo crucificado, oferecendo gratuitamente a todos uma justiça que cobre todos os nossos pecados, e se essa constante visão do amor de Cristo se mantivesse dentro de nós (como seguramente o seria se olhássemos com honestidade) a paz de Deus que ultrapassa todo o entendimento — paz que não depende de nós, e sim da plenitude que está em Cristo — então digo que, frágeis e
indefesos como somos, nós não pecaríamos nunca; não teríamos o menor interesse em pecar. Mas isto não é o que acontece conosco.

Quão freqüentemente durante o dia o amor de Cristo fica completamente fora de vista! Quão freqüentemente é obscurecido para nós! As vezes é escondido de nós, até mesmo por Deus, para nos ensinar o que somos. Quão freqüentemente esquecemos a plenitude de Sua oferta, a perfeição de Sua justiça e ficamos sem a vontade e a confiança de reivindicar qualquer participação n'Ele! Quem pode, portanto, estranhar que, onde haja tanta incredulidade, o pavor e ódio contra Deus se insinuasse repetidas vezes e o pecado freqüentemente erguesse sua cabeça venenosa?

O assunto é muito claro, basta que tenhamos visão espiritual para percebê-lo. Se vivermos uma vida de fé no Filho de Deus, então seguramente viveremos uma vida de santidade. Eu não estou dizendo que deveríamos fazê-lo, e sim que nós faremos isso como conseqüência necessária. Mas até onde não vivermos uma vida de fé, viveremos uma vida de impiedade. É através da fé que Deus purifica o coração e não há outro modo.

Haverá entre vocês, então alguém desejoso de se tornar novo e ser libertado da escravidão de hábitos e afeições pecaminosas? Não podemos indicar-lhe outra solução, a não ser o amor de Cristo. Contemple como Ele te amou! veja o que Ele padeceu por você; coloque teu dedo, por assim dizer, nas marcas dos cravos e lance tua mão no Seu lado e não seja mais incrédulo, mas crente. Sob uma convicção de pecado, fuja para o Salvador dos pecadores. Como a pomba temerosa voa para se esconder entre as fendas da rocha, assim também fuja para te esconder nas feridas de teu Salvador e quando você O tiver achado como a sombra de uma grande rocha numa terra deserta, e sentar-se debaixo da Sua sombra com grande deleite, perceberá que Ele acabou com toda a inimizade, havendo terminado com toda a tua luta. Deus agora está do teu lado. Plantado com Cristo na semelhança de Sua morte, assim você será também na semelhança de Sua ressurreição. Morto para o pecado, você será vivo para Deus.

Fonte: Josemar Bessa

O culto online e a tentação do Diabo

Você conhece o plano de fundo deste texto olhando no retrovisor da história recente: pandemia, COVID-19... todos em casa e você se dá conta ...