"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A Lei de Deus na Natureza; Nossa Incapacidade; e Cristo



A Necessidade de uma Saída


Estamos encerrados em um universo que não nos pertence, e, de certa forma, ao qual nós não pertencemos – um universo diferente daquele para o qual fomos criados. Fomos como que lançados aqui, sem placas de saída, nem compreensão do labirinto que se nos propõe a existência, entretanto com o desejo pela saída e uma imensa saudade de onde nunca estivemos. Contudo, não fomos abandonados, nem deixados sem recurso com o qual poderíamos responder estas questões – no interior de nossa alma jaz a Lei de Deus. E que Lei é essa? É um padrão de comportamento que, sem exceção, todo homem exige que os outros homens conheçam e que todo homem sabe quando transgride. Diga-me então, como você se sente quando mentem para você? Todo homem trapaceado se indigna, em maior ou menor grau, com o ocorrido. E se alguém te rouba um objeto querido? Agora, e quando você mente, ou rouba, e é apanhado? “Você não deveria ter feito isto”, “Mas, você prometeu que viria...”, “Você me disse que se esforçaria mais!”, “É meu! Me devolve”, “Eu não queria fazer isto, mas tive que fazer” - é isto que ouvimos e falamos nestas situações, assim nos sentimos. Quando falamos estas frases, mesmo sem querer, acabamos recorrendo a um padrão subentendido, que se tem por certo ser presente e válido, com o qual comparamos as ações que queremos provar serem erradas ou perante o qual damos explicações para nos desobrigar de algo que sabemos que ele exige. Aí está esta tal Lei. Afinal, que padrão é este que julga estes delitos, que nos informa de que algo que não deveria ocorrer, ocorreu? Qual o padrão que nos mostra que sofremos o que não deveríamos e que o caso carece de Justiça? Ou que fizemos o que não deveríamos e que, se formos apanhados, precisaremos de uma justificativa para não sofrermos punição? Sim, este padrão universal, gravado na alma de todo homem, é a Lei de Deus. Ela dá testemunho tanto do que é correto - e, portanto, deveríamos estar fazendo -, quanto da existência de um Legislador. 

Talvez você possa pensar: “Isto não é uma questão de educação ou cultura?”, e eu lhe respondo que não. Desde muito jovem, seja culto ou inculto, o ser humano já sabe quando é injustiçado em seus direitos, e responderá, com indignação, segundo a resposta cabível à sua idade. Por exemplo, uma criança que tem seu brinquedo tomado por outra, busca o auxílio da mãe para resolver a questão; e mesmo uma criança bem pequena, intervirá quando outra criança se desentende e agride seu irmão mais velho; e há muitas diálogos interessantes entre os infantes da pré-escola a respeito do que cada criança faz em relação as outras. Em uma sociedade brutal, como em certas tribos africanas, um jovem cuja família é assassinada requererá alguma providência – ainda que uma providência igualmente brutal - a violência intrínseca da sociedade não amenizou algo dentro dele que denuncia que aquilo é injusto; em uma sociedade urbana, quando um menininho é morto por bandidos durante o roubo do carro de sua mãe, homens e mulheres de toda parte, e logo a mídia, alardeiam o caso denunciando como injustiça a branda pena a que o culpado é sentenciado. Assim, independente da sociedade ou da educação, existe um senso do que é errado, um senso que todos compartilham. P

Por fim, pense bem, se não houvesse uma Lei absoluta a respeito do que é certo e errado, uma Lei que temos certeza ser conhecida por todo homem e válida em toda situação, qual direito teríamos de nos indignarmos e dizermos que o modo como os traficantes do Rio de Janeiro vivem é errado? Se fosse apenas uma questão de educação ou cultura, seria errado puni-los. Neste caso, tudo o que eles têm feito seria sua cultura, seu estilo de vida, sua opção social - como poderíamos exigir que fossem como nós, se a Lei Moral humana não fosse universal? Você pode alegar que é porque estão inseridos na mesma sociedade que nós. Agora, se é o caso de respeitar o status quo, já não poderíamos dizer que os Radicalistas Islâmicos estão errados em matar qualquer um que renuncie a religião Islâmica no seu país, nem poderíamos dizer que a China comunista está errada em escravizar homens e mulheres por causa de suas divergências políticas - estariam apenas enquadrando os desajustados. Por fim, se você adotar este tipo de pensamento relativista onde cada sociedade se auto-regula sem uma norma superior, acabará concluindo: “eles fazem parte de outra sociedade; como podemos afirmar que estão errados?” A conseqüência disto é que, logo que nossa sociedade se transformar e achar que certas pessoas podem ser discriminadas por suas crenças ou atributos genéticos (algo que muitos países da Europa e certas regiões dos EUA estão próximos de fazer), não teremos como dizer que isto é errado. Quando você, que hoje é parte da maioria, se tornar um desajustado por causa de suas crenças e seus hábitos, por causa de seu padrão genético ou sua árvore genealógica, quando você estiver sofrendo a injustiça, como poderá pedir ajuda, se antes você defendia o mesmo relativismo que permitiu a ascensão dos seus algozes?

Ora, sabemos que todos podemos, e devemos, lutar pelo que é justo, pela liberdade civil, pela punição aos criminosos, ainda que o Estado e a sociedade falhem por não fazê-lo; sabemos com mais ímpeto ainda quando um de nossos amados, ou nós mesmos, somos prejudicados por essas injustiças. Existe, portanto, uma corrente, um fio que delimita com estrita semelhança o que é justo e o que é injusto em todas as sociedades humanas, em todos os seres humanos, em todas as eras – um fio que vibra com especial intensidade quando o injustiçado é você mesmo.

Esta é a Lei de Deus, uma Lei Moral da qual todo homem tem conhecimento inato e a qual todos recorrem nestas situações. Chamo-a Lei de Deus porque esta Lei revela um princípio Bom e Justo, que nota-se ser oriundo de uma mente, por sua complexidade e adequação. Concluo, repetindo, para resumir, que esta Lei denota a existência de um Legislador – por esta Lei temos testemunho da existência e do caráter de Deus, Ele a imprimiu em nossa alma e a ergueu como pilar de sustentação de Seu Templo. Que Templo é este? O homem é este Templo e a habitação de Deus. Ou, ao menos, foi criado para tal. No entanto, há uma disparidade clara entre o bem que queremos fazer, visto o ressoar dessa voz em nossa consciência, e o mal que fazemos, ante o qual somos culpados pelos regimentos desta Lei. Portanto, o homem foi criado para o bem e para habitar com Deus, foi criado para obedecer a Lei de Deus, contudo está em tão miserável estado que já não vive sem guerras, roubos, adultérios, prostituições, vícios, corrupções, mentiras e inúmeras outras perversões; portanto, vive sem Deus.

O homem, ao mesmo tempo, ama esses atos imundos e é vítima deles, ao mesmo tempo é capataz e prisioneiro dos outros homens em seus pecados, porque foi criado para um mundo que não é este, mas sim, um mundo compatível com a Lei de Deus; no entanto, vive neste mundo e colabora para que este mundo seja tenebroso como é, impulsionado por auto-satisfação e impiedade. E o mundo mesmo, em corrupção e crueldade, clama conjuntamente contra o estado lastimável em que se encontra – uma obediência perfeita à Lei de Deus livraria a humanidade de todos seus males. Assim, ainda que a compreensão que a Lei de Deus em nossa alma nos dá não seja capaz de nos livrar desse deplorável estado, mas apenas às consciências sensíveis, torna visível a culpa, ela é útil, pois mesmo que não seja a porta para fora desse universo decaído ao qual não deveríamos pertencer - e, sequer seja a placa que aponta para tal porta -, esta compreensão aponta para onde encontraremos o mapa que leva à placa que aponta o caminho da estreita porta de saída. E quão necessária é esta saída! Pois este universo decaído no qual estamos encerrados é fechado e imerso em decadência – tudo o que nele está, ruma para a morte, e, caso não escapemos dele, nosso destino inevitável é essa mesma morte, e uma dupla morte nos espera, uma terrível para o corpo e outra ainda mais pesarosa, para o espírito e, se nosso espírito é imortal, dado o princípio de Deus nele, como a própria Lei de Deus, que é uma Lei para todo o sempre, a morte desse espírito será uma morte imortal – um eterno morrer-se sem nunca chegar ao fim.

Pela Lei de Deus começamos uma jornada rumo à liberdade de nossa alma, para além do que nos aprisiona, para uma abundância de vida, para o cumprimento do fim para o qual o ser humano foi criado: habitar com Deus e glorificá-lO em tudo o que faz.



A Necessidade da Comunicação de Deus

Concluímos até então que há uma Lei expressa na alma dos homens que dá testemunho do caráter de Deus e, portanto, do padrão que Ele criou e exige para que os homens tenham Paz com Ele. Percebemos que o homem não satisfaz tudo o que este padrão exige e que o universo dá testemunho da falência humana em alcançar tal obediência. Logo, o homem sabe que há algo de errado com o mundo e com os outros homens havendo, inclusive, os de coração mais honesto que admitem que há algo de errado consigo mesmos e algo de errado na relação deles com Deus. O que se imagina em seguida é: Como posso cumprir esse padrão? Onde está a ponte que atravessará este abismo entre mim e o que é Bom, Puro, Santo? A Lei não responde essa pergunta.

Há um Legislador, Deus. Ele deu essa Lei aos homens, uma Lei que demonstra Sua Justiça, Pureza, Santidade, Bondade – uma Lei que nos instrui ao altruísmo e à equidade. Daí, o próprio Deus há de ser Justo, Puro, Santo, Bom. Sendo Ele de tão nobre caráter, o mais nobre possível, espera-se que Ele nos instrua em como obedecê-lO e cumpra o objetivo para o qual Ele mesmo nos criou, dando-nos ao universo para o qual fomos projetados. Esperar-se-ia que Ele se comunicasse com a humanidade, além da Lei, a este respeito. Ele comunicou-se com toda a humanidade, primeiramente, através do nosso primeiro antepassado. Todos tivemos pais, e nossos pais tiveram pais, e assim todas as gerações, desde um primeiro pai. Nosso primeiro pai vivia com Deus, e, Ele lhe revelou Sua Instrução, Sua Palavra, Sua Razão. Em nosso primeiro pai, toda a humanidade foi instruída. Nosso primeiro pai, no entanto, ainda que fosse santo para habitar com Deus e, ainda que verdadeiramente habitasse com Ele, desobedeceu-O cobiçando o conhecimento do bem e do mal que lhe fora vetado. E na sua desobediência, conhecendo o mal, trouxe o mal como a um parasita para o universo, transformando o mundo puro em que vivia, e para o qual fomos criados, no mundo decaído que hoje conhecemos. Contudo, Deus não permitiu que se perdesse Sua Instrução, mas foi mantida, geração após geração desde nosso primeiro pai, chamado Adão. Por homens arrependidos, Deus confirmou Sua Palavra, que é esta: pela desobediência de um homem o mal entrou no mundo e muitos tem sofrido a conseqüência, pela obediência de um outro, o segundo Adão, muitos haveriam de, novamente, habitar com Deus em santidade. Essa Instrução, o Oráculo de Deus, Ele escolheu preservar, inicialmente, por meio de um povo, chamado Hebreus, nos escritos de Moisés, nos Salmos e nos Profetas Bíblicos e, posteriormente, pelo povo do segundo Adão, sendo este segundo Adão Aquele a quem chamamos Jesus Cristo. E é nessa Palavra preservada que encontramos tudo o que nos é necessário para andarmos em toda boa obra diante da face de Deus, pois nessa Palavra conhecemos as Boas Novas de que Cristo padeceu a pena por nós merecida e sofreu na Cruz o que nós deveríamos sofrer por tanto que descumprimos a Lei de Deus e por tanto que temos contaminado o mundo pela proliferação do pecado. Nesta Redenção, que aquela Lei natural não anuncia, a comunicação de Deus é necessária, e, na preservação desta Palavra, viva e escrita, que não sofreu uma corrupção sequer em milhares de anos, assim como na plena vida e simbiose entre a Escritura e a Lei natural, no ensino de Amor e Santidade de Cristo, é que se prova a Bíblia ser esta comunicação, de Deus com os homens. Ainda, no Santo Espírito de Amor que Deus provê aos que, por conhecimento, confiança e esperança se apropriam da plena obediência do Senhor Jesus Cristo à Lei, e de Seu perfeito sacrifício em nosso lugar, neste Santo Espírito de Deus, Deus comunica-se com estes a quem Ele proveu tal Espírito, aplicando e aclarando a Palavra Escrita, intercedendo e acusando quanto a obediência, tornando-os, de glória em glória, o que o homem foi criado para ser. 

Na Escritura o homem encontra a placa que indica a saída do universo decaído, e esta placa aponta para Cristo. Cristo, com a perfeita compreensão da Lei, o perfeito conhecimento da natureza humana e com o mais maravilhoso ensino sobre a relação entre Deus e os homens, testemunha do papel da Escritura e é, Ele mesmo, a porta estreita por onde o homem entra e, peregrinando em um estreito caminho que é Cristo, chega à fonte capaz de saciar toda a sede e fome de seu espírito. E, este homem que renasceu ao atravessar a porta estreita, encaminhando-se à saída do universo, desenvolve uma obediência gradualmente crescente à Lei de Deus. Subjugando toda maldade e entregando em adoração a Deus tudo o que fazem, desde a alimentação diária, passando pelo cuidado com a família e atingindo a sociedade e o trabalho, estes homens regenerados são as primícias de uma nova criação, que desde já restringe a ação do mal no meio da humanidade e que, em um tempo porvir, será feita completa ao desfazerem-se os elementos da presente criação na glória da segunda vinda de Cristo Jesus, dos altos céus onde habita à direita de Deus Pai.



A Necessidade de Comunhão

Quando veio a plenitude das eras, dos céus desceu o Filho Unigênito de Deus, que, sendo um com o Pai e de mesma glória que Ele, humilhou-se ao destituir-se de toda Sua glória e, sendo Santo, nascer como homem para habitar no meio do pecado e em semelhança do pecado, sofrendo a pena pelo pecado que não era seu, e pena maldita – uma morte de Cruz. O desejado das nações adentrou o universo decaído, e manietou o mal para extrair de todos os povos aqueles indivíduos amados desde antes do primeiro Adão, preordenados para serem de Cristo, até que o total dos escolhidos cumpra-se. Ele, sendo Eterno, irrompeu no curso do tempo, redimindo o mundo da maldade e estabelecendo um Reino Eterno de Verdade, Amor e Paz para todos que nEle creeem. Em Cristo, a história divina e humana se interpõem, o eterno e o temporal se cruzam, a Verdade mística e a Razão de Deus se revelam aos homens; nEle todos os anseios e todo o tatear das religiões antigas se encontram com a Palavra perfeita dos Oráculos dos Hebreus, o Velho Testamento da Escritura – o Senhor Cristo Jesus, plenitude da divindade, em carne como a nossa, com sangue como o nosso, findou as eras de trevas onde as nações conheciam a Lei de Deus, que é universal, mas não se comunicavam com Ele, pois estavam excluídos de Sua Revelação. Em Cristo, a Verdadeira Religião se resume – não há nada mais alto a ser alcançado além do que Cristo nos trouxe. E o Reino que Ele inaugura é o Reino de um futuro infinito, é a nova criação feita de uma nova humanidade, de homens regenerados, feitos novos em seu amor pelo Bem, em seu desejo por Santidade e Pureza e em suas boas obras.

A estes chamamos Igreja.

Que decepção! Porque se toda nossa reflexão e todo o trabalho de Deus termina no que é visto em toda parte e se chama por igreja, então algo está muito errado. Lembremos, a Lei de Deus nos deu o padrão de certo e errado, e essa Lei julga inclusive essa tal igreja – não é difícil ver que essa Lei condena o que a chamada igreja perpetrou pelos séculos. Usando o nome de igreja, as Cruzadas e Inquisições derramaram sangue de incontáveis pagãos e muitos dos que se chamavam Cristãos. Usando o nome de igreja se vendeu, e se vende, por dinheiro e poder, a falsa salvação da própria alma e até de almas dos outros. Essa chamada igreja, é cheia de homens adúlteros, mentirosos, corruptos e cheios de vício. Contudo, não é esta igreja que Cristo fundou - “nem todos que são de Israel são israelitas” explica o santo Apóstolo Paulo em sua Epístola aos Romanos, Capítulo 9, versículo 4. E, no livro de Reis, capítulo 18 a 22, quatrocentos eram os profetas que diziam o que era agradável ao Rei, com suas próprias palavras, e um, Miquéias, que dizia a verdade, segundo a Palavra do Senhor. Qual era, então, a Igreja? Não aquela que com opulência, riqueza e número ocupava as reuniões solenes e agradava ao Rei, mas aquela que, em Miquéias, pequena e humilde, era fiel ao Senhor. Então a Igreja de Cristo não é a igreja óbvia, não é a mais visível, nem a que mais se destaca. Antes, a Igreja de Cristo é o corpo reunido de crentes fiéis, obedientes à Lei de Deus, conhecedores do ensino da Escritura, vivendo em Amor e União, em cuidado mútuo, em perseverante oração, em temor diante do Senhor. A verdadeira Igreja é o Corpo de Cristo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos, a verdadeira Igreja tem Cristo como seu cabeça, operando o poder dEle para sujeitar todas as coisas aos pés de seu Mestre Amado. A verdadeira Igreja é feita de homens e não de prédios ou de hierarquias ou de rituais; a verdadeira Igreja está onde estiverem dois ou três homens regenerados reunidos em temor e verdade de vida. A verdadeira Igreja é um rio caudaloso, porém espiritual, visível na pureza e santidade dos homens que a compõe, e não por grandes templos, riqueza ou poder, pois os genuínos Filhos de Deus sorvem da fonte desse rio, esse rio de águas luminosas e vívidas, um rio que nunca deixou de correr, em todas as nações e eras desde que Cristo redimiu os que são Seus, pois esse rio nos é dado por Ele mesmo. Este rio crescerá e engolirá toda a terra, e a vida crescerá nos fiéis por essas águas, enquanto os ímpios encontrarão a morte em águas profundas e escuras.

Essa é a Igreja e a comunhão dos Santos, daqueles a quem Cristo chamou. Neste Reino de Sacerdotes, nesta Nação Santa, Deus expressa seu amor aos crentes no amor destes uns pelos outros; pois, aquele que não ama o irmão o qual ele vê, toca e com quem fala, como amará a Deus que é espírito e invisível? Assim prosseguimos modesta e humildemente, sem que nosso coração se exalte e não cobicemos o que é alto demais para nós, não em aparência de piedade, nem em orações públicas e religiosidade que busca o reconhecimento, mas em consciência da Divina origem dos nossos dons e do que Deus tem operado em nós – mansidão, longanimidade, solicitude, hospitalidade – assim como de nosso eterno destino de glória nos céus; não temos ouro ou prata, contudo temos o conhecimento de Deus, vivemos com Ele em Espírito, andamos em Sua maravilhosa presença e somos, por Ele, feitos justos em Cristo Jesus, para glorificá-lO em tudo o que fazemos, em fervente amor, em alegre esperança, peregrinando sobre a terra e tendo, entretanto, a Jerusalém Celestial e os tesouros de Cristo em nossa constante meditação; apresentamo-nos, segundo a Graça de Deus Pai e a consumação de nossa dívida na Cruz de Cristo, como a, historicamente comprovada em testemunho da Escritura e da vida de milhares de homens santos, única verdadeira e perfeita religião, para todas as nações do mundo. O Evangelho Eterno, vindo de uma insignificante nação, do meio dos párias e pobres de espírito, de uma época remota, odiado e perseguido, primeiro pelos judeus e depois pelos gentios, cresceu para confundir a sabedoria dos gregos, o anseio de poder e sinais dos judeus e a política de Roma, estendendo seus ramos por toda Ásia, África, Europa e além, para todo mundo, por 20 séculos em uma Verdade inalterável, que move os corações dos homens na proclamação de uma perfeita esperança.

No amor de Cristo, resistimos. Na Cruz bendita nos gloriamos, e a todos quanto tem amado a Verdade do Evangelho, conclamamos, como uma criança desmamada descansa nos braços de sua mãe, que venham e descansem, seja você um cansado e oprimido pecador ou seja um homem já arrependido porém novo na fé, ou já experimentado mas de parcos frutos ou de fraca convicção, venha aos braços do Senhor Jesus Cristo e descanse – creia e serás salvo, e, como salvo ame a Palavra de Deus e Seus mandamentos dando-lhes a honra que lhes é devida! Convidamos a todos quanto tem amado a Cristo, unam-se conosco, na pureza e simplicidade do Evangelho, para conhecer e viver a doutrina dos apóstolos, o partir do pão, e as incessantes orações uns pelos outros e em gratidão perante nosso Pai, sejamos a Igreja fiel no presente século, em espírito, retirada do universo decaído pela única saída: Cristo, e, por isso, pura e imaculada, porém presente na terra para o progresso de Seu Reino - pela Graça de Deus Pai, lavados no Sangue do Cordeiro, e perseverantes na Santificação do Espírito. Amém!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A Verdadeira Resposta Cristã para o Aborto


Existem muitos que estão perplexos diante da defesa do aborto na esfera política. A Sra. candidata que usurpa o nome de “mãe do Brasil” (e me parece que, dados os nossos hábitos de pensamento e ação, somos um povo sem mãe mesmo), que contradição!, é o carro-chefe da frente de batalha de um partido que em mais de uma ocasião defendeu o direito à prática do aborto.
E agora vemos também “bispos” de falsas igrejas se pronunciando a favor do aborto, como se isso “batizasse” ou purificasse a plataforma política esquerdosa que defende a prática. Como se isso fosse um “imprimatur” episcopal sobre o voto do pseudocristão que escuta a esses canalhas.
Pois os cristãos que verdadeiramente repudiam e execram a defesa do aborto que tem sido veiculada no meio político têm toda a razão de repudiar e de execrar tal prática. Contudo, devem também vigiar para que não caiam no defeito grave da hipocrisia. É muito bom olhar para o cisco no olho alheio e ignorar a trave que cega o nosso próprio olho. E temo que seja isso o que ocorre na maioria das vezes.
Afinal, que moça cristã hoje responderia, quando perguntada a respeito de suas aspirações, que deseja ser uma boa mãe, cuidar da casa e dos filhos? E que moça cristã hoje responderia que deseja ter quantos filhos o Senhor lhe conceder, e que se não tiver o privilégio de ter filhos, consideraria adotar algum?
De fato, pouquíssimas moças do nosso país assim agiriam, o que reflete a completa falta de um pensamento pactual na igreja brasileira. Parece que o termo “aliança de Deus com o Seu povo” é totalmente alheio ao evangelicalismo mesquinho, egoísta, individualizado, compartimentalizado e anticonfessional do nosso país.
Pois bem. Homens e mulheres cristãos: muitos de vocês têm condenado a prática do aborto, mas já o praticaram diversas vezes: se não foi por ação (através de uma pílula ou alguma outra prática anticoncepcional abortiva), então foi por pensamento. Lembre-se, por exemplo, de quando vocês criticaram alguma família por ter muitos filhos. Ou então de quando vocês decidiram ter poucos filhos, porque consideraram os filhos potenciais um estorvo para os seus planos financeiros autocentrados.
Eu os desafio: parem de pensar nas férias que deixarão de ter ou nas rugas que terão a mais. Parem de pensar nas noites mal-dormidas ou nas noites que dormiriam a mais. Parem de pensar que é um peso ensinar os filhos no caminho bíblico e parem de pensar que é um peso cuidar dos filhos para que saibam cumprir o seu mandato social.
Pai cristão: filhos não são problema. Eles são “herança do Senhor” e “galardão” (Sl. 127). Devem ser como “rebentos de oliveira à roda da mesa” (Sl. 128). E rebentos de oliveira não florescem somente aos pares, e sim aos montes! Filhos são bênção. Não tenha medo de eles um dia virem a ser maus filhos: faça a sua parte. Batize-os, sele-os com o selo da bênção de Deus sobre o povo da Sua aliança. Esteja presente em casa, lendo com eles a Bíblia após as refeições. Seja sacerdote, rei e profeta do seu lar. E você verá como os seus filhos o encherão de alegria!
Mãe cristã: se a sua saúde assim permitir, deixe o controle de natalidade por conta de Deus. É ele quem dá “herança” e “galardão” através dos filhos. A pior coisa do mundo é restringir o meio pelo qual Deus decidiu abençoar a família cristã. É como se você estivesse dizendo: “não quero mais bênçãos de Deus”. Ou pior, é como se você acreditasse que ter mais filhos vai, na verdade, atrapalhar. Deixe de ser egoísta. Pare de pensar nas jóias que poderia comprar ou na carreira que poderia ter. Decida ser mãe para a honra e glória de Deus.
O maior e principal meio de crescimento da igreja na história foi através de filhos da aliança. Evangelismo pessoal e missões são importantes. Mas Deus promete, antes de tudo, a bênção aos crentes e aos seus filhos (At. 2). Deus não escolheu para si indivíduos isolados, e sim um povo, o povo que hoje é o Israel de Cristo.
A igreja deve parar com a hipocrisia e deve buscar maior relevância através de um pensamento de obediência pactual ao seu Cabeça, Jesus Cristo. Um bom passo é que você pare de apoiar o aborto em seu coração e passe a abraçar completamente a sua missão de crescer e de multiplicar (Gn. 1).
por Lucas G. Freire
Fonte: Neocalvinismo sem Mundanismo

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Nossa Meditação na Ira de Deus



A nossa prontidão ou a nossa relutância em meditar na ira de Deus é um teste seguro de até que ponto os nossos corações reagem à Sua influência. Se não nos regozijamos verdadeiramente em Deus, pelo que Ele é em Si mesmo, e por todas as perfeições que nEle há eternamente, como poderá permanecer em nós o amor de Deus? Cada um de nós precisa vigiar o mais possível em oração contra o perigo de criar em nossa mente uma imagem de Deus segundo o modelo das nossas inclinações pecaminosas. Desde há muito o Senhor lamentou: "...pensavas que (eu) era como tu" (Sl 50:21). Se não nos alegramos "...em memória da sua santidade" (Sl 97:12), se não nos alegramos por saber que num dia que logo vem, Deus fará uma demonstração sumamente gloriosa da Sua ira, tomando vingança em todos os que agora se opõem a Ele, é prova positiva de que os nossos corações não estão sujeitos a Ele, que ainda permanecemos em nossos pecados, rumo às chamas eternas. 

"Jubilai, ó nações (gentios), com o seu povo, porque vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários fará tornar a vingança..." (Dt 32:43). E ainda lemos: "E, depois destas coisas, ouvi no céu como "que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia; Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus;Porque verdadeiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia..." (Ap 19:1 -3). 

Grande será o regozijo dos santos naquele dia em que o Senhor irá vindicar a Sua majestade, exercer o Seu domínio formidável, magnificar a Sua justiça, e derribar os orgulhosos rebeldes que ousaram desafiá-lO.

- por A. W. Pink (1886 -1952)
Fonte: Cinco Solas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Igreja de Deus é um Jardim - por Charles Spurgeon



A Igreja de Deus é um jardim, assim chamada no livro de Cantares de Salomão; portanto, sei que não estamos errados em usar esta ilustração.


Mas o que representa um jardim?


Em primeiro lugar, ele implica separação.
Um jardim não é uma terra não cultivada, um matagal, uma terra pública, nem tão pouco um deserto. Ele é cercado ao redor; está encerrado ali. Ah, cristãos! quando vocês se unem a Igreja, lembrem-se, também, que se tornam, por profissão, guardados nela, para o Rei Jesus. Eu desejo, sinceramente, ver a parede de separação entre a Igreja e o mundo tornar-se mais ampla e forte. Creiam-me, nada me entristece mais do que quando ouço membros da Igreja dizendo: "Bem, não há nenhum mal nisto; não há mal naquilo", e vão se aproximando do mundo tanto quanto possível. Não importa o que você pense disto, mas estou certo que você está decaindo da graça até mesmo quando você levanta a questão de quão longe você pode ir na conformidade mundana. Devemos evitar a aparência do mal, e especialmente nesta época festiva do ano, este natal, quando tantos de vocês estão tendo suas festas, suas brincadeiras de crianças e todo aquele tipo de coisa.

Eu queria vocês duplamente zelosos e recordados, membros de igreja, de que vocês são cristãos sempre, se de fato o são. Não podemos conceder dispensações ao pecado, como a Igreja Católica fez nos dias de Lutero. Vocês devem estar sempre vestidos com suas fardas, como soldados de Cristo, e nunca, em tempo algum, dizer: "Bem, eu vou fazer isto só agora; é somente uma vez no ano; farei como o mundo faz; não posso ficar fora de moda" .

Você deve estar fora de moda, ou fora da Igreja verdadeira, lembre-se disto, porque o lugar da Igreja de Cristo é inteiramente fora dos costumes do mundo. Vocês são chamados para ir avante sem o regimento, suportando sua reprovação. Se você quer ficar no acampamento, você não pode ser um discípulo de Cristo, pois o amor do mundo é inimizade com Cristo. Você deve ser separado ou ser perdido. Se você quer ser comum, você não pode ser jardim; e se você está desejoso e ansioso para ser jardim, ora, então, não procure ser o comum. Mantenha as cercas levantadas; mantenha os portões bem trancados; os jardins do rei não devem ser deixados abertos para ladrões e salteadores.

Não se conforme com o mundo, mas seja transformado pela renovação da sua mente.


O jardim do Rei é um lugar separado - guarde isto.


O jardim do rei é um lugar de ordem.
Quando você vai para o seu jardim, você não encontra as flores todas espalhadas de qualquer modo, mas o jardineiro sábio as dispõe de acordo com suas matizes e colorações, de modo que no meio do verão o jardim pareça com um arco-íris que tenha sido quebrado em pedaços e deixado sobre a terra, prazeroso de se contemplar. Todos os cercados são regulares, os canteiros proporcionais, e as plantas bem arrumadas, como deveriam ser. Tal deveria ser a Igreja cristã - pastores, diáconos, presbíteros, membros, todos em seus devidos lugares. Nós não somos um monte de tijolos, mas uma casa. A Igreja não é um mero montão, mas é para ser um palácio construído para Deus, um templo onde Ele se manifesta. Vamos todos tentar manter ordem na casa de Cristo, e acima de tudo, detestar discórdia e confusão. Sejamos homens que sabem como manter a dignidade, mantendo uma ordem apropriada e regularidade em todas as coisas. Nós buscamos não uma ordem que consista em todas as pessoas dormindo em seus lugares, como corpos em catacumbas, mas desejamos a ordem que encontre todos trabalhando em seus lugares para a causa comum do Senhor Jesus.

Que nós nunca sejamos uma Igreja desordenada, desunida, irregular. 



Que possa haver ordem no jardim, preservada pelo poder do amor e graça.


O jardim é um lugar de beleza. 

Tal deveria a Igreja de Cristo ser. Você colhe as mais belas flores de todas as terras, e coloca-as no seu jardim, e se não há beleza nas ruas, você espera que haja nos canteiros do floricultor. Então, se não existe santidade, amor, zelo, nem devoção fora, no mundo, que possamos ver estas coisas na Igreja. Não devemos tomar o mundo como nosso guia, mas devemos excedê-lo. Devemos fazer mais do que outros. O Senhor Jesus Cristo disse a seus discípulos que a justiça deles deveria exceder, em muito, a dos escribas e fariseus, ou eles não poderiam entrar no reino; e o genuíno cristão deve buscar ser mais excelente em sua vida do que o melhor dos moralistas, porque o jardim de Cristo deve ter as mais belas flores de todo mundo. Mesmo o melhor é pouco comparado com os méritos de Cristo; não O coloquemos com plantas murchas e secas.

Os lírios e rosas mais raros, valioso e finos devem florir no lugar que Jesus chama de seu.


O jardim do rei é um lugar de crescimento, também. 

Não acho que o floricultor pudesse pensar que o solo no qual suas plantas não crescem, é próprio para ser um jardim. Seria um desperdício total para ele, se as mudas continuassem mudas e os botões nunca se tornassem flores. Assim na Igreja de Deus. Não somos introduzidos na comunhão para sermos sempre os mesmos, sempre crianças e bebês na graça. Devemos crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Reuniões de oração deveriam ser escolas de educação prática para nossos amados jovens membros; um lugar onde os pequenos pássaros tentem alçar vôo. Se eles tentarem orar, talvez no princípio possam quase falhar, mas se não derem espaço para uma timidez tola, eles logo a superarão e se acharão úteis, não só nas orações públicas, mas em milhares de deveres úteis, também.

O crescimento deve ser rápido onde Jesus é o lavrador e o Espírito Santo o orvalho do alto. 

Mais uma vez, um jardim é um lugar de retiro. 
Quando um homem está em seu jardim, ele não espera ver todos seus clientes andando entre os canteiros para fazer negócios com ele. "Não", ele diz, "estou andando no meu jardim e espero estar só". Assim o Senhor Jesus Cristo nos reservou a Igreja para ser um lugar onde Ele pode manifestar-se a nós, do modo como Ele não o faz ao mundo. Ó, eu desejo que os cristãos sejam mais quedados, e mantivessem seus corações mais calados para ouvir a Cristo! Receio que freqüentemente nos preocupamos e agitamos, como Marta, com muito serviço, de tal modo que não temos um tempo para Cristo como o que Maria teve, e não nos sentamos aos Seus pés como deveríamos fazer.



O Senhor nos conceda graça para manter nossos corações como jardins isolados para que Cristo ande neles.



Esta, então, é uma pobre descrição do que a Igreja é; e a partir de agora, muito resumidamente, trataremos de quem ela é.



A Igreja é um jardim, mas é o jardim do Rei.
A Igreja não é minha, nem de vocês, mas do Rei. É o jardim do Rei, porque Ele a escolheu para Si.


"Somos um jardim, ao redor protegido,

propriedade particular, escolhido;
Um pequeno lugar pela graça cercado,
Fora do mundo, este deserto descerrado."



Somos do Rei, porque Ele nos comprou.

Nabote disse que não entregaria sua vinha porque a tinha herdado. Assim também, Cristo nos recebeu por herança através de um título irrevogável. Somos Sua herança, e Ele tão ternamente nos comprou com Seu próprio sangue, que nunca nos entregaria, abençoado seja Seu nome! Somos dEle, porque nos conquistou. Ele nos ganhou numa justa batalha e agora nós reconhecemos a validade da Sua escritura, e confessamos, cada um de nós, como membros da Igreja, que somos dEle e que Ele é nosso.

Que nobreza isto confere à Igreja de Cristo!

Algumas vezes escuto pessoas falando afrontosamente das reuniões de igreja; podem estar presentes poucas pessoas, algumas delas podem ser jovens membros, outras muito idosas, ainda assim, eu me ofendo quando ouço pessoas menosprezarem tal encontro, pois Cristo não o desprezaria. Sempre que a Igreja se reúne, tanto como um todo, ou representativamente, há uma dignidade solene sobre aquela assembléia que não é encontrada num parlamento de reis e príncipes. Se Napoleão pudesse formar um senado com todos os potentados deste mundo, em Paris, e tivesse um congresso lá, todos eles juntos não se comparariam com uma meia dúzia de mulheres idosas piedosas que estivessem juntas, como Igreja, no nome de Cristo, em obediência ao mandamento do Senhor; pois Deus não estaria com os potentados, mas estaria com o mais humilde e desprezado do seu povo que reúne-se como Igreja no nome de Jesus. "Eu estou com vocês até o fim do mundo" é mais glorioso do que arminho, ou púrpura, ou coroa.

Fazer parte da Igreja no nome de Cristo, e reunir-se como tal, suplanta qualquer assembléia sobre a face da terra, e até mesmo a assembléia celeste dos nascidos primeiros, é somente uma parte do grande todo no qual as assembléias da Igreja na Terra, são parte essencial.



A Igreja é o jardim do Rei. 

Agora pergunto: 
"Mas se a Igreja é um jardim, de que ela precisa?"

Uma coisa que certamente requer, é trabalho. 

Você não pode manter um jardim em ordem sem trabalho. Precisamos de mais trabalhadores nesta Igreja, especialmente de uma espécie. Precisamos de alguns para ser agricultores.

Eu recebi uma carta semana passada, de uma moça; eu não a conheço, mas ela disse que tem vindo aqui por dois anos; que anseia por sua alma, e freqüentemente tem desejado que alguém falasse com ela, mas ninguém o faz. Se eu soubesse onde ela senta, eu diria para os amigos que sentam lá, que me envergonho deles! Não sei como vocês deixam uma pessoa vir a este Tabernáculo por dois anos sem nunca falar com ela! Alguém tem sido negligente, muito negligente. Não digo que vocês devam falar sobre as melhores coisas na primeira vez que os virem, apesar de tentarem fazer isto a qualquer custo; mas como estar em silêncio por dois anos? Vocês vêm duas vezes no domingo, e aquela jovem também; bem, houve duzentas oportunidades que você perdeu; duzentas vezes que vocês deixaram aquela pobre alma ir embora, queimando, sem falar com ela!

Eu quero trabalhadores, reais e esforçados ganhadores de alma. 
Eu quero agricultores que coloquem a muda onde ela crescerá. 
Eu quero ajudantes que apanhem o cordeirinho, assim que nasçam, e o carreguem em seu peito por algum tempo;

enfermeiros espirituais que dêem conforto aos de coração quebrantado e que coloquem o óleo da consolação nas feridas dos pobres pecadores vacilantes.Em cada igreja deve haver quem olhe por aqueles que foram plantados. Quando recebemos membros, devemos olhar por eles, e como uma só pessoa não pode fazê-lo totalmente, e mesmo os presbíteros e diáconos dificilmente serão em número suficiente para tão grande trabalho, deveria ser o propósito e dever de todo cristão experiente na igreja cuidar, atenciosamente, dos inexperientes.

Creio que muitos de vocês fazem isto, e sou muito agradecido aos amigos zelosos que não tem ofício na igreja, mas que fazem um grande trabalho na visitação dos enfermos e no cuidado com os neófitos. Só o que eu quero é que todos vocês façam o mesmo. Ó! se todos nós estivéssemos devidamente preocupados em manter este jardim em ordem, quão bem tratado toda a bordadura seria, e quão poucas ervas-daninhas encontraríamos brotando nos canteiros! Posso perguntar-lhes, membros de igreja, se vocês estão fazendo seus deveres pelo jardim de Deus? Vocês são seus escolhidos e Ele trabalhou por vocês de forma que não precisam fazer nada para obter a salvação; mesmo assim, você não deve ser inativo, pois o seu Senhor disse para você: "Vá, trabalhe hoje na minha vinha". Você está fazendo isto? Agradeço-lhe se estiver. Se não, acusem-se.

Deveria existir uma pequena laçada em cada igreja, para recolher os espalhados. Nossas videiras crescerão desordenadamente se lhes for permitido, mas devemos lidar sabiamente com elas, e fixá-las em seus lugares. Devemos estar alertas onde vemos apostasia começar. Quanto pode ser feito por cristãos maduros, na tentativa de deter a apostasia entre os mais novos! Creio que metade dos casos de declínio, podiam ter sido detidos através de uma pequena providência judiciosa, se os crentes a tivessem tomado em tempo.Eu digo outra vez, o que nós, que somos os oficiais desta igreja, podemos fazer com tantos? Ora, nós somos mais do que três mil e quinhentos membros; mas, se vocês zelarem uns pelos outros, e procurarem, sempre que verem um pequeno declínio, uma pequena frieza, trazer de volta o seu irmão, o jardim do Rei será bem cuidado.

O jardim do Rei necessita de trabalhadores; que todos vocês trabalhem e esta necessidade será satisfeita. Algumas vezes, irmãos, precisamos queimar o entulho e varrer as folhas. Na melhor da igrejas sempre haverá folhas caindo. Nenhum de nós é perfeito. Sempre há algumas folhas em redor e não pouco cisco para ser colocado num canto e queimado. Posso pedir a um irmão, sempre que ele vir algum erro, para varrê-lo e não comentar nada com ninguém. Sempre que vocês acharem que aquele tal irmão está se portando inconvenientemente, falem com ele sobre isto com quietude; não espalhe por toda a igreja e produza desconfiança e suspeita. Pegue a folha e a destrua. Quando um irmão o ofender, de forma que o aborreça, perdoe-o; porque, eu ouso dizer, você necessitará de perdão um pouco mais tarde. Nenhum de nós, talvez, tenha o mais doce dos temperamentos, mas, se o temos, a forma de prová-lo é perdoando aqueles que não o tem. Se todos nós buscarmos fazer a paz, nunca haverá discórdia no jardim do Rei que O possa incomodar; mas quando Ele andasse no seu jardim, o acharia bonito e em ordem, e todas as flores brotando encantadoramente, e Ele encontraria prazeres com os filhos dos homens.

Eu disse que a igreja necessita de trabalhadores, mas, queridos amigos, ela necessita de algo mais. Necessita de novas plantas. Desejo achar algumas hoje a noite. Nosso Rei encontra plantas para seu jardim fora do muro. Ele toma os galhos da oliveira selvagem e os enxerta na boa oliveira, e então, a seiva faz a mudança. Que coisa estranha! Não é assim em nossos jardins, mas maravilhas são feitas no jardim do Rei. Ele transporta ervas-daninhas do monturo e as faz crescer como lírios no meio do seu belo jardim. Vocês serão tal planta? Que o amor do Mestre possa constrangê-los a desejar ser uma delas, e, se quiserem, vocês conseguirão. Confie no Senhor Jesus Cristo e você será dEle. Descanse somente nEle, e você será uma planta que foi plantada por Sua mão direita e nunca será arrancada. Deus conceda que vocês floresçam nos céus.



Mas, queridos amigos, todos os trabalhadores e todas as plantas novas, não serão o que a igreja requer, se ela não tiver alguma coisa mais, pois todo jardim necessita de chuva e sol. Esta igreja nunca prosperaria sem o orvalho do Espírito Santo e o sol do favor divino. Temos tido esta bênção grandemente. Devemos orar para que tenhamos mais. Gostaria de saber de vocês: quanto tempo faz que não vem a uma reunião de oração? Bem, vocês não tem vindo ultimamente porque é época de natal. Muito bem, não esperava vê-los; e, se esperasse, teria sido desapontado. Mas não era época de natal até outubro, e vocês não estavam aqui também. Alguns de vocês muito raramente vem. Se vocês são legitimamente impedidos em casa, eu nunca pediria que viessem, ou os repreenderia por dedicarem-se aos seus deveres domésticos, pois vocês não tem o direito de deixar negócios legítimos, que devem ser feitos, para estar aqui. Mas, estou certo que alguns de vocês são desocupados, e poderiam vir se quisessem. Eu oro ao Senhor para mandar-lhes um chicote na forma de peso em suas consciências, até que venham, pois quando nosso número declina, nos enfraquecemos em nossas orações; e sempre que desprezamos os cultos da noite, no meio da semana, estejam certos de que o poder da piedade se vai, pois os cultos do meio da semana distinguem, bem, um homem. Qualquer hipócrita virá no domingo, mas um homem precisa ter algum interesse no culto religioso para ser encontrado no meio do povo de Deus em oração.

Devo crer que alguns de vocês não se interessam se almas são ou não salvas? 
Devo crer que alguns de vocês não se interessam se seu pastor é ou não abençoado? 
Devo crer que vocês continuam membros de uma igreja na qual não tem interesse? 
Devo crer que não significa nada para vocês se Cristo é desprezado ou exaltado? 

Eu não acreditarei nisto, e contudo suas ausências das reuniões de oração tendam a me fazer temer que seja assim. Eu imploro a vocês: corrijam-se nesta questão, e assim como o jardim do Rei precisa de chuva e sol, e não podemos esperar ter isto sem oração, não nos esqueçamos de nos congregarmos, como é costume de alguns.

Ó, mais orações e mais pessoas que orem! e por aqueles que oram, orar com mais fervor e mais constância na súplica! Um favor eu pediria. Se vocês não vem às reuniões de oração, e muitos, eu sei, não podem, e eu não estou falando com vocês, nem os culpando, orem em família, orem em secreto por nós. Não nos deixe ser escasso em oração. É muito ruim vir a ser pobre financeiramente, porque nós necessitamos disto para mil causas e não podemos continuar sem ele. Mas podemos fazer melhor sem dinheiro do que sem oração. Devemos ter suas orações. Eu quase digo que se não nos derem suas orações diárias, desistam de sua comunhão, pois não é proveitosa para vocês e não pode ser útil para nós.

O mínimo que um membro de igreja pode fazer é suplicar a Deus que derrame suas bênçãos.

É o jardim do Rei, e vocês não orarão por ele? 
É o jardim onde Ele sente prazer em estar, e o qual Ele adquiriu com Seu sangue; suas orações 
não subirão em favor do florescimento desta igreja e para que Seu reino venha?



Por último, o que este jardim produz?
Algumas vezes em nosso jardim temos uma árvore que está tão carregada de frutos que temos que colocar escoras em seus galhos; existem um ou dois deste tipo nesta igreja, que carregam muito fruto para Deus e são tão fracos, fisicamente, que sua própria frutificação no zelo e dedicação parece que os quebrarão.

Eu oro a Deus que com Sua promessa graciosa possa sustentá-los. Temo, porém, que este não seja o retrato da maioria de nós.

As vezes você diz ao jardineiro: "Aquela árvore dará frutos nesta estação? Já era hora deles aparecerem". Ele olha, olha e olha de novo, e por fim o bom homem diz: "Acho que estou vendo um pequenino lá no topo, senhor, mas não sei se dará muito". Esta, receio, é a fotografia de muitos professos. Há fruto, ou então eles não seriam salvos, mas é "um pequenino".



Que sua oração seja, não somente por fruto, mas por muito fruto e que Deus possa enviá-los. Lembre-se, se existir algum fruto, ele pertencerá ao Rei. Se uma alma é salva, Ele deve ter a glória por isso.

Se algum avanço é feito na grande causa da verdade e da justiça, a coroa deve ser posta na cabeça dEle. Os guardiões da vinha podem receber suas centenas, mas o Rei mesmo deve receber seus milhares vezes dezenas de milhares, pois Ele merece tudo.

- por Charles Haddon Spurgeon (1834-1892)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

(parte 7 - final) Os 7 Hábitos de um Namoro Altamente Defeituoso



7. O namoro cria um ambiente artificial para avaliar o caráter de outra pessoa.

Apesar de muitos relacionamentos não serem direcionados para o casamento, alguns - especialmente entre estudantes de faculdade mais velhos - têm o casamento como sua motiva­ção. As pessoas que querem sinceramente descobrir se deter­minada pessoa é uma boa opção para o casamento precisam entender que o namoro típico, na verdade, atrapalha este pro­cesso. O namoro cria um envolvimento artificial para duas pessoas interagirem. Consequentemente, cada pessoa pode facil­mente apresentar uma imagem igualmente artificial.

Na entrada da garagem de casa temos uma cesta de bas­quete que permite o ajuste em diferentes alturas. Quando regu­lo a cesta quase um metro abaixo do padrão, eu pareço ser um excelente jogador de basquete. Enterrar não é nenhum proble­ma. Eu deslizo pelo chão e faço a cesta todas as vezes. Mas a minha “habilidade” existe apenas porque eu rebaixei os padrões - eu não estou jogando no ambiente real. Me coloque em uma quadra com o aro a três metros do chão, e eu volto a ser um “homem branco que não sabe enterrar.” [1]

De modo semelhante, o namoro cria um ambiente arti­ficial que não exige que a pessoa apresente as suas característi­cas positivas e negativas. Em um namoro, a pessoa pode entrar no coração do parceiro usando atitudes cheias de charme. Ele dirige um carro legal e paga todas as despesas; ela é linda. Mas e daí? Ser um cara divertido em um passeio não diz nada sobre o seu caráter ou a sua habilidade em ser um bom marido ou esposa.

O namoro é algo divertido, em parte porque nos dá uma folga da realidade. Por esta razão, quando estiver casado eu planejo ter o hábito de namorar com a minha esposa. No ca­samento, você precisa tirar uma folga da tensão do trabalho e das crianças; você precisa “dar uma rugida” de vez em quan­do. Mas duas pessoas que estão avaliando a possibilidade de se casarem precisam ter certeza que elas interagem não apenas em situações divertidas e românticas do namoro, A sua prio­ridade não deve ser fugir da vida real; eles precisam de uma boa dose de realidade objetiva! É necessário ver o outro nas situações reais da vida com familiares e amigos. Eles preci­sam ver o outro servindo e trabalhando. Como ele interage com as pessoas que o conhecem melhor? Como ele reage quan­do as coisas não saem como planejado? Ao considerar um parceiro em potencial, precisamos encontrar respostas a estas questões - questões que o namoro não irá responder.

Nota:
[1] n.t. - Título de um filme sobre jogadores de basquete de rua.

- por Joshua Harris
Excertos do livro:  Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

(parte 6) Os 7 Hábitos de um Namoro Altamente Defeituoso




6. O namoro pode causar desgosto com o dom de permanecer solteiro dado por Deus

No aniversário de três anos do meu irmão, ele ganhou uma linda bicicleta azul. A miniatura de bicicleta era novíssima, completa com rodinhas auxiliares, equipamentos de proteção e adesivos. Pensei que ele não poderia desejar uma bicicleta melhor, e mal podia esperar para ver a sua reação.

Mas para o meu desgosto, meu irmão não parecia im­pressionado com o presente. Quando meu pai tirou a bicicleta da caixa de papelão, meu irmão a observou por um momento, sorriu, e então começou a brincar com a caixa. Demorou al­guns dias para que eu e a minha família o convencesse de que a bicicleta era o presente de verdade.

Não consigo evitar de achar que Deus vê a nossa paixão por relacionamentos de curta duração da mesma forma que eu enxergava o amor do meu irmão por uma caixa que não valia nada. Uma sucessão de namoros sem compromisso não é o pre­sente! Deus nos dá o “estar solteiro” - uma época de nossa vida incomparável em termos de oportunidades infinitas de cresci­mento, aprendizado e serviço - e nós vemos isso como uma chance de nos atolarmos ao tentar achar e manter um namorado ou namorada. Mas nós não encontramos a verdadeira beleza de estar solteiro na busca de romance com a maior variedade de pessoas que quisermos. Nós encontramos a verdadeira beleza em usar a nossa liberdade para servir a Deus com total entrega.


O namoro causa insatisfação pois encoraja o uso indevido desta liberdade. Deus colocou um desejo pelo casamento na maioria dos homens e mulheres. Apesar de não estarmos pecando quando ansiamos pelo casamento, podemos ser culpados de mau uso do privilégio de sermos solteiros. É quando permitimos que um desejo por algo que Deus obvia­mente ainda não nos deu, roube a nossa habilidade de aproveitar e apreciar o que ele já nos deu. O namoro contribui ao reforçar esta insatisfação pois dá a duas pessoas solteiras a intimidade suficiente para fazê-los desejarem mais. Ao invés de aproveitarem as qualidades únicas de estar solteiro, o namoro faz com que as pessoas concentrem naquilo que ainda não possuem.

- por Joshua Harris
Excertos do livro:  Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

(parte 5) Os 7 Hábitos de um Namoro Altamente Defeituoso



5. O namoro, em muitos casos, tira a atenção dos jovens adultos de sua principal responsabilidade, que é de preparar-se para o futuro. 

Nós não podemos viver no futuro, mas negligenciar nossas obrigações atuais nos desqualificará para as responsabilidades de amanhã. Estar distraído por causa do amor não é tão mal assim -a não ser que Deus deseja que você faça algo diferente. 

Uma das tendências mais tristes do namoro é desviar os jovens adultos do desenvolvimento dos seus talentos e habilidades dadas por Deus. Ao invés de equiparem-se com o caráter, formação acadêmica e experiência necessária para obter o sucesso na vida, muitos permitem serem consumidos pelas necessidades atuais que o namoro enfatiza. 

Namorar pode lhe dar a oportunidade de colocar em prática ser um bom namorado ou uma boa namorada, mas será que são habilidades que valem a pena? Mesmo que você esteja saindo com a pessoa com quem irá se casar, a preocupação em ser a namorada ou namorado perfeito, podem, na verdade impedi-lo de ser o futuro marido ou esposa que esta pessoa irá precisar um dia.

- por Joshua Harris
Fonte: Jovem Radical (não achei a fonte no Cristão Reformado)
Excertos do livro:  Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

(parte 4) Os 7 Hábitos de um Namoro Altamente Defeituoso




4. O  namoro  geralmente  isola  o  casal  de outros relacionamentos vitais.

Enquanto Garry e Jenny estavam namorando, eles não precisavam de mais ninguém. Como era para ficar com a Jenny, Garry não teve problemas em deixar de freqüentar o Estudo Bíblico de quarta à noite com a turma. Jenny nem pen­sou duas vezes sobre o fato de que mal falava com a irmã mais nova ou com a mãe agora que estava namorando o Garry. Também não se deu conta de que ao falar com eles sempre começava as suas frase com “Garry fez isso...” e “Garry disse isso e aquilo...” Sem querer, ambos tinham, egoisticamente e de forma tola, se privado de outros relacionamentos.

Pela própria definição, o namoro é basicamente duas pes­soas com o foco uma na outra. Infelizmente, na maioria dos casos o resto do mundo vira um pano de fundo esmaecido. Se você já fez o papel de “vela” ao sair com um casal de amigos que estão namorando, você sabe como isso é verdade.

De todos os problemas referentes ao namoro, este é pro­vavelmente o mais fácil de se resolver. Ainda assim os cristãos precisam levá-lo a sério. Por que? Primeiro, porque quando permitimos que um relacionamento exclua os outros, estamos perdendo a perspectiva. Em Provérbios 15:22 lemos: “Onde não há conselho fracassam os projetos, mas com os muitos con­selheiros, há bom êxito”. Se tomamos as decisões da nossa vida baseados unicamente na influência de um relacionamento, pro­vavelmente estaremos fazendo julgamentos limitados.

É claro que cometemos este mesmo erro em muitos ou­tros relacionamentos não-românticos. Mas nos deparamos com este problema mais frequentemente no namoro, pois envolve nosso coração e emoções. E como o namoro focaliza os planos do casal, assuntos fundamentais relacionados ao casamento, família e fé estão arriscados.

E se duas pessoas não tiverem definido o seu nível de compromisso, eles estão definitivamente em risco. Você se coloca em uma posição precária ao se isolar das pessoas que o amam e o apóiam pois você mergulha de corpo e alma em um relacionamento romântico não fundamentado no compromisso. No livro Passion and Puríty (Paixão e Pureza), Elisabeth Elliot declara: “A não ser que um homem esteja preparado para pedir a uma mulher que seja a sua esposa, que direito tem de requisitar a sua atenção exclusiva? A não ser que tenha sido pedida em casamento, por que uma mulher sensível pro­meteria a qualquer homem a sua atenção exclusiva?” Quantas pessoas terminam seus namoros e encontram quebrados os seus laços de amizade com os outros.

Quando Garry e Jenny decidiram, em comum acordo, pararem de namorar, ficaram surpresos ao encontrarem os seus relacionamentos de amizade totalmente abandonados. Não que os seus amigos não gostassem dos dois; é que eles praticamente não os conheciam mais. Nenhum dos dois haviam investido tempo ou esforço na manutenção destas amizades enquanto estavam concentrados no seu namoro.

Talvez você tenha feito algo semelhante. Ou talvez co­nhece a dor e frustração de ser deixado de lado por causa de um namorado ou namorada. A atenção exclusiva normalmen­te esperada em um namoro tem a tendência de roubar dos dois a paixão pelo serviço na igreja e de isolá-los dos amigos que mais os amam, dos familiares que mais os conhecem, e, o mais triste, até de Deus, cuja vontade é, de longe, mais importante  que qualquer interesse romântico.

- por Joshua Harris

Excertos do livro:  Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

(parte 3) Os 7 Hábitos de um Namoro Altamente Defeituoso




3. O namoro geralmente confunde relacionamento físico com amor.

Dave e Heidi não tinham planejado se envolverem fisi­camente na primeira vez que saíram juntos. De verdade. Dave não fica “só pensando nisso” e a Heidi não é “aquele tipo de garota”. Aconteceu. Eles foram a um show juntos e depois as­sistiram a um filme de vídeo na casa da Heidi. Durante o filme, Heidi fez uma gozação a respeito da tentativa dele de dançar durante o show. Ele começou a fazer cócegas nela. A luta de brincadeirinha de repente parou quando eles se viram encaran­do um ao outro nos olhos, com Dave inclinado sobre ela no chão da sala de estar. Eles se beijaram. Parecia algo de cinema. Parecia tão correto!

Pode ter parecido certo, mas a introdução precoce de uma afeição física no relacionamento acrescentou confusão. Dave e Heidi não se conheciam de verdade, mas de repente se sentiam próximos. À medida que o relacionamento progre­dia, eles achavam difícil manter a objetividade. Quando ten­tavam avaliar as qualidades do relacionamento, eles imediata­mente visualizavam a intimidade e a paixão do seu relaciona­mento físico. “É tão óbvio que nós nos amamos” pensou Heidi. Mas será que era verdade? Só porque lábios se encontraram não quer dizer que corações se uniram. E só porque dois cor­pos são atraídos um ao outro não quer dizer que as duas pes­soas foram feitas uma para a outra. O relacionamento físico não é igual a amor.

Quando consideramos que a nossa cultura como um todo entende as palavras “amor” e “sexo” como sinônimas, não de­veríamos ficar surpresos que muitos relacionamentos confun­dem atração física e intimidade sexual com verdadeiro amor. Lamentavelmente, muitos namoros cristãos refletem esta falsa noção.

Quando examinamos o progresso da maioria dos rela­cionamentos, nós podemos ver claramente como o namoro promove esta substituição. Primeiro, como já ressaltamos antes, o namoro nem sempre leva a compromissos duradou­ros por toda a vida. Por esta razão, muitos namoros come­çam com a atração física; a atitude que está por trás disso é que os valores mais importantes vem da aparência física e da maneira como o parceiro se comporta. Mesmo antes que um seja dado, o aspecto físico e sensual do relacionamento assumiu a prioridade.

Em seguida, o relacionamento normalmente caminha a passos largos na direção da intimidade. Pelo fato do namoro não requerer compromisso, as duas pessoas envolvidas permitem que as necessidades e paixões do momento ocupem o cen­tro de palco. O casal não olha um para o outro como possíveis parceiros para toda a vida e nem avaliam as responsabilidades do casamento. Ao invés disso, eles concentram nas exi­gências do momento. E com esta disposição mental, o relaci­onamento físico do casal pode facilmente se tornar o foco.

E se um rapaz e uma garota pulam o estágio da amizade no relacionamento, a lascívia frequentemente se torna o interes­se comum que atrai o casal. Como resultado, eles avaliam a seri­edade do seu relacionamento pelo nível de envolvimento físico. Duas pessoas que namoram querem sentir que são especiais uma para a outra e elas podem expressar isso concretamente através da intimidade física. Elas começam a distinguir o seu “relacio­namento especial” ao se darem as mãos, beijarem-se e o restante que se segue. Por esta razão, a maioria das pessoas acredita que sair com alguém implica em envolvimento físico.

Concentrar no físico é claramente pecaminoso. Deus exige pureza sexual. E Ele faz isso para o nosso próprio bem. Envolvi­mento físico pode distorcer a perspectiva de cada um dos namora­dos e levá-los a decisões erradas. Deus também sabe que levare­mos as memórias de nosso envolvimento físico do passado para o casamento. Ele não quer que vivamos com culpa nem remorso.


O envolvimento físico pode fazer com que duas pessoas se sintam próximas. Mas se muitas pessoas que estão namo­rando examinassem o foco do seu relacionamento, eles prova­velmente descobririam que a lascívia é o que têm em comum.



- por Joshua Harris
Excertos do livro:  Eu Disse Adeus ao Namoro: uma nova atitude em relação ao romance. São Paulo: Atos, 2003.

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