"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor" - Sermão pregado dia 10.04.2011


"Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor" -
Sermão pregado dia 10.04.2011

Nosso texto: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24.15).

Os versículos que antecedem nosso texto, falam de um homem que avisara o povo de Deus sobre determinadas condutas que vinham tendo diante do seu Senhor e alertava-lhes sobre a necessidade de retornarem aos caminhos do Senhor, haja vista já terem presenciado grandes bênçãos e benfeitorias divinas em seu favor.

Um dos propósitos do livro de Josué é ensinar às gerações futuras de Israel como servir ao Senhor nas batalhas, na distribuição da terra prometida entre as tribos e a renovação de sua aliança com Deus.

Antes de Josué proferir o famoso versículo - que há tempos atrás era comum encontrarmos em adesivos, camisetas, bonés, etc. - é importante notarmos que há um explicação a ser feita sobre o contexto que o cercava. Dentre muitas coisas que poderíamos salientar sobre essa passagem e os versículos anteriores do referido capítulo (1-15), gostaria de enfatizar 4 aspectos da narrativa de Josué:

1. O povo de Israel era indesculpável diante de Deus.

"Os vossos olhos viram o que eu fiz no Egito" (v.7). Josué diz àquele povo que eles muito bem sabiam o que havia lhes acontecido e as maravilhas que Deus havia operado em seu meio. Eles tinham testemunhado o constante cuidar do Senhor para com seu povo durante toda a sua jornada rumo à terra prometida.

Tal versículo nos é por demais importante, pois constantemente somos levados a nos esquecermos da história - tanto pessoal como eclesiástica. Em um primeiro momento podemos pensar que o fato de estarmos reunidos esta noite não abriga nada de especial e que desde sempre foi assim. Contudo, quando olhamos para as miríades de missionários que deram suas vidas pela causa do evangelho - aqui e em todo o mundo -, dos homens e mulheres que disseram que suas vidas não eram nada diante da gloriosa missão que lhes estava incumbida, acabamos entendemos que o simples culto dominical já é uma dádiva de Deus.

Talvez você conheça a história de Jim Elliot: Aquele missionário que tinha tudo para ser um grande homem na vida, pois era talentoso e dedicado aos estudos. Embora fosse tido como um homem promissor, sua verdadeira paixão estava em levar a palavra de Deus às tribos indígenas. Ele constantemente orava: "Consuma minha vida, Senhor. Eu não quero uma vida longa, mas sim cheio de Ti, Senhor Jesus. Satura-me com o óleo do teu Espírito...".

Após muita oração e a companhia de alguns amigos, ele resolve ir para os índios Quechua. Pouco tempo depois, Jim se lembra dos índios aucas (hoje conhecidos como Huaoranis) que tinham a fama de serem muito violentos e que não possuíam nenhum contato com o mundo exterior. Com o propósito de levar o evangelho aos índios huaoranis, o grupo começou a elaborar um plano que ficou conhecido como Operação Auca.

Pouco tempo depois o grupo resolve adentrar e estabelecer contato com aquela tribo. Ao chegarem na praia de seu acampamento, Nate e Jim avisaram aos outros que os aucas estavam vindo. Munidos de armas decidiram não utilizá-las. Pouco tempo depois chegaram os aucas e pouco esses cinco jovens puderam fazer. Seus corpos foram encontrados brutalmente perfurados por lanças e machados.

As esposas desses missionários, apesar da grande dor que sofreram, decidiram continuar com a missão, e algum tempo depois foram sucedidas na evangelização dos aucas. A tribo foi evangelizada e alguns anos mais tarde, o assassino de Jim Elliot, agora convertido ao Senhor Jesus e líder da igreja na aldeia batizou a filha de Jim e Elizabeth no rio onde seu pai tinha sido morto.

Jim Elliot procurou servir a Jesus com todas as suas forças e a maior parte de sua vida e de seu ministério é contado por sua esposa Elizabeth em dois livros publicados posteriormente. Sua célebre frase, encontrada em seu diário nos inspira a entregar sem reservas a nossas vidas nas mãos do Mestre: "Aquele que dá o que não pode manter, para ganhar o que não pode perder, não é um tolo".¹

Assim como Jim Elliot e seus amigos sabiam que viver para Cristo era o que mais lhes importava, também devemos ter a mesma e seguirmos as palavras de Paulo que dizem: "Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.14).

2. Quando Deus guia seu povo, ele os abençoa.

"Porém eu não quis ouvir a Balaão; pelo que ele vos abençoou grandemente e eu vos livrei da sua mão" (v.10). Queridos, vemos aqui como Josué discorre dizendo ao povo o quanto Deus havia protegido-os de inúmeros ataques e maldições que os outros povos desejam lançar contra eles. Sabemos que Balaão havia sido chamado por Balaque, rei de Moabe (v.9), para lançar maldição sobre Israel - mas Deus não permitiu que tal coisa fosse feita.

Neste momento nos lembramos do Salmo 91.7,10 que diz: "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda".

É por demais salutar que entendamos que o cristão não pode ser atingido por praga alguma feita contra ele. É totalmente estranho às Escrituras o fato de pessoas professarem a fé cristã e mesmo assim viverem temendo "forças ocultas" ou "trabalhos de macumba" feitos contra ela. Certo estou de que não devemos subestimar o inimigo - pois o único capaz de derrotá-lo é Deus e não nós -, contudo, nos deparamos com muitas pessoas na igreja que dizem crer num Deus soberano e onipotente em suas vidas, mas constantemente negam sua fé na prática, pois vivem temendo mais ao Diabo do que a Deus (já escrevi sobre isso - A quem devemos temer?).

3. Não são as armas humanos que conquistam a vitória.

"Não foi a espada e o arco que lhes deram a vitória" (v.12). Após discorrer sobre como eles haviam presenciado a mão protetora do Senhor, que havia os tirado do Egito, os havia protegido contra o inimigo e os havia feito vitoriosos diante de inúmeras batalhas, agora ele passa a instar-lhe para não confiarem em suas armas, tampouco acharem que estas foram a razão de sua vitória.

Lembremos de Gideão (posterior a Josué), quando derrotou o exército de midianitas - que ficavam invadindo a terra dos israelitas - de forma inesperada e ousada. O Senhor já havia dito a Gideão: "Muito é o povo que está contigo, para eu dar aos midianitas em sua mão; a fim de que Israel não se glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou" (Jz 7.2). Assim como o Senhor falou a Gideão e os seus, também salientou ao povo - por meio de Josué - para que não pensasse que a sua própria força havia sido a causa das suas conquistas.

Precisamos atentar para que, embora o homem seja responsável diante de Deus - e acredite, isso é muito, mas muito importante mesmo -, essa responsabilidade de modo algum fere a soberania do Senhor. Devemos levar cativo que nossa responsabilidade está subordinada à soberania plena de Deus sobre todos os eventos do mundo - quer sejam bons, quer sejam maus. Se não fosse assim, como José conseguiria ter controlado o curso de sua vida? De que modo Moisés conseguiria operar tantos milagres no Egito e abrir o mar Vermelho com sua própria força? Como Gideão teria vencido aquele exército que "subiam com os seus gados e tendas; vinham como gafanhotos, em grande multidão que não se podia contar, nem a eles nem aos seus camelos; e entravam na terra, para a destruir" (Jz 6.5)?

O Salmo 20.7 nos diz qual a atitude de um crente diante das batalhas da vida: "Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do SENHOR nosso Deus". Assim como estes homens deveriam saber que suas forças não estavam em artifícios humanos, nós também devemos fazer o mesmo.

Paulo também expressou essa certeza ao dizer: "Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" (1Co 15.10).

4. Devemos seguir ao Senhor acima de todas as coisas.

"Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (v.15). Josué já havia dito ao seu povo: "Agora temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor. Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo" (v.14,15) . Josué aqui fala com ironia contra o povo de Deus, dizendo-lhes que restavam apenas duas opções: Servir aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates (v.15) ou servir ao deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo.

Vejamos que Josué lhes expõe duas opções ruins - não há o Deus verdadeiro para eles escolherem! Josué fala de tal modo para lhes mostrar a gravidade da situação em que estão e para que visualizassem que estão à beira da ruína.

O livro de Juízes retrata como foi a vida do povo de Israel após a morte de Josué. Nos é dito que constantemente eles "fizeram o que o Senhor reprova" (Jz 2.11; 3.12; 3.17; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1).

A passagem de hoje deseja mostrar-nos que mesmo que todos ao nosso redor venham a desviar-se e passem a seguir outros deuses - que "são vaidade... como a palmeira, obra torneada, porém não podem falar; certamente são levados, porquanto não podem andar" (Jr 10.3,5) - o verdadeiro cristão deve e permanecerá firme.

Que possamos crescer na sabedoria e confiança no Senhor, "para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente" (Ef 4.14).

Amém.


Nota:
[1]Clique para ler na íntegra: http://katalage.blogspot.com/2007/04/jim-elliot.html

3 comentários :

  1. Amados irmãos.
    Não vou comentar diretamente o texto supra citado (Eu e minha casa serviremos ao Senhor), sem bem que o mesmo está inserido neste contexto, porém fazer uma colocação relativa à forma como é encarada hoje a proclamação da mensagem no ambente de culto. Isso porque, se atentarmo bem nos chamados cultos de adoração, a liturgia - se é que se pode assim denominar a sistemátca de culto - tem como foco o homem e, em cima dele, vasto conteúdo de exortações, formas psicológicas e ordenanças, um tipo de apontar o dedo em riste em direção a ele. Notamos que a didática nesses tipos de ajuntamentos foge milhas do sentido correto do culto a Deus, senão vejamos.
    "Quando vos reunis, uns trazem salmos, outro orações...", e assim por diante o apóstolo disserta sobre as reuniões da igreja emergente. O que ocorre hoje? Um punhado de pessoas pregadas aos bancos, um parlador no alto apontando, impondo, ordenando, como se fosse a autoridade em pessoa. Deus, quando é citado, recebe os proventos cúlticos apenas por tabela. Primeiro o homem - o centro da mensagem - depois, o que sobra, como se Deus fosse um juiz numa partida de futebol onde a bola resvala nele e entra no gol, fica em segundo e até em terceiro plano. Depois de tudo que é dirigido ao homem, ai então direcionam a Deus, como se ele fosse o fornecedor apenas. Longe o caráter do "Vim para servir e não para ser servido". É o homem instruído a receber e não a se doar ao semelhante, muito menos a Deus.
    Com efeito, se é um culto de adoração; se adoração sobentende elevar a Deus todas as nossas manifestações de apreço, adoração e mesmo nossa entrega, porque então colocar o homem como receptor de tudo que é feito num culto de adoração?
    Apenas para meditarmos um pouco sobre o contexto eclesial, onde, como dissemos, Deus é referido apenas por tabela, apenas como fornecedor de dadivas celestiais, e não Aquele que deve receber todos os atos de adoração. No passado havia pregadores que fazia o povo se enternecer, a ponto de alguns chorarem de sua ocndição pecaminosa. Havia como que Deus descendo no meio do povo, como um derramamento do Espírito.
    Vazio, sim vazio. Hoje o contexto da maioria das reuniões é pautada pela carência do elemento primordial - o espiritual, Tudo porque derem um chega pra lá em Deus, Entronando o homem em seus lugar, colocando a criação no centro, no lugar do Criador. De servido que deve ser o homem, ele passa a ser servido, porque tudo é feito me seu nome, sendo o mesmo o motivo das igrejas se reunirem, outorngando-lhe o que ele quer e não o que ele precisa. Assim os ambientes de culto são transformados em verdadeiras casas de barganha, tendo Deus como fornecedor, existindo para servir ao homem.
    Este por sua vez ali está para receber, para usufruir das dádivas apontadas pelo pregador, isso depois dele apontar as fórmulas mágicas de como conseguir todos os proventos.
    Deus poderia falar, derramar seu espírito, em ambientes como esses, onde estaria sendo destronado?
    São fotos para analizarmos.

    A paz do Senhor que excede toda compreensão habite em vossos corações.

    Emilio (ciemol@ig.com.br)

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  2. o seu comentário foi perfeito pois infelizmente é o que vem acontecendo Deus deixou de ser a primeira pessoa para ser a segunda ou a terceira

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    1. A palavra do senhor diz: o meu povo perece por falta de conhecimento. Todos querem subir em um púlpito de uma igreja e ensinar, mais nunca sentaram para aprender, o evangelho é até discutível, mais não é discutido, Deus deixou o livro arbítrio para cada um seguir o caminho que achar melhor, à palavra ainda reforça quando diz que, não é por força nem violência mais sim por amor. À palavra nos reforça mais quando diz, crescer na graça e no conhecimento e a palavra disse que Deus resisti ao soberbo, mais da graça aos humildes PAZ...

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