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Cristãos e a Revolução de 1964 (parte 3 - final)


3. Do papel do cristão, diante da História

Analisar a História não cumpre rumar para a "direita" ou para a "esquerda": seria tão ilógico quanto dizer que Isaías, por criticar atitudes dos reis de Israel, fosse na verdade um revolucionário comunista, indignado com a opressão do proletariado judeu; seria como taxar João Batista de subversivo da ordem vigente, e torná-lo um "Che" dos tempos antigos. A análise da História deve estar dissociada do viés ideológico, para que não se construam "verdades ideológicas".

O cristão precisa atentar a esses fatores. Não se trata de "tomar partido", mas de verificar o real progresso da humanidade ao longo dos tempos. É realidade que o homem erra, peca, mas isso não é um fator a impedir que ele venha a acertar, fazer as melhores escolhas, e obter discernimento sobre aquilo que faz nosso povo crescer ou definhar. A mesma linha de raciocínio vale para a Administração Pública, para toda sociedade.

É certo, ainda, que houve evangélicos envolvidos na chamada "Luta Armada". Se não usaram de discernimento, não cabe hastearem, hoje, a "bandeira da resistência", pois foram impelidos por um pretenso "impulso libertário", manipulados que foram por ideologias estranhas e claramente anticristãs. Atualmente, são os mesmos que, com a ideia de defenderem Marx e outros teóricos comunistas, condenam pastores e líderes cristãos como Enéas Tognini que, à época, organizaram orações pelo nosso País, e até jejuaram para que o comunismo não viesse a vingar, como forma de opressão pública. E aqueles, da chamada "resistência", o que faziam? Importaram-se de orar pelo nosso povo? Acaso oraram para que "João Goulart concluísse sua reforma total das instituições pelo solapamento das mesmas e, com isso, instaurar uma república socialista no País"? Que espécie de compromisso é esse? E quem lhes deu o direito de acusar supostos torturadores, sem qualquer tipo de prova? Quem lhes cegou o entendimento para se envolverem em "lutas" de "libertação", sendo que agir assim era compactuar com a comunização do nosso País? Acaso agir assim era fazer a vontade de Deus?

Que fazem os ditos "cristãos", que rumam para a defesa de ideologias que claramente vão contra os princípios básicos de sua fé? E mais: como fica a submissão à autoridade, constituída por Deus para o bem do povo e que, se não acatada em suas ordens, leva o rebelde a graves consequências? Defender ideologias - de esquerda, de direita ou de centro - que ofendem o compromisso do cristão com Deus, com sua família, seu próximo e com sua Nação, é promover o autoengano, perpetuar a iniquidade e fazer com que o nome do Senhor seja desonrado entre os homens. Aquele que se diz cristão, mas usa de seu intelecto para dar lugar a ideias escusas, alegando, com isso, o exercício de uma mente "progressista", claramente influenciada pelas correntes socialistas e comunistas, que faz, senão trair o seu próprio caminho com Cristo? Que será daqueles que trataram criminosos, terroristas, sequestradores, justiçadores, como heróis? Penso que o Juízo será bem severo para estes!

Conclusão

A posição do cristão, portanto, frente à Contrarrevolução de 1964, considerando o contexto histórico e as decisões nele tomadas, deveria ter sido - e como foi, em muitos casos - de apoio, respeito, participação colaboradora e oração. Se o cristão é comissionado a orar pela paz em sua cidade, nela haverá paz, pois quem a conduz a esse estado é Deus. Orando, agindo, e buscando exercer seu compromisso diário de construir a Nação; não de rachá-la, por conta de motivações ideológicas, contrárias à sua própria fé.

A voz da igreja cristã, legítima e compromissada com Deus, com o próximo e com sua Pátria, não pode se calar. Já tentam, através de leis e projetos de leis que pisam e rasgam a Constituição pátria; mas é hora de o cristão verdadeiro exercer seu compromisso e honrar o nome do seu Senhor pela terra. Não apenas agir, mas sim basear suas atitudes em oração. Assim, não terá de deturpar a História, para que ela seja mudada para contar a versão dos derrotados. Se o cristão é comissionado a amar a verdade, amar a justiça e andar em retidão diante do seu Deus, que faz ele, senão agir como menino e se deixar levar por todo sopro de vã doutrina (Efésios 4:14), ao defender essas ideologias flagrantemente anticristãs?

Há verdades que precisam ser ditas, de modo isento, sem crítica desmedida a atitudes do passado e a posições do presente. Cabe o respeito, não a conivência, nem a omissão. É tempo de avaliar, de não adotar uma postura de "vanguarda", "progressista", que coloca em xeque a fé de muitos e tem a única serventia de exaltar pretensões humanas.

Que Deus abençoe nossa Nação, as famílias e seus descendentes que até hoje pagam por terem cumprido com seu papel. Que o Senhor nos ajude. E que Jesus venha logo. 

- por Cleber Olympio (Não traduzimos a opinião oficial das Forças Armadas do Brasil)

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