"Eu me confesso ser do número daqueles que, aprendendo, escrevem; e escrevendo aprendem" - Agostinho

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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Efésios 3.2 - A autoridade da Escritura - Exposição em Efésios - Sermão pregado dia 18.08.2013


Efésios 3.2 - A Autoridade da Escritura
Exposição em Efésios -
Sermão pregado dia 18.08.2013

Veja a pregação em vídeo, realizada na Igreja Cristã Reformada de Blumenau.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=h4NSxjegxrE

"Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada" (Ef 3.2).

A Escritura deve ser a fonte completa, inerrante, infalível e inefável para todo homem. Ela deve ser como expressou o salmista: "Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho" (Sl 119.105). Assim, é preciso que entendamos haver um motivo para o apóstolo escrever este versículo aos irmãos em Éfeso. Sabemos que originalmente a Bíblia não foi escrita com a divisão de capítulos e versículos, no entanto, isso não significa que nela haja algum escrito sem motivo. Ainda mais: quando lemos a Escritura, não devemos crer, por exemplo, que é Paulo escrevendo, como se fossem suas palavras, pois ele mesmo, no versículo de hoje, clareou aos irmãos que sua mensagem não era fruto de seus estudos como fariseu, mas, sim pela revelação que recebera de Cristo Jesus.

A palavra que o apóstolo usa em nosso versículo (traduzida por dispensação), denota a ideia de administração, comissão, um ofício que requer boa mordomia e por isso deve ser corretamente tratado [1]. Isto é de extrema relevância para nós, pois ele está afirmando que tudo o que tem ensinado e recebido sobre si mesmo - inclusive a prisão - é fruto do dever que possuía em pregar o evangelho. Em sua primeira carta aos irmãos em Corinto, disse: "Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1Co 9.16 - grifo meu).

Portanto, podemos perceber como o tratado principal da Escritura em nos fornecer este versículo, diz respeito à autoridade que a Escritura tem na vida do cristão e em como devemos a ler como sendo palavra do próprio Deus, e não de homens. Ainda que essa distinção possa aparentar ser sem motivo, muitos, infelizmente, tem se enredado e caído em erros, crendo que versículos como "Sede meus imitadores" (1Co 11.1a), afirmam que devemos seguir os passos de homens, se esquecendo, todavia, da continuação do mesmo: "como também eu de Cristo" (1Co 11.1b).

A pergunta que devemos realizar neste momento é: a quem temos buscado seguir - a Cristo ou ao apóstolo? Quando lemos o Novo Testamento, ficamos mais santamente impressionados com a vida de Jesus ou com o modo como os demais cristãos viviam? Nos deixa perplexos a vinda do Verbo que se fez carne (Jo 1) ou o nascimento de mais um homem? Não que seja pecaminoso louvar a Deus pela grande obra realizada na vida de todos os Seus, mas a pergunta deve ser: a quem temos estimado acima de todas as coisas? Noutras palavras, Cristo tem sido o guia certo, justo e puro de nossa caminhada? Temos lido a Bíblia como sendo Deus falando aos nossos corações?

Quando lemos a Escritura, amados irmãos, melhor seria que nos reportássemos, em vez de dizermos "Carta de Paulo aos Efésios", afirmamos ser a "Carta de Deus aos irmãos em Éfeso por meio de Seu servo Paulo". Esta distinção é sublime e necessária, pois muitas vezes as asseverações bíblicas soam com pouco vigor para muitos crentes, pois estes leem a Bíblia como se fossem palavras de homens. Quando se deparam com doutrinas como o dever das mulheres cobrirem suas cabeças durante o culto público (1Co 11), creem ser algo cultural, passageiro, transitório e sem qualquer relação com nossos dias, porque enxergam um homem dando esta orientação. Tais pessoas fazem e agem desta maneira porque não estão carregando uma fé de que tal ordenança é vinda de Deus, "descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17).

A Bíblia é a Palavra de Deus e o apóstolo afirmou para os irmãos que suas palavras eram vindas do Senhor. Ele invoca para si a responsabilidade recebida em pregar a Palavra, de maneira que sua carta não deveria ser recebida com escrito de homens falhos, mas, sim, como vindo do próprio criador do universo.

Já nos foi exposta a Palavra de Deus no sentido de aprendermos que todas as igrejas do início do Novo Testamento possuíam a mesma e pura doutrina, ainda que incorressem em erros diversos (clique aqui para ler). Isso precisa ser clarividente em nossas vidas, bem como jorrar certezas durante nossa peregrinação, pois caso não tenhamos a Bíblia Sagrada como escritura vinda diretamente do Senhor e devendo ser aplicada identicamente na vida de toda Sua Igreja, viveremos seguindo apenas um bom padrão moral, não tendo, entretanto, a verdadeira regeneração operada em nossas vidas.

Diante disso, podemos aprender quatro preciosas lições à partir deste estabelecimento: 1. Devemos seguir a Escritura; 2. Devemos pregar a Escritura; 3. Devemos crer que tudo advém da graça de Deus; 4. Devemos pregar somente a Escritura.

1. Devemos seguir a Escritura - "Se é que tendes ouvido"

O Senhor e Artífice de toda a criação, levou o santo apóstolo a anunciar o evangelho aos gentios (At 9.15; Gl 1.23). A afirmação retórica que Paulo se utiliza, diz respeito à autoridade que ele possuía para anunciar o evangelho. Ele não era apenas um mensageiro, pois a palavra apóstolo é específica, não significando e identificando alguém como um simples entregador de mensagens, e sim alguém que vai adiante de outrem mostrando o correto caminho.

Diante disso, devemos averiguar em nossos corações se a Escritura tem atingido a sua finalidade imaculada em nossas vidas. Ela não foi escrita somente para aumentar nosso conhecimento, e sim para transformar nossas vidas; ela foi dada e inspirada por Deus para que os homens reconheçam suas vilezas e conheçam a "Jesus, que nos livra da ira futura" (1Ts 1.10).

Esta é a razão pela qual o apóstolo diz "se é que tendes ouvido". Não havia qualquer intenção de Paulo em confundir ou duvidar da veracidade da fé dos cristãos em Éfeso, todavia, ele parece se precaver (ou exortar eventuais pessoas que estavam descrendo em sua mensagem como enviado do Senhor) de uma futura disputa acerca de seu apostolado, o que acontecera em outras cartas. Paulo era cônscio de que os irmãos em Éfeso reconheciam sua autoridade, pois outrora esteve entre eles. Vimos isto no primeiro versículo do primeiro capítulo, quando fomos ensinados de que Paulo esteve em Éfeso durante três anos (At 20.31) depois de sua segunda viagem missionária (isto é, na sua terceira), após ter visitado a cidade de Corinto (At 18). Em Éfeso, Paulo discursou durante três meses na sinagoga (At 19.8) e subsequente a isso, durante todos os dias, pelo período de dois anos, ensinou na escola de um certo Tirano (At 19.9). Pela graça de Deus, Paulo também fez muitos milagres enquanto ali permaneceu (At. 19.11), de forma que os habitantes muito se maravilhavam e o Evangelho de Cristo se expandia (clique aqui para ler).

Temos ouvido e lido a Escritura como palavra do Senhor? Desta resposta dependem muitos desdobramentos de nossa vida, porque se estamos a lendo como palavras de homens ou palavras não puras e dignas como deveriam ser, tomamos o nome de Deus em vão, quebrando o mandamento (Êx 20.7) e não experimentamos o santo renovar do Senhor (Rm 12.2). Podemos não ser como Timóteo, que "desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras" (2Tm 3.15), no entanto, isso não obsta o ler da Palavra de Deus como sendo vera palavra!

Quantos de nós há anos reclamam que nunca leram a Bíblica completamente? Quantos que a cada ano que passa reclamam de suas vidas e de modo como o Senhor não lhes ensina e transforma a vida, no entanto, sequer se apercebem que é impossível ser um professo da fé cristã ser ler a Escritura? Ora, isto é evidente, quando lemos em 2Tm 3.16-17, porque somente a Escritura nos torna aptos para viver.

2. Devemos pregar a Escritura - "a dispensação"

Uma vez que os irmãos haviam recebido a Palavra do Senhor por meio do apóstolo, este lhes diz que havia recebido a incumbência de pregar a Escritura - e isso também devemos realizar.

Quando escreveu ao amado Timóteo, Paulo disse: "Conjuro-te, pois, diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino, Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm 4.1-2). Timóteo também havia recebido a ordenança do Senhor para pregar a Palavra e este dever é imposto sobre todos os cristãos!

Entretanto, não devemos olhar pelo viés negativo, aquele que traz receios e ansiedades, e sim pelo foco da graça do Senhor em nos tornar anunciadores de Sua Escritura. Os cristãos não devem somente se focar no lado peregrino da vida cristã, mas, sim, na graça de serem chamados cidadãos do céu, pois "O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu" (1Co 15.47), "em quem também fomos feitos herança" (Ef 1.11).

Paulo se regozijava com o fato de ter sido chamado apóstolo do Senhor e nós erramos se não consideramos uma grande bênção o ser cristão. Por que teimamos em ver o lado negativo do cristianismo? Por que insistimos em ter uma visão pessimista da vida em santidade, sendo que tudo por nós já foi pago? Por que olhamos para o pecado e vemos o quão terrível é, ao passo que nos deixamos ser assolados e entristecidos, fazendo com que toda força se vá?

É mister que recobremos a alegria pelo evangelho, o júbilo de podermos estar louvando ao Senhor. Bem é verdade que muitos santos tiveram momento de dificuldades, mas nela clamaram: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário" (Sl 51.12). A alegria deve se um distintivo na vida de toda a Igreja por esta terra, "Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (Hb 13.14). Enquanto o mundo não pode enxergar nada além de sua turva visão, o cristão procede como o salmista: "Levantarei os meus olhos para os montes, de onde vem o meu socorro. O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra" (Sl 121.1-2). E esta alegria deve ser expressa na pregação da Palavra.

Pregar a Palavra, longe de uma imposição terrível e crudelíssima, é um dever jubiloso que o cristão possui. Ele, outrora escravo do pecado, agora pode anunciar o evangelho. Assim como o apóstolo, assim deve ser dito de cada cristão: - "Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía" (Gl 1.23)

3. Devemos crer que tudo advém da graça de Deus - "da graça de Deus"

Conforme temos sido ensinados pelo texto e exposição bíblica, a realidade de que a salvação é pela graça soberana e imperscrutável do Senhor, dever-nos-ia ser uma axioma - um baluarte inabalável. Incontáveis vezes fomos exortados a nos fixarmos unica e exclusivamente no sacrifício substitutivo de Cristo Jesus, de maneira que nada mais resta à fé, senão a justificação imputada sobre todos os Seus.

Como crentes no Senhor, precisamos rogar ao Eterno Deus para que a cada dia nos dê maior convicção do pecado, mas também uma mais sublime noção e júbilo pela graça recebida. Esta graça, quando genuinamente guardada junto ao coração, produz os mais belos e excelentes frutos cristãos. Esta graça habilita o cristão a se achegar diante do trono de Deus e com ousadia suplicar perdão, mesmo que reconheça que todos os seus pecados já estão perdoados, pois o pecado já foi pago por Cristo.

Esta graça bendita, portanto, impelia e oficiava o apóstolo a pregar a Palavra. Ela o levava a pregar com santa disposição, sempre enfatizando que tudo o que os crentes precisavam se encontrava em Cristo. Nada que Paulo lhes escrevia deveria ser lido como demasiadamente pesado, porque uma vez que a salvação é um dom de Deus, então aqueles cristãos deveriam prosseguir a carreira da fé, sabendo como o apóstolo recebera a mensagem, também eles haviam sido alcançados.

4. Devemos pregar somente a Escritura - "que para convosco me foi dada"

O povo de Deus, quando expõe a sã mensagem, deve ser ater ao que recebeu do Senhor. Diversas são as vezes em que este mandamento é posto em prática, como quando Paulo prescreve a ceia aos irmãos em Corinto, dizendo: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei" (1Co 11.23). O levar da sã doutrina somente será abençoado de for de acordo com que Deus teve por bem nos legar em Sua Escritura. Maldito será todo o evangelismo que exaltar o homem ou deturpar a mensagem do evangelho.

A Igreja do Senhor é o porta voz de Deus na terra. À semelhança do arauto que proclamava a mensagem do rei para o povo, assim também é a Igreja, de maneira que grande temor deveria lhe sobrevir em todas as vezes em que expõe a Palavra de modo ambíguo e incerto. Que Escritura teríamos se o apóstolo Paulo deturpasse o que recebera? Em quantas invenções estaríamos enredados, caso o Senhor não tivesse guiado em verdade e pureza Seu santo povo durante estes mais de dois mil anos de história?

Possamos agradecer, portanto, ao bendito e salvador de Jesus Cristo, o qual se compadeceu de nós, fazendo com que também possamos ouvir Suas santas palavras. Que segundo a multiforme graça de Deus, sejamos levados a um desejo genuíno de ouvir, ler e entender a sã doutrina, de maneira que nos agarremos ao sacrifício de Cristo, crendo que se Sua mensagem chegou até nós, certamente não foi em vão.

Nota:
[1] A Palavra usada é oijkonomiva (Oikonomia).

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